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De acordo com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), a toponímia da palavra Assaré é originária do tupi, que
significa atalho ou caminho diferente. O município de
Assaré tem como origem o município de Saboeiro e foi
criado por força da lei nº 1.152, no ano de:
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"Gilmar de Carvalho teve uma rica
aproximação com os xilógrafos de Juazeiro do Norte, descrevendo seus universos e modos de fazer mediante entrevistas que realizou entre os anos de 1980 e 2009. Em
suas observações, constatou ser "[...] impossível pensar
a xilogravura sem o suporte de uma tipografia". Imbuído
desse pressuposto, divulgou algumas reflexões sobre a xilogravura produzida no Ceará na ilustração dos jornais.
(Bezerra, 2023. A sedução da gravura: a trajetória da xilogravura no Ceará. p. 33.)
Disponível emhttps //repositorio.ufc.br/handle/riufc/74116).
O texto acima faz referência à Xilogravura como "expressão da arte popular" nordestina. Um dos maiores nomes da Xilogravura do Brasil e com forte atuação no Cariri cearense (em Juazeiro do Norte) foi:
Disponível emhttps //repositorio.ufc.br/handle/riufc/74116).
O texto acima faz referência à Xilogravura como "expressão da arte popular" nordestina. Um dos maiores nomes da Xilogravura do Brasil e com forte atuação no Cariri cearense (em Juazeiro do Norte) foi:
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Uma das formas de estudar e compreender o Estado Moderno é a interpretação dos seus
elementos constitutivos. Existem nomenclaturas distintas desses elementos, mas, em regra, convergem para
alguns elementos centrais. Um dos grandes estudiosos
brasileiros sobre o Estado e os seus elementos constitutivos foi Dalmo Dallari. Para Dalmo Dallari, qual dos
elementos abaixo não faz parte dos elementos constitutivos do Estado Moderno?
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No título III (Da Organização
do Estado), no capítulo I (Da organização político-administrativa) da Constituição Federal de 1988 está explicitado que "Os Estados podem incorporar-se entre si,
subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais,
mediante aprovação da população diretamente interessada
(art. 18, § 3°, da CF/88)", devendo após, a esculta da
população, ser aprovado pelo Congresso Nacional, mediante aprovação de lei complementar.
O meio pelo qual a população diretamente interessada participa do processo acima mencionado é::
O meio pelo qual a população diretamente interessada participa do processo acima mencionado é::
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Em qual Constituição aparece,
pela primeira vez, um capítulo especial dedicado à
ciência e à tecnologia?
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"Nascido em São Paulo em 1920,
Florestan Fernandes realizou estudos básicos em curso de
madureza, atualmente denominado supletivo, a partir dos
17 anos. Bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela
USP, 1944; mestre em Antropologia, 1947; doutor em
Sociologia,1951; livre-docente em Sociologia, 1953; catedrático de Sociologia I, na USP, 1964; foi aposentado
compulsoriamente pelo AI-5 em 1969. Atuou como professor nas Universidades de Columbia, de Toronto, de
Yale, Católica de São Paulo." (Sociedade Brasileira de Sociologia, s/d.
Disponível em https //sbsociologia.com.br/project/flores tan-fernandes/)
Em relação ao sociólogo Florestan Fernandes é correto afirmar:
Disponível em https //sbsociologia.com.br/project/flores tan-fernandes/)
Em relação ao sociólogo Florestan Fernandes é correto afirmar:
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Um dos grandes pensadores da sociedade e do seu funcionamento ao longo do século XIX
e que frequentemente é considerado um dos pais (que
publicou - em seis volumes - a obra intitulada Curso de
Filosofia Positiva) da Sociologia moderna é:
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Umas das sistematizações mais
clássicas da divisão de poderes (através da publicação
do livro "O Espírito das Leis", de 1748) pode ser
atribuída ao filósofo:
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A FILA
Para os que não desistiram
Antes da conversão do gentio ao maravilhoso mundo digital,
havia mais filas no mundo para se esperar a vez. De nascer. De
morrer. De usar o telefone... De pedir perdão... Ou amor eterno.
As pessoas madrugavam, já concebendo, resignadas, a
existência clara da lógica de sempre haver mais fila do que atendimento. Havia grande fome no mundo analógico! Sobretudo, de
informação. Por isso, havia a fila só para informação. Fila para
saber que outra fila tinha que enfrentar, para pegar a senha para
entrar noutra fila... Várias encarnações sobre as pernas cansadas.
Numa sequência quase infinda, como uma Matriuska, que, ao
fim, revela seu nada.
Em todo canto havia o canto da fila. E o lugar de quem chegava por último, era sempre o da espera horrenda: o fim final...
A danação eterna de esperar a vez e ser avisado: "- Por hoje
só! Quem quiser, que volte amanhã e pegue a fila!"
Receita Federal, INPS, INAMPS, COBAL, Correios, Caixa
Econômica 'Foderal', Banco do Brasil, Lojas Brasileiras, vulgo
LOBRÁS, veja só! (Não existia Havan!). Tudo era boca para
fila, sorvedouro de gente para as infra dimensões. "- Na fila aí,
minha gente! Borá lá! Se organizando... Um atrás do outro!"
Conduzia a voz de comando, ao que, obedientes, perfilavam-se
os peixinhos para adentrar na boca do tubarão.
Também eu, no meu tempo, gastei muito do cálcio de minhas
pernas engrossando filas. Certa vez, a fila da vez e a conformidade (ou comorbidade) do caso, era na Caixa Econômica. Causo
de ir ver se tinha direito a FGTS, Fundo de não sei o quê...
auxílio... Mensagem perdida numa garrafa que fosse endereçada
a mim.
-Essa fila não anda!?
-Só abre às 9. E pra triagem, ainda!
- Issé uma imoralidade!
-E parece que vai chover de novo.
A fila parecia uma cobra morta. Abandonada sobre a calçada.
Começa rente à porta da Caixa... Descia as escadas. Sapateava
no barro do retângulo onde jazia um jardim. Ocupava a frente
das lojas ainda fechadas: a pastelaria Canarinho, Casa Rosada
Tecidos, Dedé discos... Se perdia Rua da Conceição afora, umedecida pela chuva de ontem e sob ameaça de outra.
Uma velha de saia godê florida cochilava encostada na
pa-rede. Uma sacola de plástico preto presa no braço. O diabo de um velho pitava um cigarro forte. "- A essa hora, meu
senhor!?". Baforejava fumaça prum lado e pro outro, como uma locomotiva incensando os presentes, que já devidamente anestesiados pelo cotidiano, nem ligavam. No 6° lugar, estava uma
bonitinha. Bem feita de corpo, a diaba! Não fosse essa calça
brega de oncinha e essa blusa verde-limão escrito H-u-g-o B-os-s! Réplica! Na certa!
De repente gritos e alvoroço! Algo desfez a fila ali atrás.
Esbagaçou-se só o rabo da cobra morta!
Um ladrão! Avançou na bolsa a tira colo de uma mulher baixinha. Ninguém interveio. Puxou ela pro meio da rua. Puxava a
bolsa. A mulher rodopiava levada à dança pela força do ladrão..
Um cara alto, magro, cabelo de pigmaleão... Ele rodava a baixinha para esquerda e para direita e ela ia. A bolsa não. Nem se
mexia... Debaixo do sovaco. Alça curta ao ombro. Via-se que
era prevenida!
E foram rodando. Rodando... Rodando. Avançando palmo
a passo no meio da rua, se aproximando mais e mais da frente
do banco. Duelavam agora na nossa frente. Ninguém intervinha.
Fez-se grave silencio. Eu era o 13° da fila. Lugar bom, alto, perto
já da escada. De onde eu estava, dava para ouvir o fungado do
ladrão, já cansado. A baixinha não desistia... Aqui acolá, gritava:
" Me solte, sujeito! Me solte!". Mas ele neco de soltar.
Uma hora ela sede! Não posso dar o bote perdido!", devia pensar
ele. Risco de linchamento, sempre tem.
Subiram à calçada aos rodopios. O povo só afastou um pouquinho. Ninguém intervinha.
Pisotearam o barro molhado. Na verdade, lama mesmo, dentro do retângulo com o jardim morto. Ele puxou com as últimas
forças prevendo a fraqueza. Chegou a levantá-la do chão! No em
falso, ela escorrega e cai. Apertou a bolsa debaixo do sovaco e
pressionou com a outra mão. Foi aí que, impaciente com a resistência indevida de alguém tão pequeno, ele sabugou a mulher
na lama, revirando-a de muitos modos possíveis, como faria um
cachorro faminto, abocanhando uma presa.
Ela se encorcovava quanto mais ele sacudia. A bolsa ia sumindo dentro dela, como que movediça!
Ele por fim, desistiu. Apontou o dedo silencioso e olhou
esbugalhado para ela. Nada disse! Saiu na carreira. Talvez mais
com vergonha, do que com medo.
Ninguém interveio.
Levantou sozinha. Batendo o barro da roupa, passada à lama.
Ajeitou a blusa e a bolsa, intacta, debaixo do sovaco. Com altivez, nem olhou pro povo. Se dirigindo a mim (justo a mim! Que
a reconheci no primeiro rodopio... ), pronunciou pausadamente o
meu nome: "XXXXXXXXX" e disse:
-Tá vendo aí, meu filho, como são as coisas? Uma pobre velha,
não tem ninguém que a defenda! Mas ele vai roubar a mãe dele,
esse filho da puta! Por que eu mesmo, ele não rouba não!
Era dona Zuíla, minha professora do ensino fundamental. Há
muitas lições que se pode aprender olhando duma fila. Era a minha vez. Há ainda grande fome também no mundo digital!
Sobretudo, de coragem.
(Souza, Auricélio Ferreira de. Objeto urgente: A fila p. 47, 50. São Paulo: Patuá, 2025)
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A FILA
Para os que não desistiram
Antes da conversão do gentio ao maravilhoso mundo digital,
havia mais filas no mundo para se esperar a vez. De nascer. De
morrer. De usar o telefone... De pedir perdão... Ou amor eterno.
As pessoas madrugavam, já concebendo, resignadas, a
existência clara da lógica de sempre haver mais fila do que atendimento. Havia grande fome no mundo analógico! Sobretudo, de
informação. Por isso, havia a fila só para informação. Fila para
saber que outra fila tinha que enfrentar, para pegar a senha para
entrar noutra fila... Várias encarnações sobre as pernas cansadas.
Numa sequência quase infinda, como uma Matriuska, que, ao
fim, revela seu nada.
Em todo canto havia o canto da fila. E o lugar de quem chegava por último, era sempre o da espera horrenda: o fim final...
A danação eterna de esperar a vez e ser avisado: "- Por hoje
só! Quem quiser, que volte amanhã e pegue a fila!"
Receita Federal, INPS, INAMPS, COBAL, Correios, Caixa
Econômica 'Foderal', Banco do Brasil, Lojas Brasileiras, vulgo
LOBRÁS, veja só! (Não existia Havan!). Tudo era boca para
fila, sorvedouro de gente para as infra dimensões. "- Na fila aí,
minha gente! Borá lá! Se organizando... Um atrás do outro!"
Conduzia a voz de comando, ao que, obedientes, perfilavam-se
os peixinhos para adentrar na boca do tubarão.
Também eu, no meu tempo, gastei muito do cálcio de minhas
pernas engrossando filas. Certa vez, a fila da vez e a conformidade (ou comorbidade) do caso, era na Caixa Econômica. Causo
de ir ver se tinha direito a FGTS, Fundo de não sei o quê...
auxílio... Mensagem perdida numa garrafa que fosse endereçada
a mim.
-Essa fila não anda!?
-Só abre às 9. E pra triagem, ainda!
- Issé uma imoralidade!
-E parece que vai chover de novo.
A fila parecia uma cobra morta. Abandonada sobre a calçada.
Começa rente à porta da Caixa... Descia as escadas. Sapateava
no barro do retângulo onde jazia um jardim. Ocupava a frente
das lojas ainda fechadas: a pastelaria Canarinho, Casa Rosada
Tecidos, Dedé discos... Se perdia Rua da Conceição afora, umedecida pela chuva de ontem e sob ameaça de outra.
Uma velha de saia godê florida cochilava encostada na
pa-rede. Uma sacola de plástico preto presa no braço. O diabo de um velho pitava um cigarro forte. "- A essa hora, meu
senhor!?". Baforejava fumaça prum lado e pro outro, como uma locomotiva incensando os presentes, que já devidamente anestesiados pelo cotidiano, nem ligavam. No 6° lugar, estava uma
bonitinha. Bem feita de corpo, a diaba! Não fosse essa calça
brega de oncinha e essa blusa verde-limão escrito H-u-g-o B-os-s! Réplica! Na certa!
De repente gritos e alvoroço! Algo desfez a fila ali atrás.
Esbagaçou-se só o rabo da cobra morta!
Um ladrão! Avançou na bolsa a tira colo de uma mulher baixinha. Ninguém interveio. Puxou ela pro meio da rua. Puxava a
bolsa. A mulher rodopiava levada à dança pela força do ladrão..
Um cara alto, magro, cabelo de pigmaleão... Ele rodava a baixinha para esquerda e para direita e ela ia. A bolsa não. Nem se
mexia... Debaixo do sovaco. Alça curta ao ombro. Via-se que
era prevenida!
E foram rodando. Rodando... Rodando. Avançando palmo
a passo no meio da rua, se aproximando mais e mais da frente
do banco. Duelavam agora na nossa frente. Ninguém intervinha.
Fez-se grave silencio. Eu era o 13° da fila. Lugar bom, alto, perto
já da escada. De onde eu estava, dava para ouvir o fungado do
ladrão, já cansado. A baixinha não desistia... Aqui acolá, gritava:
" Me solte, sujeito! Me solte!". Mas ele neco de soltar.
Uma hora ela sede! Não posso dar o bote perdido!", devia pensar
ele. Risco de linchamento, sempre tem.
Subiram à calçada aos rodopios. O povo só afastou um pouquinho. Ninguém intervinha.
Pisotearam o barro molhado. Na verdade, lama mesmo, dentro do retângulo com o jardim morto. Ele puxou com as últimas
forças prevendo a fraqueza. Chegou a levantá-la do chão! No em
falso, ela escorrega e cai. Apertou a bolsa debaixo do sovaco e
pressionou com a outra mão. Foi aí que, impaciente com a resistência indevida de alguém tão pequeno, ele sabugou a mulher
na lama, revirando-a de muitos modos possíveis, como faria um
cachorro faminto, abocanhando uma presa.
Ela se encorcovava quanto mais ele sacudia. A bolsa ia sumindo dentro dela, como que movediça!
Ele por fim, desistiu. Apontou o dedo silencioso e olhou
esbugalhado para ela. Nada disse! Saiu na carreira. Talvez mais
com vergonha, do que com medo.
Ninguém interveio.
Levantou sozinha. Batendo o barro da roupa, passada à lama.
Ajeitou a blusa e a bolsa, intacta, debaixo do sovaco. Com altivez, nem olhou pro povo. Se dirigindo a mim (justo a mim! Que
a reconheci no primeiro rodopio... ), pronunciou pausadamente o
meu nome: "XXXXXXXXX" e disse:
-Tá vendo aí, meu filho, como são as coisas? Uma pobre velha,
não tem ninguém que a defenda! Mas ele vai roubar a mãe dele,
esse filho da puta! Por que eu mesmo, ele não rouba não!
Era dona Zuíla, minha professora do ensino fundamental. Há
muitas lições que se pode aprender olhando duma fila. Era a minha vez. Há ainda grande fome também no mundo digital!
Sobretudo, de coragem.
(Souza, Auricélio Ferreira de. Objeto urgente: A fila p. 47, 50. São Paulo: Patuá, 2025)
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