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1406877
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Leia o canto abaixo, para responder a questão.
CANTO IV
II
Dormindo estava Paraguaçu formosa,
Onde um claro ribeiro à sombra corre;
Lânguida está, como ela, a branca rosa,
E nas plantas com a calma o vigor morre;
Mas buscando a frescura deleitosa
De um grão maracujá, que ali discorre,
Recostava-se a bela sobre um posto
Que, encobrindo-lhe o mais, descobre o rosto.
III
Respira tão tranqüila, tão serena,
E em langor tão suave adormecida,
Como quem livre de temor, ou pena,
Repousa, dando pausa à doce vida.
Ali passar a ardente sesta ordena
O bravo Jararaca, a quem convida
A frescura do sítio e sombra amada,
E dentro d'água a imagem da latada.
IV
No diáfano reflexo da onda pura
Avistou dentro dágua buliçosa,
Tremulando, a belíssima figura.
Pasma, nem crê que imagem tão formosa
Seja cópia de humana criatura.
E, remirando a face prodigiosa,
Olha de um lado e doutro, e busca atento
Quem seja original deste portento.
V
Enquanto tudo explora com cuidado,
Vai dar cos olhos na gentil donzela;
Fica sem uso dalma arrebatado,
Que toda quanta tem se ocupa em vê-la:
Ambos fora de si, desacordado
Ele mais de observar coisa tão bela,
Ela absorta no sono em que pegara,
Ele encantado a contemplar-lhe a cara.
VI
Quisera bem falar, mas não acerta,
Por mais que dentro em si fazia estudo.
Ela de um seu suspiro olhou desperta;
Ele daquele olhar ficou mais mudo.
Levanta-se a donzela mal coberta,
Tomando a rama por modesto escudo;
Pôs-Ihe os olhos então, porém tão fera,
Como nunca beleza se pudera.
VII
Voa, não corre, pelo denso mato,
A buscar na cabana o seu retiro;
E, indo ele a suspirar, vê num ato,
Em meio ela fugir do seu suspiro.
Nem torna o triste a si por longo trato,
Até que, dando à mágua algum respiro,
Por saber donde habita, ou quem seja ela,
Seguiu voando os passos da donzela.
(DURÃO, Santa Rita. Caramuru. In: CANDIDO, Antonio. Na sala de aula.
São Paulo: Editora Ática, 1988).
A partir da análise de Antonio Candido, pode-se compreender o poema como um antagonismo pendular entre movimento e parada.
Neste caso movimento e parada significam, respectivamente.
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1403037
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Leia o poema I, para responder a questão.
POEMA I
A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
E minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!
(...)
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
(...)
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
(...)
(MORAES, Vinicius de. Pátria minha).
O eu-lírico descreve a pátria de forma subjetiva. E para isso apresenta várias metáforas nas quais declara seus sentimentos. A este respeito, na frase em destaque usa a expressão "Tão pobrinha! ". Sabendo-se que o poeta domina o uso da norma culta, afirma-se corretamente que na estrofe a expressão coloquial serve para:
I. demonstrar a relação íntima que mantém com a pátria.
II. confirmar a ideia de que o Brasil é um país desigual que não dá assistência aos excluídos.
III. declarar de modo carinhoso sua empatia pelos problemas de dependência econômica do Brasil.
IV. reforçar a permanência de traços românticos na poesia brasileira.
Das afirmativas acima, estão corretas, somente:
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1401339
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Sobre o romance e suas características, assinale a alternativa correta.
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1400513
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Leia o canto abaixo, para responder a questão.
CANTO IV
II
Dormindo estava Paraguaçu formosa,
Onde um claro ribeiro à sombra corre;
Lânguida está, como ela, a branca rosa,
E nas plantas com a calma o vigor morre;
Mas buscando a frescura deleitosa
De um grão maracujá, que ali discorre,
Recostava-se a bela sobre um posto
Que, encobrindo-lhe o mais, descobre o rosto.
III
Respira tão tranqüila, tão serena,
E em langor tão suave adormecida,
Como quem livre de temor, ou pena,
Repousa, dando pausa à doce vida.
Ali passar a ardente sesta ordena
O bravo Jararaca, a quem convida
A frescura do sítio e sombra amada,
E dentro d'água a imagem da latada.
IV
No diáfano reflexo da onda pura
Avistou dentro dágua buliçosa,
Tremulando, a belíssima figura.
Pasma, nem crê que imagem tão formosa
Seja cópia de humana criatura.
E, remirando a face prodigiosa,
Olha de um lado e doutro, e busca atento
Quem seja original deste portento.
V
Enquanto tudo explora com cuidado,
Vai dar cos olhos na gentil donzela;
Fica sem uso dalma arrebatado,
Que toda quanta tem se ocupa em vê-la:
Ambos fora de si, desacordado
Ele mais de observar coisa tão bela,
Ela absorta no sono em que pegara,
Ele encantado a contemplar-lhe a cara.
VI
Quisera bem falar, mas não acerta,
Por mais que dentro em si fazia estudo.
Ela de um seu suspiro olhou desperta;
Ele daquele olhar ficou mais mudo.
Levanta-se a donzela mal coberta,
Tomando a rama por modesto escudo;
Pôs-Ihe os olhos então, porém tão fera,
Como nunca beleza se pudera.
VII
Voa, não corre, pelo denso mato,
A buscar na cabana o seu retiro;
E, indo ele a suspirar, vê num ato,
Em meio ela fugir do seu suspiro.
Nem torna o triste a si por longo trato,
Até que, dando à mágua algum respiro,
Por saber donde habita, ou quem seja ela,
Seguiu voando os passos da donzela.
(DURÃO, Santa Rita. Caramuru. In: CANDIDO, Antonio. Na sala de aula.
São Paulo: Editora Ática, 1988).
Neste canto de Caramuru, que Antonio Candido denomina como "Sono de Paraguaçu", encontramos a polarização entre os momentos de guerra e os momentos de paz, transfigurada simbolicamente na cena idílica.Nesse contexto, analise as afirmativas abaixo e, a seguir, assinale a alternativa correta.
I. O sono da índia se dá em um típico locus amoems, o que é, ao mesmo tempo, espaço pitoresco americano e lugar idealizado nas literaturas de inspiração clássica.
II. Trata-se de uma situação platônica, onde a perfeição da realidade é vista através de seu reflexo imperfeito.
III. O encontro dos amantes anuncia a guerra entre Caramuru, o invasor, e o bravo guerreiro Jararaca, futuro esposo de Paraguaçu.
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1399621
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
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Analise as afirmações de duas críticas brasileiras ao comentar a construção do personagem Raimundo, protagonista do romance O mulato, de Aluísio Azevedo, e as relacione ao texto de Fernando Abrucio transcrito no início da prova (Página 1).
Texto 1
A tese sendo provar a injustiça da prevenção dos brancos contra os mulatos, o autor se crê na obrigação de cobrir Raimundo de todas as virtudes, de mostrá-lo belo, nobre, inteligente – sem cuidar que o fazia sobretudo absurdo e inumano, e que construía um romance realista em torno de uma figura escandalosamente romântica.
Lúcia Miguel-Pereira
Texto 2
[Os escritores] denunciam o racismo, com certeza, mas dourando a pílula, pois não literalizam o não-branco igualando as condições étnicas que lhe são inerentes. A apresentação de Raimundo é impressionante sob esse aspecto: tez morena e amulatada, mas “fina”; a parte “mais característica” de sua fisionomia são os “olhos azuis, herdados do pai”. Poder-se-ia argumentar que se está cobrando do literário uma verdade referencial, politicamente correta, que ele não está obrigado a transmitir. Creio que o argumento não procede: o racismo brasileiro histórico, basicamente decorrente de quase quatro séculos de escravidão negra, ao ser recriado na literatura, mesmo para denunciá-lo, impediu que escritores bem-intencionados ultrapassassem os limites da caricatura no tratamento da questão.
Letícia Malard
Da análise, conclui-se que
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1397286
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Provas:
Considere o poema a seguir.
Momento num café
Quando o enterro passou
Os três homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta
(BANDEIRA, Manuel. Libertinagem & Estrela da manhã.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. p. 87.)
Sobre o texto, pode-se afirmar que
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1396585
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Provas:
A afirmação de Maurizio Gnerre (1985) de que “O poder da palavra é o poder de mobilizar a autoridade acumulada pelo falante e concentrá-la num ato linguístico” é bem caracterizada no ato de
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1396340
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Provas:
Sobre história literária, leia a observação a seguir.
Chklovski desenvolve a sua teoria da história literária forjando uma outra metáfora: “A herança passa não de pai para filho, mas de tio para sobrinho.” O “tio” representa uma tendência que não goza do primeiro lugar [...]. A geração seguinte retomará e “canonizará” essa tendência secundária, aparentada e oposta à precedente: “Dostoievski eleva ao título de norma literária os processos do romance de aventuras.”
(TODOROV, Tzvetan. História da literatura. In: ________; DUCROT, Oswald. Dicionário das ciências
da linguagem. 6. ed. Lisboa: Dom Quixote, 1982. p. 184-185.)
Analisando a história da literatura brasileira, pode-se afirmar que o princípio descrito acima é ilustrado por:
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1395751
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Provas:
Considere os versos a seguir, do poeta modernista gaúcho Tyrteu Rocha Vianna.
O bandaoriental capataz D. Fulano
Colorado sargento indiamuertano
Por su mala cabeza
Emigrado cachaça paradista
Dúzias de homicídios comissariais
Homiziantes
Enrodilhou o laço de 11 braças
E pialou de cucharra a zebuzinha jaguané
[...]
(VIANNA, Tyrteu Rocha. Saco de viagem. 2. ed. Porto Alegre: PUC, 1993. p. 59.)
Considerando seu conhecimento sobre a obra dos modernistas brasileiros, é possível afirmar que, no poema acima,
I. o emprego de versos livres e a ausência de pontuação são traços comuns com a poesia de Oswald de Andrade.
II. a mistura de regionalismos e neologismos revela uma experimentação linguística semelhante à encontrada na prosa de Guimarães Rosa.
III. o olhar irônico e pretensamente infantil o aproxima da lírica de Manuel Bandeira.
Está(ao) correta(s):
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1394727
Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IF-SUL
Orgão: IF-SUL
Provas:
Leia o seguinte fragmento do romance Relato de um certo oriente, cuja trama se desenrola na cidade de Manaus.
[...] Foi difícil abrir os olhos, mas não era a luminosidade que incomodava, e sim tudo o que era visível.
De olhos abertos , só então me dei conta dos quase vinte anos passados fora daqui. A vazante havia afastado o porto do atracadouro, e a distância vencida pelo mero caminhar revelava a imagem do horror de uma cidade que hoje desconheço: uma praia de imundícias, de restos de miséria humana, além do odor fétido de purulência viva exalando da terra, do lodo, das entranhas das pedras vermelhas e do interior das embarcações. Caminhava sobre um mar de dejetos, onde havia tudo: cascos de frutas, latas, garrafas, carcaças apodrecidas de canoas, e esqueletos de animais. Os urubus, aos montes, buscavam com avidez as ossadas que apareceram durante a vazante, entre objetos carcomidos que foram enterrados há meses, há séculos.
(HATOUM, Milton. Relato de um certo oriente. 2. ed. São Paulo:
Companhia das Letras, 2002. p. 124.)
A partir do texto e dos conhecimentos sobre a obra do autor amazonense, percebe-se que
I. a região amazônica é despida de exotismo, a cidade de Manaus apresenta-se tristemente semelhante a qualquer região periférica e pobre do país.
II. a deterioração da paisagem é contagiante, fazendo com que a narradora lamente seu retorno.
III. o emprego inusitado de termos regionais ratifica a posição de Milton Hatoum como um dos renovadores da prosa regionalista.
Está(ão) correta(s)
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