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4136961 Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IFPI
Orgão: IFPI
O fragmento abaixo faz parte do conto “No moinho”, do escritor Eça de Queirós, e revela o momento em que Maria da Piedade apaixona-se por Adrião. Leia-o atenciosamente para responder à questão.
Refugiava-se então naquele amor como uma compensação deliciosa. Julgando-o todo puro, todo de alma, deixava-se penetrar dele e da sua lenta influência. Adrião tornara-se, na sua imaginação, como um ser de proporções extraordinárias, tudo o que é forte, e que é belo, e que dá razão à vida. […] Leu todos os seus livros, sobretudo aquela Madalena que também amara, e morrera de um abandono. Estas leituras acalmavam-na, davam-lhe como uma vaga satisfação ao desejo. Chorando as dores das heroínas de romance, parecia sentir alívio às suas.
Lentamente, esta necessidade de encher a imaginação desses lances de amor, de dramas infelizes, apoderou-se dela. Foi durante meses um devorar constante de romances. Ia-se assim criando no seu espírito um mundo artificial e idealizado. A realidade tornava-se-lhe odiosa, sobretudo sob aquele aspecto da sua casa, onde encontrava sempre agarrado às saias um ser enfermo. Vieram as primeiras revoltas. Tornou-se impaciente e áspera. Não suportava ser arrancada aos episódios sentimentais do seu livro, para ir ajudar a voltar o marido e sentir-lhe o hálito mau. Veio-lhe o nojo das garrafadas, dos emplastros, das feridas dos pequenos a lavar. Começou a ler versos. Passava horas só, num mutismo, à janela, tendo sob o seu olhar de virgem loura toda a rebelião duma apaixonada. Acreditava nos amantes que escalam os balcões, entre o canto dos rouxinóis: e queria ser amada assim, possuída num mistério de noite romântica…
Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/no-moinho-eca-de-queiros/#google_vignette. Acesso em: 05 fev. 2026.
Sobre a análise do conto, é CORRETO afirmar que:
 

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4136935 Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IFPI
Orgão: IFPI

TEXTO PARA AS QUESTÕES 27 A 32

"O garrafeiro"

o garrafeiro era apenas um homem

que sobrava das ruas

também sujo de terra e esquecido

como as garrafas e cacos no quintal

suas mãos de cuidado

tangiam aranhas, lagartixas

e vez por outra

um escorpião afiado

depois arrumava as garrafas

lado a lado

âmbares, azuis, verdes, transparentes,

num arco-íris pobre

"essas são de vinho tinto"

dizia-me ele embriagado de vazios

e as de fundo côncavo serviam

para pescar piabas no Poti

o mundo é duro e frágil, eu aprendia

mas nele lições pequenas eternizam

piabas prateadas nas garrafas

como rútilos presos nos cristais

VILHENA, Graça. PEDRA DE CANTARIA. Teresina: Nova Aliança e Entretextos, 2013.

No poema "O garrafeiro", a poetisa piauiense Graça Vilhena constrói um retrato lírico que ultrapassa a mera descrição de um ofício marginalizado. A análise da relação entre o eu lírico, a figura do garrafeiro e os objetos que compõem o cenário permite afirmar que a unidade de sentido do texto se fundamenta em:

 

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Na leitura de obras renascentistas, a turma observa perspectiva, estudo do corpo e patrocínio urbano, junto à retomada de textos antigos. Marque a afirmação CORRETA sobre Renascimento e Humanismo.
 

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O Barroco foi um período artístico-literário em que o homem viveu em meio a crises religiosas e financeiras, em estado de tensão e desequilíbrio, o que refletiu no culto exagerado à forma. Na Literatura, tal exagero foi expresso principalmente por meio de figuras, como a metáfora, a antítese, a hipérbole e a alegoria. Com base nesta informação, assinale a alternativa em que o excerto constitui um ícone de tal período literário:
 

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Assinale a alternativa cujo conteúdo da frase corresponde à concepção da literatura como prática social.

 

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4134961 Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Bom Jesus-RS
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Assinale a alternativa que apresenta um romance produzido no ciclo do Romance de 30 e cuja temática seja urbana.

 

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4133473 Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: Câm. Venda Nova Imigrante-ES
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Recado ao Sr. 903
    Vizinho...
   Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não o fosse, o senhor teria ainda ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão, ao meu número) será convidado a se retirar às 21:45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio.
    ... Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou.” E o outro respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.
    E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.
(BRAGA, Rubem. Fundação Casa de Rui Barbosa. Rio de Janeiro. 1954.)
Sobre a crônica de Rubem Braga, analise as afirmativas a seguir.

I. O texto propõe uma reflexão descontraída acerca das relações interpessoais impostas pela rotina acelerada das grandes cidades, bem como por uma cultura que moraliza o prazer.

II. Os números funcionam como personagens metonímicas que representam a objetificação do homem vinda de diferentes problemas do mundo capitalista.

III. A crônica convida a pensar sobre a importância do resgate das relações mais humanizadas, que se baseiam, por exemplo, em mais coesão social.


Está correto o que se afirma em
 

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4125995 Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Armação Búzios-RJ
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TEXTO 2: A LITERATURA E A SOCIEDADE EXCITADA
      O livro de Christoph Türcke intitulado Sociedade excitada (2010 [2002]), mesmo sem se referir diretamente ao que se passa hoje nas escolas, realiza uma leitura do paradigma da sensação que controla nossas sensibilidades e aquelas do mercado. Atualmente tem vida assegurada somente aquilo que excita a percepção continuamente; deixar de excitar a percepção significa, nesse esquema, perder pontos na bolsa de valores dos olhares apenas parcialmente atentos, e é por isso que só o espetacular pode sobreviver.
      Não por acaso – e não há contradição alguma nisso –, a sociedade excitada é, ao mesmo tempo, a sociedade do cansaço, conforme Byung Chul Han observa em seu livro nomeado justamente Sociedade do cansaço (2015). Logicamente, o excesso de estímulos nos deixa cansados e à beira do tédio; diminuir a frequência de estímulos, contudo, corresponde a correr o risco de sair de cena. Frente a um mundo espetacularizado e que não cessa de estimular a percepção – “ser é ser visto” –, a escola só pode sobreviver pela via da espetacularização de si. Celulares, tablets, data shows e outros recursos imagéticos preenchem os espaços vazios da sala de aula, a fim de que a vida escolar entre as quatro paredes se torne suportável ou pelo menos parecida com o que se passa fora delas. Em vez de tensionar ou interromper momentaneamente o fluxo de estímulos e imagens, a escola se entrega a ele numa tentativa última de ganhar tempo de sobrevida.
       A literatura, entretanto, não emite, não conecta, não irradia, não estimula e não excita, pelos menos não nos termos aqui em pauta. A literatura é uma atividade negativa, que demanda um tempo incompatível com aquele da sociedade excitada, da sociedade do cansaço. Para que a literatura possa de fato existir em sua singularidade, e não como simulacro, faz-se necessário aquilo que Fabio Durão (2011) chama de “estratégia de desaceleração” dos objetos: “Tornar o pensamento e a interpretação mais lentos é precondição para que os objetos possam surgir como eles mesmos...”.
      Corretas ou não, essas falas expressam uma convicção profunda acerca do fato, aparentemente óbvio, mas hoje sob suspeita, de que a experiência literária jamais prescinde do contato direto com as obras literárias, lidas em sua singularidade. Restituir esse princípio mínimo ao centro dos debates sobre o lugar do literário nas instituições de ensino constitui o primeiro passo para a reavaliação geral da relação entre literatura e educação.
      Efetivar a presença da literatura na escola significa, então, antes de qualquer outra coisa, empreender uma violência contra o fluxo contínuo das coisas, ou melhor, mudar a nossa relação com o tempo, estabelecer uma atenção aos objetos, capaz de desacelerar a passagem homogeneizante de conteúdos e imagens. O tempo que a leitura literária demanda abriga, simultaneamente, sua verdadeira potência, mas também sua fragilidade maior: inserida em uma instituição supostamente em crise graças ao mundo espetacularizado que adentrou as suas portas, a literatura, por um lado, pode fundar uma temporalidade crítica para esse mundo, permitindo uma outra forma de relação com os objetos; por outro lado, se desfaz de imediato, destituída da lentidão que lhe é particular, cedendo espaço aos dispositivos que convertem todas as coisas em mercadoria.
ANDRÉ CECHINEL
Adaptado de Revista Pro-Posições, Campinas, v. 29, nº
2, 2018. 
No último parágrafo, dois elementos em relação antagônica estão expressos nos seguintes termos:
 

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4125994 Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Armação Búzios-RJ
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TEXTO 2: A LITERATURA E A SOCIEDADE EXCITADA
      O livro de Christoph Türcke intitulado Sociedade excitada (2010 [2002]), mesmo sem se referir diretamente ao que se passa hoje nas escolas, realiza uma leitura do paradigma da sensação que controla nossas sensibilidades e aquelas do mercado. Atualmente tem vida assegurada somente aquilo que excita a percepção continuamente; deixar de excitar a percepção significa, nesse esquema, perder pontos na bolsa de valores dos olhares apenas parcialmente atentos, e é por isso que só o espetacular pode sobreviver.
      Não por acaso – e não há contradição alguma nisso –, a sociedade excitada é, ao mesmo tempo, a sociedade do cansaço, conforme Byung Chul Han observa em seu livro nomeado justamente Sociedade do cansaço (2015). Logicamente, o excesso de estímulos nos deixa cansados e à beira do tédio; diminuir a frequência de estímulos, contudo, corresponde a correr o risco de sair de cena. Frente a um mundo espetacularizado e que não cessa de estimular a percepção – “ser é ser visto” –, a escola só pode sobreviver pela via da espetacularização de si. Celulares, tablets, data shows e outros recursos imagéticos preenchem os espaços vazios da sala de aula, a fim de que a vida escolar entre as quatro paredes se torne suportável ou pelo menos parecida com o que se passa fora delas. Em vez de tensionar ou interromper momentaneamente o fluxo de estímulos e imagens, a escola se entrega a ele numa tentativa última de ganhar tempo de sobrevida.
       A literatura, entretanto, não emite, não conecta, não irradia, não estimula e não excita, pelos menos não nos termos aqui em pauta. A literatura é uma atividade negativa, que demanda um tempo incompatível com aquele da sociedade excitada, da sociedade do cansaço. Para que a literatura possa de fato existir em sua singularidade, e não como simulacro, faz-se necessário aquilo que Fabio Durão (2011) chama de “estratégia de desaceleração” dos objetos: “Tornar o pensamento e a interpretação mais lentos é precondição para que os objetos possam surgir como eles mesmos...”.
      Corretas ou não, essas falas expressam uma convicção profunda acerca do fato, aparentemente óbvio, mas hoje sob suspeita, de que a experiência literária jamais prescinde do contato direto com as obras literárias, lidas em sua singularidade. Restituir esse princípio mínimo ao centro dos debates sobre o lugar do literário nas instituições de ensino constitui o primeiro passo para a reavaliação geral da relação entre literatura e educação.
      Efetivar a presença da literatura na escola significa, então, antes de qualquer outra coisa, empreender uma violência contra o fluxo contínuo das coisas, ou melhor, mudar a nossa relação com o tempo, estabelecer uma atenção aos objetos, capaz de desacelerar a passagem homogeneizante de conteúdos e imagens. O tempo que a leitura literária demanda abriga, simultaneamente, sua verdadeira potência, mas também sua fragilidade maior: inserida em uma instituição supostamente em crise graças ao mundo espetacularizado que adentrou as suas portas, a literatura, por um lado, pode fundar uma temporalidade crítica para esse mundo, permitindo uma outra forma de relação com os objetos; por outro lado, se desfaz de imediato, destituída da lentidão que lhe é particular, cedendo espaço aos dispositivos que convertem todas as coisas em mercadoria.
ANDRÉ CECHINEL
Adaptado de Revista Pro-Posições, Campinas, v. 29, nº
2, 2018. 
Ao dizer que “a experiência literária jamais prescinde do contato direto com as obras literárias” (4º parágrafo), o autor se opõe a práticas pedagógicas como as centradas em:
 

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4125991 Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Armação Búzios-RJ
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TEXTO 2: A LITERATURA E A SOCIEDADE EXCITADA
      O livro de Christoph Türcke intitulado Sociedade excitada (2010 [2002]), mesmo sem se referir diretamente ao que se passa hoje nas escolas, realiza uma leitura do paradigma da sensação que controla nossas sensibilidades e aquelas do mercado. Atualmente tem vida assegurada somente aquilo que excita a percepção continuamente; deixar de excitar a percepção significa, nesse esquema, perder pontos na bolsa de valores dos olhares apenas parcialmente atentos, e é por isso que só o espetacular pode sobreviver.
      Não por acaso – e não há contradição alguma nisso –, a sociedade excitada é, ao mesmo tempo, a sociedade do cansaço, conforme Byung Chul Han observa em seu livro nomeado justamente Sociedade do cansaço (2015). Logicamente, o excesso de estímulos nos deixa cansados e à beira do tédio; diminuir a frequência de estímulos, contudo, corresponde a correr o risco de sair de cena. Frente a um mundo espetacularizado e que não cessa de estimular a percepção – “ser é ser visto” –, a escola só pode sobreviver pela via da espetacularização de si. Celulares, tablets, data shows e outros recursos imagéticos preenchem os espaços vazios da sala de aula, a fim de que a vida escolar entre as quatro paredes se torne suportável ou pelo menos parecida com o que se passa fora delas. Em vez de tensionar ou interromper momentaneamente o fluxo de estímulos e imagens, a escola se entrega a ele numa tentativa última de ganhar tempo de sobrevida.
       A literatura, entretanto, não emite, não conecta, não irradia, não estimula e não excita, pelos menos não nos termos aqui em pauta. A literatura é uma atividade negativa, que demanda um tempo incompatível com aquele da sociedade excitada, da sociedade do cansaço. Para que a literatura possa de fato existir em sua singularidade, e não como simulacro, faz-se necessário aquilo que Fabio Durão (2011) chama de “estratégia de desaceleração” dos objetos: “Tornar o pensamento e a interpretação mais lentos é precondição para que os objetos possam surgir como eles mesmos...”.
      Corretas ou não, essas falas expressam uma convicção profunda acerca do fato, aparentemente óbvio, mas hoje sob suspeita, de que a experiência literária jamais prescinde do contato direto com as obras literárias, lidas em sua singularidade. Restituir esse princípio mínimo ao centro dos debates sobre o lugar do literário nas instituições de ensino constitui o primeiro passo para a reavaliação geral da relação entre literatura e educação.
      Efetivar a presença da literatura na escola significa, então, antes de qualquer outra coisa, empreender uma violência contra o fluxo contínuo das coisas, ou melhor, mudar a nossa relação com o tempo, estabelecer uma atenção aos objetos, capaz de desacelerar a passagem homogeneizante de conteúdos e imagens. O tempo que a leitura literária demanda abriga, simultaneamente, sua verdadeira potência, mas também sua fragilidade maior: inserida em uma instituição supostamente em crise graças ao mundo espetacularizado que adentrou as suas portas, a literatura, por um lado, pode fundar uma temporalidade crítica para esse mundo, permitindo uma outra forma de relação com os objetos; por outro lado, se desfaz de imediato, destituída da lentidão que lhe é particular, cedendo espaço aos dispositivos que convertem todas as coisas em mercadoria.
ANDRÉ CECHINEL
Adaptado de Revista Pro-Posições, Campinas, v. 29, nº
2, 2018. 
O autor cita dois filósofos, cujas ideias dão sustentação teórica à tese que será desenvolvida no texto.
Entre os conceitos que esses filósofos desenvolvem há uma relação de:
 

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