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Leia o fragmento a seguir de Quarto de despejo, diário de uma favela, de Carolina Maria de Jesus, antes de responder à questão
“Os meninos tomaram café e foram a aula. Eles estão alegres porque hoje teve café. Só quem passa fome é que dá valor a comida.
Eu e a Vera fomos catar papel. Passei no Frigorífico para pegar linguiça. Contei 9 mulheres na fila. Eu tenho a mania de observar tudo, contar tudo, marcar os fatos.
Encontrei muito papel nas ruas. Ganhei 20 cruzeiros. Fui no bar tomar uma média. Uma para mim e outra para a Vera. Gastei 11 cruzeiros. Fiquei catando papel até as 11 e meia. Ganhei 50 cruzeiros.
[...]
... Nós somos pobres, viemos para as margens do rio.
As margens do rio são os lugares do lixo e dos marginais. Gente da favela é considerado marginais. Não mais se vê os corvos voando as margens do rio, perto dos lixos. Os homens desempregados substituíram os corvos.
Quando eu fui catar papel encontrei um preto. Estava rasgado e sujo que dava pena. Nos seus trajes rotos ele podia representar-se como diretor do sindicato dos miseráveis. O seu olhar era um olhar angustiado como se olhasse o mundo com desprezo. Indigno para um ser humano. Estava comendo uns doces que a fábrica havia jogado na lama. Ele limpava o barro e comia os doces. Não estava embriagado, mas vacilava no andar. Cambaleava. Estava tonto de fome!”
Fonte: Jesus, 2020, p. 55-56.
Sobre o fragmento e outras informações presentes no livro, é INCORRETO afirmar que:
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O excerto a seguir, também extraído de Memórias Póstumas de Brás Cubas, serve de base para a presente questão:
“Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.”
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 2008, p. 19,
Sobre o fragmento acima, assinale a alternativa CORRETA:
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Tenha em conta o excerto a seguir, extraído de Memórias póstumas de Brás Cubas:
O Senão do Livro
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho o que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem…[...]
A/SIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 2008, Cap. LXXI.
Marque a alternativa CORRETA sobre o excerto de texto acima e sobre o seu autor:
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Considere as três estrofes a seguir, extraídas da quarta parte do poema O Navio Negreiro, de Castro Alves:
IV
Era um sonho dantesco… O tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar de açoite …
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar…
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra, irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Se o velho arqueja... se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
ALVES, Castro. O Navio Negreiro. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 280)
Analise – com base nas estrofes – as afirmativas a seguir:
I. A palavra “sonho” não está sendo usada no seu sentido literal, pois, associado a ela, há o qualificativo “dantesco”. A ideia desenvolvida é mais de um pesadelo, em contraposição a um sonho.
II. O poema descreve acontecimentos apavorantes vividos pelos escravos. As cenas são cruéis: os negros são golpeados pelo açoite, o sangue que deles é vertido mancha o tombadilho do navio.
III. “E ri-se a orquestra”, na última estrofe, está relacionado, metaforicamente, aos que dão chicotadas e sorriem ironicamente do sofrimento que causam em quem as recebe.
IV. A serpente, no poema, refere-se ao movimento do açoite no ar. Desse modo, ela pode, assim como o açoite, ser associada ao que faz mal, causa dor, sofrimento.
Assinale a alternativa CORRETA:
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Considere os excertos do poema a seguir transcritos:
Morte
(hora do delírio)
Pensamento gentil de paz eterna
Amiga morte, vem. Tu és o termo
De dous fantasmas que a existência formam,
— Dessa alma vã e desse corpo enfermo.
Pensamento gentil de paz eterna
Amiga morte, vem. Tu és apenas
A visão mais real das que nos cercam,
Que nos extingues as visões terrenas.
[...]
Amei-te sempre: — pertencer-te quero
Para sempre também, amiga morte.
Quero o chão, quero a terra, – esse elemento
Que não se sente dos vaivéns da sorte.
Para tua hecatombe de um segundo
Não falta alguém? — Preencha-a comigo:
Leva-me à região da paz horrenda,
Leva-me ao nada, leva-me contigo.
[...]
FREIRE, Junqueira. Grandes poetas românticos do Brasil. São Paulo: Lep, 1949.
Sobre o poema, de Junqueira Freire, é INCORRETO afirmar que
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trecho a seguir se refere a Túlio, um dos personagens do romance Úrsula: “O homem que assim falava era um pobre rapaz, que ao muito parecia contar 25 anos, e que na franca expressão de sua fisionomia deixava adivinhar toda a nobreza de um coração bem formado. O sangue africano fervia-lhe nas veias; o mísero ligava-se à odiosa cadeia da escravidão; e embalde o sangue ardente que herdara de seus pais, e que o nosso clima e a servidão não puderam resfriar, embalde, dissemos (se revoltava, porque se lhe erguia como barreira) o poder do forte contra o fraco!...
Ele entanto resignava-se; e se uma lágrima a desesperação lhe arrancava, escondia-a no fundo da sua miséria.
Assim é que o triste escravo arrasta a vida de desgostos e de martírios, sem esperança e sem gozos! Oh, esperança! Só a tem os desgraçados no refúgio que a todos oferece a sepultura!... Gozos!... Só na eternidade os anteveem eles!
Coitado do escravo! Nem o direito de arrancar do imo peito um queixume de amargurada dor!..”
Fonte: REIS, Maria Firmina. Úrsula. Jandira – SP: Princípio, 2020, p. 14-15)
Sobre o fragmento, em particular, e a forma como a escravidão é tratada no livro, é INCORRETO afirmar que
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Sobre o romance Úrsula, de forma geral, é INCORRETO afirmar que
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ISET
Orgão: Pref. Jaguaquara-BA
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ISET
Orgão: Pref. Jaguaquara-BA
I. É importante que o trabalho com o texto literário esteja incorporado às práticas cotidianas da sala de aula.
II. Trata-se de uma forma específica de conhecimento.
III. Pensar sobre a literatura implica dizer que se está diante de um inusitado tipo de diálogo regido por jogos de aproximações e afastamentos.
IV. É possível utilizá-los como expedientes para servir ao ensino das boas maneiras, dos hábitos de higiene, dos deveres do cidadão, dos tópicos gramaticais, das receitas desgastadas do “prazer do texto”, etc.
A partir da concepção sobre a especificidade do Texto Literário no âmbito educacional, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) defendem o que se afirma sobre tal ferramenta de apoio no que se diz corretamente em:
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