trecho a seguir se refere a Túlio, um dos personagens do romance Úrsula: “O homem que assim falava era um pobre rapaz, que ao muito parecia contar 25 anos, e que na franca expressão de sua fisionomia deixava adivinhar toda a nobreza de um coração bem formado. O sangue africano fervia-lhe nas veias; o mísero ligava-se à odiosa cadeia da escravidão; e embalde o sangue ardente que herdara de seus pais, e que o nosso clima e a servidão não puderam resfriar, embalde, dissemos (se revoltava, porque se lhe erguia como barreira) o poder do forte contra o fraco!...
Ele entanto resignava-se; e se uma lágrima a desesperação lhe arrancava, escondia-a no fundo da sua miséria.
Assim é que o triste escravo arrasta a vida de desgostos e de martírios, sem esperança e sem gozos! Oh, esperança! Só a tem os desgraçados no refúgio que a todos oferece a sepultura!... Gozos!... Só na eternidade os anteveem eles!
Coitado do escravo! Nem o direito de arrancar do imo peito um queixume de amargurada dor!..”
Fonte: REIS, Maria Firmina. Úrsula. Jandira – SP: Princípio, 2020, p. 14-15)
Sobre o fragmento, em particular, e a forma como a escravidão é tratada no livro, é INCORRETO afirmar que