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Assinale a alternativa CORRETA, conforme pre viso na Lei Complementar nº 12/93 - Lei Orgânica do Ministério Público do Estado do Piauí:
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Segundo a Lei Complementar nº 12/93 – Lei Orgânica do Ministério Público do Estado do Piauí, a COMISSÃO DE CONCURSO é:
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Leia o texto a seguir para responder a questão abaixo.
Leia o conto “Momento cristalino”, de Geni Guimarães:
Para dezembro foi marcada a data para realização do evento.
Minha colação de grau.
Em casa conversamos e decidimos que todos da família estariam presentes.
Discutimos o ter que calçar e vestir todo mundo adequadamente, como exigia a ocasião.
Fizemos o balanço e, vendo a escassez do dinheiro, concordamos no seguinte: só compraríamos tudo novo para mim. Os outros só comprariam aquilo que não tivessem mesmo, de jeito nenhum. Portanto, compramos roupa para um, sapato para outro e assim por diante.
A Cecília tinha dois vestidos de sair e a Cema dois pares de sapatos, porque tinha ganho um da sua madrinha de crisma. Então, minha mãe usaria um dos vestidos da Cecília e um dos pares de sapato da Cema.
Para meu pai compramos um terno lindo, azul. Compramos ainda uma gravata listrada e um par de meias brancas. Emprestamos para ele o sapato do cunhado Zé e cerzimos uma camisa branca que só tinha uns rasgadinhos na gola.
No dia, todos estavam nervosos, mas arrumaram-se muito cedo para a cerimônia.
Meu pai cortou o cabelo do Zezinho, do Dirceu e dos outros homens da família. Depois o Joãozinho cortou o do meu pai.
Tanta gente e tanto esmero na arrumação fizeram com que chegássemos ao local do evento em cima da hora.
Indiquei-lhes o lugar onde deveriam ficar e fui ocupar o meu, entre os formandos. De onde estava, via-os todos, incomodados nos trajes de missa.
Vez em quando, encorajava-os com um riso. Meu pai, ao lado da minha mãe, estava pleno, altivo, sereno. Com os olhos acompanhava todos os meus movimentos, engolindo salivas de prazer.
Minha mãe me bebia através dos ares do meu pai, que, embevecido, ajeitava a gola da camisa propositalmente, me segredando que estava feliz.
Fui chamada para receber o certificado. Eles, meus pais, não se puderam conter só com as palmas. Levantaram e me aplaudiram em pé. Mãos abertas, barulhentas, livres.
Meus irmãos, contagiados, perderam a timidez e também se puseram em pé, me aplaudindo e apontando, como se só eu existisse ali, como se no momento eu estivesse me apossando da chave do céu.
O diretor esperou pacientemente até que eles percebessem o ultrapassar do limite e fossem, um a um, retomando seus lugares nos bancos.
Terminada a entrega dos certificados, fui convidada para discursar, por ter sido escolhida para oradora da turma.
De novo, meu pai ficou em pé, desatou o nó da gravata e assumiu postura de rei. Para melhor me ouvir, esqueceu a etiqueta, fez conchas com as mãos e envolveu as orelhas.
As formalidades todas terminaram. Fui até eles para voltarmos juntos.
Eu, princesa, entreguei meu certificado ao rei, que o embrulhou no lenço de bolso e passou a carregá-lo como se fosse um vaso de cristal.
Em casa, tomados de euforia, começamos a relembrar os acontecimentos da festa. Rimos das palmas fora da hora, das mãos do meu pai segurando as orelhas, da cara do diretor ao vê-los donos do ambiente. Determinada hora, minha mãe interrompeu nossa sadia algazarra e disse:
– Agora é que vocês vão dar risada de verdade – cutucou meu pai. – Mostra pra eles, Mariano.
Ele, fingindo brincar de mágico, retirou os sapatos dos pés e nos mostrou: duas bexigas enormes desfiguravam seus calcanhares e algumas escoriações marcavam toda a região no peito dos pés.
Fiquei estática. Tudo aquilo por mim, para mim. Toda aquela dor para me ver receber o certificado. Não me contive.
-Perdão, pai.
– Perdão do quê? Eu é que peço perdão. Imagine só… esquecer de usar a meia. Já pensou se um dos seus amigos visse? Deus me livre de te envergonhar! Pensou um pouco e arrematou a conversa:
– E quer saber de uma coisa? Se precisar, enfio de novo o desgraçado do sapato do Zé no pé, sem meia e tudo, e volto lá pra bater todas aquelas palmas de novo.
Novamente, leve onda de riso encheu a sala. O Dirceu pediu a bênção e se retirou para dormir. Todos fizeram a mesma coisa, e eu já estava para imitá-los quando vi meu pai procurando alguma coisa.
– O senhor queria alguma coisa, pai?
– Estou vendo onde foi que guardei o danado do diploma. Vou dormir com ele debaixo do travesseiro que é pra sonhar sonho bonito.
(GUIMARÃES, Geni. A cor da ternura. São Paulo: Quinteto, 2022.)
Analise a regência das sentenças a seguir:
I- Nunca nos esqueceremos desse descaso político.
II- O motorista que atropelou e matou os irmãos não obedeceu ao regulamento.
III- Ailton Krenak informou as pessoas de que o fim do mundo pode ser adiado.
Assinale a alternativa CORRETA:
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Leia o texto a seguir para responder a questão abaixo.
Leia o conto “Momento cristalino”, de Geni Guimarães:
Para dezembro foi marcada a data para realização do evento.
Minha colação de grau.
Em casa conversamos e decidimos que todos da família estariam presentes.
Discutimos o ter que calçar e vestir todo mundo adequadamente, como exigia a ocasião.
Fizemos o balanço e, vendo a escassez do dinheiro, concordamos no seguinte: só compraríamos tudo novo para mim. Os outros só comprariam aquilo que não tivessem mesmo, de jeito nenhum. Portanto, compramos roupa para um, sapato para outro e assim por diante.
A Cecília tinha dois vestidos de sair e a Cema dois pares de sapatos, porque tinha ganho um da sua madrinha de crisma. Então, minha mãe usaria um dos vestidos da Cecília e um dos pares de sapato da Cema.
Para meu pai compramos um terno lindo, azul. Compramos ainda uma gravata listrada e um par de meias brancas. Emprestamos para ele o sapato do cunhado Zé e cerzimos uma camisa branca que só tinha uns rasgadinhos na gola.
No dia, todos estavam nervosos, mas arrumaram-se muito cedo para a cerimônia.
Meu pai cortou o cabelo do Zezinho, do Dirceu e dos outros homens da família. Depois o Joãozinho cortou o do meu pai.
Tanta gente e tanto esmero na arrumação fizeram com que chegássemos ao local do evento em cima da hora.
Indiquei-lhes o lugar onde deveriam ficar e fui ocupar o meu, entre os formandos. De onde estava, via-os todos, incomodados nos trajes de missa.
Vez em quando, encorajava-os com um riso. Meu pai, ao lado da minha mãe, estava pleno, altivo, sereno. Com os olhos acompanhava todos os meus movimentos, engolindo salivas de prazer.
Minha mãe me bebia através dos ares do meu pai, que, embevecido, ajeitava a gola da camisa propositalmente, me segredando que estava feliz.
Fui chamada para receber o certificado. Eles, meus pais, não se puderam conter só com as palmas. Levantaram e me aplaudiram em pé. Mãos abertas, barulhentas, livres.
Meus irmãos, contagiados, perderam a timidez e também se puseram em pé, me aplaudindo e apontando, como se só eu existisse ali, como se no momento eu estivesse me apossando da chave do céu.
O diretor esperou pacientemente até que eles percebessem o ultrapassar do limite e fossem, um a um, retomando seus lugares nos bancos.
Terminada a entrega dos certificados, fui convidada para discursar, por ter sido escolhida para oradora da turma.
De novo, meu pai ficou em pé, desatou o nó da gravata e assumiu postura de rei. Para melhor me ouvir, esqueceu a etiqueta, fez conchas com as mãos e envolveu as orelhas.
As formalidades todas terminaram. Fui até eles para voltarmos juntos.
Eu, princesa, entreguei meu certificado ao rei, que o embrulhou no lenço de bolso e passou a carregá-lo como se fosse um vaso de cristal.
Em casa, tomados de euforia, começamos a relembrar os acontecimentos da festa. Rimos das palmas fora da hora, das mãos do meu pai segurando as orelhas, da cara do diretor ao vê-los donos do ambiente. Determinada hora, minha mãe interrompeu nossa sadia algazarra e disse:
– Agora é que vocês vão dar risada de verdade – cutucou meu pai. – Mostra pra eles, Mariano.
Ele, fingindo brincar de mágico, retirou os sapatos dos pés e nos mostrou: duas bexigas enormes desfiguravam seus calcanhares e algumas escoriações marcavam toda a região no peito dos pés.
Fiquei estática. Tudo aquilo por mim, para mim. Toda aquela dor para me ver receber o certificado. Não me contive.
-Perdão, pai.
– Perdão do quê? Eu é que peço perdão. Imagine só… esquecer de usar a meia. Já pensou se um dos seus amigos visse? Deus me livre de te envergonhar! Pensou um pouco e arrematou a conversa:
– E quer saber de uma coisa? Se precisar, enfio de novo o desgraçado do sapato do Zé no pé, sem meia e tudo, e volto lá pra bater todas aquelas palmas de novo.
Novamente, leve onda de riso encheu a sala. O Dirceu pediu a bênção e se retirou para dormir. Todos fizeram a mesma coisa, e eu já estava para imitá-los quando vi meu pai procurando alguma coisa.
– O senhor queria alguma coisa, pai?
– Estou vendo onde foi que guardei o danado do diploma. Vou dormir com ele debaixo do travesseiro que é pra sonhar sonho bonito.
(GUIMARÃES, Geni. A cor da ternura. São Paulo: Quinteto, 2022.)
As palavras estão escritas CORRETAMENTE em:
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Leia o texto a seguir para responder a questão abaixo.
Leia o conto “Momento cristalino”, de Geni Guimarães:
Para dezembro foi marcada a data para realização do evento.
Minha colação de grau.
Em casa conversamos e decidimos que todos da família estariam presentes.
Discutimos o ter que calçar e vestir todo mundo adequadamente, como exigia a ocasião.
Fizemos o balanço e, vendo a escassez do dinheiro, concordamos no seguinte: só compraríamos tudo novo para mim. Os outros só comprariam aquilo que não tivessem mesmo, de jeito nenhum. Portanto, compramos roupa para um, sapato para outro e assim por diante.
A Cecília tinha dois vestidos de sair e a Cema dois pares de sapatos, porque tinha ganho um da sua madrinha de crisma. Então, minha mãe usaria um dos vestidos da Cecília e um dos pares de sapato da Cema.
Para meu pai compramos um terno lindo, azul. Compramos ainda uma gravata listrada e um par de meias brancas. Emprestamos para ele o sapato do cunhado Zé e cerzimos uma camisa branca que só tinha uns rasgadinhos na gola.
No dia, todos estavam nervosos, mas arrumaram-se muito cedo para a cerimônia.
Meu pai cortou o cabelo do Zezinho, do Dirceu e dos outros homens da família. Depois o Joãozinho cortou o do meu pai.
Tanta gente e tanto esmero na arrumação fizeram com que chegássemos ao local do evento em cima da hora.
Indiquei-lhes o lugar onde deveriam ficar e fui ocupar o meu, entre os formandos. De onde estava, via-os todos, incomodados nos trajes de missa.
Vez em quando, encorajava-os com um riso. Meu pai, ao lado da minha mãe, estava pleno, altivo, sereno. Com os olhos acompanhava todos os meus movimentos, engolindo salivas de prazer.
Minha mãe me bebia através dos ares do meu pai, que, embevecido, ajeitava a gola da camisa propositalmente, me segredando que estava feliz.
Fui chamada para receber o certificado. Eles, meus pais, não se puderam conter só com as palmas. Levantaram e me aplaudiram em pé. Mãos abertas, barulhentas, livres.
Meus irmãos, contagiados, perderam a timidez e também se puseram em pé, me aplaudindo e apontando, como se só eu existisse ali, como se no momento eu estivesse me apossando da chave do céu.
O diretor esperou pacientemente até que eles percebessem o ultrapassar do limite e fossem, um a um, retomando seus lugares nos bancos.
Terminada a entrega dos certificados, fui convidada para discursar, por ter sido escolhida para oradora da turma.
De novo, meu pai ficou em pé, desatou o nó da gravata e assumiu postura de rei. Para melhor me ouvir, esqueceu a etiqueta, fez conchas com as mãos e envolveu as orelhas.
As formalidades todas terminaram. Fui até eles para voltarmos juntos.
Eu, princesa, entreguei meu certificado ao rei, que o embrulhou no lenço de bolso e passou a carregá-lo como se fosse um vaso de cristal.
Em casa, tomados de euforia, começamos a relembrar os acontecimentos da festa. Rimos das palmas fora da hora, das mãos do meu pai segurando as orelhas, da cara do diretor ao vê-los donos do ambiente. Determinada hora, minha mãe interrompeu nossa sadia algazarra e disse:
– Agora é que vocês vão dar risada de verdade – cutucou meu pai. – Mostra pra eles, Mariano.
Ele, fingindo brincar de mágico, retirou os sapatos dos pés e nos mostrou: duas bexigas enormes desfiguravam seus calcanhares e algumas escoriações marcavam toda a região no peito dos pés.
Fiquei estática. Tudo aquilo por mim, para mim. Toda aquela dor para me ver receber o certificado. Não me contive.
-Perdão, pai.
– Perdão do quê? Eu é que peço perdão. Imagine só… esquecer de usar a meia. Já pensou se um dos seus amigos visse? Deus me livre de te envergonhar! Pensou um pouco e arrematou a conversa:
– E quer saber de uma coisa? Se precisar, enfio de novo o desgraçado do sapato do Zé no pé, sem meia e tudo, e volto lá pra bater todas aquelas palmas de novo.
Novamente, leve onda de riso encheu a sala. O Dirceu pediu a bênção e se retirou para dormir. Todos fizeram a mesma coisa, e eu já estava para imitá-los quando vi meu pai procurando alguma coisa.
– O senhor queria alguma coisa, pai?
– Estou vendo onde foi que guardei o danado do diploma. Vou dormir com ele debaixo do travesseiro que é pra sonhar sonho bonito.
(GUIMARÃES, Geni. A cor da ternura. São Paulo: Quinteto, 2022.)
A ortografia das palavras está CORRETA em:
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Leia o texto a seguir para responder a questão abaixo.
Leia o conto “Momento cristalino”, de Geni Guimarães:
Para dezembro foi marcada a data para realização do evento.
Minha colação de grau.
Em casa conversamos e decidimos que todos da família estariam presentes.
Discutimos o ter que calçar e vestir todo mundo adequadamente, como exigia a ocasião.
Fizemos o balanço e, vendo a escassez do dinheiro, concordamos no seguinte: só compraríamos tudo novo para mim. Os outros só comprariam aquilo que não tivessem mesmo, de jeito nenhum. Portanto, compramos roupa para um, sapato para outro e assim por diante.
A Cecília tinha dois vestidos de sair e a Cema dois pares de sapatos, porque tinha ganho um da sua madrinha de crisma. Então, minha mãe usaria um dos vestidos da Cecília e um dos pares de sapato da Cema.
Para meu pai compramos um terno lindo, azul. Compramos ainda uma gravata listrada e um par de meias brancas. Emprestamos para ele o sapato do cunhado Zé e cerzimos uma camisa branca que só tinha uns rasgadinhos na gola.
No dia, todos estavam nervosos, mas arrumaram-se muito cedo para a cerimônia.
Meu pai cortou o cabelo do Zezinho, do Dirceu e dos outros homens da família. Depois o Joãozinho cortou o do meu pai.
Tanta gente e tanto esmero na arrumação fizeram com que chegássemos ao local do evento em cima da hora.
Indiquei-lhes o lugar onde deveriam ficar e fui ocupar o meu, entre os formandos. De onde estava, via-os todos, incomodados nos trajes de missa.
Vez em quando, encorajava-os com um riso. Meu pai, ao lado da minha mãe, estava pleno, altivo, sereno. Com os olhos acompanhava todos os meus movimentos, engolindo salivas de prazer.
Minha mãe me bebia através dos ares do meu pai, que, embevecido, ajeitava a gola da camisa propositalmente, me segredando que estava feliz.
Fui chamada para receber o certificado. Eles, meus pais, não se puderam conter só com as palmas. Levantaram e me aplaudiram em pé. Mãos abertas, barulhentas, livres.
Meus irmãos, contagiados, perderam a timidez e também se puseram em pé, me aplaudindo e apontando, como se só eu existisse ali, como se no momento eu estivesse me apossando da chave do céu.
O diretor esperou pacientemente até que eles percebessem o ultrapassar do limite e fossem, um a um, retomando seus lugares nos bancos.
Terminada a entrega dos certificados, fui convidada para discursar, por ter sido escolhida para oradora da turma.
De novo, meu pai ficou em pé, desatou o nó da gravata e assumiu postura de rei. Para melhor me ouvir, esqueceu a etiqueta, fez conchas com as mãos e envolveu as orelhas.
As formalidades todas terminaram. Fui até eles para voltarmos juntos.
Eu, princesa, entreguei meu certificado ao rei, que o embrulhou no lenço de bolso e passou a carregá-lo como se fosse um vaso de cristal.
Em casa, tomados de euforia, começamos a relembrar os acontecimentos da festa. Rimos das palmas fora da hora, das mãos do meu pai segurando as orelhas, da cara do diretor ao vê-los donos do ambiente. Determinada hora, minha mãe interrompeu nossa sadia algazarra e disse:
– Agora é que vocês vão dar risada de verdade – cutucou meu pai. – Mostra pra eles, Mariano.
Ele, fingindo brincar de mágico, retirou os sapatos dos pés e nos mostrou: duas bexigas enormes desfiguravam seus calcanhares e algumas escoriações marcavam toda a região no peito dos pés.
Fiquei estática. Tudo aquilo por mim, para mim. Toda aquela dor para me ver receber o certificado. Não me contive.
-Perdão, pai.
– Perdão do quê? Eu é que peço perdão. Imagine só… esquecer de usar a meia. Já pensou se um dos seus amigos visse? Deus me livre de te envergonhar! Pensou um pouco e arrematou a conversa:
– E quer saber de uma coisa? Se precisar, enfio de novo o desgraçado do sapato do Zé no pé, sem meia e tudo, e volto lá pra bater todas aquelas palmas de novo.
Novamente, leve onda de riso encheu a sala. O Dirceu pediu a bênção e se retirou para dormir. Todos fizeram a mesma coisa, e eu já estava para imitá-los quando vi meu pai procurando alguma coisa.
– O senhor queria alguma coisa, pai?
– Estou vendo onde foi que guardei o danado do diploma. Vou dormir com ele debaixo do travesseiro que é pra sonhar sonho bonito.
(GUIMARÃES, Geni. A cor da ternura. São Paulo: Quinteto, 2022.)
Classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
I. ( ) Sobre o poema “Uma vez”, pode-se afirmar que o autor usou os pontos de exclamação e as reticências para exprimir com mais intensidade o que foi dito.
II. ( ) Pode-se afirmar que a expressão “rolo de fumo preto”, na terceira estrofe do poema “Uma vez”, não foi usada de forma ofensiva.
III. ( ) As palavras “Colégio” e “desdém” não são acentuadas de acordo com a mesma regra gramatical.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
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Leia o conto “Momento cristalino”, de Geni Guimarães:
Para dezembro foi marcada a data para realização do evento.
Minha colação de grau.
Em casa conversamos e decidimos que todos da família estariam presentes.
Discutimos o ter que calçar e vestir todo mundo adequadamente, como exigia a ocasião.
Fizemos o balanço e, vendo a escassez do dinheiro, concordamos no seguinte: só compraríamos tudo novo para mim. Os outros só comprariam aquilo que não tivessem mesmo, de jeito nenhum. Portanto, compramos roupa para um, sapato para outro e assim por diante.
A Cecília tinha dois vestidos de sair e a Cema dois pares de sapatos, porque tinha ganho um da sua madrinha de crisma. Então, minha mãe usaria um dos vestidos da Cecília e um dos pares de sapato da Cema.
Para meu pai compramos um terno lindo, azul. Compramos ainda uma gravata listrada e um par de meias brancas. Emprestamos para ele o sapato do cunhado Zé e cerzimos uma camisa branca que só tinha uns rasgadinhos na gola.
No dia, todos estavam nervosos, mas arrumaram-se muito cedo para a cerimônia.
Meu pai cortou o cabelo do Zezinho, do Dirceu e dos outros homens da família. Depois o Joãozinho cortou o do meu pai.
Tanta gente e tanto esmero na arrumação fizeram com que chegássemos ao local do evento em cima da hora.
Indiquei-lhes o lugar onde deveriam ficar e fui ocupar o meu, entre os formandos. De onde estava, via-os todos, incomodados nos trajes de missa.
Vez em quando, encorajava-os com um riso. Meu pai, ao lado da minha mãe, estava pleno, altivo, sereno. Com os olhos acompanhava todos os meus movimentos, engolindo salivas de prazer.
Minha mãe me bebia através dos ares do meu pai, que, embevecido, ajeitava a gola da camisa propositalmente, me segredando que estava feliz.
Fui chamada para receber o certificado. Eles, meus pais, não se puderam conter só com as palmas. Levantaram e me aplaudiram em pé. Mãos abertas, barulhentas, livres.
Meus irmãos, contagiados, perderam a timidez e também se puseram em pé, me aplaudindo e apontando, como se só eu existisse ali, como se no momento eu estivesse me apossando da chave do céu.
O diretor esperou pacientemente até que eles percebessem o ultrapassar do limite e fossem, um a um, retomando seus lugares nos bancos.
Terminada a entrega dos certificados, fui convidada para discursar, por ter sido escolhida para oradora da turma.
De novo, meu pai ficou em pé, desatou o nó da gravata e assumiu postura de rei. Para melhor me ouvir, esqueceu a etiqueta, fez conchas com as mãos e envolveu as orelhas.
As formalidades todas terminaram. Fui até eles para voltarmos juntos.
Eu, princesa, entreguei meu certificado ao rei, que o embrulhou no lenço de bolso e passou a carregá-lo como se fosse um vaso de cristal.
Em casa, tomados de euforia, começamos a relembrar os acontecimentos da festa. Rimos das palmas fora da hora, das mãos do meu pai segurando as orelhas, da cara do diretor ao vê-los donos do ambiente. Determinada hora, minha mãe interrompeu nossa sadia algazarra e disse:
– Agora é que vocês vão dar risada de verdade – cutucou meu pai. – Mostra pra eles, Mariano.
Ele, fingindo brincar de mágico, retirou os sapatos dos pés e nos mostrou: duas bexigas enormes desfiguravam seus calcanhares e algumas escoriações marcavam toda a região no peito dos pés.
Fiquei estática. Tudo aquilo por mim, para mim. Toda aquela dor para me ver receber o certificado. Não me contive.
-Perdão, pai.
– Perdão do quê? Eu é que peço perdão. Imagine só… esquecer de usar a meia. Já pensou se um dos seus amigos visse? Deus me livre de te envergonhar! Pensou um pouco e arrematou a conversa:
– E quer saber de uma coisa? Se precisar, enfio de novo o desgraçado do sapato do Zé no pé, sem meia e tudo, e volto lá pra bater todas aquelas palmas de novo.
Novamente, leve onda de riso encheu a sala. O Dirceu pediu a bênção e se retirou para dormir. Todos fizeram a mesma coisa, e eu já estava para imitá-los quando vi meu pai procurando alguma coisa.
– O senhor queria alguma coisa, pai?
– Estou vendo onde foi que guardei o danado do diploma. Vou dormir com ele debaixo do travesseiro que é pra sonhar sonho bonito.
(GUIMARÃES, Geni. A cor da ternura. São Paulo: Quinteto, 2022.)
Leia o poema “Uma vez”, de Elio Ferreira:
Uma vez caminhando pelas ruas Da minha cidade natal, Com o coração cheio de sonhos, Fui ao Mercado Velho de Floriano, Ao quiosque de dona Isabel Carneiro, Uma amiga antiga da minha rua, da minha casa.
Eu era uma criança, tinha doze anos, E o coração quase a saltar pela boca, Com a minha aprovação No exame de admissão ao Ginásio, No Colégio Industrial São Francisco de Assis. Dona Isabel me abraçou e disse: “Este menino vai ser um grande homem, um doutor!”
O homem de bigode vendia joias de ouro, Num tabuleiro defronte, na esquina. O homem branco sorriu com desdém, Ele apontou para mim e disse: “Doutor, hein… Isso aí na minha terra é um rolo de fumo preto!”
Eu era uma criança, tinha doze anos E não me esqueci desse acontecimento.
(FERREIRA, Elio. América Negra e outros poemas afro-brasileiros. São Paulo: Quilombhoje, 2014.).
Classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
I. ( ) Pode-se afirmar que o poema lido também tem função expressiva, devido à presença de verbos e pronomes na primeira pessoa, destacando memórias e sentimentos de quem fala no texto.
II. ( ) Não é possível saber onde aconteceram as cenas narradas no poema.
III. ( ) É possível afirmar que o poema também narra um caso de discriminação racial.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
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Leia o conto “Momento cristalino”, de Geni Guimarães:
Para dezembro foi marcada a data para realização do evento.
Minha colação de grau.
Em casa conversamos e decidimos que todos da família estariam presentes.
Discutimos o ter que calçar e vestir todo mundo adequadamente, como exigia a ocasião.
Fizemos o balanço e, vendo a escassez do dinheiro, concordamos no seguinte: só compraríamos tudo novo para mim. Os outros só comprariam aquilo que não tivessem mesmo, de jeito nenhum. Portanto, compramos roupa para um, sapato para outro e assim por diante.
A Cecília tinha dois vestidos de sair e a Cema dois pares de sapatos, porque tinha ganho um da sua madrinha de crisma. Então, minha mãe usaria um dos vestidos da Cecília e um dos pares de sapato da Cema.
Para meu pai compramos um terno lindo, azul. Compramos ainda uma gravata listrada e um par de meias brancas. Emprestamos para ele o sapato do cunhado Zé e cerzimos uma camisa branca que só tinha uns rasgadinhos na gola.
No dia, todos estavam nervosos, mas arrumaram-se muito cedo para a cerimônia.
Meu pai cortou o cabelo do Zezinho, do Dirceu e dos outros homens da família. Depois o Joãozinho cortou o do meu pai.
Tanta gente e tanto esmero na arrumação fizeram com que chegássemos ao local do evento em cima da hora.
Indiquei-lhes o lugar onde deveriam ficar e fui ocupar o meu, entre os formandos. De onde estava, via-os todos, incomodados nos trajes de missa.
Vez em quando, encorajava-os com um riso. Meu pai, ao lado da minha mãe, estava pleno, altivo, sereno. Com os olhos acompanhava todos os meus movimentos, engolindo salivas de prazer.
Minha mãe me bebia através dos ares do meu pai, que, embevecido, ajeitava a gola da camisa propositalmente, me segredando que estava feliz.
Fui chamada para receber o certificado. Eles, meus pais, não se puderam conter só com as palmas. Levantaram e me aplaudiram em pé. Mãos abertas, barulhentas, livres.
Meus irmãos, contagiados, perderam a timidez e também se puseram em pé, me aplaudindo e apontando, como se só eu existisse ali, como se no momento eu estivesse me apossando da chave do céu.
O diretor esperou pacientemente até que eles percebessem o ultrapassar do limite e fossem, um a um, retomando seus lugares nos bancos.
Terminada a entrega dos certificados, fui convidada para discursar, por ter sido escolhida para oradora da turma.
De novo, meu pai ficou em pé, desatou o nó da gravata e assumiu postura de rei. Para melhor me ouvir, esqueceu a etiqueta, fez conchas com as mãos e envolveu as orelhas.
As formalidades todas terminaram. Fui até eles para voltarmos juntos.
Eu, princesa, entreguei meu certificado ao rei, que o embrulhou no lenço de bolso e passou a carregá-lo como se fosse um vaso de cristal.
Em casa, tomados de euforia, começamos a relembrar os acontecimentos da festa. Rimos das palmas fora da hora, das mãos do meu pai segurando as orelhas, da cara do diretor ao vê-los donos do ambiente. Determinada hora, minha mãe interrompeu nossa sadia algazarra e disse:
– Agora é que vocês vão dar risada de verdade – cutucou meu pai. – Mostra pra eles, Mariano.
Ele, fingindo brincar de mágico, retirou os sapatos dos pés e nos mostrou: duas bexigas enormes desfiguravam seus calcanhares e algumas escoriações marcavam toda a região no peito dos pés.
Fiquei estática. Tudo aquilo por mim, para mim. Toda aquela dor para me ver receber o certificado. Não me contive.
-Perdão, pai.
– Perdão do quê? Eu é que peço perdão. Imagine só… esquecer de usar a meia. Já pensou se um dos seus amigos visse? Deus me livre de te envergonhar! Pensou um pouco e arrematou a conversa:
– E quer saber de uma coisa? Se precisar, enfio de novo o desgraçado do sapato do Zé no pé, sem meia e tudo, e volto lá pra bater todas aquelas palmas de novo.
Novamente, leve onda de riso encheu a sala. O Dirceu pediu a bênção e se retirou para dormir. Todos fizeram a mesma coisa, e eu já estava para imitá-los quando vi meu pai procurando alguma coisa.
– O senhor queria alguma coisa, pai?
– Estou vendo onde foi que guardei o danado do diploma. Vou dormir com ele debaixo do travesseiro que é pra sonhar sonho bonito.
(GUIMARÃES, Geni. A cor da ternura. São Paulo: Quinteto, 2022.)
Classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
I. ( ) “O cantor e dançarino fez uma performance à Ney Matogrosso”. Nesse exemplo, a crase está inadequada.
II. ( ) “À medida que amanhece, vou identificando os passarinhos”. Nesse exemplo, a crase está adequada.
III. ( ) “Mano Brown se dirigiu à Leci Brandão”. Nesse exemplo, a crase está inadequada.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
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Leia o texto a seguir para responder a questão abaixo.
Leia o conto “Momento cristalino”, de Geni Guimarães:
Para dezembro foi marcada a data para realização do evento.
Minha colação de grau.
Em casa conversamos e decidimos que todos da família estariam presentes.
Discutimos o ter que calçar e vestir todo mundo adequadamente, como exigia a ocasião.
Fizemos o balanço e, vendo a escassez do dinheiro, concordamos no seguinte: só compraríamos tudo novo para mim. Os outros só comprariam aquilo que não tivessem mesmo, de jeito nenhum. Portanto, compramos roupa para um, sapato para outro e assim por diante.
A Cecília tinha dois vestidos de sair e a Cema dois pares de sapatos, porque tinha ganho um da sua madrinha de crisma. Então, minha mãe usaria um dos vestidos da Cecília e um dos pares de sapato da Cema.
Para meu pai compramos um terno lindo, azul. Compramos ainda uma gravata listrada e um par de meias brancas. Emprestamos para ele o sapato do cunhado Zé e cerzimos uma camisa branca que só tinha uns rasgadinhos na gola.
No dia, todos estavam nervosos, mas arrumaram-se muito cedo para a cerimônia.
Meu pai cortou o cabelo do Zezinho, do Dirceu e dos outros homens da família. Depois o Joãozinho cortou o do meu pai.
Tanta gente e tanto esmero na arrumação fizeram com que chegássemos ao local do evento em cima da hora.
Indiquei-lhes o lugar onde deveriam ficar e fui ocupar o meu, entre os formandos. De onde estava, via-os todos, incomodados nos trajes de missa.
Vez em quando, encorajava-os com um riso. Meu pai, ao lado da minha mãe, estava pleno, altivo, sereno. Com os olhos acompanhava todos os meus movimentos, engolindo salivas de prazer.
Minha mãe me bebia através dos ares do meu pai, que, embevecido, ajeitava a gola da camisa propositalmente, me segredando que estava feliz.
Fui chamada para receber o certificado. Eles, meus pais, não se puderam conter só com as palmas. Levantaram e me aplaudiram em pé. Mãos abertas, barulhentas, livres.
Meus irmãos, contagiados, perderam a timidez e também se puseram em pé, me aplaudindo e apontando, como se só eu existisse ali, como se no momento eu estivesse me apossando da chave do céu.
O diretor esperou pacientemente até que eles percebessem o ultrapassar do limite e fossem, um a um, retomando seus lugares nos bancos.
Terminada a entrega dos certificados, fui convidada para discursar, por ter sido escolhida para oradora da turma.
De novo, meu pai ficou em pé, desatou o nó da gravata e assumiu postura de rei. Para melhor me ouvir, esqueceu a etiqueta, fez conchas com as mãos e envolveu as orelhas.
As formalidades todas terminaram. Fui até eles para voltarmos juntos.
Eu, princesa, entreguei meu certificado ao rei, que o embrulhou no lenço de bolso e passou a carregá-lo como se fosse um vaso de cristal.
Em casa, tomados de euforia, começamos a relembrar os acontecimentos da festa. Rimos das palmas fora da hora, das mãos do meu pai segurando as orelhas, da cara do diretor ao vê-los donos do ambiente. Determinada hora, minha mãe interrompeu nossa sadia algazarra e disse:
– Agora é que vocês vão dar risada de verdade – cutucou meu pai. – Mostra pra eles, Mariano.
Ele, fingindo brincar de mágico, retirou os sapatos dos pés e nos mostrou: duas bexigas enormes desfiguravam seus calcanhares e algumas escoriações marcavam toda a região no peito dos pés.
Fiquei estática. Tudo aquilo por mim, para mim. Toda aquela dor para me ver receber o certificado. Não me contive.
-Perdão, pai.
– Perdão do quê? Eu é que peço perdão. Imagine só… esquecer de usar a meia. Já pensou se um dos seus amigos visse? Deus me livre de te envergonhar! Pensou um pouco e arrematou a conversa:
– E quer saber de uma coisa? Se precisar, enfio de novo o desgraçado do sapato do Zé no pé, sem meia e tudo, e volto lá pra bater todas aquelas palmas de novo.
Novamente, leve onda de riso encheu a sala. O Dirceu pediu a bênção e se retirou para dormir. Todos fizeram a mesma coisa, e eu já estava para imitá-los quando vi meu pai procurando alguma coisa.
– O senhor queria alguma coisa, pai?
– Estou vendo onde foi que guardei o danado do diploma. Vou dormir com ele debaixo do travesseiro que é pra sonhar sonho bonito.
(GUIMARÃES, Geni. A cor da ternura. São Paulo: Quinteto, 2022.)
Analise as sentenças a seguir:
I- Para indicar hora, o sinal indicativo de crase não é usado. Por exemplo: “as nove horas”.
II- “Quero assistir àquele filme”. Nessa frase, o sinal indicativo de crase está incorreto.
III- Nas expressões com palavras repetidas, “gota à gota”, “frente à frente”, devemos usar o sinal indicativo de crase.
Assinale a alternativa CORRETA:
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Leia o texto a seguir para responder a questão abaixo.
Leia o conto “Momento cristalino”, de Geni Guimarães:
Para dezembro foi marcada a data para realização do evento.
Minha colação de grau.
Em casa conversamos e decidimos que todos da família estariam presentes.
Discutimos o ter que calçar e vestir todo mundo adequadamente, como exigia a ocasião.
Fizemos o balanço e, vendo a escassez do dinheiro, concordamos no seguinte: só compraríamos tudo novo para mim. Os outros só comprariam aquilo que não tivessem mesmo, de jeito nenhum. Portanto, compramos roupa para um, sapato para outro e assim por diante.
A Cecília tinha dois vestidos de sair e a Cema dois pares de sapatos, porque tinha ganho um da sua madrinha de crisma. Então, minha mãe usaria um dos vestidos da Cecília e um dos pares de sapato da Cema.
Para meu pai compramos um terno lindo, azul. Compramos ainda uma gravata listrada e um par de meias brancas. Emprestamos para ele o sapato do cunhado Zé e cerzimos uma camisa branca que só tinha uns rasgadinhos na gola.
No dia, todos estavam nervosos, mas arrumaram-se muito cedo para a cerimônia.
Meu pai cortou o cabelo do Zezinho, do Dirceu e dos outros homens da família. Depois o Joãozinho cortou o do meu pai.
Tanta gente e tanto esmero na arrumação fizeram com que chegássemos ao local do evento em cima da hora.
Indiquei-lhes o lugar onde deveriam ficar e fui ocupar o meu, entre os formandos. De onde estava, via-os todos, incomodados nos trajes de missa.
Vez em quando, encorajava-os com um riso. Meu pai, ao lado da minha mãe, estava pleno, altivo, sereno. Com os olhos acompanhava todos os meus movimentos, engolindo salivas de prazer.
Minha mãe me bebia através dos ares do meu pai, que, embevecido, ajeitava a gola da camisa propositalmente, me segredando que estava feliz.
Fui chamada para receber o certificado. Eles, meus pais, não se puderam conter só com as palmas. Levantaram e me aplaudiram em pé. Mãos abertas, barulhentas, livres.
Meus irmãos, contagiados, perderam a timidez e também se puseram em pé, me aplaudindo e apontando, como se só eu existisse ali, como se no momento eu estivesse me apossando da chave do céu.
O diretor esperou pacientemente até que eles percebessem o ultrapassar do limite e fossem, um a um, retomando seus lugares nos bancos.
Terminada a entrega dos certificados, fui convidada para discursar, por ter sido escolhida para oradora da turma.
De novo, meu pai ficou em pé, desatou o nó da gravata e assumiu postura de rei. Para melhor me ouvir, esqueceu a etiqueta, fez conchas com as mãos e envolveu as orelhas.
As formalidades todas terminaram. Fui até eles para voltarmos juntos.
Eu, princesa, entreguei meu certificado ao rei, que o embrulhou no lenço de bolso e passou a carregá-lo como se fosse um vaso de cristal.
Em casa, tomados de euforia, começamos a relembrar os acontecimentos da festa. Rimos das palmas fora da hora, das mãos do meu pai segurando as orelhas, da cara do diretor ao vê-los donos do ambiente. Determinada hora, minha mãe interrompeu nossa sadia algazarra e disse:
– Agora é que vocês vão dar risada de verdade – cutucou meu pai. – Mostra pra eles, Mariano.
Ele, fingindo brincar de mágico, retirou os sapatos dos pés e nos mostrou: duas bexigas enormes desfiguravam seus calcanhares e algumas escoriações marcavam toda a região no peito dos pés.
Fiquei estática. Tudo aquilo por mim, para mim. Toda aquela dor para me ver receber o certificado. Não me contive.
-Perdão, pai.
– Perdão do quê? Eu é que peço perdão. Imagine só… esquecer de usar a meia. Já pensou se um dos seus amigos visse? Deus me livre de te envergonhar! Pensou um pouco e arrematou a conversa:
– E quer saber de uma coisa? Se precisar, enfio de novo o desgraçado do sapato do Zé no pé, sem meia e tudo, e volto lá pra bater todas aquelas palmas de novo.
Novamente, leve onda de riso encheu a sala. O Dirceu pediu a bênção e se retirou para dormir. Todos fizeram a mesma coisa, e eu já estava para imitá-los quando vi meu pai procurando alguma coisa.
– O senhor queria alguma coisa, pai?
– Estou vendo onde foi que guardei o danado do diploma. Vou dormir com ele debaixo do travesseiro que é pra sonhar sonho bonito.
(GUIMARÃES, Geni. A cor da ternura. São Paulo: Quinteto, 2022.)
O uso do sinal indicativo de crase está correto em:
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