Foram encontradas 4.234.683 questões.
Leia os textos IV e V a seguir a fim de responder às
questões 17 e 18.
TEXTO IV
Professora denuncia aluno de 15 anos por agressão em
escola de SC: “Dilacerada”
Ela afirmou que levou socos de estudante na sala da direção.
Polícia de Indaial vai instaurar inquérito
Por G1 SC
21/08/2017 18h09 Atualizado 21/08/2017 21h53

Uma professora de uma escola de Indaial, no Vale do Itajaí,
registrou boletim de ocorrência na manhã desta segunda-feira
(21) contra um aluno de 15 anos. Ela disse à polícia que foi
agredida por ele com socos dentro da escola. A delegacia vai
investigar o caso. O G1 não havia conseguido falar com a
família do aluno, nem com a escola até a publicação desta
notícia.
Em entrevista à NSC TV, a professora relatou que o soco foi
"violento". "Um menino de 15 anos, alto, forte, um homem. Eu
sou uma mulher pequena, uma mulher de 1,65 metro", contou,
em áudio.
A agressão ocorreu por volta das 10h20 desta segunda, de
acordo com o B.O. A professora disse à polícia que chamou a
atenção do aluno por ele estar com o livro debaixo da mesa e,
com o objetivo de fazê-lo focar mais na aula, pediu que ele
colocasse a publicação em cima da mesa. Em seguida, o
estudante ficou alterado e disse para a professora "se f...".
Diante disso, segundo o B.O., ela pediu que o aluno fosse
para a sala da direção. Antes de ir, ele jogou o livro em direção
a ela, na frente dos demais estudantes. Ao chegar à direção, o
adolescente negou o ocorrido, exaltou-se e chamou a
professora de mentirosa. Em seguida, deu socos nela, o que
causou uma lesão no olho.
Fonte: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/professora-denuncia-aluno-de-15-
TEXTO V
Alunos que brigam com colegas, professores que
desrespeitam funcionários, pais que ofendem os diretores.
Casos de violência na escola não faltam. Poucas escolas
refletem sobre essas situações e elaboram estratégias para
construir uma cultura da paz. A maioria aplica punições que, em
vez de acabarem com o enfrentamento, estimulam esse tipo de
atitude e tiram dos jovens a autonomia para resolver problemas.
Segundo Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e colunista
da revista NOVA ESCOLA, “implementar um projeto
institucional de mediação de conflitos é fundamental para
implantar espaços de diálogo sobre a qualidade das relações e
os problemas de convivência e propor maneiras não violentas
de resolvê-los. Assim, os próprios envolvidos em uma briga
podem chegar a uma solução pacífica”.
https://novaescola.org.br/conteudo/7844/conversar-para-resolver-conflitos/. Adaptado.
I. Percebe-se uma intencionalidade de transmissão da mensagem de forma subjetiva e permeada de pessoalidade em ambos os textos.
II. Prevalece em ambos os textos o uso majoritário da modalidade formal da língua a fim de transmitirem suas respectivas mensagens.
III. Ambos os textos foram escritos em terceira pessoa e fizeram uso do discurso direto explicitamente marcado pelo uso da pontuação.
IV. Prevalece, em ambos os textos em destaque, a função da linguagem Referencial.
Pode-se afirmar como correto o que foi dito somente em:
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- Interpretação de TextosFunções da Linguagem
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros Textuais
Leia os textos IV e V a seguir a fim de responder às
questões 17 e 18.
TEXTO IV
Professora denuncia aluno de 15 anos por agressão em
escola de SC: “Dilacerada”
Ela afirmou que levou socos de estudante na sala da direção.
Polícia de Indaial vai instaurar inquérito
Por G1 SC
21/08/2017 18h09 Atualizado 21/08/2017 21h53

Uma professora de uma escola de Indaial, no Vale do Itajaí,
registrou boletim de ocorrência na manhã desta segunda-feira
(21) contra um aluno de 15 anos. Ela disse à polícia que foi
agredida por ele com socos dentro da escola. A delegacia vai
investigar o caso. O G1 não havia conseguido falar com a
família do aluno, nem com a escola até a publicação desta
notícia.
Em entrevista à NSC TV, a professora relatou que o soco foi
"violento". "Um menino de 15 anos, alto, forte, um homem. Eu
sou uma mulher pequena, uma mulher de 1,65 metro", contou,
em áudio.
A agressão ocorreu por volta das 10h20 desta segunda, de
acordo com o B.O. A professora disse à polícia que chamou a
atenção do aluno por ele estar com o livro debaixo da mesa e,
com o objetivo de fazê-lo focar mais na aula, pediu que ele
colocasse a publicação em cima da mesa. Em seguida, o
estudante ficou alterado e disse para a professora "se f...".
Diante disso, segundo o B.O., ela pediu que o aluno fosse
para a sala da direção. Antes de ir, ele jogou o livro em direção
a ela, na frente dos demais estudantes. Ao chegar à direção, o
adolescente negou o ocorrido, exaltou-se e chamou a
professora de mentirosa. Em seguida, deu socos nela, o que
causou uma lesão no olho.
Fonte: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/professora-denuncia-aluno-de-15-
TEXTO V
Alunos que brigam com colegas, professores que
desrespeitam funcionários, pais que ofendem os diretores.
Casos de violência na escola não faltam. Poucas escolas
refletem sobre essas situações e elaboram estratégias para
construir uma cultura da paz. A maioria aplica punições que, em
vez de acabarem com o enfrentamento, estimulam esse tipo de
atitude e tiram dos jovens a autonomia para resolver problemas.
Segundo Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e colunista
da revista NOVA ESCOLA, “implementar um projeto
institucional de mediação de conflitos é fundamental para
implantar espaços de diálogo sobre a qualidade das relações e
os problemas de convivência e propor maneiras não violentas
de resolvê-los. Assim, os próprios envolvidos em uma briga
podem chegar a uma solução pacífica”.
https://novaescola.org.br/conteudo/7844/conversar-para-resolver-conflitos/. Adaptado.
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O texto III a seguir servirá de base para a resolução da questão.
TEXTO III
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs
Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e
interpretação de textos, a atividade metalinguística deve ser
instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua
que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado
das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática
que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se
emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que
só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática
pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de
exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização
de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não
necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa
questão: a questão verdadeira é o que, para que e como
ensiná-la.
Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise
linguística, que a referência não pode ser a gramática
tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o
quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar
(por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com
suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas
morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um
fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de
pontos de gramática, como todas as regras de concordância,
com suas exceções reconhecidas).
O que deve ser ensinado não responde às imposições de
organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas
aos aspectos que precisam ser tematizados em função das
necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de
produção, leitura e escuta de textos.
O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica
metodologia de definição, classificação e exercitação, mas
corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida
pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples
e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor,
do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas
vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela
gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não
corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a
necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.
[...] não se pode mais insistir na ideia de que o modelo de
correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível
padrão de língua ou que corresponda à variedade linguística de
prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor
atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às
variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas
pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente
reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação
negativa.
Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua
padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que
existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma
região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é
a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala
mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de
que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele
escreva errado.
Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de
mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de
incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma
língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por
mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um
princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem:
o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de
escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição,
mas por extensão da competência linguística e pela construção
ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.
No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e
escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas
permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando
as características e condições do contexto de produção, ou
seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de
língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber
coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazêlo; saber que modo de expressão é pertinente em função de
sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores
a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de
adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da
linguagem.
(BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília:
MEC/SEF, 1998. Fragmentos, p. 28, 29 e 31.)
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- Ensino das DisciplinasLíngua Portuguesa
- LegislaçãoPCN: Parâmetros Curriculares Nacionais
- Temas Educacionais Pedagógicos
O texto III a seguir servirá de base para a resolução da questão.
TEXTO III
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs
Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e
interpretação de textos, a atividade metalinguística deve ser
instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua
que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado
das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática
que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se
emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que
só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática
pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de
exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização
de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não
necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa
questão: a questão verdadeira é o que, para que e como
ensiná-la.
Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise
linguística, que a referência não pode ser a gramática
tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o
quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar
(por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com
suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas
morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um
fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de
pontos de gramática, como todas as regras de concordância,
com suas exceções reconhecidas).
O que deve ser ensinado não responde às imposições de
organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas
aos aspectos que precisam ser tematizados em função das
necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de
produção, leitura e escuta de textos.
O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica
metodologia de definição, classificação e exercitação, mas
corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida
pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples
e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor,
do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas
vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela
gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não
corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a
necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.
[...] não se pode mais insistir na ideia de que o modelo de
correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível
padrão de língua ou que corresponda à variedade linguística de
prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor
atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às
variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas
pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente
reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação
negativa.
Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua
padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que
existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma
região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é
a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala
mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de
que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele
escreva errado.
Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de
mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de
incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma
língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por
mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um
princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem:
o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de
escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição,
mas por extensão da competência linguística e pela construção
ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.
No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e
escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas
permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando
as características e condições do contexto de produção, ou
seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de
língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber
coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazêlo; saber que modo de expressão é pertinente em função de
sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores
a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de
adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da
linguagem.
(BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília:
MEC/SEF, 1998. Fragmentos, p. 28, 29 e 31.)
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O texto III a seguir servirá de base para a resolução da questão.
TEXTO III
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs
Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e
interpretação de textos, a atividade metalinguística deve ser
instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua
que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado
das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática
que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se
emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que
só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática
pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de
exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização
de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não
necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa
questão: a questão verdadeira é o que, para que e como
ensiná-la.
Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise
linguística, que a referência não pode ser a gramática
tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o
quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar
(por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com
suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas
morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um
fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de
pontos de gramática, como todas as regras de concordância,
com suas exceções reconhecidas).
O que deve ser ensinado não responde às imposições de
organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas
aos aspectos que precisam ser tematizados em função das
necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de
produção, leitura e escuta de textos.
O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica
metodologia de definição, classificação e exercitação, mas
corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida
pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples
e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor,
do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas
vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela
gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não
corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a
necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.
[...] não se pode mais insistir na ideia de que o modelo de
correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível
padrão de língua ou que corresponda à variedade linguística de
prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor
atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às
variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas
pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente
reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação
negativa.
Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua
padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que
existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma
região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é
a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala
mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de
que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele
escreva errado.
Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de
mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de
incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma
língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por
mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um
princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem:
o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de
escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição,
mas por extensão da competência linguística e pela construção
ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.
No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e
escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas
permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando
as características e condições do contexto de produção, ou
seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de
língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber
coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazêlo; saber que modo de expressão é pertinente em função de
sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores
a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de
adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da
linguagem.
(BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília:
MEC/SEF, 1998. Fragmentos, p. 28, 29 e 31.)
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Questão presente nas seguintes provas
O texto III a seguir servirá de base para a resolução da questão.
TEXTO III
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs
Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e
interpretação de textos, a atividade metalinguística deve ser
instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua
que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado
das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática
que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se
emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que
só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática
pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de
exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização
de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não
necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa
questão: a questão verdadeira é o que, para que e como
ensiná-la.
Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise
linguística, que a referência não pode ser a gramática
tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o
quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar
(por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com
suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas
morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um
fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de
pontos de gramática, como todas as regras de concordância,
com suas exceções reconhecidas).
O que deve ser ensinado não responde às imposições de
organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas
aos aspectos que precisam ser tematizados em função das
necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de
produção, leitura e escuta de textos.
O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica
metodologia de definição, classificação e exercitação, mas
corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida
pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples
e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor,
do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas
vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela
gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não
corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a
necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.
[...] não se pode mais insistir na ideia de que o modelo de
correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível
padrão de língua ou que corresponda à variedade linguística de
prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor
atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às
variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas
pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente
reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação
negativa.
Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua
padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que
existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma
região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é
a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala
mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de
que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele
escreva errado.
Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de
mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de
incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma
língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por
mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um
princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem:
o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de
escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição,
mas por extensão da competência linguística e pela construção
ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.
No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e
escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas
permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando
as características e condições do contexto de produção, ou
seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de
língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber
coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazêlo; saber que modo de expressão é pertinente em função de
sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores
a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de
adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da
linguagem.
(BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília:
MEC/SEF, 1998. Fragmentos, p. 28, 29 e 31.)
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Questão presente nas seguintes provas
O texto II a seguir serve de base de análise para a questão.
TEXTO II
Caboclo do sertão
(Rita de Cássia)
Eu vou te levar onde canta o sabiá
Onde a lua nos espia com olhar de menina
O cheiro do mato vem surgindo das colinas
Nossa cama é a grama pra fazer amor, menina
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê
Lá tem um riacho para a gente se banhar
Pegar peixe, nadar junto e até vadiar
Quando for de noite nós acende o nosso amor
Pois fogueira não tem frio, pois sou teu cobertor
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida a viver
Tudo pra eu e ocê
Quando for cedinho a passarada a cantar
Tem o sol alumiando pra nos acordar
Lá no paraíso tudo é feito com amor
Só faltava uma deusa, e você chegou...
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê
Fonte: Onde Canta o Sabiá - Rita de Cássia - LETRAS.MUS.BR
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Questão presente nas seguintes provas
4278245
Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ISET
Orgão: Pref. Lajedinho-BA
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ISET
Orgão: Pref. Lajedinho-BA
Provas:
O texto II a seguir serve de base de análise para a questão.
TEXTO II
Caboclo do sertão
(Rita de Cássia)
Eu vou te levar onde canta o sabiá
Onde a lua nos espia com olhar de menina
O cheiro do mato vem surgindo das colinas
Nossa cama é a grama pra fazer amor, menina
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê
Lá tem um riacho para a gente se banhar
Pegar peixe, nadar junto e até vadiar
Quando for de noite nós acende o nosso amor
Pois fogueira não tem frio, pois sou teu cobertor
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida a viver
Tudo pra eu e ocê
Quando for cedinho a passarada a cantar
Tem o sol alumiando pra nos acordar
Lá no paraíso tudo é feito com amor
Só faltava uma deusa, e você chegou...
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê
Fonte: Onde Canta o Sabiá - Rita de Cássia - LETRAS.MUS.BR
I. Foi elaborado em forma de versos a fim de realçar uma expressividade rítmica.
II. Fundamenta-se na variedade dialetal a fim de realçar o falar próprio de uma região.
III. Na sua composição, prescinde de vocabulário sociocultural representativo de um povo específico.
IV. Restringe sua expressividade linguística a uma modalidade escorreita conforme o contexto em que se encontra.
Pode-se dizer que está correto o que se afirma
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Questão presente nas seguintes provas
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração CoordenadaOrações Coordenadas Sindéticas
- Interpretação de TextosTipos de Discurso: Direto, Indireto e Indireto Livre
O texto I abaixo serve de base de análise para a questão.
TEXTO I
Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus
irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frangod'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas,
em ponto remoto, no Mutum. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra.
Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído
dali, pela primeira vez: o Tio Terêz levou-o a cavalo, à frente da
sela, para ser crismado no Sucuriju, por onde o bispo passava.
Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças,
embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se
esquecer: alguém, que já estivera no Mutum, tinha dito: "É um
lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito
mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..."
Mas sua mãe, que era linda e com cabelos pretos e
compridos, se doía de tristeza de ter de viver ali. Queixava-se,
principalmente nos demorados meses chuvosos, quando
carregava o tempo, tudo tão sozinho, tão escuro, o ar ali era
mais escuro; ou, mesmo na estiagem, qualquer dia, de tardinha,
na hora do sol entrar. — "Oê, ah, o triste recanto..." — ela
exclamava. Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com o tio
Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que
às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado.
Quando voltou para casa, seu maior pensamento era que
tinha a boa notícia para dar à mãe: o que o homem tinha falado
— que o Mutum era lugar bonito... A mãe, quando ouvisse essa
certeza, havia de se alegrar, ficava consolada. Era um presente;
e a ideia de poder trazê-lo desse jeito de cor, como uma
salvação, deixava-o febril até nas pernas. Tão grave, grande,
que nem o quis dizer à mãe na presença dos outros, mas
insofria por ter de esperar; e, assim que pôde estar com ela só,
abraçou-se a seu pescoço e contou-lhe, estremecido, aquela
revelação. A mãe não lhe deu valor nenhum, mas mirou triste e
apontou o morro; dizia:
— Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem
outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu
nunca hei de poder ver...
Era a primeira vez que a mãe falava com ele um assunto todo
sério. No fundo de seu coração, ele não podia, porém,
concordar, por mais que gostasse dela: e achava que o moço
que tinha falado aquilo era que estava com a razão. [...]
De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um
senhor de fora, o claro da roupa. Miguilim saudou, pedindo a
bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de
óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo.
— Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome?
— Miguilim. Eu sou irmão do Dito.
— E seu irmão Dito é o dono daqui?
— Não, meu senhor. O Ditinho está em glória. O homem
esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo,
formoso como nenhum outro. Redizia:
— Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas,
que é que há, Miguilim?
Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para
ele, por isso é que o encarava.
— Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de
vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa?
— É Mãe, e os meninos...
Estava Mãe, estava Tio Terêz, estavam todos. O senhor alto
e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada.
O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois
perguntava a ele mesmo:
— Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está
enxergando? E agora?
Miguilim espremia os olhos. Drelina e a Chica riam.
Tomezinho tinha ido se esconder.
— Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí,
Miguilim...
E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo
o jeito.
— Olha, agora!
Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma
claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores,
as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da
terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no
chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta
coisa, tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim
ainda apontava, falava, contava tudo como era, como tinha
visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que
aquilo era do modo mesmo, só que Miguilim também carecia de
usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era
o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de
Miguilim batia descompasso, ele careceu de ir lá dentro, contar
à Rosa, à Maria Pretinha, a Mãitina. A Chica veio correndo
atrás, mexeu:
— Miguilim, você é piticego... E ele respondeu:
— Donazinha... Quando voltou, o doutor José Lourenço já
tinha ido embora. [...]
Miguilim não sabia. Todos eram maiores do que ele, as coisas
reviravam sempre dum modo tão diferente, eram grandes
demais.
— Pra onde ele foi?
— A foi p´ra a Vereda do Tipã, onde os caçadores estão. Mas
amanhã ele volta, de manhã, antes de ir s´embora para a
cidade. Disse que, você querendo. Miguilim, ele junto te leva...
O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele
comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois
aprendia ofício. Você mesmo quer ir?
Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar. Sua alma,
até ao fundo, se esfriava. Mas Mãe disse:
— Vai, meu filho. É a luz dos teus olhos, que só Deus teve
poder para te dar. Vai. Fim do ano, a gente puder, faz a viagem
também. Um dia todos se encontram...
E Mãe foi arrumar a roupinha dele. A Rosa matava galinha,
para pôr na capanga, com farofa. Miguilim ia no cavalo
Diamante — depois era vendido lá na cidade, o dinheiro ficava
pra ele.
— Mãe, é o mar? Ou é para a banda do Pau-Roxo, Mãe? É
muito longe?
— Mais longe é, meu filhinho. Mas é do lado do Pau-Roxo
não. É o contrário... A Mãe suspirava suave.
— Mãe, mas por que é, então, para que é, que aconteceu
tudo?!
— Miguilim, me abraça, meu filhinho, que eu tenho tanto
amor... [...] O doutor chegou.
— Miguilim, você está aprontado? Está animoso? Miguilim
abraçava todos, um por um, dizia adeus até aos cachorros, ao
Papaco-o-Paco, ao gato Sossõe que lambia as mãozinhas se
asseando. Beijou a mão da mãe do Grivo.
— Dá lembrança a seo Aristeu... Dá lembrança a seo
Deográcias... Estava abraçado com Mãe. Podiam sair. Mas,
então, de repente, Miguilim parou em frente do doutor. Todo
tremia, quase sem coragem de dizer o que tinha vontade. Por
fim, disse. Pediu. O doutor entendeu e achou graça. Tirou os
óculos, pôs na cara de Miguilim. E Miguilim olhou para todos,
com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima
do morro, aqui a casa, a cerca de feijão-bravo e são-caetano; o
céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da
manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo,
florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na
primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia. Olhou
Mãitina, que gostava de o ver de óculos, batia palmas-de-mão
e gritava:
— Cena, Corinta!... Olhou o redondo de pedrinhas, debaixo
do jenipapeiro. Olhava mais era para Mãe. Drelina era bonita, a
Chica, Tomezinho. Sorriu para Tio Terêz:
— Tio Terêz, o senhor parece com o Pai... Todos choravam.
O doutor limpou a goela, disse:
— Não sei, quando eu tiro esses óculos, tão fortes, até meus
olhos se enchem d´água...
Miguilim entregou a ele os óculos outra vez. Um soluçozinho
veio. Sempre alegre, Miguilim... Sempre alegre, Miguilim... Nem
sabia o que era alegria e tristeza. Mãe o beijava. A Rosa punhalhe doces-de-leite nas algibeiras, para a viagem. Papaco-oPaco falava, alto, falava.
ROSA, Guimarães. Campo Geral. Adaptado.
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O texto I abaixo serve de base de análise para a questão.
TEXTO I
Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus
irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frangod'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas,
em ponto remoto, no Mutum. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra.
Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído
dali, pela primeira vez: o Tio Terêz levou-o a cavalo, à frente da
sela, para ser crismado no Sucuriju, por onde o bispo passava.
Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças,
embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se
esquecer: alguém, que já estivera no Mutum, tinha dito: "É um
lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito
mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..."
Mas sua mãe, que era linda e com cabelos pretos e
compridos, se doía de tristeza de ter de viver ali. Queixava-se,
principalmente nos demorados meses chuvosos, quando
carregava o tempo, tudo tão sozinho, tão escuro, o ar ali era
mais escuro; ou, mesmo na estiagem, qualquer dia, de tardinha,
na hora do sol entrar. — "Oê, ah, o triste recanto..." — ela
exclamava. Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com o tio
Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que
às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado.
Quando voltou para casa, seu maior pensamento era que
tinha a boa notícia para dar à mãe: o que o homem tinha falado
— que o Mutum era lugar bonito... A mãe, quando ouvisse essa
certeza, havia de se alegrar, ficava consolada. Era um presente;
e a ideia de poder trazê-lo desse jeito de cor, como uma
salvação, deixava-o febril até nas pernas. Tão grave, grande,
que nem o quis dizer à mãe na presença dos outros, mas
insofria por ter de esperar; e, assim que pôde estar com ela só,
abraçou-se a seu pescoço e contou-lhe, estremecido, aquela
revelação. A mãe não lhe deu valor nenhum, mas mirou triste e
apontou o morro; dizia:
— Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem
outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu
nunca hei de poder ver...
Era a primeira vez que a mãe falava com ele um assunto todo
sério. No fundo de seu coração, ele não podia, porém,
concordar, por mais que gostasse dela: e achava que o moço
que tinha falado aquilo era que estava com a razão. [...]
De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um
senhor de fora, o claro da roupa. Miguilim saudou, pedindo a
bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de
óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo.
— Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome?
— Miguilim. Eu sou irmão do Dito.
— E seu irmão Dito é o dono daqui?
— Não, meu senhor. O Ditinho está em glória. O homem
esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo,
formoso como nenhum outro. Redizia:
— Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas,
que é que há, Miguilim?
Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para
ele, por isso é que o encarava.
— Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de
vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa?
— É Mãe, e os meninos...
Estava Mãe, estava Tio Terêz, estavam todos. O senhor alto
e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada.
O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois
perguntava a ele mesmo:
— Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está
enxergando? E agora?
Miguilim espremia os olhos. Drelina e a Chica riam.
Tomezinho tinha ido se esconder.
— Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí,
Miguilim...
E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo
o jeito.
— Olha, agora!
Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma
claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores,
as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da
terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no
chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta
coisa, tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim
ainda apontava, falava, contava tudo como era, como tinha
visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que
aquilo era do modo mesmo, só que Miguilim também carecia de
usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era
o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de
Miguilim batia descompasso, ele careceu de ir lá dentro, contar
à Rosa, à Maria Pretinha, a Mãitina. A Chica veio correndo
atrás, mexeu:
— Miguilim, você é piticego... E ele respondeu:
— Donazinha... Quando voltou, o doutor José Lourenço já
tinha ido embora. [...]
Miguilim não sabia. Todos eram maiores do que ele, as coisas
reviravam sempre dum modo tão diferente, eram grandes
demais.
— Pra onde ele foi?
— A foi p´ra a Vereda do Tipã, onde os caçadores estão. Mas
amanhã ele volta, de manhã, antes de ir s´embora para a
cidade. Disse que, você querendo. Miguilim, ele junto te leva...
O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele
comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois
aprendia ofício. Você mesmo quer ir?
Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar. Sua alma,
até ao fundo, se esfriava. Mas Mãe disse:
— Vai, meu filho. É a luz dos teus olhos, que só Deus teve
poder para te dar. Vai. Fim do ano, a gente puder, faz a viagem
também. Um dia todos se encontram...
E Mãe foi arrumar a roupinha dele. A Rosa matava galinha,
para pôr na capanga, com farofa. Miguilim ia no cavalo
Diamante — depois era vendido lá na cidade, o dinheiro ficava
pra ele.
— Mãe, é o mar? Ou é para a banda do Pau-Roxo, Mãe? É
muito longe?
— Mais longe é, meu filhinho. Mas é do lado do Pau-Roxo
não. É o contrário... A Mãe suspirava suave.
— Mãe, mas por que é, então, para que é, que aconteceu
tudo?!
— Miguilim, me abraça, meu filhinho, que eu tenho tanto
amor... [...] O doutor chegou.
— Miguilim, você está aprontado? Está animoso? Miguilim
abraçava todos, um por um, dizia adeus até aos cachorros, ao
Papaco-o-Paco, ao gato Sossõe que lambia as mãozinhas se
asseando. Beijou a mão da mãe do Grivo.
— Dá lembrança a seo Aristeu... Dá lembrança a seo
Deográcias... Estava abraçado com Mãe. Podiam sair. Mas,
então, de repente, Miguilim parou em frente do doutor. Todo
tremia, quase sem coragem de dizer o que tinha vontade. Por
fim, disse. Pediu. O doutor entendeu e achou graça. Tirou os
óculos, pôs na cara de Miguilim. E Miguilim olhou para todos,
com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima
do morro, aqui a casa, a cerca de feijão-bravo e são-caetano; o
céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da
manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo,
florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na
primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia. Olhou
Mãitina, que gostava de o ver de óculos, batia palmas-de-mão
e gritava:
— Cena, Corinta!... Olhou o redondo de pedrinhas, debaixo
do jenipapeiro. Olhava mais era para Mãe. Drelina era bonita, a
Chica, Tomezinho. Sorriu para Tio Terêz:
— Tio Terêz, o senhor parece com o Pai... Todos choravam.
O doutor limpou a goela, disse:
— Não sei, quando eu tiro esses óculos, tão fortes, até meus
olhos se enchem d´água...
Miguilim entregou a ele os óculos outra vez. Um soluçozinho
veio. Sempre alegre, Miguilim... Sempre alegre, Miguilim... Nem
sabia o que era alegria e tristeza. Mãe o beijava. A Rosa punhalhe doces-de-leite nas algibeiras, para a viagem. Papaco-oPaco falava, alto, falava.
ROSA, Guimarães. Campo Geral. Adaptado.
( ) Em “Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutum, tinha dito: ‘É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre’.” – tal passagem, no início da narrativa, serve de prenúncio da condição visual limitada que Miguilim possuía na história, o que seria revelado na parte final com a observação e a ação precisas de José Lourenço.
( ) Em “Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...” – esta passagem é representativa da revelação que Miguilim tivera sobre a realidade objetiva do Mutum e, figurativamente, por outro lado, simboliza um “rito de passagem” promovida pela luz do conhecimento obtido.
( ) Passagens no texto I, como “Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha”; “Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando?”; “Miguilim espremia os olhos.”; “Este nosso rapazinho tem a vista curta.”; e “O Mutum era bonito! Agora ele sabia.” revelam, do início da narrativa, ao seu desfecho, a baixa acuidade visual do personagem Miguilim a qual comprometeu, na história, não apenas sua forma de enxergar a realidade física e objetiva do mundo, mas também a capacidade analítica do que este simboliza na realidade.
( ) Em “Por fim, disse. Pediu. O doutor entendeu e achou graça. Tirou os óculos, pôs na cara de Miguilim. E Miguilim olhou para todos, com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima do morro, aqui a casa, a cerca de feijãobravo e são-caetano; o céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo, florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia.” – esta descrição feita do Mutum representa metaforicamente o que este significava para Miguilim: um cenário especial cuja riqueza maior eram as pessoas queridas no seu convívio.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se dizer que se tem pela ordem a seguinte sequência.
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