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Sabe-se que em uma unidade com 80 policiais:
• 35 possuem curso em gerenciamento de crise (G);
• 47 possuem curso de APH Tático (A);
• 10 não possuem nenhum desses dois cursos.
Com base nesses dados, o número de policiais que possuem ambos os cursos, é igual a:
• 35 possuem curso em gerenciamento de crise (G);
• 47 possuem curso de APH Tático (A);
• 10 não possuem nenhum desses dois cursos.
Com base nesses dados, o número de policiais que possuem ambos os cursos, é igual a:
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Considere duas proposições lógicas:
p: César é Flamenguista.
q: João é Palmeirense.
Sabendo que o valor lógico da proposição p é verdadeiro e o valor lógico da proposição q é falso, é correto afirmar que:
p: César é Flamenguista.
q: João é Palmeirense.
Sabendo que o valor lógico da proposição p é verdadeiro e o valor lógico da proposição q é falso, é correto afirmar que:
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TEXTO I
A juristocracia venceu
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos
A juristocracia não é um acidente de percurso. É o destino
anunciado de um país que trocou o voto consciente pela toga
“iluminada” e o debate pela canetada “milagrosa”. O brasileiro,
esse animal teatral e preguiçoso, prefere o espetáculo do
Supremo ao tédio da democracia. Os juízes sobem a rampa
como atores de um teatro: solenes, maquiados de
imparcialidade, e o povo aplaude o próprio sepultamento com a
mesma emoção com que outrora aplaudia o gol de placa.
Ministros supremos substituem os jogadores, e as brigas de
torcida são transferidas para a Corte.
O ministro supremo, que sequer é juiz, não julga. Ele “salva”.
Salva o oprimido de ocasião, faz “justiça social”, entra onde o
Congresso foi inoperante. Enquanto o Legislativo hesita, o
ministro decreta. A Constituição vira puro pretexto. E a
tripartição dos Poderes, essa velha senhora burguesa, é
empurrada para o fundo do palco. Não há mais independência
entre os Poderes; apenas “harmonia”, ou seja, o domínio do
Poder “supremo”.
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos. A justiça brasileira é uma farsa, mas muitos fingem que
acreditam nela. O juiz se apresenta como técnico, mas age
como político. Fala em direitos fundamentais e entrega
engenharia social. Fala em Constituição e produz legislação de
gabinete. O povo, cúmplice e sonolento, aceita. A parcela
desperta ainda luta, mas impotente, desarmada, aguarda ainda
um milagre de fora.
O resultado é previsível. A política se judicializa, sempre com
viés. Quem leva gol no jogo reverte o resultado no tapetão. O
cidadão perde a voz. Decisões sobre família, vida, liberdade e
costumes saem de despachos, não das urnas. É a ditadura
suave – a mais perigosa, porque vem disfarçada de
democracia, de “progresso” e de moral superior. O que a base
governista não conquista no voto, tenta conquistar na
jurisprudência. E quase sempre consegue.
Chegou setembro de 2026 e o teatro virou faroeste de vez.
Alexandre de Moraes, relator eterno do inquérito que nunca
acaba, acumula os papéis de vítima, investigador e juiz com a
naturalidade de quem já não distingue o palco da vida. Bloqueia
redes, multa quem usa VPN, suspende lei votada pelo
Congresso e agora aparece nas mensagens de um banqueiro
preso pedindo intercessão junto à PRF e à PGN. Tem milhões
de motivos para bancar o consultor do bandido. O mesmo
homem que prega o Estado de Direito trata a Constituição como
figurino: veste quando convém, rasga quando interessa. Nelson
Rodrigues reconheceria o tipo: o moralista que se descobre
pecador e, em vez de se calar, aumenta o volume do sermão.
Flávio Dino entra em cena como segundo ator da turma. Um
dia o colega André Mendonça afasta o diretor-geral da Polícia
Federal; no dia seguinte o comunista o recoloca no cargo,
repreende o outro ministro em público, fala em “causa própria” e manda o caso para o plenário – desde que o plenário seja
seu, tingido de vermelho. É a guerra de liminares no lugar do
Direito. É bangue-bangue. É pelada de várzea. Um ministro da
Primeira Turma atropela julgamento em curso na Segunda. O
presidente da Corte, Fachin, cancela sessão e assiste a tudo
como a rainha da Inglaterra.
O conservador lúcido vê o óbvio: não é Justiça, é facção. Não
é constitucionalismo, é ocupação do Estado por uma casta que
se julga acima do voto e da lei. Será que ainda há alguma
solução? Dentro das quatro linhas, convenhamos, parece cada
vez mais difícil. Mas a esperança é sempre a última a morrer.
A conjuntura é esta: eleição à vista, Supremo rachado,
ministros investigando ministros, arapongagem, relatórios da
PF virando arma de retaliação, e o país inteiro convertido em
réu eventual de um gabinete. Moraes e Dino não são acidentes.
São o retrato acabado da juristocracia brasileira: o poder sem
voto, a sentença sem debate e a passividade de uma imprensa
corrompida. Nelson Rodrigues diria que o Brasil só acredita no
escândalo quando o escândalo já virou rotina. Eu completaria:
enquanto a toga legislar, prender, censurar e rasgar a
Constituição, a democracia será apenas o intervalo entre um
despacho e o próximo.
Ou o país recupera o primado da política sobre a Justiça,
colocando cada macaco em seu devido galho, ou a juristocracia
consumará, em silêncio e com pompa, o que as urnas
recusaram. O palco está montado. A plateia, adormecida. O
próximo ato já está escrito – e não será o povo quem o
escreverá, se ele não reagir o quanto antes. O pano já está
caindo. Não há mais máscaras para ocultar tanta
monstruosidade. Até aqui, a juristocracia vence de goleada.
Ainda é viável reverter o placar?
Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Revista Oeste, ed.339. A juristocracia venceu.
https://revistaoeste.com/revista/edicao-339/a-juristocracia-venceu/ (adaptado).
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TEXTO I
A juristocracia venceu
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos
A juristocracia não é um acidente de percurso. É o destino
anunciado de um país que trocou o voto consciente pela toga
“iluminada” e o debate pela canetada “milagrosa”. O brasileiro,
esse animal teatral e preguiçoso, prefere o espetáculo do
Supremo ao tédio da democracia. Os juízes sobem a rampa
como atores de um teatro: solenes, maquiados de
imparcialidade, e o povo aplaude o próprio sepultamento com a
mesma emoção com que outrora aplaudia o gol de placa.
Ministros supremos substituem os jogadores, e as brigas de
torcida são transferidas para a Corte.
O ministro supremo, que sequer é juiz, não julga. Ele “salva”.
Salva o oprimido de ocasião, faz “justiça social”, entra onde o
Congresso foi inoperante. Enquanto o Legislativo hesita, o
ministro decreta. A Constituição vira puro pretexto. E a
tripartição dos Poderes, essa velha senhora burguesa, é
empurrada para o fundo do palco. Não há mais independência
entre os Poderes; apenas “harmonia”, ou seja, o domínio do
Poder “supremo”.
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos. A justiça brasileira é uma farsa, mas muitos fingem que
acreditam nela. O juiz se apresenta como técnico, mas age
como político. Fala em direitos fundamentais e entrega
engenharia social. Fala em Constituição e produz legislação de
gabinete. O povo, cúmplice e sonolento, aceita. A parcela
desperta ainda luta, mas impotente, desarmada, aguarda ainda
um milagre de fora.
O resultado é previsível. A política se judicializa, sempre com
viés. Quem leva gol no jogo reverte o resultado no tapetão. O
cidadão perde a voz. Decisões sobre família, vida, liberdade e
costumes saem de despachos, não das urnas. É a ditadura
suave – a mais perigosa, porque vem disfarçada de
democracia, de “progresso” e de moral superior. O que a base
governista não conquista no voto, tenta conquistar na
jurisprudência. E quase sempre consegue.
Chegou setembro de 2026 e o teatro virou faroeste de vez.
Alexandre de Moraes, relator eterno do inquérito que nunca
acaba, acumula os papéis de vítima, investigador e juiz com a
naturalidade de quem já não distingue o palco da vida. Bloqueia
redes, multa quem usa VPN, suspende lei votada pelo
Congresso e agora aparece nas mensagens de um banqueiro
preso pedindo intercessão junto à PRF e à PGN. Tem milhões
de motivos para bancar o consultor do bandido. O mesmo
homem que prega o Estado de Direito trata a Constituição como
figurino: veste quando convém, rasga quando interessa. Nelson
Rodrigues reconheceria o tipo: o moralista que se descobre
pecador e, em vez de se calar, aumenta o volume do sermão.
Flávio Dino entra em cena como segundo ator da turma. Um
dia o colega André Mendonça afasta o diretor-geral da Polícia
Federal; no dia seguinte o comunista o recoloca no cargo,
repreende o outro ministro em público, fala em “causa própria” e manda o caso para o plenário – desde que o plenário seja
seu, tingido de vermelho. É a guerra de liminares no lugar do
Direito. É bangue-bangue. É pelada de várzea. Um ministro da
Primeira Turma atropela julgamento em curso na Segunda. O
presidente da Corte, Fachin, cancela sessão e assiste a tudo
como a rainha da Inglaterra.
O conservador lúcido vê o óbvio: não é Justiça, é facção. Não
é constitucionalismo, é ocupação do Estado por uma casta que
se julga acima do voto e da lei. Será que ainda há alguma
solução? Dentro das quatro linhas, convenhamos, parece cada
vez mais difícil. Mas a esperança é sempre a última a morrer.
A conjuntura é esta: eleição à vista, Supremo rachado,
ministros investigando ministros, arapongagem, relatórios da
PF virando arma de retaliação, e o país inteiro convertido em
réu eventual de um gabinete. Moraes e Dino não são acidentes.
São o retrato acabado da juristocracia brasileira: o poder sem
voto, a sentença sem debate e a passividade de uma imprensa
corrompida. Nelson Rodrigues diria que o Brasil só acredita no
escândalo quando o escândalo já virou rotina. Eu completaria:
enquanto a toga legislar, prender, censurar e rasgar a
Constituição, a democracia será apenas o intervalo entre um
despacho e o próximo.
Ou o país recupera o primado da política sobre a Justiça,
colocando cada macaco em seu devido galho, ou a juristocracia
consumará, em silêncio e com pompa, o que as urnas
recusaram. O palco está montado. A plateia, adormecida. O
próximo ato já está escrito – e não será o povo quem o
escreverá, se ele não reagir o quanto antes. O pano já está
caindo. Não há mais máscaras para ocultar tanta
monstruosidade. Até aqui, a juristocracia vence de goleada.
Ainda é viável reverter o placar?
Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Revista Oeste, ed.339. A juristocracia venceu.
https://revistaoeste.com/revista/edicao-339/a-juristocracia-venceu/ (adaptado).
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TEXTO I
A juristocracia venceu
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos
A juristocracia não é um acidente de percurso. É o destino
anunciado de um país que trocou o voto consciente pela toga
“iluminada” e o debate pela canetada “milagrosa”. O brasileiro,
esse animal teatral e preguiçoso, prefere o espetáculo do
Supremo ao tédio da democracia. Os juízes sobem a rampa
como atores de um teatro: solenes, maquiados de
imparcialidade, e o povo aplaude o próprio sepultamento com a
mesma emoção com que outrora aplaudia o gol de placa.
Ministros supremos substituem os jogadores, e as brigas de
torcida são transferidas para a Corte.
O ministro supremo, que sequer é juiz, não julga. Ele “salva”.
Salva o oprimido de ocasião, faz “justiça social”, entra onde o
Congresso foi inoperante. Enquanto o Legislativo hesita, o
ministro decreta. A Constituição vira puro pretexto. E a
tripartição dos Poderes, essa velha senhora burguesa, é
empurrada para o fundo do palco. Não há mais independência
entre os Poderes; apenas “harmonia”, ou seja, o domínio do
Poder “supremo”.
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos. A justiça brasileira é uma farsa, mas muitos fingem que
acreditam nela. O juiz se apresenta como técnico, mas age
como político. Fala em direitos fundamentais e entrega
engenharia social. Fala em Constituição e produz legislação de
gabinete. O povo, cúmplice e sonolento, aceita. A parcela
desperta ainda luta, mas impotente, desarmada, aguarda ainda
um milagre de fora.
O resultado é previsível. A política se judicializa, sempre com
viés. Quem leva gol no jogo reverte o resultado no tapetão. O
cidadão perde a voz. Decisões sobre família, vida, liberdade e
costumes saem de despachos, não das urnas. É a ditadura
suave – a mais perigosa, porque vem disfarçada de
democracia, de “progresso” e de moral superior. O que a base
governista não conquista no voto, tenta conquistar na
jurisprudência. E quase sempre consegue.
Chegou setembro de 2026 e o teatro virou faroeste de vez.
Alexandre de Moraes, relator eterno do inquérito que nunca
acaba, acumula os papéis de vítima, investigador e juiz com a
naturalidade de quem já não distingue o palco da vida. Bloqueia
redes, multa quem usa VPN, suspende lei votada pelo
Congresso e agora aparece nas mensagens de um banqueiro
preso pedindo intercessão junto à PRF e à PGN. Tem milhões
de motivos para bancar o consultor do bandido. O mesmo
homem que prega o Estado de Direito trata a Constituição como
figurino: veste quando convém, rasga quando interessa. Nelson
Rodrigues reconheceria o tipo: o moralista que se descobre
pecador e, em vez de se calar, aumenta o volume do sermão.
Flávio Dino entra em cena como segundo ator da turma. Um
dia o colega André Mendonça afasta o diretor-geral da Polícia
Federal; no dia seguinte o comunista o recoloca no cargo,
repreende o outro ministro em público, fala em “causa própria” e manda o caso para o plenário – desde que o plenário seja
seu, tingido de vermelho. É a guerra de liminares no lugar do
Direito. É bangue-bangue. É pelada de várzea. Um ministro da
Primeira Turma atropela julgamento em curso na Segunda. O
presidente da Corte, Fachin, cancela sessão e assiste a tudo
como a rainha da Inglaterra.
O conservador lúcido vê o óbvio: não é Justiça, é facção. Não
é constitucionalismo, é ocupação do Estado por uma casta que
se julga acima do voto e da lei. Será que ainda há alguma
solução? Dentro das quatro linhas, convenhamos, parece cada
vez mais difícil. Mas a esperança é sempre a última a morrer.
A conjuntura é esta: eleição à vista, Supremo rachado,
ministros investigando ministros, arapongagem, relatórios da
PF virando arma de retaliação, e o país inteiro convertido em
réu eventual de um gabinete. Moraes e Dino não são acidentes.
São o retrato acabado da juristocracia brasileira: o poder sem
voto, a sentença sem debate e a passividade de uma imprensa
corrompida. Nelson Rodrigues diria que o Brasil só acredita no
escândalo quando o escândalo já virou rotina. Eu completaria:
enquanto a toga legislar, prender, censurar e rasgar a
Constituição, a democracia será apenas o intervalo entre um
despacho e o próximo.
Ou o país recupera o primado da política sobre a Justiça,
colocando cada macaco em seu devido galho, ou a juristocracia
consumará, em silêncio e com pompa, o que as urnas
recusaram. O palco está montado. A plateia, adormecida. O
próximo ato já está escrito – e não será o povo quem o
escreverá, se ele não reagir o quanto antes. O pano já está
caindo. Não há mais máscaras para ocultar tanta
monstruosidade. Até aqui, a juristocracia vence de goleada.
Ainda é viável reverter o placar?
Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Revista Oeste, ed.339. A juristocracia venceu.
https://revistaoeste.com/revista/edicao-339/a-juristocracia-venceu/ (adaptado).
( ) Em “A conjuntura é esta: eleição à vista, Supremo rachado, ministros investigando ministros, arapongagem, relatórios da PF virando arma de retaliação, e o país inteiro convertido em réu eventual de um gabinete.” (8º par.), o pronome demonstrativo em primeira pessoa cumpre papel catafórico ao anunciar algo elucidativo sobre o nome “conjuntura”.
( ) Em “Ou o país recupera o primado da política sobre a Justiça, colocando cada macaco em seu devido galho, ou a juristocracia consumará, em silêncio e com pompa, o que as urnas recusaram.” (9º par.), observa-se que o fragmento prescindiu de uso metafórico enquanto modalidade estilística.
( ) Em “O conservador lúcido vê o óbvio: não é Justiça, é facção.” (7º par.), a fim de manter o sentido inicial do que se afirmou, poder-se-ia acrescentar a expressão de valor adversativo “mas sim” em relação ao que foi exposto antes, desde que se suprimisse a forma verbal destacada.
( ) Em “É a guerra de liminares no lugar do Direito. É banguebangue. É pelada de várzea. Um ministro da Primeira Turma atropela julgamento em curso na Segunda. O presidente da Corte, Fachin, cancela sessão e assiste a tudo como a rainha da Inglaterra.” (6º par.), nota-se a prevalência de expressões conotativas a fim de marcar um estreitamento do discurso em relação à modalidade coloquial da linguagem.
( ) Em “Moraes e Dino não são acidentes. São o retrato acabado da juristocracia brasileira: o poder sem voto, a sentença sem debate e a passividade de uma imprensa corrompida. Nelson Rodrigues diria que o Brasil só acredita no escândalo quando o escândalo já virou rotina. Eu completaria: enquanto a toga legislar, prender, censurar e rasgar a Constituição, a democracia será apenas o intervalo entre um despacho e o próximo.” (8º par.), nota-se a evocação do discurso indireto seguido de uma inferência do articulista quanto a uma fala de Nelson Rodrigues, a fim de endossar a crítica feita quanto à “juristocracia”.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se dizer que se tem pela ordem a seguinte sequência.
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- SintaxeTermos Integrantes da Oração
- MorfologiaPronomesPronomes PessoaisPronomes Pessoais Oblíquos
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
TEXTO I
A juristocracia venceu
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos
A juristocracia não é um acidente de percurso. É o destino
anunciado de um país que trocou o voto consciente pela toga
“iluminada” e o debate pela canetada “milagrosa”. O brasileiro,
esse animal teatral e preguiçoso, prefere o espetáculo do
Supremo ao tédio da democracia. Os juízes sobem a rampa
como atores de um teatro: solenes, maquiados de
imparcialidade, e o povo aplaude o próprio sepultamento com a
mesma emoção com que outrora aplaudia o gol de placa.
Ministros supremos substituem os jogadores, e as brigas de
torcida são transferidas para a Corte.
O ministro supremo, que sequer é juiz, não julga. Ele “salva”.
Salva o oprimido de ocasião, faz “justiça social”, entra onde o
Congresso foi inoperante. Enquanto o Legislativo hesita, o
ministro decreta. A Constituição vira puro pretexto. E a
tripartição dos Poderes, essa velha senhora burguesa, é
empurrada para o fundo do palco. Não há mais independência
entre os Poderes; apenas “harmonia”, ou seja, o domínio do
Poder “supremo”.
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos. A justiça brasileira é uma farsa, mas muitos fingem que
acreditam nela. O juiz se apresenta como técnico, mas age
como político. Fala em direitos fundamentais e entrega
engenharia social. Fala em Constituição e produz legislação de
gabinete. O povo, cúmplice e sonolento, aceita. A parcela
desperta ainda luta, mas impotente, desarmada, aguarda ainda
um milagre de fora.
O resultado é previsível. A política se judicializa, sempre com
viés. Quem leva gol no jogo reverte o resultado no tapetão. O
cidadão perde a voz. Decisões sobre família, vida, liberdade e
costumes saem de despachos, não das urnas. É a ditadura
suave – a mais perigosa, porque vem disfarçada de
democracia, de “progresso” e de moral superior. O que a base
governista não conquista no voto, tenta conquistar na
jurisprudência. E quase sempre consegue.
Chegou setembro de 2026 e o teatro virou faroeste de vez.
Alexandre de Moraes, relator eterno do inquérito que nunca
acaba, acumula os papéis de vítima, investigador e juiz com a
naturalidade de quem já não distingue o palco da vida. Bloqueia
redes, multa quem usa VPN, suspende lei votada pelo
Congresso e agora aparece nas mensagens de um banqueiro
preso pedindo intercessão junto à PRF e à PGN. Tem milhões
de motivos para bancar o consultor do bandido. O mesmo
homem que prega o Estado de Direito trata a Constituição como
figurino: veste quando convém, rasga quando interessa. Nelson
Rodrigues reconheceria o tipo: o moralista que se descobre
pecador e, em vez de se calar, aumenta o volume do sermão.
Flávio Dino entra em cena como segundo ator da turma. Um
dia o colega André Mendonça afasta o diretor-geral da Polícia
Federal; no dia seguinte o comunista o recoloca no cargo,
repreende o outro ministro em público, fala em “causa própria” e manda o caso para o plenário – desde que o plenário seja
seu, tingido de vermelho. É a guerra de liminares no lugar do
Direito. É bangue-bangue. É pelada de várzea. Um ministro da
Primeira Turma atropela julgamento em curso na Segunda. O
presidente da Corte, Fachin, cancela sessão e assiste a tudo
como a rainha da Inglaterra.
O conservador lúcido vê o óbvio: não é Justiça, é facção. Não
é constitucionalismo, é ocupação do Estado por uma casta que
se julga acima do voto e da lei. Será que ainda há alguma
solução? Dentro das quatro linhas, convenhamos, parece cada
vez mais difícil. Mas a esperança é sempre a última a morrer.
A conjuntura é esta: eleição à vista, Supremo rachado,
ministros investigando ministros, arapongagem, relatórios da
PF virando arma de retaliação, e o país inteiro convertido em
réu eventual de um gabinete. Moraes e Dino não são acidentes.
São o retrato acabado da juristocracia brasileira: o poder sem
voto, a sentença sem debate e a passividade de uma imprensa
corrompida. Nelson Rodrigues diria que o Brasil só acredita no
escândalo quando o escândalo já virou rotina. Eu completaria:
enquanto a toga legislar, prender, censurar e rasgar a
Constituição, a democracia será apenas o intervalo entre um
despacho e o próximo.
Ou o país recupera o primado da política sobre a Justiça,
colocando cada macaco em seu devido galho, ou a juristocracia
consumará, em silêncio e com pompa, o que as urnas
recusaram. O palco está montado. A plateia, adormecida. O
próximo ato já está escrito – e não será o povo quem o
escreverá, se ele não reagir o quanto antes. O pano já está
caindo. Não há mais máscaras para ocultar tanta
monstruosidade. Até aqui, a juristocracia vence de goleada.
Ainda é viável reverter o placar?
Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Revista Oeste, ed.339. A juristocracia venceu.
https://revistaoeste.com/revista/edicao-339/a-juristocracia-venceu/ (adaptado).
I. “O ministro supremo, que sequer é juiz, não julga. Ele ‘salva’.” (2º par.)
II. “A Constituição vira puro pretexto. E a tripartição dos Poderes, essa velha senhora burguesa, é empurrada para o fundo do palco.” (2º par.)
III. “O mesmo tribunal que deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos poucos.” (3º par.)
IV. “O resultado é previsível. A política se judicializa, sempre com viés.” (4º par.)
V. “Nelson Rodrigues reconheceria o tipo: o moralista que se descobre pecador e, em vez de se calar, aumenta o volume do sermão.” (5º par.)
Pode-se dizer corretamente que:
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TEXTO I
A juristocracia venceu
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos
A juristocracia não é um acidente de percurso. É o destino
anunciado de um país que trocou o voto consciente pela toga
“iluminada” e o debate pela canetada “milagrosa”. O brasileiro,
esse animal teatral e preguiçoso, prefere o espetáculo do
Supremo ao tédio da democracia. Os juízes sobem a rampa
como atores de um teatro: solenes, maquiados de
imparcialidade, e o povo aplaude o próprio sepultamento com a
mesma emoção com que outrora aplaudia o gol de placa.
Ministros supremos substituem os jogadores, e as brigas de
torcida são transferidas para a Corte.
O ministro supremo, que sequer é juiz, não julga. Ele “salva”.
Salva o oprimido de ocasião, faz “justiça social”, entra onde o
Congresso foi inoperante. Enquanto o Legislativo hesita, o
ministro decreta. A Constituição vira puro pretexto. E a
tripartição dos Poderes, essa velha senhora burguesa, é
empurrada para o fundo do palco. Não há mais independência
entre os Poderes; apenas “harmonia”, ou seja, o domínio do
Poder “supremo”.
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos. A justiça brasileira é uma farsa, mas muitos fingem que
acreditam nela. O juiz se apresenta como técnico, mas age
como político. Fala em direitos fundamentais e entrega
engenharia social. Fala em Constituição e produz legislação de
gabinete. O povo, cúmplice e sonolento, aceita. A parcela
desperta ainda luta, mas impotente, desarmada, aguarda ainda
um milagre de fora.
O resultado é previsível. A política se judicializa, sempre com
viés. Quem leva gol no jogo reverte o resultado no tapetão. O
cidadão perde a voz. Decisões sobre família, vida, liberdade e
costumes saem de despachos, não das urnas. É a ditadura
suave – a mais perigosa, porque vem disfarçada de
democracia, de “progresso” e de moral superior. O que a base
governista não conquista no voto, tenta conquistar na
jurisprudência. E quase sempre consegue.
Chegou setembro de 2026 e o teatro virou faroeste de vez.
Alexandre de Moraes, relator eterno do inquérito que nunca
acaba, acumula os papéis de vítima, investigador e juiz com a
naturalidade de quem já não distingue o palco da vida. Bloqueia
redes, multa quem usa VPN, suspende lei votada pelo
Congresso e agora aparece nas mensagens de um banqueiro
preso pedindo intercessão junto à PRF e à PGN. Tem milhões
de motivos para bancar o consultor do bandido. O mesmo
homem que prega o Estado de Direito trata a Constituição como
figurino: veste quando convém, rasga quando interessa. Nelson
Rodrigues reconheceria o tipo: o moralista que se descobre
pecador e, em vez de se calar, aumenta o volume do sermão.
Flávio Dino entra em cena como segundo ator da turma. Um
dia o colega André Mendonça afasta o diretor-geral da Polícia
Federal; no dia seguinte o comunista o recoloca no cargo,
repreende o outro ministro em público, fala em “causa própria” e manda o caso para o plenário – desde que o plenário seja
seu, tingido de vermelho. É a guerra de liminares no lugar do
Direito. É bangue-bangue. É pelada de várzea. Um ministro da
Primeira Turma atropela julgamento em curso na Segunda. O
presidente da Corte, Fachin, cancela sessão e assiste a tudo
como a rainha da Inglaterra.
O conservador lúcido vê o óbvio: não é Justiça, é facção. Não
é constitucionalismo, é ocupação do Estado por uma casta que
se julga acima do voto e da lei. Será que ainda há alguma
solução? Dentro das quatro linhas, convenhamos, parece cada
vez mais difícil. Mas a esperança é sempre a última a morrer.
A conjuntura é esta: eleição à vista, Supremo rachado,
ministros investigando ministros, arapongagem, relatórios da
PF virando arma de retaliação, e o país inteiro convertido em
réu eventual de um gabinete. Moraes e Dino não são acidentes.
São o retrato acabado da juristocracia brasileira: o poder sem
voto, a sentença sem debate e a passividade de uma imprensa
corrompida. Nelson Rodrigues diria que o Brasil só acredita no
escândalo quando o escândalo já virou rotina. Eu completaria:
enquanto a toga legislar, prender, censurar e rasgar a
Constituição, a democracia será apenas o intervalo entre um
despacho e o próximo.
Ou o país recupera o primado da política sobre a Justiça,
colocando cada macaco em seu devido galho, ou a juristocracia
consumará, em silêncio e com pompa, o que as urnas
recusaram. O palco está montado. A plateia, adormecida. O
próximo ato já está escrito – e não será o povo quem o
escreverá, se ele não reagir o quanto antes. O pano já está
caindo. Não há mais máscaras para ocultar tanta
monstruosidade. Até aqui, a juristocracia vence de goleada.
Ainda é viável reverter o placar?
Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Revista Oeste, ed.339. A juristocracia venceu.
https://revistaoeste.com/revista/edicao-339/a-juristocracia-venceu/ (adaptado).
I. “É a ditadura suave – a mais perigosa, porque vem disfarçada de democracia, de “progresso” e de moral superior.” (4º par.)
II. “Dentro das quatro linhas, convenhamos, parece cada vez mais difícil. Mas a esperança é sempre a última a morrer.” (7º par.)
III. “A plateia, adormecida. O próximo ato já está escrito – e não será o povo quem o escreverá, se ele não reagir o quanto antes.” (9º par.)
Assinale a alternativa que apresenta, pela ordem, a indicação da natureza semântica das expressões em destaque em cada período acima.
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- OrtografiaAcentuação GráficaAcento Diferencial
- OrtografiaAcentuação GráficaProparoxítonas, Paraxítonas, Oxítonas e Hiatos
- FonologiaAgrupamento FonológicoSílabas
TEXTO I
A juristocracia venceu
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos
A juristocracia não é um acidente de percurso. É o destino
anunciado de um país que trocou o voto consciente pela toga
“iluminada” e o debate pela canetada “milagrosa”. O brasileiro,
esse animal teatral e preguiçoso, prefere o espetáculo do
Supremo ao tédio da democracia. Os juízes sobem a rampa
como atores de um teatro: solenes, maquiados de
imparcialidade, e o povo aplaude o próprio sepultamento com a
mesma emoção com que outrora aplaudia o gol de placa.
Ministros supremos substituem os jogadores, e as brigas de
torcida são transferidas para a Corte.
O ministro supremo, que sequer é juiz, não julga. Ele “salva”.
Salva o oprimido de ocasião, faz “justiça social”, entra onde o
Congresso foi inoperante. Enquanto o Legislativo hesita, o
ministro decreta. A Constituição vira puro pretexto. E a
tripartição dos Poderes, essa velha senhora burguesa, é
empurrada para o fundo do palco. Não há mais independência
entre os Poderes; apenas “harmonia”, ou seja, o domínio do
Poder “supremo”.
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos. A justiça brasileira é uma farsa, mas muitos fingem que
acreditam nela. O juiz se apresenta como técnico, mas age
como político. Fala em direitos fundamentais e entrega
engenharia social. Fala em Constituição e produz legislação de
gabinete. O povo, cúmplice e sonolento, aceita. A parcela
desperta ainda luta, mas impotente, desarmada, aguarda ainda
um milagre de fora.
O resultado é previsível. A política se judicializa, sempre com
viés. Quem leva gol no jogo reverte o resultado no tapetão. O
cidadão perde a voz. Decisões sobre família, vida, liberdade e
costumes saem de despachos, não das urnas. É a ditadura
suave – a mais perigosa, porque vem disfarçada de
democracia, de “progresso” e de moral superior. O que a base
governista não conquista no voto, tenta conquistar na
jurisprudência. E quase sempre consegue.
Chegou setembro de 2026 e o teatro virou faroeste de vez.
Alexandre de Moraes, relator eterno do inquérito que nunca
acaba, acumula os papéis de vítima, investigador e juiz com a
naturalidade de quem já não distingue o palco da vida. Bloqueia
redes, multa quem usa VPN, suspende lei votada pelo
Congresso e agora aparece nas mensagens de um banqueiro
preso pedindo intercessão junto à PRF e à PGN. Tem milhões
de motivos para bancar o consultor do bandido. O mesmo
homem que prega o Estado de Direito trata a Constituição como
figurino: veste quando convém, rasga quando interessa. Nelson
Rodrigues reconheceria o tipo: o moralista que se descobre
pecador e, em vez de se calar, aumenta o volume do sermão.
Flávio Dino entra em cena como segundo ator da turma. Um
dia o colega André Mendonça afasta o diretor-geral da Polícia
Federal; no dia seguinte o comunista o recoloca no cargo,
repreende o outro ministro em público, fala em “causa própria” e manda o caso para o plenário – desde que o plenário seja
seu, tingido de vermelho. É a guerra de liminares no lugar do
Direito. É bangue-bangue. É pelada de várzea. Um ministro da
Primeira Turma atropela julgamento em curso na Segunda. O
presidente da Corte, Fachin, cancela sessão e assiste a tudo
como a rainha da Inglaterra.
O conservador lúcido vê o óbvio: não é Justiça, é facção. Não
é constitucionalismo, é ocupação do Estado por uma casta que
se julga acima do voto e da lei. Será que ainda há alguma
solução? Dentro das quatro linhas, convenhamos, parece cada
vez mais difícil. Mas a esperança é sempre a última a morrer.
A conjuntura é esta: eleição à vista, Supremo rachado,
ministros investigando ministros, arapongagem, relatórios da
PF virando arma de retaliação, e o país inteiro convertido em
réu eventual de um gabinete. Moraes e Dino não são acidentes.
São o retrato acabado da juristocracia brasileira: o poder sem
voto, a sentença sem debate e a passividade de uma imprensa
corrompida. Nelson Rodrigues diria que o Brasil só acredita no
escândalo quando o escândalo já virou rotina. Eu completaria:
enquanto a toga legislar, prender, censurar e rasgar a
Constituição, a democracia será apenas o intervalo entre um
despacho e o próximo.
Ou o país recupera o primado da política sobre a Justiça,
colocando cada macaco em seu devido galho, ou a juristocracia
consumará, em silêncio e com pompa, o que as urnas
recusaram. O palco está montado. A plateia, adormecida. O
próximo ato já está escrito – e não será o povo quem o
escreverá, se ele não reagir o quanto antes. O pano já está
caindo. Não há mais máscaras para ocultar tanta
monstruosidade. Até aqui, a juristocracia vence de goleada.
Ainda é viável reverter o placar?
Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Revista Oeste, ed.339. A juristocracia venceu.
https://revistaoeste.com/revista/edicao-339/a-juristocracia-venceu/ (adaptado).
( ) Em “É o destino anunciado de um país que trocou o voto consciente pela toga ‘iluminada’ e o debate pela canetada ‘milagrosa’.” (1º par.), a expressão em destaque foi acentuada pela regra da terminação das palavras oxítonas.
( ) Em “Os juízes sobem a rampa como atores de um teatro: solenes, maquiados de imparcialidade, e o povo aplaude o próprio sepultamento com a mesma emoção com que outrora aplaudia o gol de placa.” (1º par.), as palavras em destaque possuem a mesma justificativa do emprego de acentuação por possuírem idêntica tonicidade silábica, ou seja, por serem paroxítonas.
( ) Em “Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos poucos. A justiça brasileira é uma farsa, mas muitos fingem que acreditam nela.” (3º par.), os vocábulos em destaque foram acentuados pela mesma regra a qual se refere à terminação dos monossílabos átonos.
( ) Em “O juiz se apresenta como técnico, mas age como político. Fala em direitos fundamentais e entrega engenharia social. Fala em Constituição e produz legislação de gabinete. O povo, cúmplice e sonolento, aceita.” (3º par.), segundo o Novo Acordo Ortográfico, sempre as palavras que tiverem a mesma tonicidade das que se encontram em destaque serão acentuadas.
( ) Em “O conservador lúcido vê o óbvio: não é Justiça, é facção. Não é constitucionalismo, é ocupação do Estado por uma casta que se julga acima do voto e da lei. Será que ainda há alguma solução? Dentro das quatro linhas, convenhamos, parece cada vez mais difícil. Mas a esperança é sempre a última a morrer.” (7º par.), encontram-se em destaque palavras acentuadas por diferentes justificativas gramaticais.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se dizer que se tem pela ordem a seguinte sequência.
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TEXTO I
A juristocracia venceu
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos
A juristocracia não é um acidente de percurso. É o destino
anunciado de um país que trocou o voto consciente pela toga
“iluminada” e o debate pela canetada “milagrosa”. O brasileiro,
esse animal teatral e preguiçoso, prefere o espetáculo do
Supremo ao tédio da democracia. Os juízes sobem a rampa
como atores de um teatro: solenes, maquiados de
imparcialidade, e o povo aplaude o próprio sepultamento com a
mesma emoção com que outrora aplaudia o gol de placa.
Ministros supremos substituem os jogadores, e as brigas de
torcida são transferidas para a Corte.
O ministro supremo, que sequer é juiz, não julga. Ele “salva”.
Salva o oprimido de ocasião, faz “justiça social”, entra onde o
Congresso foi inoperante. Enquanto o Legislativo hesita, o
ministro decreta. A Constituição vira puro pretexto. E a
tripartição dos Poderes, essa velha senhora burguesa, é
empurrada para o fundo do palco. Não há mais independência
entre os Poderes; apenas “harmonia”, ou seja, o domínio do
Poder “supremo”.
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos. A justiça brasileira é uma farsa, mas muitos fingem que
acreditam nela. O juiz se apresenta como técnico, mas age
como político. Fala em direitos fundamentais e entrega
engenharia social. Fala em Constituição e produz legislação de
gabinete. O povo, cúmplice e sonolento, aceita. A parcela
desperta ainda luta, mas impotente, desarmada, aguarda ainda
um milagre de fora.
O resultado é previsível. A política se judicializa, sempre com
viés. Quem leva gol no jogo reverte o resultado no tapetão. O
cidadão perde a voz. Decisões sobre família, vida, liberdade e
costumes saem de despachos, não das urnas. É a ditadura
suave – a mais perigosa, porque vem disfarçada de
democracia, de “progresso” e de moral superior. O que a base
governista não conquista no voto, tenta conquistar na
jurisprudência. E quase sempre consegue.
Chegou setembro de 2026 e o teatro virou faroeste de vez.
Alexandre de Moraes, relator eterno do inquérito que nunca
acaba, acumula os papéis de vítima, investigador e juiz com a
naturalidade de quem já não distingue o palco da vida. Bloqueia
redes, multa quem usa VPN, suspende lei votada pelo
Congresso e agora aparece nas mensagens de um banqueiro
preso pedindo intercessão junto à PRF e à PGN. Tem milhões
de motivos para bancar o consultor do bandido. O mesmo
homem que prega o Estado de Direito trata a Constituição como
figurino: veste quando convém, rasga quando interessa. Nelson
Rodrigues reconheceria o tipo: o moralista que se descobre
pecador e, em vez de se calar, aumenta o volume do sermão.
Flávio Dino entra em cena como segundo ator da turma. Um
dia o colega André Mendonça afasta o diretor-geral da Polícia
Federal; no dia seguinte o comunista o recoloca no cargo,
repreende o outro ministro em público, fala em “causa própria” e manda o caso para o plenário – desde que o plenário seja
seu, tingido de vermelho. É a guerra de liminares no lugar do
Direito. É bangue-bangue. É pelada de várzea. Um ministro da
Primeira Turma atropela julgamento em curso na Segunda. O
presidente da Corte, Fachin, cancela sessão e assiste a tudo
como a rainha da Inglaterra.
O conservador lúcido vê o óbvio: não é Justiça, é facção. Não
é constitucionalismo, é ocupação do Estado por uma casta que
se julga acima do voto e da lei. Será que ainda há alguma
solução? Dentro das quatro linhas, convenhamos, parece cada
vez mais difícil. Mas a esperança é sempre a última a morrer.
A conjuntura é esta: eleição à vista, Supremo rachado,
ministros investigando ministros, arapongagem, relatórios da
PF virando arma de retaliação, e o país inteiro convertido em
réu eventual de um gabinete. Moraes e Dino não são acidentes.
São o retrato acabado da juristocracia brasileira: o poder sem
voto, a sentença sem debate e a passividade de uma imprensa
corrompida. Nelson Rodrigues diria que o Brasil só acredita no
escândalo quando o escândalo já virou rotina. Eu completaria:
enquanto a toga legislar, prender, censurar e rasgar a
Constituição, a democracia será apenas o intervalo entre um
despacho e o próximo.
Ou o país recupera o primado da política sobre a Justiça,
colocando cada macaco em seu devido galho, ou a juristocracia
consumará, em silêncio e com pompa, o que as urnas
recusaram. O palco está montado. A plateia, adormecida. O
próximo ato já está escrito – e não será o povo quem o
escreverá, se ele não reagir o quanto antes. O pano já está
caindo. Não há mais máscaras para ocultar tanta
monstruosidade. Até aqui, a juristocracia vence de goleada.
Ainda é viável reverter o placar?
Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Revista Oeste, ed.339. A juristocracia venceu.
https://revistaoeste.com/revista/edicao-339/a-juristocracia-venceu/ (adaptado).
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO I
A juristocracia venceu
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos
A juristocracia não é um acidente de percurso. É o destino
anunciado de um país que trocou o voto consciente pela toga
“iluminada” e o debate pela canetada “milagrosa”. O brasileiro,
esse animal teatral e preguiçoso, prefere o espetáculo do
Supremo ao tédio da democracia. Os juízes sobem a rampa
como atores de um teatro: solenes, maquiados de
imparcialidade, e o povo aplaude o próprio sepultamento com a
mesma emoção com que outrora aplaudia o gol de placa.
Ministros supremos substituem os jogadores, e as brigas de
torcida são transferidas para a Corte.
O ministro supremo, que sequer é juiz, não julga. Ele “salva”.
Salva o oprimido de ocasião, faz “justiça social”, entra onde o
Congresso foi inoperante. Enquanto o Legislativo hesita, o
ministro decreta. A Constituição vira puro pretexto. E a
tripartição dos Poderes, essa velha senhora burguesa, é
empurrada para o fundo do palco. Não há mais independência
entre os Poderes; apenas “harmonia”, ou seja, o domínio do
Poder “supremo”.
Há uma hipocrisia deliciosa nisso tudo. O mesmo tribunal que
deveria ser o guardião da Carta a invoca para rasgá-la aos
poucos. A justiça brasileira é uma farsa, mas muitos fingem que
acreditam nela. O juiz se apresenta como técnico, mas age
como político. Fala em direitos fundamentais e entrega
engenharia social. Fala em Constituição e produz legislação de
gabinete. O povo, cúmplice e sonolento, aceita. A parcela
desperta ainda luta, mas impotente, desarmada, aguarda ainda
um milagre de fora.
O resultado é previsível. A política se judicializa, sempre com
viés. Quem leva gol no jogo reverte o resultado no tapetão. O
cidadão perde a voz. Decisões sobre família, vida, liberdade e
costumes saem de despachos, não das urnas. É a ditadura
suave – a mais perigosa, porque vem disfarçada de
democracia, de “progresso” e de moral superior. O que a base
governista não conquista no voto, tenta conquistar na
jurisprudência. E quase sempre consegue.
Chegou setembro de 2026 e o teatro virou faroeste de vez.
Alexandre de Moraes, relator eterno do inquérito que nunca
acaba, acumula os papéis de vítima, investigador e juiz com a
naturalidade de quem já não distingue o palco da vida. Bloqueia
redes, multa quem usa VPN, suspende lei votada pelo
Congresso e agora aparece nas mensagens de um banqueiro
preso pedindo intercessão junto à PRF e à PGN. Tem milhões
de motivos para bancar o consultor do bandido. O mesmo
homem que prega o Estado de Direito trata a Constituição como
figurino: veste quando convém, rasga quando interessa. Nelson
Rodrigues reconheceria o tipo: o moralista que se descobre
pecador e, em vez de se calar, aumenta o volume do sermão.
Flávio Dino entra em cena como segundo ator da turma. Um
dia o colega André Mendonça afasta o diretor-geral da Polícia
Federal; no dia seguinte o comunista o recoloca no cargo,
repreende o outro ministro em público, fala em “causa própria” e manda o caso para o plenário – desde que o plenário seja
seu, tingido de vermelho. É a guerra de liminares no lugar do
Direito. É bangue-bangue. É pelada de várzea. Um ministro da
Primeira Turma atropela julgamento em curso na Segunda. O
presidente da Corte, Fachin, cancela sessão e assiste a tudo
como a rainha da Inglaterra.
O conservador lúcido vê o óbvio: não é Justiça, é facção. Não
é constitucionalismo, é ocupação do Estado por uma casta que
se julga acima do voto e da lei. Será que ainda há alguma
solução? Dentro das quatro linhas, convenhamos, parece cada
vez mais difícil. Mas a esperança é sempre a última a morrer.
A conjuntura é esta: eleição à vista, Supremo rachado,
ministros investigando ministros, arapongagem, relatórios da
PF virando arma de retaliação, e o país inteiro convertido em
réu eventual de um gabinete. Moraes e Dino não são acidentes.
São o retrato acabado da juristocracia brasileira: o poder sem
voto, a sentença sem debate e a passividade de uma imprensa
corrompida. Nelson Rodrigues diria que o Brasil só acredita no
escândalo quando o escândalo já virou rotina. Eu completaria:
enquanto a toga legislar, prender, censurar e rasgar a
Constituição, a democracia será apenas o intervalo entre um
despacho e o próximo.
Ou o país recupera o primado da política sobre a Justiça,
colocando cada macaco em seu devido galho, ou a juristocracia
consumará, em silêncio e com pompa, o que as urnas
recusaram. O palco está montado. A plateia, adormecida. O
próximo ato já está escrito – e não será o povo quem o
escreverá, se ele não reagir o quanto antes. O pano já está
caindo. Não há mais máscaras para ocultar tanta
monstruosidade. Até aqui, a juristocracia vence de goleada.
Ainda é viável reverter o placar?
Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Revista Oeste, ed.339. A juristocracia venceu.
https://revistaoeste.com/revista/edicao-339/a-juristocracia-venceu/ (adaptado).
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