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PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?
Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.
À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.
Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.
Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.
Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”
Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”
No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).
Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.
No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”
O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.
Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.
Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.
No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.
A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.
“Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”
Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.
“É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.
Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobresdevem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Em relação ao trecho “há algumas rotas claras”, é CORRETO afirmar que:
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PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?
Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.
À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.
Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.
Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.
Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”
Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”
No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).
Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.
No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”
O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.
Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.
Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.
No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.
A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.
“Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”
Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.
“É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.
Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobresdevem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Assinale a alternativa que destaca CORRETAMENTE uma locução conjuntiva.
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PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?
Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.
À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.
Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.
Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.
Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”
Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”
No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).
Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.
No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”
O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.
Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.
Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.
No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.
A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.
“Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”
Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.
“É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.
Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobresdevem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Em “Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento”, o termo destacado é classificado CORRETAMENTE como:
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PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?
Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.
À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.
Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.
Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.
Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”
Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”
No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).
Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.
No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”
O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.
Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.
Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.
No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.
A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.
“Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”
Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.
“É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.
Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobresdevem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
No trecho “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis”, a palavra destacada introduz uma:
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Vou ali e já volto
Por Fabrício Carpinejar
- Uma cidade cresce quando você não frequenta os lugares de sempre, os lugares da moda,
- os lugares badalados, os lugares incensados, mas valoriza o comércio do seu bairro.
- Alarga os seus limites quando você prestigia os restaurantes perto de casa, quando ajuda
- os negócios menores a prosperar, quando oferece condições àqueles que escolheram a sua
- esquina, a sua calçada, a sua vizinhança.
- É assim que se ampliam as possibilidades de um bairro: fomentando o consumo dos
- pequenos empresários. Por isso, eu mantenho a minha farmácia, o meu açougue, a minha
- padaria, o meu supermercado, o meu boteco, o meu buffet a quilo, a minha sapataria, a minha
- lavanderia, a minha feirinha, o meu martelinho de ouro, o meu posto de gasolina, a minha
- ferra....em. Não troco por nada. Ficam a algumas quadras do meu apartamento, num
- quadrilátero favorito.
- Resolvo tudo a pé, sem depender de carro. Subo e desço lombas, cumprimentando os meus
- pensamentos. Trato todos os espaços como se fossem meus. Eu protejo a subsistência das
- minhas redondezas. Priorizo quem está próximo, quem conhece os meus filhos, a minha esposa,
- os meus pais. Como se integrasse os galhos da minha árvore genealógica.
- Sei de cor cada caminho, cada beco, cada praça. Jamais recorro à bengala do Google Maps.
- Armazeno fofocas para o momento do café, leite e pãezinhos no fim da tarde com a família.
- Nem preciso me arrumar para passear pelo seu território. Saio com roupas informais e caseiras,
- de chinelo, bermuda e regata. A rua é o pátio que eu não tenho, o quintal que eu não tenho.
- Não me exige a mesma produção dos deslocamentos a um shopping, a um cinema ou a lojas de
- outros centros.
- Mais do que a qualidade do serviço, prepondera a intimidade do atendimento: ser chamado
- pelo nome, ter as urgências compreendidas, ouvir um “deixa comigo”, puxar o reboque das
- lembranças com uma conversa à toa. A afeição não tem preço. Fideliza acima de qualquer
- desconto.
- Só na minha fruteira, o dono me estende gomos de uma bergamota para provar o quanto
- está docinha. Ou me alcança uma fatia de melancia para mostrar que está madura. Só na minha
- fruteira, ainda aceito troco em balas.
- O melhor bairro é o nosso.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2026/02/vou-ali-e-ja-volto-cml9vcnd501nr012tec0oq39s.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que classifica corretamente o pronome “algumas” no trecho “Ficam a algumas quadras do meu apartamento”, retirado do texto.
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Vou ali e já volto
Por Fabrício Carpinejar
- Uma cidade cresce quando você não frequenta os lugares de sempre, os lugares da moda,
- os lugares badalados, os lugares incensados, mas valoriza o comércio do seu bairro.
- Alarga os seus limites quando você prestigia os restaurantes perto de casa, quando ajuda
- os negócios menores a prosperar, quando oferece condições àqueles que escolheram a sua
- esquina, a sua calçada, a sua vizinhança.
- É assim que se ampliam as possibilidades de um bairro: fomentando o consumo dos
- pequenos empresários. Por isso, eu mantenho a minha farmácia, o meu açougue, a minha
- padaria, o meu supermercado, o meu boteco, o meu buffet a quilo, a minha sapataria, a minha
- lavanderia, a minha feirinha, o meu martelinho de ouro, o meu posto de gasolina, a minha
- ferra....em. Não troco por nada. Ficam a algumas quadras do meu apartamento, num
- quadrilátero favorito.
- Resolvo tudo a pé, sem depender de carro. Subo e desço lombas, cumprimentando os meus
- pensamentos. Trato todos os espaços como se fossem meus. Eu protejo a subsistência das
- minhas redondezas. Priorizo quem está próximo, quem conhece os meus filhos, a minha esposa,
- os meus pais. Como se integrasse os galhos da minha árvore genealógica.
- Sei de cor cada caminho, cada beco, cada praça. Jamais recorro à bengala do Google Maps.
- Armazeno fofocas para o momento do café, leite e pãezinhos no fim da tarde com a família.
- Nem preciso me arrumar para passear pelo seu território. Saio com roupas informais e caseiras,
- de chinelo, bermuda e regata. A rua é o pátio que eu não tenho, o quintal que eu não tenho.
- Não me exige a mesma produção dos deslocamentos a um shopping, a um cinema ou a lojas de
- outros centros.
- Mais do que a qualidade do serviço, prepondera a intimidade do atendimento: ser chamado
- pelo nome, ter as urgências compreendidas, ouvir um “deixa comigo”, puxar o reboque das
- lembranças com uma conversa à toa. A afeição não tem preço. Fideliza acima de qualquer
- desconto.
- Só na minha fruteira, o dono me estende gomos de uma bergamota para provar o quanto
- está docinha. Ou me alcança uma fatia de melancia para mostrar que está madura. Só na minha
- fruteira, ainda aceito troco em balas.
- O melhor bairro é o nosso.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2026/02/vou-ali-e-ja-volto-cml9vcnd501nr012tec0oq39s.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que indica o tempo verbal predominante no texto.
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Vou ali e já volto
Por Fabrício Carpinejar
- Uma cidade cresce quando você não frequenta os lugares de sempre, os lugares da moda,
- os lugares badalados, os lugares incensados, mas valoriza o comércio do seu bairro.
- Alarga os seus limites quando você prestigia os restaurantes perto de casa, quando ajuda
- os negócios menores a prosperar, quando oferece condições àqueles que escolheram a sua
- esquina, a sua calçada, a sua vizinhança.
- É assim que se ampliam as possibilidades de um bairro: fomentando o consumo dos
- pequenos empresários. Por isso, eu mantenho a minha farmácia, o meu açougue, a minha
- padaria, o meu supermercado, o meu boteco, o meu buffet a quilo, a minha sapataria, a minha
- lavanderia, a minha feirinha, o meu martelinho de ouro, o meu posto de gasolina, a minha
- ferra....em. Não troco por nada. Ficam a algumas quadras do meu apartamento, num
- quadrilátero favorito.
- Resolvo tudo a pé, sem depender de carro. Subo e desço lombas, cumprimentando os meus
- pensamentos. Trato todos os espaços como se fossem meus. Eu protejo a subsistência das
- minhas redondezas. Priorizo quem está próximo, quem conhece os meus filhos, a minha esposa,
- os meus pais. Como se integrasse os galhos da minha árvore genealógica.
- Sei de cor cada caminho, cada beco, cada praça. Jamais recorro à bengala do Google Maps.
- Armazeno fofocas para o momento do café, leite e pãezinhos no fim da tarde com a família.
- Nem preciso me arrumar para passear pelo seu território. Saio com roupas informais e caseiras,
- de chinelo, bermuda e regata. A rua é o pátio que eu não tenho, o quintal que eu não tenho.
- Não me exige a mesma produção dos deslocamentos a um shopping, a um cinema ou a lojas de
- outros centros.
- Mais do que a qualidade do serviço, prepondera a intimidade do atendimento: ser chamado
- pelo nome, ter as urgências compreendidas, ouvir um “deixa comigo”, puxar o reboque das
- lembranças com uma conversa à toa. A afeição não tem preço. Fideliza acima de qualquer
- desconto.
- Só na minha fruteira, o dono me estende gomos de uma bergamota para provar o quanto
- está docinha. Ou me alcança uma fatia de melancia para mostrar que está madura. Só na minha
- fruteira, ainda aceito troco em balas.
- O melhor bairro é o nosso.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2026/02/vou-ali-e-ja-volto-cml9vcnd501nr012tec0oq39s.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que classifica corretamente o advérbio “jamais” no trecho “Jamais recorro à bengala do Google Maps”, retirado do texto.
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Vou ali e já volto
Por Fabrício Carpinejar
- Uma cidade cresce quando você não frequenta os lugares de sempre, os lugares da moda,
- os lugares badalados, os lugares incensados, mas valoriza o comércio do seu bairro.
- Alarga os seus limites quando você prestigia os restaurantes perto de casa, quando ajuda
- os negócios menores a prosperar, quando oferece condições àqueles que escolheram a sua
- esquina, a sua calçada, a sua vizinhança.
- É assim que se ampliam as possibilidades de um bairro: fomentando o consumo dos
- pequenos empresários. Por isso, eu mantenho a minha farmácia, o meu açougue, a minha
- padaria, o meu supermercado, o meu boteco, o meu buffet a quilo, a minha sapataria, a minha
- lavanderia, a minha feirinha, o meu martelinho de ouro, o meu posto de gasolina, a minha
- ferra....em. Não troco por nada. Ficam a algumas quadras do meu apartamento, num
- quadrilátero favorito.
- Resolvo tudo a pé, sem depender de carro. Subo e desço lombas, cumprimentando os meus
- pensamentos. Trato todos os espaços como se fossem meus. Eu protejo a subsistência das
- minhas redondezas. Priorizo quem está próximo, quem conhece os meus filhos, a minha esposa,
- os meus pais. Como se integrasse os galhos da minha árvore genealógica.
- Sei de cor cada caminho, cada beco, cada praça. Jamais recorro à bengala do Google Maps.
- Armazeno fofocas para o momento do café, leite e pãezinhos no fim da tarde com a família.
- Nem preciso me arrumar para passear pelo seu território. Saio com roupas informais e caseiras,
- de chinelo, bermuda e regata. A rua é o pátio que eu não tenho, o quintal que eu não tenho.
- Não me exige a mesma produção dos deslocamentos a um shopping, a um cinema ou a lojas de
- outros centros.
- Mais do que a qualidade do serviço, prepondera a intimidade do atendimento: ser chamado
- pelo nome, ter as urgências compreendidas, ouvir um “deixa comigo”, puxar o reboque das
- lembranças com uma conversa à toa. A afeição não tem preço. Fideliza acima de qualquer
- desconto.
- Só na minha fruteira, o dono me estende gomos de uma bergamota para provar o quanto
- está docinha. Ou me alcança uma fatia de melancia para mostrar que está madura. Só na minha
- fruteira, ainda aceito troco em balas.
- O melhor bairro é o nosso.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2026/02/vou-ali-e-ja-volto-cml9vcnd501nr012tec0oq39s.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa INCORRETA a respeito da palavra “ferra....em” no trecho a seguir, retirado do texto:
“o meu martelinho de ouro, o meu posto de gasolina, a minha ferra....em. Não troco por nada”.
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Como surgiu o fortificante mais popular do Brasil
Por Leandro Staudt
01 O Biotônico Fontoura marcou a infância de gerações de brasileiros. Os pais ofereciam aos
02 filhos uma colher diária do fortificante para que lhes abrisse o apetite. As crianças ouviam a
03 promessa de ganhar força e beleza. O aclamado tônico
que continua no mercado
foi criado _____
04 mais de cem anos no interior de São Paulo.
05 Após se formar em Farmácia
com a ajuda financeira da mãe e de um irmão
Cândido
06 Fontoura da Silveira abriu a Pharmacia Popular na cidade de Bragança Paulista. Em 1910,
07 buscando a cura para a esposa doente, o farmacêutico trancou-se no pequeno laboratório para
08 preparar um fortificante. Na época, as próprias farmácias produziam grande parte dos
09 medicamentos.
10 A revista Manchete publicou
em 1975
que a receita do tônico reunia “ferro, cálcio,
11 ácido fosfórico, um pouco de ______ e vinho do Porto, obedecendo proporções
12 homeopáticas”. O resultado obtido no tratamento da mulher logo se espalhou entre os moradores
13 da cidade. Diante da procura
Fontoura lançou oficialmente o tônico.
14 O farmacêutico trocou Bragança pela cidade de São Paulo em 1915. Levou na mala um
15 sonho e a receita do preparado e, com sócios, abriu o Instituto Medicamenta, que passou a
16 fabricar o Biotônico Fontoura além de outros produtos.
17 O laboratório sempre investiu em publicidade. Cândido Fontoura também firmou parceria
18 com um amigo, o escritor Monteiro Lobato, que o ajudou na popularização do fortificante, visto
19 que ele criou o Jeca Tatuzinho, personagem do Almanaque do Biotônico.
20 As propagandas da década de 1920 indicavam o produto para combater “anemia![]()
21 neurastenia (______)
debilidade e tuberculose”. O Biotônico já não contém álcool etílico
22 na composição, pois a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em 2001, a
23 substância em tônicos e fortificantes destinados a estimular o apetite e o crescimento.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/leandro-staudt/noticia/2026/01/biotonico-fontoura-como-surgiu-o-fortificante-mais-popular-do-brasil.html – texto adaptado especialmente para esta prova.)
Assinale a alternativa que classifica, correta e respectivamente, as funções sintáticas dos termos destacados no trecho a seguir, retirado do texto:
“Em 1910, buscando a cura para a esposa doente, o farmacêutico trancou-se no pequeno laboratório”.
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Como surgiu o fortificante mais popular do Brasil
Por Leandro Staudt
01 O Biotônico Fontoura marcou a infância de gerações de brasileiros. Os pais ofereciam aos
02 filhos uma colher diária do fortificante para que lhes abrisse o apetite. As crianças ouviam a
03 promessa de ganhar força e beleza. O aclamado tônico
que continua no mercado
foi criado _____
04 mais de cem anos no interior de São Paulo.
05 Após se formar em Farmácia
com a ajuda financeira da mãe e de um irmão
Cândido
06 Fontoura da Silveira abriu a Pharmacia Popular na cidade de Bragança Paulista. Em 1910,
07 buscando a cura para a esposa doente, o farmacêutico trancou-se no pequeno laboratório para
08 preparar um fortificante. Na época, as próprias farmácias produziam grande parte dos
09 medicamentos.
10 A revista Manchete publicou
em 1975
que a receita do tônico reunia “ferro, cálcio,
11 ácido fosfórico, um pouco de ______ e vinho do Porto, obedecendo proporções
12 homeopáticas”. O resultado obtido no tratamento da mulher logo se espalhou entre os moradores
13 da cidade. Diante da procura
Fontoura lançou oficialmente o tônico.
14 O farmacêutico trocou Bragança pela cidade de São Paulo em 1915. Levou na mala um
15 sonho e a receita do preparado e, com sócios, abriu o Instituto Medicamenta, que passou a
16 fabricar o Biotônico Fontoura além de outros produtos.
17 O laboratório sempre investiu em publicidade. Cândido Fontoura também firmou parceria
18 com um amigo, o escritor Monteiro Lobato, que o ajudou na popularização do fortificante, visto
19 que ele criou o Jeca Tatuzinho, personagem do Almanaque do Biotônico.
20 As propagandas da década de 1920 indicavam o produto para combater “anemia![]()
21 neurastenia (______)
debilidade e tuberculose”. O Biotônico já não contém álcool etílico
22 na composição, pois a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em 2001, a
23 substância em tônicos e fortificantes destinados a estimular o apetite e o crescimento.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/leandro-staudt/noticia/2026/01/biotonico-fontoura-como-surgiu-o-fortificante-mais-popular-do-brasil.html – texto adaptado especialmente para esta prova.)
Assinale a alternativa que classifica, correta e respectivamente, as palavras destacadas no trecho a seguir, retirado do texto:
“Após se formar em Farmácia
com a ajuda financeira da mãe e de um irmão”.
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