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TEXTO
ARQUEOLOGIA NA AMAZÔNIA GANHA FORÇA COM TECNOLOGIA E VERBAS
Por muito tempo, acreditou-se que a Amazônia não oferecia condições para o desenvolvimento de sociedades mais complexas. O calor, a umidade e a vegetação densa seriam obstáculos intransponíveis, diziam naturalistas europeus do século 19. Eles estavam errados – mas teria sido difícil acertarem com a tecnologia da época.
Civilizações antigas como os incas, os maias e os astecas usavam pedras para construir vias, casas e templos, alguns dos quais seguem de pé até hoje. Já os povos originários da Amazônia alteravam seu ambiente com movimentações de terra e o uso de madeira e palha, que se decompõem com o tempo. Por isso, era mais fácil para um desbravador antigo nas Américas encontrar um templo maia ou uma estrada inca do que vestígios de uma vila pré-colombiana no meio da Amazônia.
Isso vem mudando nos últimos anos, com uma mãozinha da tecnologia: o uso do LiDAR, um radar de pulsos de laser que consegue escanear com detalhes o solo abaixo da copa das árvores. A imagem criada pode revelar estruturas construídas pelo homem na floresta, como valas, estradas e vestígios de casas. No Brasil, o uso do LiDAR é bem recente – começou em 2024, no projeto Amazônia Revelada, que tem como meta escanear cada vez mais áreas da floresta em busca de sítios arqueológicos.
Antes, em 2015 uma pesquisa do tipo no Equador encontrou um conjunto de antigas cidades na floresta que abrigaram milhares de pessoas há cerca de 2.500 anos. Em 2019, um grupo de arqueólogos bolivianos e alemães também fez isso na Amazônia boliviana. Além do avanço tecnológico, há mais arqueólogos interessados em trabalhar na Amazônia e verbas disponíveis, como mostra a iniciativa Amazônia +10, uma aliança de fundações estaduais de fomento que apoia projetos de pesquisa de várias disciplinas na região da floresta.
Em 2022, na primeira chamada para pedidos de financiamento, os projetos de arqueologia representaram 0,65% do total de submissões e nenhum foi contemplado com verbas. Na segunda chamada, em 2024, projetos de arqueologia representaram 4,19% das submissões e receberam 18,95% da verba disponível, ou R$ 14,4 milhões.
Arqueólogos também relatam maior interesse dos povos indígenas em autorizar pesquisas em suas terras, motivados pela percepção de que o conhecimento documentado sobre seus ancestrais fortalece a defesa de seus territórios e modos de vida – sob a lei brasileira, sítios arqueológicos são protegidos como patrimônio cultural.
O projeto Amazônia Revelada escaneou na sua primeira fase com o LiDAR 1,6 mil km² de floresta, área equivalente à da cidade de São Paulo, e localizou diversos sítios arqueológicos, incluindo um conjunto no sul do Amazonas. Esses sítios são caracterizados por geoglifos, formados por valas ou montículos de grandes dimensões, e outros indícios confirmados no local, como a presença de terra preta, um solo rico em nutrientes criado por indígenas que viveram na floresta há milhares de anos.
Os voos da segunda fase do projeto, que cobrirá uma extensão muito maior, começam em abril de 2026. À frente da iniciativa está Eduardo Góes Neves, professor e diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Ele considera que o impacto do LiDAR na arqueologia é comparável ao da datação por carbono-14, desenvolvida na década de 1940. “Ele permite que enxerguemos sítios arqueológicos abaixo da copa das árvores. E por meio das imagens conseguimos ter acesso a locais muito difíceis de se chegar”, diz.
Neves avalia que o uso da tecnologia na Amazônia brasileira chegou mais tarde que na Bolívia ou no Equador devido, entre outros motivos, à imensidão da floresta no território do país “A logística é mais difícil, em Quito ou Santa Cruz de La Sierra você pega um aviãozinho e em meia hora está na Amazônia. No Brasil, a escala é muito maior”, diz. Ele enfatiza que o maior interesse por arqueologia na Amazônia também está associado à consolidação de programas de pós-graduação nos últimos 25 anos – “que geraram doutores que hoje são professores e estão orientando mais gente fazendo pesquisa”.
Secretário-executivo da iniciativa Amazônia+10, Rafael Andery considera que o LiDAR “mudou o jogo” das pesquisas arqueológicas na Amazônia, já que a logística para fazer trabalhos de campo nos confins da floresta é complexa. “É muito caro custear uma pesquisa, especialmente se ela for feita longe dos grandes centros, das vias de transporte, das hidrovias. E muitas das descobertas que temos visto na Amazônia em termos de arqueologia são justamente em territórios menos acessíveis”, afirma.
Entre os projetos de arqueologia apoiados pela Amazônia+10, estão um para mapear a herança biocultural e desenvolver esforços de etnoconservação na região entre os rios Xingu e Tapajós, e outro para criar um inventário dos sítios arqueológicos de Roraima – estado muito pouco estudado “onde tudo quase é novidade”, diz Andery.
Na Amazônia boliviana, um projeto pioneiro conduzido por pesquisadores do Instituto Alemão de Arqueologia, da Universidade de Bonn e da Universidade de Exeter com o uso de LiDAR encontrou resquícios de centenas de povoados ocupados entre os séculos 6 e 15, que compunham uma estrutura urbana de baixa densidade populacional criada pelo povo casarabe, similar à dos maias.
Outro projeto da Universidade de Bonn, que teve a cooperação de três universidades brasileiras (UFAM, UFOPA e UFSC), estudou o modo de vida e os elementos arqueológicos de quatro povos amazônicos: os tacana, tsimane e mosetén na Bolívia e os waiwai no Brasil.
Carla Jaimes Betancourt, coordenadora do projeto e professora do departamento de Antropologia das Américas da Universidade de Bonn, considera que estudar vestígios de povoados antigos é especialmente relevante para a garantia de direitos dos indígenas contemporâneos.
Os quatro povos estudados na sua pesquisa foram consultados previamente e participaram como protagonistas do debate e conceituação de seus territórios e heranças culturais. No projeto Amazônia Revelada, de Eduardo Neves, os povos indígenas também foram consultados se autorizavam o sobrevoo e escaneamento de seus territórios.
Betancourt considera que esses três fatores estão por trás do interesse crescente por arqueologia na região da floresta: resistência dos povos indígenas a ameaças à Amazônia, formação recente de muitos arqueólogos dedicados ao tema e a tecnologia do LiDAR. Os achados recentes na Amazônia “têm a ver com a ideia de que o passado não está desconectado do presente, no qual os povos amazônicos lutam por seus territórios, ligados à sua história”, diz. “A arqueologia tem um papel importante para demonstrar que não são territórios vazios, que têm um passado muito profundo, um legado dos povos indígenas.”
Disponível em: < https://www.dw.com/pt-br/arqueologia-na-amazônia-ganha-força-com-tecnologia-e-mais-verbas/a-76280184 >. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Acerca do texto, assinale CORRETAMENTE uma mudança ocorrida no financiamento e interesse pela arqueologia na Amazônia.
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ARQUEOLOGIA NA AMAZÔNIA GANHA FORÇA COM TECNOLOGIA E VERBAS
Por muito tempo, acreditou-se que a Amazônia não oferecia condições para o desenvolvimento de sociedades mais complexas. O calor, a umidade e a vegetação densa seriam obstáculos intransponíveis, diziam naturalistas europeus do século 19. Eles estavam errados – mas teria sido difícil acertarem com a tecnologia da época.
Civilizações antigas como os incas, os maias e os astecas usavam pedras para construir vias, casas e templos, alguns dos quais seguem de pé até hoje. Já os povos originários da Amazônia alteravam seu ambiente com movimentações de terra e o uso de madeira e palha, que se decompõem com o tempo. Por isso, era mais fácil para um desbravador antigo nas Américas encontrar um templo maia ou uma estrada inca do que vestígios de uma vila pré-colombiana no meio da Amazônia.
Isso vem mudando nos últimos anos, com uma mãozinha da tecnologia: o uso do LiDAR, um radar de pulsos de laser que consegue escanear com detalhes o solo abaixo da copa das árvores. A imagem criada pode revelar estruturas construídas pelo homem na floresta, como valas, estradas e vestígios de casas. No Brasil, o uso do LiDAR é bem recente – começou em 2024, no projeto Amazônia Revelada, que tem como meta escanear cada vez mais áreas da floresta em busca de sítios arqueológicos.
Antes, em 2015 uma pesquisa do tipo no Equador encontrou um conjunto de antigas cidades na floresta que abrigaram milhares de pessoas há cerca de 2.500 anos. Em 2019, um grupo de arqueólogos bolivianos e alemães também fez isso na Amazônia boliviana. Além do avanço tecnológico, há mais arqueólogos interessados em trabalhar na Amazônia e verbas disponíveis, como mostra a iniciativa Amazônia +10, uma aliança de fundações estaduais de fomento que apoia projetos de pesquisa de várias disciplinas na região da floresta.
Em 2022, na primeira chamada para pedidos de financiamento, os projetos de arqueologia representaram 0,65% do total de submissões e nenhum foi contemplado com verbas. Na segunda chamada, em 2024, projetos de arqueologia representaram 4,19% das submissões e receberam 18,95% da verba disponível, ou R$ 14,4 milhões.
Arqueólogos também relatam maior interesse dos povos indígenas em autorizar pesquisas em suas terras, motivados pela percepção de que o conhecimento documentado sobre seus ancestrais fortalece a defesa de seus territórios e modos de vida – sob a lei brasileira, sítios arqueológicos são protegidos como patrimônio cultural.
O projeto Amazônia Revelada escaneou na sua primeira fase com o LiDAR 1,6 mil km² de floresta, área equivalente à da cidade de São Paulo, e localizou diversos sítios arqueológicos, incluindo um conjunto no sul do Amazonas. Esses sítios são caracterizados por geoglifos, formados por valas ou montículos de grandes dimensões, e outros indícios confirmados no local, como a presença de terra preta, um solo rico em nutrientes criado por indígenas que viveram na floresta há milhares de anos.
Os voos da segunda fase do projeto, que cobrirá uma extensão muito maior, começam em abril de 2026. À frente da iniciativa está Eduardo Góes Neves, professor e diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Ele considera que o impacto do LiDAR na arqueologia é comparável ao da datação por carbono-14, desenvolvida na década de 1940. “Ele permite que enxerguemos sítios arqueológicos abaixo da copa das árvores. E por meio das imagens conseguimos ter acesso a locais muito difíceis de se chegar”, diz.
Neves avalia que o uso da tecnologia na Amazônia brasileira chegou mais tarde que na Bolívia ou no Equador devido, entre outros motivos, à imensidão da floresta no território do país “A logística é mais difícil, em Quito ou Santa Cruz de La Sierra você pega um aviãozinho e em meia hora está na Amazônia. No Brasil, a escala é muito maior”, diz. Ele enfatiza que o maior interesse por arqueologia na Amazônia também está associado à consolidação de programas de pós-graduação nos últimos 25 anos – “que geraram doutores que hoje são professores e estão orientando mais gente fazendo pesquisa”.
Secretário-executivo da iniciativa Amazônia+10, Rafael Andery considera que o LiDAR “mudou o jogo” das pesquisas arqueológicas na Amazônia, já que a logística para fazer trabalhos de campo nos confins da floresta é complexa. “É muito caro custear uma pesquisa, especialmente se ela for feita longe dos grandes centros, das vias de transporte, das hidrovias. E muitas das descobertas que temos visto na Amazônia em termos de arqueologia são justamente em territórios menos acessíveis”, afirma.
Entre os projetos de arqueologia apoiados pela Amazônia+10, estão um para mapear a herança biocultural e desenvolver esforços de etnoconservação na região entre os rios Xingu e Tapajós, e outro para criar um inventário dos sítios arqueológicos de Roraima – estado muito pouco estudado “onde tudo quase é novidade”, diz Andery.
Na Amazônia boliviana, um projeto pioneiro conduzido por pesquisadores do Instituto Alemão de Arqueologia, da Universidade de Bonn e da Universidade de Exeter com o uso de LiDAR encontrou resquícios de centenas de povoados ocupados entre os séculos 6 e 15, que compunham uma estrutura urbana de baixa densidade populacional criada pelo povo casarabe, similar à dos maias.
Outro projeto da Universidade de Bonn, que teve a cooperação de três universidades brasileiras (UFAM, UFOPA e UFSC), estudou o modo de vida e os elementos arqueológicos de quatro povos amazônicos: os tacana, tsimane e mosetén na Bolívia e os waiwai no Brasil.
Carla Jaimes Betancourt, coordenadora do projeto e professora do departamento de Antropologia das Américas da Universidade de Bonn, considera que estudar vestígios de povoados antigos é especialmente relevante para a garantia de direitos dos indígenas contemporâneos.
Os quatro povos estudados na sua pesquisa foram consultados previamente e participaram como protagonistas do debate e conceituação de seus territórios e heranças culturais. No projeto Amazônia Revelada, de Eduardo Neves, os povos indígenas também foram consultados se autorizavam o sobrevoo e escaneamento de seus territórios.
Betancourt considera que esses três fatores estão por trás do interesse crescente por arqueologia na região da floresta: resistência dos povos indígenas a ameaças à Amazônia, formação recente de muitos arqueólogos dedicados ao tema e a tecnologia do LiDAR. Os achados recentes na Amazônia “têm a ver com a ideia de que o passado não está desconectado do presente, no qual os povos amazônicos lutam por seus territórios, ligados à sua história”, diz. “A arqueologia tem um papel importante para demonstrar que não são territórios vazios, que têm um passado muito profundo, um legado dos povos indígenas.”
Disponível em: < https://www.dw.com/pt-br/arqueologia-na-amazônia-ganha-força-com-tecnologia-e-mais-verbas/a-76280184 >. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Sobre o uso do LiDAR nas pesquisas arqueológicas na Amazônia, é CORRETO afirmar que:
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ARQUEOLOGIA NA AMAZÔNIA GANHA FORÇA COM TECNOLOGIA E VERBAS
Por muito tempo, acreditou-se que a Amazônia não oferecia condições para o desenvolvimento de sociedades mais complexas. O calor, a umidade e a vegetação densa seriam obstáculos intransponíveis, diziam naturalistas europeus do século 19. Eles estavam errados – mas teria sido difícil acertarem com a tecnologia da época.
Civilizações antigas como os incas, os maias e os astecas usavam pedras para construir vias, casas e templos, alguns dos quais seguem de pé até hoje. Já os povos originários da Amazônia alteravam seu ambiente com movimentações de terra e o uso de madeira e palha, que se decompõem com o tempo. Por isso, era mais fácil para um desbravador antigo nas Américas encontrar um templo maia ou uma estrada inca do que vestígios de uma vila pré-colombiana no meio da Amazônia.
Isso vem mudando nos últimos anos, com uma mãozinha da tecnologia: o uso do LiDAR, um radar de pulsos de laser que consegue escanear com detalhes o solo abaixo da copa das árvores. A imagem criada pode revelar estruturas construídas pelo homem na floresta, como valas, estradas e vestígios de casas. No Brasil, o uso do LiDAR é bem recente – começou em 2024, no projeto Amazônia Revelada, que tem como meta escanear cada vez mais áreas da floresta em busca de sítios arqueológicos.
Antes, em 2015 uma pesquisa do tipo no Equador encontrou um conjunto de antigas cidades na floresta que abrigaram milhares de pessoas há cerca de 2.500 anos. Em 2019, um grupo de arqueólogos bolivianos e alemães também fez isso na Amazônia boliviana. Além do avanço tecnológico, há mais arqueólogos interessados em trabalhar na Amazônia e verbas disponíveis, como mostra a iniciativa Amazônia +10, uma aliança de fundações estaduais de fomento que apoia projetos de pesquisa de várias disciplinas na região da floresta.
Em 2022, na primeira chamada para pedidos de financiamento, os projetos de arqueologia representaram 0,65% do total de submissões e nenhum foi contemplado com verbas. Na segunda chamada, em 2024, projetos de arqueologia representaram 4,19% das submissões e receberam 18,95% da verba disponível, ou R$ 14,4 milhões.
Arqueólogos também relatam maior interesse dos povos indígenas em autorizar pesquisas em suas terras, motivados pela percepção de que o conhecimento documentado sobre seus ancestrais fortalece a defesa de seus territórios e modos de vida – sob a lei brasileira, sítios arqueológicos são protegidos como patrimônio cultural.
O projeto Amazônia Revelada escaneou na sua primeira fase com o LiDAR 1,6 mil km² de floresta, área equivalente à da cidade de São Paulo, e localizou diversos sítios arqueológicos, incluindo um conjunto no sul do Amazonas. Esses sítios são caracterizados por geoglifos, formados por valas ou montículos de grandes dimensões, e outros indícios confirmados no local, como a presença de terra preta, um solo rico em nutrientes criado por indígenas que viveram na floresta há milhares de anos.
Os voos da segunda fase do projeto, que cobrirá uma extensão muito maior, começam em abril de 2026. À frente da iniciativa está Eduardo Góes Neves, professor e diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Ele considera que o impacto do LiDAR na arqueologia é comparável ao da datação por carbono-14, desenvolvida na década de 1940. “Ele permite que enxerguemos sítios arqueológicos abaixo da copa das árvores. E por meio das imagens conseguimos ter acesso a locais muito difíceis de se chegar”, diz.
Neves avalia que o uso da tecnologia na Amazônia brasileira chegou mais tarde que na Bolívia ou no Equador devido, entre outros motivos, à imensidão da floresta no território do país “A logística é mais difícil, em Quito ou Santa Cruz de La Sierra você pega um aviãozinho e em meia hora está na Amazônia. No Brasil, a escala é muito maior”, diz. Ele enfatiza que o maior interesse por arqueologia na Amazônia também está associado à consolidação de programas de pós-graduação nos últimos 25 anos – “que geraram doutores que hoje são professores e estão orientando mais gente fazendo pesquisa”.
Secretário-executivo da iniciativa Amazônia+10, Rafael Andery considera que o LiDAR “mudou o jogo” das pesquisas arqueológicas na Amazônia, já que a logística para fazer trabalhos de campo nos confins da floresta é complexa. “É muito caro custear uma pesquisa, especialmente se ela for feita longe dos grandes centros, das vias de transporte, das hidrovias. E muitas das descobertas que temos visto na Amazônia em termos de arqueologia são justamente em territórios menos acessíveis”, afirma.
Entre os projetos de arqueologia apoiados pela Amazônia+10, estão um para mapear a herança biocultural e desenvolver esforços de etnoconservação na região entre os rios Xingu e Tapajós, e outro para criar um inventário dos sítios arqueológicos de Roraima – estado muito pouco estudado “onde tudo quase é novidade”, diz Andery.
Na Amazônia boliviana, um projeto pioneiro conduzido por pesquisadores do Instituto Alemão de Arqueologia, da Universidade de Bonn e da Universidade de Exeter com o uso de LiDAR encontrou resquícios de centenas de povoados ocupados entre os séculos 6 e 15, que compunham uma estrutura urbana de baixa densidade populacional criada pelo povo casarabe, similar à dos maias.
Outro projeto da Universidade de Bonn, que teve a cooperação de três universidades brasileiras (UFAM, UFOPA e UFSC), estudou o modo de vida e os elementos arqueológicos de quatro povos amazônicos: os tacana, tsimane e mosetén na Bolívia e os waiwai no Brasil.
Carla Jaimes Betancourt, coordenadora do projeto e professora do departamento de Antropologia das Américas da Universidade de Bonn, considera que estudar vestígios de povoados antigos é especialmente relevante para a garantia de direitos dos indígenas contemporâneos.
Os quatro povos estudados na sua pesquisa foram consultados previamente e participaram como protagonistas do debate e conceituação de seus territórios e heranças culturais. No projeto Amazônia Revelada, de Eduardo Neves, os povos indígenas também foram consultados se autorizavam o sobrevoo e escaneamento de seus territórios.
Betancourt considera que esses três fatores estão por trás do interesse crescente por arqueologia na região da floresta: resistência dos povos indígenas a ameaças à Amazônia, formação recente de muitos arqueólogos dedicados ao tema e a tecnologia do LiDAR. Os achados recentes na Amazônia “têm a ver com a ideia de que o passado não está desconectado do presente, no qual os povos amazônicos lutam por seus territórios, ligados à sua história”, diz. “A arqueologia tem um papel importante para demonstrar que não são territórios vazios, que têm um passado muito profundo, um legado dos povos indígenas.”
Disponível em: < https://www.dw.com/pt-br/arqueologia-na-amazônia-ganha-força-com-tecnologia-e-mais-verbas/a-76280184 >. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
De acordo com o texto, durante muito tempo, subestimou-se a complexidade das sociedades amazônicas pois:
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No banco dos réus
Por Cláudia Laitano
- Médicos fumando no consultório, enfermeiras acendendo um cigarrinho para relaxar,
- dentistas recomendando sua marca preferida de tabaco: figuras como essas povoavam jornais
- e revistas até o início dos anos 1960. Alguns anúncios chegavam a sugerir que fumar ajudava
- na digestão, aliviava dores de garganta e garantia aquela dose extra de fôlego indispensável
- para enfrentar o dia ___ dia.
- O primeiro relatório reunindo estudos que apontavam a ligação entre o cigarro e o câncer
- foi publicado em 1964. O piloto da série Mad Men, que se passa em 1960, retrata a ginástica do
- publicitário Don Draper para tornar atraente um produto que já começava a soar como cilada.
- Em 1998, as quatro maiores empresas de tabaco dos EUA assinaram um acordo para encerrar
- dezenas de processos judiciais que tentavam recuperar bilhões de dólares gastos com assistência
- médica de fumantes. Ou seja: entre o médico baforando sem culpa no nariz do paciente e a
- responsabilização de quem lucrava com uma mercadoria perigosa e altamente viciante,
- passaram-se mais ou menos 40 anos.
- Então, o “momento tabaco” parece estar batendo ___ porta das big techs em 2026. O
- julgamento do primeiro de dois grandes lotes de ações coletivas contra empresas de tecnologia
- previstos para este ano começou em Los Angeles na semana passada. Até aqui, empresas como
- Meta, Tik Tok, Snapchat e YouTube conseguiram escapar das acusações que envolvem conteúdo
- apelando para leis que isentam as plataformas de responsabilidade com relação ao que os
- usuários publicam. As novas ações atacam por outro flanco. O que está em jogo agora são as
- estratégias usadas por essas plataformas para gerar engajamento a qualquer custo – inclusive
- de crianças e adolescentes.
- A acusação deve seguir duas linhas de argumentação. A primeira é a de que as big techs
- formataram suas plataformas para serem viciantes mesmo. “Quanto mais engajamento, mais
- publicidade” é o novo “quanto mais fumantes, mais lucro”. A segunda busca apoio em estudos
- que relacionam o aumento dos casos de depressão e ansiedade em crianças e adolescentes ao
- advento das mídias sociais.
- Ao contrário da montanha de evidências provando que fumar pode causar câncer, os efeitos
- das redes sociais sobre a saúde mental dos nossos filhos ainda não estão provados. Ainda assim,
- é difícil encontrar um pai ou mãe de adolescente que não esteja preocupado (o fato de que o
- livro Geração Ansiosa está há mais de 90 semanas na lista de best-sellers do New York Times
- dá a dimensão dessa preocupação).
- ___ esta altura do campeonato, nem Don Draper conseguiria nos convencer de que está
- tudo bem com as crianças.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/02/no-banco-dos-reus-cml3q4kl40086012yz36sq4a4.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa na qual o termo destacado NÃO seja um adjunto adnominal.
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No banco dos réus
Por Cláudia Laitano
- Médicos fumando no consultório, enfermeiras acendendo um cigarrinho para relaxar,
- dentistas recomendando sua marca preferida de tabaco: figuras como essas povoavam jornais
- e revistas até o início dos anos 1960. Alguns anúncios chegavam a sugerir que fumar ajudava
- na digestão, aliviava dores de garganta e garantia aquela dose extra de fôlego indispensável
- para enfrentar o dia ___ dia.
- O primeiro relatório reunindo estudos que apontavam a ligação entre o cigarro e o câncer
- foi publicado em 1964. O piloto da série Mad Men, que se passa em 1960, retrata a ginástica do
- publicitário Don Draper para tornar atraente um produto que já começava a soar como cilada.
- Em 1998, as quatro maiores empresas de tabaco dos EUA assinaram um acordo para encerrar
- dezenas de processos judiciais que tentavam recuperar bilhões de dólares gastos com assistência
- médica de fumantes. Ou seja: entre o médico baforando sem culpa no nariz do paciente e a
- responsabilização de quem lucrava com uma mercadoria perigosa e altamente viciante,
- passaram-se mais ou menos 40 anos.
- Então, o “momento tabaco” parece estar batendo ___ porta das big techs em 2026. O
- julgamento do primeiro de dois grandes lotes de ações coletivas contra empresas de tecnologia
- previstos para este ano começou em Los Angeles na semana passada. Até aqui, empresas como
- Meta, Tik Tok, Snapchat e YouTube conseguiram escapar das acusações que envolvem conteúdo
- apelando para leis que isentam as plataformas de responsabilidade com relação ao que os
- usuários publicam. As novas ações atacam por outro flanco. O que está em jogo agora são as
- estratégias usadas por essas plataformas para gerar engajamento a qualquer custo – inclusive
- de crianças e adolescentes.
- A acusação deve seguir duas linhas de argumentação. A primeira é a de que as big techs
- formataram suas plataformas para serem viciantes mesmo. “Quanto mais engajamento, mais
- publicidade” é o novo “quanto mais fumantes, mais lucro”. A segunda busca apoio em estudos
- que relacionam o aumento dos casos de depressão e ansiedade em crianças e adolescentes ao
- advento das mídias sociais.
- Ao contrário da montanha de evidências provando que fumar pode causar câncer, os efeitos
- das redes sociais sobre a saúde mental dos nossos filhos ainda não estão provados. Ainda assim,
- é difícil encontrar um pai ou mãe de adolescente que não esteja preocupado (o fato de que o
- livro Geração Ansiosa está há mais de 90 semanas na lista de best-sellers do New York Times
- dá a dimensão dessa preocupação).
- ___ esta altura do campeonato, nem Don Draper conseguiria nos convencer de que está
- tudo bem com as crianças.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/02/no-banco-dos-reus-cml3q4kl40086012yz36sq4a4.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que indica corretamente a função sintática do termo “atraente” no trecho a seguir, retirado do texto:
“a ginástica do publicitário Don Draper para tornar atraente um produto”.
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No banco dos réus
Por Cláudia Laitano
- Médicos fumando no consultório, enfermeiras acendendo um cigarrinho para relaxar,
- dentistas recomendando sua marca preferida de tabaco: figuras como essas povoavam jornais
- e revistas até o início dos anos 1960. Alguns anúncios chegavam a sugerir que fumar ajudava
- na digestão, aliviava dores de garganta e garantia aquela dose extra de fôlego indispensável
- para enfrentar o dia ___ dia.
- O primeiro relatório reunindo estudos que apontavam a ligação entre o cigarro e o câncer
- foi publicado em 1964. O piloto da série Mad Men, que se passa em 1960, retrata a ginástica do
- publicitário Don Draper para tornar atraente um produto que já começava a soar como cilada.
- Em 1998, as quatro maiores empresas de tabaco dos EUA assinaram um acordo para encerrar
- dezenas de processos judiciais que tentavam recuperar bilhões de dólares gastos com assistência
- médica de fumantes. Ou seja: entre o médico baforando sem culpa no nariz do paciente e a
- responsabilização de quem lucrava com uma mercadoria perigosa e altamente viciante,
- passaram-se mais ou menos 40 anos.
- Então, o “momento tabaco” parece estar batendo ___ porta das big techs em 2026. O
- julgamento do primeiro de dois grandes lotes de ações coletivas contra empresas de tecnologia
- previstos para este ano começou em Los Angeles na semana passada. Até aqui, empresas como
- Meta, Tik Tok, Snapchat e YouTube conseguiram escapar das acusações que envolvem conteúdo
- apelando para leis que isentam as plataformas de responsabilidade com relação ao que os
- usuários publicam. As novas ações atacam por outro flanco. O que está em jogo agora são as
- estratégias usadas por essas plataformas para gerar engajamento a qualquer custo – inclusive
- de crianças e adolescentes.
- A acusação deve seguir duas linhas de argumentação. A primeira é a de que as big techs
- formataram suas plataformas para serem viciantes mesmo. “Quanto mais engajamento, mais
- publicidade” é o novo “quanto mais fumantes, mais lucro”. A segunda busca apoio em estudos
- que relacionam o aumento dos casos de depressão e ansiedade em crianças e adolescentes ao
- advento das mídias sociais.
- Ao contrário da montanha de evidências provando que fumar pode causar câncer, os efeitos
- das redes sociais sobre a saúde mental dos nossos filhos ainda não estão provados. Ainda assim,
- é difícil encontrar um pai ou mãe de adolescente que não esteja preocupado (o fato de que o
- livro Geração Ansiosa está há mais de 90 semanas na lista de best-sellers do New York Times
- dá a dimensão dessa preocupação).
- ___ esta altura do campeonato, nem Don Draper conseguiria nos convencer de que está
- tudo bem com as crianças.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/02/no-banco-dos-reus-cml3q4kl40086012yz36sq4a4.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o emprego e o sentido dos diferentes tipos de pronomes, analise as assertivas a seguir:
I. Em “garantia aquela dose extra de fôlego indispensável para enfrentar o dia ___ dia” (l. 04-05), “aquela” é pronome demonstrativo e indica a intensificação de uma ideia.
II. Em “O que está em jogo agora são as estratégias” (l. 19-20), “O” é pronome demonstrativo e equivale a “aquilo”.
III. Em “para gerar engajamento a qualquer custo” (l. 20), “qualquer” é pronome demonstrativo e significa “não importa qual”.
Quais estão corretas?
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No banco dos réus
Por Cláudia Laitano
- Médicos fumando no consultório, enfermeiras acendendo um cigarrinho para relaxar,
- dentistas recomendando sua marca preferida de tabaco: figuras como essas povoavam jornais
- e revistas até o início dos anos 1960. Alguns anúncios chegavam a sugerir que fumar ajudava
- na digestão, aliviava dores de garganta e garantia aquela dose extra de fôlego indispensável
- para enfrentar o dia ___ dia.
- O primeiro relatório reunindo estudos que apontavam a ligação entre o cigarro e o câncer
- foi publicado em 1964. O piloto da série Mad Men, que se passa em 1960, retrata a ginástica do
- publicitário Don Draper para tornar atraente um produto que já começava a soar como cilada.
- Em 1998, as quatro maiores empresas de tabaco dos EUA assinaram um acordo para encerrar
- dezenas de processos judiciais que tentavam recuperar bilhões de dólares gastos com assistência
- médica de fumantes. Ou seja: entre o médico baforando sem culpa no nariz do paciente e a
- responsabilização de quem lucrava com uma mercadoria perigosa e altamente viciante,
- passaram-se mais ou menos 40 anos.
- Então, o “momento tabaco” parece estar batendo ___ porta das big techs em 2026. O
- julgamento do primeiro de dois grandes lotes de ações coletivas contra empresas de tecnologia
- previstos para este ano começou em Los Angeles na semana passada. Até aqui, empresas como
- Meta, Tik Tok, Snapchat e YouTube conseguiram escapar das acusações que envolvem conteúdo
- apelando para leis que isentam as plataformas de responsabilidade com relação ao que os
- usuários publicam. As novas ações atacam por outro flanco. O que está em jogo agora são as
- estratégias usadas por essas plataformas para gerar engajamento a qualquer custo – inclusive
- de crianças e adolescentes.
- A acusação deve seguir duas linhas de argumentação. A primeira é a de que as big techs
- formataram suas plataformas para serem viciantes mesmo. “Quanto mais engajamento, mais
- publicidade” é o novo “quanto mais fumantes, mais lucro”. A segunda busca apoio em estudos
- que relacionam o aumento dos casos de depressão e ansiedade em crianças e adolescentes ao
- advento das mídias sociais.
- Ao contrário da montanha de evidências provando que fumar pode causar câncer, os efeitos
- das redes sociais sobre a saúde mental dos nossos filhos ainda não estão provados. Ainda assim,
- é difícil encontrar um pai ou mãe de adolescente que não esteja preocupado (o fato de que o
- livro Geração Ansiosa está há mais de 90 semanas na lista de best-sellers do New York Times
- dá a dimensão dessa preocupação).
- ___ esta altura do campeonato, nem Don Draper conseguiria nos convencer de que está
- tudo bem com as crianças.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/02/no-banco-dos-reus-cml3q4kl40086012yz36sq4a4.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as preposições destacadas em trechos retirados do texto ao significado que apresentam.
Coluna 1
1. Agente.
2. Finalidade.
3. Origem.
4. Limite.
Coluna 2
( ) “as quatro maiores empresas de tabaco dos EUA”.
( ) “assinaram um acordo para encerrar dezenas de processos judiciais”.
( ) “Até aqui, empresas como Meta, Tik Tok, Snapchat e YouTube conseguiram escapar”.
( ) “as estratégias usadas por essas plataformas”.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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No banco dos réus
Por Cláudia Laitano
- Médicos fumando no consultório, enfermeiras acendendo um cigarrinho para relaxar,
- dentistas recomendando sua marca preferida de tabaco: figuras como essas povoavam jornais
- e revistas até o início dos anos 1960. Alguns anúncios chegavam a sugerir que fumar ajudava
- na digestão, aliviava dores de garganta e garantia aquela dose extra de fôlego indispensável
- para enfrentar o dia ___ dia.
- O primeiro relatório reunindo estudos que apontavam a ligação entre o cigarro e o câncer
- foi publicado em 1964. O piloto da série Mad Men, que se passa em 1960, retrata a ginástica do
- publicitário Don Draper para tornar atraente um produto que já começava a soar como cilada.
- Em 1998, as quatro maiores empresas de tabaco dos EUA assinaram um acordo para encerrar
- dezenas de processos judiciais que tentavam recuperar bilhões de dólares gastos com assistência
- médica de fumantes. Ou seja: entre o médico baforando sem culpa no nariz do paciente e a
- responsabilização de quem lucrava com uma mercadoria perigosa e altamente viciante,
- passaram-se mais ou menos 40 anos.
- Então, o “momento tabaco” parece estar batendo ___ porta das big techs em 2026. O
- julgamento do primeiro de dois grandes lotes de ações coletivas contra empresas de tecnologia
- previstos para este ano começou em Los Angeles na semana passada. Até aqui, empresas como
- Meta, Tik Tok, Snapchat e YouTube conseguiram escapar das acusações que envolvem conteúdo
- apelando para leis que isentam as plataformas de responsabilidade com relação ao que os
- usuários publicam. As novas ações atacam por outro flanco. O que está em jogo agora são as
- estratégias usadas por essas plataformas para gerar engajamento a qualquer custo – inclusive
- de crianças e adolescentes.
- A acusação deve seguir duas linhas de argumentação. A primeira é a de que as big techs
- formataram suas plataformas para serem viciantes mesmo. “Quanto mais engajamento, mais
- publicidade” é o novo “quanto mais fumantes, mais lucro”. A segunda busca apoio em estudos
- que relacionam o aumento dos casos de depressão e ansiedade em crianças e adolescentes ao
- advento das mídias sociais.
- Ao contrário da montanha de evidências provando que fumar pode causar câncer, os efeitos
- das redes sociais sobre a saúde mental dos nossos filhos ainda não estão provados. Ainda assim,
- é difícil encontrar um pai ou mãe de adolescente que não esteja preocupado (o fato de que o
- livro Geração Ansiosa está há mais de 90 semanas na lista de best-sellers do New York Times
- dá a dimensão dessa preocupação).
- ___ esta altura do campeonato, nem Don Draper conseguiria nos convencer de que está
- tudo bem com as crianças.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/02/no-banco-dos-reus-cml3q4kl40086012yz36sq4a4.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o emprego do acento indicativo de crase, analise os trechos abaixo, retirados do texto:
- “dose extra de fôlego indispensável para enfrentar o dia ___ dia”.
- “o ‘momento tabaco’ parece estar batendo ___ porta das big techs”.
- “___ esta altura do campeonato”.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas dos trechos acima.
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No banco dos réus
Por Cláudia Laitano
- Médicos fumando no consultório, enfermeiras acendendo um cigarrinho para relaxar,
- dentistas recomendando sua marca preferida de tabaco: figuras como essas povoavam jornais
- e revistas até o início dos anos 1960. Alguns anúncios chegavam a sugerir que fumar ajudava
- na digestão, aliviava dores de garganta e garantia aquela dose extra de fôlego indispensável
- para enfrentar o dia ___ dia.
- O primeiro relatório reunindo estudos que apontavam a ligação entre o cigarro e o câncer
- foi publicado em 1964. O piloto da série Mad Men, que se passa em 1960, retrata a ginástica do
- publicitário Don Draper para tornar atraente um produto que já começava a soar como cilada.
- Em 1998, as quatro maiores empresas de tabaco dos EUA assinaram um acordo para encerrar
- dezenas de processos judiciais que tentavam recuperar bilhões de dólares gastos com assistência
- médica de fumantes. Ou seja: entre o médico baforando sem culpa no nariz do paciente e a
- responsabilização de quem lucrava com uma mercadoria perigosa e altamente viciante,
- passaram-se mais ou menos 40 anos.
- Então, o “momento tabaco” parece estar batendo ___ porta das big techs em 2026. O
- julgamento do primeiro de dois grandes lotes de ações coletivas contra empresas de tecnologia
- previstos para este ano começou em Los Angeles na semana passada. Até aqui, empresas como
- Meta, Tik Tok, Snapchat e YouTube conseguiram escapar das acusações que envolvem conteúdo
- apelando para leis que isentam as plataformas de responsabilidade com relação ao que os
- usuários publicam. As novas ações atacam por outro flanco. O que está em jogo agora são as
- estratégias usadas por essas plataformas para gerar engajamento a qualquer custo – inclusive
- de crianças e adolescentes.
- A acusação deve seguir duas linhas de argumentação. A primeira é a de que as big techs
- formataram suas plataformas para serem viciantes mesmo. “Quanto mais engajamento, mais
- publicidade” é o novo “quanto mais fumantes, mais lucro”. A segunda busca apoio em estudos
- que relacionam o aumento dos casos de depressão e ansiedade em crianças e adolescentes ao
- advento das mídias sociais.
- Ao contrário da montanha de evidências provando que fumar pode causar câncer, os efeitos
- das redes sociais sobre a saúde mental dos nossos filhos ainda não estão provados. Ainda assim,
- é difícil encontrar um pai ou mãe de adolescente que não esteja preocupado (o fato de que o
- livro Geração Ansiosa está há mais de 90 semanas na lista de best-sellers do New York Times
- dá a dimensão dessa preocupação).
- ___ esta altura do campeonato, nem Don Draper conseguiria nos convencer de que está
- tudo bem com as crianças.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/02/no-banco-dos-reus-cml3q4kl40086012yz36sq4a4.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) Grandes empresas do ramo dos cigarros deliberaram, em conjunto com aqueles que lhes acionaram judicialmente, uma forma de pôr termo às demandas financeiras destes.
( ) No que tange às big techs, uma vez que elas são blindadas legalmente de qualquer responsabilização em relação às ações dos usuários, não se pode falar em culpabilização relacionada à dependência gerada pelas redes sociais.
( ) A propaganda teve um papel importante no primeiro caso abordado pelo texto, mas a autora não acredita que possa ter o mesmo sucesso no que se refere ao caso enfrentado pelas big techs.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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Vou ali e já volto
Por Fabrício Carpinejar
- Uma cidade cresce quando você não frequenta os lugares de sempre, os lugares da moda,
- os lugares badalados, os lugares incensados, mas valoriza o comércio do seu bairro.
- Alarga os seus limites quando você prestigia os restaurantes perto de casa, quando ajuda
- os negócios menores a prosperar, quando oferece condições àqueles que escolheram a sua
- esquina, a sua calçada, a sua vizinhança.
- É assim que se ampliam as possibilidades de um bairro: fomentando o consumo dos
- pequenos empresários. Por isso, eu mantenho a minha farmácia, o meu açougue, a minha
- padaria, o meu supermercado, o meu boteco, o meu buffet a quilo, a minha sapataria, a minha
- lavanderia, a minha feirinha, o meu martelinho de ouro, o meu posto de gasolina, a minha
- ferra....em. Não troco por nada. Ficam a algumas quadras do meu apartamento, num
- quadrilátero favorito.
- Resolvo tudo a pé, sem depender de carro. Subo e desço lombas, cumprimentando os meus
- pensamentos. Trato todos os espaços como se fossem meus. Eu protejo a subsistência das
- minhas redondezas. Priorizo quem está próximo, quem conhece os meus filhos, a minha esposa,
- os meus pais. Como se integrasse os galhos da minha árvore genealógica.
- Sei de cor cada caminho, cada beco, cada praça. Jamais recorro à bengala do Google Maps.
- Armazeno fofocas para o momento do café, leite e pãezinhos no fim da tarde com a família.
- Nem preciso me arrumar para passear pelo seu território. Saio com roupas informais e caseiras,
- de chinelo, bermuda e regata. A rua é o pátio que eu não tenho, o quintal que eu não tenho.
- Não me exige a mesma produção dos deslocamentos a um shopping, a um cinema ou a lojas de
- outros centros.
- Mais do que a qualidade do serviço, prepondera a intimidade do atendimento: ser chamado
- pelo nome, ter as urgências compreendidas, ouvir um “deixa comigo”, puxar o reboque das
- lembranças com uma conversa à toa. A afeição não tem preço. Fideliza acima de qualquer
- desconto.
- Só na minha fruteira, o dono me estende gomos de uma bergamota para provar o quanto
- está docinha. Ou me alcança uma fatia de melancia para mostrar que está madura. Só na minha
- fruteira, ainda aceito troco em balas.
- O melhor bairro é o nosso.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2026/02/vou-ali-e-ja-volto-cml9vcnd501nr012tec0oq39s.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Qual das palavras sublinhadas no trecho a seguir, retirado do texto, NÃO pertence à classe dos substantivos?
“Só na minha fruteira, o dono me estende gomos de uma bergamota para provar o quanto está docinha”.
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Caderno Container