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4227928 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-CE
Atenção: Para responder à questão, leia a crônica de Rachel de Queiroz.
    Uma simples folha de papel... Ontem, num programa de TV, discutíamos entre escritores e jornalistas o drama do papel em e branco na máquina e, diante dele, o pobre de nós que espreme o juízo até produzir qualquer coisa que encha as laudas necessárias possa ir para a impressão. Acho que essa angústia existe desde que o primeiro escriba de cuneiforme, na Mesopotâmia, ficava aflito por uma ideia a gravar no tijolinho fresco, e depressa, antes que o barro secasse. Ou o emissário real, no Egito, diante do papiro virgem, rabiscando tentativamente um começo de hieróglifo sem saber o que contar na mensagem para o Faraó.

    O curioso é que nem sempre, desse esforço de última hora, sai um resultado pífio. Às vezes, depois de minutos e minutos de indecisão e bloqueio, brota de repente uma ideia que é um clarão, o escriba bate freneticamente na máquina, tentando forçar os dedos a uma marcha mais veloz que a dos miolos; e eт poисo ele entrega à oficina a sua melhor matéria do mês. Quando esse branco se dá na produção de livro, não tem tanta importância. O romance espera, o conto espera. E o poema só nasce na hora que quer. O jornal - que vive à custa do cotidiano e é voraz por fatos atuais e comentários sobre esses fatos, mal se consolando com projeções sobre o futuro ou meditações sobre o passado -, o jornal é que é o grande tirano. Ele é como um alto forno de usina siderúrgica que não pode se apagar nunca e exige, dia e noite, combustível, minério, e a atenção infatigável dos seus alimentadores e manobreiros.

    Aliás, para fazer justiça, não é propriamente o jornal o nosso tirano. O déspota implacável é mesmo o público, de quem o jornal é apenas o humilde, solícito, serviçal. O público é quem dá sentença de vida e morte, o público é quem boceja ou aplaude. Ele é quem recorta com amor o tópico feliz, ele quem amarrota a folha enfadonha a caminho da cesta. Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera, e por isso a bajulamos, hesitamos num fraseado, trocamos um verbo mais incisivo por outro mais ameno, polvilhamos com um sal de malícia qualquer flagrante inocente, descobrimos interpretações sutis ou sibilinas para o que seria apenas massudo e incolor, sem o nosso intempestivo inuendo. Mas quanto equilíbrio e cuidados são necessários para não transpor o frágil limite da verdade dos fatos e não cair no perigoso terreno da invenção! Às vezes, basta insinuar que o figurão sorriu antes da sua resposta e se derruba todo um laborioso esforço de credibilidade, em hora de crise política. 


(Adaptado de: RACHEL de Queiroz, 1990)
O verbo empregado em sentido conotativo está no trecho:
 

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4227927 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-CE
Atenção: Para responder à questão, leia a crônica de Rachel de Queiroz.
    Uma simples folha de papel... Ontem, num programa de TV, discutíamos entre escritores e jornalistas o drama do papel em e branco na máquina e, diante dele, o pobre de nós que espreme o juízo até produzir qualquer coisa que encha as laudas necessárias possa ir para a impressão. Acho que essa angústia existe desde que o primeiro escriba de cuneiforme, na Mesopotâmia, ficava aflito por uma ideia a gravar no tijolinho fresco, e depressa, antes que o barro secasse. Ou o emissário real, no Egito, diante do papiro virgem, rabiscando tentativamente um começo de hieróglifo sem saber o que contar na mensagem para o Faraó.

    O curioso é que nem sempre, desse esforço de última hora, sai um resultado pífio. Às vezes, depois de minutos e minutos de indecisão e bloqueio, brota de repente uma ideia que é um clarão, o escriba bate freneticamente na máquina, tentando forçar os dedos a uma marcha mais veloz que a dos miolos; e eт poисo ele entrega à oficina a sua melhor matéria do mês. Quando esse branco se dá na produção de livro, não tem tanta importância. O romance espera, o conto espera. E o poema só nasce na hora que quer. O jornal - que vive à custa do cotidiano e é voraz por fatos atuais e comentários sobre esses fatos, mal se consolando com projeções sobre o futuro ou meditações sobre o passado -, o jornal é que é o grande tirano. Ele é como um alto forno de usina siderúrgica que não pode se apagar nunca e exige, dia e noite, combustível, minério, e a atenção infatigável dos seus alimentadores e manobreiros.

    Aliás, para fazer justiça, não é propriamente o jornal o nosso tirano. O déspota implacável é mesmo o público, de quem o jornal é apenas o humilde, solícito, serviçal. O público é quem dá sentença de vida e morte, o público é quem boceja ou aplaude. Ele é quem recorta com amor o tópico feliz, ele quem amarrota a folha enfadonha a caminho da cesta. Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera, e por isso a bajulamos, hesitamos num fraseado, trocamos um verbo mais incisivo por outro mais ameno, polvilhamos com um sal de malícia qualquer flagrante inocente, descobrimos interpretações sutis ou sibilinas para o que seria apenas massudo e incolor, sem o nosso intempestivo inuendo. Mas quanto equilíbrio e cuidados são necessários para não transpor o frágil limite da verdade dos fatos e não cair no perigoso terreno da invenção! Às vezes, basta insinuar que o figurão sorriu antes da sua resposta e se derruba todo um laborioso esforço de credibilidade, em hora de crise política. 


(Adaptado de: RACHEL de Queiroz, 1990)
Sem que nenhuma outra alteração seja feita e sem prejuízo para a correção gramatical, o trecho que pode ser removido da frase está sublinhado em:
 

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4227926 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-CE
Atenção: Para responder à questão, leia a crônica de Rachel de Queiroz.
    Uma simples folha de papel... Ontem, num programa de TV, discutíamos entre escritores e jornalistas o drama do papel em e branco na máquina e, diante dele, o pobre de nós que espreme o juízo até produzir qualquer coisa que encha as laudas necessárias possa ir para a impressão. Acho que essa angústia existe desde que o primeiro escriba de cuneiforme, na Mesopotâmia, ficava aflito por uma ideia a gravar no tijolinho fresco, e depressa, antes que o barro secasse. Ou o emissário real, no Egito, diante do papiro virgem, rabiscando tentativamente um começo de hieróglifo sem saber o que contar na mensagem para o Faraó.

    O curioso é que nem sempre, desse esforço de última hora, sai um resultado pífio. Às vezes, depois de minutos e minutos de indecisão e bloqueio, brota de repente uma ideia que é um clarão, o escriba bate freneticamente na máquina, tentando forçar os dedos a uma marcha mais veloz que a dos miolos; e eт poисo ele entrega à oficina a sua melhor matéria do mês. Quando esse branco se dá na produção de livro, não tem tanta importância. O romance espera, o conto espera. E o poema só nasce na hora que quer. O jornal - que vive à custa do cotidiano e é voraz por fatos atuais e comentários sobre esses fatos, mal se consolando com projeções sobre o futuro ou meditações sobre o passado -, o jornal é que é o grande tirano. Ele é como um alto forno de usina siderúrgica que não pode se apagar nunca e exige, dia e noite, combustível, minério, e a atenção infatigável dos seus alimentadores e manobreiros.

    Aliás, para fazer justiça, não é propriamente o jornal o nosso tirano. O déspota implacável é mesmo o público, de quem o jornal é apenas o humilde, solícito, serviçal. O público é quem dá sentença de vida e morte, o público é quem boceja ou aplaude. Ele é quem recorta com amor o tópico feliz, ele quem amarrota a folha enfadonha a caminho da cesta. Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera, e por isso a bajulamos, hesitamos num fraseado, trocamos um verbo mais incisivo por outro mais ameno, polvilhamos com um sal de malícia qualquer flagrante inocente, descobrimos interpretações sutis ou sibilinas para o que seria apenas massudo e incolor, sem o nosso intempestivo inuendo. Mas quanto equilíbrio e cuidados são necessários para não transpor o frágil limite da verdade dos fatos e não cair no perigoso terreno da invenção! Às vezes, basta insinuar que o figurão sorriu antes da sua resposta e se derruba todo um laborioso esforço de credibilidade, em hora de crise política. 


(Adaptado de: RACHEL de Queiroz, 1990)
O trecho em que a cronista indica que os escritores se submetem ao julgamento do público está em:
 

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4227925 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FCC
Orgão: TJ-CE
Atenção: Para responder à questão, leia a crônica de Rachel de Queiroz.
    Uma simples folha de papel... Ontem, num programa de TV, discutíamos entre escritores e jornalistas o drama do papel em e branco na máquina e, diante dele, o pobre de nós que espreme o juízo até produzir qualquer coisa que encha as laudas necessárias possa ir para a impressão. Acho que essa angústia existe desde que o primeiro escriba de cuneiforme, na Mesopotâmia, ficava aflito por uma ideia a gravar no tijolinho fresco, e depressa, antes que o barro secasse. Ou o emissário real, no Egito, diante do papiro virgem, rabiscando tentativamente um começo de hieróglifo sem saber o que contar na mensagem para o Faraó.

    O curioso é que nem sempre, desse esforço de última hora, sai um resultado pífio. Às vezes, depois de minutos e minutos de indecisão e bloqueio, brota de repente uma ideia que é um clarão, o escriba bate freneticamente na máquina, tentando forçar os dedos a uma marcha mais veloz que a dos miolos; e eт poисo ele entrega à oficina a sua melhor matéria do mês. Quando esse branco se dá na produção de livro, não tem tanta importância. O romance espera, o conto espera. E o poema só nasce na hora que quer. O jornal - que vive à custa do cotidiano e é voraz por fatos atuais e comentários sobre esses fatos, mal se consolando com projeções sobre o futuro ou meditações sobre o passado -, o jornal é que é o grande tirano. Ele é como um alto forno de usina siderúrgica que não pode se apagar nunca e exige, dia e noite, combustível, minério, e a atenção infatigável dos seus alimentadores e manobreiros.

    Aliás, para fazer justiça, não é propriamente o jornal o nosso tirano. O déspota implacável é mesmo o público, de quem o jornal é apenas o humilde, solícito, serviçal. O público é quem dá sentença de vida e morte, o público é quem boceja ou aplaude. Ele é quem recorta com amor o tópico feliz, ele quem amarrota a folha enfadonha a caminho da cesta. Nessa trêmula serventia vivemos todos os que dependemos da fera, e por isso a bajulamos, hesitamos num fraseado, trocamos um verbo mais incisivo por outro mais ameno, polvilhamos com um sal de malícia qualquer flagrante inocente, descobrimos interpretações sutis ou sibilinas para o que seria apenas massudo e incolor, sem o nosso intempestivo inuendo. Mas quanto equilíbrio e cuidados são necessários para não transpor o frágil limite da verdade dos fatos e não cair no perigoso terreno da invenção! Às vezes, basta insinuar que o figurão sorriu antes da sua resposta e se derruba todo um laborioso esforço de credibilidade, em hora de crise política. 


(Adaptado de: RACHEL de Queiroz, 1990)
O adjetivo sublinhado está corretamente traduzido pelo que se encontra entre parênteses em:
 

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4227602 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Polícia Penal-RS
Com o intuito de mensurar as opiniões da população de uma unidade prisional sobre um programa de ressocialização, um pesquisador coleta uma série de relatos escritos. Ao aplicar o método de análise de conteúdo ao material empírico, busca-se identificar os julgamentos emitidos pelos detentos, classificando as palavras e expressões utilizadas em relação ao programa de acordo com a sua direção (favorável ou contrária) e a sua intensidade. Considerando o exposto, é correto afirmar que o pesquisador utilizou qual técnica de análise de Laurence Bardin?
 

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O espetáculo do hermetismo*: a retórica oracular contra a generosidade intelectual

Por Marco Aurélio Werle

Há um modelo contemporâneo de pensador público ........ autoridade não se constrói pela

capacidade de iluminar, mas pelo poder de encantar através da opacidade. É o intelectual

oracular, figura cativa de debates acadêmicos e mesas-redondas, ........ ensaísmo opera

prioritariamente por meio de um labirinto retórico sedutor.

Em suas exposições, a linearidade tradicional — com começo, meio e fim — é

deliberadamente sacrificada. O discurso flui por livre associação de ideias, costurando de forma

vertiginosa fragmentos de notícias cotidianas, ________ histórica e saltos temporais bruscos.

Essa colagem textual cumpre uma função psicológica precisa: gerar no espectador uma forte e

imediata sensação de urgência, desamparo e catástrofe iminente.

O ganho estético e performático dessa abordagem, porém, cobra um preço altíssimo na

clareza. Ao término da exposição, salvo se o ouvinte tentar colocar no papel a cadeia lógica de

causas e efeitos para reconstruir o argumento passo a passo, perceberá que a estrutura

conceitual se dissolveu em fumaça. A fala funciona mais como um transe afetivo do que como

transmissão de conhecimento estruturado. Produz-se um efeito de profundidade pelo excesso de

conexões herméticas e ____________. Essa blindagem retórica não é inocente; ela protege a

argumentação contra qualquer contestação factual ou empírica, afinal, torna-se virtualmente

impossível refutar teses que se recusam terminantemente a se fixar em hipóteses nítidas.

Para sustentar esse diagnóstico de colapso permanente e paralisia social, esse tipo de

análise recorre à personificação de grandes abstrações econômicas e sociais. Conceitos

macroestruturais e sistêmicos — como “o Capital”, “o Mercado” ou “o Estado” — deixam de ser

entendidos como processos dinâmicos movidos por conflitos de classe e agências humanas

concretas. Passam a ser tratados como sujeitos autônomos e conscientes, dotados de vontade

própria, intenções malévolas deliberadas e estratégias ocultas de dominação. Esse movimento

teórico resvala em um determinismo absoluto e conspiratório que apaga as contradições internas

das elites e as contingências imprevisíveis do cotidiano. Paralelamente, esse olhar alimenta o

mito de uma excepcionalidade trágica local, tratando a realidade como uma “singularidade

maldita”, uma anomalia isolada do resto do planeta. Ao fechar os olhos para comparações,

prefere-se o isolamento do “caso único” à evidência de que os mesmos fenômenos de

precarização ocorrem de forma semelhante em outros locais.

Por fim, esse posicionamento crítico se protege atrás de uma ironia constante e de um falso

despojamento. O deboche soberbo direcionado __ ilusões do progresso, __ tentativas de reforma

institucional e __ ingenuidade de quem ainda tenta agir politicamente cria um escudo de

imunidade total para quem fala. Instalado na chave do sarcasmo intransigente, o observador se

coloca acima do erro e da prática, desobrigando-se inteiramente de propor caminhos viáveis,

defender programas ou assumir os riscos de uma intervenção real na história.

O saber, dessa forma, deixa de ser um bem comum e se transforma em um espetáculo de

conhecimento __________ e privativo. Em vez de instrumentalizar o público com ferramentas

conceituais replicáveis para que compreenda e transforme de forma independente a própria

realidade, essa postura gera uma relação de dependência afetiva e passividade intelectual. O

ouvinte consome o pessimismo do mestre como um certificado de lucidez, mas sai da sala de

mãos vazias. O oposto absoluto desse modelo autoritário e excludente seria uma pedagogia

verdadeiramente democrática e generosa. Uma postura ....... influência se baseia na máxima

clareza metodológica, na simplicidade nobre da partilha e na disposição transparente de ter as

próprias ideias testadas, criticadas e superadas por qualquer pessoa.

(Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=1024676 – texto adaptado especialmente para esta prova).

*hermetismo

2 p.ext. saber oculto, esotérico, reservado a poucos

3 p.ext. caráter daquilo que é difícil de compreender e/ou interpretar

(HERMETISMO. In: DICIONÁRIO HOUAISS. [S. l.]: UOL, [s. d.]. Disponível em: https://houaiss.uol.com.br/houaisson/apps/uol_www/vopen/html/inicio.php/4c9/hermetismo. Acesso em: 20 jun. 2026.)

Com base no seguinte fragmento do texto, analise as asserções abaixo e a relação proposta entre elas:

“Instalado na chave do sarcasmo intransigente, o observador se coloca acima do erro e da prática, desobrigando-se inteiramente de propor caminhos viáveis, defender programas ou assumir os riscos de uma intervenção real na história”.

I. O observador está sempre certo e, por consequência, apresenta soluções que promovem transformação na sociedade.

PORQUE

II. Ele é sarcástico e detentor da verdade histórica.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
 

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O espetáculo do hermetismo*: a retórica oracular contra a generosidade intelectual

Por Marco Aurélio Werle

Há um modelo contemporâneo de pensador público ........ autoridade não se constrói pela

capacidade de iluminar, mas pelo poder de encantar através da opacidade. É o intelectual

oracular, figura cativa de debates acadêmicos e mesas-redondas, ........ ensaísmo opera

prioritariamente por meio de um labirinto retórico sedutor.

Em suas exposições, a linearidade tradicional — com começo, meio e fim — é

deliberadamente sacrificada. O discurso flui por livre associação de ideias, costurando de forma

vertiginosa fragmentos de notícias cotidianas, ________ histórica e saltos temporais bruscos.

Essa colagem textual cumpre uma função psicológica precisa: gerar no espectador uma forte e

imediata sensação de urgência, desamparo e catástrofe iminente.

O ganho estético e performático dessa abordagem, porém, cobra um preço altíssimo na

clareza. Ao término da exposição, salvo se o ouvinte tentar colocar no papel a cadeia lógica de

causas e efeitos para reconstruir o argumento passo a passo, perceberá que a estrutura

conceitual se dissolveu em fumaça. A fala funciona mais como um transe afetivo do que como

transmissão de conhecimento estruturado. Produz-se um efeito de profundidade pelo excesso de

conexões herméticas e ____________. Essa blindagem retórica não é inocente; ela protege a

argumentação contra qualquer contestação factual ou empírica, afinal, torna-se virtualmente

impossível refutar teses que se recusam terminantemente a se fixar em hipóteses nítidas.

Para sustentar esse diagnóstico de colapso permanente e paralisia social, esse tipo de

análise recorre à personificação de grandes abstrações econômicas e sociais. Conceitos

macroestruturais e sistêmicos — como “o Capital”, “o Mercado” ou “o Estado” — deixam de ser

entendidos como processos dinâmicos movidos por conflitos de classe e agências humanas

concretas. Passam a ser tratados como sujeitos autônomos e conscientes, dotados de vontade

própria, intenções malévolas deliberadas e estratégias ocultas de dominação. Esse movimento

teórico resvala em um determinismo absoluto e conspiratório que apaga as contradições internas

das elites e as contingências imprevisíveis do cotidiano. Paralelamente, esse olhar alimenta o

mito de uma excepcionalidade trágica local, tratando a realidade como uma “singularidade

maldita”, uma anomalia isolada do resto do planeta. Ao fechar os olhos para comparações,

prefere-se o isolamento do “caso único” à evidência de que os mesmos fenômenos de

precarização ocorrem de forma semelhante em outros locais.

Por fim, esse posicionamento crítico se protege atrás de uma ironia constante e de um falso

despojamento. O deboche soberbo direcionado __ ilusões do progresso, __ tentativas de reforma

institucional e __ ingenuidade de quem ainda tenta agir politicamente cria um escudo de

imunidade total para quem fala. Instalado na chave do sarcasmo intransigente, o observador se

coloca acima do erro e da prática, desobrigando-se inteiramente de propor caminhos viáveis,

defender programas ou assumir os riscos de uma intervenção real na história.

O saber, dessa forma, deixa de ser um bem comum e se transforma em um espetáculo de

conhecimento __________ e privativo. Em vez de instrumentalizar o público com ferramentas

conceituais replicáveis para que compreenda e transforme de forma independente a própria

realidade, essa postura gera uma relação de dependência afetiva e passividade intelectual. O

ouvinte consome o pessimismo do mestre como um certificado de lucidez, mas sai da sala de

mãos vazias. O oposto absoluto desse modelo autoritário e excludente seria uma pedagogia

verdadeiramente democrática e generosa. Uma postura ....... influência se baseia na máxima

clareza metodológica, na simplicidade nobre da partilha e na disposição transparente de ter as

próprias ideias testadas, criticadas e superadas por qualquer pessoa.

(Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=1024676 – texto adaptado especialmente para esta prova).

*hermetismo

2 p.ext. saber oculto, esotérico, reservado a poucos

3 p.ext. caráter daquilo que é difícil de compreender e/ou interpretar

(HERMETISMO. In: DICIONÁRIO HOUAISS. [S. l.]: UOL, [s. d.]. Disponível em: https://houaiss.uol.com.br/houaisson/apps/uol_www/vopen/html/inicio.php/4c9/hermetismo. Acesso em: 20 jun. 2026.)

Na frase “É o intelectual oracular, figura cativa de debates acadêmicos”, retirada do texto, caso o verbo “É” fosse flexionado no imperativo afirmativo e na terceira pessoa do singular, assumiria a forma:
 

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O espetáculo do hermetismo*: a retórica oracular contra a generosidade intelectual

Por Marco Aurélio Werle

Há um modelo contemporâneo de pensador público ........ autoridade não se constrói pela

capacidade de iluminar, mas pelo poder de encantar através da opacidade. É o intelectual

oracular, figura cativa de debates acadêmicos e mesas-redondas, ........ ensaísmo opera

prioritariamente por meio de um labirinto retórico sedutor.

Em suas exposições, a linearidade tradicional — com começo, meio e fim — é

deliberadamente sacrificada. O discurso flui por livre associação de ideias, costurando de forma

vertiginosa fragmentos de notícias cotidianas, ________ histórica e saltos temporais bruscos.

Essa colagem textual cumpre uma função psicológica precisa: gerar no espectador uma forte e

imediata sensação de urgência, desamparo e catástrofe iminente.

O ganho estético e performático dessa abordagem, porém, cobra um preço altíssimo na

clareza. Ao término da exposição, salvo se o ouvinte tentar colocar no papel a cadeia lógica de

causas e efeitos para reconstruir o argumento passo a passo, perceberá que a estrutura

conceitual se dissolveu em fumaça. A fala funciona mais como um transe afetivo do que como

transmissão de conhecimento estruturado. Produz-se um efeito de profundidade pelo excesso de

conexões herméticas e ____________. Essa blindagem retórica não é inocente; ela protege a

argumentação contra qualquer contestação factual ou empírica, afinal, torna-se virtualmente

impossível refutar teses que se recusam terminantemente a se fixar em hipóteses nítidas.

Para sustentar esse diagnóstico de colapso permanente e paralisia social, esse tipo de

análise recorre à personificação de grandes abstrações econômicas e sociais. Conceitos

macroestruturais e sistêmicos — como “o Capital”, “o Mercado” ou “o Estado” — deixam de ser

entendidos como processos dinâmicos movidos por conflitos de classe e agências humanas

concretas. Passam a ser tratados como sujeitos autônomos e conscientes, dotados de vontade

própria, intenções malévolas deliberadas e estratégias ocultas de dominação. Esse movimento

teórico resvala em um determinismo absoluto e conspiratório que apaga as contradições internas

das elites e as contingências imprevisíveis do cotidiano. Paralelamente, esse olhar alimenta o

mito de uma excepcionalidade trágica local, tratando a realidade como uma “singularidade

maldita”, uma anomalia isolada do resto do planeta. Ao fechar os olhos para comparações,

prefere-se o isolamento do “caso único” à evidência de que os mesmos fenômenos de

precarização ocorrem de forma semelhante em outros locais.

Por fim, esse posicionamento crítico se protege atrás de uma ironia constante e de um falso

despojamento. O deboche soberbo direcionado __ ilusões do progresso, __ tentativas de reforma

institucional e __ ingenuidade de quem ainda tenta agir politicamente cria um escudo de

imunidade total para quem fala. Instalado na chave do sarcasmo intransigente, o observador se

coloca acima do erro e da prática, desobrigando-se inteiramente de propor caminhos viáveis,

defender programas ou assumir os riscos de uma intervenção real na história.

O saber, dessa forma, deixa de ser um bem comum e se transforma em um espetáculo de

conhecimento __________ e privativo. Em vez de instrumentalizar o público com ferramentas

conceituais replicáveis para que compreenda e transforme de forma independente a própria

realidade, essa postura gera uma relação de dependência afetiva e passividade intelectual. O

ouvinte consome o pessimismo do mestre como um certificado de lucidez, mas sai da sala de

mãos vazias. O oposto absoluto desse modelo autoritário e excludente seria uma pedagogia

verdadeiramente democrática e generosa. Uma postura ....... influência se baseia na máxima

clareza metodológica, na simplicidade nobre da partilha e na disposição transparente de ter as

próprias ideias testadas, criticadas e superadas por qualquer pessoa.

(Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=1024676 – texto adaptado especialmente para esta prova).

*hermetismo

2 p.ext. saber oculto, esotérico, reservado a poucos

3 p.ext. caráter daquilo que é difícil de compreender e/ou interpretar

(HERMETISMO. In: DICIONÁRIO HOUAISS. [S. l.]: UOL, [s. d.]. Disponível em: https://houaiss.uol.com.br/houaisson/apps/uol_www/vopen/html/inicio.php/4c9/hermetismo. Acesso em: 20 jun. 2026.)

Assinale a alternativa correta a respeito de determinadas palavras retiradas do texto.
 

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O espetáculo do hermetismo*: a retórica oracular contra a generosidade intelectual

Por Marco Aurélio Werle

Há um modelo contemporâneo de pensador público ........ autoridade não se constrói pela

capacidade de iluminar, mas pelo poder de encantar através da opacidade. É o intelectual

oracular, figura cativa de debates acadêmicos e mesas-redondas, ........ ensaísmo opera

prioritariamente por meio de um labirinto retórico sedutor.

Em suas exposições, a linearidade tradicional — com começo, meio e fim — é

deliberadamente sacrificada. O discurso flui por livre associação de ideias, costurando de forma

vertiginosa fragmentos de notícias cotidianas, ________ histórica e saltos temporais bruscos.

Essa colagem textual cumpre uma função psicológica precisa: gerar no espectador uma forte e

imediata sensação de urgência, desamparo e catástrofe iminente.

O ganho estético e performático dessa abordagem, porém, cobra um preço altíssimo na

clareza. Ao término da exposição, salvo se o ouvinte tentar colocar no papel a cadeia lógica de

causas e efeitos para reconstruir o argumento passo a passo, perceberá que a estrutura

conceitual se dissolveu em fumaça. A fala funciona mais como um transe afetivo do que como

transmissão de conhecimento estruturado. Produz-se um efeito de profundidade pelo excesso de

conexões herméticas e ____________. Essa blindagem retórica não é inocente; ela protege a

argumentação contra qualquer contestação factual ou empírica, afinal, torna-se virtualmente

impossível refutar teses que se recusam terminantemente a se fixar em hipóteses nítidas.

Para sustentar esse diagnóstico de colapso permanente e paralisia social, esse tipo de

análise recorre à personificação de grandes abstrações econômicas e sociais. Conceitos

macroestruturais e sistêmicos — como “o Capital”, “o Mercado” ou “o Estado” — deixam de ser

entendidos como processos dinâmicos movidos por conflitos de classe e agências humanas

concretas. Passam a ser tratados como sujeitos autônomos e conscientes, dotados de vontade

própria, intenções malévolas deliberadas e estratégias ocultas de dominação. Esse movimento

teórico resvala em um determinismo absoluto e conspiratório que apaga as contradições internas

das elites e as contingências imprevisíveis do cotidiano. Paralelamente, esse olhar alimenta o

mito de uma excepcionalidade trágica local, tratando a realidade como uma “singularidade

maldita”, uma anomalia isolada do resto do planeta. Ao fechar os olhos para comparações,

prefere-se o isolamento do “caso único” à evidência de que os mesmos fenômenos de

precarização ocorrem de forma semelhante em outros locais.

Por fim, esse posicionamento crítico se protege atrás de uma ironia constante e de um falso

despojamento. O deboche soberbo direcionado __ ilusões do progresso, __ tentativas de reforma

institucional e __ ingenuidade de quem ainda tenta agir politicamente cria um escudo de

imunidade total para quem fala. Instalado na chave do sarcasmo intransigente, o observador se

coloca acima do erro e da prática, desobrigando-se inteiramente de propor caminhos viáveis,

defender programas ou assumir os riscos de uma intervenção real na história.

O saber, dessa forma, deixa de ser um bem comum e se transforma em um espetáculo de

conhecimento __________ e privativo. Em vez de instrumentalizar o público com ferramentas

conceituais replicáveis para que compreenda e transforme de forma independente a própria

realidade, essa postura gera uma relação de dependência afetiva e passividade intelectual. O

ouvinte consome o pessimismo do mestre como um certificado de lucidez, mas sai da sala de

mãos vazias. O oposto absoluto desse modelo autoritário e excludente seria uma pedagogia

verdadeiramente democrática e generosa. Uma postura ....... influência se baseia na máxima

clareza metodológica, na simplicidade nobre da partilha e na disposição transparente de ter as

próprias ideias testadas, criticadas e superadas por qualquer pessoa.

(Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=1024676 – texto adaptado especialmente para esta prova).

*hermetismo

2 p.ext. saber oculto, esotérico, reservado a poucos

3 p.ext. caráter daquilo que é difícil de compreender e/ou interpretar

(HERMETISMO. In: DICIONÁRIO HOUAISS. [S. l.]: UOL, [s. d.]. Disponível em: https://houaiss.uol.com.br/houaisson/apps/uol_www/vopen/html/inicio.php/4c9/hermetismo. Acesso em: 20 jun. 2026.)

Sobre alguns vocábulos da frase “Há um modelo contemporâneo de pensador público ........ autoridade não se constrói pela capacidade de iluminar, mas pelo poder de encantar através da opacidade”, retirada do texto, analise as assertivas abaixo:

I. Em “Há” ocorre apenas um fonema.
II. Em “público” observa-se a ocorrência de um encontro consonantal.
III. As palavras “capacidade” e “opacidade” têm o mesmo número de sílabas.

Quais estão corretas?
 

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O espetáculo do hermetismo*: a retórica oracular contra a generosidade intelectual

Por Marco Aurélio Werle

Há um modelo contemporâneo de pensador público ........ autoridade não se constrói pela

capacidade de iluminar, mas pelo poder de encantar através da opacidade. É o intelectual

oracular, figura cativa de debates acadêmicos e mesas-redondas, ........ ensaísmo opera

prioritariamente por meio de um labirinto retórico sedutor.

Em suas exposições, a linearidade tradicional — com começo, meio e fim — é

deliberadamente sacrificada. O discurso flui por livre associação de ideias, costurando de forma

vertiginosa fragmentos de notícias cotidianas, ________ histórica e saltos temporais bruscos.

Essa colagem textual cumpre uma função psicológica precisa: gerar no espectador uma forte e

imediata sensação de urgência, desamparo e catástrofe iminente.

O ganho estético e performático dessa abordagem, porém, cobra um preço altíssimo na

clareza. Ao término da exposição, salvo se o ouvinte tentar colocar no papel a cadeia lógica de

causas e efeitos para reconstruir o argumento passo a passo, perceberá que a estrutura

conceitual se dissolveu em fumaça. A fala funciona mais como um transe afetivo do que como

transmissão de conhecimento estruturado. Produz-se um efeito de profundidade pelo excesso de

conexões herméticas e ____________. Essa blindagem retórica não é inocente; ela protege a

argumentação contra qualquer contestação factual ou empírica, afinal, torna-se virtualmente

impossível refutar teses que se recusam terminantemente a se fixar em hipóteses nítidas.

Para sustentar esse diagnóstico de colapso permanente e paralisia social, esse tipo de

análise recorre à personificação de grandes abstrações econômicas e sociais. Conceitos

macroestruturais e sistêmicos — como “o Capital”, “o Mercado” ou “o Estado” — deixam de ser

entendidos como processos dinâmicos movidos por conflitos de classe e agências humanas

concretas. Passam a ser tratados como sujeitos autônomos e conscientes, dotados de vontade

própria, intenções malévolas deliberadas e estratégias ocultas de dominação. Esse movimento

teórico resvala em um determinismo absoluto e conspiratório que apaga as contradições internas

das elites e as contingências imprevisíveis do cotidiano. Paralelamente, esse olhar alimenta o

mito de uma excepcionalidade trágica local, tratando a realidade como uma “singularidade

maldita”, uma anomalia isolada do resto do planeta. Ao fechar os olhos para comparações,

prefere-se o isolamento do “caso único” à evidência de que os mesmos fenômenos de

precarização ocorrem de forma semelhante em outros locais.

Por fim, esse posicionamento crítico se protege atrás de uma ironia constante e de um falso

despojamento. O deboche soberbo direcionado __ ilusões do progresso, __ tentativas de reforma

institucional e __ ingenuidade de quem ainda tenta agir politicamente cria um escudo de

imunidade total para quem fala. Instalado na chave do sarcasmo intransigente, o observador se

coloca acima do erro e da prática, desobrigando-se inteiramente de propor caminhos viáveis,

defender programas ou assumir os riscos de uma intervenção real na história.

O saber, dessa forma, deixa de ser um bem comum e se transforma em um espetáculo de

conhecimento __________ e privativo. Em vez de instrumentalizar o público com ferramentas

conceituais replicáveis para que compreenda e transforme de forma independente a própria

realidade, essa postura gera uma relação de dependência afetiva e passividade intelectual. O

ouvinte consome o pessimismo do mestre como um certificado de lucidez, mas sai da sala de

mãos vazias. O oposto absoluto desse modelo autoritário e excludente seria uma pedagogia

verdadeiramente democrática e generosa. Uma postura ....... influência se baseia na máxima

clareza metodológica, na simplicidade nobre da partilha e na disposição transparente de ter as

próprias ideias testadas, criticadas e superadas por qualquer pessoa.

(Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=1024676 – texto adaptado especialmente para esta prova).

*hermetismo

2 p.ext. saber oculto, esotérico, reservado a poucos

3 p.ext. caráter daquilo que é difícil de compreender e/ou interpretar

(HERMETISMO. In: DICIONÁRIO HOUAISS. [S. l.]: UOL, [s. d.]. Disponível em: https://houaiss.uol.com.br/houaisson/apps/uol_www/vopen/html/inicio.php/4c9/hermetismo. Acesso em: 20 jun. 2026.)

Assinale a alternativa que apresenta duas palavras que, grafadas sem o acento gráfico, continuam a existir na Língua Portuguesa.
 

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