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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica quantas outras alterações seriam obrigatoriamente necessárias para manter as corretas relações de concordância no período a seguir, retirado do texto, caso substituíssemos o vocábulo “palavras” por sua forma no singular.

“As palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe”.
 

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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando os trechos a seguir, retirados do texto, assinale a alternativa em que a palavra sublinhada NÃO seja um pronome indefinido.
 

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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando a palavra “deslumbramento”, presente no trecho abaixo, retirado do texto, analise as assertivas a seguir:

“Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento diante da linguagem”.

I. Foi formada por derivação prefixal, a partir da adição do prefixo “des-”.
II. Apresenta, em sua estrutura, dois encontros consonantais e dois dígrafos.
III. Poderia ser substituída por “encantamento” pela proximidade de sentido.

Quais estão corretas?
 

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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta uma palavra ou expressão que poderia substituir corretamente “fazer alarde” no trecho a seguir, retirado do texto, sem causar alterações significativas ao sentido no contexto em que ocorre.

“As palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe”.
 

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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas dos trechos a seguir, retirados do texto:

• “Não apenas suas ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor”.
• “Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece depois da última página”.
• “Escapam das mãos de quem ___ escreveu”.
 

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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta um trecho do texto cujo sentido seja o mais próximo ao que é expresso em “faz bem perceber que há relação entre uma criação e seu criador”.
 

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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:

I. No contexto em que aparece no texto, dizer que “Há versos que nunca envelhecem” equivale a dizer que os versos seguem impactando leitores de diferentes gerações.
II. Considerando a descrição apresentada do poeta Elias José, pode-se inferir que seus livros e seus gestos tinham características em comum.
III. A escrita de Mia Couto só foi compreendida e sentida pela autora após um encontro pessoal com o escritor no qual ele abordou seus pontos de vista.

Quais estão corretas?
 

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4228714 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Água Doce-SC

A saudade é azul

Por Adriana Antunes

Abro as janelas e os dias seguem cinzas. Confesso que já gostei mais de dias assim. Hoje

prefiro claridade e calor. Prefiro azul. O mundo é azul nas .... . Dias atrás relembrei um

ensinamento do tempo da escola, mas que havia esquecido, de que não existe céu. O céu é

apenas um fenômeno. Esse azul que vemos é a luz que se perdeu. É a ponta azul do espectro

que vemos. Mas a parte científica não tem poesia. Os dias azuis são mais oníricos e

melancólicos, pois nos remetem aos lugares mais distantes. O azul é a cor da saudade das

distâncias que nunca alcançaremos. O azul é a distância entre nós.

Tenho lido Simone Weil, volta e meia. E ela diz, numa de suas explicações filosóficas, que

aqueles que não se amam nunca se separam. Daí, penso neste azul que nos separa de amigos

queridos. Estamos todos carentes de amizades. Todos sem tempo e sem espaço para uma

conversa. Há um azul que nos distancia da adolescência, quando viver só fazia sentido se

compartilhado com os amigos. Depois, em algum ponto da vida adulta, isso se perde. Um azul

.... nos separa de quem fomos. Nos separa uns dos outros também. Talvez eu esteja

melancolicamente azul nesta crônica. O longe se infiltra mesmo que estejamos próximos.

Afinal, nós também mal conhecemos nossas distâncias e profundezas. Assim, vestimos lonjuras

e nos mantemos distantes, sejam por coisas ditas ou não ditas.

Minha casa de infância era azul. Uma casa que não existe mais e até mesmo em sonhos

ela começa a desaparecer. Deve ser a idade. Nunca estive tão longe do começo. Guardo a

imagem como uma memória cintilante na cianotipia do tempo. Vejo algumas fotos daquela

época e o longe se torna perto, ao mesmo tempo que os dois não são o mesmo lugar. Os dias

cinzas se sucedem e eu me lembro do azul do mar.

Uma vez, numa época complicada, estava dentro do mar e senti como se eu fizesse parte

do todo. Uma sensação estranha e sem vocabulário. Para Deleuze, que tanto amo, um devir.

Há coisas em nós que são um mistério insondável e tentar explicar não reproduz os abismos.

Há quem ainda prefira o inverno, assim como o eu de antes. Hoje atravesso a estação ___

espera do azul. E pensar que ele nem começou ainda. Eu nasci no inverno. Mas o azul da

distância só vem com o tempo, com a descoberta da tristeza, da melancolia, da perda. A

saudade é feita de .... do tempo. E é azul. Lembro de meus amigos que ___ tempos não vejo,

não abraço. Mas como diz Rebeca Solnit, certos afetos só continuam existindo em nós enquanto

perdidos e outros não se perdem porque permanecem distantes.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2026/06/a-saudade-e-azul-cmqfm2azy009p012tf5834oau.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho “Daí, penso neste azul que nos separa de amigos queridos”, retirado do texto, são palavras que pertencem à classe dos pronomes, EXCETO:
 

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4228713 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Água Doce-SC

A saudade é azul

Por Adriana Antunes

Abro as janelas e os dias seguem cinzas. Confesso que já gostei mais de dias assim. Hoje

prefiro claridade e calor. Prefiro azul. O mundo é azul nas .... . Dias atrás relembrei um

ensinamento do tempo da escola, mas que havia esquecido, de que não existe céu. O céu é

apenas um fenômeno. Esse azul que vemos é a luz que se perdeu. É a ponta azul do espectro

que vemos. Mas a parte científica não tem poesia. Os dias azuis são mais oníricos e

melancólicos, pois nos remetem aos lugares mais distantes. O azul é a cor da saudade das

distâncias que nunca alcançaremos. O azul é a distância entre nós.

Tenho lido Simone Weil, volta e meia. E ela diz, numa de suas explicações filosóficas, que

aqueles que não se amam nunca se separam. Daí, penso neste azul que nos separa de amigos

queridos. Estamos todos carentes de amizades. Todos sem tempo e sem espaço para uma

conversa. Há um azul que nos distancia da adolescência, quando viver só fazia sentido se

compartilhado com os amigos. Depois, em algum ponto da vida adulta, isso se perde. Um azul

.... nos separa de quem fomos. Nos separa uns dos outros também. Talvez eu esteja

melancolicamente azul nesta crônica. O longe se infiltra mesmo que estejamos próximos.

Afinal, nós também mal conhecemos nossas distâncias e profundezas. Assim, vestimos lonjuras

e nos mantemos distantes, sejam por coisas ditas ou não ditas.

Minha casa de infância era azul. Uma casa que não existe mais e até mesmo em sonhos

ela começa a desaparecer. Deve ser a idade. Nunca estive tão longe do começo. Guardo a

imagem como uma memória cintilante na cianotipia do tempo. Vejo algumas fotos daquela

época e o longe se torna perto, ao mesmo tempo que os dois não são o mesmo lugar. Os dias

cinzas se sucedem e eu me lembro do azul do mar.

Uma vez, numa época complicada, estava dentro do mar e senti como se eu fizesse parte

do todo. Uma sensação estranha e sem vocabulário. Para Deleuze, que tanto amo, um devir.

Há coisas em nós que são um mistério insondável e tentar explicar não reproduz os abismos.

Há quem ainda prefira o inverno, assim como o eu de antes. Hoje atravesso a estação ___

espera do azul. E pensar que ele nem começou ainda. Eu nasci no inverno. Mas o azul da

distância só vem com o tempo, com a descoberta da tristeza, da melancolia, da perda. A

saudade é feita de .... do tempo. E é azul. Lembro de meus amigos que ___ tempos não vejo,

não abraço. Mas como diz Rebeca Solnit, certos afetos só continuam existindo em nós enquanto

perdidos e outros não se perdem porque permanecem distantes.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2026/06/a-saudade-e-azul-cmqfm2azy009p012tf5834oau.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta um trecho que pode ser transposto para a voz passiva.
 

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Questão presente nas seguintes provas
4228712 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Água Doce-SC

A saudade é azul

Por Adriana Antunes

Abro as janelas e os dias seguem cinzas. Confesso que já gostei mais de dias assim. Hoje

prefiro claridade e calor. Prefiro azul. O mundo é azul nas .... . Dias atrás relembrei um

ensinamento do tempo da escola, mas que havia esquecido, de que não existe céu. O céu é

apenas um fenômeno. Esse azul que vemos é a luz que se perdeu. É a ponta azul do espectro

que vemos. Mas a parte científica não tem poesia. Os dias azuis são mais oníricos e

melancólicos, pois nos remetem aos lugares mais distantes. O azul é a cor da saudade das

distâncias que nunca alcançaremos. O azul é a distância entre nós.

Tenho lido Simone Weil, volta e meia. E ela diz, numa de suas explicações filosóficas, que

aqueles que não se amam nunca se separam. Daí, penso neste azul que nos separa de amigos

queridos. Estamos todos carentes de amizades. Todos sem tempo e sem espaço para uma

conversa. Há um azul que nos distancia da adolescência, quando viver só fazia sentido se

compartilhado com os amigos. Depois, em algum ponto da vida adulta, isso se perde. Um azul

.... nos separa de quem fomos. Nos separa uns dos outros também. Talvez eu esteja

melancolicamente azul nesta crônica. O longe se infiltra mesmo que estejamos próximos.

Afinal, nós também mal conhecemos nossas distâncias e profundezas. Assim, vestimos lonjuras

e nos mantemos distantes, sejam por coisas ditas ou não ditas.

Minha casa de infância era azul. Uma casa que não existe mais e até mesmo em sonhos

ela começa a desaparecer. Deve ser a idade. Nunca estive tão longe do começo. Guardo a

imagem como uma memória cintilante na cianotipia do tempo. Vejo algumas fotos daquela

época e o longe se torna perto, ao mesmo tempo que os dois não são o mesmo lugar. Os dias

cinzas se sucedem e eu me lembro do azul do mar.

Uma vez, numa época complicada, estava dentro do mar e senti como se eu fizesse parte

do todo. Uma sensação estranha e sem vocabulário. Para Deleuze, que tanto amo, um devir.

Há coisas em nós que são um mistério insondável e tentar explicar não reproduz os abismos.

Há quem ainda prefira o inverno, assim como o eu de antes. Hoje atravesso a estação ___

espera do azul. E pensar que ele nem começou ainda. Eu nasci no inverno. Mas o azul da

distância só vem com o tempo, com a descoberta da tristeza, da melancolia, da perda. A

saudade é feita de .... do tempo. E é azul. Lembro de meus amigos que ___ tempos não vejo,

não abraço. Mas como diz Rebeca Solnit, certos afetos só continuam existindo em nós enquanto

perdidos e outros não se perdem porque permanecem distantes.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2026/06/a-saudade-e-azul-cmqfm2azy009p012tf5834oau.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as classes de palavras às respectivas ocorrências da palavra “azul” nos trechos a seguir, retirados do texto.

Coluna 1

1. Substantivo.
2. Adjetivo.

Coluna 2

( ) “Minha casa de infância era azul”.
( ) “Esse azul que vemos é a luz que se perdeu”.
( ) “É a ponta azul do espectro que vemos”.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
 

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