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4273913 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Saquarema-RJ

Texto: O PRIMEIRO TRILIONÁRIO E A ILUSÃO DA RIQUEZA SEM PRODUÇÃO


Jean Paul Prates


A notícia de que Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história tem força simbólica suficiente para merecer mais do que admiração ou repulsa. Ela exige reflexão. Não apenas porque se trata de uma fortuna jamais alcançada individualmente, mas porque a forma como esse marco foi celebrado revela algo profundo sobre o espírito econômico do nosso tempo. A marca de US$ 1 trilhão não foi recebida apenas como um dado financeiro. Foi apresentada, por muitos, como uma espécie de consagração histórica da nova economia, da ousadia empreendedora e da supremacia dos ativos sobre o trabalho.

É preciso reconhecer, desde logo, que Musk não é um rentista convencional. Suas empresas mudaram setores inteiros, desafiaram monopólios tecnológicos, aceleraram a eletrificação automotiva, reduziram custos de acesso ao espaço e criaram modelos industriais que muitos julgavam improváveis. A SpaceX, em especial, é uma realização empresarial e tecnológica extraordinária. Nada disso deve ser diminuído. O problema começa quando a celebração do empreendedor inovador se transforma em culto à desigualdade crescente e quando a valorização patrimonial passa a ser tratada como medida suficiente de progresso civilizatório.

A fortuna de Musk não está em salário, nem em caixa pessoal, nem na remuneração direta pelo trabalho. Está fundamentalmente em participação acionária. [...]

Seu patrimônio decorre do valor de mercado atribuído às fatias que detém em empresas como SpaceX e Tesla. Esse detalhe é central, porque ajuda a compreender uma das grandes transformações econômicas das últimas décadas: a financeirização. Em termos simples, financeirização é o processo pelo qual ativos financeiros, expectativas de mercado e valorização patrimonial passam a comandar a lógica da economia real.

A empresa deixa de ser avaliada apenas por aquilo que produz, pelos empregos que gera, pelos lucros que entrega ou pela infraestrutura que constrói. Ela passa a ser medida, cada vez mais, pela expectativa de valor futuro que o mercado decide antecipar no presente.

Esse movimento não é necessariamente negativo. O mercado de capitais tem papel indispensável no financiamento da inovação. Muitas tecnologias de alto risco não sairiam do papel se dependessem apenas do lucro corrente ou do crédito tradicional. Foguetes reutilizáveis, constelações de satélites, veículos elétricos, inteligência artificial, semicondutores avançados e novas plataformas energéticas exigem capital paciente, disposição para risco e confiança em retornos futuros. Sem essa capacidade de financiar o ainda inexistente, a inovação andaria mais devagar.

O problema está na inversão de hierarquia. Uma coisa é usar o capital financeiro para viabilizar a produção, a tecnologia e a infraestrutura. Outra, bem diferente, é tratar a valorização financeira como finalidade última da economia. Quando isso acontece, o mercado deixa de ser instrumento e passa a ser altar. A riqueza deixa de ser compreendida como resultado de uma capacidade produtiva efetiva e passa a ser admirada como fenômeno autônomo, quase mágico, desconectado do mundo físico.

Essa é a parte nefelibata da celebração. É fantasioso imaginar que uma sociedade pode viver indefinidamente de valorizações patrimoniais, múltiplos de mercado e expectativas futuras, como se a produção tangível fosse uma etapa menor, quase vulgar, da economia. Ações não geram energia elétrica. Títulos financeiros não fabricam baterias. Avaliações bilionárias não constroem ferrovias, portos, refinarias, data centers, satélites, cabos submarinos ou redes de transmissão.

A economia financeira pode antecipar valor, organizar risco e multiplicar oportunidades. Mas ela não substitui a economia real. No fim, toda riqueza financeira precisa estar ancorada em alguma capacidade concreta de produzir, operar, transportar, transformar e entregar. [...]

Fonte: https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2026/06/10 59977-o-primeiro-trilionario-e-a-ilusao-da-riqueza-sem producao.html. Acesso em 18/06/2026. Excerto

“Esse movimento não é necessariamente negativo” (6º parágrafo). A expressão em destaque, no texto, retoma a ideia de que:
 

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4273912 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Saquarema-RJ

Texto: O PRIMEIRO TRILIONÁRIO E A ILUSÃO DA RIQUEZA SEM PRODUÇÃO


Jean Paul Prates


A notícia de que Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história tem força simbólica suficiente para merecer mais do que admiração ou repulsa. Ela exige reflexão. Não apenas porque se trata de uma fortuna jamais alcançada individualmente, mas porque a forma como esse marco foi celebrado revela algo profundo sobre o espírito econômico do nosso tempo. A marca de US$ 1 trilhão não foi recebida apenas como um dado financeiro. Foi apresentada, por muitos, como uma espécie de consagração histórica da nova economia, da ousadia empreendedora e da supremacia dos ativos sobre o trabalho.

É preciso reconhecer, desde logo, que Musk não é um rentista convencional. Suas empresas mudaram setores inteiros, desafiaram monopólios tecnológicos, aceleraram a eletrificação automotiva, reduziram custos de acesso ao espaço e criaram modelos industriais que muitos julgavam improváveis. A SpaceX, em especial, é uma realização empresarial e tecnológica extraordinária. Nada disso deve ser diminuído. O problema começa quando a celebração do empreendedor inovador se transforma em culto à desigualdade crescente e quando a valorização patrimonial passa a ser tratada como medida suficiente de progresso civilizatório.

A fortuna de Musk não está em salário, nem em caixa pessoal, nem na remuneração direta pelo trabalho. Está fundamentalmente em participação acionária. [...]

Seu patrimônio decorre do valor de mercado atribuído às fatias que detém em empresas como SpaceX e Tesla. Esse detalhe é central, porque ajuda a compreender uma das grandes transformações econômicas das últimas décadas: a financeirização. Em termos simples, financeirização é o processo pelo qual ativos financeiros, expectativas de mercado e valorização patrimonial passam a comandar a lógica da economia real.

A empresa deixa de ser avaliada apenas por aquilo que produz, pelos empregos que gera, pelos lucros que entrega ou pela infraestrutura que constrói. Ela passa a ser medida, cada vez mais, pela expectativa de valor futuro que o mercado decide antecipar no presente.

Esse movimento não é necessariamente negativo. O mercado de capitais tem papel indispensável no financiamento da inovação. Muitas tecnologias de alto risco não sairiam do papel se dependessem apenas do lucro corrente ou do crédito tradicional. Foguetes reutilizáveis, constelações de satélites, veículos elétricos, inteligência artificial, semicondutores avançados e novas plataformas energéticas exigem capital paciente, disposição para risco e confiança em retornos futuros. Sem essa capacidade de financiar o ainda inexistente, a inovação andaria mais devagar.

O problema está na inversão de hierarquia. Uma coisa é usar o capital financeiro para viabilizar a produção, a tecnologia e a infraestrutura. Outra, bem diferente, é tratar a valorização financeira como finalidade última da economia. Quando isso acontece, o mercado deixa de ser instrumento e passa a ser altar. A riqueza deixa de ser compreendida como resultado de uma capacidade produtiva efetiva e passa a ser admirada como fenômeno autônomo, quase mágico, desconectado do mundo físico.

Essa é a parte nefelibata da celebração. É fantasioso imaginar que uma sociedade pode viver indefinidamente de valorizações patrimoniais, múltiplos de mercado e expectativas futuras, como se a produção tangível fosse uma etapa menor, quase vulgar, da economia. Ações não geram energia elétrica. Títulos financeiros não fabricam baterias. Avaliações bilionárias não constroem ferrovias, portos, refinarias, data centers, satélites, cabos submarinos ou redes de transmissão.

A economia financeira pode antecipar valor, organizar risco e multiplicar oportunidades. Mas ela não substitui a economia real. No fim, toda riqueza financeira precisa estar ancorada em alguma capacidade concreta de produzir, operar, transportar, transformar e entregar. [...]

Fonte: https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2026/06/10 59977-o-primeiro-trilionario-e-a-ilusao-da-riqueza-sem producao.html. Acesso em 18/06/2026. Excerto

Ao reconhecer as realizações empresariais de Elon Musk antes de apresentar sua crítica (2º parágrafo), o autor procura:
 

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4273911 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBAM
Orgão: Pref. Saquarema-RJ

Texto: O PRIMEIRO TRILIONÁRIO E A ILUSÃO DA RIQUEZA SEM PRODUÇÃO


Jean Paul Prates


A notícia de que Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história tem força simbólica suficiente para merecer mais do que admiração ou repulsa. Ela exige reflexão. Não apenas porque se trata de uma fortuna jamais alcançada individualmente, mas porque a forma como esse marco foi celebrado revela algo profundo sobre o espírito econômico do nosso tempo. A marca de US$ 1 trilhão não foi recebida apenas como um dado financeiro. Foi apresentada, por muitos, como uma espécie de consagração histórica da nova economia, da ousadia empreendedora e da supremacia dos ativos sobre o trabalho.

É preciso reconhecer, desde logo, que Musk não é um rentista convencional. Suas empresas mudaram setores inteiros, desafiaram monopólios tecnológicos, aceleraram a eletrificação automotiva, reduziram custos de acesso ao espaço e criaram modelos industriais que muitos julgavam improváveis. A SpaceX, em especial, é uma realização empresarial e tecnológica extraordinária. Nada disso deve ser diminuído. O problema começa quando a celebração do empreendedor inovador se transforma em culto à desigualdade crescente e quando a valorização patrimonial passa a ser tratada como medida suficiente de progresso civilizatório.

A fortuna de Musk não está em salário, nem em caixa pessoal, nem na remuneração direta pelo trabalho. Está fundamentalmente em participação acionária. [...]

Seu patrimônio decorre do valor de mercado atribuído às fatias que detém em empresas como SpaceX e Tesla. Esse detalhe é central, porque ajuda a compreender uma das grandes transformações econômicas das últimas décadas: a financeirização. Em termos simples, financeirização é o processo pelo qual ativos financeiros, expectativas de mercado e valorização patrimonial passam a comandar a lógica da economia real.

A empresa deixa de ser avaliada apenas por aquilo que produz, pelos empregos que gera, pelos lucros que entrega ou pela infraestrutura que constrói. Ela passa a ser medida, cada vez mais, pela expectativa de valor futuro que o mercado decide antecipar no presente.

Esse movimento não é necessariamente negativo. O mercado de capitais tem papel indispensável no financiamento da inovação. Muitas tecnologias de alto risco não sairiam do papel se dependessem apenas do lucro corrente ou do crédito tradicional. Foguetes reutilizáveis, constelações de satélites, veículos elétricos, inteligência artificial, semicondutores avançados e novas plataformas energéticas exigem capital paciente, disposição para risco e confiança em retornos futuros. Sem essa capacidade de financiar o ainda inexistente, a inovação andaria mais devagar.

O problema está na inversão de hierarquia. Uma coisa é usar o capital financeiro para viabilizar a produção, a tecnologia e a infraestrutura. Outra, bem diferente, é tratar a valorização financeira como finalidade última da economia. Quando isso acontece, o mercado deixa de ser instrumento e passa a ser altar. A riqueza deixa de ser compreendida como resultado de uma capacidade produtiva efetiva e passa a ser admirada como fenômeno autônomo, quase mágico, desconectado do mundo físico.

Essa é a parte nefelibata da celebração. É fantasioso imaginar que uma sociedade pode viver indefinidamente de valorizações patrimoniais, múltiplos de mercado e expectativas futuras, como se a produção tangível fosse uma etapa menor, quase vulgar, da economia. Ações não geram energia elétrica. Títulos financeiros não fabricam baterias. Avaliações bilionárias não constroem ferrovias, portos, refinarias, data centers, satélites, cabos submarinos ou redes de transmissão.

A economia financeira pode antecipar valor, organizar risco e multiplicar oportunidades. Mas ela não substitui a economia real. No fim, toda riqueza financeira precisa estar ancorada em alguma capacidade concreta de produzir, operar, transportar, transformar e entregar. [...]

Fonte: https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2026/06/10 59977-o-primeiro-trilionario-e-a-ilusao-da-riqueza-sem producao.html. Acesso em 18/06/2026. Excerto

A posição defendida pelo autor ao longo do texto está adequadamente expressa na afirmação de que:
 

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4273860 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Legalle
Orgão: Pref. Marques Souza-RS
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Para responder à questão, leia a charge abaixo.



Enunciado 4649736-1

Fonte: UMBRASIL

No terceiro quadrinho da charge, a "mesa" é feita de um tronco de árvore derrubado. Diante disso, assinale a alternativa que apresenta apenas palavras pertencentes à mesma família lexical (família de palavras) do substantivo árvore.
 

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4273859 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Legalle
Orgão: Pref. Marques Souza-RS
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Para responder à questão, leia a charge abaixo.



Enunciado 4649735-1

Fonte: UMBRASIL

No primeiro quadrinho, a expressão sentar à mesa é utilizada em sentido figurado. No contexto das discussões representadas na charge, essa expressão assume o significado de:
 

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4273858 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Legalle
Orgão: Pref. Marques Souza-RS
Provas:

Para responder à questão, leia a charge abaixo.



Enunciado 4649734-1

Fonte: UMBRASIL

Na fala do personagem, encontramos a palavra climáticas. De acordo com as regras de acentuação do sistema ortográfico oficial vigente, esse termo recebe acento gráfico porque:
 

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4273857 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Legalle
Orgão: Pref. Marques Souza-RS
Provas:

Para responder à questão, leia a charge abaixo.



Enunciado 4649733-1

Fonte: UMBRASIL

A crítica central que a charge constrói na sequência de seus três quadros baseia-se em:
 

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4273856 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Legalle
Orgão: Pref. Marques Souza-RS
Provas:

Para responder à questão, leia a charge abaixo.

Enunciado 4649716-1

Fonte: UMBRASIL

Na palavra aquecimento, a divisão silábica e a classificação da sílaba tônica estão CORRETAS em qual alternativa?
 

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4273800 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IDCAP
Orgão: Pref. Itupeva-SP
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O papel das cores nas aranhas
Quando se fala de coloração animal, provavelmente os exemplos mais populares são camaleões, que mudam de cor e se camuflam, ou aves que fazem danças exuberantes. Mas, quando o assunto são aranhas, é pouco provável que a cor delas seja a primeira característica que venha à mente.
No entanto, há muitos exemplos de aranhas com cores chamativas (ao menos, aos nossos olhos) e com funções fantásticas. Essas colorações podem, por exemplo, atrair presas, evitar predação, chamar a atenção de parceiros e controlar a temperatura corporal.
Algumas espécies de aranha da família Araneidae, que dependem de os insetos ficarem presos em suas teias para se alimentarem, são amarelas.
Essa característica levou os cientistas a se questionarem sobre o porquê de essas espécies terem essa cor. Principal hipótese: essa coloração imita a cor de flores, atraindo, assim, insetos polinizadores, os quais, de longe, não são capazes de diferenciar a aranha de uma flor.
Resultado: o inseto acaba caindo na teia e virando alimento para a aranha.
Então, ter coloração amarela seria uma estratégia evolutiva de aranhas que imitam flores? Nem sempre. Talvez, isso possa ajudá-las a não serem vistas por suas presas. Soa estranho, não? Afinal, amarelo é uma cor chamativa na natureza, e estamos acostumados a associar camuflagem a cores mais apagadas ou escuras, como um padrão esverdeado, cinza ou marrom.
Estratégias de camuflagem não são definidas por cores específicas, mas, sim, pela semelhança de cor entre o corpo do animal e o local onde ele se encontra. Seja em folhas (decompostas ou não) ou galhos, seja em frutos ou flores, animais camuflados diminuem a chance de serem vistos tanto por suas presas quanto seus predadores, por se assemelharem a algum desses 'fundos'.
Aranhas da família Thomisidae, por exemplo, ficam em flores de diferentes cores e podem mudar de coloração conforme o local onde estão. Mas essa alteração ocorre lentamente, podendo levar dias. Na França, em 2002, pesquisadores, por meio de estimativas matemáticas, viram que aranhas da espécie Thomisus onustus, nativas da Eurásia e África, podiam se camuflar em flores de cor rosa, minimizando a probabilidade de detecção por aves que as predam, e essa observação também vale para aranhas amarelas em flores amarelas.
"No entanto, há muitos exemplos de aranhas com cores chamativas (ao menos, aos nossos olhos) e com funções fantásticas."
Considerando as regras de concordância, analise as reescritas a seguir e assinale a alternativa que apresenta erro de concordância.
 

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4273799 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IDCAP
Orgão: Pref. Itupeva-SP
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O papel das cores nas aranhas
Quando se fala de coloração animal, provavelmente os exemplos mais populares são camaleões, que mudam de cor e se camuflam, ou aves que fazem danças exuberantes. Mas, quando o assunto são aranhas, é pouco provável que a cor delas seja a primeira característica que venha à mente.
No entanto, há muitos exemplos de aranhas com cores chamativas (ao menos, aos nossos olhos) e com funções fantásticas. Essas colorações podem, por exemplo, atrair presas, evitar predação, chamar a atenção de parceiros e controlar a temperatura corporal.
Algumas espécies de aranha da família Araneidae, que dependem de os insetos ficarem presos em suas teias para se alimentarem, são amarelas.
Essa característica levou os cientistas a se questionarem sobre o porquê de essas espécies terem essa cor. Principal hipótese: essa coloração imita a cor de flores, atraindo, assim, insetos polinizadores, os quais, de longe, não são capazes de diferenciar a aranha de uma flor.
Resultado: o inseto acaba caindo na teia e virando alimento para a aranha.
Então, ter coloração amarela seria uma estratégia evolutiva de aranhas que imitam flores? Nem sempre. Talvez, isso possa ajudá-las a não serem vistas por suas presas. Soa estranho, não? Afinal, amarelo é uma cor chamativa na natureza, e estamos acostumados a associar camuflagem a cores mais apagadas ou escuras, como um padrão esverdeado, cinza ou marrom.
Estratégias de camuflagem não são definidas por cores específicas, mas, sim, pela semelhança de cor entre o corpo do animal e o local onde ele se encontra. Seja em folhas (decompostas ou não) ou galhos, seja em frutos ou flores, animais camuflados diminuem a chance de serem vistos tanto por suas presas quanto seus predadores, por se assemelharem a algum desses 'fundos'.
Aranhas da família Thomisidae, por exemplo, ficam em flores de diferentes cores e podem mudar de coloração conforme o local onde estão. Mas essa alteração ocorre lentamente, podendo levar dias. Na França, em 2002, pesquisadores, por meio de estimativas matemáticas, viram que aranhas da espécie Thomisus onustus, nativas da Eurásia e África, podiam se camuflar em flores de cor rosa, minimizando a probabilidade de detecção por aves que as predam, e essa observação também vale para aranhas amarelas em flores amarelas.
Com base nas informações veiculadas no texto, julgue as afirmativas a seguir:
I.Depreende-se do texto que a associação, frequente no imaginário popular, entre camuflagem e cores apagadas ou escuras não encontra respaldo necessário nos mecanismos reais que definem esse tipo de estratégia na natureza.

II.Segundo o texto, a mudança de coloração observada em aranhas da família Thomisidae ocorre de forma comparável, em termos de velocidade, à mudança de cor característica dos camaleões mencionados no início do texto.

III.O estudo realizado na França em 2002, mencionado no texto, permite estender a mesma lógica de camuflagem observada em aranhas de coloração rosa para o caso de aranhas amarelas situadas sobre flores da mesma cor.

IV.A presença de cores chamativas não impede, necessariamente, que um animal esteja camuflado.


Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas.
 

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