Foram encontradas 354.959 questões.
Analise as concordâncias nominais feitas nas construções a seguir:
I.Nem uma nem outra justificativa é válida porque você sempre mente.
II.Elas próprias fizeram o roteiro da viagem e planejaram a travessia de barco da costa brasileira à costa africana.
III.Dado a circunstância meteorológica, adiaram a saída do porto por dois dias.
Está correta a concordância nominal em:
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Mobilizando conhecimentos prévios, analise o excerto e as sentenças. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
[...] A gente cresce ouvindo que precisa ter um plano. Plano de carreira. Plano financeiro. Plano de Saúde. Plano A, B e, se possível, um C para garantir. A vida adulta parece um grande projeto estratégico em que prever é sinônimo de segurança. Mas e quando o imprevisto chega antes de a planilha fechar?
Aceitar a incerteza, talvez, seja o maior exercício da maturidade. Não porque gostamos do caos, mas porque finalmente entendemos que a vida não cabe inteira no nosso planejamento. Ainda bem, porque as informações que temos são insuficientes para elaborarmos todas as possibilidades que só surgem quando algo desvia do planejado. [...]
Aceitar a incerteza não significa cruzar os braços diante da vida e, sim, continuar fazendo planos, mas com a consciência de que ajustes fazem parte do percurso. Quando entendemos isso, algo se suaviza. A pressão diminui. O erro deixa de ser catástrofe e passa a ser um dado. O "não era o que eu queria" se transforma em "o que posso fazer com isso?" [...].
(Alexandre Coimbra Amaral. https://vidasimples.co/colunista/o-que-posso-fazer-com-isso-agora/. Acesso em: 06 abr. 2026. Adaptado.)
( ) De acordo com o autor, incerteza e maturidade caminham juntas, uma vez que, ainda que o sujeito planeje sua vida, desvios e imprevistos são possíveis. A maturidade é demonstrada na forma como se lida com os imprevistos, com as incertezas.
( ) No terceiro parágrafo, a palavra "quando" funciona como uma conjunção, introduzindo a oração subordinada "Quando entendemos isso". Ela estabelece um sentido de concomitância de fatos entre a oração subordinada e a principal e assume o valor semântico das conjunções proporcionais: À medida que entendemos isso, algo se suaviza.
( ) O trecho sublinhado poderia também ser estruturado assim: "Quando entendemos isso, algo se suaviza, a pressão diminui, o erro deixa de ser catástrofe e passa a ser um dado".
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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Analise as sentenças a seguir quanto à concordância verbal:
I.Vinha pela trilha ela, o irmão e eu. Sozinhos e com medo.
II.Tanto ela quanto o irmão estavam exaustos, mas não havia o que fazer. Era preciso seguir adiante.
III.Cada uma das pessoas inscritas deve cuidar de seus pertences durante a trilha.
IV.Mais de uma pessoa tem defendido nossas atividades. São importantes para elas.
Está correta a concordância dos verbos destacados em:
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Leia o texto a seguir:
Desigualdade racial nas universidades ainda persiste
Apesar dos avanços proporcionados pela Lei de Cotas, a equiparação educacional entre negros e brancos está longe de se concretizar, de acordo com um estudo do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra), lançado em novembro de 2025.
Baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estudo revelou que apenas 14,9% das mulheres negras acima de 25 anos concluíram o ensino superior. Em contraste, a proporção de mulheres brancas com diploma é o dobro, 30,3% em 2023.
As cotas, entretanto, estão ajudando a virar esse jogo: os estudantes negros passam de minoria em 2014 para maioria no ensino superior em 2019, é o que mostra o Censo da Educação Superior de 2019.
(Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2026/03/31/movimentos-populares-se-reunem-em-sp-para-defender-ampliacao-das-cotas-raciais-nas-universidades/. Acesso em: 06 abr. 2026. Adaptado.)
Analise o texto e as sentenças a seguir:
I.No texto, há a expressão "esse jogo". O pronome demonstrativo e o substantivo têm como referente informações já apresentadas, possibilitando, na articulação das ideias, tanto retomar algo já posto (localizando o leitor), quando introduzir uma ideia nova (ampliando as informações). A expressão "esse jogo" refere-se à "equiparação educacional entre negros e brancos está longe de se concretizar", apresentada no primeiro parágrafo. É desse jogo que se trata.
II.O primeiro parágrafo inicia-se com a locução prepositiva "apesar de", introduzindo uma oração subordinada concessiva, isto é, introduz uma ideia em que se exprime um fato contrário à ideia da oração principal, mas incapaz de impedi-la.
III.A partir da leitura do texto e analisando as construções textuais, é correto afirmar que o sistema de cotas trouxe avanços para combater a desigualdade entre pessoas negras e brancas no ensino superior, porém, esses avanços são insuficientes e comprovam a ineficácia da Lei de Cotas.
Está correto o que se afirma em:
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O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 4.
Unicef alerta para prejuízos da falta de acesso à água nas escolas
Situação melhorou em 2025, mas ainda afeta 75 mil estudantes
O número de escolas públicas ativas sem acesso à água caiu pela metade de 2024 para 2025, segundo dados divulgados em fevereiro pelo Censo Escolar, mas ainda restaram 1.203 escolas em que cerca de 75 mil estudantes não têm a garantia desse direito.
Às vésperas do Dia Mundial da Água, celebrado no próximo domingo (22), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) defende apoio institucional às localidades para superar esse problema, destacando os impactos à higiene, à saúde, à qualidade da merenda escolar, à dignidade menstrual e a outros pontos essenciais para um bom aprendizado.
O Unicef ressalta que a situação é mais grave nas zonas rurais, onde estão localizadas 96% das escolas desabastecidas. De acordo com o oficial de Água, Saneamento e Higiene do fundo das Nações Unidas (ONU) no Brasil, Rodrigo Resende, esse é um déficit histórico que reflete os desafios para a implementação de políticas públicas nos municípios, especialmente na Amazônia e no Semiárido.
Resende recomenda que, para resolver o problema, é preciso uma soma de esforços de entes federativos e instituições para apoiar os territórios, ampliando os investimentos e fortalecendo a capacitação de técnicos e lideranças locais.
O engajamento e a participação ativa das comunidades são essenciais, complementa o oficial do Unicef, que também defendeu soluções que respeitem as especificidades locais e priorizem fontes renováveis de energia.
Disparidades
Com o avanço no fornecimento de água no ano passado, mais de 100 mil estudantes passaram a acessar esse direito. Em 2024, 179 mil não tinham acesso à água em 2.512 escolas públicas, número que caiu para 75 mil no ano passado.
O perfil dos que continuam sem acesso a esse direito mostra disparidades sociais e raciais. Alunos negros são maioria nas escolas sem acesso à água, e havia também uma proporção relevante de crianças e adolescentes indígenas.
Resende também pontua que as mulheres e as meninas estão mais vulneráveis à falta ou precariedade do acesso à água, especialmente durante o período menstrual. O Fundo das Nações Unidas acredita que a falta de água acaba afastando as meninas da sala de aula nesses dias, ou obrigando as alunas a saírem do ambiente escolar em busca de um banheiro adequado, o que atrapalha seu aprendizado e aumenta a exposição a violências.
Além de dificultar o consumo de água e a higiene dos alunos, o desabastecimento também impacta a preparação dos alimentos para a merenda escolar. Esses três pontos são considerados fundamentais pelo Unicef para promover a saúde e o bem-estar de crianças e adolescentes na escola.
No ano passado, a organização desenvolveu ações como a instalação de sistemas de abastecimento de água movidos à energia solar no Amazonas e a ampliação dos sistemas que atendem ao território Yanomami, em Roraima. Mas a principal atuação do Fundo é o apoio a gestores, para fortalecer políticas públicas.
(https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-03/unicef-alerta-para-prejuizos-da-falta-de-acesso-agua-nas-escolas. Acesso em: 02 abr. 2026.)
Leia as assertivas e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas. De acordo com o texto:
( ) Entre as escolas públicas do Brasil, 50% ainda não tem acesso à água, atingindo cerca de 75 mil estudantes em todo o território nacional.
( ) A aprendizagem das estudantes fica comprometida em escolas com escassez ou falta de água porque a sua dignidade é afetada em dias de menstruação, inclusive colocando-as em mais risco de sofrerem violência.
( ) Para o Unicef, são aspectos fundamentais na promoção da saúde e do bem-estar dos estudantes no ambiente escolar o acesso à água para consumo, para a higiene dos estudantes e para a preparação das refeições.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 4.
Unicef alerta para prejuízos da falta de acesso à água nas escolas
Situação melhorou em 2025, mas ainda afeta 75 mil estudantes
O número de escolas públicas ativas sem acesso à água caiu pela metade de 2024 para 2025, segundo dados divulgados em fevereiro pelo Censo Escolar, mas ainda restaram 1.203 escolas em que cerca de 75 mil estudantes não têm a garantia desse direito.
Às vésperas do Dia Mundial da Água, celebrado no próximo domingo (22), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) defende apoio institucional às localidades para superar esse problema, destacando os impactos à higiene, à saúde, à qualidade da merenda escolar, à dignidade menstrual e a outros pontos essenciais para um bom aprendizado.
O Unicef ressalta que a situação é mais grave nas zonas rurais, onde estão localizadas 96% das escolas desabastecidas. De acordo com o oficial de Água, Saneamento e Higiene do fundo das Nações Unidas (ONU) no Brasil, Rodrigo Resende, esse é um déficit histórico que reflete os desafios para a implementação de políticas públicas nos municípios, especialmente na Amazônia e no Semiárido.
Resende recomenda que, para resolver o problema, é preciso uma soma de esforços de entes federativos e instituições para apoiar os territórios, ampliando os investimentos e fortalecendo a capacitação de técnicos e lideranças locais.
O engajamento e a participação ativa das comunidades são essenciais, complementa o oficial do Unicef, que também defendeu soluções que respeitem as especificidades locais e priorizem fontes renováveis de energia.
Disparidades
Com o avanço no fornecimento de água no ano passado, mais de 100 mil estudantes passaram a acessar esse direito. Em 2024, 179 mil não tinham acesso à água em 2.512 escolas públicas, número que caiu para 75 mil no ano passado.
O perfil dos que continuam sem acesso a esse direito mostra disparidades sociais e raciais. Alunos negros são maioria nas escolas sem acesso à água, e havia também uma proporção relevante de crianças e adolescentes indígenas.
Resende também pontua que as mulheres e as meninas estão mais vulneráveis à falta ou precariedade do acesso à água, especialmente durante o período menstrual. O Fundo das Nações Unidas acredita que a falta de água acaba afastando as meninas da sala de aula nesses dias, ou obrigando as alunas a saírem do ambiente escolar em busca de um banheiro adequado, o que atrapalha seu aprendizado e aumenta a exposição a violências.
Além de dificultar o consumo de água e a higiene dos alunos, o desabastecimento também impacta a preparação dos alimentos para a merenda escolar. Esses três pontos são considerados fundamentais pelo Unicef para promover a saúde e o bem-estar de crianças e adolescentes na escola.
No ano passado, a organização desenvolveu ações como a instalação de sistemas de abastecimento de água movidos à energia solar no Amazonas e a ampliação dos sistemas que atendem ao território Yanomami, em Roraima. Mas a principal atuação do Fundo é o apoio a gestores, para fortalecer políticas públicas.
(https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-03/unicef-alerta-para-prejuizos-da-falta-de-acesso-agua-nas-escolas. Acesso em: 02 abr. 2026.)
Considere o seguinte excerto:
"No ano passado, a organização desenvolveu ações como a instalação de sistemas de abastecimento de água movidos à energia solar no Amazonas e a ampliação dos sistemas que atendem ao território Yanomami, em Roraima. Mas a principal atuação do Fundo é o apoio a gestores, para fortalecer políticas públicas."
Certas conjunções coordenativas podem, no discurso, assumir variados matizes significativos de acordo com a relação que estabelecem entre os membros (palavras e orações) coordenados, isto é, elas podem estabelecer relações de sentido diferentes daquelas tradicionalmente conhecidas. É o caso da conjunção "mas" no excerto.
Apesar de ser adversativa, ou seja, articular ideias com sentidos contrastivos, no excerto, essa conjunção estabelece outra relação de sentido.
Assinale a alternativa que indica corretamente a relação de sentido estabelecida pela conjunção "mas" no excerto:
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Leia o texto e responda às questões de 01 a 10.
A devolução impossível: a epopeia do “só mais um procedimento”
Eu entrei na loja com uma sacola e um sonho pequeno: devolver um produto. Nem queria briga, nem queria drama. Queria paz, estorno e vida seguindo. O produto, um fone “premium”, tinha decidido morrer no terceiro dia. Não foi uma morte trágica. Foi uma morte burocrática. Ele simplesmente parou, como quem bate ponto e some.
Na minha cabeça, a lógica era infantil e perfeita: comprei, não funcionou, devolvo. Na vida real, a lógica vem com rodapé.
A atendente sorriu com a energia de quem já recebeu cem “casos simples” antes do almoço.
— Boa tarde. Em que posso ajudar?
— Quero devolver. Está com defeito.
Ela pegou o fone como se fosse uma prova em tribunal e, sem olhar para mim, perguntou:
— Tem nota?
A nota, claro. O documento sagrado. Eu tirei do bolso com a reverência de quem apresenta identidade.
Ela leu, digitou, clicou e disse a frase que inaugura toda epopeia:
— Então... pela nossa política, a troca é com a assistência.
Eu ouvi “nossa política” e senti que havia entrado numa constituição paralela, com artigos invisíveis e sanções emocionais.
— Mas eu quero devolver.
— Devolver é só em até sete dias e desde que esteja sem uso.
— Eu usei três dias. Para descobrir que não funciona.
Ela sorriu de novo. O sorriso tinha a delicadeza de um carimbo.
— Entendo. Mas o sistema entende diferente.
Quando alguém diz que o sistema entende, você percebe que está discutindo com uma entidade abstrata. E entidades abstratas não têm culpa, não têm rosto e não erram. No máximo, “apresentam instabilidade”.
Eu tentei ser razoável. Fiz a pergunta que sempre parece inocente até virar armadilha:
— E qual é o procedimento?
Ela apontou para um papel. O papel tinha um QR code e uma promessa: “Rápido e fácil”.
— Você abre um chamado.
— Eu abro agora?
— Você abre pelo site.
— E depois?
— Depois aguarda.
— Aguarda quanto?
Ela respirou como quem consulta uma norma não escrita.
— Até quinze dias úteis.
Quinze dias úteis. Tempo suficiente para o fone ressuscitar por remorso ou para eu me acostumar ao silêncio.
Eu tentei outra rota.
— Não dá para resolver aqui?
— Só com laudo.
Laudo. A palavra “laudo” é mágica: ela transforma um fone em paciente e eu em parte interessada. Em dois segundos, eu não era mais cliente. Eu era “demandante”.
— E se o laudo disser que é defeito?
— Se for defeito, a assistência avalia.
— E se não for defeito?
— Se não for defeito, pode haver cobrança.
Cobrança. Outra palavra mágica. Ela faz o problema parecer culpa sua, mesmo quando o fone morreu sozinho, quietinho, sem plateia.
Eu senti vontade de dizer “isso é um absurdo”. Mas percebi que o absurdo não funciona contra um procedimento. O procedimento sempre ganha por cansaço. Ele não precisa estar certo. Ele só precisa continuar existindo.
A atendente, vendo minha cara, tentou uma gentileza:
— Posso ajudar você a abrir o chamado no seu celular.
Eu abri o site. Ele pediu login. Eu não lembrava. Pediu e-mail. Pediu senha. Pediu confirmar no e-mail. O e-mail demorou. O Wi-Fi da loja era filosófico: existia, mas questionava a própria existência.
Quando finalmente consegui, o formulário perguntou: “Descreva o defeito em até 200 caracteres.” Eu pensei em escrever: “O defeito é acreditar em slogans.” Mas escrevi algo técnico, porque a vida exige seriedade em momentos ridículos.
Enviei.
A atendente olhou e disse:
— Pronto. Agora é só aguardar.
— E o que eu faço com o fone?
— Você guarda. Não pode usar.
Eu guardei o fone na sacola e tive uma iluminação amarga: a devolução impossível não é um evento. É um método. Uma forma elegante de adiar o óbvio até ele virar desistência.
Saí da loja com um número de protocolo e uma sensação estranha. Eu não tinha resolvido nada, mas tinha participado de um ritual. E, no mundo moderno, às vezes é isso que chamam de atendimento: você não sai com solução. Você sai com processo.
Fonte: Banca Examinadora
Termos como QR code, site, login e Wi-Fi, junto à fala coloquial e ao registro burocrático, contribuem principalmente para:
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Leia o texto e responda às questões de 01 a 10.
A devolução impossível: a epopeia do “só mais um procedimento”
Eu entrei na loja com uma sacola e um sonho pequeno: devolver um produto. Nem queria briga, nem queria drama. Queria paz, estorno e vida seguindo. O produto, um fone “premium”, tinha decidido morrer no terceiro dia. Não foi uma morte trágica. Foi uma morte burocrática. Ele simplesmente parou, como quem bate ponto e some.
Na minha cabeça, a lógica era infantil e perfeita: comprei, não funcionou, devolvo. Na vida real, a lógica vem com rodapé.
A atendente sorriu com a energia de quem já recebeu cem “casos simples” antes do almoço.
— Boa tarde. Em que posso ajudar?
— Quero devolver. Está com defeito.
Ela pegou o fone como se fosse uma prova em tribunal e, sem olhar para mim, perguntou:
— Tem nota?
A nota, claro. O documento sagrado. Eu tirei do bolso com a reverência de quem apresenta identidade.
Ela leu, digitou, clicou e disse a frase que inaugura toda epopeia:
— Então... pela nossa política, a troca é com a assistência.
Eu ouvi “nossa política” e senti que havia entrado numa constituição paralela, com artigos invisíveis e sanções emocionais.
— Mas eu quero devolver.
— Devolver é só em até sete dias e desde que esteja sem uso.
— Eu usei três dias. Para descobrir que não funciona.
Ela sorriu de novo. O sorriso tinha a delicadeza de um carimbo.
— Entendo. Mas o sistema entende diferente.
Quando alguém diz que o sistema entende, você percebe que está discutindo com uma entidade abstrata. E entidades abstratas não têm culpa, não têm rosto e não erram. No máximo, “apresentam instabilidade”.
Eu tentei ser razoável. Fiz a pergunta que sempre parece inocente até virar armadilha:
— E qual é o procedimento?
Ela apontou para um papel. O papel tinha um QR code e uma promessa: “Rápido e fácil”.
— Você abre um chamado.
— Eu abro agora?
— Você abre pelo site.
— E depois?
— Depois aguarda.
— Aguarda quanto?
Ela respirou como quem consulta uma norma não escrita.
— Até quinze dias úteis.
Quinze dias úteis. Tempo suficiente para o fone ressuscitar por remorso ou para eu me acostumar ao silêncio.
Eu tentei outra rota.
— Não dá para resolver aqui?
— Só com laudo.
Laudo. A palavra “laudo” é mágica: ela transforma um fone em paciente e eu em parte interessada. Em dois segundos, eu não era mais cliente. Eu era “demandante”.
— E se o laudo disser que é defeito?
— Se for defeito, a assistência avalia.
— E se não for defeito?
— Se não for defeito, pode haver cobrança.
Cobrança. Outra palavra mágica. Ela faz o problema parecer culpa sua, mesmo quando o fone morreu sozinho, quietinho, sem plateia.
Eu senti vontade de dizer “isso é um absurdo”. Mas percebi que o absurdo não funciona contra um procedimento. O procedimento sempre ganha por cansaço. Ele não precisa estar certo. Ele só precisa continuar existindo.
A atendente, vendo minha cara, tentou uma gentileza:
— Posso ajudar você a abrir o chamado no seu celular.
Eu abri o site. Ele pediu login. Eu não lembrava. Pediu e-mail. Pediu senha. Pediu confirmar no e-mail. O e-mail demorou. O Wi-Fi da loja era filosófico: existia, mas questionava a própria existência.
Quando finalmente consegui, o formulário perguntou: “Descreva o defeito em até 200 caracteres.” Eu pensei em escrever: “O defeito é acreditar em slogans.” Mas escrevi algo técnico, porque a vida exige seriedade em momentos ridículos.
Enviei.
A atendente olhou e disse:
— Pronto. Agora é só aguardar.
— E o que eu faço com o fone?
— Você guarda. Não pode usar.
Eu guardei o fone na sacola e tive uma iluminação amarga: a devolução impossível não é um evento. É um método. Uma forma elegante de adiar o óbvio até ele virar desistência.
Saí da loja com um número de protocolo e uma sensação estranha. Eu não tinha resolvido nada, mas tinha participado de um ritual. E, no mundo moderno, às vezes é isso que chamam de atendimento: você não sai com solução. Você sai com processo.
Fonte: Banca Examinadora
Em “uma constituição paralela” e “o procedimento sempre ganha por cansaço”, predominam, respectivamente:
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Leia o texto e responda às questões de 01 a 10.
A devolução impossível: a epopeia do “só mais um procedimento”
Eu entrei na loja com uma sacola e um sonho pequeno: devolver um produto. Nem queria briga, nem queria drama. Queria paz, estorno e vida seguindo. O produto, um fone “premium”, tinha decidido morrer no terceiro dia. Não foi uma morte trágica. Foi uma morte burocrática. Ele simplesmente parou, como quem bate ponto e some.
Na minha cabeça, a lógica era infantil e perfeita: comprei, não funcionou, devolvo. Na vida real, a lógica vem com rodapé.
A atendente sorriu com a energia de quem já recebeu cem “casos simples” antes do almoço.
— Boa tarde. Em que posso ajudar?
— Quero devolver. Está com defeito.
Ela pegou o fone como se fosse uma prova em tribunal e, sem olhar para mim, perguntou:
— Tem nota?
A nota, claro. O documento sagrado. Eu tirei do bolso com a reverência de quem apresenta identidade.
Ela leu, digitou, clicou e disse a frase que inaugura toda epopeia:
— Então... pela nossa política, a troca é com a assistência.
Eu ouvi “nossa política” e senti que havia entrado numa constituição paralela, com artigos invisíveis e sanções emocionais.
— Mas eu quero devolver.
— Devolver é só em até sete dias e desde que esteja sem uso.
— Eu usei três dias. Para descobrir que não funciona.
Ela sorriu de novo. O sorriso tinha a delicadeza de um carimbo.
— Entendo. Mas o sistema entende diferente.
Quando alguém diz que o sistema entende, você percebe que está discutindo com uma entidade abstrata. E entidades abstratas não têm culpa, não têm rosto e não erram. No máximo, “apresentam instabilidade”.
Eu tentei ser razoável. Fiz a pergunta que sempre parece inocente até virar armadilha:
— E qual é o procedimento?
Ela apontou para um papel. O papel tinha um QR code e uma promessa: “Rápido e fácil”.
— Você abre um chamado.
— Eu abro agora?
— Você abre pelo site.
— E depois?
— Depois aguarda.
— Aguarda quanto?
Ela respirou como quem consulta uma norma não escrita.
— Até quinze dias úteis.
Quinze dias úteis. Tempo suficiente para o fone ressuscitar por remorso ou para eu me acostumar ao silêncio.
Eu tentei outra rota.
— Não dá para resolver aqui?
— Só com laudo.
Laudo. A palavra “laudo” é mágica: ela transforma um fone em paciente e eu em parte interessada. Em dois segundos, eu não era mais cliente. Eu era “demandante”.
— E se o laudo disser que é defeito?
— Se for defeito, a assistência avalia.
— E se não for defeito?
— Se não for defeito, pode haver cobrança.
Cobrança. Outra palavra mágica. Ela faz o problema parecer culpa sua, mesmo quando o fone morreu sozinho, quietinho, sem plateia.
Eu senti vontade de dizer “isso é um absurdo”. Mas percebi que o absurdo não funciona contra um procedimento. O procedimento sempre ganha por cansaço. Ele não precisa estar certo. Ele só precisa continuar existindo.
A atendente, vendo minha cara, tentou uma gentileza:
— Posso ajudar você a abrir o chamado no seu celular.
Eu abri o site. Ele pediu login. Eu não lembrava. Pediu e-mail. Pediu senha. Pediu confirmar no e-mail. O e-mail demorou. O Wi-Fi da loja era filosófico: existia, mas questionava a própria existência.
Quando finalmente consegui, o formulário perguntou: “Descreva o defeito em até 200 caracteres.” Eu pensei em escrever: “O defeito é acreditar em slogans.” Mas escrevi algo técnico, porque a vida exige seriedade em momentos ridículos.
Enviei.
A atendente olhou e disse:
— Pronto. Agora é só aguardar.
— E o que eu faço com o fone?
— Você guarda. Não pode usar.
Eu guardei o fone na sacola e tive uma iluminação amarga: a devolução impossível não é um evento. É um método. Uma forma elegante de adiar o óbvio até ele virar desistência.
Saí da loja com um número de protocolo e uma sensação estranha. Eu não tinha resolvido nada, mas tinha participado de um ritual. E, no mundo moderno, às vezes é isso que chamam de atendimento: você não sai com solução. Você sai com processo.
Fonte: Banca Examinadora
Em “Devolver é só em até sete dias e desde que esteja sem uso.”, “desde que” expressa relação de:
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Leia o texto e responda às questões de 01 a 10.
A devolução impossível: a epopeia do “só mais um procedimento”
Eu entrei na loja com uma sacola e um sonho pequeno: devolver um produto. Nem queria briga, nem queria drama. Queria paz, estorno e vida seguindo. O produto, um fone “premium”, tinha decidido morrer no terceiro dia. Não foi uma morte trágica. Foi uma morte burocrática. Ele simplesmente parou, como quem bate ponto e some.
Na minha cabeça, a lógica era infantil e perfeita: comprei, não funcionou, devolvo. Na vida real, a lógica vem com rodapé.
A atendente sorriu com a energia de quem já recebeu cem “casos simples” antes do almoço.
— Boa tarde. Em que posso ajudar?
— Quero devolver. Está com defeito.
Ela pegou o fone como se fosse uma prova em tribunal e, sem olhar para mim, perguntou:
— Tem nota?
A nota, claro. O documento sagrado. Eu tirei do bolso com a reverência de quem apresenta identidade.
Ela leu, digitou, clicou e disse a frase que inaugura toda epopeia:
— Então... pela nossa política, a troca é com a assistência.
Eu ouvi “nossa política” e senti que havia entrado numa constituição paralela, com artigos invisíveis e sanções emocionais.
— Mas eu quero devolver.
— Devolver é só em até sete dias e desde que esteja sem uso.
— Eu usei três dias. Para descobrir que não funciona.
Ela sorriu de novo. O sorriso tinha a delicadeza de um carimbo.
— Entendo. Mas o sistema entende diferente.
Quando alguém diz que o sistema entende, você percebe que está discutindo com uma entidade abstrata. E entidades abstratas não têm culpa, não têm rosto e não erram. No máximo, “apresentam instabilidade”.
Eu tentei ser razoável. Fiz a pergunta que sempre parece inocente até virar armadilha:
— E qual é o procedimento?
Ela apontou para um papel. O papel tinha um QR code e uma promessa: “Rápido e fácil”.
— Você abre um chamado.
— Eu abro agora?
— Você abre pelo site.
— E depois?
— Depois aguarda.
— Aguarda quanto?
Ela respirou como quem consulta uma norma não escrita.
— Até quinze dias úteis.
Quinze dias úteis. Tempo suficiente para o fone ressuscitar por remorso ou para eu me acostumar ao silêncio.
Eu tentei outra rota.
— Não dá para resolver aqui?
— Só com laudo.
Laudo. A palavra “laudo” é mágica: ela transforma um fone em paciente e eu em parte interessada. Em dois segundos, eu não era mais cliente. Eu era “demandante”.
— E se o laudo disser que é defeito?
— Se for defeito, a assistência avalia.
— E se não for defeito?
— Se não for defeito, pode haver cobrança.
Cobrança. Outra palavra mágica. Ela faz o problema parecer culpa sua, mesmo quando o fone morreu sozinho, quietinho, sem plateia.
Eu senti vontade de dizer “isso é um absurdo”. Mas percebi que o absurdo não funciona contra um procedimento. O procedimento sempre ganha por cansaço. Ele não precisa estar certo. Ele só precisa continuar existindo.
A atendente, vendo minha cara, tentou uma gentileza:
— Posso ajudar você a abrir o chamado no seu celular.
Eu abri o site. Ele pediu login. Eu não lembrava. Pediu e-mail. Pediu senha. Pediu confirmar no e-mail. O e-mail demorou. O Wi-Fi da loja era filosófico: existia, mas questionava a própria existência.
Quando finalmente consegui, o formulário perguntou: “Descreva o defeito em até 200 caracteres.” Eu pensei em escrever: “O defeito é acreditar em slogans.” Mas escrevi algo técnico, porque a vida exige seriedade em momentos ridículos.
Enviei.
A atendente olhou e disse:
— Pronto. Agora é só aguardar.
— E o que eu faço com o fone?
— Você guarda. Não pode usar.
Eu guardei o fone na sacola e tive uma iluminação amarga: a devolução impossível não é um evento. É um método. Uma forma elegante de adiar o óbvio até ele virar desistência.
Saí da loja com um número de protocolo e uma sensação estranha. Eu não tinha resolvido nada, mas tinha participado de um ritual. E, no mundo moderno, às vezes é isso que chamam de atendimento: você não sai com solução. Você sai com processo.
Fonte: Banca Examinadora
Expressões como “nossa política”, “o sistema entende” e “só com laudo” atuam principalmente como:
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