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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Aí está a prova da intuição política do reformador. Os cidadãos, levados pelo impulso que os faz não descrer jamais da Fortuna, lançam apostas, grandes e pequenas, sobre os nomes dos candidatos. Tais apostas parece que deviam agravar a dor dos vencidos, uma vez que perdiam candidato e dinheiro; mas, em verdade, não perdem as duas coisas. Os cidadãos fizeram disto uma espécie de perdeganha; cada partidário aposta no adversário, de modo que quem perde o candidato ganha o dinheiro, e quem perde o dinheiro ganha o candidato. Assim, em vez de deixar ódios e vinganças, cada eleição estreita mais os vínculos políticos do povo. Não sei se uma grande cidade poderia adotar tal sistema: é duvidoso. Mas para cidades pequenas não creio que haja nada melhor. Tem a doçura, sem a monotonia da víspora.
Machado de Assis. A semana. In: Obra completa, vol. III. Rio de Janeiro: Aguilar, p. 758.
A partir do fragmento de texto acima, de autoria de Machado de Assis, julgue o item.
Machado de Assis, na primeira fase de sua obra, produziu romances vinculados ao ideário do Romantismo, tais como: Ressurreição, A mão e a luva e Helena.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Que rostos mais coalhados, nossos rostos adolescentes em volta daquela mesa: o pai à cabeceira, o relógio de parede às suas costas, cada palavra sua ponderada pelo pêndulo, e nada naqueles tempos nos distraindo tanto como os sinos graves marcando as horas: “O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; é um pomo exótico que não pode ser repartido, podendo entretanto prover igualmente a todo mundo; onipresente, o tempo está em tudo; existe tempo, por exemplo, nesta mesa antiga: existiu primeiro uma terra propícia, existiu depois uma árvore secular feita de anos sossegados, e existiu finalmente uma prancha nodosa e dura trabalhada pelas mãos de um artesão dia após dia; existe tempo nas cadeiras onde nos sentamos, nos outros móveis da família, nas paredes da nossa casa, na água que bebemos, na terra que fecunda, na semente que germina, nos frutos que colhemos, no pão em cima da mesa.”
Raduan Nassar. Lavoura arcaica. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 53-4.
Considerando esse fragmento de texto, extraído da obra Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, julgue o próximo item.
Raduan Nassar, autor do texto apresentado, pertence ao grupo de autores que lançou a literatura regionalista nordestina, a partir do Manifesto Regionalista de 1926.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Colonização, mais do que um conceito, é uma categoria histórica, porque diz respeito a diferentes sociedades e momentos ao longo do tempo. Trata-se de um fenômeno de expansão humana pelo planeta, desenvolvendo a ocupação e o povoamento de novas regiões. Em determinadas épocas históricas, a colonização foi realizada sobre espaços vazios, como é o caso das migrações pré-históricas que trouxeram a espécie humana ao continente americano. Mas, desde que a humanidade se espalhou pelo mundo, diminuindo significativamente os vazios geográficos, o tipo de colonização mais comum tem sido mesmo aquele executado sobre áreas já habitadas.
O processo colonizador movido pela Europa Moderna na América foi realizado em um conjunto específico de relações de dependência e de controle político e econômico que as metrópoles impuseram a suas colônias, conjunto esse denominado sistema colonial.
K. V. Silva e M. H. Silva. Dicionário de conceitos históricos.
São Paulo: Contexto, 2005, p. 67-8 (com adaptações).
Com relação à temática e a aspectos semânticos e gramaticais do texto acima bem como a informações a respeito da literatura brasileira, julgue o item.
Basílio da Gama, que focalizou, no poema épico O Uraguai, a luta entre as tropas portuguesas, auxiliadas pelos espanhóis, e os índios dos Sete Povos das Missões, instigados pelos jesuítas, faz parte do Arcadismo brasileiro, que se desenvolveu no período colonial.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Rios sem discurso
1 Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
4 em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
7 isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais; porque assim estancada, muda,
10 e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.
13 O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
16 para refazer o fio antigo que fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
19 um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
22 em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003, p. 350.
Julgue os seguintes itens, a respeito da composição e das idéias do poema de João Cabral de Melo Neto apresentado acima, bem como das relações históricas que podem ser feitas a partir desse texto.
A poesia de João Cabral de Melo Neto apresenta as mesmas características estilísticas — construção rigorosa da forma dos versos — e temáticas da obra poética de Vinicius de Moraes.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Rios sem discurso
1 Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
4 em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
7 isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais; porque assim estancada, muda,
10 e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.
13 O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
16 para refazer o fio antigo que fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
19 um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
22 em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003, p. 350.
Julgue os seguintes itens, a respeito da composição e das idéias do poema de João Cabral de Melo Neto apresentado acima, bem como das relações históricas que podem ser feitas a partir desse texto.
A arquitetura formal do poema demonstra que seu autor, João Cabral de Melo Neto, situa-se entre os poetas do Parnasianismo brasileiro.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou.
Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-préhistória já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo.
Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p. 17.
Considerando o trecho acima, extraído da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, julgue o item a seguir.
Por focalizar problemas da sociedade rural, esse romance de Clarice Lispector aproxima-se da obra de José Lins do Rego.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou.
Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-préhistória já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo.
Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p. 17.
Considerando o trecho acima, extraído da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, julgue o item a seguir.
Clarice Lispector inclui-se entre os autores do romance introspectivo, da literatura intimista, que se caracteriza, na literatura brasileira moderna, por um questionamento do ser.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IGETEC
Orgão: CBM-MG
Leia o texto, a seguir, e responda a questão:
“Nova Canção do Exílio”
Carlos Drummond de Andrade
Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto.
O céu cintila
sobre flores úmidas.
Vozes na mata,
e o maior amor.
Só, na noite,
seria feliz:
um sabiá,
na palmeira, longe.
Onde é tudo belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe)
Ainda um grito de vida e
voltar
para onde é tudo belo
e fantástico
: a palmeira, o sabiá,
o longe.
Assinale a alternativa CORRETA sobre o texto:
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A encenação de Vestido de Noiva, em 1943, marcou o início da modernidade do teatro brasileiro. Após sua morte em 1980, Nelson Rodrigues se tornou o dramaturgo brasileiro mais encenado no país.
Assinale a montagem teatral abaixo que não é baseada em sua obra.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: FUB
A Universidade esperava-me com as suas matérias árduas; estudei-as muito mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel; deram-mo com a solenidade do estilo, após os anos da lei; uma bela festa que me encheu de orgulho e de saudades, — principalmente de saudades. Tinha eu conquistado em Coimbra uma grande nomeada de folião; era um acadêmico estróina, superficial, tumultuário e petulante, dado às aventuras, fazendo romantismo prático e liberalismo teórico, vivendo na pura fé dos olhos pretos e das constituições escritas. No dia em que a Universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso. Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, davame a responsabilidade. Guardei-o, deixei as margens do Mondego, e vim por ali fora assaz desconsolado, mas sentindo já uns ímpetos, uma curiosidade, um desejo de acotovelar os outros, de influir, de gozar, de viver, — de prolongar a Universidade pela vida adiante. Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Livraria Editora Iracema Ltda., 1975, cap. XX, p. 56.
Com base na compreensão dos sentidos e na análise da estrutura lingüística do texto acima, que constitui um excerto da fala do narrador-personagem Brás Cubas, julgue os itens de 76 a 86.
Ao se referir ao diploma como o atestado de “uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro”, Brás Cubas confessa não merecer o grau de bacharel.
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