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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
O orador, que era novo, expunha as suas idéias políticas. Dizia que opinava por isso ou por aquilo. Um dos apartistas acudia: é liberal. Redargüia o outro: é conservador. Tinha o orador mais este e aquele propósito. É conservador, dizia o segundo, é liberal, teimava o primeiro. Em tais condições, prosseguia o novato, é meu intuito seguir este caminho. Redargüia o liberal: é liberal; e o conservador: é
conservador. Durou este divertimento três quartos de colunas do Jornal do Comércio. Eu guardei um exemplar da folha para acudir às minhas melancolias, mas perdi-o numa das mudanças de casa.
Oh! não mudeis de casa! Mudai de roupa, mudai de fortuna, de amigos, de opinião, de criados, mudai de tudo, mas não mudeis de casa! Boas noites.
Machado de Assis. Bons dias. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>.
Considerando a obra de Machado de Assis, exemplificada pelo texto acima, e o contexto histórico no qual ela se insere, julgue os itens subseqüentes.
Além de romances, contos, poesias, peças de teatro, Machado de Assis, colaborando com jornais da época, escreveu uma quantidade considerável de crônicas, das quais o trecho acima é um exemplo.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Tudo parecia tão simples. O mar lá, o céu por cima, tempo pra tudo, pressa praC quê.
Estava tudo quieto um dia, uns na praia, outros em casa, o fogão frio, a geladeira quieta, uns na cama e outros na rede, uma tia falou que dia quieto.
— Foi num dia assim — falou Tio Raul — que Getúlio se matou. Foi num dia assim que caiu a bomba em Hiroshima. TáC quieto pra nós aqui, suspirou, mas quem sabe o que vai pelo mundo. Quieto para nós aqui, repetiu fechando os olhos; mas a gente ficou se olhando, tontos com o mundo de morte e batalhas lá fora; e de repente até o mar parecia estranho. Domingos Pellegrini. Meninos e meninas.
São Paulo: Ática, 1998, p. 96.
A partir do texto acima, julgue os seguintes itens.
As expressões “pra” (l.2) e “Tá”(l.8) indicam que o autor incorporou ao texto marcas próprias da oralidade.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Tudo parecia tão simples. O mar lá, o céu por cima, tempo pra tudo, pressa pra quê.
Estava tudo quieto um dia, uns na praia, outros em casa, o fogão frio, a geladeira quieta, uns na cama e outros na rede, uma tia falou que dia quieto.
— Foi num dia assim — falou Tio Raul — que Getúlio se matou. Foi num dia assim que caiu a bomba em Hiroshima. Tá quieto pra nós aqui, suspirou, mas quem sabe o que vai pelo mundo. Quieto para nós aqui, repetiu fechando os olhos; mas a gente ficou se olhando, tontos com o mundo de morte e batalhas lá fora; e de repente até o mar parecia estranho. Domingos Pellegrini. Meninos e meninas.
São Paulo: Ática, 1998, p. 96.
A partir do texto acima, julgue os seguintes itens.
A obra de Domingos Pellegrini é contemporânea à obra de Euclides da Cunha e apresenta características semelhantes.
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Orgão: UnB
Os rios recebem, no seu percurso, pedaços de pau, folhas
secas, penas de urubu
E demais trombolhos.
Seria como o percurso de uma palavra antes de chegar ao
poema.
As palavras, na viagem para o poema, recebem nossas
torpezas, nossas demências, nossas vaidades.
E demais escorralhas.
As palavras se sujam de nós na viagem.
Mas desembarcam no poema escorreitas: como que
filtradas.
E livres das tripas do nosso espírito.
Manoel de Barros. Ensaios fotográficos. Rio de Janeiro: Record, 2000, p. 21.
Considerando as idéias do poema acima e suas inter-relações com a literatura, a geografia e a história brasileiras, julgue os itens a seguir.
Trata-se de um poema metalingüístico, pois trata do próprio fazer poético.
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Orgão: UnB
— É verdade, é chuva no sertão.
A voz do meu avô estava trêmula. O homem duro chegara a se comover. E tossia alto para que não o vissem na comoção. Na outra noite os relâmpagos se firmaram mesmo. A conversa da cozinha ganhara outra animação. É chuva no sertão. Dois dias depois vinham de volta sertanejos que não resistiram à saudade da terra ressuscitada. Já voltavam com outra cara. O sol que lhes tirara tudo seria dominado pela chuva do céu. O Paraíba não tardaria a descer. Chamavam a primeira cheia do rio de “correio do inverno”. O céu se avolumava em nuvens brancas. Eram os carneiros pastando. As notícias se amiudavam sobre as chuvas. Uns falavam de muita água no Piauí, outros já sabiam que no Ceará os rios estavam correndo. E começava a fazer um calor dos infernos. A negra generosa garantia que aquela quentura era aviso de cheia:
— Vem água descendo.
(...)
Quando o rio chegava, corríamos para vê-lo de perto. A cabeça da primeira cheia era como se fosse um serviço de limpeza geral do leito. Descia com ela uma imundície de restos e matérias em putrefação. Bois mortos, cavalos meio roídos pelos urubus. Aos poucos o Paraíba começava a limpar. O leito coberto de juncos, as vazantes de batata-doce cediam lugar ao caudal que se espalhava de barreira a barreira. Água vermelha como de barreiro de olaria.
José Lins do Rego. Meus verdes anos. Rio de
Janeiro: José Olympio/INL/MEC, 1980, p. 81-2.
O texto acima corresponde a fragmentos extraídos da obra Meus Verdes Anos, de José Lins do Rego. Com relação às estruturas desse texto e a aspectos literários, históricos e geográficos brasileiros, julgue os itens de 15 a 25.
José Lins do Rego aproxima-se da estética de Guimarães Rosa, tanto pela inovação na língua quanto pelas características da narrativa voltada para a violência no sertão.
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— É verdade, é chuva no sertão.
A voz do meu avô estava trêmula. O homem duro chegara a se comover. E tossia alto para que não o vissem na comoção. Na outra noite os relâmpagos se firmaram mesmo. A conversa da cozinha ganhara outra animação. É chuva no sertão. Dois dias depois vinham de volta sertanejos que não resistiram à saudade da terra ressuscitada. Já voltavam com outra cara. O sol que lhes tirara tudo seria dominado pela chuva do céu. O Paraíba não tardaria a descer. Chamavam a primeira cheia do rio de “correio do inverno”. O céu se avolumava em nuvens brancas. Eram os carneiros pastando. As notícias se amiudavam sobre as chuvas. Uns falavam de muita água no Piauí, outros já sabiam que no Ceará os rios estavam correndo. E começava a fazer um calor dos infernos. A negra generosa garantia que aquela quentura era aviso de cheia:
— Vem água descendo.
(...)
Quando o rio chegava, corríamos para vê-lo de perto. A cabeça da primeira cheia era como se fosse um serviço de limpeza geral do leito. Descia com ela uma imundície de restos e matérias em putrefação. Bois mortos, cavalos meio roídos pelos urubus. Aos poucos o Paraíba começava a limpar. O leito coberto de juncos, as vazantes de batata-doce cediam lugar ao caudal que se espalhava de barreira a barreira. Água vermelha como de barreiro de olaria.
José Lins do Rego. Meus verdes anos. Rio de
Janeiro: José Olympio/INL/MEC, 1980, p. 81-2.
O texto acima corresponde a fragmentos extraídos da obra Meus Verdes Anos, de José Lins do Rego. Com relação às estruturas desse texto e a aspectos literários, históricos e geográficos brasileiros, julgue os itens de 15 a 25.
A principal característica do conjunto da obra de José Lins do Rego é a focalização na decadência da monocultura da cana-de-açúcar, provocada pela industrialização, pela máquina.
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Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
— É verdade, é chuva no sertão.
A voz do meu avô estava trêmula. O homem duro chegara a se comover. E tossia alto para que não o vissem na comoção. Na outra noite os relâmpagos se firmaram mesmo. A conversa da cozinha ganhara outra animação. É chuva no sertão. Dois dias depois vinham de volta sertanejos que não resistiram à saudade da terra ressuscitada. Já voltavam com outra cara. O sol que lhes tirara tudo seria dominado pela chuva do céu. O Paraíba não tardaria a descer. Chamavam a primeira cheia do rio de “correio do inverno”. O céu se avolumava em nuvens brancas. Eram os carneiros pastando. As notícias se amiudavam sobre as chuvas. Uns falavam de muita água no Piauí, outros já sabiam que no Ceará os rios estavam correndo. E começava a fazer um calor dos infernos. A negra generosa garantia que aquela quentura era aviso de cheia:
— Vem água descendo.
(...)
Quando o rio chegava, corríamos para vê-lo de perto. A cabeça da primeira cheia era como se fosse um serviço de limpeza geral do leito. Descia com ela uma imundície de restos e matérias em putrefação. Bois mortos, cavalos meio roídos pelos urubus. Aos poucos o Paraíba começava a limpar. O leito coberto de juncos, as vazantes de batata-doce cediam lugar ao caudal que se espalhava de barreira a barreira. Água vermelha como de barreiro de olaria.
José Lins do Rego. Meus verdes anos. Rio de
Janeiro: José Olympio/INL/MEC, 1980, p. 81-2.
O texto acima corresponde a fragmentos extraídos da obra Meus Verdes Anos, de José Lins do Rego. Com relação às estruturas desse texto e a aspectos literários, históricos e geográficos brasileiros, julgue os itens de 15 a 25.
O trecho ilustra característica marcante na obra de José Lins do Rego, que é recordar a própria vida, misturando realidade e ficção, memória e imaginação.
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Orgão: UnB
O tempo e o rio
Mas o tempo é como um rio
que caminha para o mar
passa, como passa o passarinho
passa o vento e o desespero
passa como passa a agonia
passa a noite, passa o dia
mesmo o dia derradeiro
ah, todo o tempo há de passar
como passaC a mão e o rio
que lavaram teu cabelo
Edu Lobo e Capinam. O tempo e o rio (fragmento).
Julgue os seguintes itens considerando o texto poético acima.
A métrica e o ritmo desse texto poético privilegiam a escolha da forma de singular em “passa” no verso 9, mas gramaticalmente seria também correta, nesse verso, a opção pelo plural: passam.
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Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança:
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esp’rançaC;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e em mil converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor1 espanto;
que não se muda já como soía2.
1mor – maior
2soía – costumava
Luís Vaz de Camões. Antologia escolar
portuguesa. Rio de Janeiro: Fename, 1970, p. 319.
Considerando o texto poético acima, julgue os itens a seguir, relativos a aspectos lingüísticos e literários, históricos e geográficos.
A elisão da vogal em “esp’rança” (v.6) justifica-se porque mantém a métrica dos versos com dez sílabas.
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Orgão: UnB
Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança:
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esp’rança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e em mil converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor1 espanto;
que não se muda já como soía2.
1mor – maior
2soía – costumava
Luís Vaz de Camões. Antologia escolar
portuguesa. Rio de Janeiro: Fename, 1970, p. 319.
Considerando o texto poético acima, julgue os itens a seguir, relativos a aspectos lingüísticos e literários, históricos e geográficos.
O esquema de rimas das estrofes do texto poético acima é: ABBA – ABBA – ABA – BAB.
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