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2563561 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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Sobre peixes e linguagem
Marcos Bagno

Me ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se relacionam com a água. Fora da água, o peixe não existe, toda a sua natureza, seu desenho, seu organismo, seu modo de ser estão indissociavelmente vinculados à água. Outros animais até conseguem sobreviver na água ou se adaptar a ela, como focas, pinguins, sapos e salamandras, que levam uma existência anfíbia. Mas os peixes não: ser peixe é ser na água. Com os seres humanos é a mesma coisa: não existimos fora da linguagem, não conseguimos sequer imaginar o que é não ter linguagem – nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe, o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem, implantada em nós de forma tão intrínseca e essencial quanto nossas células e nosso código genético. Ser humano é ser linguagem.

Mas a comparação com o peixe também pode se aplicar a uma outra dimensão da linguagem, que é a única forma como a linguagem realmente adquire existência: a dimensão textual. Abrir a boca para falar, empunhar um instrumento para grafar o que quer que seja, ativar a memória, raciocinar, sonhar, esquecer... todas essas atividades humanas só se realizam como textos. Só tem linguagem onde tem texto. No entanto, por alguma misteriosa razão, os estudos linguísticos durante quase dois milênios desprezaram esse caráter essencialmente textual da linguagem humana. Talvez justamente por ele ser tão íntimo e inevitável quanto respirar, algo que fazemos tão intuitivamente que nunca nos detemos para refletir sobre isso, é que o caráter textual de toda manifestação da linguagem tenha sofrido esse soberano desprezo. E as consequências desse desprezo, para a educação, configuram a tragédia pedagógica que tão bem conhecemos: a redução do estudo da língua, na escola, à palavra solta e à frase isolada.

Uma palavra solta, uma frase isolada são um peixe fora d’água. O texto é o ambiente natural para qualquer palavra, qualquer frase. Fora do texto, a palavra sufoca, a frase estrebucha e morre. E como pode o peixe vivo viver fora da água fria?

A ideia de que uma frase se sustenta sozinha é uma das inúmeras heranças que recebemos da Antiguidade clássica. Mas sabemos que os primeiros estudos sobre a linguagem tinham um caráter eminentemente filosófico, metafísico mesmo, pois os filósofos gregos não tinham preocupações linguísticas propriamente ditas, muito menos preocupações didáticas: o que interessava a eles era descobrir de que maneira (e se é que) a linguagem refletia o funcionamento da alma, que por sua vez (e se é que) refletia o funcionamento do mundo natural, que por sua vez (e se é que) refletia a organização do universo. Para isso, bastava a frase, a sentença isolada, o auto telos logos, ou seja, o enunciado completo em si mesmo, porque sua estrutura mínima servia aos propósitos da investigação metafísica. O desastre se opera quando essa autossuficiência (suposta) da frase isolada é transferida para os estudos da língua em si mesma e, pior ainda, para o ensino da língua. O peixe morto, que pode ser aberto e estripado para se saber o que tem lá dentro, se tornou o objeto do ensino de línguas, quando esse objeto deveria ser o peixe vivo e bulindo, em cardume, dentro de seu ambiente natural, líquido, aquoso: lago, lagoa, riacho, rio, praia, alto-mar – a água-texto.

Irandé Antunes, incansável defensora dos peixes vivos, prossegue aqui em sua luta contra o uso do peixe morto, estripado e malcheiroso, que ainda infecta o nosso ensino de línguas, em pleno século XXI. É com ela que aprendemos o que deveria ser óbvio: que ensinar línguas não é pescar, mas mergulhar na água do texto e nadar entre os peixes. Deveria ser óbvio, mas não é. Por isso, só podemos comemorar, aplaudir e agradecer mais esse manifesto em defesa da linguagem, da língua e do texto que, na água vivificada pelo espírito humano, são uma coisa só!

(Marcos Bagno Análise de Textos: fundamentos e práticas. São Paulo: Parábola Editorial, 2010. p. 11 e 12.)

Sobre Linguagem, Língua e Fala, analise os itens a seguir e, após, marque a alternativa correta:

I. Enquanto a Linguagem deve ser entendida como um sistema de signos (linguagem verbal) ou símbolos (linguagem não verbal) usados para a comunicação, a Língua deve ser compreendida como uma forma de linguagem comum a determinados grupos sociais.

II. A Fala está relacionada ao modo como cada indivíduo faz uso da linguagem oral. É um ato singular, pois cada pessoa se expressa de um modo diferente das demais, com um estilo próprio e peculiar.

III. Como fenômenos, o caráter da Linguagem é universal, da Língua é social e da Fala é individual.

IV. A Fala é fortemente influenciada pelas vivências e experiências do falante e é determinada por diferentes contextos, que podem exigir um grau mais formal ou permitir uma fala mais coloquial.

 

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2563378 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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Sobre peixes e linguagem
Marcos Bagno

Me ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se relacionam com a água. Fora da água, o peixe não existe, toda a sua natureza, seu desenho, seu organismo, seu modo de ser estão indissociavelmente vinculados à água. Outros animais até conseguem sobreviver na água ou se adaptar a ela, como focas, pinguins, sapos e salamandras, que levam uma existência anfíbia. Mas os peixes não: ser peixe é ser na água. Com os seres humanos é a mesma coisa: não existimos fora da linguagem, não conseguimos sequer imaginar o que é não ter linguagem – nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe, o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem, implantada em nós de forma tão intrínseca e essencial quanto nossas células e nosso código genético. Ser humano é ser linguagem.

Mas a comparação com o peixe também pode se aplicar a uma outra dimensão da linguagem, que é a única forma como a linguagem realmente adquire existências: a dimensão textual. Abrir a boca para falar, empunhar um instrumento para grafar o que quer que seja, ativar a memória, raciocinar, sonhar, esquecer... todas essas atividades humanas só se realizam como textos. Só tem linguagem onde tem texto. No entanto, por alguma misteriosa razão, os estudos linguísticos durante quase dois milênios desprezaram esse caráter essencialmente textual da linguagem humana. Talvez justamente por ele ser tão íntimo e inevitável quanto respirar, algo que fazemos tão intuitivamente que nunca nos detemos para refletir sobre isso, é que o caráter textual de toda manifestação da linguagem tenha sofrido esse soberano desprezo. E as consequências desse desprezo, para a educação, configuram a tragédia pedagógica que tão bem conhecemos: a redução do estudo da língua, na escola, à palavra solta e à frase isolada.

Uma palavra solta, uma frase isolada são um peixe fora d’água. O texto é o ambiente natural para qualquer palavra, qualquer frase. Fora do texto, a palavra sufoca, a frase estrebucha e morre. E como pode o peixe vivo viver fora da água fria?

A ideia de que uma frase se sustenta sozinha é uma das inúmeras heranças que recebemos da Antiguidade clássica. Mas sabemos que os primeiros estudos sobre a linguagem tinham um caráter eminentemente filosófico, metafísico mesmo, pois os filósofos gregos não tinham preocupações linguísticas propriamente ditas, muito menos preocupações didáticas: o que interessava a eles era descobrir de que maneira (e se é que) a linguagem refletia o funcionamento da alma, que por sua vez (e se é que) refletia o funcionamento do mundo natural, que por sua vez (e se é que) refletia a organização do universo. Para isso, bastava a frase, a sentença isolada, o auto telos logos, ou seja, o enunciado completo em si mesmo, porque sua estrutura mínima servia aos propósitos da investigação metafísica. O desastre se opera quando essa autossuficiência (suposta) da frase isolada é transferida para os estudos da língua em si mesma e, pior ainda, para o ensino da língua. O peixe morto, que pode ser aberto e estripado para se saber o que tem lá dentro, se tornou o objeto do ensino de línguas, quando esse objeto deveria ser o peixe vivo e bulindo, em cardume, dentro de seu ambiente natural, líquido, aquoso: lago, lagoa, riacho, rio, praia, alto-mar – a água-texto.

Irandé Antunes, incansável defensora dos peixes vivos, prossegue aqui em sua luta contra o uso do peixe morto, estripado e malcheiroso, que ainda infecta o nosso ensino de línguas, em pleno século XXI. É com ela que aprendemos o que deveria ser óbvio: que ensinar línguas não é pescar, mas mergulhar na água do texto e nadar entre os peixes. Deveria ser óbvio, mas não é. Por isso, só podemos comemorar, aplaudir e agradecer mais esse manifesto em defesa da linguagem, da língua e do texto que, na água vivificada pelo espírito humano, são uma coisa só!

Marcos Bagno
Análise de Textos: fundamentos e práticas.
São Paulo: Parábola Editorial, 2010. p. 11 e 12.

Considere as assertivas abaixo e, a seguir, marque a alternativa correta:

I. Segundo a teoria Behaviorista de aquisição da linguagem, a criança é uma “tábula rasa”, isto é, só desenvolve seu conhecimento linguístico por meio de estímulo-resposta, imitação e reforço. O principal representante dessa teoria é Piaget.

II. De acordo com o Cognitivismo, a aquisição e o desenvolvimento da linguagem são processos vinculados à cognição. Essa teoria foi defendida por Chomsky, o qual estabelece uma relação entre linguagem e mente.

III. A teoria Sociointeracionista defende a ideia de que todo conhecimento se constrói socialmente pela aprendizagem nas relações com os outros. O desenvolvimento da linguagem tem origem social e o principal representante dessa teoria é Vygostsky.

IV. Para Saussure, a língua é uma instituição social no qual aquilo que é significado está arbitrariamente associado com aquilo que significa (significante e significado), ideia da qual resulta um de seus princípios mais famosos, que é o da arbitrariedade do signo.

V. A efetivação das fases do processo de aquisição da linguagem pela criança está associada a vários fatores extralinguísticos, como: classe social da família da criança, grau de escolaridade dos pais, origem, contato com bens culturais, local onde reside, entre outros fatores afins.

VI. Conforme alguns pesquisadores do processo de aquisição da linguagem, o balbucio está ligado à maturação biológica, já que mesmo as crianças surdas balbuciam. O balbucio das crianças surdas começa na mesma época em que começa o balbucio de crianças normais, porém termina um pouco mais cedo.

 

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2563375 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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Sobre peixes e linguagem
Marcos Bagno

Me ocorre frequentemente a ideia de que nós nos relacionamos com a linguagem assim como os peixes se relacionam com a água. Fora da água, o peixe não existe, toda a sua natureza, seu desenho, seu organismo, seu modo de ser estão indissociavelmente vinculados à água. Outros animais até conseguem sobreviver na água ou se adaptar a ela, como focas, pinguins, sapos e salamandras, que levam uma existência anfíbia. Mas os peixes não: ser peixe é ser na água. Com os seres humanos é a mesma coisa: não existimos fora da linguagem, não conseguimos sequer imaginar o que é não ter linguagem – nosso acesso à realidade é mediado por ela de forma tão absoluta que podemos dizer que para nós a realidade não existe, o que existe é a tradução que dela nos faz a linguagem, implantada em nós de forma tão intrínseca e essencial quanto nossas células e nosso código genético. Ser humano é ser linguagem.

Mas a comparação com o peixe também pode se aplicar a uma outra dimensão da linguagem, que é a única forma como a linguagem realmente adquire existências: a dimensão textual. Abrir a boca para falar, empunhar um instrumento para grafar o que quer que seja, ativar a memória, raciocinar, sonhar, esquecer... todas essas atividades humanas só se realizam como textos. Só tem linguagem onde tem texto. No entanto, por alguma misteriosa razão, os estudos linguísticos durante quase dois milênios desprezaram esse caráter essencialmente textual da linguagem humana. Talvez justamente por ele ser tão íntimo e inevitável quanto respirar, algo que fazemos tão intuitivamente que nunca nos detemos para refletir sobre isso, é que o caráter textual de toda manifestação da linguagem tenha sofrido esse soberano desprezo. E as consequências desse desprezo, para a educação, configuram a tragédia pedagógica que tão bem conhecemos: a redução do estudo da língua, na escola, à palavra solta e à frase isolada.

Uma palavra solta, uma frase isolada são um peixe fora d’água. O texto é o ambiente natural para qualquer palavra, qualquer frase. Fora do texto, a palavra sufoca, a frase estrebucha e morre. E como pode o peixe vivo viver fora da água fria?

A ideia de que uma frase se sustenta sozinha é uma das inúmeras heranças que recebemos da Antiguidade clássica. Mas sabemos que os primeiros estudos sobre a linguagem tinham um caráter eminentemente filosófico, metafísico mesmo, pois os filósofos gregos não tinham preocupações linguísticas propriamente ditas, muito menos preocupações didáticas: o que interessava a eles era descobrir de que maneira (e se é que) a linguagem refletia o funcionamento da alma, que por sua vez (e se é que) refletia o funcionamento do mundo natural, que por sua vez (e se é que) refletia a organização do universo. Para isso, bastava a frase, a sentença isolada, o auto telos logos, ou seja, o enunciado completo em si mesmo, porque sua estrutura mínima servia aos propósitos da investigação metafísica. O desastre se opera quando essa autossuficiência (suposta) da frase isolada é transferida para os estudos da língua em si mesma e, pior ainda, para o ensino da língua. O peixe morto, que pode ser aberto e estripado para se saber o que tem lá dentro, se tornou o objeto do ensino de línguas, quando esse objeto deveria ser o peixe vivo e bulindo, em cardume, dentro de seu ambiente natural, líquido, aquoso: lago, lagoa, riacho, rio, praia, alto-mar – a água-texto.

Irandé Antunes, incansável defensora dos peixes vivos, prossegue aqui em sua luta contra o uso do peixe morto, estripado e malcheiroso, que ainda infecta o nosso ensino de línguas, em pleno século XXI. É com ela que aprendemos o que deveria ser óbvio: que ensinar línguas não é pescar, mas mergulhar na água do texto e nadar entre os peixes. Deveria ser óbvio, mas não é. Por isso, só podemos comemorar, aplaudir e agradecer mais esse manifesto em defesa da linguagem, da língua e do texto que, na água vivificada pelo espírito humano, são uma coisa só!

Marcos Bagno
Análise de Textos: fundamentos e práticas.
São Paulo: Parábola Editorial, 2010. p. 11 e 12.

Sobre Linguagem, Língua e Fala, analise os itens a seguir e, após, marque a alternativa correta:

I. Enquanto a Linguagem deve ser entendida como um sistema de signos (linguagem verbal) ou símbolos (linguagem não verbal) usados para a comunicação, a Língua deve ser compreendida como uma forma de linguagem comum a determinados grupos sociais.

II. A Fala está relacionada ao modo como cada indivíduo faz uso da linguagem oral. É um ato singular, pois cada pessoa se expressa de um modo diferente das demais, com um estilo próprio e peculiar.

III. Como fenômenos, o caráter da Linguagem é universal, da Língua é social e da Fala é individual.

IV. A Fala é fortemente influenciada pelas vivências e experiências do falante e é determinada por diferentes contextos, que podem exigir um grau mais formal ou permitir uma fala mais coloquial.

 

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2563018 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
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Em 1961, o poeta António Gedeão publica o livro Máquina de Fogo. Um dos poemas é “Lágrima de Preta”. Musicado por José Niza, foi gravado por Adriano Correia de Oliveira, em 1970, e incluído no seu álbum “Cantaremos”. A canção foi censurada pelo governo português.

Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é
costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

(António Gedeão, Máquinda e
fogo. Coimbra: Tipografia da
Atlântida, 1961, p. 187.)

Os versos anteriores articulam as linguagens literária e científica com questões de ordem ética e política. Considerando o contexto de produção e recepção de “Lágrima de Preta” (anos 1960 e 1970, em Portugal), o propósito artístico desse poema é

 

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2563017 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
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Na opinião de Klaus R. Mecke, professor no Instituto de Física Teórica da Universidade de Stuttgart, Alemanha, o uso da linguagem da física na literatura obedeceria ao seguinte propósito:

Uma função literária central da fórmula seria simbolizar a violência. A fórmula torna-se metáfora para a violência, para o calculismo desumano, para a morte e para a fria mecânica - para o golpe de força. Recorde-se também O Pêndulo de F oucault, de Umberto Eco, em que a fórmula do pêndulo caracteriza o estrangulamento de um ser humano. Passo a citar: “O período de oscilação, T, é independente da massa do corpo suspenso (igualdade de todos os homens perante Deus)...”. Também aqui a fórmula constitui uma referência irônica à marginalização do sujeito, reduzido à “massa inerte” suspensa.

(Adaptado de Klaus R. Mecke, A imagem da Física na Literatura. Gazeta de Física, 2004, p. 6-7.)

Segundo Mecke, a função literária de algumas noções da Física, presentes em determinados romances, expressa

 

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2563015 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
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“Picado pelo ciúme, abriu o ourives seu peito à órfã, ofereceu-lhe a mão, e uma pulseira de brilhantes nela, com a condição de me esquecer. Leontina disse que sim, cuidando que mentia; mas passados oito dias admirou-se de ter dito a verdade. Nunca mais soube de mim, nem eu dela; até que, um ano depois, a criada, que a servia, me contou que a menina casara com o padrinho e que as enteadas, coagidas pelo pai, se tinham ido para o recolhimento do Grilo com uma pequena mesada e a esperança de ficarem pobres. Não sei mais nada a respeito da primeira das sete mulheres que amei, em Lisboa.”

(Camilo Castelo Branco, Coração, c abeçea e s tômago, p. 4. Disponível em www.dominiopublico.gov.br. Acessado em 20/05/2018.)

O excerto anterior apresenta uma síntese acerca do primeiro dos setes amores da personagem Silvestre da Silva. Considere essa experiência amorosa no contexto da primeira parte da narrativa e assinale a alternativa correta.

 

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2563014 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
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Sobre as representações históricas da morte no Ocidente, Philippe Ariês e Alcir Pécora comentam:

“O moribundo está deitado, cercado por seus amigos e familiares. Está prestes a executar os ritos que bem conhecemos. (...) Seres sobrenaturais invadiram o quarto e se comprimem na cabeceira do 'jacente'. A grande reunião que nos séculos XIl e XIII tinha lugar no final dos tempos se faz, então, a partir do século XV, no quarto do enfermo.”

(Philippe Ariês, História da morte no Ocidente: da Idade Média aos nossos dias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, p. 53.)

“(...) essa espécie de arte de morrer de Vieira se opõe à tradição das artes m oriendi fundadas na preparação para a “última prova” que acontece apenas no quarto do moribundo. Não é mais lá que se decide a salvação ou a condenação do cristão, mas no exato momento de suas escolhas e ações ao longo da vida, vale dizer, na resolução adequada a ser tomada hic et nunc (aqui e agora).”

(Alcir Pécora, A arte de morrer, segundo Vieira, em Antonio Vieira, Sermões de quarta-feira de cinza. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2016. p.51.)

Com base nos excertos anteriores e na leitura dos três Sermões de Quarta-feira de Cinza, assinale a alternativa correta.

 

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2563013 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
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“DOROTÉA
O senhor perdeu a cabeça?
DULCINÉA
Fazer de um cangaceiro um delegado!
DOROTÉA
Quando a oposição souber!
DULCINÉA
Que prato pra Neco Pedreira!
ODORICO
E tomara que Neco se sirva bem dele. Tomara que chame
Zeca Diabo de cangaceiro, assassino, quanto mais xingar,
melhor.
DOROTÉA
O senhor não acha que se excedeu?
ODORICO
Em política, dona Dorotéa, os finalmentes justificam os não
obstantes.”

(Dias Gomes, O bem-amado. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014. p. 69-70.)

As personagens femininas do excerto anterior discordam da nomeação de Zeca Diabo feita por Odorico. Assinale a alternativa que indica a razão dessa discordância e a natureza da crítica às práticas políticas brasileiras presente na peça teatral de Dias Gomes.

 

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2563012 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
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(...)
Eu tenho uma ideia.
Eu não tenho a menor ideia.
Uma frase em cada linha. Um golpe de exercício.
Memórias de Copacabana. Santa Clara às três da tarde.
Autobiografia. Não, biografia.
Mulher.
Papai Noel e os marcianos.
Billy the Kid versus Drácula.
Drácula versus Billy the Kid.
Muito sentimental.
Agora pouco sentimental.
Pensa no seu amor de hoje que sempre dura menos que o
seu]
amor de ontem.
Gertrude: estas são ideias bem comuns.
Apresenta a jazz-band.
Não, toca blues com ela.
Esta é a minha vida.
Atravessa a ponte.
(..)

(Ana Cristina Cesar, A teus pés. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 9.)

Esse trecho do poema de abertura de A teus pés, de Ana Cristina Cesar,

 

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2563011 Ano: 2018
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNICAMP
Orgão: UNICAMP
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“Nas ruas e casas comerciais já se vê as faixas indicando os nomes dos futuros deputados. Alguns nomes já são conhecidos. São reincidentes que já foram preteridos nas urnas. Mas o povo não está interessado nas eleições, que é o cavalo de Troia que aparece de quatro em quatro anos.”

(Carolina Maria de Jesus, Quarto de despejo. São Paulo: Ática, 2014, p. 43.)

O trecho anterior faz parte das considerações políticas que aparecem repetidamente em Quartoded espejo, de Carolina Maria de Jesus. Considerando o conjunto dessas observações, indique a alternativa que resume de modo adequado a posição da autora sobre a lógica política das eleições.

 

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