As políticas linguísticas voltadas à surdez
configuram instrumentos fundamentais para
a efetivação dos direitos linguísticos,
educacionais e culturais da comunidade
surda.
Elas orientam ações estatais
relacionadas ao ensino da Libras, à formação
de profissionais e à oferta de serviços
acessíveis.
A identidade surda é construída social e
historicamente,
sendo
fortemente
influenciada pelo acesso à língua de sinais,
pela convivência com outros surdos e pelo
reconhecimento social da surdez como
diferença linguística. A ausência ou o atraso
no acesso linguístico pode gerar impactos
significativos no desenvolvimento pessoal e
educacional.
Compreender os surdos como minoria
social implica deslocar o olhar da deficiência
individual para as dimensões linguísticas,
culturais e políticas da surdez. Essa
perspectiva reconhece que a exclusão
vivenciada pela comunidade surda decorre,
em grande medida, da negação de seus
direitos linguísticos e do acesso limitado à
comunicação. Com base nessa abordagem, assinale a
alternativa correta.
A análise histórica das práticas
educacionais voltadas à pessoa surda revela
disputas entre diferentes concepções de
linguagem, identidade e normalidade. Essas
disputas
influenciaram diretamente as políticas
educacionais, os currículos escolares e as formas de inserção social da
pessoa surda, produzindo efeitos que ainda
se
fazem
presentes nas
práticas contemporâneas.
A história da educação de surdos no
Brasil está profundamente relacionada às
concepções sociais e científicas acerca da
surdez e da linguagem. Durante longo
período,
a surdez foi compreendida
predominantemente sob uma perspectiva
médica e deficitária, o que influenciou a
adoção de métodos educacionais que
buscavam aproximar o surdo do padrão
ouvinte.
Nesse contexto, o Oralismo
consolidou-se como abordagem hegemônica,
orientando
práticas
pedagógicas
que
impactaram o desenvolvimento linguístico,
cognitivo e identitário da pessoa surda.
Com base nessas considerações, assinale a
alternativa correta sobre o Oralismo.
De acordo com a Lei Federal n° 10.436/2002, que dispõe
sobre a Língua Brasileira de Sinais − LIBRAS, Art. 3°, as
instituições públicas e empresas concessionárias de
serviços públicos de assistência à saúde devem garantir
atendimento e tratamento adequado aos portadores de
(X), de acordo com as normas legais em vigor.
Assinale a alternativa que substitui corretamente o (X) do
texto.
A emergência das metodologias ativas na educação contemporânea instiga reconfigurações pedagógicas
centradas no protagonismo discente, exigindo do
professor a mediação de experiências que ativem
processos cognitivos superiores e práticas reflexivas. No
caso de estudantes surdos, essas metodologias devem
ser repensadas à luz da visualidade linguística, da
acessibilidade comunicacional e da centralidade da
Libras como língua de instrução. Com base nessa
perspectiva, complementamos estas informações
considerando que:
A descrição linguística da Língua Brasileira de Sinais
(Libras), enquanto língua natural da comunidade surda
brasileira, envolve parâmetros fonológicos,
morfossintáticos e pragmáticos próprios, sendo sua
estrutura distinta da do português, tanto em nível formal
quanto funcional. A respeito da organização interna da
Libras e de seus processos de tradução e interpretação
para o português escrito, assinale a alternativa
CORRETA.
No campo da educação bilíngue para surdos,
consolidou-se a noção de que a experiência surda
transcende categorias biomédicas, remetendo a formas
próprias de produção de sentidos e construção de
pertencimento. Nessa perspectiva, o professor ouvinte
não é concebido como mero transmissor de conteúdos,
mas como agente situado num espaço linguístico e
cultural tensionado por diferenças. A partir dessa
abordagem, é correto afirmar que:
O processo de escolarização de pessoas surdas tem
atravessado mudanças significativas ao longo dos
séculos, refletindo diferentes compreensões sobre a
surdez, o sujeito surdo e sua relação com a linguagem e
o conhecimento. Desde os primórdios do oralismo,
baseado na supressão da língua de sinais em favor da
fala, até a proposta da educação bilíngue, que
reconhece a Libras como primeira língua do surdo e o
português escrito como segunda, observa-se um
deslocamento teórico importante, com implicações
pedagógicas, filosóficas e socioculturais. Nesse contexto,
abordagens como a comunicação total, ainda presentes
em muitas instituições, revelam a persistência de
práticas que oscilam entre a assimilação e o
reconhecimento da diferença.