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Respondida
“Desde a Declaração Universal, os direitos humanos são
apresentados, como o próprio nome diz, como universais. No
entanto, a questão do universal e do particular se deslocou e,
hoje em dia, vários grupos em diferentes países questionam a
universalidade dos direitos, tal como foi construída,
considerando-a uma expressão do Ocidente e da tradição
europeia.”
Adaptado de CANDAU, Vera Maria. “Direitos humanos, educação e
interculturalidade”. Revista Brasileira de Educação , n. 37, jan./abr. 2008.
O trecho acima descreve uma tensão entre os seguintes dois
temas conexos nas demandas sociais contemporâneas:
Respondida
Ana, líder de um grupo de estudo na área de direitos humanos,
integrado por servidores públicos do Município Beta, os quais
buscavam ampliar os seus conhecimentos nas horas vagas, foi
questionada em relação à previsão, ou não, de deveres no âmbito
da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Ana respondeu corretamente que
A
não, pois a previsão de deveres, em um documento
destinado a evitar o arbítrio do Estado, seria contraditório.
B
não, pois deveres, enquanto antítese dos direitos, são
previstos em documentos específicos, não em declarações de
direitos.
C
sim, pois o ser humano possui deveres para com a
comunidade, na qual o livre desenvolvimento de sua
personalidade é possível.
D
sim, pois os direitos assumem posição secundária na
Declaração, sendo apenas o resultado dos deveres
estabelecidos para o Estado e a sociedade.
Respondida
Joana tomou conhecimento de que a República Federativa do
Brasil estava prestes a assinar determinado tratado internacional
de proteção dos direitos humanos, o qual lhe reconhecia certo
direito em uma perspectiva mais benéfica que aquela prevista na
Constituição da República de 1988, sendo nítida a colisão com
uma norma constitucional.
Ao se inteirar da forma como o referido tratado internacional
seria incorporado na ordem interna, principalmente em razão da
colisão que constatara, Joana concluiu corretamente que ele
A
terá a mesma natureza da Constituição originária, caso seja
aprovado pelo Congresso Nacional, em dois turnos, por dois
terços dos votos dos seus membros.
B
sempre será incorporado como lei, não podendo se sobrepor
a norma constitucional anterior que trate da mesma
temática, mas revogará as leis anteriores.
C
sempre será incorporado como emenda constitucional,
considerando a sua interação com a dignidade humana,
prevalecendo sobre a norma constitucional anterior.
D
será incorporado como emenda constitucional, se aprovado
em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por
três quintos dos votos dos respectivos membros.
Respondida
Maria, ativista dos direitos humanos no âmbito do Município
Beta, realizou alentado estudo a respeito da natureza dos direitos
reconhecidos pela Declaração dos Direitos Humanos, de modo a
melhor subsidiar a sua atuação junto aos poderes constituídos.
Ao final de suas reflexões, Maria concluiu corretamente que os
direitos reconhecidos pela referida Declaração
Respondida
Em relação à Política Nacional de Saúde Mental, marque a opção correta:
A
Conseguiu evitar que retrocessos ocorressem
na assistência, como, por exemplo, a introdução formal das Comunidades Terapêuticas e
dos Hospitais Psiquiátricos como integrantes da
RAPS (Rede de Atenção Psicossocial).
B
As pautas defendidas pelos movimentos de
Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial
começam a se materializar, assumindo hegemonia no âmbito institucional e na transformação
da assistência às pessoas em sofrimento psíquico, a partir dos anos 2000.
C
A Política Nacional de Saúde Mental foi assumida oficialmente como política de Estado para o
campo em questão em 2001, com a promulgação da lei nº 10.216.
D
É responsabilidade da família a assistência e
a promoção de ações de saúde, com a devida
participação do Estado, a qual será prestada em
estabelecimento de saúde mental, assim entendidas as instituições ou unidades que ofereçam
assistência em saúde.
E
Em 2018 ocorreu o lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Nova Política Nacional de Saúde Mental da Assistência Psiquiátrica.
O grupo, em questão, manifesta-se a favor dos
princípios da Reforma Psiquiatra e Luta Antimanicomial e coloca-se contrário aos desmontes da
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Respondida
De acordo com a lei 10.216/2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, é correto afirmar que:
A
o tratamento visará, como finalidade pennanente, a inserção social do paciente na comunidade, no trabalho e na familia, sendo a internação indicada somente quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.
B
o tratamento em regime de internação será estruturado de forma a oferecer assistência médica intensiva. Os serviços de assistência social, psicológicos, ocupacionais e de lazer serão oferecidos apenas ambulatortalmente.
C
o ténnino da internação compulsórta dar-se-á por solicitação escrtta do familiar, ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável pelo tratamento.
D
evasão, transferência, acidente, intercorrência clinica grave e falecimento serão comunicados pela direção do estabelecimento de saúde mental aos familiares, bem como à autortdade sanitárta responsável, no prazo máximo de setenta e duas horas da data da ocorrência.
E
pesquisas científicas para fins diagnósticos ou terapêuticos poderão ser realizadas sem consentimento do paciente, ou de seu representante legal, desde que com de~da comunicação aos conselhos profissionais competentes e ao Conselho Nacional de Saúde.
Respondida
De acordo com o disposto na Carta das Nações Unidas, assinale a opção que apresenta corretamente um dos seus propósitos:
Respondida
A respeito da proteção internacional de casos relativos à
proibição da discriminação baseada em orientação sexual,
assinale a opção correta.
A
Os princípios de Yogyakarta constituem um tratado
internacional de amplo espectro de normas de direitos
humanos e de sua aplicação a questões de orientação sexual e
identidade de gênero.
B
Os princípios de Yogyakarta constituem um documento
criado a partir da reunião de diversos países e organismos
internacionais especificamente voltado para a proteção do
direito internacional dos direitos humanos em relação à
orientação sexual e identidade de gênero.
C
Segundo os princípios de Yogyakarta, os Estados deverão
assegurar, na medida do possível, que todos os detentos e
todas as detentas participem de decisões relacionadas ao local
de detenção adequado à sua orientação sexual e identidade
de gênero.
D
No caso Atala Riffo y niñas contra o Chile, a Corte
Interamericana de Direitos Humanos, em 24 de fevereiro
de 2012, entendeu que, em razão de a Convenção Americana
de Direitos Humanos não conter expressamente a proibição
de discriminação contra a orientação sexual, não seria
possível a responsabilização do país no caso analisado.
E
Apesar da relevância do assunto, a Corte Interamericana
de Direitos Humanos ainda não se manifestou sobre
mecanismos para retificação do registro civil de pessoas
transexuais, em conformidade com sua identidade de gênero,
em razão de que essa matéria ainda está sendo tratada na
Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Respondida
Assinale a opção correta acerca da supervisão internacional do
cumprimento pelo Estado brasileiro das deliberações de direitos
humanos.
A
As cláusulas de compatibilização previstas nos tratados
internacionais de direitos humanos preveem a prevalência da
jurisdição protetiva internacional sobre as jurisdições
nacionais, com o objetivo de maximizar a garantia de
efetivação de direitos humanos.
B
No caso do homicídio da missionária Dorothy Stang, o pedido
de deslocamento de competência formulado no IDC n.º 1/PA
foi deferido, tendo o STJ determinado a transferência do
julgamento do caso para a justiça federal do estado do Pará.
C
Ao ratificar a Convenção Americana de Direitos Humanos, o
Brasil assumiu a obrigação de cumprir as decisões da Corte
Interamericana de Direitos Humanos, vinculando todos os
Poderes e órgãos do Estado (Poderes Executivo, Legislativo,
Judiciário ou outros ramos do poder público) e demais
autoridades públicas ou estaduais, em qualquer nível, não
podendo invocar as disposições do direito constitucional ou
outros aspectos do direito interno para justificar eventual
descumprimento das obrigações constantes do referido
tratado.
D
O procurador-geral da República poderá, ouvido o Conselho
Nacional do Ministério Público, suscitar, perante o STF,
incidente de deslocamento de competência para a justiça
federal, quando julgar que o processo envolve grave violação
de direitos humanos e exige o cumprimento de obrigações
decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos
dos quais o Brasil seja parte.
E
Em razão do princípio da inércia da jurisdição, os mecanismos
de proteção internacionais só podem atuar quando provocados
pelos interessados por meio do sistema de petições.
Respondida
Acerca da proteção internacional dos povos indígenas e das
comunidades tradicionais nos âmbitos global e regional, assinale
a opção correta.
A
O emprego do termo “povos” na Convenção n.º 169 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1989,
implica o reconhecimento de que os grupos possuem valores
culturais, axiológicos e espirituais próprios, e não um simples
agrupamento de indivíduos. Também retrata que eles
possuem direitos coletivos que devem ser reconhecidos e
efetivados de forma a preservar a sua identidade e
garante-lhes a apropriação de todos os direitos que o termo
confere no direito internacional.
B
A Corte Interamericana de Direitos Humanos, no caso
Comunidade Indígena Xákmok Kásek versus Paraguai,
condenou o Estado do Paraguai pela prática de genocídio
por ação premeditada para exterminar o povo Xákmok
Kásek por meio de um plano de extermínio dirigido contra
os indígenas, tendo o país permitido que suas tropas
estuprassem e matassem integrantes desse povo e
saqueassem suas propriedades.
C
No caso Saramaka versus Suriname, a Corte Interamericana
de Direitos Humanos entendeu que o Estado do Suriname não
cumpriu com seu dever de fazer efetivos, em nível interno, os
direitos à propriedade dos membros do povo Saramaka,
comunidade tribal que vive na região superior do Rio
Suriname, e estabeleceu que tal Estado não poderá restringir
o direito de propriedade do referido povo, porque dele
depende a manutenção de suas tradições comunais.
D
No caso Povo Indígena Xucuru e Seus Membros versus Brasil,
julgado em fevereiro de 2018, a Corte Interamericana de
Direitos Humanos condenou o Brasil pela ineficácia do Estado
na garantia do direito à terra de povo indígena. A demora no
processo demarcatório da terra indígena Xucuru, localizada
em Pesqueiras (PE), provocou atritos entre indígenas e não
indígenas, do que resultou a morte de lideranças Xucuru,
inclusive de um cacique, e, mesmo depois da finalização, o
Estado não promoveu a desintrusão completa do território
nos anos subsequentes, até a sentença da Corte Interamericana
de Direitos Humanos. A Corte determinou que o Brasil se
abstivesse de pagar qualquer indenização por benfeitorias a
ocupantes não indígenas, por se tratar de uma ocupação ilegal,
e que garantisse, de maneira imediata e efetiva, o direito de
propriedade coletiva do povo indígena Xucuru sobre seu
território, concluindo o processo de desintrusão e removendo
qualquer tipo de obstáculo ou interferência sobre o território
em questão.
E
O caso das comunidades dos quilombolas de Alcântara,
localizadas no estado do Maranhão, foi apresentado à Corte
Interamericana de Direitos Humanos em 5 de janeiro de 2022,
após ter sido acionada pela Comissão Interamericana de
Direitos Humanos (CIDH), que denunciou o Brasil por
violação do direito de propriedade de comunidades
tradicionais, em razão, sobretudo, da relação de ancestralidade
daqueles sujeitos com o território. A CIDH concluiu que o
Estado brasileiro descumpriu suas obrigações internacionais,
uma vez que: não garantiu que as restrições ao direito de
propriedade por razões de utilidade pública respeitassem o
direito à propriedade ancestral das comunidades, garantindo o
direito de consulta com o fim de obter seu consentimento; não
realizou estudos ambientais e sociais adequados; gerou um
processo de reassentamento com graves deficiências, sem que a
entrega de terras alternativas fosse adequada; e não concedeu
compensação integral, como permitir que as comunidades
participassem dos benefícios do projeto.