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Leia o texto abaixo transcrito e, em seguida, responda a questão a ele referente:
Risco Brasil
(Ferreira Gullar)
Todo mundo que tem um bicho de estimação – um gato, um cachorro – um dia se pergunta: e se ele morrer, o que faço? Onde o enterro? É que ninguém tem coragem de simplesmente jogar no lixo o corpo de seu amigo fiel.
Há a alternativa, surgida mais recentemente, de enterrar o animal de estimação num cemitério de animais, mas nem todo mundo gosta disso, considerando que é levar longe demais esta relação de amizade entre desiguais.
Não sei se dona Teresa chegou a estudar essa hipótese, porque, de fato, parecia-lhe quase uma traição ficar cogitando de onde enterrar o companheiro que, inocente e alegremente, saltava em sua volta abanando o rabo e lambendo-lhe o rosto. Não tomou nenhuma decisão, embora soubesse muito bem que seu cão era bastante idoso. Assim foi que, de repente, o My Friend morreu.
Pode-se imaginar o choque emocional que sofreu dona Maia Teresa, ao deparar com o cão estirado a um canto da área de serviço próximo ao prato de ração. No primeiro momento, achou que ele estava dormindo, embora ele não costumasse dormir naquela posição e com a língua de fora.
- My Friend, My Friend! – chamou ela, tocando-lhe com a mão.
Como ele não acordou nem se moveu, ela entrou em pânico: seu cãozinho estava morto! Cãozinho é modo carinhoso de dizer, já que My Friend era um vira-lata de tamanho médio e que crescera bastante devido à boa alimentação e o bom-trato.
Depois de enxugar as lágrimas e vencer o pânico, dona Teresa voltou à realidade prática: e agora? onde vou enterrar o My Friend, meu Deus? As ideias mais disparatadas lhe vieram à cabeça, até mesmo a de embrulhá-lo e deixá-lo num terreno baldio. Não, isso não podia fazer com o coitado... E se o enterrasse ali? Sim, podia comprar uma pá, levá-lo até um terreno baldio à noite, cavar uma cova e enterrá-lo. Não importava se se tratava de um terreno baldio ou um jardim, o fundamental era não deixá-lo apodrecendo ao relento, como se fosse um bicho sem dono, um cão vadio, sem pai nem mãe... Logo se deu conta de que essa era uma solução inviável, pois não tinha carro, não conhecia nenhum terreno baldio e nem teria coragem de sozinha levar a cabo essa missão... Nisto é que dá viver sozinha, sem marido nem filhos... Estava, assim, à beira do desespero, quando se lembrou da Neusinha, sua amiga, antiga companheira de trabalho na prefeitura, que morava numa casa com quintal. Telefonou de imediato para ela e, mal contendo o choro, expôs-lhe seu drama.
- Traz o bichinho aqui pra casa – acudiu-lhe a amiga. A gente enterra ele no quintal.
Maria Teresa ganhou vida nova e tratou de tomar as providências necessárias. Teria que transportar o cadáver de My Friend num táxi e logo viu que não poderia entrar no carro com o bicho morto nos braços. O motorista não iria permitir. Embrulhá-lo numa toalha de banho? Não, ia ficar esquisito... Foi quando se lembrou da caixa de papelão onde viera a sua nova televisão e que era suficientemente grande para caber o corpo do cachorro. Correu ao quarto da empregada onde guardara a caixa, trouxe-a para a área de serviço e pôs o corpo do amigo dentro dela. Para que a caixa não abrisse, recorreu ao rolo de fita gomada e a lacrou. Respirou aliviada, as coisas agora caminhavam para uma solução.
Trocou de roupa, desceu com a caixa pelo elevador e, com a ajuda do porteiro, chegou à beira da calçada onde tomou o primeiro táxi que passava.
- Para o Recreio dos Bandeirantes – disse ao taxista, depois de acomodar-se com a caixa no banco de trás.
O Recreio era longe e as luzes das ruas já estavam acesas. Não se podia dizer que Maria Teresa estivesse feliz mas agradecia a Deus por ter encontrado um jeito de resolver o problema. Perdia-se nesta e outras considerações quando viu que a viagem chegava ao fim.
- Passando a esquina, a terceira casa à direita, informou ao taxista.
O táxi andou mais alguns metros e parou.
- Não é aqui, não, moço, é depois da esquina.
- São vinte reais, madame. Pague e desça do carro.
- Mas...
- Faça o que tou dizendo, antes que eu perca a paciência.
Sem entender nada, ela abriu a bolsa, tirou o dinheiro e entregou ao homem. Ao fazer menção de pegar a caixa, ele falou:
- A televisão fica.
- Moço, nesta caixa...
- Desça logo, sua vaca! – berrou o taxista. A televisão fica!
Tremendo de medo, Maria Teresa desceu do táxi, que se afastou rapidamente levando consigo uma bela surpresa para o motorista ladrão.
GULLAR, Ferreira. Crônicas para jovens / seleção,
prefácio e notas biobibliográficas Antonieta Cunha. – 1ª
ed. – São Paulo: Global, 2011. (Coleção Crônicas para
Jovens)
Marque a opção CORRETA, de acordo com o texto:
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Caso de chá
(Carlos Drummond de Andrade)
A casa da velha senhora ficava na encosta do morro, tão bem situada que dali se aprecia o bairro inteiro, e o mar é uma de suas riquezas visuais. Mas o terreno em volta da casa vive no abandono. O jardineiro despediu-se há tempos; hortelão, não se encontra nem por milagre. A velha moradora resigna-se a ver crescer a tiririca na propriedade que antes era um brinco. Até cobra começou a passear entre a folhagem, com indolência; é uma cobrinha de nada, mas sempre assusta.
O verdureiro que faz ponto na rua lá embaixo ofereceu-se para matá-la. A boa senhora reluta, mas não pode viver com uma cobra tomando banho de sol junto ao portão, e a bicha é liquidada a pau. Bom rapaz, o verdureiro, cheio de atenções para com os fregueses. Na ocasião, um problema o preocupa: não tem onde guardar à noite a carrocinha de verduras.
- Ora, o senhor pode guardar aqui em casa. Lugar não falta.
- Muito agradecido, mas vai incomodar a madame.
- Incomoda não, meu filho.
A carrocinha passa a ser recolhida nos fundos do terreno. Todas as manhãs o dono vem retirá-la, trazendo legumes frescos para a gentil senhora. Cobra-lhe menos e até não cobra nada. Bons amigos.
- Madame gosta de chá?
- Não posso tomar, me dá dispepsia, me põe nervosa.
- Pois eu sou doido por chá. Mas está tão caro que nem tenho coragem de comprar. Posso fazer um pedido? Quem sabe se a madame, com esse terreno todo sem aproveitar, não me deixa plantar uns pés, pouquinha coisa, só para o meu consumo?
Claro que deixa. Em poucas horas o quintal é capinado, tudo ganha outro aspecto. Mão boa é a desse moço: o que ele planta é viço imediato. A pequenina cultura de chá torna alegre outra vez a terra abandonada. Não faz mal que a plantação se vá estendendo por toda a área. A velha senhora sente prazer em ajudar o bom lavrador. Alegando que precisa fazer exercício, caminhando com cautela pois enxerga mal, ela rega as plantinhas, que lhe agradecem a atenção prosperando rapidamente.
- Madame sabe: minha intenção era colher só uma pequena quantidade. Mas o chá saiu tão bom que os parentes vivem me pedindo um pouco e eu não posso negar a eles. É pena madame não experimentar. Mas não aconselho: se faz mal, não deve mesmo tocar neste chá.
O filho da velha senhora chegou da Europa esta noite. Lá ficou anos estudando. Achou a mãe lépida, bem-disposta.
- E eu trabalho, sabe, meu querido? Todos os dias rego a plantação de chá que um moço me pediu licença para fazer no quintal. Amanhã de manhã você vai ver a beleza que está.
O verdureiro já havia saído com a carrocinha. A senhora estende o braço, mostra com orgulho a lavoura que, pelo esforço em comum, é também um pouco sua. O filho quase cai duro:
- A senhora está maluca? Isso nunca foi chá, nem aqui nem na Índia. Isso é maconha, mamãe!
ANDRADE, Carlos Drummond de. As palavras que
ninguém diz. Seleção de Luíza de Maria. - 12a ed. - Rio
de Janeiro: Record, 2008.
" A velha moradora resigna-se a ver crescer a tiririca na propriedade que antes era um brinco. Até cobra começou a passear entre a folhagem, com indolência; é uma cobrinha de nada, mas sempre assusta.”
A palavra brinco está sendo empregada em que sentido?
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Assinale a alternativa que indica as estruturas anatômicas observadas no elemento dentário 46:
I. Presença de sulcos, fóssulas e cristas marginais;
II. Presença de Tubérculo de Carabelli;
III. Presença de três cúspides vestibulares;
IV. Cúspides distais mais volumosas;
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2529288
Ano: 2016
Disciplina: Direito Tributário
Banca: FACET Concursos
Orgão: Pref. Marcação-PB
Disciplina: Direito Tributário
Banca: FACET Concursos
Orgão: Pref. Marcação-PB
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- Espécies TributáriasImpostosImpostos Municipais/DFImposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN
Assinale o item incorreto:
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Leia o texto abaixo transcrito e, em seguida, responda a questão a ele referente:
A casa
Um casal amigo se separa e a mulher decide vender a casa. Vai morar com os filhos num apartamento novo. O homem também se instala em outro lugar, igualmente confortável. Ambos estão felizes e satisfeitos com a mudança. Ele já tem uma bonita namorada e ela muito em breve achará novo companheiro. Bem feitas as contas, o prejuízo foi meu, que perdi o terraço. Sim, era um pouco meu aquele pedaço da casa, onde passei bons momentos de férias, desfrutando a brisa atlântica e tomando uísque com água de coco.
Quando anunciaram o desenlace eu quis defender os meus interesses, mas deixei barato e permiti que seguissem o seu destino. Sou um sujeito compreensivo, abri mão do terraço. Fui mais longe em minha generosidade. Renunciei aos livros, discos, garrafas de boa bebida, quarto refrigerado. E abri mão principalmente, sufocando queixas, de uma cálida atmosfera humana, impossível de achar em qualquer hotel cinco estrelas e que o tempo vinha desgastando naquela casa finalmente desfeita, vendida, abandonada. Parece que esse é o destino inexorável de todas as casas. Acabam compradas, trocadas por apartamentos, invadidas por estranhos.
O desmonte foi lento e triste. Vi, nos preparativos da mudança, o descarte de coisas imprestáveis, com o vago sentimento de que também eu estava sendo descartado e deixado para trás como um guarda-chuva quebrado ou um velho objeto empoeirado e sem serventia. Dos moradores, somente minha mulher e eu, que éramos temporários, parecíamos ter saudades. Espiávamos, comovidos, aquelas caixas pardas que se iam fechando, levando um pouco de nós dois dentro delas. Ficava patente que estávamos vivendo o nosso último verão com aquelas pessoas tão queridas, para as quais, entretanto, pouco importava a proximidade do mar, a mangueira plena de frutos, o sudoeste soprando no fim das tardes, o cheiro de terra molhada pela “chuva de caju” nos ensolarados dezembros do Recife.
Tiramos uma fotografia do jardim. Contemplamos gravemente a paisagem líquida e verde que se descortinava no terraço. E vimos o quintal com os mesmos olhos saudosos que, na infância, reparavam os quintais pela última vez, a cada mudança.
Depois desse disfarçado ritual, abraços e beijos na família que nos hospedou. Já dentro do táxi para o aeroporto, arrisco um aceno discreto para a casa. Ela vai ficar ali, esperando novos e desconhecidos moradores. Guardando, em seu silêncio de pedra, noites alegres, festas, risadas, palavras amigas, e tudo mais que de repente se muda do tempo de agora para o cinzento do passado irrecorrível. Adeus, acabou.
FALCÃO, Aluízio. Crônicas da vida boêmia. Editora Ateliê
Editorial. São Paulo: 1998.
Marque a alternativa CORRETA, de acordo com o texto:
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Um paciente tem estado imóvel há várias horas. Um de seus braços está erguido e o outro está envolta do seu pescoço. O paciente não aparenta estar ciente daquilo que o cerca e resiste ativamente a quaisquer tentativas de mudar sua posição atual.
Esse é um exemplo de:
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Assinale a alternativa que NÃO possui conceitos advindos da teoria de Vygotsky
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2529121
Ano: 2016
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: FACET Concursos
Orgão: Pref. Marcação-PB
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: FACET Concursos
Orgão: Pref. Marcação-PB
Provas:
Quando a concessão é realizada por pessoas integrantes da própria administração temos:
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Em relação à farmacocinética, assinale a alternativa correta.
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Leia o texto abaixo transcrito e, em seguida, responda a questão a ele referente:
Caso de chá
(Carlos Drummond de Andrade)
A casa da velha senhora ficava na encosta do morro, tão bem situada que dali se aprecia o bairro inteiro, e o mar é uma de suas riquezas visuais. Mas o terreno em volta da casa vive no abandono. O jardineiro despediu-se há tempos; hortelão, não se encontra nem por milagre. A velha moradora resigna-se a ver crescer a tiririca na propriedade que antes era um brinco. Até cobra começou a passear entre a folhagem, com indolência; é uma cobrinha de nada, mas sempre assusta.
O verdureiro que faz ponto na rua lá embaixo ofereceu-se para matá-la. A boa senhora reluta, mas não pode viver com uma cobra tomando banho de sol junto ao portão, e a bicha é liquidada a pau. Bom rapaz, o verdureiro, cheio de atenções para com os fregueses. Na ocasião, um problema o preocupa: não tem onde guardar à noite a carrocinha de verduras.
- Ora, o senhor pode guardar aqui em casa. Lugar não falta.
- Muito agradecido, mas vai incomodar a madame.
- Incomoda não, meu filho.
A carrocinha passa a ser recolhida nos fundos do terreno. Todas as manhãs o dono vem retirá-la, trazendo legumes frescos para a gentil senhora. Cobra-lhe menos e até não cobra nada. Bons amigos.
- Madame gosta de chá?
- Não posso tomar, me dá dispepsia, me põe nervosa.
- Pois eu sou doido por chá. Mas está tão caro que nem tenho coragem de comprar. Posso fazer um pedido? Quem sabe se a madame, com esse terreno todo sem aproveitar, não me deixa plantar uns pés, pouquinha coisa, só para o meu consumo?
Claro que deixa. Em poucas horas o quintal é capinado, tudo ganha outro aspecto. Mão boa é a desse moço: o que ele planta é viço imediato. A pequenina cultura de chá torna alegre outra vez a terra abandonada. Não faz mal que a plantação se vá estendendo por toda a área. A velha senhora sente prazer em ajudar o bom lavrador. Alegando que precisa fazer exercício, caminhando com cautela pois enxerga mal, ela rega as plantinhas, que lhe agradecem a atenção prosperando rapidamente.
- Madame sabe: minha intenção era colher só uma pequena quantidade. Mas o chá saiu tão bom que os parentes vivem me pedindo um pouco e eu não posso negar a eles. É pena madame não experimentar. Mas não aconselho: se faz mal, não deve mesmo tocar neste chá.
O filho da velha senhora chegou da Europa esta noite. Lá ficou anos estudando. Achou a mãe lépida, bem-disposta.
- E eu trabalho, sabe, meu querido? Todos os dias rego a plantação de chá que um moço me pediu licença para fazer no quintal. Amanhã de manhã você vai ver a beleza que está.
O verdureiro já havia saído com a carrocinha. A senhora estende o braço, mostra com orgulho a lavoura que, pelo esforço em comum, é também um pouco sua. O filho quase cai duro:
- A senhora está maluca? Isso nunca foi chá, nem aqui nem na Índia. Isso é maconha, mamãe!
ANDRADE, Carlos Drummond de. As palavras que
ninguém diz. Seleção de Luíza de Maria. - 12a ed. - Rio
de Janeiro: Record, 2008.
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