Foram encontradas 1.504 questões.
Uma escola recebeu uma verba de R$ 15.000,00 para
a compra de alguns itens, a saber: 6 lotes de apostilas,
cada um custando R$ 600,00; 18 carteiras escolares,
cada uma custando R$ 420,00; e 4 projetores, cada um
custando R$ 480,00.
Depois de feita a compra, verificou-se que sobrou certo valor da verba. Se esse valor remanescente for disponibilizado para a compra de impressoras de mesa, cada uma custando R$ 580,00, será possível comprar, no máximo,
Depois de feita a compra, verificou-se que sobrou certo valor da verba. Se esse valor remanescente for disponibilizado para a compra de impressoras de mesa, cada uma custando R$ 580,00, será possível comprar, no máximo,
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Leia o texto para responder à questão:
As crianças deixadas para trás
O instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), com o apoio das fundações Bracell,
Itaú, VélezReyes+, Van Leer e do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), lançou recentemente um indicador
que mede a cobertura da educação infantil no Brasil. Vistos
de cima, os dados sobre as matrículas das crianças de 0 a 5
anos de idade transmitem a sensação de que tudo vai bem,
mas não vai: a análise dos dados revela uma persistente
negligência das autoridades públicas no cuidado da primeira
infância.
Uma emenda à Constituição, de 2009, tornou obrigatória
a matrícula das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. E o prazo para o País alcançar a universalização, que é um índice
de matrícula acima de 95%, era até 2016. Segundo o Iede,
94,6% das crianças frequentavam a pré-escola em 2025, o
que até permitiria inferir que falta pouco para o Brasil bater
a meta.
Mas, passados dez anos, o que se vê são desigualdades
intoleráveis entre municípios, Estados e regiões. Segundo o
Iede, 876 municípios brasileiros – ou 16% do total – ainda
não alcançaram nem a marca de 90% das crianças matriculadas na pré-escola. Não é exagero afirmar que mais de
300 mil crianças vivem à margem do direito constitucional à
educação infantil.
O local de nascimento de uma criança pode definir quem
tem ou não o direito universal à educação. Enquanto no Piauí
100% das crianças frequentam a pré-escola, no Amapá esse
índice não chega a 70%. Aliás, o Norte lidera os indicadores
negativos: 29% dos municípios da região têm menos de 90%
das crianças na pré-escola.
A atual realidade não autoriza otimismo. Tudo isso é
muito triste, porque a Constituição fez muitas promessas
aos cidadãos: uma delas é a de que o Brasil combateria as
desigualdades regionais e outra é a de que as crianças deveriam ser tratadas, pelo Estado, pela família e pela sociedade,
com “absoluta prioridade”. Mas, decerto porque as crianças
não votam, as autoridades públicas brasileiras decidiram não
honrar o compromisso firmado com todas elas, deixando-as,
assim, para trás.
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 03.05.2026. Adaptado)
• a análise dos dados revela uma persistente negligência das autoridades públicas no cuidado da primeira infância. (1° parágrafo)
• Uma emenda à Constituição, de 2009, tornou obrigatória a matrícula das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. (2° parágrafo)
De acordo com a norma-padrão, os trechos destacados podem ser substituídos, respectivamente, por:
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As crianças deixadas para trás
O instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), com o apoio das fundações Bracell,
Itaú, VélezReyes+, Van Leer e do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), lançou recentemente um indicador
que mede a cobertura da educação infantil no Brasil. Vistos
de cima, os dados sobre as matrículas das crianças de 0 a 5
anos de idade transmitem a sensação de que tudo vai bem,
mas não vai: a análise dos dados revela uma persistente
negligência das autoridades públicas no cuidado da primeira
infância.
Uma emenda à Constituição, de 2009, tornou obrigatória
a matrícula das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. E o prazo para o País alcançar a universalização, que é um índice
de matrícula acima de 95%, era até 2016. Segundo o Iede,
94,6% das crianças frequentavam a pré-escola em 2025, o
que até permitiria inferir que falta pouco para o Brasil bater
a meta.
Mas, passados dez anos, o que se vê são desigualdades
intoleráveis entre municípios, Estados e regiões. Segundo o
Iede, 876 municípios brasileiros – ou 16% do total – ainda
não alcançaram nem a marca de 90% das crianças matriculadas na pré-escola. Não é exagero afirmar que mais de
300 mil crianças vivem à margem do direito constitucional à
educação infantil.
O local de nascimento de uma criança pode definir quem
tem ou não o direito universal à educação. Enquanto no Piauí
100% das crianças frequentam a pré-escola, no Amapá esse
índice não chega a 70%. Aliás, o Norte lidera os indicadores
negativos: 29% dos municípios da região têm menos de 90%
das crianças na pré-escola.
A atual realidade não autoriza otimismo. Tudo isso é
muito triste, porque a Constituição fez muitas promessas
aos cidadãos: uma delas é a de que o Brasil combateria as
desigualdades regionais e outra é a de que as crianças deveriam ser tratadas, pelo Estado, pela família e pela sociedade,
com “absoluta prioridade”. Mas, decerto porque as crianças
não votam, as autoridades públicas brasileiras decidiram não
honrar o compromisso firmado com todas elas, deixando-as,
assim, para trás.
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 03.05.2026. Adaptado)
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As crianças deixadas para trás
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Desenvolvimento (BID), lançou recentemente um indicador
que mede a cobertura da educação infantil no Brasil. Vistos
de cima, os dados sobre as matrículas das crianças de 0 a 5
anos de idade transmitem a sensação de que tudo vai bem,
mas não vai: a análise dos dados revela uma persistente
negligência das autoridades públicas no cuidado da primeira
infância.
Uma emenda à Constituição, de 2009, tornou obrigatória
a matrícula das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. E o prazo para o País alcançar a universalização, que é um índice
de matrícula acima de 95%, era até 2016. Segundo o Iede,
94,6% das crianças frequentavam a pré-escola em 2025, o
que até permitiria inferir que falta pouco para o Brasil bater
a meta.
Mas, passados dez anos, o que se vê são desigualdades
intoleráveis entre municípios, Estados e regiões. Segundo o
Iede, 876 municípios brasileiros – ou 16% do total – ainda
não alcançaram nem a marca de 90% das crianças matriculadas na pré-escola. Não é exagero afirmar que mais de
300 mil crianças vivem à margem do direito constitucional à
educação infantil.
O local de nascimento de uma criança pode definir quem
tem ou não o direito universal à educação. Enquanto no Piauí
100% das crianças frequentam a pré-escola, no Amapá esse
índice não chega a 70%. Aliás, o Norte lidera os indicadores
negativos: 29% dos municípios da região têm menos de 90%
das crianças na pré-escola.
A atual realidade não autoriza otimismo. Tudo isso é
muito triste, porque a Constituição fez muitas promessas
aos cidadãos: uma delas é a de que o Brasil combateria as
desigualdades regionais e outra é a de que as crianças deveriam ser tratadas, pelo Estado, pela família e pela sociedade,
com “absoluta prioridade”. Mas, decerto porque as crianças
não votam, as autoridades públicas brasileiras decidiram não
honrar o compromisso firmado com todas elas, deixando-as,
assim, para trás.
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 03.05.2026. Adaptado)
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As crianças deixadas para trás
O instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), com o apoio das fundações Bracell,
Itaú, VélezReyes+, Van Leer e do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), lançou recentemente um indicador
que mede a cobertura da educação infantil no Brasil. Vistos
de cima, os dados sobre as matrículas das crianças de 0 a 5
anos de idade transmitem a sensação de que tudo vai bem,
mas não vai: a análise dos dados revela uma persistente
negligência das autoridades públicas no cuidado da primeira
infância.
Uma emenda à Constituição, de 2009, tornou obrigatória
a matrícula das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. E o prazo para o País alcançar a universalização, que é um índice
de matrícula acima de 95%, era até 2016. Segundo o Iede,
94,6% das crianças frequentavam a pré-escola em 2025, o
que até permitiria inferir que falta pouco para o Brasil bater
a meta.
Mas, passados dez anos, o que se vê são desigualdades
intoleráveis entre municípios, Estados e regiões. Segundo o
Iede, 876 municípios brasileiros – ou 16% do total – ainda
não alcançaram nem a marca de 90% das crianças matriculadas na pré-escola. Não é exagero afirmar que mais de
300 mil crianças vivem à margem do direito constitucional à
educação infantil.
O local de nascimento de uma criança pode definir quem
tem ou não o direito universal à educação. Enquanto no Piauí
100% das crianças frequentam a pré-escola, no Amapá esse
índice não chega a 70%. Aliás, o Norte lidera os indicadores
negativos: 29% dos municípios da região têm menos de 90%
das crianças na pré-escola.
A atual realidade não autoriza otimismo. Tudo isso é
muito triste, porque a Constituição fez muitas promessas
aos cidadãos: uma delas é a de que o Brasil combateria as
desigualdades regionais e outra é a de que as crianças deveriam ser tratadas, pelo Estado, pela família e pela sociedade,
com “absoluta prioridade”. Mas, decerto porque as crianças
não votam, as autoridades públicas brasileiras decidiram não
honrar o compromisso firmado com todas elas, deixando-as,
assim, para trás.
(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 03.05.2026. Adaptado)
• ... a análise dos dados revela uma persistente negligência das autoridades públicas... (1° parágrafo)
• ... o que se vê são desigualdades intoleráveis entre municípios, Estados e regiões. (3° parágrafo)
Os termos destacados são, correta e respectivamente, antônimos de:
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Itaú, VélezReyes+, Van Leer e do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), lançou recentemente um indicador
que mede a cobertura da educação infantil no Brasil. Vistos
de cima, os dados sobre as matrículas das crianças de 0 a 5
anos de idade transmitem a sensação de que tudo vai bem,
mas não vai: a análise dos dados revela uma persistente
negligência das autoridades públicas no cuidado da primeira
infância.
Uma emenda à Constituição, de 2009, tornou obrigatória
a matrícula das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. E o prazo para o País alcançar a universalização, que é um índice
de matrícula acima de 95%, era até 2016. Segundo o Iede,
94,6% das crianças frequentavam a pré-escola em 2025, o
que até permitiria inferir que falta pouco para o Brasil bater
a meta.
Mas, passados dez anos, o que se vê são desigualdades
intoleráveis entre municípios, Estados e regiões. Segundo o
Iede, 876 municípios brasileiros – ou 16% do total – ainda
não alcançaram nem a marca de 90% das crianças matriculadas na pré-escola. Não é exagero afirmar que mais de
300 mil crianças vivem à margem do direito constitucional à
educação infantil.
O local de nascimento de uma criança pode definir quem
tem ou não o direito universal à educação. Enquanto no Piauí
100% das crianças frequentam a pré-escola, no Amapá esse
índice não chega a 70%. Aliás, o Norte lidera os indicadores
negativos: 29% dos municípios da região têm menos de 90%
das crianças na pré-escola.
A atual realidade não autoriza otimismo. Tudo isso é
muito triste, porque a Constituição fez muitas promessas
aos cidadãos: uma delas é a de que o Brasil combateria as
desigualdades regionais e outra é a de que as crianças deveriam ser tratadas, pelo Estado, pela família e pela sociedade,
com “absoluta prioridade”. Mas, decerto porque as crianças
não votam, as autoridades públicas brasileiras decidiram não
honrar o compromisso firmado com todas elas, deixando-as,
assim, para trás.
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As crianças deixadas para trás
O instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), com o apoio das fundações Bracell,
Itaú, VélezReyes+, Van Leer e do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), lançou recentemente um indicador
que mede a cobertura da educação infantil no Brasil. Vistos
de cima, os dados sobre as matrículas das crianças de 0 a 5
anos de idade transmitem a sensação de que tudo vai bem,
mas não vai: a análise dos dados revela uma persistente
negligência das autoridades públicas no cuidado da primeira
infância.
Uma emenda à Constituição, de 2009, tornou obrigatória
a matrícula das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. E o prazo para o País alcançar a universalização, que é um índice
de matrícula acima de 95%, era até 2016. Segundo o Iede,
94,6% das crianças frequentavam a pré-escola em 2025, o
que até permitiria inferir que falta pouco para o Brasil bater
a meta.
Mas, passados dez anos, o que se vê são desigualdades
intoleráveis entre municípios, Estados e regiões. Segundo o
Iede, 876 municípios brasileiros – ou 16% do total – ainda
não alcançaram nem a marca de 90% das crianças matriculadas na pré-escola. Não é exagero afirmar que mais de
300 mil crianças vivem à margem do direito constitucional à
educação infantil.
O local de nascimento de uma criança pode definir quem
tem ou não o direito universal à educação. Enquanto no Piauí
100% das crianças frequentam a pré-escola, no Amapá esse
índice não chega a 70%. Aliás, o Norte lidera os indicadores
negativos: 29% dos municípios da região têm menos de 90%
das crianças na pré-escola.
A atual realidade não autoriza otimismo. Tudo isso é
muito triste, porque a Constituição fez muitas promessas
aos cidadãos: uma delas é a de que o Brasil combateria as
desigualdades regionais e outra é a de que as crianças deveriam ser tratadas, pelo Estado, pela família e pela sociedade,
com “absoluta prioridade”. Mas, decerto porque as crianças
não votam, as autoridades públicas brasileiras decidiram não
honrar o compromisso firmado com todas elas, deixando-as,
assim, para trás.
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Leia o texto para responder à questão:
Memórias de um aprendiz de escritor
Cresci ouvindo histórias. Porque tinham histórias a contar, eles: meus pais, meus tios, nossos vizinhos. Eram, na
maioria, emigrantes. Da Rússia. Lá tinham vivido, como seus
antepassados, em pequenas aldeias, em meio a uma lírica
miséria, lendo a Bíblia, praticando a religião e trabalhando
como artesãos e pequenos comerciantes. A ruína do império czarista, nos anos que precederam a Revolução de 1917,
acarretou também a destruição desse pequeno mundo.
Contar histórias. Eis uma coisa que meus pais sabiam
fazer particularmente bem, com graça e humor; sabiam transformar pessoas em personagens, acontecimentos em situações ou cenas.
De minha mãe adquiri o gosto pela leitura. Éramos pobres, não indigentes; não chegávamos a passar fome, mas
tínhamos de economizar. Apesar disso nunca me faltou
dinheiro para livros. Minha mãe me levava à tradicional Livraria do Globo e eu podia escolher à vontade. Desde pequeno estava lendo. De tudo, como até hoje: Monteiro Lobato e
revistas em quadrinhos, divulgação científica e romances.
Ler. Lembro-me: uma manhã, acordo cedo. Não são seis
horas ainda. Vou para a salinha da frente, abro a janela, pego
um livro (são as aventuras do Camundongo Mickey). Leio um
pouco. Olho pela janela. No leito da rua, uma pomba debica
entre as pedras. Levanta a cabecinha e fixa em mim um pequeno olho escuro, duro como um grão. Mickey e a pomba.
Por onde andará a pomba porto-alegrense que à tênue luz
da madrugada parou um instante de bicar para olhar o garoto
com o livro na mão? Não sei, não sei de nada.
Monteiro Lobato era meu autor preferido. Mas eu também lia
o “Tesouro da Juventude”, uma enciclopédia infanto-juvenil em
dezoito volumes. Curioso, eu queria saber tudo: por que chove?
Quem depois de morta foi rainha? Lia, lia. Deitado num sofá,
o livro servindo como barreira entre a criança e o mundo. Isto:
o livro é uma barreira; mas é também a porta. A porta para um
mundo imaginário, onde eu vivia grande parte de meu tempo.
(Moacyr Scliar. Minha mãe não dorme
enquanto eu não chegar. 1996. Adaptado)
De acordo com a norma-padrão, as passagens destacadas admitem, respectivamente, as seguintes reescritas:
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Leia o texto para responder à questão:
Memórias de um aprendiz de escritor
Cresci ouvindo histórias. Porque tinham histórias a contar, eles: meus pais, meus tios, nossos vizinhos. Eram, na
maioria, emigrantes. Da Rússia. Lá tinham vivido, como seus
antepassados, em pequenas aldeias, em meio a uma lírica
miséria, lendo a Bíblia, praticando a religião e trabalhando
como artesãos e pequenos comerciantes. A ruína do império czarista, nos anos que precederam a Revolução de 1917,
acarretou também a destruição desse pequeno mundo.
Contar histórias. Eis uma coisa que meus pais sabiam
fazer particularmente bem, com graça e humor; sabiam transformar pessoas em personagens, acontecimentos em situações ou cenas.
De minha mãe adquiri o gosto pela leitura. Éramos pobres, não indigentes; não chegávamos a passar fome, mas
tínhamos de economizar. Apesar disso nunca me faltou
dinheiro para livros. Minha mãe me levava à tradicional Livraria do Globo e eu podia escolher à vontade. Desde pequeno estava lendo. De tudo, como até hoje: Monteiro Lobato e
revistas em quadrinhos, divulgação científica e romances.
Ler. Lembro-me: uma manhã, acordo cedo. Não são seis
horas ainda. Vou para a salinha da frente, abro a janela, pego
um livro (são as aventuras do Camundongo Mickey). Leio um
pouco. Olho pela janela. No leito da rua, uma pomba debica
entre as pedras. Levanta a cabecinha e fixa em mim um pequeno olho escuro, duro como um grão. Mickey e a pomba.
Por onde andará a pomba porto-alegrense que à tênue luz
da madrugada parou um instante de bicar para olhar o garoto
com o livro na mão? Não sei, não sei de nada.
Monteiro Lobato era meu autor preferido. Mas eu também lia
o “Tesouro da Juventude”, uma enciclopédia infanto-juvenil em
dezoito volumes. Curioso, eu queria saber tudo: por que chove?
Quem depois de morta foi rainha? Lia, lia. Deitado num sofá,
o livro servindo como barreira entre a criança e o mundo. Isto:
o livro é uma barreira; mas é também a porta. A porta para um
mundo imaginário, onde eu vivia grande parte de meu tempo.
(Moacyr Scliar. Minha mãe não dorme
enquanto eu não chegar. 1996. Adaptado)
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Memórias de um aprendiz de escritor
Cresci ouvindo histórias. Porque tinham histórias a contar, eles: meus pais, meus tios, nossos vizinhos. Eram, na
maioria, emigrantes. Da Rússia. Lá tinham vivido, como seus
antepassados, em pequenas aldeias, em meio a uma lírica
miséria, lendo a Bíblia, praticando a religião e trabalhando
como artesãos e pequenos comerciantes. A ruína do império czarista, nos anos que precederam a Revolução de 1917,
acarretou também a destruição desse pequeno mundo.
Contar histórias. Eis uma coisa que meus pais sabiam
fazer particularmente bem, com graça e humor; sabiam transformar pessoas em personagens, acontecimentos em situações ou cenas.
De minha mãe adquiri o gosto pela leitura. Éramos pobres, não indigentes; não chegávamos a passar fome, mas
tínhamos de economizar. Apesar disso nunca me faltou
dinheiro para livros. Minha mãe me levava à tradicional Livraria do Globo e eu podia escolher à vontade. Desde pequeno estava lendo. De tudo, como até hoje: Monteiro Lobato e
revistas em quadrinhos, divulgação científica e romances.
Ler. Lembro-me: uma manhã, acordo cedo. Não são seis
horas ainda. Vou para a salinha da frente, abro a janela, pego
um livro (são as aventuras do Camundongo Mickey). Leio um
pouco. Olho pela janela. No leito da rua, uma pomba debica
entre as pedras. Levanta a cabecinha e fixa em mim um pequeno olho escuro, duro como um grão. Mickey e a pomba.
Por onde andará a pomba porto-alegrense que à tênue luz
da madrugada parou um instante de bicar para olhar o garoto
com o livro na mão? Não sei, não sei de nada.
Monteiro Lobato era meu autor preferido. Mas eu também lia
o “Tesouro da Juventude”, uma enciclopédia infanto-juvenil em
dezoito volumes. Curioso, eu queria saber tudo: por que chove?
Quem depois de morta foi rainha? Lia, lia. Deitado num sofá,
o livro servindo como barreira entre a criança e o mundo. Isto:
o livro é uma barreira; mas é também a porta. A porta para um
mundo imaginário, onde eu vivia grande parte de meu tempo.
(Moacyr Scliar. Minha mãe não dorme
enquanto eu não chegar. 1996. Adaptado)
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