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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
O Português em Debate
Jerônimo Teixeira e Daniela Macedo
Será a língua portuguesa tão complexa a ponto de enredar aqueles que se propõem a dominá-la? Diante do fiasco de alguns homens públicos, profissionais em oratória, as pessoas comuns têm alguma esperança de expressar-se com maior clareza e eficiência? As respostas a essas duas perguntas são, pela ordem, não e sim. Para quem está empenhado em aperfeiçoar o manejo do idioma – e não será necessário lembrar que seu domínio, na fala ou na escrita, é crucial para o desenvolvimento profissional –, as oportunidades e as ferramentas são cada vez mais numerosas. Livrarias, bibliotecas e dicionários estão acessíveis pela internet, e a oferta de instrumentos auxiliares vem crescendo em volume e qualidade.
Mal amparado por escolas que se evadem a qualquer menção à análise sintática, o brasileiro nem sempre sabe onde buscar régua e compasso para disciplinar a língua que fala. O português é uma entidade dinâmica, continuamente alterada e enriquecida por novas gírias, expressões, palavras importadas, mas essa fluidez não faz dela um território sem leis. As gramáticas devem cumprir o papel do esclarecimento do que é correto ou não na escrita, a exemplo da obra de Evanildo Bechara. A fala, porém, admite muitas construções que seriam aberrantes na página impressa. "Vou no médico" é a forma mais comum, em conversas informais, ainda que o correto seja "vou ao médico". O que é preciso é achar o equilíbrio, mesmo nas diferenças de registro: um adolescente não pode empregar com os avós os mesmos termos que utiliza nas baladas com sua turma.
No Brasil, a gramática da língua oral foi alvo de um estudo pioneiro em 1969, quando o linguista Nelson Rosso, da Universidade Federal da Bahia, desenvolveu o projeto Norma Urbana Culta (Nurc). O trabalho, feito em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Recife, resultou em 1500 horas de gravações de discursos formais, entrevistas e diálogos envolvendo profissionais graduados de diversas áreas. As transcrições servem, ainda hoje, como base de estudo para teses e artigos. Recentemente, o linguista Ataliba de Castilho, um dos coordenadores do Nurc, lançou uma obra de fôlego, baseada nesse material de análise. Sua Nova Gramática do Português Brasileiro apresenta um recurso inovador em relação aos similares tradicionais: a análise sintática é feita sobre frases presentes no cotidiano do leitor. Essa aproximação com a realidade estimula a observação dos recursos da língua no dia a dia – nas conversas, nas novelas, nos noticiários. Ou seja, seu livro é uma ferramenta excelente não apenas para aprender a língua, mas também sobre ela.
Nas últimas décadas, por força da urbanização, o fosso que separava a fala culta da "popular" tem se estreitado. Em meados do século passado, por exemplo, "a gente" não era aceito como um equivalente de "nós". Hoje, é uma forma perfeitamente apropriada. "Nós" ganhou certo ar formal. "De terno e gravata, a reunião é conosco. De bermuda e chinelo, pode falar com a gente mesmo", brinca o professor de português Sérgio Nogueira. "A gente fomos", é claro, continua sendo o que sempre foi: um solecismo.
É saudável manter distância de modismos linguísticos, que logo viram vícios, como o do chamado "gerundismo". Não é que "vou estar enviando" seja errado do ponto de vista gramatical. Mas o transbordamento de verbos ofende a frase, que diria a mesma coisa com um "enviarei" ou "vou enviar".
O "gerundismo" pegou porque alguns creem que essa é uma forma sofisticada de falar. Outros, com o mesmo propósito, recorrem ao bacharelismo, confundindo afetação com riqueza vocabular. Dizer mais com menos é o ideal. E "falar difícil" é andar na contramão do bom-senso. No século XVII, o padre Antônio Vieira (que hoje, é verdade, soa rebuscado) já pregava a simplicidade: "O estilo há de ser muito fácil e muito natural", recomendava ele no Sermão da Sexagésima.
E aí se chega a uma recomendação que todo cidadão vem ouvindo desde que se sentou pela primeira vez nos bancos da escola: ler é indispensável para quem quer se expressar bem. E ler inclui de Machado de Assis e Graciliano Ramos até um blog decente na internet (mas atenção: é preciso ler de tudo – não uma coisa ou outra). Ler mostra as infinitas possibilidades de expressão da língua, enriquece o vocabulário (e o bom vocabulário é o melhor amigo da precisão), ensina o leitor a organizar seu pensamento e ainda oferece a ele algo de valor inestimável: conteúdo. Ter coisas interessantes e pertinentes a dizer é o primeiro passo para falar ou escrever bem.
(Texto adaptado da Revista Veja, 11 de agosto de 2010.)
O termo sobre na frase Ou seja, seu livro é uma ferramenta excelente não apenas para aprender a língua, mas também sobre ela. significa o mesmo que na alternativa:
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O habeas corpus NÃO é admissível para
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Segundo a Constituição da República Federativa do Brasil, será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que
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Analise as afirmações a seguir sobre programas do Windows XP.
I – O Desfragmentador de disco verifica e repara sistemas de arquivos e setores defeituosos de um disco.
II – O Bloco de notas é um programa de edição de texto que permite a inclusão de elementos gráficos no documento.
III – O Paint é usado para desenhar, colorir e editar imagens.
Quais estão corretas?
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"As metrópoles são lugares de concentração, lugares complexos, manifestações particulares do fenômeno urbano".
(SANTOS e SILVEIRA, 2004).
Sobre o tema metrópoles no Brasil, estão corretas as afirmativas abaixo, EXCETO uma delas. Assinale-a.
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Considerando o artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, qual das assertivas abaixo NÃO corresponde a um dos direitos que constam no referido artigo?
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
O Português em Debate
Jerônimo Teixeira e Daniela Macedo
Será a língua portuguesa tão complexa a ponto de enredar aqueles que se propõem a dominá-la? Diante do fiasco de alguns homens públicos, profissionais em oratória, as pessoas comuns têm alguma esperança de expressar-se com maior clareza e eficiência? As respostas a essas duas perguntas são, pela ordem, não e sim. Para quem está empenhado em aperfeiçoar o manejo do idioma – e não será necessário lembrar que seu domínio, na fala ou na escrita, é crucial para o desenvolvimento profissional –, as oportunidades e as ferramentas são cada vez mais numerosas. Livrarias, bibliotecas e dicionários estão acessíveis pela internet, e a oferta de instrumentos auxiliares vem crescendo em volume e qualidade.
Mal amparado por escolas que se evadem a qualquer menção à análise sintática, o brasileiro nem sempre sabe onde buscar régua e compasso para disciplinar a língua que fala. O português é uma entidade dinâmica, continuamente alterada e enriquecida por novas gírias, expressões, palavras importadas, mas essa fluidez não faz dela um território sem leis. As gramáticas devem cumprir o papel do esclarecimento do que é correto ou não na escrita, a exemplo da obra de Evanildo Bechara. A fala, porém, admite muitas construções que seriam aberrantes na página impressa. "Vou no médico" é a forma mais comum, em conversas informais, ainda que o correto seja "vou ao médico". O que é preciso é achar o equilíbrio, mesmo nas diferenças de registro: um adolescente não pode empregar com os avós os mesmos termos que utiliza nas baladas com sua turma.
No Brasil, a gramática da língua oral foi alvo de um estudo pioneiro em 1969, quando o linguista Nelson Rosso, da Universidade Federal da Bahia, desenvolveu o projeto Norma Urbana Culta (Nurc). O trabalho, feito em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Recife, resultou em 1500 horas de gravações de discursos formais, entrevistas e diálogos envolvendo profissionais graduados de diversas áreas. As transcrições servem, ainda hoje, como base de estudo para teses e artigos. Recentemente, o linguista Ataliba de Castilho, um dos coordenadores do Nurc, lançou uma obra de fôlego, baseada nesse material de análise. Sua Nova Gramática do Português Brasileiro apresenta um recurso inovador em relação aos similares tradicionais: a análise sintática é feita sobre frases presentes no cotidiano do leitor. Essa aproximação com a realidade estimula a observação dos recursos da língua no dia a dia – nas conversas, nas novelas, nos noticiários. Ou seja, seu livro é uma ferramenta excelente não apenas para aprender a língua, mas também sobre ela.
Nas últimas décadas, por força da urbanização, o fosso que separava a fala culta da "popular" tem se estreitado. Em meados do século passado, por exemplo, "a gente" não era aceito como um equivalente de "nós". Hoje, é uma forma perfeitamente apropriada. "Nós" ganhou certo ar formal. "De terno e gravata, a reunião é conosco. De bermuda e chinelo, pode falar com a gente mesmo", brinca o professor de português Sérgio Nogueira. "A gente fomos", é claro, continua sendo o que sempre foi: um solecismo.
É saudável manter distância de modismos linguísticos, que logo viram vícios, como o do chamado "gerundismo". Não é que "vou estar enviando" seja errado do ponto de vista gramatical. Mas o transbordamento de verbos ofende a frase, que diria a mesma coisa com um "enviarei" ou "vou enviar".
O "gerundismo" pegou porque alguns creem que essa é uma forma sofisticada de falar. Outros, com o mesmo propósito, recorrem ao bacharelismo, confundindo afetação com riqueza vocabular. Dizer mais com menos é o ideal. E "falar difícil" é andar na contramão do bom-senso. No século XVII, o padre Antônio Vieira (que hoje, é verdade, soa rebuscado) já pregava a simplicidade: "O estilo há de ser muito fácil e muito natural", recomendava ele no Sermão da Sexagésima.
E aí se chega a uma recomendação que todo cidadão vem ouvindo desde que se sentou pela primeira vez nos bancos da escola: ler é indispensável para quem quer se expressar bem. E ler inclui de Machado de Assis e Graciliano Ramos até um blog decente na internet (mas atenção: é preciso ler de tudo – não uma coisa ou outra). Ler mostra as infinitas possibilidades de expressão da língua, enriquece o vocabulário (e o bom vocabulário é o melhor amigo da precisão), ensina o leitor a organizar seu pensamento e ainda oferece a ele algo de valor inestimável: conteúdo. Ter coisas interessantes e pertinentes a dizer é o primeiro passo para falar ou escrever bem.
(Texto adaptado da Revista Veja, 11 de agosto de 2010.)
Relacione as colunas, associando as palavras da direita aos respectivos modos de formação de plural, à esquerda.
( 1 ) Forma o plural somente em "ãos". ( ) menção
( 2 ) Forma o plural somente em "ães". ( ) escrivão
( 3 ) Forma o plural somente em "ões". ( ) contramão
( 4 ) Admite mais de uma forma para o plural. ( ) sermão
( ) cidadão
( ) ancião
( ) tabelião
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, na coluna da direita, é
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Analise as afirmações a seguir sobre componentes básicos de hardware.
I – Os barramentos são utilizados para interligar os diferentes componentes da placa-mãe.
II – A unidade lógica de um processador é responsável pela busca das instruções de um programa, endereçando-as diretamente no disco rígido da máquina, pela interpretação dessas instruções e por sua execução.
III – A placa de vídeo é responsável pela execução das instruções que geram as imagens exibidas pelo monitor e, quando ela é onboard (integrada à placa-mãe), geralmente utiliza parte da memória principal para realizar o seu processamento.
Quais estão corretas?
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
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Jerônimo Teixeira e Daniela Macedo
Será a língua portuguesa tão complexa a ponto de enredar aqueles que se propõem a dominá-la? Diante do fiasco de alguns homens públicos, profissionais em oratória, as pessoas comuns têm alguma esperança de expressar-se com maior clareza e eficiência? As respostas a essas duas perguntas são, pela ordem, não e sim. Para quem está empenhado em aperfeiçoar o manejo do idioma – e não será necessário lembrar que seu domínio, na fala ou na escrita, é crucial para o desenvolvimento profissional –, as oportunidades e as ferramentas são cada vez mais numerosas. Livrarias, bibliotecas e dicionários estão acessíveis pela internet, e a oferta de instrumentos auxiliares vem crescendo em volume e qualidade.
Mal amparado por escolas que se evadem a qualquer menção à análise sintática, o brasileiro nem sempre sabe onde buscar régua e compasso para disciplinar a língua que fala. O português é uma entidade dinâmica, continuamente alterada e enriquecida por novas gírias, expressões, palavras importadas, mas essa fluidez não faz dela um território sem leis. As gramáticas devem cumprir o papel do esclarecimento do que é correto ou não na escrita, a exemplo da obra de Evanildo Bechara. A fala, porém, admite muitas construções que seriam aberrantes na página impressa. "Vou no médico" é a forma mais comum, em conversas informais, ainda que o correto seja "vou ao médico". O que é preciso é achar o equilíbrio, mesmo nas diferenças de registro: um adolescente não pode empregar com os avós os mesmos termos que utiliza nas baladas com sua turma.
No Brasil, a gramática da língua oral foi alvo de um estudo pioneiro em 1969, quando o linguista Nelson Rosso, da Universidade Federal da Bahia, desenvolveu o projeto Norma Urbana Culta (Nurc). O trabalho, feito em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Recife, resultou em 1500 horas de gravações de discursos formais, entrevistas e diálogos envolvendo profissionais graduados de diversas áreas. As transcrições servem, ainda hoje, como base de estudo para teses e artigos. Recentemente, o linguista Ataliba de Castilho, um dos coordenadores do Nurc, lançou uma obra de fôlego, baseada nesse material de análise. Sua Nova Gramática do Português Brasileiro apresenta um recurso inovador em relação aos similares tradicionais: a análise sintática é feita sobre frases presentes no cotidiano do leitor. Essa aproximação com a realidade estimula a observação dos recursos da língua no dia a dia – nas conversas, nas novelas, nos noticiários. Ou seja, seu livro é uma ferramenta excelente não apenas para aprender a língua, mas também sobre ela.
Nas últimas décadas, por força da urbanização, o fosso que separava a fala culta da "popular" tem se estreitado. Em meados do século passado, por exemplo, "a gente" não era aceito como um equivalente de "nós". Hoje, é uma forma perfeitamente apropriada. "Nós" ganhou certo ar formal. "De terno e gravata, a reunião é conosco. De bermuda e chinelo, pode falar com a gente mesmo", brinca o professor de português Sérgio Nogueira. "A gente fomos", é claro, continua sendo o que sempre foi: um solecismo.
É saudável manter distância de modismos linguísticos, que logo viram vícios, como o do chamado "gerundismo". Não é que "vou estar enviando" seja errado do ponto de vista gramatical. Mas o transbordamento de verbos ofende a frase, que diria a mesma coisa com um "enviarei" ou "vou enviar".
O "gerundismo" pegou porque alguns creem que essa é uma forma sofisticada de falar. Outros, com o mesmo propósito, recorrem ao bacharelismo, confundindo afetação com riqueza vocabular. Dizer mais com menos é o ideal. E "falar difícil" é andar na contramão do bom-senso. No século XVII, o padre Antônio Vieira (que hoje, é verdade, soa rebuscado) já pregava a simplicidade: "O estilo há de ser muito fácil e muito natural", recomendava ele no Sermão da Sexagésima.
E aí se chega a uma recomendação que todo cidadão vem ouvindo desde que se sentou pela primeira vez nos bancos da escola: ler é indispensável para quem quer se expressar bem. E ler inclui de Machado de Assis e Graciliano Ramos até um blog decente na internet (mas atenção: é preciso ler de tudo – não uma coisa ou outra). Ler mostra as infinitas possibilidades de expressão da língua, enriquece o vocabulário (e o bom vocabulário é o melhor amigo da precisão), ensina o leitor a organizar seu pensamento e ainda oferece a ele algo de valor inestimável: conteúdo. Ter coisas interessantes e pertinentes a dizer é o primeiro passo para falar ou escrever bem.
(Texto adaptado da Revista Veja, 11 de agosto de 2010.)
O solecismo é um erro de sintaxe que torna a frase incompreensível, imprecisa, ou é a inadequação de se levar para uma outra variedade de língua a norma de determinada variedade; em geral, da norma coloquial ou popular para a norma exemplar.
Assinale a única alternativa que NÃO contém um solecismo.
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O poder do palavrão
Como insultar e praguejar em português, com a ajuda de um dicionário
Luís Antônio Giron
Qualquer dia é dia de palavrão. Ele é necessário e insubstituível, como disse o sociólogo Gilberto Freyre. Há quem reclame que as palavras de baixo calão invadiram a vida cotidiana de forma irresistível. Jamais se pronunciou tanto palavrão como nos dias de hoje, e com tanta volúpia, afirmam tanto os safados como os guardiões da língua e dos bons costumes. E, de fato, o palavrão (ou "palavrada", "palavra obscena" ou "palavra-cabeluda") intrometeu-se em todos os registros de fala e todo tipo de conversação. Por que o fascínio pelo "submundo", pelos "esgotos" da linguagem? Vou tentar responder ao questionamento, recorrendo primeiramente a um livro.
Em 1974, o folclorista pernambucano Mário Souto Maior (1920-2001) concluiu o seu Dicionário do Palavrão e Termos Afins, agora republicado num caprichado volume da Editora Leitura, de Belo Horizonte.
Após um trabalho de dez anos, Souto Maior levantou 3 mil palavrões, entre vocábulos, locuções e expressões idiomáticas. A obra sofreu censura do regime militar e só foi publicada cinco anos depois, com o início da abertura política brasileira. Segundo o autor, a obra então já se afigurava incompleta, em virtude da criação constante de novos palavrões. Ao vir a público, já se tratava de um título ultrapassado. O que dirá hoje. Mas isso não importa. O dicionário é o flagrante de um tempo, que continua a ter validade trinta anos depois. No entanto, o malfadado Dicionário tornou-se uma espécie de catecismo pornográfico que circulou de mão em mão dos adolescentes no fim dos anos 70.
Talvez tenha chegado o momento de entronizar (sem trocadilhos de segundo sentido) Souto Maior como um pioneiro da lexicografia realista. Como ele próprio disse, os falantes da língua criam palavrões diariamente. É tamanha a produtividade fescenina da população que a criação de palavrões muitas vezes supera a das próprias palavras. Para chegar a seu dicionário, o pesquisador enviou questionários por carta a 3.620 pessoas. Agora seria muito mais fácil — e é curioso que não tenham aparecido desde então obras do mesmo fôlego. O amor pela descoberta era maior quando as dificuldades eram maiores ...
Curiosamente, Souto Maior demonstrou que a língua portuguesa é mais pobre em palavrões que outros idiomas. Ela perde para os palavrões em alemão (9 mil) e em francês (9 mil). Em inglês, palavrões e afins são mais usados do que pelos falantes em português, basta ligar a televisão. É preciso dizer que, quando o Dicionário foi publicado, havia menos palavrões em circulação.
Mesmo assim, o autor concluiu, com base nas respostas a seu questionário: "criança de hoje ganha da de ontem quanto ao uso do palavrão; e o aumento dos meios de comunicação, como a televisão, foi o motivo mais apontado".
Outras conclusões do nosso "folclorista" (termo igualmente fora de moda) merecem comentários e relativizações: "O homem, o jovem e o pobre falam mais palavrão do que a mulher, o velho e o rico". Hoje talvez isso não valha mais. A gente ouve cada palavrão dito por mulheres e ricos ...
"Quase todos falam palavrão; quando não falam, pensam", afirma Souto Maior, não sem razão. "Um palavrão do Nordeste é uma palavra educada no Sul e vice-versa".
Acho difícil apontar o palavrão mais falado. A variedade parece infinita. Afinal, qualquer palavrão hoje não pode mais ser denominado de tabu. Uma exceção é a palavra escrita. Publicação que se preze ainda hoje evita palavrões. Na internet, via blogs e redes sociais, o palavrão virou palavra qualquer — já se banalizou, como se fosse possível dizer assim para um tipo de termo que nasceu da própria banalidade da vida. Antigamente, ele vinha cercado de interditos, o palavrão "dito na hora certa" ostentava certa aura. Foi assim que virou moda na década de 60. O vocábulo grosseiro foi elevado à condição de troféu da contracultura. No Brasil, a moda foi coibida pela censura do regime militar.
Não é necessário abusar dos palavrões, pois eles se desgastam e perdem o valor como qualquer outra palavra demasiadamente empregada. O palavrão veio para ficar, até porque veio antes de qualquer outro vocábulo.
E aqui respondo à pergunta que me fiz no primeiro parágrafo. Ele exerce fascínio por ser inevitável. O usuário da língua vive em um mundo precário e imperfeito, vive situações cotidianas em que as emanações dos corpos, a sujeira, os crimes e as tentações aparecem, mesmo que ele queira evitá-las. Ele sente desprezo, ele é tomado de preconceito, ele tem vontade de dizer palavras que talvez não pronuncie, mas pensa. O palavrão é senhor do nosso inconsciente.
Mesmo assim, apesar de seu carisma, até ele cai em desuso. É para esse aspecto que quero chamar a atenção. O Dicionário de Palavrões e Termos Afins está coalhado de deliciosas expressões que se tornaram arcaísmos. E o desuso as faz soar quase sublimes. No Nordeste se dizia antigamente "Amália chegou", quando uma mulher ficava menstruada., e "roer um couro" quando alguém sentia ciúmes. Os sinônimos para órgãos sexuais abundam no dicionário.
O palavrão é fascinante porque gira historicamente em torno do ato sexual. Pertence ao domínio púbico (sic). Examinado perto, o palavrão é igual a qualquer outro termo de uma determinada língua. Diria mais, é talvez o mais fiel e castiço dos vocábulos de um idioma, porque ele vem do fundo dos tempos. Não por outro motivo, um dos sinônimos para ele é o substantivo "palavra".
(Texto adaptado da revista Época, 13 de julho de 2010.)
Em qual das frases abaixo o termo "como" tem valor conformativo?
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