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De olho no pódio
Os Jogos Olímpicos se aproximam e, por meio da imprensa, já temos notícias de atletas
em fase final de preparação para alcançar medalhas, subir no pódio, quebrar recordes. Isso me
fez lembrar que, sempre que assisto a alguma competição esportiva, reconheço que esse é o
lugar legítimo e adequado da competição.
Ao considerar nosso modo de vida atual, faço uma analogia: transformamos a vida em
uma olimpíada permanente. A competição transpôs a fronteira do ramo esportivo e se instalou
no nosso cotidiano.
Não é à toa que muitos esportistas ou treinadores bem sucedidos são chamados para
dar palestras em empresas. Afinal, eles são os maiores especialistas em competição, não é? Do
mesmo modo, os atletas que triunfam são escolhidos para serem garotos-propaganda de
muitas empresas, das quais poucas produzem artigos ligados ao ramo esportivo. “Use nosso
produto e você será um vencedor!” é a mensagem.
Hoje, exigem-se um preparo técnico acurado e um treinamento contínuo, tanto na vida
profissional quanto na pessoal. E não se trata apenas de conhecer e estudar seu ramo de
atividade ou de se cuidar, e sim de se empenhar em estratégias que permitam, ou pelo menos
prometam, sair na frente e chegar em primeiro lugar ou, pelo menos, entre os primeiros.
Competimos contra tudo e contra todos. Contra o tempo – e ainda acreditamos ser
possível ganhar dele. Contra nossa constituição física, contra nossos pares, contra nossa vida
coletiva, contra qualquer outro que se coloque à nossa frente em qualquer situação.
Iniciamos nossos filhos precocemente nessa competição ________ e acreditamos que tal
iniciativa é absolutamente necessária para a sua sobrevivência no futuro. Não valorizamos a
aprendizagem do jogo que é a vida desde a largada, e sim seu resultado, que só pode ser um:
ganhar.
As escolas se apropriaram desse anseio dos pais e incrementam ainda mais a
concorrência entre seus alunos. Os anunciados rankings de escolas baseados nos mais
diferentes exames, os primeiros lugares conquistados nos vestibulares e as avaliações dos
alunos, sempre comparativas, são exemplos dessa apropriação da competição pelo espaço
escolar.
O sucesso, hoje, é definido principalmente pela competição, o que faz com que o
processo de identificação com o outro ocorra de modo negativo. Ser melhor do que o outro,
ganhar do outro ou, então, se ________ a ser inferior a ele. Desse modo, fica mais fácil entender
o motivo de o outro ser quase sempre percebido como ameaça.
É preciso saber que essa olimpíada permanente tem seu preço. Sabemos o custo que os
atletas pagam na busca da superação: ________ sérias, cirurgias precoces, interrupção da vida
profissional muito cedo. Isso sem falar das conseqüências emocionais e sociais quando eles
enfrentam a derrota ou saem do pódio. Arcamos com conseqüências análogas em nossas vidas
quando transformadas nessa competição sem trégua: tédio, depressão, estresse, agressividade
descontrolada, pânico etc.
(SAIÃO, Rosely. De olho no pódio. Folha de São Paulo. Equilíbrio. 24 de abril de 2008.)
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De olho no pódio
Os Jogos Olímpicos se aproximam e, por meio da imprensa, já temos notícias de atletas
em fase final de preparação para alcançar medalhas, subir no pódio, quebrar recordes. Isso me
fez lembrar que, sempre que assisto a alguma competição esportiva, reconheço que esse é o
lugar legítimo e adequado da competição.
Ao considerar nosso modo de vida atual, faço uma analogia: transformamos a vida em
uma olimpíada permanente. A competição transpôs a fronteira do ramo esportivo e se instalou
no nosso cotidiano.
Não é à toa que muitos esportistas ou treinadores bem sucedidos são chamados para
dar palestras em empresas. Afinal, eles são os maiores especialistas em competição, não é? Do
mesmo modo, os atletas que triunfam são escolhidos para serem garotos-propaganda de
muitas empresas, das quais poucas produzem artigos ligados ao ramo esportivo. “Use nosso
produto e você será um vencedor!” é a mensagem.
Hoje, exigem-se um preparo técnico acurado e um treinamento contínuo, tanto na vida
profissional quanto na pessoal. E não se trata apenas de conhecer e estudar seu ramo de
atividade ou de se cuidar, e sim de se empenhar em estratégias que permitam, ou pelo menos
prometam, sair na frente e chegar em primeiro lugar ou, pelo menos, entre os primeiros.
Competimos contra tudo e contra todos. Contra o tempo – e ainda acreditamos ser
possível ganhar dele. Contra nossa constituição física, contra nossos pares, contra nossa vida
coletiva, contra qualquer outro que se coloque à nossa frente em qualquer situação.
Iniciamos nossos filhos precocemente nessa competição ________ e acreditamos que tal
iniciativa é absolutamente necessária para a sua sobrevivência no futuro. Não valorizamos a
aprendizagem do jogo que é a vida desde a largada, e sim seu resultado, que só pode ser um:
ganhar.
As escolas se apropriaram desse anseio dos pais e incrementam ainda mais a
concorrência entre seus alunos. Os anunciados rankings de escolas baseados nos mais
diferentes exames, os primeiros lugares conquistados nos vestibulares e as avaliações dos
alunos, sempre comparativas, são exemplos dessa apropriação da competição pelo espaço
escolar.
O sucesso, hoje, é definido principalmente pela competição, o que faz com que o
processo de identificação com o outro ocorra de modo negativo. Ser melhor do que o outro,
ganhar do outro ou, então, se ________ a ser inferior a ele. Desse modo, fica mais fácil entender
o motivo de o outro ser quase sempre percebido como ameaça.
É preciso saber que essa olimpíada permanente tem seu preço. Sabemos o custo que os
atletas pagam na busca da superação: ________ sérias, cirurgias precoces, interrupção da vida
profissional muito cedo. Isso sem falar das conseqüências emocionais e sociais quando eles
enfrentam a derrota ou saem do pódio. Arcamos com conseqüências análogas em nossas vidas
quando transformadas nessa competição sem trégua: tédio, depressão, estresse, agressividade
descontrolada, pânico etc.
(SAIÃO, Rosely. De olho no pódio. Folha de São Paulo. Equilíbrio. 24 de abril de 2008.)
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De olho no pódio
Os Jogos Olímpicos se aproximam e, por meio da imprensa, já temos notícias de atletas
em fase final de preparação para alcançar medalhas, subir no pódio, quebrar recordes. Isso me
fez lembrar que, sempre que assisto a alguma competição esportiva, reconheço que esse é o
lugar legítimo e adequado da competição.
Ao considerar nosso modo de vida atual, faço uma analogia: transformamos a vida em
uma olimpíada permanente. A competição transpôs a fronteira do ramo esportivo e se instalou
no nosso cotidiano.
Não é à toa que muitos esportistas ou treinadores bem sucedidos são chamados para
dar palestras em empresas. Afinal, eles são os maiores especialistas em competição, não é? Do
mesmo modo, os atletas que triunfam são escolhidos para serem garotos-propaganda de
muitas empresas, das quais poucas produzem artigos ligados ao ramo esportivo. “Use nosso
produto e você será um vencedor!” é a mensagem.
Hoje, exigem-se um preparo técnico acurado e um treinamento contínuo, tanto na vida
profissional quanto na pessoal. E não se trata apenas de conhecer e estudar seu ramo de
atividade ou de se cuidar, e sim de se empenhar em estratégias que permitam, ou pelo menos
prometam, sair na frente e chegar em primeiro lugar ou, pelo menos, entre os primeiros.
Competimos contra tudo e contra todos. Contra o tempo – e ainda acreditamos ser
possível ganhar dele. Contra nossa constituição física, contra nossos pares, contra nossa vida
coletiva, contra qualquer outro que se coloque à nossa frente em qualquer situação.
Iniciamos nossos filhos precocemente nessa competição ________ e acreditamos que tal
iniciativa é absolutamente necessária para a sua sobrevivência no futuro. Não valorizamos a
aprendizagem do jogo que é a vida desde a largada, e sim seu resultado, que só pode ser um:
ganhar.
As escolas se apropriaram desse anseio dos pais e incrementam ainda mais a
concorrência entre seus alunos. Os anunciados rankings de escolas baseados nos mais
diferentes exames, os primeiros lugares conquistados nos vestibulares e as avaliações dos
alunos, sempre comparativas, são exemplos dessa apropriação da competição pelo espaço
escolar.
O sucesso, hoje, é definido principalmente pela competição, o que faz com que o
processo de identificação com o outro ocorra de modo negativo. Ser melhor do que o outro,
ganhar do outro ou, então, se ________ a ser inferior a ele. Desse modo, fica mais fácil entender
o motivo de o outro ser quase sempre percebido como ameaça.
É preciso saber que essa olimpíada permanente tem seu preço. Sabemos o custo que os
atletas pagam na busca da superação: ________ sérias, cirurgias precoces, interrupção da vida
profissional muito cedo. Isso sem falar das conseqüências emocionais e sociais quando eles
enfrentam a derrota ou saem do pódio. Arcamos com conseqüências análogas em nossas vidas
quando transformadas nessa competição sem trégua: tédio, depressão, estresse, agressividade
descontrolada, pânico etc.
(SAIÃO, Rosely. De olho no pódio. Folha de São Paulo. Equilíbrio. 24 de abril de 2008.)
I – (...) muitos esportistas ou treinadores bem sucedidos são chamados para dar palestras em empresas (linhas 08 e 09)
II – (...) os atletas (...) são escolhidos para serem garotos-propaganda de muitas empresas (linhas 10 e 11)
III – O sucesso, hoje, é definido principalmente pela competição (linha 29)
Quais delas apresentam agente da passiva?
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Transição
Vivemos uma incomparável mudança do perfil etário da população, no qual temos
cada vez menos crianças e jovens e cada vez mais idosos.
Em decorrência, inúmeras outras modificações estão ocorrendo, como novas demandas
aos sistemas de saúde, turismo e educação. Esse conjunto de transformações é denominado
“transição demográfica” e reflete a importância deste momento para a sociedade atual e para
as futuras, as quais terão como desafio a necessidade de uma adaptação de todos a essa nova
realidade.
Obviamente, esse processo acontecerá progressivamente, mas nem por isso deverá
ocorrer sem a nossa vigilância e a nossa participação ativa. Haveremos de estar atentos todas
as vezes em que se cometerem disparates nesse setor. Vou citar dois exemplos, ocorridos em
uma mesma manhã de domingo, para demonstrar quão freqüentes ainda são.
Diante de uma platéia em _______, o locutor, entusiasmado, pergunta aos
participantes: “Tem criança aqui?” Milhares de mãos se erguem e, independentemente da
idade, as vozes proclamam um sonoro “sim”.
Em voz ainda mais alta, vem a segunda pergunta: “Tem velho aqui?” As mãos oscilam
com o indicador em riste e ouve-se um enfático “não”. Repete-se a pergunta final e aumenta
ainda mais o som da resposta. Termina o espetáculo.
Indignado, fiquei a meditar sobre o episódio. Não há _______ duvidar dos bons
interesses do animador. Certamente, ele quis mostrar como é revigorante participar
ativamente de uma cerimônia como aquela. O que lastimo é a necessidade de condenar a
velhice a uma condição indigna, que deve ser banida de um ambiente saudável.
Foi divagando sobre o ocorrido que resolvi ler a correspondência acumulada na
semana. Chamou-me a atenção um convite, sofisticado e colorido, divulgando que, nos
próximos dias, ocorrerá o encontro dos adeptos da “medicina antienvelhecimento”. No
programa, temas e pesquisadores de grande relevância em meio a um grupo de interesseiros
_______ principal objetivo é confundir os incautos, propondo-lhes a fonte da eterna juventude.
Curiosamente, conheço muitos deles e constato que nem neles mesmos essas mentiras
conseguem ser aplicadas. Sua aparência denota que o tempo não os poupa das suas naturais
conseqüências.
Observei que os fatos se conectam. Se, por um lado, continuarmos a permitir que o
processo natural de envelhecimento seja negado e, por outro, aceitarmos as argumentações dos
falsos profetas, que apregoam erroneamente que os conceitos da geriatria e da gerontologia
sejam usados como medidas “antienvelhecimento”, perpetuaremos o paradigma de que a
velhice é uma doença que deve ser combatida com tratamentos caríssimos sem respaldo
científico.
Mas, se nos respaldarmos nas evidências responsáveis, teremos as bases para
constituir um grande movimento que marcará uma posição vanguardista na luta “pró-
envelhecimento saudável”.
Dessa forma, espero que, em breve, possamos ouvir a multidão respondendo à
pergunta ‘tem velho aqui?’ com um vigoroso ‘SIM’, de quem, a despeito da idade, goza da
plenitude da sua capacidade funcional, ciente das suas características físicas e intelectuais de
quem soube envelhecer.
(Adaptado de JACOB FILHO, Wilson. Transição. Folha de São Paulo, Folha Equilíbrio, 27 de março de 2008.)
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De olho no pódio
Os Jogos Olímpicos se aproximam e, por meio da imprensa, já temos notícias de atletas
em fase final de preparação para alcançar medalhas, subir no pódio, quebrar recordes. Isso me
fez lembrar que, sempre que assisto a alguma competição esportiva, reconheço que esse é o
lugar legítimo e adequado da competição.
Ao considerar nosso modo de vida atual, faço uma analogia: transformamos a vida em
uma olimpíada permanente. A competição transpôs a fronteira do ramo esportivo e se instalou
no nosso cotidiano.
Não é à toa que muitos esportistas ou treinadores bem sucedidos são chamados para
dar palestras em empresas. Afinal, eles são os maiores especialistas em competição, não é? Do
mesmo modo, os atletas que triunfam são escolhidos para serem garotos-propaganda de
muitas empresas, das quais poucas produzem artigos ligados ao ramo esportivo. “Use nosso
produto e você será um vencedor!” é a mensagem.
Hoje, exigem-se um preparo técnico acurado e um treinamento contínuo, tanto na vida
profissional quanto na pessoal. E não se trata apenas de conhecer e estudar seu ramo de
atividade ou de se cuidar, e sim de se empenhar em estratégias que permitam, ou pelo menos
prometam, sair na frente e chegar em primeiro lugar ou, pelo menos, entre os primeiros.
Competimos contra tudo e contra todos. Contra o tempo – e ainda acreditamos ser
possível ganhar dele. Contra nossa constituição física, contra nossos pares, contra nossa vida
coletiva, contra qualquer outro que se coloque à nossa frente em qualquer situação.
Iniciamos nossos filhos precocemente nessa competição ________ e acreditamos que tal
iniciativa é absolutamente necessária para a sua sobrevivência no futuro. Não valorizamos a
aprendizagem do jogo que é a vida desde a largada, e sim seu resultado, que só pode ser um:
ganhar.
As escolas se apropriaram desse anseio dos pais e incrementam ainda mais a
concorrência entre seus alunos. Os anunciados rankings de escolas baseados nos mais
diferentes exames, os primeiros lugares conquistados nos vestibulares e as avaliações dos
alunos, sempre comparativas, são exemplos dessa apropriação da competição pelo espaço
escolar.
O sucesso, hoje, é definido principalmente pela competição, o que faz com que o
processo de identificação com o outro ocorra de modo negativo. Ser melhor do que o outro,
ganhar do outro ou, então, se ________ a ser inferior a ele. Desse modo, fica mais fácil entender
o motivo de o outro ser quase sempre percebido como ameaça.
É preciso saber que essa olimpíada permanente tem seu preço. Sabemos o custo que os
atletas pagam na busca da superação: ________ sérias, cirurgias precoces, interrupção da vida
profissional muito cedo. Isso sem falar das conseqüências emocionais e sociais quando eles
enfrentam a derrota ou saem do pódio. Arcamos com conseqüências análogas em nossas vidas
quando transformadas nessa competição sem trégua: tédio, depressão, estresse, agressividade
descontrolada, pânico etc.
(SAIÃO, Rosely. De olho no pódio. Folha de São Paulo. Equilíbrio. 24 de abril de 2008.)
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Transição
Vivemos uma incomparável mudança do perfil etário da população, no qual temos
cada vez menos crianças e jovens e cada vez mais idosos.
Em decorrência, inúmeras outras modificações estão ocorrendo, como novas demandas
aos sistemas de saúde, turismo e educação. Esse conjunto de transformações é denominado
“transição demográfica” e reflete a importância deste momento para a sociedade atual e para
as futuras, as quais terão como desafio a necessidade de uma adaptação de todos a essa nova
realidade.
Obviamente, esse processo acontecerá progressivamente, mas nem por isso deverá
ocorrer sem a nossa vigilância e a nossa participação ativa. Haveremos de estar atentos todas
as vezes em que se cometerem disparates nesse setor. Vou citar dois exemplos, ocorridos em
uma mesma manhã de domingo, para demonstrar quão freqüentes ainda são.
Diante de uma platéia em _______, o locutor, entusiasmado, pergunta aos
participantes: “Tem criança aqui?” Milhares de mãos se erguem e, independentemente da
idade, as vozes proclamam um sonoro “sim”.
Em voz ainda mais alta, vem a segunda pergunta: “Tem velho aqui?” As mãos oscilam
com o indicador em riste e ouve-se um enfático “não”. Repete-se a pergunta final e aumenta
ainda mais o som da resposta. Termina o espetáculo.
Indignado, fiquei a meditar sobre o episódio. Não há _______ duvidar dos bons
interesses do animador. Certamente, ele quis mostrar como é revigorante participar
ativamente de uma cerimônia como aquela. O que lastimo é a necessidade de condenar a
velhice a uma condição indigna, que deve ser banida de um ambiente saudável.
Foi divagando sobre o ocorrido que resolvi ler a correspondência acumulada na
semana. Chamou-me a atenção um convite, sofisticado e colorido, divulgando que, nos
próximos dias, ocorrerá o encontro dos adeptos da “medicina antienvelhecimento”. No
programa, temas e pesquisadores de grande relevância em meio a um grupo de interesseiros
_______ principal objetivo é confundir os incautos, propondo-lhes a fonte da eterna juventude.
Curiosamente, conheço muitos deles e constato que nem neles mesmos essas mentiras
conseguem ser aplicadas. Sua aparência denota que o tempo não os poupa das suas naturais
conseqüências.
Observei que os fatos se conectam. Se, por um lado, continuarmos a permitir que o
processo natural de envelhecimento seja negado e, por outro, aceitarmos as argumentações dos
falsos profetas, que apregoam erroneamente que os conceitos da geriatria e da gerontologia
sejam usados como medidas “antienvelhecimento”, perpetuaremos o paradigma de que a
velhice é uma doença que deve ser combatida com tratamentos caríssimos sem respaldo
científico.
Mas, se nos respaldarmos nas evidências responsáveis, teremos as bases para
constituir um grande movimento que marcará uma posição vanguardista na luta “pró-
envelhecimento saudável”.
Dessa forma, espero que, em breve, possamos ouvir a multidão respondendo à
pergunta ‘tem velho aqui?’ com um vigoroso ‘SIM’, de quem, a despeito da idade, goza da
plenitude da sua capacidade funcional, ciente das suas características físicas e intelectuais de
quem soube envelhecer.
(Adaptado de JACOB FILHO, Wilson. Transição. Folha de São Paulo, Folha Equilíbrio, 27 de março de 2008.)
Deveriam sofrer ajuste, nesse caso,
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De olho no pódio
Os Jogos Olímpicos se aproximam e, por meio da imprensa, já temos notícias de atletas
em fase final de preparação para alcançar medalhas, subir no pódio, quebrar recordes. Isso me
fez lembrar que, sempre que assisto a alguma competição esportiva, reconheço que esse é o
lugar legítimo e adequado da competição.
Ao considerar nosso modo de vida atual, faço uma analogia: transformamos a vida em
uma olimpíada permanente. A competição transpôs a fronteira do ramo esportivo e se instalou
no nosso cotidiano.
Não é à toa que muitos esportistas ou treinadores bem sucedidos são chamados para
dar palestras em empresas. Afinal, eles são os maiores especialistas em competição, não é? Do
mesmo modo, os atletas que triunfam são escolhidos para serem garotos-propaganda de
muitas empresas, das quais poucas produzem artigos ligados ao ramo esportivo. “Use nosso
produto e você será um vencedor!” é a mensagem.
Hoje, exigem-se um preparo técnico acurado e um treinamento contínuo, tanto na vida
profissional quanto na pessoal. E não se trata apenas de conhecer e estudar seu ramo de
atividade ou de se cuidar, e sim de se empenhar em estratégias que permitam, ou pelo menos
prometam, sair na frente e chegar em primeiro lugar ou, pelo menos, entre os primeiros.
Competimos contra tudo e contra todos. Contra o tempo – e ainda acreditamos ser
possível ganhar dele. Contra nossa constituição física, contra nossos pares, contra nossa vida
coletiva, contra qualquer outro que se coloque à nossa frente em qualquer situação.
Iniciamos nossos filhos precocemente nessa competição ________ e acreditamos que tal
iniciativa é absolutamente necessária para a sua sobrevivência no futuro. Não valorizamos a
aprendizagem do jogo que é a vida desde a largada, e sim seu resultado, que só pode ser um:
ganhar.
As escolas se apropriaram desse anseio dos pais e incrementam ainda mais a
concorrência entre seus alunos. Os anunciados rankings de escolas baseados nos mais
diferentes exames, os primeiros lugares conquistados nos vestibulares e as avaliações dos
alunos, sempre comparativas, são exemplos dessa apropriação da competição pelo espaço
escolar.
O sucesso, hoje, é definido principalmente pela competição, o que faz com que o
processo de identificação com o outro ocorra de modo negativo. Ser melhor do que o outro,
ganhar do outro ou, então, se ________ a ser inferior a ele. Desse modo, fica mais fácil entender
o motivo de o outro ser quase sempre percebido como ameaça.
É preciso saber que essa olimpíada permanente tem seu preço. Sabemos o custo que os
atletas pagam na busca da superação: ________ sérias, cirurgias precoces, interrupção da vida
profissional muito cedo. Isso sem falar das conseqüências emocionais e sociais quando eles
enfrentam a derrota ou saem do pódio. Arcamos com conseqüências análogas em nossas vidas
quando transformadas nessa competição sem trégua: tédio, depressão, estresse, agressividade
descontrolada, pânico etc.
(SAIÃO, Rosely. De olho no pódio. Folha de São Paulo. Equilíbrio. 24 de abril de 2008.)
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- MorfologiaPronomes
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de Texto
Transição
Vivemos uma incomparável mudança do perfil etário da população, no qual temos
cada vez menos crianças e jovens e cada vez mais idosos.
Em decorrência, inúmeras outras modificações estão ocorrendo, como novas demandas
aos sistemas de saúde, turismo e educação. Esse conjunto de transformações é denominado
“transição demográfica” e reflete a importância deste momento para a sociedade atual e para
as futuras, as quais terão como desafio a necessidade de uma adaptação de todos a essa nova
realidade.
Obviamente, esse processo acontecerá progressivamente, mas nem por isso deverá
ocorrer sem a nossa vigilância e a nossa participação ativa. Haveremos de estar atentos todas
as vezes em que se cometerem disparates nesse setor. Vou citar dois exemplos, ocorridos em
uma mesma manhã de domingo, para demonstrar quão freqüentes ainda são.
Diante de uma platéia em _______, o locutor, entusiasmado, pergunta aos
participantes: “Tem criança aqui?” Milhares de mãos se erguem e, independentemente da
idade, as vozes proclamam um sonoro “sim”.
Em voz ainda mais alta, vem a segunda pergunta: “Tem velho aqui?” As mãos oscilam
com o indicador em riste e ouve-se um enfático “não”. Repete-se a pergunta final e aumenta
ainda mais o som da resposta. Termina o espetáculo.
Indignado, fiquei a meditar sobre o episódio. Não há _______ duvidar dos bons
interesses do animador. Certamente, ele quis mostrar como é revigorante participar
ativamente de uma cerimônia como aquela. O que lastimo é a necessidade de condenar a
velhice a uma condição indigna, que deve ser banida de um ambiente saudável.
Foi divagando sobre o ocorrido que resolvi ler a correspondência acumulada na
semana. Chamou-me a atenção um convite, sofisticado e colorido, divulgando que, nos
próximos dias, ocorrerá o encontro dos adeptos da “medicina antienvelhecimento”. No
programa, temas e pesquisadores de grande relevância em meio a um grupo de interesseiros
_______ principal objetivo é confundir os incautos, propondo-lhes a fonte da eterna juventude.
Curiosamente, conheço muitos deles e constato que nem neles mesmos essas mentiras
conseguem ser aplicadas. Sua aparência denota que o tempo não os poupa das suas naturais
conseqüências.
Observei que os fatos se conectam. Se, por um lado, continuarmos a permitir que o
processo natural de envelhecimento seja negado e, por outro, aceitarmos as argumentações dos
falsos profetas, que apregoam erroneamente que os conceitos da geriatria e da gerontologia
sejam usados como medidas “antienvelhecimento”, perpetuaremos o paradigma de que a
velhice é uma doença que deve ser combatida com tratamentos caríssimos sem respaldo
científico.
Mas, se nos respaldarmos nas evidências responsáveis, teremos as bases para
constituir um grande movimento que marcará uma posição vanguardista na luta “pró-
envelhecimento saudável”.
Dessa forma, espero que, em breve, possamos ouvir a multidão respondendo à
pergunta ‘tem velho aqui?’ com um vigoroso ‘SIM’, de quem, a despeito da idade, goza da
plenitude da sua capacidade funcional, ciente das suas características físicas e intelectuais de
quem soube envelhecer.
(Adaptado de JACOB FILHO, Wilson. Transição. Folha de São Paulo, Folha Equilíbrio, 27 de março de 2008.)
I – lhes (linha 26)
II – (d)eles (linha 27)
III – (n)eles mesmos (linha 27)
IV – os (linha 28)
Quais deles se referem aos “interesseiros” a que o autor alude?
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