De olho no pódio
Os Jogos Olímpicos se aproximam e, por meio da imprensa, já temos notícias de atletas
em fase final de preparação para alcançar medalhas, subir no pódio, quebrar recordes. Isso me
fez lembrar que, sempre que assisto a alguma competição esportiva, reconheço que esse é o
lugar legítimo e adequado da competição.
Ao considerar nosso modo de vida atual, faço uma analogia: transformamos a vida em
uma olimpíada permanente. A competição transpôs a fronteira do ramo esportivo e se instalou
no nosso cotidiano.
Não é à toa que muitos esportistas ou treinadores bem sucedidos são chamados para
dar palestras em empresas. Afinal, eles são os maiores especialistas em competição, não é? Do
mesmo modo, os atletas que triunfam são escolhidos para serem garotos-propaganda de
muitas empresas, das quais poucas produzem artigos ligados ao ramo esportivo. “Use nosso
produto e você será um vencedor!” é a mensagem.
Hoje, exigem-se um preparo técnico acurado e um treinamento contínuo, tanto na vida
profissional quanto na pessoal. E não se trata apenas de conhecer e estudar seu ramo de
atividade ou de se cuidar, e sim de se empenhar em estratégias que permitam, ou pelo menos
prometam, sair na frente e chegar em primeiro lugar ou, pelo menos, entre os primeiros.
Competimos contra tudo e contra todos. Contra o tempo – e ainda acreditamos ser
possível ganhar dele. Contra nossa constituição física, contra nossos pares, contra nossa vida
coletiva, contra qualquer outro que se coloque à nossa frente em qualquer situação.
Iniciamos nossos filhos precocemente nessa competição ________ e acreditamos que tal
iniciativa é absolutamente necessária para a sua sobrevivência no futuro. Não valorizamos a
aprendizagem do jogo que é a vida desde a largada, e sim seu resultado, que só pode ser um:
ganhar.
As escolas se apropriaram desse anseio dos pais e incrementam ainda mais a
concorrência entre seus alunos. Os anunciados rankings de escolas baseados nos mais
diferentes exames, os primeiros lugares conquistados nos vestibulares e as avaliações dos
alunos, sempre comparativas, são exemplos dessa apropriação da competição pelo espaço
escolar.
O sucesso, hoje, é definido principalmente pela competição, o que faz com que o
processo de identificação com o outro ocorra de modo negativo. Ser melhor do que o outro,
ganhar do outro ou, então, se ________ a ser inferior a ele. Desse modo, fica mais fácil entender
o motivo de o outro ser quase sempre percebido como ameaça.
É preciso saber que essa olimpíada permanente tem seu preço. Sabemos o custo que os
atletas pagam na busca da superação: ________ sérias, cirurgias precoces, interrupção da vida
profissional muito cedo. Isso sem falar das conseqüências emocionais e sociais quando eles
enfrentam a derrota ou saem do pódio. Arcamos com conseqüências análogas em nossas vidas
quando transformadas nessa competição sem trégua: tédio, depressão, estresse, agressividade
descontrolada, pânico etc.
(SAIÃO, Rosely. De olho no pódio. Folha de São Paulo. Equilíbrio. 24 de abril de 2008.)
I – (...) muitos esportistas ou treinadores bem sucedidos são chamados para dar palestras em empresas (linhas 08 e 09)
II – (...) os atletas (...) são escolhidos para serem garotos-propaganda de muitas empresas (linhas 10 e 11)
III – O sucesso, hoje, é definido principalmente pela competição (linha 29)
Quais delas apresentam agente da passiva?