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No banco dos réus
Por Cláudia Laitano
- Médicos fumando no consultório, enfermeiras acendendo um cigarrinho para relaxar,
- dentistas recomendando sua marca preferida de tabaco: figuras como essas povoavam jornais
- e revistas até o início dos anos 1960. Alguns anúncios chegavam a sugerir que fumar ajudava
- na digestão, aliviava dores de garganta e garantia aquela dose extra de fôlego indispensável
- para enfrentar o dia ___ dia.
- O primeiro relatório reunindo estudos que apontavam a ligação entre o cigarro e o câncer
- foi publicado em 1964. O piloto da série Mad Men, que se passa em 1960, retrata a ginástica do
- publicitário Don Draper para tornar atraente um produto que já começava a soar como cilada.
- Em 1998, as quatro maiores empresas de tabaco dos EUA assinaram um acordo para encerrar
- dezenas de processos judiciais que tentavam recuperar bilhões de dólares gastos com assistência
- médica de fumantes. Ou seja: entre o médico baforando sem culpa no nariz do paciente e a
- responsabilização de quem lucrava com uma mercadoria perigosa e altamente viciante,
- passaram-se mais ou menos 40 anos.
- Então, o “momento tabaco” parece estar batendo ___ porta das big techs em 2026. O
- julgamento do primeiro de dois grandes lotes de ações coletivas contra empresas de tecnologia
- previstos para este ano começou em Los Angeles na semana passada. Até aqui, empresas como
- Meta, Tik Tok, Snapchat e YouTube conseguiram escapar das acusações que envolvem conteúdo
- apelando para leis que isentam as plataformas de responsabilidade com relação ao que os
- usuários publicam. As novas ações atacam por outro flanco. O que está em jogo agora são as
- estratégias usadas por essas plataformas para gerar engajamento a qualquer custo – inclusive
- de crianças e adolescentes.
- A acusação deve seguir duas linhas de argumentação. A primeira é a de que as big techs
- formataram suas plataformas para serem viciantes mesmo. “Quanto mais engajamento, mais
- publicidade” é o novo “quanto mais fumantes, mais lucro”. A segunda busca apoio em estudos
- que relacionam o aumento dos casos de depressão e ansiedade em crianças e adolescentes ao
- advento das mídias sociais.
- Ao contrário da montanha de evidências provando que fumar pode causar câncer, os efeitos
- das redes sociais sobre a saúde mental dos nossos filhos ainda não estão provados. Ainda assim,
- é difícil encontrar um pai ou mãe de adolescente que não esteja preocupado (o fato de que o
- livro Geração Ansiosa está há mais de 90 semanas na lista de best-sellers do New York Times
- dá a dimensão dessa preocupação).
- ___ esta altura do campeonato, nem Don Draper conseguiria nos convencer de que está
- tudo bem com as crianças.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/02/no-banco-dos-reus-cml3q4kl40086012yz36sq4a4.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Analise as duas figuras a seguir e as asserções a respeito de sua relação com o texto-base desta prova:

I. A Figura 1 apresenta um dos assuntos abordados pelo texto, ilustrando de que forma a propaganda construía uma imagem positiva de um produto nocivo ao seu consumidor.
CONTUDO
II. A Figura 2 apresenta um assunto apenas implícito no texto, uma vez que o vício nas redes sociais não pode ser associado ao vício em tabaco de acordo com as linhas de argumentação estabelecidas pelo texto.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
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Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O combinado que nunca fizemos
No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no
celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no
meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de
competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?
Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você,
provavelmente, também.
Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que
aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não
está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação
médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a
criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais
precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora,
sem esforço.
Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o
padrão vence. O padrão, hoje, é tela.
E o Brasil já tem números para provar que essa não é
uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a
pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e
adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas.
Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social.
Aos 15, são 99%.
Mas o dado que mais me assusta não é esse.
É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão
dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto
dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.
A maioria das famílias brasileiras não tem um
combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.
Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir,
não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos
tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco
admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa
do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.
Esses não são adultos com anos de hábito acumulado.
São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não
conseguem sair sozinhos.
A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma
pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em
2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a
telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa
faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.
Estamos tão longe da recomendação que ela virou
ficção.
E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que
os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães
nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem
orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães
aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais
estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe
daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos
em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.
Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de
celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a
escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola.
Quando a criança chega em casa, quem decide?
Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me
colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que
transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a
única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se
trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.
Mas também não podemos fingir que não há
consequências.
O combinado que falta não precisa seguir manual.
Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é
razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é
permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve
ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto
até ____ escola.
São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E
decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.
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Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O combinado que nunca fizemos
No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no
celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no
meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de
competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?
Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você,
provavelmente, também.
Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que
aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não
está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação
médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a
criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais
precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora,
sem esforço.
Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o
padrão vence. O padrão, hoje, é tela.
E o Brasil já tem números para provar que essa não é
uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a
pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e
adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas.
Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social.
Aos 15, são 99%.
Mas o dado que mais me assusta não é esse.
É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão
dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto
dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.
A maioria das famílias brasileiras não tem um
combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.
Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir,
não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos
tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco
admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa
do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.
Esses não são adultos com anos de hábito acumulado.
São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não
conseguem sair sozinhos.
A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma
pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em
2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a
telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa
faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.
Estamos tão longe da recomendação que ela virou
ficção.
E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que
os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães
nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem
orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães
aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais
estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe
daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos
em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.
Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de
celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a
escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola.
Quando a criança chega em casa, quem decide?
Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me
colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que
transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a
única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se
trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.
Mas também não podemos fingir que não há
consequências.
O combinado que falta não precisa seguir manual.
Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é
razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é
permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve
ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto
até ____ escola.
São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E
decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.
Provas
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O combinado que nunca fizemos
No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no
celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no
meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de
competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?
Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você,
provavelmente, também.
Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que
aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não
está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação
médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a
criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais
precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora,
sem esforço.
Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o
padrão vence. O padrão, hoje, é tela.
E o Brasil já tem números para provar que essa não é
uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a
pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e
adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas.
Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social.
Aos 15, são 99%.
Mas o dado que mais me assusta não é esse.
É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão
dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto
dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.
A maioria das famílias brasileiras não tem um
combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.
Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir,
não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos
tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco
admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa
do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.
Esses não são adultos com anos de hábito acumulado.
São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não
conseguem sair sozinhos.
A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma
pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em
2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a
telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa
faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.
Estamos tão longe da recomendação que ela virou
ficção.
E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que
os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães
nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem
orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães
aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais
estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe
daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos
em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.
Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de
celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a
escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola.
Quando a criança chega em casa, quem decide?
Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me
colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que
transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a
única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se
trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.
Mas também não podemos fingir que não há
consequências.
O combinado que falta não precisa seguir manual.
Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é
razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é
permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve
ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto
até ____ escola.
São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E
decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.
Considerando a relação entre letras e sons na pronúncia-padrão do português brasileiro, analise as assertivas quanto ao número de fonemas e à presença de dígrafos consonantais e vocálicos em palavras do texto:
I. A palavra ferramenta apresenta 8 fonemas e 1 dígrafo.
II. A palavra semelhante apresenta 8 fonemas e 2 dígrafos.
III. A palavra sozinhos apresenta 7 fonemas e 1 dígrafo.
Está(ão) CORRETA(S):
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Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O combinado que nunca fizemos
No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no
celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no
meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de
competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?
Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você,
provavelmente, também.
Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que
aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não
está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação
médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a
criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais
precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora,
sem esforço.
Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o
padrão vence. O padrão, hoje, é tela.
E o Brasil já tem números para provar que essa não é
uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a
pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e
adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas.
Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social.
Aos 15, são 99%.
Mas o dado que mais me assusta não é esse.
É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão
dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto
dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.
A maioria das famílias brasileiras não tem um
combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.
Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir,
não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos
tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco
admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa
do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.
Esses não são adultos com anos de hábito acumulado.
São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não
conseguem sair sozinhos.
A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma
pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em
2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a
telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa
faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.
Estamos tão longe da recomendação que ela virou
ficção.
E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que
os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães
nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem
orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães
aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais
estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe
daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos
em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.
Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de
celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a
escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola.
Quando a criança chega em casa, quem decide?
Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me
colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que
transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a
única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se
trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.
Mas também não podemos fingir que não há
consequências.
O combinado que falta não precisa seguir manual.
Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é
razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é
permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve
ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto
até ____ escola.
São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E
decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.
Qual alternativa preenche, CORRETA e respectivamente, as lacunas?
Provas
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O combinado que nunca fizemos
No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no
celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no
meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de
competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?
Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você,
provavelmente, também.
Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que
aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não
está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação
médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a
criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais
precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora,
sem esforço.
Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o
padrão vence. O padrão, hoje, é tela.
E o Brasil já tem números para provar que essa não é
uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a
pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e
adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas.
Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social.
Aos 15, são 99%.
Mas o dado que mais me assusta não é esse.
É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão
dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto
dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.
A maioria das famílias brasileiras não tem um
combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.
Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir,
não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos
tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco
admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa
do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.
Esses não são adultos com anos de hábito acumulado.
São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não
conseguem sair sozinhos.
A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma
pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em
2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a
telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa
faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.
Estamos tão longe da recomendação que ela virou
ficção.
E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que
os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães
nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem
orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães
aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais
estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe
daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos
em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.
Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de
celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a
escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola.
Quando a criança chega em casa, quem decide?
Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me
colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que
transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a
única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se
trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.
Mas também não podemos fingir que não há
consequências.
O combinado que falta não precisa seguir manual.
Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é
razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é
permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve
ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto
até ____ escola.
São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E
decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.
O autor reconhece que, em muitas rotinas familiares, o celular é a única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se trabalha, se sobrevive. Considerando o sentido de entreter nesse contexto, assinale a alternativa em que a palavra proposta pode substituí-la sem alterar a ideia central do período.
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Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O combinado que nunca fizemos
No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no
celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no
meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de
competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?
Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você,
provavelmente, também.
Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que
aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não
está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação
médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a
criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais
precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora,
sem esforço.
Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o
padrão vence. O padrão, hoje, é tela.
E o Brasil já tem números para provar que essa não é
uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a
pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e
adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas.
Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social.
Aos 15, são 99%.
Mas o dado que mais me assusta não é esse.
É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão
dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto
dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.
A maioria das famílias brasileiras não tem um
combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.
Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir,
não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos
tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco
admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa
do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.
Esses não são adultos com anos de hábito acumulado.
São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não
conseguem sair sozinhos.
A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma
pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em
2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a
telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa
faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.
Estamos tão longe da recomendação que ela virou
ficção.
E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que
os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães
nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem
orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães
aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais
estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe
daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos
em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.
Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de
celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a
escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola.
Quando a criança chega em casa, quem decide?
Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me
colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que
transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a
única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se
trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.
Mas também não podemos fingir que não há
consequências.
O combinado que falta não precisa seguir manual.
Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é
razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é
permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve
ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto
até ____ escola.
São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E
decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.
Provas
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O combinado que nunca fizemos
No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no
celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no
meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de
competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?
Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você,
provavelmente, também.
Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que
aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não
está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação
médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a
criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais
precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora,
sem esforço.
Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o
padrão vence. O padrão, hoje, é tela.
E o Brasil já tem números para provar que essa não é
uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a
pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e
adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas.
Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social.
Aos 15, são 99%.
Mas o dado que mais me assusta não é esse.
É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão
dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto
dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.
A maioria das famílias brasileiras não tem um
combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.
Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir,
não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos
tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco
admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa
do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.
Esses não são adultos com anos de hábito acumulado.
São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não
conseguem sair sozinhos.
A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma
pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em
2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a
telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa
faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.
Estamos tão longe da recomendação que ela virou
ficção.
E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que
os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães
nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem
orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães
aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais
estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe
daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos
em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.
Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de
celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a
escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola.
Quando a criança chega em casa, quem decide?
Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me
colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que
transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a
única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se
trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.
Mas também não podemos fingir que não há
consequências.
O combinado que falta não precisa seguir manual.
Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é
razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é
permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve
ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto
até ____ escola.
São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E
decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.
Provas
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
O combinado que nunca fizemos
No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no
celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no
meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de
competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?
Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você,
provavelmente, também.
Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que
aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não
está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação
médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a
criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais
precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora,
sem esforço.
Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o
padrão vence. O padrão, hoje, é tela.
E o Brasil já tem números para provar que essa não é
uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a
pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e
adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas.
Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social.
Aos 15, são 99%.
Mas o dado que mais me assusta não é esse.
É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão
dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto
dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.
A maioria das famílias brasileiras não tem um
combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.
Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir,
não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos
tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco
admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa
do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.
Esses não são adultos com anos de hábito acumulado.
São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não
conseguem sair sozinhos.
A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma
pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em
2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a
telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa
faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.
Estamos tão longe da recomendação que ela virou
ficção.
E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que
os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães
nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem
orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães
aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais
estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe
daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos
em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.
Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de
celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a
escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola.
Quando a criança chega em casa, quem decide?
Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me
colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que
transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a
única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se
trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.
Mas também não podemos fingir que não há
consequências.
O combinado que falta não precisa seguir manual.
Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é
razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é
permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve
ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto
até ____ escola.
São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E
decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.
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