Foram encontradas 365.228 questões.
Leia o texto a seguir.
Poluição nos oceanos já atinge até mar profundo
Gabriel Stefanelli Silva explica ser muito difícil saber exatamente
de onde os poluentes estão vindo, porque podem chegar ao
oceano profundo por diferentes caminhos
Um estudo do Instituto Oceanográfico da USP investigou a
presença de microplásticos e poluentes persistentes na bacia de
Santos, litoral de São Paulo. Através da análise de sedimentos
de peixes e invertebrados que vivem entre 400 e 1.500 metros de
profundidade, foram identificados a presença de fibras plásticas e
poluentes orgânicos.
Gabriel Stefanelli Silva, um dos pesquisadores responsáveis
pelo estudo, explica que o mar profundo ainda é pouco explorado
devido à sua complexidade. Ele conta que os primeiros registros
de lixo em mar profundo são de 2013 e que ainda existe
pouca pesquisa nessa área por conta de questões envolvendo
fi nanciamento e tecnologia.
Como foi feita a análise
As amostras foram coletadas em expedições na Bacia de
Santos, com ajuda do navio do Instituto Oceanográfi co, o Alfa
Cruzes. Os pesquisadores utilizaram um equipamento capaz de
retirar porções intactas do sedimento marinho e redes de arrasto
para capturar peixes e invertebrados.
Em laboratório, analisaram o conteúdo digestivo dos animais
e os sedimentos em busca de microplásticos e poluentes orgânicos
persistentes, compostos químicos que podem permanecer no
ambiente por décadas.
Lixo no mar profundo
Stefanelli explica que é muito difícil saber exatamente de
onde esse material está vindo, porque eles podem chegar ao
oceano profundo por diferentes caminhos. O lixo das cidades é
bastante responsável pela presença desses materiais no fundo
do mar. Os resíduos, intencionalmente ou não, acabam indo parar
nos rios, que em sua maioria desaguam no mar.
Além disso, os microplásticos, por serem muito leves,
também acabam sendo levados pelo ar. “Uma corrente de vento
pode levar esse material por grandes distâncias, inclusive, na
atmosfera. Mas também tem a questão do aporte de material que
já está no oceano. Então, em embarcações, por exemplo, em
plataformas off shore, também geram lixo, também geram esse
resíduo que já está ali no ambiente.”
Fonte: https://jornal.usp.br/atualidades/poluicao-nos-oceanos-ja-atinge-ate-marprofundo/. Excerto. Acesso em 04/06/2026
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Poluição nos oceanos já atinge até mar profundo
Gabriel Stefanelli Silva explica ser muito difícil saber exatamente
de onde os poluentes estão vindo, porque podem chegar ao
oceano profundo por diferentes caminhos
Um estudo do Instituto Oceanográfico da USP investigou a
presença de microplásticos e poluentes persistentes na bacia de
Santos, litoral de São Paulo. Através da análise de sedimentos
de peixes e invertebrados que vivem entre 400 e 1.500 metros de
profundidade, foram identificados a presença de fibras plásticas e
poluentes orgânicos.
Gabriel Stefanelli Silva, um dos pesquisadores responsáveis
pelo estudo, explica que o mar profundo ainda é pouco explorado
devido à sua complexidade. Ele conta que os primeiros registros
de lixo em mar profundo são de 2013 e que ainda existe
pouca pesquisa nessa área por conta de questões envolvendo
fi nanciamento e tecnologia.
Como foi feita a análise
As amostras foram coletadas em expedições na Bacia de
Santos, com ajuda do navio do Instituto Oceanográfi co, o Alfa
Cruzes. Os pesquisadores utilizaram um equipamento capaz de
retirar porções intactas do sedimento marinho e redes de arrasto
para capturar peixes e invertebrados.
Em laboratório, analisaram o conteúdo digestivo dos animais
e os sedimentos em busca de microplásticos e poluentes orgânicos
persistentes, compostos químicos que podem permanecer no
ambiente por décadas.
Lixo no mar profundo
Stefanelli explica que é muito difícil saber exatamente de
onde esse material está vindo, porque eles podem chegar ao
oceano profundo por diferentes caminhos. O lixo das cidades é
bastante responsável pela presença desses materiais no fundo
do mar. Os resíduos, intencionalmente ou não, acabam indo parar
nos rios, que em sua maioria desaguam no mar.
Além disso, os microplásticos, por serem muito leves,
também acabam sendo levados pelo ar. “Uma corrente de vento
pode levar esse material por grandes distâncias, inclusive, na
atmosfera. Mas também tem a questão do aporte de material que
já está no oceano. Então, em embarcações, por exemplo, em
plataformas off shore, também geram lixo, também geram esse
resíduo que já está ali no ambiente.”
Fonte: https://jornal.usp.br/atualidades/poluicao-nos-oceanos-ja-atinge-ate-marprofundo/. Excerto. Acesso em 04/06/2026
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As redes sociais anestesiam sentimentos
Perdemos a capacidade de refletir e até curtir a solidão. O celular
traz desconexão. E o feed, ruptura
Ruth de Aquino
Tristeza, raiva, desejo, inveja, humor e choque...em menos
de 30 segundos de feed. Você abre o Instagram. Vê uma guerra.
Depois um casal feliz. Um meme. Um corpo perfeito. Violência.
Um cachorro fofo. Alguém chorando. Propaganda. Ódio político.
Tudo em menos de 1 minuto. Mas nosso cérebro não foi feito para
sentir tudo ao mesmo tempo.
[...] A constatação é da psicóloga Fernanda Soibelman [...].
Sem conseguir elaborar emoções na velocidade do feed, nossos
sentimentos dão um nó. A tristeza vira anestesia. A indignação
vira cansaço. O desejo vira comparação. E o choque vira rotina.
Tédio. Estou com tédio, dizem crianças e adolescentes
quando sentem falta de um celular, um jogo, um iPad para se
comunicar ou se divertir.
Ok, o tédio ensina. Mas ficar entediado virou insuportável.
Esperar virou angústia. Silêncio virou vazio. Como diz Fernanda,
“estamos desaprendendo a sustentar experiências que não
estimulam imediatamente”. Daí a dificuldade de ler qualquer texto
mais longo.
No momento, viajo sozinha na Europa. Estar só é uma posição
privilegiada para observar o mundo. E refletir. Fico escandalizada
com a onipresença do celular nas ruas, nos ônibus, nos metrôs,
nos restaurantes, nos aeroportos, nos jardins.
No Rio e em SP, todo mundo tem medo de assalto e por
isso, na rua, o celular não é tão visível. Mas em Paris, Londres,
ou qualquer cidade europeia, o celular tornou-se uma extensão da
mão – não importa a classe social, o figurino, o destino.
O olhar deixou de mirar em volta. As pessoas esbarram forte
umas nas outras e o tal “eye contact” virou uma quimera. Ninguém
enxerga ninguém. Só o aparelhinho. Um desperdício. Não olham
a paisagem, a arquitetura, a moda de rua, as pessoas. No Rio,
você pode até acabar engolido por um bueiro.
O maior efeito das redes não é nos tornar mais distraídos,
diz Fernanda. Mas transformar nossa vida emocional num feed:
rápido, fragmentado e incapaz de permanecer em algo ou alguém
por muito tempo.
Noreena Hertz, britânica, autora do livro “O século da solidão”,
diz que as pessoas vivem um distanciamento perigoso. Estão
mais solitárias do que nunca. Noreena falou à jornalista Cecilia
Malan. “As pessoas sentem que não são vistas nem ouvidas. Sem
conexão”. É uma contradição, num mundo tão conectado.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/ruth-de-aquino/coluna/2026/06/as-redes-sociaisanestesiam-sentimentos.ghtml. Excerto.Acesso em 04/06/2026
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- OrtografiaPontuaçãoAspas
- Interpretação de TextosTipos de Discurso: Direto, Indireto e Indireto Livre
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As redes sociais anestesiam sentimentos
Perdemos a capacidade de refletir e até curtir a solidão. O celular
traz desconexão. E o feed, ruptura
Ruth de Aquino
Tristeza, raiva, desejo, inveja, humor e choque...em menos
de 30 segundos de feed. Você abre o Instagram. Vê uma guerra.
Depois um casal feliz. Um meme. Um corpo perfeito. Violência.
Um cachorro fofo. Alguém chorando. Propaganda. Ódio político.
Tudo em menos de 1 minuto. Mas nosso cérebro não foi feito para
sentir tudo ao mesmo tempo.
[...] A constatação é da psicóloga Fernanda Soibelman [...].
Sem conseguir elaborar emoções na velocidade do feed, nossos
sentimentos dão um nó. A tristeza vira anestesia. A indignação
vira cansaço. O desejo vira comparação. E o choque vira rotina.
Tédio. Estou com tédio, dizem crianças e adolescentes
quando sentem falta de um celular, um jogo, um iPad para se
comunicar ou se divertir.
Ok, o tédio ensina. Mas ficar entediado virou insuportável.
Esperar virou angústia. Silêncio virou vazio. Como diz Fernanda,
“estamos desaprendendo a sustentar experiências que não
estimulam imediatamente”. Daí a dificuldade de ler qualquer texto
mais longo.
No momento, viajo sozinha na Europa. Estar só é uma posição
privilegiada para observar o mundo. E refletir. Fico escandalizada
com a onipresença do celular nas ruas, nos ônibus, nos metrôs,
nos restaurantes, nos aeroportos, nos jardins.
No Rio e em SP, todo mundo tem medo de assalto e por
isso, na rua, o celular não é tão visível. Mas em Paris, Londres,
ou qualquer cidade europeia, o celular tornou-se uma extensão da
mão – não importa a classe social, o figurino, o destino.
O olhar deixou de mirar em volta. As pessoas esbarram forte
umas nas outras e o tal “eye contact” virou uma quimera. Ninguém
enxerga ninguém. Só o aparelhinho. Um desperdício. Não olham
a paisagem, a arquitetura, a moda de rua, as pessoas. No Rio,
você pode até acabar engolido por um bueiro.
O maior efeito das redes não é nos tornar mais distraídos,
diz Fernanda. Mas transformar nossa vida emocional num feed:
rápido, fragmentado e incapaz de permanecer em algo ou alguém
por muito tempo.
Noreena Hertz, britânica, autora do livro “O século da solidão”,
diz que as pessoas vivem um distanciamento perigoso. Estão
mais solitárias do que nunca. Noreena falou à jornalista Cecilia
Malan. “As pessoas sentem que não são vistas nem ouvidas. Sem
conexão”. É uma contradição, num mundo tão conectado.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/ruth-de-aquino/coluna/2026/06/as-redes-sociaisanestesiam-sentimentos.ghtml. Excerto.Acesso em 04/06/2026
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As redes sociais anestesiam sentimentos
Perdemos a capacidade de refletir e até curtir a solidão. O celular
traz desconexão. E o feed, ruptura
Ruth de Aquino
Tristeza, raiva, desejo, inveja, humor e choque...em menos
de 30 segundos de feed. Você abre o Instagram. Vê uma guerra.
Depois um casal feliz. Um meme. Um corpo perfeito. Violência.
Um cachorro fofo. Alguém chorando. Propaganda. Ódio político.
Tudo em menos de 1 minuto. Mas nosso cérebro não foi feito para
sentir tudo ao mesmo tempo.
[...] A constatação é da psicóloga Fernanda Soibelman [...].
Sem conseguir elaborar emoções na velocidade do feed, nossos
sentimentos dão um nó. A tristeza vira anestesia. A indignação
vira cansaço. O desejo vira comparação. E o choque vira rotina.
Tédio. Estou com tédio, dizem crianças e adolescentes
quando sentem falta de um celular, um jogo, um iPad para se
comunicar ou se divertir.
Ok, o tédio ensina. Mas ficar entediado virou insuportável.
Esperar virou angústia. Silêncio virou vazio. Como diz Fernanda,
“estamos desaprendendo a sustentar experiências que não
estimulam imediatamente”. Daí a dificuldade de ler qualquer texto
mais longo.
No momento, viajo sozinha na Europa. Estar só é uma posição
privilegiada para observar o mundo. E refletir. Fico escandalizada
com a onipresença do celular nas ruas, nos ônibus, nos metrôs,
nos restaurantes, nos aeroportos, nos jardins.
No Rio e em SP, todo mundo tem medo de assalto e por
isso, na rua, o celular não é tão visível. Mas em Paris, Londres,
ou qualquer cidade europeia, o celular tornou-se uma extensão da
mão – não importa a classe social, o figurino, o destino.
O olhar deixou de mirar em volta. As pessoas esbarram forte
umas nas outras e o tal “eye contact” virou uma quimera. Ninguém
enxerga ninguém. Só o aparelhinho. Um desperdício. Não olham
a paisagem, a arquitetura, a moda de rua, as pessoas. No Rio,
você pode até acabar engolido por um bueiro.
O maior efeito das redes não é nos tornar mais distraídos,
diz Fernanda. Mas transformar nossa vida emocional num feed:
rápido, fragmentado e incapaz de permanecer em algo ou alguém
por muito tempo.
Noreena Hertz, britânica, autora do livro “O século da solidão”,
diz que as pessoas vivem um distanciamento perigoso. Estão
mais solitárias do que nunca. Noreena falou à jornalista Cecilia
Malan. “As pessoas sentem que não são vistas nem ouvidas. Sem
conexão”. É uma contradição, num mundo tão conectado.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/ruth-de-aquino/coluna/2026/06/as-redes-sociaisanestesiam-sentimentos.ghtml. Excerto.Acesso em 04/06/2026
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As redes sociais anestesiam sentimentos
Perdemos a capacidade de refletir e até curtir a solidão. O celular
traz desconexão. E o feed, ruptura
Ruth de Aquino
Tristeza, raiva, desejo, inveja, humor e choque...em menos
de 30 segundos de feed. Você abre o Instagram. Vê uma guerra.
Depois um casal feliz. Um meme. Um corpo perfeito. Violência.
Um cachorro fofo. Alguém chorando. Propaganda. Ódio político.
Tudo em menos de 1 minuto. Mas nosso cérebro não foi feito para
sentir tudo ao mesmo tempo.
[...] A constatação é da psicóloga Fernanda Soibelman [...].
Sem conseguir elaborar emoções na velocidade do feed, nossos
sentimentos dão um nó. A tristeza vira anestesia. A indignação
vira cansaço. O desejo vira comparação. E o choque vira rotina.
Tédio. Estou com tédio, dizem crianças e adolescentes
quando sentem falta de um celular, um jogo, um iPad para se
comunicar ou se divertir.
Ok, o tédio ensina. Mas ficar entediado virou insuportável.
Esperar virou angústia. Silêncio virou vazio. Como diz Fernanda,
“estamos desaprendendo a sustentar experiências que não
estimulam imediatamente”. Daí a dificuldade de ler qualquer texto
mais longo.
No momento, viajo sozinha na Europa. Estar só é uma posição
privilegiada para observar o mundo. E refletir. Fico escandalizada
com a onipresença do celular nas ruas, nos ônibus, nos metrôs,
nos restaurantes, nos aeroportos, nos jardins.
No Rio e em SP, todo mundo tem medo de assalto e por
isso, na rua, o celular não é tão visível. Mas em Paris, Londres,
ou qualquer cidade europeia, o celular tornou-se uma extensão da
mão – não importa a classe social, o figurino, o destino.
O olhar deixou de mirar em volta. As pessoas esbarram forte
umas nas outras e o tal “eye contact” virou uma quimera. Ninguém
enxerga ninguém. Só o aparelhinho. Um desperdício. Não olham
a paisagem, a arquitetura, a moda de rua, as pessoas. No Rio,
você pode até acabar engolido por um bueiro.
O maior efeito das redes não é nos tornar mais distraídos,
diz Fernanda. Mas transformar nossa vida emocional num feed:
rápido, fragmentado e incapaz de permanecer em algo ou alguém
por muito tempo.
Noreena Hertz, britânica, autora do livro “O século da solidão”,
diz que as pessoas vivem um distanciamento perigoso. Estão
mais solitárias do que nunca. Noreena falou à jornalista Cecilia
Malan. “As pessoas sentem que não são vistas nem ouvidas. Sem
conexão”. É uma contradição, num mundo tão conectado.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/ruth-de-aquino/coluna/2026/06/as-redes-sociaisanestesiam-sentimentos.ghtml. Excerto.Acesso em 04/06/2026
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- OrtografiaPontuaçãoPonto de Exclamação e Interrogação
- OrtografiaPontuaçãoVírgula
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração CoordenadaOrações Coordenadas Sindéticas
- SintaxeConectivos
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
Leia o texto a seguir.
As redes sociais anestesiam sentimentos
Perdemos a capacidade de refletir e até curtir a solidão. O celular
traz desconexão. E o feed, ruptura
Ruth de Aquino
Tristeza, raiva, desejo, inveja, humor e choque...em menos
de 30 segundos de feed. Você abre o Instagram. Vê uma guerra.
Depois um casal feliz. Um meme. Um corpo perfeito. Violência.
Um cachorro fofo. Alguém chorando. Propaganda. Ódio político.
Tudo em menos de 1 minuto. Mas nosso cérebro não foi feito para
sentir tudo ao mesmo tempo.
[...] A constatação é da psicóloga Fernanda Soibelman [...].
Sem conseguir elaborar emoções na velocidade do feed, nossos
sentimentos dão um nó. A tristeza vira anestesia. A indignação
vira cansaço. O desejo vira comparação. E o choque vira rotina.
Tédio. Estou com tédio, dizem crianças e adolescentes
quando sentem falta de um celular, um jogo, um iPad para se
comunicar ou se divertir.
Ok, o tédio ensina. Mas ficar entediado virou insuportável.
Esperar virou angústia. Silêncio virou vazio. Como diz Fernanda,
“estamos desaprendendo a sustentar experiências que não
estimulam imediatamente”. Daí a dificuldade de ler qualquer texto
mais longo.
No momento, viajo sozinha na Europa. Estar só é uma posição
privilegiada para observar o mundo. E refletir. Fico escandalizada
com a onipresença do celular nas ruas, nos ônibus, nos metrôs,
nos restaurantes, nos aeroportos, nos jardins.
No Rio e em SP, todo mundo tem medo de assalto e por
isso, na rua, o celular não é tão visível. Mas em Paris, Londres,
ou qualquer cidade europeia, o celular tornou-se uma extensão da
mão – não importa a classe social, o figurino, o destino.
O olhar deixou de mirar em volta. As pessoas esbarram forte
umas nas outras e o tal “eye contact” virou uma quimera. Ninguém
enxerga ninguém. Só o aparelhinho. Um desperdício. Não olham
a paisagem, a arquitetura, a moda de rua, as pessoas. No Rio,
você pode até acabar engolido por um bueiro.
O maior efeito das redes não é nos tornar mais distraídos,
diz Fernanda. Mas transformar nossa vida emocional num feed:
rápido, fragmentado e incapaz de permanecer em algo ou alguém
por muito tempo.
Noreena Hertz, britânica, autora do livro “O século da solidão”,
diz que as pessoas vivem um distanciamento perigoso. Estão
mais solitárias do que nunca. Noreena falou à jornalista Cecilia
Malan. “As pessoas sentem que não são vistas nem ouvidas. Sem
conexão”. É uma contradição, num mundo tão conectado.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/ruth-de-aquino/coluna/2026/06/as-redes-sociaisanestesiam-sentimentos.ghtml. Excerto.Acesso em 04/06/2026
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As redes sociais anestesiam sentimentos
Perdemos a capacidade de refletir e até curtir a solidão. O celular
traz desconexão. E o feed, ruptura
Ruth de Aquino
Tristeza, raiva, desejo, inveja, humor e choque...em menos
de 30 segundos de feed. Você abre o Instagram. Vê uma guerra.
Depois um casal feliz. Um meme. Um corpo perfeito. Violência.
Um cachorro fofo. Alguém chorando. Propaganda. Ódio político.
Tudo em menos de 1 minuto. Mas nosso cérebro não foi feito para
sentir tudo ao mesmo tempo.
[...] A constatação é da psicóloga Fernanda Soibelman [...].
Sem conseguir elaborar emoções na velocidade do feed, nossos
sentimentos dão um nó. A tristeza vira anestesia. A indignação
vira cansaço. O desejo vira comparação. E o choque vira rotina.
Tédio. Estou com tédio, dizem crianças e adolescentes
quando sentem falta de um celular, um jogo, um iPad para se
comunicar ou se divertir.
Ok, o tédio ensina. Mas ficar entediado virou insuportável.
Esperar virou angústia. Silêncio virou vazio. Como diz Fernanda,
“estamos desaprendendo a sustentar experiências que não
estimulam imediatamente”. Daí a dificuldade de ler qualquer texto
mais longo.
No momento, viajo sozinha na Europa. Estar só é uma posição
privilegiada para observar o mundo. E refletir. Fico escandalizada
com a onipresença do celular nas ruas, nos ônibus, nos metrôs,
nos restaurantes, nos aeroportos, nos jardins.
No Rio e em SP, todo mundo tem medo de assalto e por
isso, na rua, o celular não é tão visível. Mas em Paris, Londres,
ou qualquer cidade europeia, o celular tornou-se uma extensão da
mão – não importa a classe social, o figurino, o destino.
O olhar deixou de mirar em volta. As pessoas esbarram forte
umas nas outras e o tal “eye contact” virou uma quimera. Ninguém
enxerga ninguém. Só o aparelhinho. Um desperdício. Não olham
a paisagem, a arquitetura, a moda de rua, as pessoas. No Rio,
você pode até acabar engolido por um bueiro.
O maior efeito das redes não é nos tornar mais distraídos,
diz Fernanda. Mas transformar nossa vida emocional num feed:
rápido, fragmentado e incapaz de permanecer em algo ou alguém
por muito tempo.
Noreena Hertz, britânica, autora do livro “O século da solidão”,
diz que as pessoas vivem um distanciamento perigoso. Estão
mais solitárias do que nunca. Noreena falou à jornalista Cecilia
Malan. “As pessoas sentem que não são vistas nem ouvidas. Sem
conexão”. É uma contradição, num mundo tão conectado.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/ruth-de-aquino/coluna/2026/06/as-redes-sociaisanestesiam-sentimentos.ghtml. Excerto.Acesso em 04/06/2026
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As redes sociais anestesiam sentimentos
Perdemos a capacidade de refletir e até curtir a solidão. O celular
traz desconexão. E o feed, ruptura
Ruth de Aquino
Tristeza, raiva, desejo, inveja, humor e choque...em menos
de 30 segundos de feed. Você abre o Instagram. Vê uma guerra.
Depois um casal feliz. Um meme. Um corpo perfeito. Violência.
Um cachorro fofo. Alguém chorando. Propaganda. Ódio político.
Tudo em menos de 1 minuto. Mas nosso cérebro não foi feito para
sentir tudo ao mesmo tempo.
[...] A constatação é da psicóloga Fernanda Soibelman [...].
Sem conseguir elaborar emoções na velocidade do feed, nossos
sentimentos dão um nó. A tristeza vira anestesia. A indignação
vira cansaço. O desejo vira comparação. E o choque vira rotina.
Tédio. Estou com tédio, dizem crianças e adolescentes
quando sentem falta de um celular, um jogo, um iPad para se
comunicar ou se divertir.
Ok, o tédio ensina. Mas ficar entediado virou insuportável.
Esperar virou angústia. Silêncio virou vazio. Como diz Fernanda,
“estamos desaprendendo a sustentar experiências que não
estimulam imediatamente”. Daí a dificuldade de ler qualquer texto
mais longo.
No momento, viajo sozinha na Europa. Estar só é uma posição
privilegiada para observar o mundo. E refletir. Fico escandalizada
com a onipresença do celular nas ruas, nos ônibus, nos metrôs,
nos restaurantes, nos aeroportos, nos jardins.
No Rio e em SP, todo mundo tem medo de assalto e por
isso, na rua, o celular não é tão visível. Mas em Paris, Londres,
ou qualquer cidade europeia, o celular tornou-se uma extensão da
mão – não importa a classe social, o figurino, o destino.
O olhar deixou de mirar em volta. As pessoas esbarram forte
umas nas outras e o tal “eye contact” virou uma quimera. Ninguém
enxerga ninguém. Só o aparelhinho. Um desperdício. Não olham
a paisagem, a arquitetura, a moda de rua, as pessoas. No Rio,
você pode até acabar engolido por um bueiro.
O maior efeito das redes não é nos tornar mais distraídos,
diz Fernanda. Mas transformar nossa vida emocional num feed:
rápido, fragmentado e incapaz de permanecer em algo ou alguém
por muito tempo.
Noreena Hertz, britânica, autora do livro “O século da solidão”,
diz que as pessoas vivem um distanciamento perigoso. Estão
mais solitárias do que nunca. Noreena falou à jornalista Cecilia
Malan. “As pessoas sentem que não são vistas nem ouvidas. Sem
conexão”. É uma contradição, num mundo tão conectado.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/ruth-de-aquino/coluna/2026/06/as-redes-sociaisanestesiam-sentimentos.ghtml. Excerto.Acesso em 04/06/2026
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As redes sociais anestesiam sentimentos
Perdemos a capacidade de refletir e até curtir a solidão. O celular
traz desconexão. E o feed, ruptura
Ruth de Aquino
Tristeza, raiva, desejo, inveja, humor e choque...em menos
de 30 segundos de feed. Você abre o Instagram. Vê uma guerra.
Depois um casal feliz. Um meme. Um corpo perfeito. Violência.
Um cachorro fofo. Alguém chorando. Propaganda. Ódio político.
Tudo em menos de 1 minuto. Mas nosso cérebro não foi feito para
sentir tudo ao mesmo tempo.
[...] A constatação é da psicóloga Fernanda Soibelman [...].
Sem conseguir elaborar emoções na velocidade do feed, nossos
sentimentos dão um nó. A tristeza vira anestesia. A indignação
vira cansaço. O desejo vira comparação. E o choque vira rotina.
Tédio. Estou com tédio, dizem crianças e adolescentes
quando sentem falta de um celular, um jogo, um iPad para se
comunicar ou se divertir.
Ok, o tédio ensina. Mas ficar entediado virou insuportável.
Esperar virou angústia. Silêncio virou vazio. Como diz Fernanda,
“estamos desaprendendo a sustentar experiências que não
estimulam imediatamente”. Daí a dificuldade de ler qualquer texto
mais longo.
No momento, viajo sozinha na Europa. Estar só é uma posição
privilegiada para observar o mundo. E refletir. Fico escandalizada
com a onipresença do celular nas ruas, nos ônibus, nos metrôs,
nos restaurantes, nos aeroportos, nos jardins.
No Rio e em SP, todo mundo tem medo de assalto e por
isso, na rua, o celular não é tão visível. Mas em Paris, Londres,
ou qualquer cidade europeia, o celular tornou-se uma extensão da
mão – não importa a classe social, o figurino, o destino.
O olhar deixou de mirar em volta. As pessoas esbarram forte
umas nas outras e o tal “eye contact” virou uma quimera. Ninguém
enxerga ninguém. Só o aparelhinho. Um desperdício. Não olham
a paisagem, a arquitetura, a moda de rua, as pessoas. No Rio,
você pode até acabar engolido por um bueiro.
O maior efeito das redes não é nos tornar mais distraídos,
diz Fernanda. Mas transformar nossa vida emocional num feed:
rápido, fragmentado e incapaz de permanecer em algo ou alguém
por muito tempo.
Noreena Hertz, britânica, autora do livro “O século da solidão”,
diz que as pessoas vivem um distanciamento perigoso. Estão
mais solitárias do que nunca. Noreena falou à jornalista Cecilia
Malan. “As pessoas sentem que não são vistas nem ouvidas. Sem
conexão”. É uma contradição, num mundo tão conectado.
Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/ruth-de-aquino/coluna/2026/06/as-redes-sociaisanestesiam-sentimentos.ghtml. Excerto.Acesso em 04/06/2026
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