Foram encontradas 365.228 questões.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria
medieval tem a nos ensinar
O estresse e o esgotamento mental não são problemas
exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também
eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre
como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno
ocupacional pela Organização Mundial da Saúde,
continua surpreendentemente atual.
Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros
pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel
de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos:
cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer
lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa
mental, descrita como uma confusão da mente sem
explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.
Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão
reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor
que esses problemas sejam consequência das pressões
do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre
isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos
primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida
espiritual.
Será que relatos como esse podem ajudar a
compreender o mal-estar contemporâneo e apontar
caminhos para enfrentá-lo?
Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones,
Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente
medieval, que apresenta as formas como os chamados
padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a
angústia espiritual.
A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi
recorrente ao longo da história, constatação que pode
confortar quem atravessa um período de profunda
angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na
Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições
dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer
também aos manuscritos medievais.
Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a
própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio
da minha vida".
Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para
explicar, aceitou o cargo de professor titular de História
na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas
eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao
ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas
pernas.
Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia
muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na
Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas
e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia
fazer nada.
Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados
Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos
medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os
autores medievais passaram por experiências
semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as
crises humanas sempre foram parecidos.
Jones explica que os sete pecados capitais não
aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores
cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e
sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório
Magno, que os considerava uma ferramenta para
compreender os problemas da mente.
Esse esquema de organização dos pensamentos incluía
soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.
Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu
o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma
ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir.
Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela
um vazio emocional mais profundo.
Conhecida na época como acídia, a condição abrangia
uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um
vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que
tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar
apenas indiferença.
Jones conta que se identificou especialmente com um
texto do século treze, conhecido como MS 306 e
preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como
estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de
uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem
forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a
sensação de paralisia que ele experimentou durante o
inverno na Sibéria.
Jones não é o único historiador a identificar paralelos
entre os males medievais e os da vida contemporânea.
No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina
Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia
descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre
os sintomas estão a busca de conforto na comida e o
recurso a distrações sem propósito, em vez da
dedicação a atividades significativas.
Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem
sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de
meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as
estratégias inadequadas usadas para recuperar as
energias agravam o problema. Nesse sentido, os
indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do
século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que
realmente importa por meio de atividades improdutivas.
Mas quais eram as soluções?
O autor do manuscrito MS 306 responde com uma
referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus
vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível
subjugá-los, mas não exterminá-los.
Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que
ocupou Jerusalém e não podia ser completamente
expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a
aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de
lutar constantemente contra eles.
Jones reconhece que, fora do contexto original, essas
ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que
elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o
burnout e outros problemas emocionais.
Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval,
do século doze, um dos fundadores da Ordem dos
Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo
comparou uma boa vida a correr em um terreno
acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de
percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando
ou caindo. Todos passam por momentos em que se
sentem completamente sem rumo.
Para Jones, há grande conforto em reconhecer que
ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras
pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao
longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a
companhia daqueles que vieram antes de nós.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado.
Sobre a relação estabelecida no termo destacado, assinale a alternativa correta.
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Questão presente nas seguintes provas
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Adjetiva
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Substantiva
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria
medieval tem a nos ensinar
O estresse e o esgotamento mental não são problemas
exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também
eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre
como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno
ocupacional pela Organização Mundial da Saúde,
continua surpreendentemente atual.
Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros
pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel
de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos:
cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer
lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa
mental, descrita como uma confusão da mente sem
explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.
Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão
reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor
que esses problemas sejam consequência das pressões
do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre
isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos
primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida
espiritual.
Será que relatos como esse podem ajudar a
compreender o mal-estar contemporâneo e apontar
caminhos para enfrentá-lo?
Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones,
Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente
medieval, que apresenta as formas como os chamados
padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a
angústia espiritual.
A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi
recorrente ao longo da história, constatação que pode
confortar quem atravessa um período de profunda
angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na
Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições
dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer
também aos manuscritos medievais.
Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a
própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio
da minha vida".
Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para
explicar, aceitou o cargo de professor titular de História
na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas
eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao
ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas
pernas.
Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia
muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na
Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas
e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia
fazer nada.
Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados
Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos
medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os
autores medievais passaram por experiências
semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as
crises humanas sempre foram parecidos.
Jones explica que os sete pecados capitais não
aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores
cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e
sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório
Magno, que os considerava uma ferramenta para
compreender os problemas da mente.
Esse esquema de organização dos pensamentos incluía
soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.
Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu
o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma
ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir.
Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela
um vazio emocional mais profundo.
Conhecida na época como acídia, a condição abrangia
uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um
vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que
tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar
apenas indiferença.
Jones conta que se identificou especialmente com um
texto do século treze, conhecido como MS 306 e
preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como
estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de
uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem
forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a
sensação de paralisia que ele experimentou durante o
inverno na Sibéria.
Jones não é o único historiador a identificar paralelos
entre os males medievais e os da vida contemporânea.
No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina
Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia
descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre
os sintomas estão a busca de conforto na comida e o
recurso a distrações sem propósito, em vez da
dedicação a atividades significativas.
Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem
sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de
meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as
estratégias inadequadas usadas para recuperar as
energias agravam o problema. Nesse sentido, os
indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do
século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que
realmente importa por meio de atividades improdutivas.
Mas quais eram as soluções?
O autor do manuscrito MS 306 responde com uma
referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus
vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível
subjugá-los, mas não exterminá-los.
Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que
ocupou Jerusalém e não podia ser completamente
expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a
aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de
lutar constantemente contra eles.
Jones reconhece que, fora do contexto original, essas
ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que
elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o
burnout e outros problemas emocionais.
Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval,
do século doze, um dos fundadores da Ordem dos
Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo
comparou uma boa vida a correr em um terreno
acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de
percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando
ou caindo. Todos passam por momentos em que se
sentem completamente sem rumo.
Para Jones, há grande conforto em reconhecer que
ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras
pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao
longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a
companhia daqueles que vieram antes de nós.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado.
Analise se as afirmativas a seguir, quanto à classificação das orações subordinadas presentes no texto, são falsas (F) ou verdadeiras (V).
( ) No primeiro período do texto, a oração "que os jebuseus eram um povo antigo" classifica-se como subordinada substantiva objetiva direta.
( ) No trecho "que ocupou Jerusalém e não podia ser expulso", a oração "que ocupou Jerusalém" classifica-se como subordinada adverbial temporal.
( ) No trecho "A metáfora aconselha quem sofre de acídia", a oração "quem sofre de acídia" classifica-se como subordinada adjetiva restritiva.
( ) No trecho "a aprender a conviver com esses sentimentos", a sequência introduzida pelo infinitivo funciona como complemento verbal de "aconselha", exprimindo a ação aconselhada ao destinatário.
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria
medieval tem a nos ensinar
O estresse e o esgotamento mental não são problemas
exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também
eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre
como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno
ocupacional pela Organização Mundial da Saúde,
continua surpreendentemente atual.
Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros
pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel
de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos:
cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer
lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa
mental, descrita como uma confusão da mente sem
explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.
Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão
reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor
que esses problemas sejam consequência das pressões
do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre
isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos
primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida
espiritual.
Será que relatos como esse podem ajudar a
compreender o mal-estar contemporâneo e apontar
caminhos para enfrentá-lo?
Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones,
Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente
medieval, que apresenta as formas como os chamados
padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a
angústia espiritual.
A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi
recorrente ao longo da história, constatação que pode
confortar quem atravessa um período de profunda
angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na
Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições
dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer
também aos manuscritos medievais.
Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a
própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio
da minha vida".
Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para
explicar, aceitou o cargo de professor titular de História
na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas
eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao
ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas
pernas.
Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia
muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na
Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas
e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia
fazer nada.
Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados
Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos
medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os
autores medievais passaram por experiências
semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as
crises humanas sempre foram parecidos.
Jones explica que os sete pecados capitais não
aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores
cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e
sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório
Magno, que os considerava uma ferramenta para
compreender os problemas da mente.
Esse esquema de organização dos pensamentos incluía
soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.
Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu
o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma
ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir.
Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela
um vazio emocional mais profundo.
Conhecida na época como acídia, a condição abrangia
uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um
vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que
tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar
apenas indiferença.
Jones conta que se identificou especialmente com um
texto do século treze, conhecido como MS 306 e
preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como
estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de
uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem
forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a
sensação de paralisia que ele experimentou durante o
inverno na Sibéria.
Jones não é o único historiador a identificar paralelos
entre os males medievais e os da vida contemporânea.
No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina
Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia
descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre
os sintomas estão a busca de conforto na comida e o
recurso a distrações sem propósito, em vez da
dedicação a atividades significativas.
Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem
sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de
meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as
estratégias inadequadas usadas para recuperar as
energias agravam o problema. Nesse sentido, os
indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do
século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que
realmente importa por meio de atividades improdutivas.
Mas quais eram as soluções?
O autor do manuscrito MS 306 responde com uma
referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus
vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível
subjugá-los, mas não exterminá-los.
Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que
ocupou Jerusalém e não podia ser completamente
expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a
aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de
lutar constantemente contra eles.
Jones reconhece que, fora do contexto original, essas
ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que
elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o
burnout e outros problemas emocionais.
Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval,
do século doze, um dos fundadores da Ordem dos
Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo
comparou uma boa vida a correr em um terreno
acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de
percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando
ou caindo. Todos passam por momentos em que se
sentem completamente sem rumo.
Para Jones, há grande conforto em reconhecer que
ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras
pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao
longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a
companhia daqueles que vieram antes de nós.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado.
Considerando o uso do acento indicativo de crase e a estrutura do período, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
I.No trecho, o acento indicativo de crase em "às atuais" existe, pois ocorre a fusão da preposição "a", solicitada pelo termo "semelhantes", com o artigo definido "as" que precede o substantivo "experiências" subentendido.
PORQUE
II.Em construções comparativas com o adjetivo "semelhante", o termo subsequente solicita a preposição "a", e o artigo definido "as" é facultativo antes do pronome demonstrativo "atuais", razão pela qual a crase pode ser facultativa no contexto.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
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Burnout já existia na Idade Média: o que a sabedoria
medieval tem a nos ensinar
O estresse e o esgotamento mental não são problemas
exclusivos da vida moderna. Na Idade Média, também
eram comuns, e parte da sabedoria medieval sobre
como enfrentar o burnout, considerado um fenômeno
ocupacional pela Organização Mundial da Saúde,
continua surpreendentemente atual.
Os sintomas, observou João Cassiano, um dos primeiros
pensadores cristãos do século quinto a exercer o papel
de sacerdote-terapeuta, eram sempre os mesmos:
cansaço, desesperança, vontade de estar em qualquer
lugar, menos no trabalho, e uma espécie de névoa
mental, descrita como uma confusão da mente sem
explicação, que fazia seus colegas se sentirem improdutivos, inúteis e buscarem consolo no sono.
Quem já enfrentou burnout, esgotamento ou depressão
reconhecerá parte dessas sensações. É comum supor
que esses problemas sejam consequência das pressões
do século vinte e um. Cassiano, porém, escreveu sobre
isso no século quinto depois de Cristo, para cristãos dos
primeiros séculos exaustos pelas exigências da vida
espiritual.
Será que relatos como esse podem ajudar a
compreender o mal-estar contemporâneo e apontar
caminhos para enfrentá-lo?
Essa é a tese do livro do historiador Peter Jones,
Autoajuda na Idade Média: uma viagem pela mente
medieval, que apresenta as formas como os chamados
padres-terapeutas orientavam os fiéis a superar a
angústia espiritual.
A pesquisa de Jones revela como o esgotamento foi
recorrente ao longo da história, constatação que pode
confortar quem atravessa um período de profunda
angústia. Segundo o historiador, há muita sabedoria na
Idade Média. Depois de tantos livros dedicados às lições
dos antigos estoicos, talvez seja o momento de recorrer
também aos manuscritos medievais.
Jones conta que a ideia do livro surgiu após enfrentar a
própria crise, descrita por ele como "o inverno mais frio
da minha vida".
Em 2015, por razões que ainda diz ter dificuldade para
explicar, aceitou o cargo de professor titular de História
na Universidade de Tyumen, na Sibéria. As temperaturas
eram tão baixas que, depois de apenas vinte minutos ao
ar livre, ele perdia completamente a sensibilidade nas
pernas.
Também enfrentava dificuldades com o idioma e sentia
muita falta da família, que havia ficado em Dublin, na
Irlanda. Ele conta que deveria pesquisar, preparar aulas
e seguir com a vida, mas simplesmente não conseguia
fazer nada.
Enquanto preparava um curso sobre os Sete Pecados
Capitais, Jones começou a reconhecer nos relatos
medievais ecos da própria infelicidade. Segundo ele, os
autores medievais passaram por experiências
semelhantes às atuais, porque os sentimentos e as
crises humanas sempre foram parecidos.
Jones explica que os sete pecados capitais não
aparecem na Bíblia. Foram formulados por pensadores
cristãos dos primeiros séculos, como João Cassiano, e
sistematizados mais tarde pelo papa São Gregório
Magno, que os considerava uma ferramenta para
compreender os problemas da mente.
Esse esquema de organização dos pensamentos incluía
soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.
Entre os sete pecados, a preguiça foi a que mais refletiu
o estado de espírito de Jones na Sibéria. Hoje, costuma
ser associada à indolência ou à falta de vontade de agir.
Os autores medievais, porém, identificavam por trás dela
um vazio emocional mais profundo.
Conhecida na época como acídia, a condição abrangia
uma ausência de amor, uma paralisia do cuidado e um
vazio espiritual, escreve Jones. Era o estado em que
tudo o que antes iluminava os dias passava a despertar
apenas indiferença.
Jones conta que se identificou especialmente com um
texto do século treze, conhecido como MS 306 e
preservado em Dublin. Nele, a acídia é descrita como
estar parado no meio de um rio caudaloso, diante de
uma correnteza que bate contra as pernas, mas sem
forças para seguir em frente. A imagem reproduzia a
sensação de paralisia que ele experimentou durante o
inverno na Sibéria.
Jones não é o único historiador a identificar paralelos
entre os males medievais e os da vida contemporânea.
No livro Exaustos, a historiadora cultural Anna Katharina
Schaffner estabelece uma relação direta entre a acídia
descrita pelos cristãos medievais e o burnout atual. Entre
os sintomas estão a busca de conforto na comida e o
recurso a distrações sem propósito, em vez da
dedicação a atividades significativas.
Segundo Schaffner, trata-se de um círculo vicioso: quem
sofre de acídia se torna cada vez menos capaz de
meditar e refletir sobre questões espirituais, enquanto as
estratégias inadequadas usadas para recuperar as
energias agravam o problema. Nesse sentido, os
indivíduos medievais eram semelhantes às pessoas do
século vinte e um, exaustas e inclinadas a evitar o que
realmente importa por meio de atividades improdutivas.
Mas quais eram as soluções?
O autor do manuscrito MS 306 responde com uma
referência indireta à Bíblia, segundo a qual os jebuseus
vivem dentro das fronteiras de cada pessoa. É possível
subjugá-los, mas não exterminá-los.
Jones explica que os jebuseus eram um povo antigo que
ocupou Jerusalém e não podia ser completamente
expulso. A metáfora aconselha quem sofre de acídia a
aprender a conviver com esses sentimentos, em vez de
lutar constantemente contra eles.
Jones reconhece que, fora do contexto original, essas
ideias soam como clichês. Ainda assim, observa que
elas lembram abordagens contemporâneas para tratar o
burnout e outros problemas emocionais.
Jones também cita os escritos de Bernardo de Claraval,
do século doze, um dos fundadores da Ordem dos
Cavaleiros Templários. Segundo o historiador, Bernardo
comparou uma boa vida a correr em um terreno
acidentado, no qual qualquer pessoa, depois de
percorrer uma distância suficiente, acabará tropeçando
ou caindo. Todos passam por momentos em que se
sentem completamente sem rumo.
Para Jones, há grande conforto em reconhecer que
ninguém sofre sozinho. Seja qual for a aflição, outras
pessoas já experimentaram sentimentos semelhantes ao
longo de milhares de anos. É reconfortante sentir a
companhia daqueles que vieram antes de nós.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgr7jx1dj12o.adaptado.
Analise as proposições a seguir sobre a regência dos verbos destacados na frase.
I.O verbo "conta" é transitivo direto, e a oração introduzida por "que" exerce função de objeto direto, classificando-se como subordinada substantiva objetiva direta.
II.O verbo "seguir" é transitivo direto, e a preposição "com" que o acompanha em "seguir com a vida" é um elemento expletivo, podendo ser suprimida sem prejuízo da regência verbal.
III.O verbo "fazer" é transitivo direto, e o pronome indefinido substantivo "nada" exerce função sintática de objeto direto.
IV.O verbo "conseguia" é transitivo indireto, regendo a preposição "de", e a oração reduzida de infinitivo "fazer nada" constitui seu objeto indireto.
Assinale a alternativa correta.
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Questão presente nas seguintes provas
Os tipos textuais correspondem a formas predominantes
de organização do discurso e podem coexistir em um
mesmo gênero textual, embora um deles costume
prevalecer na construção dos sentidos (MARCUSCHI,
2008).
Em relação aos tipos textuais, assinale a alternativa correta.
Em relação aos tipos textuais, assinale a alternativa correta.
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Questão presente nas seguintes provas
Os vícios de linguagem constituem desvios capazes de
comprometer a precisão, a clareza ou a expressividade
do enunciado, sendo identificados a partir dos efeitos
produzidos na construção linguística e não apenas pela
nomenclatura atribuída a cada ocorrência (CUNHA;
CINTRA, 2017).
Analise os vícios de linguagem apresentados na Coluna I e associe-os às respectivas características da Coluna II.
Coluna I
1.Ambiguidade
2.Eco
3.Barbarismo
4.Solecismo 5.Redundância
Coluna II
( ) Ocorrência em que a repetição de terminações ou de sequências sonoras semelhantes produz um efeito fonético indesejado, sem alterar a correção gramatical do enunciado.
( ) Desvio que incide sobre a forma da palavra, envolvendo aspectos como grafia, pronúncia, flexão ou formação vocabular em desacordo com a norma-padrão.
( ) Inadequação decorrente da organização sintática da frase, comprometendo relações estruturais exigidas pela norma culta, ainda que o sentido geral permaneça compreensível.
( ) Construção cuja organização permite mais de uma leitura compatível com o contexto, dificultando a determinação de um único sentido para o enunciado.
( ) Emprego de elementos linguísticos cujo conteúdo semântico já se encontra expresso por outros termos da mesma construção, sem acréscimo relevante de informação.
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
Analise os vícios de linguagem apresentados na Coluna I e associe-os às respectivas características da Coluna II.
Coluna I
1.Ambiguidade
2.Eco
3.Barbarismo
4.Solecismo 5.Redundância
Coluna II
( ) Ocorrência em que a repetição de terminações ou de sequências sonoras semelhantes produz um efeito fonético indesejado, sem alterar a correção gramatical do enunciado.
( ) Desvio que incide sobre a forma da palavra, envolvendo aspectos como grafia, pronúncia, flexão ou formação vocabular em desacordo com a norma-padrão.
( ) Inadequação decorrente da organização sintática da frase, comprometendo relações estruturais exigidas pela norma culta, ainda que o sentido geral permaneça compreensível.
( ) Construção cuja organização permite mais de uma leitura compatível com o contexto, dificultando a determinação de um único sentido para o enunciado.
( ) Emprego de elementos linguísticos cujo conteúdo semântico já se encontra expresso por outros termos da mesma construção, sem acréscimo relevante de informação.
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
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Questão presente nas seguintes provas
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas,
mas tiveram resultados brilhantes
Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo
extremista transformou aviões comerciais em armas
contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo
buscou informações na internet, que na época ainda não
suportava um volume tão grande de acessos e
praticamente parou.
Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em
Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava
hospedado em um servidor com capacidade limitada.
Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo
conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia
atender a todos, mesmo que outros servidores
estivessem ociosos. A questão era como alocar
servidores de maneira eficiente para acompanhar um
tráfego em constante mudança.
Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher
trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de
Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey,
especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir
Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas
abelhas.
Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente
para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de
milhões de flores que prosperam em épocas e horários
diferentes, disputando recursos com outras espécies.
Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à
sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da
Universidade de Cornell.
Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois
engenheiros para entender como as abelhas resolvem
esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares
de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar
para observar seu comportamento. O segredo para
marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura
corporal.
O estudo ajudou a compreender o comportamento das
abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de
pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria
surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores,
que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone
de carregamento.
Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras
que resultaram em grande impacto social. A premiação
foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para
contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava
gastos públicos com ciência.
Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação
Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra
que descobertas científicas levam tempo e que
pesquisas consideradas tolas podem ter impacto
duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza
humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se
a pesquisa orientada por missão, mas é preciso
equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de
onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem
diminuindo em vários países.
Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial,
cujas bases vieram da neurociência, não da
computação. Na década de 1970, cientistas modelaram
redes neurais para compreender a cognição humana.
Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de
máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso
de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas
James McClelland e David Rumelhart começaram
movidos pela simples curiosidade de entender os
processos cognitivos do cérebro.
Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia
surgiu porque dois cientistas queriam entender por que
certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na
década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram
a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas
quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se
desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por
pura curiosidade.
Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima
dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor
exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar
fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de
covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era
essencial na medicina, na genética e na ciência forense.
O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares,
gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock
e Freeze, o Ganso de Ouro.
O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década
de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe
estudavam como campos elétricos afetavam bactérias
quando algo inesperado aconteceu: as bactérias
pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao
campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de
platina liberavam compostos que impediam a
multiplicação celular. Essa observação, quase
descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos
mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a
sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de
10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três
pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não
buscavam a cura do câncer. Queriam apenas
compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
A partir das informações do texto, infere-se que a criação do Prêmio Ganso de Ouro buscou:
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- SintaxeTermos Acessórios e Independentes
- MorfologiaAdjetivos
- MorfologiaAdvérbios
- MorfologiaPronomesPronomes Relativos
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas,
mas tiveram resultados brilhantes
Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo
extremista transformou aviões comerciais em armas
contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo
buscou informações na internet, que na época ainda não
suportava um volume tão grande de acessos e
praticamente parou.
Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em
Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava
hospedado em um servidor com capacidade limitada.
Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo
conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia
atender a todos, mesmo que outros servidores
estivessem ociosos. A questão era como alocar
servidores de maneira eficiente para acompanhar um
tráfego em constante mudança.
Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher
trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de
Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey,
especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir
Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas
abelhas.
Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente
para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de
milhões de flores que prosperam em épocas e horários
diferentes, disputando recursos com outras espécies.
Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à
sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da
Universidade de Cornell.
Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois
engenheiros para entender como as abelhas resolvem
esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares
de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar
para observar seu comportamento. O segredo para
marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura
corporal.
O estudo ajudou a compreender o comportamento das
abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de
pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria
surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores,
que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone
de carregamento.
Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras
que resultaram em grande impacto social. A premiação
foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para
contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava
gastos públicos com ciência.
Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação
Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra
que descobertas científicas levam tempo e que
pesquisas consideradas tolas podem ter impacto
duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza
humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se
a pesquisa orientada por missão, mas é preciso
equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de
onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem
diminuindo em vários países.
Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial,
cujas bases vieram da neurociência, não da
computação. Na década de 1970, cientistas modelaram
redes neurais para compreender a cognição humana.
Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de
máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso
de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas
James McClelland e David Rumelhart começaram
movidos pela simples curiosidade de entender os
processos cognitivos do cérebro.
Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia
surgiu porque dois cientistas queriam entender por que
certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na
década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram
a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas
quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se
desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por
pura curiosidade.
Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima
dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor
exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar
fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de
covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era
essencial na medicina, na genética e na ciência forense.
O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares,
gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock
e Freeze, o Ganso de Ouro.
O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década
de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe
estudavam como campos elétricos afetavam bactérias
quando algo inesperado aconteceu: as bactérias
pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao
campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de
platina liberavam compostos que impediam a
multiplicação celular. Essa observação, quase
descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos
mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a
sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de
10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três
pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não
buscavam a cura do câncer. Queriam apenas
compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
Analise se as afirmativas a seguir sobre os termos destacados são falsas (F) ou verdadeiras (V).
( ) O trecho "no 11 de setembro" exerce a função de adjunto adverbial de tempo, situando o fato narrado no tempo ocorrido.
( ) O termo "Atônito" atribui um estado ao sujeito "o mundo", exercendo a função sintática de predicativo do sujeito.
( ) O pronome relativo "que" retoma o termo "informações", estabelecendo com ele uma relação de caracterização.
( ) O vocábulo "tão" exerce a função de pronome indefinido, indicando quantidade imprecisa relacionada ao substantivo "volume".
Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas,
mas tiveram resultados brilhantes
Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo
extremista transformou aviões comerciais em armas
contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo
buscou informações na internet, que na época ainda não
suportava um volume tão grande de acessos e
praticamente parou.
Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em
Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava
hospedado em um servidor com capacidade limitada.
Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo
conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia
atender a todos, mesmo que outros servidores
estivessem ociosos. A questão era como alocar
servidores de maneira eficiente para acompanhar um
tráfego em constante mudança.
Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher
trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de
Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey,
especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir
Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas
abelhas.
Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente
para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de
milhões de flores que prosperam em épocas e horários
diferentes, disputando recursos com outras espécies.
Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à
sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da
Universidade de Cornell.
Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois
engenheiros para entender como as abelhas resolvem
esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares
de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar
para observar seu comportamento. O segredo para
marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura
corporal.
O estudo ajudou a compreender o comportamento das
abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de
pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria
surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores,
que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone
de carregamento.
Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras
que resultaram em grande impacto social. A premiação
foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para
contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava
gastos públicos com ciência.
Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação
Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra
que descobertas científicas levam tempo e que
pesquisas consideradas tolas podem ter impacto
duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza
humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se
a pesquisa orientada por missão, mas é preciso
equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de
onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem
diminuindo em vários países.
Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial,
cujas bases vieram da neurociência, não da
computação. Na década de 1970, cientistas modelaram
redes neurais para compreender a cognição humana.
Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de
máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso
de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas
James McClelland e David Rumelhart começaram
movidos pela simples curiosidade de entender os
processos cognitivos do cérebro.
Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia
surgiu porque dois cientistas queriam entender por que
certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na
década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram
a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas
quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se
desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por
pura curiosidade.
Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima
dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor
exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar
fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de
covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era
essencial na medicina, na genética e na ciência forense.
O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares,
gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock
e Freeze, o Ganso de Ouro.
O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década
de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe
estudavam como campos elétricos afetavam bactérias
quando algo inesperado aconteceu: as bactérias
pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao
campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de
platina liberavam compostos que impediam a
multiplicação celular. Essa observação, quase
descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos
mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a
sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de
10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três
pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não
buscavam a cura do câncer. Queriam apenas
compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
I.O emprego da expressão destacada está correto no trecho.
PORQUE II.
Nesse contexto, "por qual motivo" pode substituir a referida expressão, justificando sua grafia em duas palavras.
Assinale a alternativa correta.
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Quatro pesquisas científicas que pareciam absurdas,
mas tiveram resultados brilhantes
Há 25 anos, no 11 de setembro de 2001, um grupo
extremista transformou aviões comerciais em armas
contra alvos nos Estados Unidos. Atônito, o mundo
buscou informações na internet, que na época ainda não
suportava um volume tão grande de acessos e
praticamente parou.
Sunil Nakrani, engenheiro elétrico e doutorando em
Oxford, tentou compreender o colapso. Cada site ficava
hospedado em um servidor com capacidade limitada.
Quando milhares de pessoas acessavam o mesmo
conteúdo ao mesmo tempo, o servidor não conseguia
atender a todos, mesmo que outros servidores
estivessem ociosos. A questão era como alocar
servidores de maneira eficiente para acompanhar um
tráfego em constante mudança.
Como viajava com frequência a Atlanta, onde a mulher
trabalhava, Nakrani procurou especialistas do Instituto de
Tecnologia da Geórgia, onde conheceu Craig Tovey,
especialista em engenharia industrial. Depois de ouvir
Nakrani, Tovey percebeu que a resposta estaria nas
abelhas.
Para a colmeia, é essencial armazenar mel suficiente
para o inverno. As abelhas precisam coletar néctar de
milhões de flores que prosperam em épocas e horários
diferentes, disputando recursos com outras espécies.
Mesmo sem uma líder, agem com eficiência graças à
sabedoria da colmeia, explica Tom Seeley, biólogo da
Universidade de Cornell.
Anos antes, Tovey uniu-se a Seeley e a outros dois
engenheiros para entender como as abelhas resolvem
esse problema. A pesquisa envolveu transportar milhares
de abelhas identificadas até fontes artificiais de néctar
para observar seu comportamento. O segredo para
marcá-las era imobilizá-las, reduzindo a temperatura
corporal.
O estudo ajudou a compreender o comportamento das
abelhas, mas até Nakrani encontrar Tovey era o tipo de
pesquisa que críticos consideram inútil. Da parceria
surgiu o algoritmo das abelhas aplicado a servidores,
que lida com picos de acesso e evita o frustrante ícone
de carregamento.
Em 2016, o estudo recebeu o Prêmio Ganso de Ouro, criado para destacar pesquisas aparentemente obscuras
que resultaram em grande impacto social. A premiação
foi idealizada pelo congressista Jim Cooper para
contrapor o Prêmio Velocino de Ouro, que ridicularizava
gastos públicos com ciência.
Segundo Joanne Padrón Carney, da Associação
Americana para o Avanço da Ciência, o prêmio mostra
que descobertas científicas levam tempo e que
pesquisas consideradas tolas podem ter impacto
duradouro. A curiosidade, disse ela, é parte da natureza
humana. Quando os recursos são escassos, prioriza-se
a pesquisa orientada por missão, mas é preciso
equilibrá-la com a pesquisa básica, pois não se sabe de
onde virão os próximos avanços. Esse investimento vem
diminuindo em vários países.
Hoje, o mundo está voltado para a inteligência artificial,
cujas bases vieram da neurociência, não da
computação. Na década de 1970, cientistas modelaram
redes neurais para compreender a cognição humana.
Esse trabalho serviu de base para o aprendizado de
máquina. Geoffrey Hinton, homenageado com o Ganso
de Ouro, ganhou o Nobel em 2024. Ele e seus colegas
James McClelland e David Rumelhart começaram
movidos pela simples curiosidade de entender os
processos cognitivos do cérebro.
Carney citou outro caso: uma indústria de biotecnologia
surgiu porque dois cientistas queriam entender por que
certas bactérias sobrevivem em fontes termais. Na
década de 1960, Thomas Brock e Hudson Freeze foram
a Yellowstone estudar a lama esverdeada das águas
quentes. Descobriram a Thermus aquaticus, que se
desenvolvia em temperaturas extremas. Brock agia por
pura curiosidade.
Décadas depois, Kary Mullis percebeu que uma enzima
dessa bactéria, a Taq polimerase, resistia ao calor
exigido pela técnica PCR, que permite multiplicar
fragmentos de DNA. A técnica viabilizou os testes de
covid-19 em escala mundial e, antes da pandemia, já era
essencial na medicina, na genética e na ciência forense.
O estudo em Yellowstone, financiado com 80 mil dólares,
gerou retorno incalculável. Mullis recebeu o Nobel; Brock
e Freeze, o Ganso de Ouro.
O exemplo seguinte é ainda mais improvável. Na década
de 1960, o biofísico Barnett Rosenberg e sua equipe
estudavam como campos elétricos afetavam bactérias
quando algo inesperado aconteceu: as bactérias
pararam de se dividir. A equipe atribuiu o efeito ao
campo elétrico, mas estava errada. Os eletrodos de
platina liberavam compostos que impediam a
multiplicação celular. Essa observação, quase
descartada, levou à cisplatina, um dos quimioterápicos
mais importantes, aprovado em 1978. Antes dela, a
sobrevivência ao câncer de testículo era de cerca de
10%; com a cisplatina, passou de 90%. Em 2025, os três
pesquisadores receberam o Prêmio Ganso de Ouro. Não
buscavam a cura do câncer. Queriam apenas
compreender a natureza. Muitas vezes, isso basta.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c07rk5lrl38o.adaptado.
No trecho apresentado, a expressão "das abelhas" exerce a função sintática de:
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