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Analise o texto abaixo:
“Durante a reunião, o gerente esclareceu que o atraso na entrega dos materiais não comprometeria o cronograma da empresa. Ao final do encontro, pediu que os funcionários redigissem um relatório preciso, a fim de evitar equívocos na comunicação interna. A escolha adequada das palavras é fundamental para a clareza e a precisão da mensagem. Em língua portuguesa, algumas palavras apresentam semelhanças na escrita ou na pronúncia, mas possuem significados distintos, caracterizando relações de homonímia ou paronímia.”
Considerando esse aspecto, assinale a alternativa em que o emprego das palavras está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
“Durante a reunião, o gerente esclareceu que o atraso na entrega dos materiais não comprometeria o cronograma da empresa. Ao final do encontro, pediu que os funcionários redigissem um relatório preciso, a fim de evitar equívocos na comunicação interna. A escolha adequada das palavras é fundamental para a clareza e a precisão da mensagem. Em língua portuguesa, algumas palavras apresentam semelhanças na escrita ou na pronúncia, mas possuem significados distintos, caracterizando relações de homonímia ou paronímia.”
Considerando esse aspecto, assinale a alternativa em que o emprego das palavras está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
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Considerando as normas da língua portuguesa relativas ao emprego do sinal indicativo
de crase, assinale a alternativa que preenche CORRETAMENTE as lacunas do texto:
"Ao longo da pesquisa, os estudantes dedicaram-se ___ análise dos dados coletados e apresentaram os resultados ___ comunidade acadêmica. Durante o evento, fizeram referência ___ importância da ética na produção do conhecimento científico."
"Ao longo da pesquisa, os estudantes dedicaram-se ___ análise dos dados coletados e apresentaram os resultados ___ comunidade acadêmica. Durante o evento, fizeram referência ___ importância da ética na produção do conhecimento científico."
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Leia o texto a seguir:
"Os pesquisadores assistiram à apresentação dos resultados e destacaram a importância do estudo para a comunidade científica. Muitos deles afirmaram que a sociedade necessita de informações confiáveis e que é preciso obedecer às normas éticas durante a realização das pesquisas."
Com base nas normas da regência verbal e nominal da língua portuguesa e nos sentidos produzidos no texto, assinale a alternativa CORRETA.
"Os pesquisadores assistiram à apresentação dos resultados e destacaram a importância do estudo para a comunidade científica. Muitos deles afirmaram que a sociedade necessita de informações confiáveis e que é preciso obedecer às normas éticas durante a realização das pesquisas."
Com base nas normas da regência verbal e nominal da língua portuguesa e nos sentidos produzidos no texto, assinale a alternativa CORRETA.
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Leia o texto a seguir e assinale a alternativa que apresente a sua principal finalidade:
"A leitura é uma prática que contribui para o desenvolvimento do conhecimento e da imaginação. Além de ampliar o vocabulário, ela permite o contato com diferentes culturas, ideias e formas de compreender o mundo. Por isso, o hábito de ler deve ser incentivado desde a infância."
"A leitura é uma prática que contribui para o desenvolvimento do conhecimento e da imaginação. Além de ampliar o vocabulário, ela permite o contato com diferentes culturas, ideias e formas de compreender o mundo. Por isso, o hábito de ler deve ser incentivado desde a infância."
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração CoordenadaOrações Coordenadas Sindéticas
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
“O uso das tecnologias digitais tem transformado a forma como as pessoas estudam,
trabalham e se comunicam. Embora os recursos tecnológicos facilitem o acesso à
informação, é necessário desenvolver habilidades críticas para selecionar conteúdos
confiáveis. Além disso, a velocidade com que as informações circulam exige atenção
constante dos usuários, pois nem tudo o que é compartilhado corresponde à realidade.”
Com base na análise dos períodos destacados, assinale a alternativa CORRETA.
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
- SintaxeConectivos
- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de Texto
Nem os mortos resistem
Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais
de sua esperança.
Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e
suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que
cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa
saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço,
o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais
sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito
menos economia com as gemas dos ovos.
Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas
pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica
redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em
vasilha, a ser dividida com os outros.
O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear
lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar
o pudim inteiro para o prato.
Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca
da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
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Nem os mortos resistem
Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais
de sua esperança.
Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e
suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que
cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa
saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço,
o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais
sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito
menos economia com as gemas dos ovos.
Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas
pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica
redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em
vasilha, a ser dividida com os outros.
O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear
lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar
o pudim inteiro para o prato.
Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca
da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
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Nem os mortos resistem
Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais
de sua esperança.
Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e
suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que
cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa
saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço,
o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais
sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito
menos economia com as gemas dos ovos.
Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas
pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica
redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em
vasilha, a ser dividida com os outros.
O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear
lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar
o pudim inteiro para o prato.
Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca
da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
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Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais
de sua esperança.
Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e
suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que
cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa
saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço,
o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais
sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito
menos economia com as gemas dos ovos.
Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas
pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica
redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em
vasilha, a ser dividida com os outros.
O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear
lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar
o pudim inteiro para o prato.
Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca
da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
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Minha esposa gosta de um doce que não é de vó, mas de bisavó: doce de cidra. Ela se delicia com as raspas verdes, cristais
de sua esperança.
Eu imaginava que só ela apreciasse esse quitute na face da Terra, mais ninguém. Eu me enganei. Há uma legião de fanáticos.
Comer passa a ser o mesmo que recordar. Não são mais operações distintas. Você busca reprisar as refeições familiares e
suprir a falta que sente de todo mundo que partiu.
A sobremesa traz quem já morreu de volta à mesa.
Talvez represente o nosso ímpeto de recuperar a casa cheia, o cotidiano de uma época repleta de promessas.
Do bolo esfriando na janela e enchendo o lar de expectativas; da vontade de ser o primeiro a provar; das receitas típicas que
cada um se responsabilizava em preparar para as celebrações (Páscoa, Natal, Ano-Novo e aniversários), criando uma disputa
saudável para descobrir qual era a melhor; da implicância em devolver a forma de vidro para o seu dono.
Como as sobremesas se destinavam ao proveito do grupo e permaneciam na geladeira semana afora, simbolizam o alvoroço,
o povo apertado na sala e na cozinha, com os cotovelos próximos.
Elas elevavam o ânimo doméstico, liberavam as gargalhadas, injetavam o desejo de prolongar a conversa e de ser mais
sociável. Produziam o efeito de inibir a censura. Durante a comida de sal, pouco se falava. Durante o doce, tudo se dizia.
Parece que, quanto mais envelhecemos, mais retornamos às sobremesas da meninice.
Vamos querendo preservar o que se tornou raro.
Resgata-se um período mental de liberdade gustativa, em que não havia restrições com a glicose, ou medo do diabetes, muito
menos economia com as gemas dos ovos.
Eu era apaixonado por brigadeiro, por panelinha de coco, por pastel de nata, por queijadinha, por quindim, por guloseimas
pequeninas e explosivas de vitalidade. Atualmente só me interesso pela estética e pelo perfume do pudim de leite: a simétrica
redoma furada que me sacia por alguns prósperos momentos.
Prevalece um detalhe na transformação de meu comportamento. Abandonei a porção individual pela coletiva, servida em
vasilha, a ser dividida com os outros.
O pudim de leite virou minha obsessão. Odiava a casca da cobertura. Hoje devoro inicialmente o recheio, para depois saborear
lentamente a crocância do açúcar queimado com a calda.
A arte começa ao cortar uma fatia. Devo controlar a força de minha mão para não abusar com uma incisão transversal e levar
o pudim inteiro para o prato.
Não é que eu fiquei mais tradicional, é que tenho saudade de quem fui e de quem se despediu de mim.
Minha existência mudou de parâmetros, abolindo preconceitos alimentares.
Agora respeito o uso do cravo no beijinho ou no arroz-doce. Antes, considerava um desperdício aquele adorno, aquela estaca
da especiaria. Eu apenas reclamava do trabalho de tirá-lo.
Agora reverencio o manjar, o bolo gelado de coco e abacaxi, o flan de coco, o tiramissu. Nem mais faço piada com o pavê.
Agora entendo por que a ambrosia e o sagu jamais vão perder a realeza.
Nossas crianças interiores são famintas em repetir a dose e a vida.
Fonte: CARPINEJAR, Fabrício. Nem os mortos resistem. O Tempo, 10 abr. 2026. Disponível em:https://www.otempo.com.br/opiniao/fabriciocarpinejar/2026/4/10/nem-os-mortos-resistem. Acesso em: 23 abr. 2026.
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