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4244329 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Câm. Flores Cunha-RS
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As primas de Sapucaia

Por Claudia Laitano

O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,

restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina

errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de

rota desnecessários.

Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas

tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se

toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito

de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu

a moral.

Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à

paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,

diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão

de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos

empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto

(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.

Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso

Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre

pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da

(nossa) história.

No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do

século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo

Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone

mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.

Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da

amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias

no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da

sua vida.

Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido

romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.

No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios

inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões

oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras

vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)

Considerando o trecho a seguir, retirado do texto, assinale a alternativa que apresenta uma locução conjuntiva que NÃO possa substituir o vocábulo “Como”, considerando as relações de sentido estabelecidas no contexto em que ele ocorre.

“Como não pode mandar mensagem pelo Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso”.
 

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4244328 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Câm. Flores Cunha-RS
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As primas de Sapucaia

Por Claudia Laitano

O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,

restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina

errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de

rota desnecessários.

Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas

tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se

toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito

de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu

a moral.

Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à

paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,

diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão

de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos

empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto

(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.

Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso

Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre

pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da

(nossa) história.

No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do

século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo

Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone

mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.

Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da

amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias

no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da

sua vida.

Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido

romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.

No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios

inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões

oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras

vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)

Assinale a alternativa que apresenta uma palavra que poderia substituir o vocábulo “empanturrados” no trecho a seguir, retirado do texto, sem causar alterações significativas ao sentido original. Desconsidere eventuais alterações de regência ou concordância que se façam necessárias pela substituição.

“O resultado é essa sensação de que estamos empanturrados de coisas que ‘interessam’”.
 

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4244327 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Câm. Flores Cunha-RS
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As primas de Sapucaia

Por Claudia Laitano

O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,

restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina

errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de

rota desnecessários.

Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas

tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se

toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito

de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu

a moral.

Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à

paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,

diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão

de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos

empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto

(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.

Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso

Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre

pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da

(nossa) história.

No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do

século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo

Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone

mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.

Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da

amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias

no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da

sua vida.

Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido

romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.

No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios

inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões

oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras

vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)

Considerando o trecho a seguir, retirado do texto, assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna pontilhada no trecho a seguir, retirado do texto.

“Livros que não estávamos procurando, restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina errada na hora certa”.
 

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4244326 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
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As primas de Sapucaia

Por Claudia Laitano

O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,

restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina

errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de

rota desnecessários.

Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas

tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se

toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito

de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu

a moral.

Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à

paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,

diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão

de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos

empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto

(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.

Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso

Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre

pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da

(nossa) história.

No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do

século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo

Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone

mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.

Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da

amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias

no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da

sua vida.

Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido

romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.

No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios

inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões

oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras

vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas dos trechos a seguir, retirados do texto: 

- “Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas tornaram obsoletos os encontros aleatórios”. 

- “O resultado é essa sensação de que estamos empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda)”. 

- “Como não pode mandar mensagem pelo Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso”.
 

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4244325 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
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As primas de Sapucaia

Por Claudia Laitano

O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,

restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina

errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de

rota desnecessários.

Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas

tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se

toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito

de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu

a moral.

Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à

paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,

diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão

de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos

empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto

(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.

Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso

Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre

pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da

(nossa) história.

No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do

século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo

Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone

mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.

Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da

amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias

no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da

sua vida.

Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido

romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.

No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios

inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões

oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras

vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)

Considerando o trecho a seguir, retirado do texto, assinale a alternativa que apresenta um ditado popular que veicula um sentido próximo ao que se pretende no fragmento sublinhado.

“Há umas ocasiões oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.
 

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4244324 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Câm. Flores Cunha-RS
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As primas de Sapucaia

Por Claudia Laitano

O acaso não morreu, mas anda desprestigiado. Livros que não estávamos procurando,

restaurantes que ninguém recomendou, pessoas que conhecemos .... viramos na esquina

errada na hora certa — enfim, as linhas tortas da vida — são encarados hoje como desvios de

rota desnecessários.

Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas

tornaram obsoletos os encontros aleatórios, os becos sem saída, os descaminhos. É como se

toda a tecnologia criada pelo homem, desde a primeira machadinha, servisse ao único propósito

de diminuir as chances de nos distrairmos com o que não estava previsto. O inesperado perdeu

a moral.

Agora o negócio é ir direto ao ponto. Direto ao endereço certo com o GPS, direto à

paquera mais eficiente com os sites de namoro, direto ao que nos agrada (assuntos, pessoas,

diversão, opiniões políticas) graças ao algoritmo — que por sua vez não faz nenhuma questão

de nos ver adquirindo novos hábitos. O resultado é essa sensação de que estamos

empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda) e carentes de espanto

(que às vezes é de graça). As primas de Sapucaia não nos visitam mais como visitavam antes.

Primas de quem? Essa Sapucaia não é a do Sul, vizinha de Porto Alegre, mas a do nosso

Norte, o Rio de Janeiro. As Primas de Sapucaia é o título de um conto de Machado de Assis sobre

pequenos contratempos capazes de mudar um destino. O elogio do acaso como senhor da

(nossa) história.

No conto, um rapaz se apaixona por uma moça casada — como era moda no final do

século 19, a julgar pela literatura do período. Como não pode mandar mensagem pelo

Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone

mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso.

Para seu desconsolo, justo no dia em que surge a oportunidade de aproximar-se da

amada, ele está acompanhado de duas primas que vieram de Sapucaia para passar uns dias

no Rio de Janeiro. Lá se foi a chance de conhecê-la, amá-la, viver com ela o grande amor da

sua vida.

Para piorar, a jovem acaba se envolvendo com um amigo seu, com quem tem o tórrido

romance com o qual ele mesmo havia sonhado — mas que no fim também não dá muito certo.

No léxico machadiano, “as primas de Sapucaia” são a representação daqueles desvios

inesperados que atravessam nosso caminho, para o bem ou para o mal: “Há umas ocasiões

oportunas e fugitivas, em que o acaso nos inflige duas ou três primas de Sapucaia; outras

vezes, ao contrário, as primas de Sapucaia são antes um benefício do que um infortúnio”.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2026/05/as-primas-de-sapucaia-cmoncxlq202970123dgy7nosn.html — texto adaptado especialmente para esta prova)

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:

I. Para a autora, os acasos da vida podem nos trazer boas surpresas e não apenas serem encarados como perda de tempo.

II. A autora defende que a tecnologia tem um papel fundamentalmente positivo para manter o acaso e o inesperado, uma vez que nos estimula a novas experiências que rompem a nossa bolha.

III. Pode-se inferir certa crítica ao fato de que o funcionamento de algumas das novas tecnologias tem caráter comercial.

Quais estão corretas?
 

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4244293 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUCAP
Orgão: Pref. Gravatal-SC
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Assinale a alternativa que apresenta palavras formadas pelo mesmo processo:
 

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4244292 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUCAP
Orgão: Pref. Gravatal-SC
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Assinale a alternativa que apresenta correta regência verbal:
 

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4244291 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUCAP
Orgão: Pref. Gravatal-SC
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Assinale a alternativa que apresenta o vício de linguagem conhecido como pleonasmo:
 

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4244290 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUCAP
Orgão: Pref. Gravatal-SC
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Texto para a questão:
“David da Vinci”, o menino gênio mexicano com QI superior ao de Einstein
Com 10 anos de idade, David Camacho oferece conferências em universidades e para organismos internacionais, irá em breve publicar um livro e criou um aplicativo para combater o bullying que sofreu na escola.
David Camacho provavelmente não irá gostar do título desta reportagem.
Primeiramente, porque não se identifica com a descrição de "menino gênio", embora seu quociente de inteligência (QI) de 162 esteja muito acima dos 130 fixados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como mínimo para considerar uma pessoa com altas habilidades ou intelectualmente superdotado.
"Os gênios já estão no túmulo e, se foram gênios, é porque fizeram coisas geniais", explica ele, modestamente.
Em segundo lugar, porque ele admite que não lhe agrada muito ser comparado com outras mentes brilhantes, como a dos físicos Stephen Hawking (1942- 2018) ou Albert Einstein (1879-1955), que tinham QI estimado de 160.
"Tenho 10 anos e estou apenas começando", prossegue ele. "Talvez eu seja um gênio quando tiver 70 anos, mas quando tiver feito coisas geniais na vida, certo?"
Mas existe, sim, um gênio que serve de inspiração para o menino. Ele chegou a adotar seu sobrenome nas redes sociais, onde é conhecido como "David da Vinci".
"Minha professora do jardim da infância me ensinava muito sobre Leonardo da Vinci [1452-1519] e como ele era polímata: alguém que combina as ciências, tecnologia, engenharia, matemática, artes, ciências humanas... de tudo um pouco", recorda ele.
"Fiquei impressionado com a sua história, até que disse: 'Quero ser como ele', para fazer grandes coisas."
E, por enquanto, David parece estar bem encaminhado rumo a este sonho.
Eloquente, sempre sorrindo e com um discurso articulado e surpreendente para sua pouca idade, este menino de Querétaro, na região central do México, conta casualmente que oferece conferências em universidades e para organismos internacionais. E está a ponto de publicar um livro.
Atualmente, David Camacho estuda em uma escola internacional online, que o certificará para poder entrar na universidade. Ele fala espanhol, inglês, francês e alemão e começou a estudar russo, português e italiano.
Ele garante que é "um orgulho" ter um quociente de inteligência tão alto e o que ele mais aprecia em ser uma criança com altas habilidades é poder entender tudo rápido e aprender de forma acelerada.
"Não são muitas as pessoas que nascem assim, de forma que eu gostaria de usar isso em favor das crianças e do bem-estar da humanidade, deixar a minha marca", afirma ele.
Mas ele acredita que nem todos entendem o que é ser um menino gênio.
"Muitas pessoas pensam que devemos saber tudo, mas não somos adivinhos, é preciso que nos ensinem. Não significa que temos todas as respostas do universo."
Sua mãe, Claudia Flores, recorda as primeiras indicações que a fizeram pensar que havia algo especial com David.
"Fazíamos uma longa viagem na estrada e ele sabia cerca de 40 canções infantis", relembra ela.
"Nós o mandamos para a escola e ele ficou feliz por 15 dias. Mas, depois, começou a pedir: 'Me passe para as crianças maiores, quero aprender mais'."
"Aquilo me entediava muito", confirma ele.
Mas o momento decisivo chegou com a pandemia de covid-19. Sua mãe se sentou ao seu lado enquanto ele fazia as aulas online e percebeu que era verdade que ele aprendia muito rapidamente, em comparação com as outras crianças.
Mas, apesar de todas as suas conquistas, chegar até aqui não foi fácil para David. Ele conta que sofreu muito naquela que era a escola dos seus sonhos.
"As outras crianças não entendiam por que alguém que acabava de entrar na escola conseguia saber mais coisas do que eles, nem como podia fazer tantas coisas", explica ele. "E a sua forma de demonstrar isso era me fazendo bullying."
Ele decidiu recentemente aproveitar esta má experiência para dar a volta por cima e empregá-la para desenvolver o aplicativo Macayos, que estará disponível ao longo deste ano. Ele o define como "a primeira plataforma digital mexicana criada com inteligência artificial, que ensina às crianças, de forma divertida, capacidades para saber gerenciar suas emoções". David Camacho pede a todos os que praticam bullying com crianças como ele que sejam empáticos e inclusivos.
Durante toda a entrevista, David Camacho fala com muita rapidez. Ele pula de um tema para outro com facilidade e retorna, se achar que se esqueceu de mencionar algo importante.
Claudia Flores reconhece que ser mãe de um menino como ele é um grande desafio. "Ser a mãe de Edgar David Camacho Flores é muito fácil, pois ele é um menino tranquilo, nobre e amoroso. Mas ser mãe de David da Vinci é o desafio, pois ele é acelerado, anda correndo..."
"Eu digo que ele tem dois esquilos naquela cabecinha. Mas ele responde que não, que tem um computador quântico", conclui a mãe, sorrindo.
Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/05/04/david-da-vinci-o-menino-genio-mexicano-com-qisuperior-ao-de-einstein.ghtml [adaptado]
Dado o excerto:

“Sua mãe, Claudia Flores, recorda as primeiras indicações que a fizeram pensar que havia algo especial com David.”

Sobre o excerto, afirma-se:

I. O termo “Claudia Flores” exerce a função sintática de aposto do substantivo que o antecede.
II. O primeiro “que” é um pronome relativo que introduz uma oração subordinada adjetiva.
III. O verbo “haver”, no contexto, é um verbo impessoal.

Está(ão) correta(s):
 

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