Foram encontradas 364.882 questões.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Texto 1
A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um
acha que fechará a discussão; o outro quer
fomentá-la
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem
dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa
sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas
redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado
que abordo uma miríade de temas. Seria eu um
tudólogo?
Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre
todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como
pretenso especialista, independentemente da matéria
em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois
ninguém consegue ser especialista em tudo.
No meio online, vemos a mesma pessoa opinando
de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto
geopolítica e virologia. Boa parte se guia por
manchetes, por resultado de buscas no Google ou por
respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.
Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama
de temas, pelo contrário, considero louvável ter
interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta
não é expressar uma opinião, é apenas propagar
conteúdo de terceiros de forma acrítica.
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes.
O tempo é fundamental para consumir o conteúdo
completo, pensar e formular a opinião – mas a busca
do engajamento em redes sociais estimula a pressa
em postar. A forma mais cômoda e rápida é
simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.
Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria
é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é:
pensar profundamente exige tempo. Infelizmente,
virou comum usar a IA como perna e não como a
muleta que deveria ser.
Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes.
Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas
crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de
uma fonte online não garante sua validade. O
provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o
meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma
fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada
por outros autores ou organismos de reputação, como
o Our World in Data, que se vale de dados compilados
pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais,
mesmo de especialistas, não são condição suficiente
para autoridade; é preciso checar se há validação por
pares.
E finalmente chegamos à minha maneira de
apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo.
Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros:
os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero
entender o mundo que me cerca com seus grandes
problemas e desafios. E gosto de trazer esta
inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento
quantitativo e a fonte das minhas análises – o que
automaticamente abre a possibilidade de outros
também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias
conclusões.
Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no
início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os
diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição
é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer
fomentá-la. E longe da soberba intelectual.
Disponível em: https://www.estadao.com.br/ciencia/frankito-ocurioso/a-diferenca-entre-o-tudologo-e-o-curioso-um-acha-que-fechara-a-discussao-o-outro-quer-fomenta-la/. Acesso em: 05 jan.
2026.
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- OrtografiaAcentuação GráficaProparoxítonas, Paraxítonas, Oxítonas e Hiatos
- OrtografiaPontuaçãoTravessão
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Texto 1
A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um
acha que fechará a discussão; o outro quer
fomentá-la
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem
dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa
sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas
redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado
que abordo uma miríade de temas. Seria eu um
tudólogo?
Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre
todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como
pretenso especialista, independentemente da matéria
em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois
ninguém consegue ser especialista em tudo.
No meio online, vemos a mesma pessoa opinando
de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto
geopolítica e virologia. Boa parte se guia por
manchetes, por resultado de buscas no Google ou por
respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.
Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama
de temas, pelo contrário, considero louvável ter
interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta
não é expressar uma opinião, é apenas propagar
conteúdo de terceiros de forma acrítica.
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes.
O tempo é fundamental para consumir o conteúdo
completo, pensar e formular a opinião – mas a busca
do engajamento em redes sociais estimula a pressa
em postar. A forma mais cômoda e rápida é
simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.
Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria
é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é:
pensar profundamente exige tempo. Infelizmente,
virou comum usar a IA como perna e não como a
muleta que deveria ser.
Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes.
Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas
crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de
uma fonte online não garante sua validade. O
provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o
meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma
fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada
por outros autores ou organismos de reputação, como
o Our World in Data, que se vale de dados compilados
pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais,
mesmo de especialistas, não são condição suficiente
para autoridade; é preciso checar se há validação por
pares.
E finalmente chegamos à minha maneira de
apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo.
Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros:
os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero
entender o mundo que me cerca com seus grandes
problemas e desafios. E gosto de trazer esta
inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento
quantitativo e a fonte das minhas análises – o que
automaticamente abre a possibilidade de outros
também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias
conclusões.
Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no
início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os
diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição
é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer
fomentá-la. E longe da soberba intelectual.
Disponível em: https://www.estadao.com.br/ciencia/frankito-ocurioso/a-diferenca-entre-o-tudologo-e-o-curioso-um-acha-que-fechara-a-discussao-o-outro-quer-fomenta-la/. Acesso em: 05 jan.
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A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um
acha que fechará a discussão; o outro quer
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está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem
dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa
sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas
redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado
que abordo uma miríade de temas. Seria eu um
tudólogo?
Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre
todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como
pretenso especialista, independentemente da matéria
em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois
ninguém consegue ser especialista em tudo.
No meio online, vemos a mesma pessoa opinando
de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto
geopolítica e virologia. Boa parte se guia por
manchetes, por resultado de buscas no Google ou por
respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.
Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama
de temas, pelo contrário, considero louvável ter
interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta
não é expressar uma opinião, é apenas propagar
conteúdo de terceiros de forma acrítica.
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes.
O tempo é fundamental para consumir o conteúdo
completo, pensar e formular a opinião – mas a busca
do engajamento em redes sociais estimula a pressa
em postar. A forma mais cômoda e rápida é
simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.
Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria
é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é:
pensar profundamente exige tempo. Infelizmente,
virou comum usar a IA como perna e não como a
muleta que deveria ser.
Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes.
Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas
crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de
uma fonte online não garante sua validade. O
provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o
meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma
fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada
por outros autores ou organismos de reputação, como
o Our World in Data, que se vale de dados compilados
pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais,
mesmo de especialistas, não são condição suficiente
para autoridade; é preciso checar se há validação por
pares.
E finalmente chegamos à minha maneira de
apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo.
Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros:
os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero
entender o mundo que me cerca com seus grandes
problemas e desafios. E gosto de trazer esta
inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento
quantitativo e a fonte das minhas análises – o que
automaticamente abre a possibilidade de outros
também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias
conclusões.
Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no
início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os
diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição
é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer
fomentá-la. E longe da soberba intelectual.
Disponível em: https://www.estadao.com.br/ciencia/frankito-ocurioso/a-diferenca-entre-o-tudologo-e-o-curioso-um-acha-que-fechara-a-discussao-o-outro-quer-fomenta-la/. Acesso em: 05 jan.
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proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem
dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa
sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas
redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado
que abordo uma miríade de temas. Seria eu um
tudólogo?
Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre
todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como
pretenso especialista, independentemente da matéria
em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois
ninguém consegue ser especialista em tudo.
No meio online, vemos a mesma pessoa opinando
de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto
geopolítica e virologia. Boa parte se guia por
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respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.
Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama
de temas, pelo contrário, considero louvável ter
interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta
não é expressar uma opinião, é apenas propagar
conteúdo de terceiros de forma acrítica.
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes.
O tempo é fundamental para consumir o conteúdo
completo, pensar e formular a opinião – mas a busca
do engajamento em redes sociais estimula a pressa
em postar. A forma mais cômoda e rápida é
simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.
Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria
é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é:
pensar profundamente exige tempo. Infelizmente,
virou comum usar a IA como perna e não como a
muleta que deveria ser.
Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes.
Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas
crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de
uma fonte online não garante sua validade. O
provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o
meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma
fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada
por outros autores ou organismos de reputação, como
o Our World in Data, que se vale de dados compilados
pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais,
mesmo de especialistas, não são condição suficiente
para autoridade; é preciso checar se há validação por
pares.
E finalmente chegamos à minha maneira de
apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo.
Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros:
os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero
entender o mundo que me cerca com seus grandes
problemas e desafios. E gosto de trazer esta
inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento
quantitativo e a fonte das minhas análises – o que
automaticamente abre a possibilidade de outros
também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias
conclusões.
Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no
início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os
diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição
é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer
fomentá-la. E longe da soberba intelectual.
Disponível em: https://www.estadao.com.br/ciencia/frankito-ocurioso/a-diferenca-entre-o-tudologo-e-o-curioso-um-acha-que-fechara-a-discussao-o-outro-quer-fomenta-la/. Acesso em: 05 jan.
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Com base no conceito de “Discurso como prática
social” e nas ideias de Bakhtin, como a língua deve
ser concebida?
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Segundo os estudos neurocientíficos de Mechelli et al.
(2004), sobre o aprendizado de uma L2 e suas
provocações no cérebro, assinale a alternativa que
preenche corretamente a lacuna.
Um ________ na densidade da massa cinzenta no córtex parietal inferior esquerdo.
Um ________ na densidade da massa cinzenta no córtex parietal inferior esquerdo.
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Sobre os termos “Língua Estrangeira” (LE) e
“Segunda Língua” (L2), assinale a alternativa
correta.
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Leia o texto para responder a questão.
Neurociência e estudos de biologia evolutiva indicam: autismo
pode ser o próximo passo da evolução humana
A compreensão contemporânea do Transtorno do
Espectro Autista (TEA) atravessa um momento de ruptura
paradigmática. Apesar de historicamente ser enquadrado
principalmente sob a ótica de alterações cerebrais que
dificultam a vida em sociedade, agora o autismo começa a ser
reavaliado. Novas correntes da Psicologia Evolucionista e da
Genética de Populações começam a apontar a possibilidade de
se tratar de uma variação estratégica que está sendo mantida, e
talvez até amplificada, pela seleção natural.
Afinal, esse transtorno de desenvolvimento, que
costuma causar dificuldades de comunicação, de interação
social e alterações sensoriais significativas, muitas vezes
também está acompanhado de habilidades notáveis. E o
aumento de indivíduos com capacidades excepcionais de
sistematização e reconhecimento de padrões sugere que o
futuro da organização social humana poderá ser profundamente
influenciado pela neurodivergência.
Evolução de neurônios e genes
A base para essa hipótese foi reforçada com o trabalho
seminal de Starr e Fraser, da universidade de
Stanford, publicado recentemente na revista científica
Molecular Biology and Evolution. Os autores fornecem um
mecanismo celular preciso dessa mudança.
O estudo analisou um tipo de neurônio excitatório (que
libera sinais para ativar outros neurônios) do neocórtex, algo
crucial para a cognição humana complexa. Eles descobriram
que esses neurônios evoluíram em uma velocidade
excepcionalmente rápida na linhagem humana, em comparação
com outros primatas.
O dado mais surpreendente que eles observaram é que
essa evolução acelerada coincidiu com uma queda acentuada na
expressão de genes cuja menor atividade está estatisticamente
associada a um maior risco de diagnóstico de TEA.
Isso indica que a evolução responsável por altas funções
cognitivas pode ter tido como trade-off evolutivo a redução na
expressão de genes protetores do neurodesenvolvimento. Ou
seja, as mesmas pressões seletivas que refinaram a inteligência
humana e nossa capacidade de processamento complexo
aumentaram, como subproduto, a prevalência de traços
autísticos. Isso nos faz pensar que no ambiente ancestral, esse
perfil cognitivo provavelmente oferecia vantagens evolutivas
vitais.
Outros indícios e teorias
Um fenômeno que corrobora essa visão evolutiva é o
aumento expressivo na prevalência do autismo. Dados do
Centro de controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos
(CDC) indicam que 1 em cada 36 crianças é diagnosticada
dentro desse espectro.
Embora parte desse crescimento se deva à mudança nos
critérios diagnósticos e maior conscientização, há um debate na
comunidade científica se não podem haver outros fatores que
estejam contribuindo para esses números. A tendência tem sido
relatada em muitos estudos, principalmente em países de alta
renda como EUA, Reino Unido, Dinamarca, Coreia do Sul e
Japão.
Diferente de hipóteses pseudocientíficas e ambientais
sem comprovação, como a hipótese ambiental sugerida pelo
secretário de saúde dos EUA, Robert F. Kennedy, os dados
apresentados por Star e Fraser sugerem que pode haver um aumento real impulsionado pelos mecanismos genéticos
descritos anteriormente.
O psicólogo e neurocientista Britânico Simon Baron-Cohen propôs a teoria do acasalamento assortativo. Segundo
ela, a sociedade moderna, ao agrupar pessoas com traços de
personalidade “sistematizadores” em polos tecnológicos e
universidades, facilita a união reprodutiva entre indivíduos com
perfil genético semelhante. O resultado seria um aumento na
frequência de descendentes que herdam uma “dose dupla” de
genes associados a altas habilidades de sistematização, o que
também eleva a probabilidade de manifestação do autismo.
Um futuro neurodivergente?
Mesmo que perfis com alto poder cognitivo sejam
apenas uma parte do espectro do TEA, proponho aqui
pensarmos sobre a possibilidade de um cenário distópico. Caso
a seleção natural favoreça mesmo cada vez mais nascimentos
de gênios neurodiversos e menos de pessoas com fenótipos
alternativos, esse futuro hipotético traz implicações
sociológicas interessantes.
Afinal, como a sociedade estaria preparada para essa
inversão, caso o que é considerado o funcionamento cerebral
típico de hoje se tornasse o atípico de amanhã (e vice-versa)?
É possível recair num argumento sensacionalista, sobre
os perigos do surgimento de uma elite cognitiva que poderia
passar a ver a população que atualmente é considerada
neurotípica como ineficiente.
Mas, paradoxalmente, essa ideia entra em conflito com
uma das principais reivindicações atuais da comunidade
autista: o combate ao capacitismo. Ele argumenta que o
reconhecimento de que valor humano, dignidade e direito à
participação social não dependem de produtividade,
genialidade ou adaptação a modelos normativos.
Em conclusão, o autismo parece ser parte integrante e
crescente da nossa evolução. Os sistemas educacionais, que
hoje enfrentam grande dificuldade na inclusão de crianças e
adolescentes com necessidades especiais, precisam ser
aprimorados urgentemente.
Devemos considerar as diferenças como um aspecto
positivo da diversidade humana. Uma sociedade
verdadeiramente evoluída não é aquela que seleciona os
“gênios”, mas aquela que é capaz de ser inclusiva, garantindo
dignidade e espaço para todos os tipos de mentes. Essa é a
condição essencial para o futuro da humanidade.
Disponível em https://theconversation.com/neurociencia-e-estudos-debiologia-evolutiva-indicam-autismo-pode-ser-o-proximo-passo-da-evolucaohumana-272539
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Neurociência e estudos de biologia evolutiva indicam: autismo
pode ser o próximo passo da evolução humana
A compreensão contemporânea do Transtorno do
Espectro Autista (TEA) atravessa um momento de ruptura
paradigmática. Apesar de historicamente ser enquadrado
principalmente sob a ótica de alterações cerebrais que
dificultam a vida em sociedade, agora o autismo começa a ser
reavaliado. Novas correntes da Psicologia Evolucionista e da
Genética de Populações começam a apontar a possibilidade de
se tratar de uma variação estratégica que está sendo mantida, e
talvez até amplificada, pela seleção natural.
Afinal, esse transtorno de desenvolvimento, que
costuma causar dificuldades de comunicação, de interação
social e alterações sensoriais significativas, muitas vezes
também está acompanhado de habilidades notáveis. E o
aumento de indivíduos com capacidades excepcionais de
sistematização e reconhecimento de padrões sugere que o
futuro da organização social humana poderá ser profundamente
influenciado pela neurodivergência.
Evolução de neurônios e genes
A base para essa hipótese foi reforçada com o trabalho
seminal de Starr e Fraser, da universidade de
Stanford, publicado recentemente na revista científica
Molecular Biology and Evolution. Os autores fornecem um
mecanismo celular preciso dessa mudança.
O estudo analisou um tipo de neurônio excitatório (que
libera sinais para ativar outros neurônios) do neocórtex, algo
crucial para a cognição humana complexa. Eles descobriram
que esses neurônios evoluíram em uma velocidade
excepcionalmente rápida na linhagem humana, em comparação
com outros primatas.
O dado mais surpreendente que eles observaram é que
essa evolução acelerada coincidiu com uma queda acentuada na
expressão de genes cuja menor atividade está estatisticamente
associada a um maior risco de diagnóstico de TEA.
Isso indica que a evolução responsável por altas funções
cognitivas pode ter tido como trade-off evolutivo a redução na
expressão de genes protetores do neurodesenvolvimento. Ou
seja, as mesmas pressões seletivas que refinaram a inteligência
humana e nossa capacidade de processamento complexo
aumentaram, como subproduto, a prevalência de traços
autísticos. Isso nos faz pensar que no ambiente ancestral, esse
perfil cognitivo provavelmente oferecia vantagens evolutivas
vitais.
Outros indícios e teorias
Um fenômeno que corrobora essa visão evolutiva é o
aumento expressivo na prevalência do autismo. Dados do
Centro de controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos
(CDC) indicam que 1 em cada 36 crianças é diagnosticada
dentro desse espectro.
Embora parte desse crescimento se deva à mudança nos
critérios diagnósticos e maior conscientização, há um debate na
comunidade científica se não podem haver outros fatores que
estejam contribuindo para esses números. A tendência tem sido
relatada em muitos estudos, principalmente em países de alta
renda como EUA, Reino Unido, Dinamarca, Coreia do Sul e
Japão.
Diferente de hipóteses pseudocientíficas e ambientais
sem comprovação, como a hipótese ambiental sugerida pelo
secretário de saúde dos EUA, Robert F. Kennedy, os dados
apresentados por Star e Fraser sugerem que pode haver um aumento real impulsionado pelos mecanismos genéticos
descritos anteriormente.
O psicólogo e neurocientista Britânico Simon Baron-Cohen propôs a teoria do acasalamento assortativo. Segundo
ela, a sociedade moderna, ao agrupar pessoas com traços de
personalidade “sistematizadores” em polos tecnológicos e
universidades, facilita a união reprodutiva entre indivíduos com
perfil genético semelhante. O resultado seria um aumento na
frequência de descendentes que herdam uma “dose dupla” de
genes associados a altas habilidades de sistematização, o que
também eleva a probabilidade de manifestação do autismo.
Um futuro neurodivergente?
Mesmo que perfis com alto poder cognitivo sejam
apenas uma parte do espectro do TEA, proponho aqui
pensarmos sobre a possibilidade de um cenário distópico. Caso
a seleção natural favoreça mesmo cada vez mais nascimentos
de gênios neurodiversos e menos de pessoas com fenótipos
alternativos, esse futuro hipotético traz implicações
sociológicas interessantes.
Afinal, como a sociedade estaria preparada para essa
inversão, caso o que é considerado o funcionamento cerebral
típico de hoje se tornasse o atípico de amanhã (e vice-versa)?
É possível recair num argumento sensacionalista, sobre
os perigos do surgimento de uma elite cognitiva que poderia
passar a ver a população que atualmente é considerada
neurotípica como ineficiente.
Mas, paradoxalmente, essa ideia entra em conflito com
uma das principais reivindicações atuais da comunidade
autista: o combate ao capacitismo. Ele argumenta que o
reconhecimento de que valor humano, dignidade e direito à
participação social não dependem de produtividade,
genialidade ou adaptação a modelos normativos.
Em conclusão, o autismo parece ser parte integrante e
crescente da nossa evolução. Os sistemas educacionais, que
hoje enfrentam grande dificuldade na inclusão de crianças e
adolescentes com necessidades especiais, precisam ser
aprimorados urgentemente.
Devemos considerar as diferenças como um aspecto
positivo da diversidade humana. Uma sociedade
verdadeiramente evoluída não é aquela que seleciona os
“gênios”, mas aquela que é capaz de ser inclusiva, garantindo
dignidade e espaço para todos os tipos de mentes. Essa é a
condição essencial para o futuro da humanidade.
Disponível em https://theconversation.com/neurociencia-e-estudos-debiologia-evolutiva-indicam-autismo-pode-ser-o-proximo-passo-da-evolucaohumana-272539
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Neurociência e estudos de biologia evolutiva indicam: autismo
pode ser o próximo passo da evolução humana
A compreensão contemporânea do Transtorno do
Espectro Autista (TEA) atravessa um momento de ruptura
paradigmática. Apesar de historicamente ser enquadrado
principalmente sob a ótica de alterações cerebrais que
dificultam a vida em sociedade, agora o autismo começa a ser
reavaliado. Novas correntes da Psicologia Evolucionista e da
Genética de Populações começam a apontar a possibilidade de
se tratar de uma variação estratégica que está sendo mantida, e
talvez até amplificada, pela seleção natural.
Afinal, esse transtorno de desenvolvimento, que
costuma causar dificuldades de comunicação, de interação
social e alterações sensoriais significativas, muitas vezes
também está acompanhado de habilidades notáveis. E o
aumento de indivíduos com capacidades excepcionais de
sistematização e reconhecimento de padrões sugere que o
futuro da organização social humana poderá ser profundamente
influenciado pela neurodivergência.
Evolução de neurônios e genes
A base para essa hipótese foi reforçada com o trabalho
seminal de Starr e Fraser, da universidade de
Stanford, publicado recentemente na revista científica
Molecular Biology and Evolution. Os autores fornecem um
mecanismo celular preciso dessa mudança.
O estudo analisou um tipo de neurônio excitatório (que
libera sinais para ativar outros neurônios) do neocórtex, algo
crucial para a cognição humana complexa. Eles descobriram
que esses neurônios evoluíram em uma velocidade
excepcionalmente rápida na linhagem humana, em comparação
com outros primatas.
O dado mais surpreendente que eles observaram é que
essa evolução acelerada coincidiu com uma queda acentuada na
expressão de genes cuja menor atividade está estatisticamente
associada a um maior risco de diagnóstico de TEA.
Isso indica que a evolução responsável por altas funções
cognitivas pode ter tido como trade-off evolutivo a redução na
expressão de genes protetores do neurodesenvolvimento. Ou
seja, as mesmas pressões seletivas que refinaram a inteligência
humana e nossa capacidade de processamento complexo
aumentaram, como subproduto, a prevalência de traços
autísticos. Isso nos faz pensar que no ambiente ancestral, esse
perfil cognitivo provavelmente oferecia vantagens evolutivas
vitais.
Outros indícios e teorias
Um fenômeno que corrobora essa visão evolutiva é o
aumento expressivo na prevalência do autismo. Dados do
Centro de controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos
(CDC) indicam que 1 em cada 36 crianças é diagnosticada
dentro desse espectro.
Embora parte desse crescimento se deva à mudança nos
critérios diagnósticos e maior conscientização, há um debate na
comunidade científica se não podem haver outros fatores que
estejam contribuindo para esses números. A tendência tem sido
relatada em muitos estudos, principalmente em países de alta
renda como EUA, Reino Unido, Dinamarca, Coreia do Sul e
Japão.
Diferente de hipóteses pseudocientíficas e ambientais
sem comprovação, como a hipótese ambiental sugerida pelo
secretário de saúde dos EUA, Robert F. Kennedy, os dados
apresentados por Star e Fraser sugerem que pode haver um aumento real impulsionado pelos mecanismos genéticos
descritos anteriormente.
O psicólogo e neurocientista Britânico Simon Baron-Cohen propôs a teoria do acasalamento assortativo. Segundo
ela, a sociedade moderna, ao agrupar pessoas com traços de
personalidade “sistematizadores” em polos tecnológicos e
universidades, facilita a união reprodutiva entre indivíduos com
perfil genético semelhante. O resultado seria um aumento na
frequência de descendentes que herdam uma “dose dupla” de
genes associados a altas habilidades de sistematização, o que
também eleva a probabilidade de manifestação do autismo.
Um futuro neurodivergente?
Mesmo que perfis com alto poder cognitivo sejam
apenas uma parte do espectro do TEA, proponho aqui
pensarmos sobre a possibilidade de um cenário distópico. Caso
a seleção natural favoreça mesmo cada vez mais nascimentos
de gênios neurodiversos e menos de pessoas com fenótipos
alternativos, esse futuro hipotético traz implicações
sociológicas interessantes.
Afinal, como a sociedade estaria preparada para essa
inversão, caso o que é considerado o funcionamento cerebral
típico de hoje se tornasse o atípico de amanhã (e vice-versa)?
É possível recair num argumento sensacionalista, sobre
os perigos do surgimento de uma elite cognitiva que poderia
passar a ver a população que atualmente é considerada
neurotípica como ineficiente.
Mas, paradoxalmente, essa ideia entra em conflito com
uma das principais reivindicações atuais da comunidade
autista: o combate ao capacitismo. Ele argumenta que o
reconhecimento de que valor humano, dignidade e direito à
participação social não dependem de produtividade,
genialidade ou adaptação a modelos normativos.
Em conclusão, o autismo parece ser parte integrante e
crescente da nossa evolução. Os sistemas educacionais, que
hoje enfrentam grande dificuldade na inclusão de crianças e
adolescentes com necessidades especiais, precisam ser
aprimorados urgentemente.
Devemos considerar as diferenças como um aspecto
positivo da diversidade humana. Uma sociedade
verdadeiramente evoluída não é aquela que seleciona os
“gênios”, mas aquela que é capaz de ser inclusiva, garantindo
dignidade e espaço para todos os tipos de mentes. Essa é a
condição essencial para o futuro da humanidade.
Disponível em https://theconversation.com/neurociencia-e-estudos-debiologia-evolutiva-indicam-autismo-pode-ser-o-proximo-passo-da-evolucaohumana-272539
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