Foram encontradas 364.882 questões.
Leia o texto para responder a questão.
Neurociência e estudos de biologia evolutiva indicam: autismo
pode ser o próximo passo da evolução humana
A compreensão contemporânea do Transtorno do
Espectro Autista (TEA) atravessa um momento de ruptura
paradigmática. Apesar de historicamente ser enquadrado
principalmente sob a ótica de alterações cerebrais que
dificultam a vida em sociedade, agora o autismo começa a ser
reavaliado. Novas correntes da Psicologia Evolucionista e da
Genética de Populações começam a apontar a possibilidade de
se tratar de uma variação estratégica que está sendo mantida, e
talvez até amplificada, pela seleção natural.
Afinal, esse transtorno de desenvolvimento, que
costuma causar dificuldades de comunicação, de interação
social e alterações sensoriais significativas, muitas vezes
também está acompanhado de habilidades notáveis. E o
aumento de indivíduos com capacidades excepcionais de
sistematização e reconhecimento de padrões sugere que o
futuro da organização social humana poderá ser profundamente
influenciado pela neurodivergência.
Evolução de neurônios e genes
A base para essa hipótese foi reforçada com o trabalho
seminal de Starr e Fraser, da universidade de
Stanford, publicado recentemente na revista científica
Molecular Biology and Evolution. Os autores fornecem um
mecanismo celular preciso dessa mudança.
O estudo analisou um tipo de neurônio excitatório (que
libera sinais para ativar outros neurônios) do neocórtex, algo
crucial para a cognição humana complexa. Eles descobriram
que esses neurônios evoluíram em uma velocidade
excepcionalmente rápida na linhagem humana, em comparação
com outros primatas.
O dado mais surpreendente que eles observaram é que
essa evolução acelerada coincidiu com uma queda acentuada na
expressão de genes cuja menor atividade está estatisticamente
associada a um maior risco de diagnóstico de TEA.
Isso indica que a evolução responsável por altas funções
cognitivas pode ter tido como trade-off evolutivo a redução na
expressão de genes protetores do neurodesenvolvimento. Ou
seja, as mesmas pressões seletivas que refinaram a inteligência
humana e nossa capacidade de processamento complexo
aumentaram, como subproduto, a prevalência de traços
autísticos. Isso nos faz pensar que no ambiente ancestral, esse
perfil cognitivo provavelmente oferecia vantagens evolutivas
vitais.
Outros indícios e teorias
Um fenômeno que corrobora essa visão evolutiva é o
aumento expressivo na prevalência do autismo. Dados do
Centro de controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos
(CDC) indicam que 1 em cada 36 crianças é diagnosticada
dentro desse espectro.
Embora parte desse crescimento se deva à mudança nos
critérios diagnósticos e maior conscientização, há um debate na
comunidade científica se não podem haver outros fatores que
estejam contribuindo para esses números. A tendência tem sido
relatada em muitos estudos, principalmente em países de alta
renda como EUA, Reino Unido, Dinamarca, Coreia do Sul e
Japão.
Diferente de hipóteses pseudocientíficas e ambientais
sem comprovação, como a hipótese ambiental sugerida pelo
secretário de saúde dos EUA, Robert F. Kennedy, os dados
apresentados por Star e Fraser sugerem que pode haver um aumento real impulsionado pelos mecanismos genéticos
descritos anteriormente.
O psicólogo e neurocientista Britânico Simon Baron-Cohen propôs a teoria do acasalamento assortativo. Segundo
ela, a sociedade moderna, ao agrupar pessoas com traços de
personalidade “sistematizadores” em polos tecnológicos e
universidades, facilita a união reprodutiva entre indivíduos com
perfil genético semelhante. O resultado seria um aumento na
frequência de descendentes que herdam uma “dose dupla” de
genes associados a altas habilidades de sistematização, o que
também eleva a probabilidade de manifestação do autismo.
Um futuro neurodivergente?
Mesmo que perfis com alto poder cognitivo sejam
apenas uma parte do espectro do TEA, proponho aqui
pensarmos sobre a possibilidade de um cenário distópico. Caso
a seleção natural favoreça mesmo cada vez mais nascimentos
de gênios neurodiversos e menos de pessoas com fenótipos
alternativos, esse futuro hipotético traz implicações
sociológicas interessantes.
Afinal, como a sociedade estaria preparada para essa
inversão, caso o que é considerado o funcionamento cerebral
típico de hoje se tornasse o atípico de amanhã (e vice-versa)?
É possível recair num argumento sensacionalista, sobre
os perigos do surgimento de uma elite cognitiva que poderia
passar a ver a população que atualmente é considerada
neurotípica como ineficiente.
Mas, paradoxalmente, essa ideia entra em conflito com
uma das principais reivindicações atuais da comunidade
autista: o combate ao capacitismo. Ele argumenta que o
reconhecimento de que valor humano, dignidade e direito à
participação social não dependem de produtividade,
genialidade ou adaptação a modelos normativos.
Em conclusão, o autismo parece ser parte integrante e
crescente da nossa evolução. Os sistemas educacionais, que
hoje enfrentam grande dificuldade na inclusão de crianças e
adolescentes com necessidades especiais, precisam ser
aprimorados urgentemente.
Devemos considerar as diferenças como um aspecto
positivo da diversidade humana. Uma sociedade
verdadeiramente evoluída não é aquela que seleciona os
“gênios”, mas aquela que é capaz de ser inclusiva, garantindo
dignidade e espaço para todos os tipos de mentes. Essa é a
condição essencial para o futuro da humanidade.
Disponível em https://theconversation.com/neurociencia-e-estudos-debiologia-evolutiva-indicam-autismo-pode-ser-o-proximo-passo-da-evolucaohumana-272539
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Neurociência e estudos de biologia evolutiva indicam: autismo
pode ser o próximo passo da evolução humana
A compreensão contemporânea do Transtorno do
Espectro Autista (TEA) atravessa um momento de ruptura
paradigmática. Apesar de historicamente ser enquadrado
principalmente sob a ótica de alterações cerebrais que
dificultam a vida em sociedade, agora o autismo começa a ser
reavaliado. Novas correntes da Psicologia Evolucionista e da
Genética de Populações começam a apontar a possibilidade de
se tratar de uma variação estratégica que está sendo mantida, e
talvez até amplificada, pela seleção natural.
Afinal, esse transtorno de desenvolvimento, que
costuma causar dificuldades de comunicação, de interação
social e alterações sensoriais significativas, muitas vezes
também está acompanhado de habilidades notáveis. E o
aumento de indivíduos com capacidades excepcionais de
sistematização e reconhecimento de padrões sugere que o
futuro da organização social humana poderá ser profundamente
influenciado pela neurodivergência.
Evolução de neurônios e genes
A base para essa hipótese foi reforçada com o trabalho
seminal de Starr e Fraser, da universidade de
Stanford, publicado recentemente na revista científica
Molecular Biology and Evolution. Os autores fornecem um
mecanismo celular preciso dessa mudança.
O estudo analisou um tipo de neurônio excitatório (que
libera sinais para ativar outros neurônios) do neocórtex, algo
crucial para a cognição humana complexa. Eles descobriram
que esses neurônios evoluíram em uma velocidade
excepcionalmente rápida na linhagem humana, em comparação
com outros primatas.
O dado mais surpreendente que eles observaram é que
essa evolução acelerada coincidiu com uma queda acentuada na
expressão de genes cuja menor atividade está estatisticamente
associada a um maior risco de diagnóstico de TEA.
Isso indica que a evolução responsável por altas funções
cognitivas pode ter tido como trade-off evolutivo a redução na
expressão de genes protetores do neurodesenvolvimento. Ou
seja, as mesmas pressões seletivas que refinaram a inteligência
humana e nossa capacidade de processamento complexo
aumentaram, como subproduto, a prevalência de traços
autísticos. Isso nos faz pensar que no ambiente ancestral, esse
perfil cognitivo provavelmente oferecia vantagens evolutivas
vitais.
Outros indícios e teorias
Um fenômeno que corrobora essa visão evolutiva é o
aumento expressivo na prevalência do autismo. Dados do
Centro de controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos
(CDC) indicam que 1 em cada 36 crianças é diagnosticada
dentro desse espectro.
Embora parte desse crescimento se deva à mudança nos
critérios diagnósticos e maior conscientização, há um debate na
comunidade científica se não podem haver outros fatores que
estejam contribuindo para esses números. A tendência tem sido
relatada em muitos estudos, principalmente em países de alta
renda como EUA, Reino Unido, Dinamarca, Coreia do Sul e
Japão.
Diferente de hipóteses pseudocientíficas e ambientais
sem comprovação, como a hipótese ambiental sugerida pelo
secretário de saúde dos EUA, Robert F. Kennedy, os dados
apresentados por Star e Fraser sugerem que pode haver um aumento real impulsionado pelos mecanismos genéticos
descritos anteriormente.
O psicólogo e neurocientista Britânico Simon Baron-Cohen propôs a teoria do acasalamento assortativo. Segundo
ela, a sociedade moderna, ao agrupar pessoas com traços de
personalidade “sistematizadores” em polos tecnológicos e
universidades, facilita a união reprodutiva entre indivíduos com
perfil genético semelhante. O resultado seria um aumento na
frequência de descendentes que herdam uma “dose dupla” de
genes associados a altas habilidades de sistematização, o que
também eleva a probabilidade de manifestação do autismo.
Um futuro neurodivergente?
Mesmo que perfis com alto poder cognitivo sejam
apenas uma parte do espectro do TEA, proponho aqui
pensarmos sobre a possibilidade de um cenário distópico. Caso
a seleção natural favoreça mesmo cada vez mais nascimentos
de gênios neurodiversos e menos de pessoas com fenótipos
alternativos, esse futuro hipotético traz implicações
sociológicas interessantes.
Afinal, como a sociedade estaria preparada para essa
inversão, caso o que é considerado o funcionamento cerebral
típico de hoje se tornasse o atípico de amanhã (e vice-versa)?
É possível recair num argumento sensacionalista, sobre
os perigos do surgimento de uma elite cognitiva que poderia
passar a ver a população que atualmente é considerada
neurotípica como ineficiente.
Mas, paradoxalmente, essa ideia entra em conflito com
uma das principais reivindicações atuais da comunidade
autista: o combate ao capacitismo. Ele argumenta que o
reconhecimento de que valor humano, dignidade e direito à
participação social não dependem de produtividade,
genialidade ou adaptação a modelos normativos.
Em conclusão, o autismo parece ser parte integrante e
crescente da nossa evolução. Os sistemas educacionais, que
hoje enfrentam grande dificuldade na inclusão de crianças e
adolescentes com necessidades especiais, precisam ser
aprimorados urgentemente.
Devemos considerar as diferenças como um aspecto
positivo da diversidade humana. Uma sociedade
verdadeiramente evoluída não é aquela que seleciona os
“gênios”, mas aquela que é capaz de ser inclusiva, garantindo
dignidade e espaço para todos os tipos de mentes. Essa é a
condição essencial para o futuro da humanidade.
Disponível em https://theconversation.com/neurociencia-e-estudos-debiologia-evolutiva-indicam-autismo-pode-ser-o-proximo-passo-da-evolucaohumana-272539
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Leia o texto para responder a questão.
Cérebro: Descoberto “botão” que nos faz procrastinar
Uma conexão entre duas regiões profundas do cérebro
parece ser a responsável pelo bloqueio que sentimos diante de
tarefas desagradáveis, a que chamamos procrastinação.
Inúmeras vezes, descobrimos que sabemos o que é
preciso fazer, compreendemos a urgência, entendemos a
recompensa... mas algo dentro de nós se recusa a dar o primeiro
passo. Essa estranha paralisia não é simples preguiça, nem falta
de interesse. É uma barreira invisível, muitas vezes
intransponível, que separa o pensamento da ação. Um grupo de
cientistas conseguiu vislumbrar o que acontece no
cérebro nesses momentos e, com isso, pode ter-se aberto uma
porta inesperada para a compreensão de distúrbios mentais
profundamente incapacitantes.
Num estudo publicado na Current Biology e liderado
por Ken-Ichi Amemori, do Instituto para o Estudo Avançado da
Biologia Humana da Universidade de Quioto, foi
identificado um circuito cerebral específico que atua como um
verdadeiro travão interno.
Esta via, que liga o estriado ventral (EV) ao pálido
ventral (PV), parece impedir o início de uma ação quando o
contexto antecipa desconforto ou esforço, mesmo que a
recompensa seja clara. De forma reveladora, inibir esta
conexão em macacos treinados com tarefas difíceis restaurou a
sua vontade de agir, sem alterar a sua avaliação do objetivo
final.
CÉREBROS DE MACACOS
Os investigadores trabalharam com macacos que foram
treinados para realizar dois tipos de tarefas: uma baseada
apenas em recompensas e outra em que a mesma recompensa
era acompanhada por um castigo leve (uma rajada de ar no
rosto). Na tarefa que provocava aversão, muitos dos animais
optaram por não agir. Mas ao aplicar uma técnica
chamada quimiogenética, que permite silenciar
temporariamente conexões neuronais específicas, o canal EVPV foi desativado e os macacos voltaram a participar, como se
o freio tivesse sido solto.
Essas observações revelam que o EV atua diante
de sinais antecipados de desconforto e, através da sua conexão
com o PV (responsável por ativar comportamentos
direcionados a um objetivo), pode bloquear o próprio início do
comportamento. Não é que o cérebro não valorize a meta:
recusa-se é a dar o primeiro passo quando antecipa
sofrimento. Uma distinção subtil, mas essencial.
O estudo registou a atividade cerebral com eléctrodos.
Perante sinais de tarefas incómodas, a atividade do estriado
ventral aumentava rapidamente. Ao mesmo tempo, a do pálido
ventral diminuía mais lentamente, como se o aviso de
desconforto do EV silenciasse gradualmente a ordem de
“começar” emitida pelo PV. Este padrão, persistente e repetido,
sugere uma arquitetura neuronal projetada para nos proteger do
que antecipamos como prejudicial.
UMA MUDANÇA DE PARADIGMA
De uma perspectiva clínica, esta descoberta representa
uma mudança de paradigma. Muitas vezes, a falta de motivação
é tratada como um problema de avaliação errada do valor de
uma tarefa: tenta-se aumentar a atratividade da meta ou
adicionar incentivos.
Mas se o problema está na etapa anterior, na decisão de
começar, essas intervenções são inúteis. Segundo Amemori,
“quando a motivação está alterada no nível da iniciação, reduzir os sinais de desconexão antecipada pode ser mais eficaz do que
aumentar as recompensas”.
Os autores do estudo sugerem que este circuito pode
estar desequilibrado em distúrbios como a depressão, a
esquizofrenia ou mesmo a doença de Parkinson, onde aparece
frequentemente um sintoma conhecido como abulia: uma
incapacidade de iniciar ações, embora a pessoa compreenda
perfeitamente a sua importância.
Identificar este freio neuronal abre a porta a novas
terapias. Algumas possibilidades são intervenções como
estimulação cerebral profunda, estimulação magnética
transcraniana, ultrassom focal ou mesmo medicamentos que
modulam esta via.
No entanto, não se trata de eliminar esse freio do nada.
Os investigadores insistem que este mecanismo cumpre
uma função adaptativa essencial. Durante milhões de anos,
ajudou os organismos a não desperdiçar recursos em tarefas de
alto custo. O problema surge quando o freio é excessivo e é
ativado mesmo em tarefas cotidianas. Por isso, qualquer
intervenção deve ser calibrada com extrema cautela: desligá-lo
completamente poderia levar à impulsividade ou ao
esgotamento extremo.
Nem todos os macacos responderam da mesma forma ao
estímulo aversivo, o que sugere uma variabilidade individual na
sensibilidade ao stress e na ativação desse circuito. Essa
diferença aponta para uma base biológica concreta para a
vulnerabilidade ao bloqueio motivacional. Não é uma questão
de carácter: é uma questão de conexões neuronais.
Adaptado de https://www.nationalgeographic.pt/ciencia/cerebrodescoberto-botao-que-nos-faz-procrastinar_6764
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- SintaxeTermos Essenciais da Oração
- SintaxeConcordância
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Número
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Cérebro: Descoberto “botão” que nos faz procrastinar
Uma conexão entre duas regiões profundas do cérebro
parece ser a responsável pelo bloqueio que sentimos diante de
tarefas desagradáveis, a que chamamos procrastinação.
Inúmeras vezes, descobrimos que sabemos o que é
preciso fazer, compreendemos a urgência, entendemos a
recompensa... mas algo dentro de nós se recusa a dar o primeiro
passo. Essa estranha paralisia não é simples preguiça, nem falta
de interesse. É uma barreira invisível, muitas vezes
intransponível, que separa o pensamento da ação. Um grupo de
cientistas conseguiu vislumbrar o que acontece no
cérebro nesses momentos e, com isso, pode ter-se aberto uma
porta inesperada para a compreensão de distúrbios mentais
profundamente incapacitantes.
Num estudo publicado na Current Biology e liderado
por Ken-Ichi Amemori, do Instituto para o Estudo Avançado da
Biologia Humana da Universidade de Quioto, foi
identificado um circuito cerebral específico que atua como um
verdadeiro travão interno.
Esta via, que liga o estriado ventral (EV) ao pálido
ventral (PV), parece impedir o início de uma ação quando o
contexto antecipa desconforto ou esforço, mesmo que a
recompensa seja clara. De forma reveladora, inibir esta
conexão em macacos treinados com tarefas difíceis restaurou a
sua vontade de agir, sem alterar a sua avaliação do objetivo
final.
CÉREBROS DE MACACOS
Os investigadores trabalharam com macacos que foram
treinados para realizar dois tipos de tarefas: uma baseada
apenas em recompensas e outra em que a mesma recompensa
era acompanhada por um castigo leve (uma rajada de ar no
rosto). Na tarefa que provocava aversão, muitos dos animais
optaram por não agir. Mas ao aplicar uma técnica
chamada quimiogenética, que permite silenciar
temporariamente conexões neuronais específicas, o canal EVPV foi desativado e os macacos voltaram a participar, como se
o freio tivesse sido solto.
Essas observações revelam que o EV atua diante
de sinais antecipados de desconforto e, através da sua conexão
com o PV (responsável por ativar comportamentos
direcionados a um objetivo), pode bloquear o próprio início do
comportamento. Não é que o cérebro não valorize a meta:
recusa-se é a dar o primeiro passo quando antecipa
sofrimento. Uma distinção subtil, mas essencial.
O estudo registou a atividade cerebral com eléctrodos.
Perante sinais de tarefas incómodas, a atividade do estriado
ventral aumentava rapidamente. Ao mesmo tempo, a do pálido
ventral diminuía mais lentamente, como se o aviso de
desconforto do EV silenciasse gradualmente a ordem de
“começar” emitida pelo PV. Este padrão, persistente e repetido,
sugere uma arquitetura neuronal projetada para nos proteger do
que antecipamos como prejudicial.
UMA MUDANÇA DE PARADIGMA
De uma perspectiva clínica, esta descoberta representa
uma mudança de paradigma. Muitas vezes, a falta de motivação
é tratada como um problema de avaliação errada do valor de
uma tarefa: tenta-se aumentar a atratividade da meta ou
adicionar incentivos.
Mas se o problema está na etapa anterior, na decisão de
começar, essas intervenções são inúteis. Segundo Amemori,
“quando a motivação está alterada no nível da iniciação, reduzir os sinais de desconexão antecipada pode ser mais eficaz do que
aumentar as recompensas”.
Os autores do estudo sugerem que este circuito pode
estar desequilibrado em distúrbios como a depressão, a
esquizofrenia ou mesmo a doença de Parkinson, onde aparece
frequentemente um sintoma conhecido como abulia: uma
incapacidade de iniciar ações, embora a pessoa compreenda
perfeitamente a sua importância.
Identificar este freio neuronal abre a porta a novas
terapias. Algumas possibilidades são intervenções como
estimulação cerebral profunda, estimulação magnética
transcraniana, ultrassom focal ou mesmo medicamentos que
modulam esta via.
No entanto, não se trata de eliminar esse freio do nada.
Os investigadores insistem que este mecanismo cumpre
uma função adaptativa essencial. Durante milhões de anos,
ajudou os organismos a não desperdiçar recursos em tarefas de
alto custo. O problema surge quando o freio é excessivo e é
ativado mesmo em tarefas cotidianas. Por isso, qualquer
intervenção deve ser calibrada com extrema cautela: desligá-lo
completamente poderia levar à impulsividade ou ao
esgotamento extremo.
Nem todos os macacos responderam da mesma forma ao
estímulo aversivo, o que sugere uma variabilidade individual na
sensibilidade ao stress e na ativação desse circuito. Essa
diferença aponta para uma base biológica concreta para a
vulnerabilidade ao bloqueio motivacional. Não é uma questão
de carácter: é uma questão de conexões neuronais.
Adaptado de https://www.nationalgeographic.pt/ciencia/cerebrodescoberto-botao-que-nos-faz-procrastinar_6764
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Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder a questão.
Cérebro: Descoberto “botão” que nos faz procrastinar
Uma conexão entre duas regiões profundas do cérebro
parece ser a responsável pelo bloqueio que sentimos diante de
tarefas desagradáveis, a que chamamos procrastinação.
Inúmeras vezes, descobrimos que sabemos o que é
preciso fazer, compreendemos a urgência, entendemos a
recompensa... mas algo dentro de nós se recusa a dar o primeiro
passo. Essa estranha paralisia não é simples preguiça, nem falta
de interesse. É uma barreira invisível, muitas vezes
intransponível, que separa o pensamento da ação. Um grupo de
cientistas conseguiu vislumbrar o que acontece no
cérebro nesses momentos e, com isso, pode ter-se aberto uma
porta inesperada para a compreensão de distúrbios mentais
profundamente incapacitantes.
Num estudo publicado na Current Biology e liderado
por Ken-Ichi Amemori, do Instituto para o Estudo Avançado da
Biologia Humana da Universidade de Quioto, foi
identificado um circuito cerebral específico que atua como um
verdadeiro travão interno.
Esta via, que liga o estriado ventral (EV) ao pálido
ventral (PV), parece impedir o início de uma ação quando o
contexto antecipa desconforto ou esforço, mesmo que a
recompensa seja clara. De forma reveladora, inibir esta
conexão em macacos treinados com tarefas difíceis restaurou a
sua vontade de agir, sem alterar a sua avaliação do objetivo
final.
CÉREBROS DE MACACOS
Os investigadores trabalharam com macacos que foram
treinados para realizar dois tipos de tarefas: uma baseada
apenas em recompensas e outra em que a mesma recompensa
era acompanhada por um castigo leve (uma rajada de ar no
rosto). Na tarefa que provocava aversão, muitos dos animais
optaram por não agir. Mas ao aplicar uma técnica
chamada quimiogenética, que permite silenciar
temporariamente conexões neuronais específicas, o canal EVPV foi desativado e os macacos voltaram a participar, como se
o freio tivesse sido solto.
Essas observações revelam que o EV atua diante
de sinais antecipados de desconforto e, através da sua conexão
com o PV (responsável por ativar comportamentos
direcionados a um objetivo), pode bloquear o próprio início do
comportamento. Não é que o cérebro não valorize a meta:
recusa-se é a dar o primeiro passo quando antecipa
sofrimento. Uma distinção subtil, mas essencial.
O estudo registou a atividade cerebral com eléctrodos.
Perante sinais de tarefas incómodas, a atividade do estriado
ventral aumentava rapidamente. Ao mesmo tempo, a do pálido
ventral diminuía mais lentamente, como se o aviso de
desconforto do EV silenciasse gradualmente a ordem de
“começar” emitida pelo PV. Este padrão, persistente e repetido,
sugere uma arquitetura neuronal projetada para nos proteger do
que antecipamos como prejudicial.
UMA MUDANÇA DE PARADIGMA
De uma perspectiva clínica, esta descoberta representa
uma mudança de paradigma. Muitas vezes, a falta de motivação
é tratada como um problema de avaliação errada do valor de
uma tarefa: tenta-se aumentar a atratividade da meta ou
adicionar incentivos.
Mas se o problema está na etapa anterior, na decisão de
começar, essas intervenções são inúteis. Segundo Amemori,
“quando a motivação está alterada no nível da iniciação, reduzir os sinais de desconexão antecipada pode ser mais eficaz do que
aumentar as recompensas”.
Os autores do estudo sugerem que este circuito pode
estar desequilibrado em distúrbios como a depressão, a
esquizofrenia ou mesmo a doença de Parkinson, onde aparece
frequentemente um sintoma conhecido como abulia: uma
incapacidade de iniciar ações, embora a pessoa compreenda
perfeitamente a sua importância.
Identificar este freio neuronal abre a porta a novas
terapias. Algumas possibilidades são intervenções como
estimulação cerebral profunda, estimulação magnética
transcraniana, ultrassom focal ou mesmo medicamentos que
modulam esta via.
No entanto, não se trata de eliminar esse freio do nada.
Os investigadores insistem que este mecanismo cumpre
uma função adaptativa essencial. Durante milhões de anos,
ajudou os organismos a não desperdiçar recursos em tarefas de
alto custo. O problema surge quando o freio é excessivo e é
ativado mesmo em tarefas cotidianas. Por isso, qualquer
intervenção deve ser calibrada com extrema cautela: desligá-lo
completamente poderia levar à impulsividade ou ao
esgotamento extremo.
Nem todos os macacos responderam da mesma forma ao
estímulo aversivo, o que sugere uma variabilidade individual na
sensibilidade ao stress e na ativação desse circuito. Essa
diferença aponta para uma base biológica concreta para a
vulnerabilidade ao bloqueio motivacional. Não é uma questão
de carácter: é uma questão de conexões neuronais.
Adaptado de https://www.nationalgeographic.pt/ciencia/cerebrodescoberto-botao-que-nos-faz-procrastinar_6764
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Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder a questão.
Cérebro: Descoberto “botão” que nos faz procrastinar
Uma conexão entre duas regiões profundas do cérebro
parece ser a responsável pelo bloqueio que sentimos diante de
tarefas desagradáveis, a que chamamos procrastinação.
Inúmeras vezes, descobrimos que sabemos o que é
preciso fazer, compreendemos a urgência, entendemos a
recompensa... mas algo dentro de nós se recusa a dar o primeiro
passo. Essa estranha paralisia não é simples preguiça, nem falta
de interesse. É uma barreira invisível, muitas vezes
intransponível, que separa o pensamento da ação. Um grupo de
cientistas conseguiu vislumbrar o que acontece no
cérebro nesses momentos e, com isso, pode ter-se aberto uma
porta inesperada para a compreensão de distúrbios mentais
profundamente incapacitantes.
Num estudo publicado na Current Biology e liderado
por Ken-Ichi Amemori, do Instituto para o Estudo Avançado da
Biologia Humana da Universidade de Quioto, foi
identificado um circuito cerebral específico que atua como um
verdadeiro travão interno.
Esta via, que liga o estriado ventral (EV) ao pálido
ventral (PV), parece impedir o início de uma ação quando o
contexto antecipa desconforto ou esforço, mesmo que a
recompensa seja clara. De forma reveladora, inibir esta
conexão em macacos treinados com tarefas difíceis restaurou a
sua vontade de agir, sem alterar a sua avaliação do objetivo
final.
CÉREBROS DE MACACOS
Os investigadores trabalharam com macacos que foram
treinados para realizar dois tipos de tarefas: uma baseada
apenas em recompensas e outra em que a mesma recompensa
era acompanhada por um castigo leve (uma rajada de ar no
rosto). Na tarefa que provocava aversão, muitos dos animais
optaram por não agir. Mas ao aplicar uma técnica
chamada quimiogenética, que permite silenciar
temporariamente conexões neuronais específicas, o canal EVPV foi desativado e os macacos voltaram a participar, como se
o freio tivesse sido solto.
Essas observações revelam que o EV atua diante
de sinais antecipados de desconforto e, através da sua conexão
com o PV (responsável por ativar comportamentos
direcionados a um objetivo), pode bloquear o próprio início do
comportamento. Não é que o cérebro não valorize a meta:
recusa-se é a dar o primeiro passo quando antecipa
sofrimento. Uma distinção subtil, mas essencial.
O estudo registou a atividade cerebral com eléctrodos.
Perante sinais de tarefas incómodas, a atividade do estriado
ventral aumentava rapidamente. Ao mesmo tempo, a do pálido
ventral diminuía mais lentamente, como se o aviso de
desconforto do EV silenciasse gradualmente a ordem de
“começar” emitida pelo PV. Este padrão, persistente e repetido,
sugere uma arquitetura neuronal projetada para nos proteger do
que antecipamos como prejudicial.
UMA MUDANÇA DE PARADIGMA
De uma perspectiva clínica, esta descoberta representa
uma mudança de paradigma. Muitas vezes, a falta de motivação
é tratada como um problema de avaliação errada do valor de
uma tarefa: tenta-se aumentar a atratividade da meta ou
adicionar incentivos.
Mas se o problema está na etapa anterior, na decisão de
começar, essas intervenções são inúteis. Segundo Amemori,
“quando a motivação está alterada no nível da iniciação, reduzir os sinais de desconexão antecipada pode ser mais eficaz do que
aumentar as recompensas”.
Os autores do estudo sugerem que este circuito pode
estar desequilibrado em distúrbios como a depressão, a
esquizofrenia ou mesmo a doença de Parkinson, onde aparece
frequentemente um sintoma conhecido como abulia: uma
incapacidade de iniciar ações, embora a pessoa compreenda
perfeitamente a sua importância.
Identificar este freio neuronal abre a porta a novas
terapias. Algumas possibilidades são intervenções como
estimulação cerebral profunda, estimulação magnética
transcraniana, ultrassom focal ou mesmo medicamentos que
modulam esta via.
No entanto, não se trata de eliminar esse freio do nada.
Os investigadores insistem que este mecanismo cumpre
uma função adaptativa essencial. Durante milhões de anos,
ajudou os organismos a não desperdiçar recursos em tarefas de
alto custo. O problema surge quando o freio é excessivo e é
ativado mesmo em tarefas cotidianas. Por isso, qualquer
intervenção deve ser calibrada com extrema cautela: desligá-lo
completamente poderia levar à impulsividade ou ao
esgotamento extremo.
Nem todos os macacos responderam da mesma forma ao
estímulo aversivo, o que sugere uma variabilidade individual na
sensibilidade ao stress e na ativação desse circuito. Essa
diferença aponta para uma base biológica concreta para a
vulnerabilidade ao bloqueio motivacional. Não é uma questão
de carácter: é uma questão de conexões neuronais.
Adaptado de https://www.nationalgeographic.pt/ciencia/cerebrodescoberto-botao-que-nos-faz-procrastinar_6764
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Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder a questão.
Cérebro: Descoberto “botão” que nos faz procrastinar
Uma conexão entre duas regiões profundas do cérebro
parece ser a responsável pelo bloqueio que sentimos diante de
tarefas desagradáveis, a que chamamos procrastinação.
Inúmeras vezes, descobrimos que sabemos o que é
preciso fazer, compreendemos a urgência, entendemos a
recompensa... mas algo dentro de nós se recusa a dar o primeiro
passo. Essa estranha paralisia não é simples preguiça, nem falta
de interesse. É uma barreira invisível, muitas vezes
intransponível, que separa o pensamento da ação. Um grupo de
cientistas conseguiu vislumbrar o que acontece no
cérebro nesses momentos e, com isso, pode ter-se aberto uma
porta inesperada para a compreensão de distúrbios mentais
profundamente incapacitantes.
Num estudo publicado na Current Biology e liderado
por Ken-Ichi Amemori, do Instituto para o Estudo Avançado da
Biologia Humana da Universidade de Quioto, foi
identificado um circuito cerebral específico que atua como um
verdadeiro travão interno.
Esta via, que liga o estriado ventral (EV) ao pálido
ventral (PV), parece impedir o início de uma ação quando o
contexto antecipa desconforto ou esforço, mesmo que a
recompensa seja clara. De forma reveladora, inibir esta
conexão em macacos treinados com tarefas difíceis restaurou a
sua vontade de agir, sem alterar a sua avaliação do objetivo
final.
CÉREBROS DE MACACOS
Os investigadores trabalharam com macacos que foram
treinados para realizar dois tipos de tarefas: uma baseada
apenas em recompensas e outra em que a mesma recompensa
era acompanhada por um castigo leve (uma rajada de ar no
rosto). Na tarefa que provocava aversão, muitos dos animais
optaram por não agir. Mas ao aplicar uma técnica
chamada quimiogenética, que permite silenciar
temporariamente conexões neuronais específicas, o canal EVPV foi desativado e os macacos voltaram a participar, como se
o freio tivesse sido solto.
Essas observações revelam que o EV atua diante
de sinais antecipados de desconforto e, através da sua conexão
com o PV (responsável por ativar comportamentos
direcionados a um objetivo), pode bloquear o próprio início do
comportamento. Não é que o cérebro não valorize a meta:
recusa-se é a dar o primeiro passo quando antecipa
sofrimento. Uma distinção subtil, mas essencial.
O estudo registou a atividade cerebral com eléctrodos.
Perante sinais de tarefas incómodas, a atividade do estriado
ventral aumentava rapidamente. Ao mesmo tempo, a do pálido
ventral diminuía mais lentamente, como se o aviso de
desconforto do EV silenciasse gradualmente a ordem de
“começar” emitida pelo PV. Este padrão, persistente e repetido,
sugere uma arquitetura neuronal projetada para nos proteger do
que antecipamos como prejudicial.
UMA MUDANÇA DE PARADIGMA
De uma perspectiva clínica, esta descoberta representa
uma mudança de paradigma. Muitas vezes, a falta de motivação
é tratada como um problema de avaliação errada do valor de
uma tarefa: tenta-se aumentar a atratividade da meta ou
adicionar incentivos.
Mas se o problema está na etapa anterior, na decisão de
começar, essas intervenções são inúteis. Segundo Amemori,
“quando a motivação está alterada no nível da iniciação, reduzir os sinais de desconexão antecipada pode ser mais eficaz do que
aumentar as recompensas”.
Os autores do estudo sugerem que este circuito pode
estar desequilibrado em distúrbios como a depressão, a
esquizofrenia ou mesmo a doença de Parkinson, onde aparece
frequentemente um sintoma conhecido como abulia: uma
incapacidade de iniciar ações, embora a pessoa compreenda
perfeitamente a sua importância.
Identificar este freio neuronal abre a porta a novas
terapias. Algumas possibilidades são intervenções como
estimulação cerebral profunda, estimulação magnética
transcraniana, ultrassom focal ou mesmo medicamentos que
modulam esta via.
No entanto, não se trata de eliminar esse freio do nada.
Os investigadores insistem que este mecanismo cumpre
uma função adaptativa essencial. Durante milhões de anos,
ajudou os organismos a não desperdiçar recursos em tarefas de
alto custo. O problema surge quando o freio é excessivo e é
ativado mesmo em tarefas cotidianas. Por isso, qualquer
intervenção deve ser calibrada com extrema cautela: desligá-lo
completamente poderia levar à impulsividade ou ao
esgotamento extremo.
Nem todos os macacos responderam da mesma forma ao
estímulo aversivo, o que sugere uma variabilidade individual na
sensibilidade ao stress e na ativação desse circuito. Essa
diferença aponta para uma base biológica concreta para a
vulnerabilidade ao bloqueio motivacional. Não é uma questão
de carácter: é uma questão de conexões neuronais.
Adaptado de https://www.nationalgeographic.pt/ciencia/cerebrodescoberto-botao-que-nos-faz-procrastinar_6764
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Leia o texto para responder as questões.
Tia Ciata: a matriarca do samba
Como Hilária Batista de Almeida se tornou uma figura
essencial para o surgimento do samba?
O samba é uma das maiores expressões culturais do
Brasil, e sua popularização deve muito a uma mulher que,
mesmo sem ser musicista, exerceu papel fundamental em sua
origem. Hilária Batista de Almeida, conhecida como Tia Ciata
ou Aciata, nasceu em 13 de janeiro de 1854, em Santo Amaro,
no Recôncavo Baiano. Desde jovem, a religiosidade esteve
presente em sua vida, e aos 16 anos, ela foi uma das fundadoras
da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira (Bahia). Filha de
Oxum e iniciada no Candomblé, mudou-se para o Rio de
Janeiro aos 22 anos, com o marido, e teve 14 filhos. Lá, deu
continuidade aos preceitos religiosos na casa de João Alabá,
tornando-se Mãe-Pequena, importante cargo na Umbanda.
Tia Ciata sempre foi uma mulher cuja vida se
entrelaçava com o trabalho e a religião, desempenhando um
papel fundamental na construção da tradição das baianas
quituteiras no Rio de Janeiro. Com suas roupas majestosas,
adornadas com colares e pulseiras, ela simbolizava a força e a
presença de uma cultura afro-brasileira rica e vibrante. Suas
atividades profissionais eram sempre acompanhadas de uma
profunda conexão com suas crenças, o que a tornava uma figura
respeitada tanto na comunidade religiosa quanto na sociedade
carioca.
[...]
Essas festas se tornaram uma verdadeira tradição,
sempre seguidas de uma cerimônia religiosa, muitas vezes
precedida por uma missa cristã. Após os rituais, músicos e
capoeiristas amigos da casa armavam um pagode, com violões,
pandeiros, ganzás e muito samba, criando uma atmosfera única
de celebração. Sua casa se tornava um centro cultural, onde
eram promovidos saraus com chorões (músicos de choro) e
bailes dançantes no salão da frente, enquanto, no fundo do
quintal, o samba fluía sem parar. E, para encerrar as
festividades, sempre havia a cerimônia de candomblé, que unia
todas essas manifestações culturais e religiosas em uma
celebração completa.
Foi nesses encontros, que duraram por 20 anos e se
concentraram nas proximidades da Praça Onze, no Rio de
Janeiro, perto da Sociedade Recreativa Paladinos da Cidade
Nova e, mais tarde, da Sociedade Carnavalesca Kananga do
Japão (fundada em 1910 como rancho), que se formou um dos
maiores núcleos de músicos negros brasileiros. Nomes como
Donga, João da Baiana, Chico da Baiana, Pixinguinha, Heitor
dos Prazeres, Sinhô, Caninha, Didi de Gracinda, Marinho que
Toca, Mauro de Almeida, João da Mata, Mirandella, Mestre
Germano, China, Catulo da Paixão Cearense, entre outros,
frequentavam essas festas, inicialmente ainda crianças e depois
já consagrados artistas, trocando experiências e criando laços
que ajudaram a moldar a música popular brasileira.
Contudo, no início do século XX, apenas alguns anos
após a abolição da escravidão, a comunidade negra ainda
enfrentava um forte preconceito cultural, e a discriminação era
uma realidade constante. As rodas de samba, por exemplo, eram
frequentemente alvo de repressão. A polícia, alegando
“vadiagem”, encerrava as festas com o pretexto de que essas
reuniões eram proibidas pelas autoridades. No entanto, esse
cenário de hostilidade começou a mudar após um episódio
específico que transformou a dinâmica dessas celebrações e
possibilitou uma maior liberdade para o samba se expandir.
O presidente da época, Venceslau Braz, que governou o
Brasil entre 1914 e 1918, enfrentava um problema de saúde
grave: uma ferida na perna que, apesar dos esforços dos
melhores médicos do país, não apresentava sinais de cura. Já
sem alternativas na medicina tradicional, Venceslau Braz,
sabendo da fama de curandeira de Tia Ciata, decidiu chamá-la
ao Palácio do Catete para tratar de sua enfermidade. E, como
que por milagre, dias depois a ferida cicatrizou. Em
agradecimento, o presidente não apenas autorizou todas as
festas promovidas por Ciata, mas também deu um emprego a
seu marido, nomeando-o Chefe de Gabinete na polícia, além de
ordenar que dois soldados realizassem a segurança das
reuniões. Com esse apoio oficial, as festas passaram a ser mais
seguidas e frequentadas, e os músicos, agora com mais
liberdade, começaram a se sentir mais à vontade para criar e
inovar.
Foi nesse contexto que, no final de 1916 e início de
1917, na casa de Tia Ciata, surgiram os primeiros sinais do que
seria o primeiro samba gravado no Brasil: Pelo Telefone, de
autoria de Donga e Mauro de Almeida. Esse samba, composto
durante uma das muitas reuniões que aconteciam na casa de Tia
Ciata, é considerado um marco na história da música brasileira.
As raízes africanas e a influência adquirida por Tia Ciata
tiveram um impacto profundo e duradouro na história da
música brasileira, alterando para sempre o curso do samba e o
status cultural que ele possui atualmente. A importância de
Hilária Batista de Almeida, tanto para a popularização do
samba quanto para a preservação e evolução das tradições
culturais afro-brasileiras, é inquestionável. Seu legado
permanece vivo nos terreiros, nas escolas de samba, nas rodas
de choro e samba, e em cada aspecto da cultura negra brasileira
que continua a florescer e a enriquecer o país. Tia Ciata não
apenas ajudou a moldar o samba, mas também garantiu que as
tradições afro-brasileiras seguissem sendo celebradas e
respeitadas, mantendo-se vibrantes nas gerações seguintes.
Disponível em https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/blog-espaco/tiaciata-a-matriarca-do-samba/
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Tia Ciata: a matriarca do samba
Como Hilária Batista de Almeida se tornou uma figura
essencial para o surgimento do samba?
O samba é uma das maiores expressões culturais do
Brasil, e sua popularização deve muito a uma mulher que,
mesmo sem ser musicista, exerceu papel fundamental em sua
origem. Hilária Batista de Almeida, conhecida como Tia Ciata
ou Aciata, nasceu em 13 de janeiro de 1854, em Santo Amaro,
no Recôncavo Baiano. Desde jovem, a religiosidade esteve
presente em sua vida, e aos 16 anos, ela foi uma das fundadoras
da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira (Bahia). Filha de
Oxum e iniciada no Candomblé, mudou-se para o Rio de
Janeiro aos 22 anos, com o marido, e teve 14 filhos. Lá, deu
continuidade aos preceitos religiosos na casa de João Alabá,
tornando-se Mãe-Pequena, importante cargo na Umbanda.
Tia Ciata sempre foi uma mulher cuja vida se
entrelaçava com o trabalho e a religião, desempenhando um
papel fundamental na construção da tradição das baianas
quituteiras no Rio de Janeiro. Com suas roupas majestosas,
adornadas com colares e pulseiras, ela simbolizava a força e a
presença de uma cultura afro-brasileira rica e vibrante. Suas
atividades profissionais eram sempre acompanhadas de uma
profunda conexão com suas crenças, o que a tornava uma figura
respeitada tanto na comunidade religiosa quanto na sociedade
carioca.
[...]
Essas festas se tornaram uma verdadeira tradição,
sempre seguidas de uma cerimônia religiosa, muitas vezes
precedida por uma missa cristã. Após os rituais, músicos e
capoeiristas amigos da casa armavam um pagode, com violões,
pandeiros, ganzás e muito samba, criando uma atmosfera única
de celebração. Sua casa se tornava um centro cultural, onde
eram promovidos saraus com chorões (músicos de choro) e
bailes dançantes no salão da frente, enquanto, no fundo do
quintal, o samba fluía sem parar. E, para encerrar as
festividades, sempre havia a cerimônia de candomblé, que unia
todas essas manifestações culturais e religiosas em uma
celebração completa.
Foi nesses encontros, que duraram por 20 anos e se
concentraram nas proximidades da Praça Onze, no Rio de
Janeiro, perto da Sociedade Recreativa Paladinos da Cidade
Nova e, mais tarde, da Sociedade Carnavalesca Kananga do
Japão (fundada em 1910 como rancho), que se formou um dos
maiores núcleos de músicos negros brasileiros. Nomes como
Donga, João da Baiana, Chico da Baiana, Pixinguinha, Heitor
dos Prazeres, Sinhô, Caninha, Didi de Gracinda, Marinho que
Toca, Mauro de Almeida, João da Mata, Mirandella, Mestre
Germano, China, Catulo da Paixão Cearense, entre outros,
frequentavam essas festas, inicialmente ainda crianças e depois
já consagrados artistas, trocando experiências e criando laços
que ajudaram a moldar a música popular brasileira.
Contudo, no início do século XX, apenas alguns anos
após a abolição da escravidão, a comunidade negra ainda
enfrentava um forte preconceito cultural, e a discriminação era
uma realidade constante. As rodas de samba, por exemplo, eram
frequentemente alvo de repressão. A polícia, alegando
“vadiagem”, encerrava as festas com o pretexto de que essas
reuniões eram proibidas pelas autoridades. No entanto, esse
cenário de hostilidade começou a mudar após um episódio
específico que transformou a dinâmica dessas celebrações e
possibilitou uma maior liberdade para o samba se expandir.
O presidente da época, Venceslau Braz, que governou o
Brasil entre 1914 e 1918, enfrentava um problema de saúde
grave: uma ferida na perna que, apesar dos esforços dos
melhores médicos do país, não apresentava sinais de cura. Já
sem alternativas na medicina tradicional, Venceslau Braz,
sabendo da fama de curandeira de Tia Ciata, decidiu chamá-la
ao Palácio do Catete para tratar de sua enfermidade. E, como
que por milagre, dias depois a ferida cicatrizou. Em
agradecimento, o presidente não apenas autorizou todas as
festas promovidas por Ciata, mas também deu um emprego a
seu marido, nomeando-o Chefe de Gabinete na polícia, além de
ordenar que dois soldados realizassem a segurança das
reuniões. Com esse apoio oficial, as festas passaram a ser mais
seguidas e frequentadas, e os músicos, agora com mais
liberdade, começaram a se sentir mais à vontade para criar e
inovar.
Foi nesse contexto que, no final de 1916 e início de
1917, na casa de Tia Ciata, surgiram os primeiros sinais do que
seria o primeiro samba gravado no Brasil: Pelo Telefone, de
autoria de Donga e Mauro de Almeida. Esse samba, composto
durante uma das muitas reuniões que aconteciam na casa de Tia
Ciata, é considerado um marco na história da música brasileira.
As raízes africanas e a influência adquirida por Tia Ciata
tiveram um impacto profundo e duradouro na história da
música brasileira, alterando para sempre o curso do samba e o
status cultural que ele possui atualmente. A importância de
Hilária Batista de Almeida, tanto para a popularização do
samba quanto para a preservação e evolução das tradições
culturais afro-brasileiras, é inquestionável. Seu legado
permanece vivo nos terreiros, nas escolas de samba, nas rodas
de choro e samba, e em cada aspecto da cultura negra brasileira
que continua a florescer e a enriquecer o país. Tia Ciata não
apenas ajudou a moldar o samba, mas também garantiu que as
tradições afro-brasileiras seguissem sendo celebradas e
respeitadas, mantendo-se vibrantes nas gerações seguintes.
Disponível em https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/blog-espaco/tiaciata-a-matriarca-do-samba/
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Tia Ciata: a matriarca do samba
Como Hilária Batista de Almeida se tornou uma figura
essencial para o surgimento do samba?
O samba é uma das maiores expressões culturais do
Brasil, e sua popularização deve muito a uma mulher que,
mesmo sem ser musicista, exerceu papel fundamental em sua
origem. Hilária Batista de Almeida, conhecida como Tia Ciata
ou Aciata, nasceu em 13 de janeiro de 1854, em Santo Amaro,
no Recôncavo Baiano. Desde jovem, a religiosidade esteve
presente em sua vida, e aos 16 anos, ela foi uma das fundadoras
da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira (Bahia). Filha de
Oxum e iniciada no Candomblé, mudou-se para o Rio de
Janeiro aos 22 anos, com o marido, e teve 14 filhos. Lá, deu
continuidade aos preceitos religiosos na casa de João Alabá,
tornando-se Mãe-Pequena, importante cargo na Umbanda.
Tia Ciata sempre foi uma mulher cuja vida se
entrelaçava com o trabalho e a religião, desempenhando um
papel fundamental na construção da tradição das baianas
quituteiras no Rio de Janeiro. Com suas roupas majestosas,
adornadas com colares e pulseiras, ela simbolizava a força e a
presença de uma cultura afro-brasileira rica e vibrante. Suas
atividades profissionais eram sempre acompanhadas de uma
profunda conexão com suas crenças, o que a tornava uma figura
respeitada tanto na comunidade religiosa quanto na sociedade
carioca.
[...]
Essas festas se tornaram uma verdadeira tradição,
sempre seguidas de uma cerimônia religiosa, muitas vezes
precedida por uma missa cristã. Após os rituais, músicos e
capoeiristas amigos da casa armavam um pagode, com violões,
pandeiros, ganzás e muito samba, criando uma atmosfera única
de celebração. Sua casa se tornava um centro cultural, onde
eram promovidos saraus com chorões (músicos de choro) e
bailes dançantes no salão da frente, enquanto, no fundo do
quintal, o samba fluía sem parar. E, para encerrar as
festividades, sempre havia a cerimônia de candomblé, que unia
todas essas manifestações culturais e religiosas em uma
celebração completa.
Foi nesses encontros, que duraram por 20 anos e se
concentraram nas proximidades da Praça Onze, no Rio de
Janeiro, perto da Sociedade Recreativa Paladinos da Cidade
Nova e, mais tarde, da Sociedade Carnavalesca Kananga do
Japão (fundada em 1910 como rancho), que se formou um dos
maiores núcleos de músicos negros brasileiros. Nomes como
Donga, João da Baiana, Chico da Baiana, Pixinguinha, Heitor
dos Prazeres, Sinhô, Caninha, Didi de Gracinda, Marinho que
Toca, Mauro de Almeida, João da Mata, Mirandella, Mestre
Germano, China, Catulo da Paixão Cearense, entre outros,
frequentavam essas festas, inicialmente ainda crianças e depois
já consagrados artistas, trocando experiências e criando laços
que ajudaram a moldar a música popular brasileira.
Contudo, no início do século XX, apenas alguns anos
após a abolição da escravidão, a comunidade negra ainda
enfrentava um forte preconceito cultural, e a discriminação era
uma realidade constante. As rodas de samba, por exemplo, eram
frequentemente alvo de repressão. A polícia, alegando
“vadiagem”, encerrava as festas com o pretexto de que essas
reuniões eram proibidas pelas autoridades. No entanto, esse
cenário de hostilidade começou a mudar após um episódio
específico que transformou a dinâmica dessas celebrações e
possibilitou uma maior liberdade para o samba se expandir.
O presidente da época, Venceslau Braz, que governou o
Brasil entre 1914 e 1918, enfrentava um problema de saúde
grave: uma ferida na perna que, apesar dos esforços dos
melhores médicos do país, não apresentava sinais de cura. Já
sem alternativas na medicina tradicional, Venceslau Braz,
sabendo da fama de curandeira de Tia Ciata, decidiu chamá-la
ao Palácio do Catete para tratar de sua enfermidade. E, como
que por milagre, dias depois a ferida cicatrizou. Em
agradecimento, o presidente não apenas autorizou todas as
festas promovidas por Ciata, mas também deu um emprego a
seu marido, nomeando-o Chefe de Gabinete na polícia, além de
ordenar que dois soldados realizassem a segurança das
reuniões. Com esse apoio oficial, as festas passaram a ser mais
seguidas e frequentadas, e os músicos, agora com mais
liberdade, começaram a se sentir mais à vontade para criar e
inovar.
Foi nesse contexto que, no final de 1916 e início de
1917, na casa de Tia Ciata, surgiram os primeiros sinais do que
seria o primeiro samba gravado no Brasil: Pelo Telefone, de
autoria de Donga e Mauro de Almeida. Esse samba, composto
durante uma das muitas reuniões que aconteciam na casa de Tia
Ciata, é considerado um marco na história da música brasileira.
As raízes africanas e a influência adquirida por Tia Ciata
tiveram um impacto profundo e duradouro na história da
música brasileira, alterando para sempre o curso do samba e o
status cultural que ele possui atualmente. A importância de
Hilária Batista de Almeida, tanto para a popularização do
samba quanto para a preservação e evolução das tradições
culturais afro-brasileiras, é inquestionável. Seu legado
permanece vivo nos terreiros, nas escolas de samba, nas rodas
de choro e samba, e em cada aspecto da cultura negra brasileira
que continua a florescer e a enriquecer o país. Tia Ciata não
apenas ajudou a moldar o samba, mas também garantiu que as
tradições afro-brasileiras seguissem sendo celebradas e
respeitadas, mantendo-se vibrantes nas gerações seguintes.
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