Magna Concursos

Foram encontradas 364.882 questões.

4256977 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Buriti Alegre-GO
Texto 2
Tempo de sentir
Para escrever e, também, para ler, é preciso deixar de lado o celular
      É sempre interessante ouvir o que dizem os escritores sobre seu processo criativo. Afinal, como as ideias se transformam em um texto? Recentemente, Itamar Vieira Junior, autor do premiado Torto Arado e de outras obras literárias, disse que “o celular é o grande inimigo de quem escreve” e acrescentou que, “no momento da escrita, todas as distrações precisam ser eliminadas”. O conselho, à primeira vista, pode parecer óbvio, mas, no fundo, é provocativo. Somos capazes de deixar de lado o celular?
    Não apenas a escrita depende de sossego e concentração. Esses são requisitos também para uma boa leitura. Como adentrar o universo de um romance sem deixar de lado todo o resto? Às vezes, tenho a impressão de que muita gente lê a crítica ou o resumo do livro, mas não vive a experiência de sorver, uma a uma, as palavras e frases que compõem o tecido literário. [...]
    Para escrever e, também, para ler, é preciso um pouco de solidão. Estar só é diferente de saber-se irremediavelmente só e desamparado. Coisas distintas. Esse estar só, no entanto, vai deixando de existir. Basta nos pegarmos sós que logo alcançamos o celular para saber se alguém nos enviou mensagem ou se, ao menos, publicou alguma novidade nas redes sociais. Com milhares de “amigos”, o que não nos falta são notícias.
    No meio disso tudo, uma moça bonita ensina a usar o delineador (como parece fácil!), um sujeito engraçado mostra como limpar o ventilador, uma mocinha empoderada garante que qualquer um pode trocar o seu varal de teto, depois vêm os gatinhos, vídeos que já chegam com milhares de curtidas (seremos apenas mais um a dar o “like” para as fofuras) e, de repente tomamos conhecimento da morte do papa, de um bolo envenenado que matou várias pessoas, de um novo remédio para emagrecer – e isso sem falar nos anúncios, que se imiscuem até no meio das notícias. [...]
   Estamos presos a esse hábito coletivo. Queremos informação rápida sobre uma infinidade de assuntos, alguns importantes, outros não, e estamos sempre com pressa. Quando diz que, para escrever, é preciso afastar o celular, Itamar Vieira Junior mostra como é difícil o seu ofício nos dias de hoje e, ao mesmo tempo, provoca o leitor: é preciso sair dessa rotina do celular também para ler um bom livro. E livro é livro, filme é filme, experiências diversas.
NICOLETI, Thaís. Tempo de sentir. Folha de São Paulo, 30 abr. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/thaisnicoleti/2025/04/tempo-de-sentir.shtml. Acesso em: 04 jul. 2026.
No desenvolvimento do texto, o quarto parágrafo contribui para a progressão temática ao
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4256976 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Buriti Alegre-GO
Texto 2
Tempo de sentir
Para escrever e, também, para ler, é preciso deixar de lado o celular
      É sempre interessante ouvir o que dizem os escritores sobre seu processo criativo. Afinal, como as ideias se transformam em um texto? Recentemente, Itamar Vieira Junior, autor do premiado Torto Arado e de outras obras literárias, disse que “o celular é o grande inimigo de quem escreve” e acrescentou que, “no momento da escrita, todas as distrações precisam ser eliminadas”. O conselho, à primeira vista, pode parecer óbvio, mas, no fundo, é provocativo. Somos capazes de deixar de lado o celular?
    Não apenas a escrita depende de sossego e concentração. Esses são requisitos também para uma boa leitura. Como adentrar o universo de um romance sem deixar de lado todo o resto? Às vezes, tenho a impressão de que muita gente lê a crítica ou o resumo do livro, mas não vive a experiência de sorver, uma a uma, as palavras e frases que compõem o tecido literário. [...]
    Para escrever e, também, para ler, é preciso um pouco de solidão. Estar só é diferente de saber-se irremediavelmente só e desamparado. Coisas distintas. Esse estar só, no entanto, vai deixando de existir. Basta nos pegarmos sós que logo alcançamos o celular para saber se alguém nos enviou mensagem ou se, ao menos, publicou alguma novidade nas redes sociais. Com milhares de “amigos”, o que não nos falta são notícias.
    No meio disso tudo, uma moça bonita ensina a usar o delineador (como parece fácil!), um sujeito engraçado mostra como limpar o ventilador, uma mocinha empoderada garante que qualquer um pode trocar o seu varal de teto, depois vêm os gatinhos, vídeos que já chegam com milhares de curtidas (seremos apenas mais um a dar o “like” para as fofuras) e, de repente tomamos conhecimento da morte do papa, de um bolo envenenado que matou várias pessoas, de um novo remédio para emagrecer – e isso sem falar nos anúncios, que se imiscuem até no meio das notícias. [...]
   Estamos presos a esse hábito coletivo. Queremos informação rápida sobre uma infinidade de assuntos, alguns importantes, outros não, e estamos sempre com pressa. Quando diz que, para escrever, é preciso afastar o celular, Itamar Vieira Junior mostra como é difícil o seu ofício nos dias de hoje e, ao mesmo tempo, provoca o leitor: é preciso sair dessa rotina do celular também para ler um bom livro. E livro é livro, filme é filme, experiências diversas.
NICOLETI, Thaís. Tempo de sentir. Folha de São Paulo, 30 abr. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/thaisnicoleti/2025/04/tempo-de-sentir.shtml. Acesso em: 04 jul. 2026.
No primeiro parágrafo, a autora menciona a declaração de Itamar Vieira Junior acerca do uso do celular durante a escrita. Nesse contexto, a estratégia argumentativa empregada consiste na
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4256974 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Buriti Alegre-GO
Texto 1


Soneto da hora final
Será assim, amiga: um certo dia,
Estando nós a contemplar o poente,
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.
Tu me olharás silenciosamente,
E eu te olharei também, com nostalgia,
E partiremos, tontos de poesia,
Para a porta de treva aberta em frente.
Ao transpor as fronteiras do Segredo,
Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo.
E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.
E como dois antigos namorados,
Noturnamente tristes e enlaçados,
Nós entraremos nos jardins da morte.

MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro

de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:

Companhia das Letras, 2009. p. 30.

Nos versos “Sentiremos no rosto, de repente, / O beijo leve de uma aragem fria.”, o emprego das vírgulas, segundo as regras de pontuação, justifica-se por um fenômeno sintático. Esse mesmo fenômeno justifica o uso das vírgulas em:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4256942 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Buriti Alegre-GO
Provas:
Leia o texto a seguir.

Adultização infantil: Felca viraliza nas redes e especialistas explicam riscos e prevenção
Especialista alerta para sinais e consequências da exposição precoce de crianças a padrões e responsabilidades adultas.
A discussão sobre adultização infantil voltou a ganhar espaço na mídia e nas redes sociais após a repercussão de um vídeo publicado pelo influenciador Felca, que rapidamente viralizou e já acumula mais de 32 milhões de visualizações no YouTube. Na publicação, o produtor de conteúdo alerta para os perigos da exploração de crianças e adolescentes em rotinas e atividades que não condizem com sua faixa etária, denunciando como adultos, canais e figuras públicas expõem menores para lucrar na web. O caso está criando debates sobre a exposição precoce e sem filtro de crianças, muitas delas sendo exploradas ou se tornando “gurus de investimento”, reproduzindo padrões e atitudes de adultos. O assunto chegou até o Congresso Nacional, com projetos de lei sendo apresentados para tratar do tema. De acordo com a educadora, psicóloga e gestora da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri/SP, a adultização infantil é um fenômeno preocupante. “A infância é uma etapa única do desenvolvimento humano, marcada por descobertas e aprendizados que precisam respeitar o tempo e a maturidade de cada criança. Quando pulamos etapas, comprometemos aspectos emocionais, sociais e cognitivos que serão a base para a vida adulta”, afirma. A especialista lembra que casos de crianças e adolescentes expostas na mídia não são novidade. “Antigamente, havia a preocupação com o desenvolvimento e educação de crianças e adolescentes que trabalhavam como cantores ou atores. A diferença é que no passado havia menos plataformas para essa exposição, e hoje qualquer pessoa tem o mundo na palma das mãos com o celular. Além disso, os próprios pais e responsáveis contribuem para o problema, mesmo tendo boa intenção, ao expor a vida dos filhos nas redes sociais desde que eles nascem”, acrescenta a educadora. [...]
Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/noticia/2025/08/22/adultizacaoinfantil-felca-viraliza-nas-redes-e-especialistas-explicam-riscos-eprevencao.ghtml. Acesso em: 6 jul. 2026.


Considerando a estrutura composicional e a linguagem empregadas no texto, evidencia-se que sua finalidade é a de
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4256941 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Buriti Alegre-GO
Provas:
Texto 3
Ele entrou tarde no restaurante. Poderia ter uns sessenta anos, era alto, corpulento, de cabelos brancos, sobrancelhas espessas e mãos potentes. Num dedo o anel de sua força. Sentou-se amplo e sólido. Perdi-o de vista e enquanto comia observei de novo a mulher magra de chapéu. Ela ria com a boca cheia e rebrilhava os olhos escuros. No momento em que eu levava o garfo à boca, olhei-o. Ei-lo de olhos fechados mastigando pão com vigor e mecanismo, os dois punhos cerrados sobre a mesa. Continuei comendo e olhando. O garçom dispunha os pratos sobre a toalha. Mas o velho mantinha os olhos fechados. A um gesto mais vivo do criado ele os abriu com tal brusquidão que este mesmo movimento se comunicou às grandes mãos e um garfo caiu. O garçom sussurrou palavras amáveis abaixando-se para apanhá-lo; ele não respondia. Porque agora desperto, virava subitamente a carne de um lado e de outro, examinava-a com veemência, a ponta da língua aparecendo — apalpava o bife com as costas do garfo, quase o cheirava, mexendo a boca de antemão. E começava a cortá-lo com um movimento inútil de vigor de todo o corpo. Olhei para o meu prato. Quando fitei-o de novo, ele estava em plena glória do jantar, mastigando de boca aberta, passando a língua pelos dentes, com o olhar fixo na luz do teto.
Clarice Lispector. O jantar. In: Laços de família: contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. [Adaptado].
No fragmento “Poderia ter uns sessenta anos, era alto, corpulento, de cabelos brancos, sobrancelhas espessas e mãos potentes. [...]”, as palavras e expressões em destaque contribuem para que o leitor visualize os personagens. Do ponto de vista gramatical, esses termos exercem a função de
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4256940 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Buriti Alegre-GO
Provas:
Texto 3
Ele entrou tarde no restaurante. Poderia ter uns sessenta anos, era alto, corpulento, de cabelos brancos, sobrancelhas espessas e mãos potentes. Num dedo o anel de sua força. Sentou-se amplo e sólido. Perdi-o de vista e enquanto comia observei de novo a mulher magra de chapéu. Ela ria com a boca cheia e rebrilhava os olhos escuros. No momento em que eu levava o garfo à boca, olhei-o. Ei-lo de olhos fechados mastigando pão com vigor e mecanismo, os dois punhos cerrados sobre a mesa. Continuei comendo e olhando. O garçom dispunha os pratos sobre a toalha. Mas o velho mantinha os olhos fechados. A um gesto mais vivo do criado ele os abriu com tal brusquidão que este mesmo movimento se comunicou às grandes mãos e um garfo caiu. O garçom sussurrou palavras amáveis abaixando-se para apanhá-lo; ele não respondia. Porque agora desperto, virava subitamente a carne de um lado e de outro, examinava-a com veemência, a ponta da língua aparecendo — apalpava o bife com as costas do garfo, quase o cheirava, mexendo a boca de antemão. E começava a cortá-lo com um movimento inútil de vigor de todo o corpo. Olhei para o meu prato. Quando fitei-o de novo, ele estava em plena glória do jantar, mastigando de boca aberta, passando a língua pelos dentes, com o olhar fixo na luz do teto.
Clarice Lispector. O jantar. In: Laços de família: contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. [Adaptado].
No texto, articulam-se diferentes modos de organização do discurso. Considerando a predominância e a função desses modos, a sequência textual que estrutura o fragmento é
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4256939 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Buriti Alegre-GO
Provas:

Leia o texto a seguir.

Enunciado 4640254-1

Disponível em: https://www.facebook.com/FloripaMilGrau/photos/d41d8cd9/9115385481740 64/ . Acesso em: 6 jul. 2026.

O efeito cômico da situação decorre da forma inusitada como o menino compreende o aviso da loja. Essa compreensão equivocada é gerada pela

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4256938 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Buriti Alegre-GO
Provas:

Leia o texto a seguir.

Enunciado 4640253-1

Disponível em: https://sisq.elitecampinas.com.br/GabaritoVestibulares/VisualizarQuestaoLi sta?id_questao_lista=150923&vestibular=unifesp&ano=2012&prova_vestib ular_id=10930. Acesso em: 6 jul. 2026.

Considerando a situação comunicativa representada, o malentendido retratado na charge decorre de uma diferença de pronúncia entre as formas “Wirso” e “Wilson”, fenômeno que se classifica como variação linguística de natureza

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4256937 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Buriti Alegre-GO
Provas:

Leia o texto a seguir.

Eterno


Carlos Drummond de Andrade


Eterno

E como ficou chato ser moderno.

Agora serei eterno.

Eterno! Eterno!

O Padre Eterno,

a vida eterna,

o fogo eterno.

(Le silence éternel de ces espaces infinis m’effraie.)

— O que é eterno, Yayá Lindinha?

— Ingrato! é o amor que te tenho.

Eternalidade eternite eternaltivamente

eternuávamos

eternissíssimo

A cada instante se criam novas categorias do eterno.

Eterna é a flor que se fana

se soube florir

é o menino recém-nascido

antes que lhe deem nome

e lhe comuniquem o sentimento do efêmero

é o gesto de enlaçar e beijar

na visita do amor às almas

eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo

mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma

[força o resgata

é minha mãe em mim que a estou pensando

de tanto que a perdi de não pensá-la

é o que se pensa em nós se estamos loucos

é tudo que passou, porque passou

é tudo que não passa, pois não houve

eternas as palavras, eternos os pensamentos; e

[passageiras as obras.

Eterno, mas até quando? é esse marulho em nós de um

[mar profundo.

Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos

[afundamos.

É tentação a vertigem; e também a pirueta dos ébrios.

Eternos! Eternos, miseravelmente.

O relógio no pulso é nosso confidente.

Mas eu não quero ser senão eterno.

Que os séculos apodreçam e não reste mais do que uma

[essência

ou nem isso.

E que eu desapareça mas fique este chão varrido onde

[pousou uma sombra

e que não fique o chão nem fique a sombra

mas que a precisão urgente de ser eterno bóie como uma

[esponja no caos

e entre oceanos de nada

gere um ritmo.

Carlos Drummond de Andrade. Eterno. In.: Fazendeiro do ar. 15. ed. Rio de Janeiro: Record, 2023.

No poema, o autor cria novas palavras a partir de uma base, como em “eternuávamos, eternissíssimo, eternite e eternaltivamente”. Trata-se de formação de palavras resultante do processo concebido como derivação

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4256936 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Buriti Alegre-GO
Provas:
Texto 2
Medo da eternidade
Clarice Lispector
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas. Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
— Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.
— Como não acaba? — Parei um instante na rua, perplexa.
— Não acaba nunca, e pronto. — Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazêla durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
— E agora que é que eu faço? — perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.
— Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
— Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
— Acabou-se o docinho. E agora?
— Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
— Olha só o que me aconteceu! — disse eu em fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
— Já lhe disse — repetiu minha irmã — que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/5889/medo-daeternidade. Acesso em: 6 jul. 2026.
Considerando a forma como a narrativa articula o episódio vivido e as sensações que ele desperta, a ideia central que se depreende do texto é a de que o(a)
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas