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Texto 2
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
- afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Futebol. In: Quando é dia de futebol. São
Paulo: Companhia das Letras, 2014.
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Leia a tirinha a seguir.

No texto, a articulação entre a linguagem verbal e a composição visual produz um efeito de sentido que se constrói progressivamente. Essa progressão discursiva evidencia que o texto
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Texto 1
O boleirês que domina o português
Talvez a maneira em que o futebol se expressa mais
intensamente no cotidiano do brasileiro, além de si mesmo, é
no vocabulário. E de uma maneira como quase ninguém
percebe, porque já se tornou corriqueiro. As expressões que
nasceram nos estádios foram incorporadas no linguajar comum.
Da crônica esportiva ou da própria conversa de arquibancada,
ganharam as ruas e os livros, em um conceito cultural muito
mais abrangente. A linguagem específica do futebol é fenômeno
estudado faz tempo. Por exemplo, o primeiro “Dicionário do
Futebol”, para explicar os verbetes tradicionais do boleirês,
surgiu quando o Uruguai sequer havia levantado a Jules Rimet
pela primeira vez: em 1929, escrito e organizado pelo jornalista
Haroldo Maranhão. Ao mesmo tempo, os dicionários comuns
adicionavam significados futebolísticos para tantas outras
palavras. “Chutar”, por exemplo. Mais do que o ato em si de
bater com o pé, se tornou sinônimo de arriscar ou dar um
palpite. O mesmo acontece com vários termos que, literalmente,
representam o que acontece dentro de campo, mas servem de
metáfora para vários assuntos da vida. É o caso de “show de
bola”, “suar a camisa”, “dar um chapéu”, “tirar de letra” e tantas
outras expressões que se tornaram corriqueiras além do
futebol. Demonstram a importância do esporte para a cultura. E
também tornam a língua mais rica e viva, adaptando-se com as
mudanças da sociedade. Dos 228,5 mil verbetes listados pelo
Dicionário Houaiss, 502 possuem a palavra “futebol” em suas
explicações. Número significativo da força do jogo sobre o
português, especialmente pelas variações que ganham
conforme a região do país. “O brasileiro é um povo que
expressa sua emoção de uma maneira muito espontânea, fato
que se reflete na linguagem”, escreve a pesquisadora Simone
Nejaim Ribeiro, autora da dissertação A Linguagem do Futebol:
estilo e produtividade lexical. “A linguagem especial do futebol
é bastante expressiva e, muitas vezes, ultrapassa a esfera das
narrações e dos textos referentes ao esporte. Isto se deve, entre
outras coisas, à grande paixão do brasileiro por ele”. Por mais
que as gírias exijam um conhecimento prévio sobre o assunto,
a popularidade do futebol facilita a compreensão pela maioria.
Disponível em: https://trivela.com.br/brasil/como-o-futebol-moldou-aidentidade-cultural-do-brasileiro/. Acesso em: 02 jul. 2026.
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Texto 1
O boleirês que domina o português
Talvez a maneira em que o futebol se expressa mais
intensamente no cotidiano do brasileiro, além de si mesmo, é
no vocabulário. E de uma maneira como quase ninguém
percebe, porque já se tornou corriqueiro. As expressões que
nasceram nos estádios foram incorporadas no linguajar comum.
Da crônica esportiva ou da própria conversa de arquibancada,
ganharam as ruas e os livros, em um conceito cultural muito
mais abrangente. A linguagem específica do futebol é fenômeno
estudado faz tempo. Por exemplo, o primeiro “Dicionário do
Futebol”, para explicar os verbetes tradicionais do boleirês,
surgiu quando o Uruguai sequer havia levantado a Jules Rimet
pela primeira vez: em 1929, escrito e organizado pelo jornalista
Haroldo Maranhão. Ao mesmo tempo, os dicionários comuns
adicionavam significados futebolísticos para tantas outras
palavras. “Chutar”, por exemplo. Mais do que o ato em si de
bater com o pé, se tornou sinônimo de arriscar ou dar um
palpite. O mesmo acontece com vários termos que, literalmente,
representam o que acontece dentro de campo, mas servem de
metáfora para vários assuntos da vida. É o caso de “show de
bola”, “suar a camisa”, “dar um chapéu”, “tirar de letra” e tantas
outras expressões que se tornaram corriqueiras além do
futebol. Demonstram a importância do esporte para a cultura. E
também tornam a língua mais rica e viva, adaptando-se com as
mudanças da sociedade. Dos 228,5 mil verbetes listados pelo
Dicionário Houaiss, 502 possuem a palavra “futebol” em suas
explicações. Número significativo da força do jogo sobre o
português, especialmente pelas variações que ganham
conforme a região do país. “O brasileiro é um povo que
expressa sua emoção de uma maneira muito espontânea, fato
que se reflete na linguagem”, escreve a pesquisadora Simone
Nejaim Ribeiro, autora da dissertação A Linguagem do Futebol:
estilo e produtividade lexical. “A linguagem especial do futebol
é bastante expressiva e, muitas vezes, ultrapassa a esfera das
narrações e dos textos referentes ao esporte. Isto se deve, entre
outras coisas, à grande paixão do brasileiro por ele”. Por mais
que as gírias exijam um conhecimento prévio sobre o assunto,
a popularidade do futebol facilita a compreensão pela maioria.
Disponível em: https://trivela.com.br/brasil/como-o-futebol-moldou-aidentidade-cultural-do-brasileiro/. Acesso em: 02 jul. 2026.
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Durante uma palestra, um participante afirmou que a Libras
possui uma única forma de utilização em todo o território
nacional, razão pela qual diferenças regionais deveriam ser
consideradas erros linguísticos. Sob a perspectiva da
Linguística, a análise dos aspectos estruturais e
sociolinguísticos da Libras indica que essa língua
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Texto 4
O fim do livro de papel
Só 122 livros. Era o que a Universidade de Cambridge
tinha em 1427. Eram manuscritos lindos, que valiam cada um o
preço de uma casa. Isso foi três décadas antes de a Bíblia de
Gutenberg chegar às ruas. Depois dela, os livros deixaram de
ser obras artesanais exclusivas de milionários e viraram o que
viraram. Graças a uma novidade: a prensa de tipos móveis, que
era capaz de fazer milhares de cópias no tempo que um monge
levava para terminar um manuscrito.
Foi uma revolução sem igual na história e blá, blá, blá.
Só que uma revolução que já acabou. Há 10 anos, pelo menos.
Quando a internet começou a crescer para valer, ficou claro que
ela passaria uma borracha na história do papel impresso e
começaria outra.
Mas aconteceu justamente o que ninguém esperava:
nada. A internet nunca arranhou o prestígio nem as vendas dos
livros. Muito pelo contrário. O segundo negócio on-line que mais
deu certo (depois do Google) é uma livraria, a Amazon. Se um
extraterrestre pousasse na Terra hoje, acharia que nada disso
faz sentido. Por que o livro não morreu? Como uma plataforma
que, se comparada à internet, é tão arcaica quanto folhas de
pergaminho ou tábuas de argila continua firme?
Você sabe por quê. Ler um livro inteiro no computador é
insuportável. A melhor tecnologia para uma leitura profunda e
demorada continua sendo tinta preta em papel branco. Tudo
embalado num pacote portátil e fácil de manusear. Igual à Bíblia
de Gutenberg. Isso sem falar em outro ingrediente: quem gosta
de ler sente um afeto físico pelos livros. Curte tocar neles, sentir
o fluxo das páginas, exibir a estante cheia. Uma relação de
fetiche. Amor até.
Mas esse amor só dura porque ainda não apareceu
nada melhor que um livro para a atividade de ler um livro. Se
aparecer… Se aparecer, não: quando aparecer. Depois do CD,
que já morreu, e do DVD, que está respirando com a ajuda de
aparelhos, o livro impresso é o próximo da lista.
VERSIGNASSI, Alexandre. O fim do livro de papel. Superinteressante, 23 mar.
2010. Disponível em: https://super.abril.com.br/tecnologia/o-fim-do-livro-depapel/. Acesso em: 06 jul. 2026.
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Texto 4
O fim do livro de papel
Só 122 livros. Era o que a Universidade de Cambridge
tinha em 1427. Eram manuscritos lindos, que valiam cada um o
preço de uma casa. Isso foi três décadas antes de a Bíblia de
Gutenberg chegar às ruas. Depois dela, os livros deixaram de
ser obras artesanais exclusivas de milionários e viraram o que
viraram. Graças a uma novidade: a prensa de tipos móveis, que
era capaz de fazer milhares de cópias no tempo que um monge
levava para terminar um manuscrito.
Foi uma revolução sem igual na história e blá, blá, blá.
Só que uma revolução que já acabou. Há 10 anos, pelo menos.
Quando a internet começou a crescer para valer, ficou claro que
ela passaria uma borracha na história do papel impresso e
começaria outra.
Mas aconteceu justamente o que ninguém esperava:
nada. A internet nunca arranhou o prestígio nem as vendas dos
livros. Muito pelo contrário. O segundo negócio on-line que mais
deu certo (depois do Google) é uma livraria, a Amazon. Se um
extraterrestre pousasse na Terra hoje, acharia que nada disso
faz sentido. Por que o livro não morreu? Como uma plataforma
que, se comparada à internet, é tão arcaica quanto folhas de
pergaminho ou tábuas de argila continua firme?
Você sabe por quê. Ler um livro inteiro no computador é
insuportável. A melhor tecnologia para uma leitura profunda e
demorada continua sendo tinta preta em papel branco. Tudo
embalado num pacote portátil e fácil de manusear. Igual à Bíblia
de Gutenberg. Isso sem falar em outro ingrediente: quem gosta
de ler sente um afeto físico pelos livros. Curte tocar neles, sentir
o fluxo das páginas, exibir a estante cheia. Uma relação de
fetiche. Amor até.
Mas esse amor só dura porque ainda não apareceu
nada melhor que um livro para a atividade de ler um livro. Se
aparecer… Se aparecer, não: quando aparecer. Depois do CD,
que já morreu, e do DVD, que está respirando com a ajuda de
aparelhos, o livro impresso é o próximo da lista.
VERSIGNASSI, Alexandre. O fim do livro de papel. Superinteressante, 23 mar.
2010. Disponível em: https://super.abril.com.br/tecnologia/o-fim-do-livro-depapel/. Acesso em: 06 jul. 2026.
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BECK, Alexandre. Armandinho. [Tirinha]. 2017. Disponível em:
https://www.facebook.com/tirasarmandinho/posts/2457406454304646.
Acesso em: 06 jul. 2026
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BECK, Alexandre. Armandinho. [Tirinha]. 2017. Disponível em:
https://www.facebook.com/tirasarmandinho/posts/2457406454304646.
Acesso em: 06 jul. 2026
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Texto 2
Tempo de sentir
Para escrever e, também, para ler, é preciso deixar de lado o
celular
É sempre interessante ouvir o que dizem os escritores
sobre seu processo criativo. Afinal, como as ideias se
transformam em um texto? Recentemente, Itamar Vieira Junior,
autor do premiado Torto Arado e de outras obras literárias,
disse que “o celular é o grande inimigo de quem escreve” e
acrescentou que, “no momento da escrita, todas as distrações
precisam ser eliminadas”. O conselho, à primeira vista, pode
parecer óbvio, mas, no fundo, é provocativo. Somos capazes
de deixar de lado o celular?
Não apenas a escrita depende de sossego e
concentração. Esses são requisitos também para uma boa
leitura. Como adentrar o universo de um romance sem deixar
de lado todo o resto? Às vezes, tenho a impressão de que muita
gente lê a crítica ou o resumo do livro, mas não vive a
experiência de sorver, uma a uma, as palavras e frases que
compõem o tecido literário. [...]
Para escrever e, também, para ler, é preciso um pouco
de solidão. Estar só é diferente de saber-se irremediavelmente
só e desamparado. Coisas distintas. Esse estar só, no entanto,
vai deixando de existir. Basta nos pegarmos sós que logo
alcançamos o celular para saber se alguém nos enviou
mensagem ou se, ao menos, publicou alguma novidade nas
redes sociais. Com milhares de “amigos”, o que não nos falta
são notícias.
No meio disso tudo, uma moça bonita ensina a usar o
delineador (como parece fácil!), um sujeito engraçado mostra
como limpar o ventilador, uma mocinha empoderada garante
que qualquer um pode trocar o seu varal de teto, depois vêm os
gatinhos, vídeos que já chegam com milhares de curtidas
(seremos apenas mais um a dar o “like” para as fofuras) e, de
repente tomamos conhecimento da morte do papa, de um bolo
envenenado que matou várias pessoas, de um novo remédio
para emagrecer – e isso sem falar nos anúncios, que se
imiscuem até no meio das notícias. [...]
Estamos presos a esse hábito coletivo. Queremos
informação rápida sobre uma infinidade de assuntos, alguns
importantes, outros não, e estamos sempre com pressa.
Quando diz que, para escrever, é preciso afastar o celular,
Itamar Vieira Junior mostra como é difícil o seu ofício nos dias
de hoje e, ao mesmo tempo, provoca o leitor: é preciso sair
dessa rotina do celular também para ler um bom livro. E livro é
livro, filme é filme, experiências diversas.
NICOLETI, Thaís. Tempo de sentir. Folha de São Paulo, 30 abr. 2025.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/thaisnicoleti/2025/04/tempo-de-sentir.shtml. Acesso em: 04 jul. 2026.
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