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4126734 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Para responder à questão, leia o trecho do romance O guarani, do escritor José de Alencar.

Tudo era água e céu. A inundação tinha coberto as margens do rio até onde a vista podia alcançar. A tempestade continuava ainda ao longo de toda a cordilheira, que aparecia coberta por um nevoeiro escuro; mas o céu, azul e límpido, sorria mirando-se no espelho das águas.d A cúpula da palmeira, em que se achavam Peri e Cecília, parecia uma ilha de verdura¹ banhando-se nas águas da corrente; as palmas² que se abriam formavam no centro um berço mimoso³a, onde os dois amigos, estreitando-se, pediam ao céu para ambos uma só morte, pois uma só era a sua vida.

— Podemos morrer, meu amigo! disse ela com uma expressão sublime.

Peri estremeceu; ainda nessa hora suprema seu espírito revoltava-se contra aquela ideia, e não podia conceber que a vida de sua senhora tivesse de perecer como a de um simples mortal.

— Não! exclamou ele. Tu não podes morrer.

A menina sorriu docemente.

— Olha! disse ela com a sua voz maviosa4, a água sobe, sobe...

— Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.

— Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus... É o seu poder infinito!

Então passou-se sobre esse vasto deserto de água e céu uma cena estupenda, heroica, sobre-humana.e Peri alucinado suspendeu-se aos cipós que se entrelaçavam pelos ramos das árvores já cobertas de água, e com esforço desesperado cingindo5 o tronco da palmeira nos seus braços hirtos6, abalou-o até as raízes. Luta terrível, espantosa: luta da vida contra a matéria; luta do homem contra a terra; luta da força contra a imobilidade. Ambos, árvore e homem, embalançaram-se no seio das águas: a haste oscilou; as raízes desprenderam-se da terra já minada profundamente pela torrente. Peri estava de novo sentado junto de sua senhora quase inanimada: e, tomando-a nos braços, disse-lhe com um acento de ventura suprema: — Tu viverás!...b

Cecília abriu os olhos, e vendo seu amigo junto dela, ouvindo ainda suas palavras, sentiu o enlevo que deve ser o gozo da vida eterna. Ela embebeu os olhos nos olhos de seu amigo, e lânguida7 reclinou a loura fronte. O hálito ardente de Peri bafejou-lhe a face. Fez-se no semblante da virgem um ninho de castos8 rubores e límpidos sorrisos:os lábios abriram como as asas purpúreas de um beijo soltando o vooc. A palmeira arrastada pela torrente impetuosa fugia... E sumiu-se no horizonte.

(José de Alencar. O guarani, 1999. Adaptado)

¹ ilha de verdura: ilha verde.
2 palmas: folhas da palmeira.
3 mimoso: gracioso.
4 maviosa: comovente.
5 cingindo: envolvendo fortemente.
6 hirtos: fortes.
7 lânguida: debilitada.
8 castos: inocentes, puros.

 

A descrição idealizada da figura feminina, traço recorrente da estética romântica, está bem exemplificada no seguinte trecho:

 

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4126727 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
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Parabolicamará

Gilberto Gil

 

Antes mundo era pequeno

Porque Terra era grande

Hoje mundo é muito grande

Porque Terra é pequena

Do tamanho da antena parabolicamará

Ê , volta do mundo, camará 1

Ê , ê , mundo dá volta, camará

Antes longe era distante

Perto, só quando dava

Quando muito, ali defronte

E o horizonte acabava

Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro 2 leva uma encarnação

Pela onda luminosa

Leva o tempo de um raio

Tempo que levava Rosa

Pra aprumar o balaio

Quando sentia que o balaio ia escorregar

 

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

Esse tempo nunca passa

Não é de ontem nem de hoje

Mora no som da cabaça

Nem tá preso nem foge

No instante que tange o berimbau, meu camará

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo da volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro leva uma encarnação

De avião, o tempo de uma saudade

Esse tempo não tem rédea

Vem nas asas do vento

O momento da tragédia

Chico, Ferreira e Bento

Só souberam na hora do destino apresentar

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

 

Glossário:

1 forma reduzida como os jogadores de capoeira, luta-dança afrobrasileira, usam se chamar, enquanto dançam e cantam.

2 embarcação de pouco fundo e boca larga, um a dois mastros, usada para transporte de pessoal e carga ou para pescar.

 

FONTE: GIL, Gilberto. Parabolicamara.1992. Disponível em: https://gilbertogil.com.br/noticias/producoes/detalhes/parabolicamara/

 

Na canção, o tempo é concebido sob diversas perspectivas. Em quais versos nota-se a representação de tempo como metáfora para rapidez?

 

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4126726 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
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Parabolicamará

Gilberto Gil

 

Antes mundo era pequeno

Porque Terra era grande

Hoje mundo é muito grande

Porque Terra é pequena

Do tamanho da antena parabolicamará

Ê , volta do mundo, camará 1

Ê , ê , mundo dá volta, camará

Antes longe era distante

Perto, só quando dava

Quando muito, ali defronte

E o horizonte acabava

Hoje lá trás dos montes, den de casa, camará

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro 2 leva uma encarnação

Pela onda luminosa

Leva o tempo de um raio

Tempo que levava Rosa

Pra aprumar o balaio

Quando sentia que o balaio ia escorregar

 

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

Esse tempo nunca passa

Não é de ontem nem de hoje

Mora no som da cabaça

Nem tá preso nem foge

No instante que tange o berimbau, meu camará

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo da volta, camará

De jangada leva uma eternidade

De saveiro leva uma encarnação

De avião, o tempo de uma saudade

Esse tempo não tem rédea

Vem nas asas do vento

O momento da tragédia

Chico, Ferreira e Bento

Só souberam na hora do destino apresentar

Ê , volta do mundo, camará

Ê , ê , mundo dá volta, camará

 

Glossário:

1 forma reduzida como os jogadores de capoeira, luta-dança afrobrasileira, usam se chamar, enquanto dançam e cantam.

2 embarcação de pouco fundo e boca larga, um a dois mastros, usada para transporte de pessoal e carga ou para pescar.

 

FONTE: GIL, Gilberto. Parabolicamara.1992. Disponível em: https://gilbertogil.com.br/noticias/producoes/detalhes/parabolicamara/

 

Sabendo que a autoria e publicação da canção se deu no início da década de 1990, considere as assertivas, que expressam leituras a partir da letra. Em seguida, assinale a alternativa CORRETA.

 

I. Os cinco primeiros versos evidenciam os impactos da globalização na organização do espaço geográfico mundial.

 

II. Como crítica social, a letra aponta para a desvalorização da cultura regional, impactada pelo processo de globalização.

 

III. A evolução dos meios de comunicação alterou a percepção espaço-temporal, reduzindo as distâncias e aumentando a velocidade e a fluidez das informações.

 

IV. A metáfora da antena parabólica representa a integração de diversas regiões do globo, atuando na diminuição das distâncias, o que tornou a Terra pequena.

 

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4126725 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
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“Encarnando o espírito de resignação do eterno amor feminino, despedem-se primeiro duas mulheres: uma mãe e uma esposa, que sofrem com a ausência antecipada dos entes queridos. Elas simbolizam os sentimentos íntimos das famílias dos navegantes, o aspecto emocional do povo português. Criam a atmosfera de anseio e insegurança popular diante dos perigos da viagem. Representam a voz do sentimento, saída dos movimentos espontâneos do coração feminino. [...]As próprias montanhas se emocionam, enquanto a areia da praia se inunda com as lágrimas dos parentes.”

Fonte: TEIXEIRA, Ivan. Os Lusíadas: episódios. Cotia: Ateliê Editorial, 1999.

 

A análise acima se refere a um dos mais notáveis episódios da epopeia de Luís de Camões. Assinale o excerto que pertence a esse episódio.

 

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4126724 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
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NAVIO NEGREIRO

VI

 

Existe um povo que a bandeira empresta

P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...

E deixa-a transformar-se nessa festa

Em manto impuro de bacante fria!...

Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,

Que impudente na gávea tripudia?

Silêncio. Musa... chora, e chora tanto

Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

 

Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra

E as promessas divinas da esperança...

Tu que, da liberdade após a guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!...

 

Fonte: ALVES, Castro. O navio negreiro. In: Os Escravos. São Paulo: Martin Claret, 2003.

 

A respeito do poema e do estilo de Castro Alves, assinale a alternativa INCORRETA.

 

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3899712 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IDESG
Orgão: Pref. Nova Venécia-ES
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Macunaíma e Antropofagia apresentam elementos coincidentes dentro de uma mesma postura estética de nacionalismo crítico. Ambos incluem o Brasil numa realidade sul-americana e tropical; filiando-o ao Sol ou à Vei, ambos valorizam o primitivismo e o lazer. O Manifesto Antropófago é, contudo, um texto-programa e Macunaíma tem suas propostas estéticas integradas num todo ficcional. Mário de Andrade, sem estar vinculado à Antropofagia, faz na realidade um crivo crítico na assimilação de elementos, tão diversificados, que se adequariam à literatura e à realidade brasileira.”

(Fonte: LOPEZ, Telê Porto Ancona. Macunaíma: a margem e o texto. São Paulo: HUCITEC, Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo, 1974.)

A qual movimento literário brasileiro são associadas as obras de que tratam o trecho apresentado?
 

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3899711 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IDESG
Orgão: Pref. Nova Venécia-ES
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“O autor cede, pois, o lugar principal à escritura, ao texto, ou ainda, ao ‘escriptor’, que não é jamais senão um ‘sujeito’ no sentido gramatical ou linguístico, um ser de papel, não uma ‘pessoa’ no sentido paleológico, mas o sujeito da enunciação que não preexiste à sua enunciação, mas se produz com ela, aqui e agora. Donde se segue, ainda, que a escritura não pode ‘representar’, ‘pintar’ absolutamente nada anterior à sua enunciação, e que ela, tanto quanto a linguagem, não têm origem. [...] o leitor, e não o autor, é o lugar onde a unidade do texto se produz, no seu destino, não na sua origem; mas esse leitor não é mais pessoal que o autor recentemente demolido, e ele se identifica também a uma função: ele é ‘esse alguém que mantém reunidos, num único campo, todos os traços de que é constituída a escrita.’”

(Fonte: COMPAGNON, Antoine. O demônio da teoria: literatura e senso comum. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.)

Em matéria de teoria literária, a qual tema o excerto apresentado se refere?
 

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3899704 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IDESG
Orgão: Pref. Nova Venécia-ES
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Texto para a questão
   O dia 2 de abril de 1832 já findava quando o HMS (His Majesty’s Ship) Beagle aproximou-se da baía de Guanabara. O comandante britânico Robert FitzRoy (1805-1865) não quis aportar, preferiu esperar o amanhecer. “Permanecemos fundeados a noite passada, pois o capitão determinou que deveríamos ver o porto do Rio e sermos vistos em plena luz do dia. A vista é magnífica”, contou o tripulante Charles Robert Darwin (1809-1882) em carta à irmã Caroline.
  O jovem inglês de 23 anos, convidado a participar da expedição por seu interesse em história natural, ficou fascinado pela paisagem tropical que FitzRoy queria desfrutar na claridade da manhã – e à qual planejava se integrar. O chefe da expedição já sabia o quão impactante poderiam ser os cenários do país então recentemente emancipado de Portugal. Ele havia aportado em Salvador em 1832, primeira parada do Beagle no Brasil após a longa travessia do oceano, onde admirou “cada variação de verde potencializada pelo nascer do Sol e pelas sombras: todo esse charme aumentado por todas as torres das igrejas, pelos conventos e pelas paredes brancas sob as folhas de palmeiras”, como escreveu em sua narrativa da viagem.
   FitzRoy não pretendia guardar esses cenários apenas na memória e nos relatos de viagem. Para integrar a expedição de circum-navegação realizada entre 1831 e 1836, contratou um artista: o experiente viajante e talentoso pintor inglês Augustus Earle (1793-1838). Mas Earle ficou doente durante a passagem do Beagle pelo Uruguai, em 1833. Segundo anotações do diário de Darwin, ele sofria de reumatismo (faleceria cinco anos mais tarde, na Inglaterra, vítima de asma). Em novembro de 1833, o também inglês Conrad Martens (1801-1878) subiria a bordo do Beagle, em substituição a Earle. [...]
(Fonte: https://revistapesquisa.fapesp.br/deslumbre-e-horror-no-rio-do-seculo-xix/. Adaptado.)
Observando-se o contexto histórico de que trata o texto, pode-se afirmar que, em termos de literatura brasileira:
 

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3898230 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Abaré-eté
Orgão: Pref. São Gabriel Cachoeira-AM
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O Dia da Literatura Brasileira é comemorado anualmente em 1º de maio. A data é uma homenagem aos grandes escritores e às suas belíssimas obras, que passam por uma extensa e rica diversidade de escolas literárias, marcando cada período social e intelectual da história do Brasil.
O Dia da Literatura Brasileira é uma homenagem ao aniversário de um dos mais importantes autores da nossa Literatura, José de Alencar.
José de Alencar foi um dos principais escritores brasileiros e uma figura proeminente no movimento literário do:
 

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3898092 Ano: 2024
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Abaré-eté
Orgão: Pref. São Gabriel Cachoeira-AM
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Qual das seguintes peças é considerada uma das mais importantes tragédias gregas e foi escrita por Sófocles por volta de 429 a.C.?
 

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