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Texto 3
Lusofonia
Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada
no café, em frente da chávena do café, enquanto
alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este
poema sobre essa rapariga porque, no brasil, a palavra
rapariga não quer dizer o que ela diz em portugal. Então,
terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café,
a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga
que alisa os cabelos com a mão, num café de lisboa, não
fique estragada para sempre quando este poema atravessar
o atlântico para desembarcar no rio de janeiro. E isto tudo
sem pensar em áfrica, porque aí lá terei
de escrever sobre a moça do café, para
evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é
uma palavra que já me está a pôr com dores
de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria
era escrever um poema sobre a rapariga do
café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a
escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma rapariga se
pode sentar à mesa porque só servem cafés ao balcão.
rapariga: s.f., fem. de rapaz; mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.
JÚDICE, Nuno. Matéria do Poema. Lisboa: D. Quixote, 2008.
Texto 4
Procura da Poesia
[...]
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intacta.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito,
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
ANDRADE, C. Drummond de. Poesia 1930-62: de Alguma poesia a Lição das coisas. Edição crítica.
São Paulo: Cosac Naif, 2012.
Em uma de suas questões, o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM/2013 trouxe o poema de Nuno Júdice, cuja análise sugerida ao candidato recaía sobre o seu caráter metalinguístico. Além desse, outro aspecto importante acolhido pelo texto poético em questão, e que o aluno leitor do Ensino Médio também poderia analisar com o auxílio do professor, é a
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Além de Machado de Assis, Mario de Andrade, importante modernista na elaboração do programa da “Semana” de 1922, também estabelece diálogo com a música. O “Prefácio interessantíssimo” que Mario de Andrade elabora para “Pauliceia Desvairada” é exemplo de como o autor tem em seu horizonte não apenas a feitura da poesia, mas também a sua teorização e a sua recepção crítica. Para tanto, a música “ajuda-o a arrumar ideias sobre dois sistemas de compor: o melódico e o harmônico. [...] Temos aí, transpostos em termos de teoria musical, os princípios da colagem (ou montagem) que caracterizam a pintura de vanguarda da época. E, de fato, a elisão, a parataxe e as rupturas sintáticas passariam a ser os meios correntes na poesia moderna para exprimir o novo ambiente, objetivo e subjetivo, em que vive o homem da grande cidade, que anda de carro, ouve rádio, vê cinema, fala ao telefone, e está cada vez mais sujeito ao bombardeio da propaganda.”
(Alfredo Bosi, “História concisa da Literatura Brasileira”).
É correto afirmar, a partir da leitura de Bosi sobre “Pauliceia Desvairada”, que
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2480784
Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: EXATUS
Orgão: PM-RJ
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: EXATUS
Orgão: PM-RJ
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Enumere a característica simbolista mais evidente nos seguintes fragmentos:
1) Esmaiece na messe o rumor da quermesse...
– Não ouves este ai que esmaiece e esmorece?
É um noivo a quem fugiu a Flor dos olhos amenos,
E chora a sua morta, absorto, à flor dos fenos... (Eugênio de Castro)
2) Para as estrelas de cristais gelados
As ânsias e os desejos vão subindo,
Galgando azuis e siderais noivados
De nuvens brancas a amplidão vestindo.
(Cruz e Sousa, “Sederações”)
3) O ser que é ser e que jamais vacila
Nas guerras imortais entra sem susto,
Leva consigo este brasão augusto
Do grande amor, da grande fé tranquila.
(Cruz e Sousa, “Sorriso interior”)
4) Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar. (Alphonsus de
Guimarães, “Ismália”)
( ) Interesse pelas zonas profundas da mente (inconsciente e subconsciente) e Pela loucura: os simbolistas manifestavam interesse em explorar zonas da mente humana sobre as quais se conhecia muito pouco, como o sonho e a loucura.
( ) Desejo de transcendência e integração cósmica: em oposição aos limites do mundo físico e material, os simbolistas apreciam situações de viagem interior ou cósmica, integração com os astros, extravasamento e transcendência do mundo real.
( ) Misticismo, religiosidade: os simbolistas são espiritualistas, transcendentais e místicos, ligados tanto ao cristianismo quanto a outras formas de religião. Cruz e Sousa, por exemplo, escreveu poemas que expressam uma concepção particular de catolicismo.
( ) Prioriza a musicalidade: para conseguir aproximação da poesia com a música, os simbolistas lançaram mão de vários recursos como alteração e o eco.
Assinale a alternativa em que a sequência numérica está correta de cima para baixo:
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Texto I
Em geral, quando se comenta a literatura de José de Alencar esta é marcada por seu traço indianista (...) Discute-se apenas um certo artificialismo que há nas descrições que Alencar fez dos índios, e também a excessiva idealização de personagens como Peri, Iracema e Ubirajara. No entanto, o próprio escritor havia declarado em suas páginas sobre os povos indígenas que seu ideal era despir os índios daqueles traços grotescos que lhe haviam colocado os europeus em seus diários de viagens. Portanto, seu índio era um personagem de romance, belo, idealizado, forjado para ser símbolo de uma nacionalidade que estava em construção. Assim, sua beleza, força, heroísmo faz com que os índios sejam como os cavaleiros medievais, os quais não existiram no Brasil, por falta de uma Idade Média. De forma, que dentro do ideal de a América ser a renovadora do Velho Mundo, o índio figura nas obras de Alencar como o cavaleiro nobre das florestas.
(CÂNDIDO, Weslei Roberto. Revista Iluminart, Número 5, Agosto de 2010, disponível em http://www.cefetsp.br/edu/sertaozinho/revista/volumes_anteriores/volume1numero6/volumes_
anteriores/volume1numero5/iluminart.htm Acesso em: 28 fev. 2014.
Texto II
Em nossos dias, o neo-indianismo dos modernos de 1922 (precedido por meio século de etnografia sistemátic
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os churrascos são de marte
as saladas são de Vênus
me dizia uma amiga que os churrascos
cabem aos homens porque são feitos
fora de casa
às mulheres as alfaces
às alfaces as mulheres
que alguém se rebele e diga
pela imediata mudança de hábitos
assar uma carne no forno
seria um paliativo não seria uma solução
que suem as lindas na frente da churrasqueira
e que piquem eles as folhas verdes
FREITAS, Angélica. Um útero é do tamanho de um punho.
São Paulo: Cosac Naify, 2012, p. 76.
Dentre as características percebidas na poesia contemporânea brasileira a que mais se destaca nesse texto é a
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“[...] Não se havia de digerir, sobretudo, a surpreendente imparcialidade com que trata os personagens, rompendo a tensão dramática entre o Bem e o Mal por meio de nivelamento divertido de atos e caracteres. Pouco atraído pela pesquisa das raízes do comportamento, ou a dinâmica do espírito, atém-se à vida de relação: espreita palavras e atos, comparando-os com outros atos e palavras, e deixa ver ao leitor que, no fundo, uns valem os outros: nem bons, nem maus. Isso, porém, sem a amargura que os naturalistas denotarão em seguida, sem qualquer intuito mais profundo de análise. A equivalência do bem e do mal pode ser postulada em dois níveis principais; o das camadas subjacentes do ser ─ onde um Dostoiewski, ou um Machado de Assis vão pesquisar a semente das ações ─ e o da vida de relação, acessível à observação superficial e geralmente, em literatura, estudado por meio da ironia ou o desencantado cinismo dos que não visam o fundo dos problemas. Nesta posição se entronca o romance , e com ele .”
CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. Belo Horizonte -
Rio de Janeiro: Itatiaia, 1997, p.195.
Os termos que preenchem correta e respectivamente as lacunas são
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Texto I
“(...) Os federalistas (alcunhados de “maragatos”) depuseram as armas em 1895, conseguindo do governo a promessa de que seria revista a constituição, no sentido de que se impedisse a reeleição sucessiva do presidente do Estado (promessa que não se efetivou). Na etapa que se seguiu após a luta pelo poder entre as duas facções políticas (republicanos e federalistas), o PRR (Partido Republicano Rio-Grandense) consolidou o seu domínio. O final do conflito implicou tanto o fortalecimento da máquina política situacionista quanto à polarização partidária do Rio Grande do Sul”.
PESAVENTO, Sandra, in: História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre:
Mercado Aberto, 1997.
(adaptado)
Texto II
Sabe Moço
Sabe moço que no meio do alvoroço
Tive um lenço no pescoço que foi bandeira pra mim
E andei mil peleias em lutas brutas e feias
Desde o começo até o fim
Sabe moço depois das revoluções
Vi esbanjarem brasões prá caudilhos coronéis
Vi cintilarem anéis assinatura em papéis
Honrarias para heróis
É duro moço olhar agora prá história
E ver páginas de glórias e retratos de imortais
Sabe moço fui guerreiro como tantos
Que andaram nos quatro cantos
Sempre seguindo um clarim
E o que restou, ah sim
No peito em vez de medalhas
Cicatrizes de batalhas
Foi o que sobrou prá mim
Ah !... sim
No peito em vez de medalhas
Cicatrizes de batalhas
Foi o que sobrou prá mim
Disponível em: <http://www.cifraclub.com.br> Acesso em: 01. Mar. 2014.
Texto III
“Licurgo lança o olhar na direção da Intendência, que fica do outro lado da praça. Os maragatos tomaram conta dela e apossaram-se de todas as casas da cidade; mas nem assim podem dizer que são senhores de Santa Fé, pois só entram e saem do paço municipal pelas portas dos fundos, e não se atrevem a cruzar a praça nem as ruas que ficam ao alcance das balas do Sobrado. Licurgo suspira fundo, com um feroz sentimento de orgulho. De certo modo ele ainda governa Santa Fé! Maragato algum jamais botará o pé no Sobrado, nem como inimigo, nem como amigo; nem agora nem nunca!
VERISSIMO, Erico. O tempo e o Vento. 34. edição.
São Paulo: Globo, 2000.
Considerando as informações dos textos acima, analise as assertivas:
I. A Revolução Federalista, ocorrida entre os anos de 1892 e 1895 foi um conflito armado que dividiu parte da população do Rio Grande do Sul. Devido a sua importância história e cultural na formação da identidade do povo gaúcho, o escritor Erico Verissimo usa-a de fundo, entre outros tantos conflitos, para escrever o romance O Tempo e o Vento.
II. A letra da canção Sabe moço, dá voz à parte mais empobrecida dos combatentes dos conflitos armados ocorridos no Estado do Rio Grande do Sul, no século XIX, para os quais não sobravam dinheiro, favores ou terras, mas apenas cicatrizes e lembranças.
III. O personagem Licurgo Cambará (texto III) é neto do capitão Rodrigo Cambará, e tal qual o parente famoso não se furta de confrontar os inimigos. Tornou-se o líder dos chimangos de Santa Fé e cumpriu com sua palavra de que não permitiria que sua casa fosse tomada pelos maragatos.
Está(ão) correta(s) as afirmativas
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"Podemos pensar as obras literárias como linguagem com propriedades ou traços específicos e podemos pensar a literatura como o produto de convenções e um certo tipo de atenção. Nenhuma das duas perspectivas incorpora com sucesso a outra e devemos nos movimentar para lá e para cá entre uma e outra." (CULLER, 1999). Apesar de não poderem ser consideradas um traço definidor da literatura, algumas qualidades são importantes para se considerar um texto como literário, MENOS
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“Uma crítica que se queira integral deixará de ser unilateralmente sociológica, psicológica ou linguística, para utilizar livremente os elementos capazes de conduzirem a uma interpretação coerente. Mas nada impede que cada crítico ressalte o elemento da sua preferência, desde que o utilize como componente da estruturação da obra. E nós verificamos que o que a crítica moderna superou não foi a orientação sociológica, sempre possível e legítima, mas o sociologismo crítico, a tendência devoradora de tudo explicar por meio de fatores sociais.”
(CANDIDO, Antonio. Literatura e Sociedade. Publifolha, 2000, p.9)
Considerando as críticas literárias acerca de textos do cânone da literatura brasileira, pode ser considerado um exemplo típico de sociologismo crítico, a análise que apresente a seguinte afirmação:
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2288599
Ano: 2014
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFG
Orgão: Pref. Caldas Novas-GO
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFG
Orgão: Pref. Caldas Novas-GO
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Cláudio Manoel da Costa foi um poeta brasileiro que transitou do Barroco ao Arcadismo, deixando aos poucos os fundamentos de concepção da arte e da vida da Escolástica pelos preceitos do Iluminismo. Devido a isso, envolveuse em agremiações, as chamadas academias. Decorrente dos princípios regulares dessas agremiações Setecentista, o drama musicado O parnaso obsequioso é uma obra de ato acadêmico, porque
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