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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Embora, em muitos aspectos, a literatura de Clarice contraste com a de Guimarães Rosa, ela tem em comum com a dele a experimentação da linguagem, a eliminação da fronteira entre a prosa e a poesia, uma dimensão mística e metafísica, bem como características barrocas. O barroco de um é, porém, diametralmente oposto ao do outro: em Guimarães Rosa, há criação vocabular, exuberância linguística, muitas narrativas entrelaçadas; em Clarice, há economia de palavras e ausência de narrativa, a aproximação ao barroco ocorre, sobretudo, através da repetição, que realça um significado cada vez mais fugidio à medida que se tenta explicitá-lo. [...] A poesia em Guimarães Rosa está nos ritmos, nas rimas internas, nas onomatopeias, nas aliterações, no aspecto formal do texto e também na criação de significados através da junção inusitada de palavras. A de Clarice, na vertigem de sentido e no “movimento em círculo da palavra ao silêncio e do silêncio à palavra”, enquanto seus textos vão desvendando um território em direção ao nada ou então ao reinício.
J. Almino. De Machado a Clarice: a força da literatura. In: C.G. Mota. Viagem
incompleta: a experiência brasileira. São Paulo: SENAC, 2000, p. 72-3.
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.
Segundo o autor do texto, tanto a obra de Clarice Lispector quanto a de Guimarães Rosa apresentam características pré-modernistas, sobretudo no que se refere à utilização da linguagem literária.
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Nos versos de Adélia Prado, o eu poético revela-se
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ANTUNES, Arnaldo. Cromossomos. Disponível em: <http://www.arnaldoantunes.
com.br/upload/artes_1/173_g.gif>. Acesso em: 15 set. 2014.
A análise temática e estilística do poema concreto de Arnaldo Antunes, intitulado “Cromossomos”, permite considerar como correta a afirmação feita em
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB

Lembrou-se dos filhos, da mulher e da cachorra, que estavam lá em cima, debaixo de um juazeiro, com sede. Lembrou-se do preá morto. Encheu a cuia, ergueu-se, afastou-se, lento, para não derramar a água salobra. Subiu a ladeira. A aragem morna sacudia os xiquexiques e os mandacarus.
Graciliano Ramos. Vidas Secas. Rio de Janeiro: Record, 2003.
Tendo como referência a obra Vidas Secas, julgue o item a seguir.
A obra literária em questão, apesar de ser fictícia, apresenta características de temática social atual e preocupante, ligadas à seca, cujo cenário descrito apresenta a incessante luta que homens e animais travam para sobreviver.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB

Lembrou-se dos filhos, da mulher e da cachorra, que estavam lá em cima, debaixo de um juazeiro, com sede. Lembrou-se do preá morto. Encheu a cuia, ergueu-se, afastou-se, lento, para não derramar a água salobra. Subiu a ladeira. A aragem morna sacudia os xiquexiques e os mandacarus.
Graciliano Ramos. Vidas Secas. Rio de Janeiro: Record, 2003.
Tendo como referência a obra Vidas Secas, julgue o item a seguir.
Na obra modernista, a história de Fabiano e sua família é narrada em primeira pessoa.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: ESCS
Negros
Negros que escravizam
e vendem negros na África
não são meus irmãos.
Negros senhores na América
a serviço do capital
não são meus irmãos.
Negros opressores,
em qualquer parte do mundo,
não são meus irmãos.
Só os negros oprimidos,
escravizados,
em luta por liberdade,
são meus irmãos.
Para estes, tenho um poema grande como o Nilo.
Solano Trindade. O poeta do povo. São Paulo: Ediouro, 2008, p. 41
Nos projetos que o Modernismo brasileiro, como um movimento estético e também político, propôs, constava a ideia de que a literatura poderia ser uma ferramenta de inclusão. No poema Negros, de Solano Trindade, o trecho “não são meus irmãos”, presente em três estrofes, demonstra que o poeta rejeita não só essa proposta de inclusão, mas também
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: ESCS
Kehinde
O meu nome é Kehinde porque sou uma ibêji* e nasci por último. Minha irmã nasceu primeiro e por isso se chamava Taiwo. Antes tinha nascido meu irmão Kokumo, e o nome dele significava “não morrerás mais, os deuses te segurarão”. O Kokumo era um abiku**, como a minha mãe. O nome dela, Dúróorîîke, era o mesmo que “fica, tu serás mimada”. A minha avó Dúrójaiyé tinha esse nome porque também era uma abiku, e o nome dela pedia “fica para gozar a vida, nós imploramos”. Assim são os abikus, espíritos amigos há mais tempo do que qualquer um de nós pode contar, e que, antes de nascer, combinam entre si que logo voltarão a morrer para se encontrarem novamente no mundo dos espíritos. Alguns abikus tentam nascer na mesma família para permanecerem juntos, embora não se lembrem disso quando estão aqui no ayê, na terra, a não ser quando sabem que são abikus. Eles têm nomes especiais que tentam segurá-los vivos por mais tempo, o que às vezes funciona. Mas ninguém foge ao destino, a não ser que Ele queira, porque, quando Ele quer, até água fria é remédio.
* ibêji: assim são chamados os gêmeos, entre os povos iorubás.
** abiku: criança nascida para morrer
Ana Maria Gonçalves. Um defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2007
No fragmento do romance Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, narrado por uma mulher que vem escravizada para o Brasil no século XIX, a presença da multiculturalidade nas práticas das personagens, um dos legados da modernidade para a literatura brasileira contemporânea, é evidenciada
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: ESCS
O livro e a América
Talhado para as grandezas,
Pra crescer, criar, subir,
O Novo Mundo nos músculos
Sente a seiva do porvir.
— Estatuário de colossos —
Cansado doutros esboços
Disse um dia Jeová:
“Vai, Colombo, abre a cortina
Da minha eterna oficina...”
“Tira a América de lá”.
(...)
Por uma fatalidade
Dessas que descem de além,
O sec’lo que viu Colombo
Viu Guttenberg também.
Quando no tosco estaleiro
Da Alemanha o velho obreiro
A ave da imprensa gerou...
O Genovês salta os mares...
Busca um ninho entre os palmares
E a pátria da imprensa achou...
Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar.
Castro Alves. Espumas flutuantes. Cotia: Ateliê Editorial, 2005, p. 75.
Nos dois versos finais do fragmento apresentado, as metáforas construídas em orações paralelas expressam a ideia de que
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: ESCS
O livro e a América
Talhado para as grandezas,
Pra crescer, criar, subir,
O Novo Mundo nos músculos
Sente a seiva do porvir.
— Estatuário de colossos —
Cansado doutros esboços
Disse um dia Jeová:
“Vai, Colombo, abre a cortina
Da minha eterna oficina...”
“Tira a América de lá”.
(...)
Por uma fatalidade
Dessas que descem de além,
O sec’lo que viu Colombo
Viu Guttenberg também.
Quando no tosco estaleiro
Da Alemanha o velho obreiro
A ave da imprensa gerou...
O Genovês salta os mares...
Busca um ninho entre os palmares
E a pátria da imprensa achou...
Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar.
Castro Alves. Espumas flutuantes. Cotia: Ateliê Editorial, 2005, p. 75.
No fragmento do poema O livro e a América, de Castro Alves, a América é apresentada como espaço de
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