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Leia o texto e responda à questão.
FIM DE PAPO
Na milésima segunda noite,
Sherazade degolou o sultão.
(SECCHIN, Antônio Carlos. Fim de papo. In: FREIRE, Marcelino (Org.). Os cem menores contos brasileiros do século. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004.)
Considere as afirmações relacionadas ao texto:
I) A concisão explorada no texto conduz o leitor à realização de inferências com a ajuda das referências intertextuais para fazer emergir o que está elíptico na narrativa. II) A narrativa apresenta tensão e sugere um desfecho distinto em relação ao texto preexistente, uma vez que a fonte do sentido é resultante da formação discursiva a que o enunciado pertence. III) Nesse tipo de ficção há ausência de narratividade, prevalecendo a descrição da cena, no entanto o autor explora outras possibilidades de construção textual de sentido. IV) A narrativa estabelece um diálogo intertextual realizado a partir de elementos fornecidos na superfície textual que aludem a um texto preexistente na tradição literária.Assinale a alternativa que contém as afirmativas CORRETAS:
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No trecho abaixo de O cortiço, de Aluísio Azevedo, o capoeirista Firmo e o português
Jerônimo disputam a atenção da mulata Rita Baiana.
“A noite chegou muito bonita, com um belo luar de lua cheia, que começou ainda com o
crepúsculo; e o samba rompeu mais forte e mais cedo que de costume, incitado pela grande
animação que havia em casa do Miranda.
Foi um forrobodó valente. A Rita Baiana essa noite estava de veia para a coisa; estava inspirada!
divina! Nunca dançara com tanta graça e tamanha lubricidade!
Também cantou. E cada verso que vinha da sua boca de mulata era um arrulhar choroso de
pomba no cio. E o Firmo, bêbedo de volúpia, enroscava-se todo ao violão; e o violão e ele gemiam
com o mesmo gosto, grunhindo, ganindo, miando, com todas as vozes de bichos sensuais, num
desespero de luxúria que penetrava até ao tutano como línguas finíssimas de cobra.
Jerônimo não pôde conter-se: no momento em que a baiana, ofegante de cansaço, caiu exausta,
assentando-se ao lado dele, o português segredou-lhe com a voz estrangulada de paixão:
- Meu bem! se você quiser estar comigo, dou uma perna ao demo! […]
Jerônimo era alto, espadaúdo, construção de touro, pescoço de Hércules, punho de quebrar
um coco com um murro: era a força tranquila, o pulso de chumbo. O outro – franzino, um
palmo mais baixo que o português, pernas e braços secos, agilidade de maracajá: era a força
nervosa; era o arrebatamento que tudo desbarata no sobressalto do primeiro instante. Um, sólido
e resistente; o outro, ligeiro e destemido, mas ambos corajosos.”
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Segundo Bosi (2013), “na esteira do Camões épico e das epopeias menores dos fins do século
XVI, o poemeto em oitavas heroicas publicado em 1601 pode ser considerado um primeiro e
canhestro exemplo de maneirismo nas letras da colônia”. Considerando a literatura barroca no
Brasil, tal excerto se refere a:
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Leia o poema e responda à questão.
SAUDADES DO ESCRAVO
Escravo – não, não morri
Nos ferros da escravidão;
Lá nos palmares vivi,
Tenho livre o coração!
Nas minhas carnes rasgadas,
Nas faces ensaguentadas
Sinto as torturas de cá;
Deste corpo desgraçado
Meu espírito soltado
Não partiu – ficou-me lá!...
Naquelas quentes areias
Naquela terra de fogo,
Onde livre de cadeias
Eu corria em desafogo...
Lá nos confins do horizonte...
Lá nas alturas do céu...
De sobre a mata florida
Esta minh’alma perdida
Não veio – só parti eu.
A liberdade que eu tive
Por escravo não perdi-a;
Minh’alma que lá só vive
Tornou-me a face sombria,
O zunir do fero açoite
Por estas sombras da noite
Não chega, não, aos palmares!
Lá tenho terras e flores...
Nuvens e céus... os meus lares!
[...]
Escravo – não, ainda vivo,
Inda espero a morte ali;
Sou livre embora cativo,
Sou livre, inda não morri!
Meu coração bate ainda
Nesse bater que não finda;
Sou homem – Deus o dirá!
Deste corpo desgraçãdo
Meu espírito soltado
Não partiu – ficou-me lá!
São Paulo, 1850.
(GAMA, Luiz. Primeiras trovas burlescas e outros poemas.
Edição preparada por Lígia Fonseca Ferreira. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p. 162-164. Fragmento.)
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Leia as seguintes sentenças:
I) Em Caramuru (1781), de Tomás Antônio Gonzaga, o índio é matéria prima para exemplificar
certos padrões ideológicos. Voltada, contudo, para o passado jesuítico e colonial e em aberta
polêmica com o século das luzes, será uma corrente oposta à de Basílio da Gama.
II) Cláudio Manuel da Costa, ainda adolescente, estreou como cultista em Coimbra, de onde
partiria para Minas, em 1753, antes portanto da Fundação da Arcádia Lusitana. Munúsculo
Métrico e Labirinto do Amor são exemplos de obras que escreveu entre 1751 e 1753.
III) Uraguai (1769) é um poemeto épico de Basílio da Gama que tenta conciliar a louvação de
Marquês de Pombal e o heroísmo do indígena; e o jeito foi fazer recair sobre o jesuíta a pecha de
vilão, inimigo de um, enganador do outro.
Analisando a veracidade das informações a partir do que registra Bosi (2013), é CORRETO afirmar que:
Analisando a veracidade das informações a partir do que registra Bosi (2013), é CORRETO afirmar que:
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Leia o texto abaixo e responda à questão.
DINHEIRO
Oh! argent! Avec toi on est beau, jeune,
adoré; on a considération, honneurs, qualités, vertus.
Quand on n’a point d’argent on est dans la dépendance
de toutes choses et de tout le monde.
Chateaubriand
Sem ele não há cova! quem enterra
A
ssim grátis, a Deo? O batizado
Também custa dinheiro. Quem namora
Sem pagar as pratinhas ao Mercúrio?
Demais, as Danáes também o adoram...
Quem imprime seus versos, quem passeia,
Quem sobe a deputado, até ministro,
Quem é mesmo eleitor, embora sábio,
Embora gênio, talentosa fronte,
Alma romana, se não tem dinheiro?
Fora a canalha de vazios bolsos!
O mundo é para todos... Certamente
Assim o disse Deus, mas esse texto
Explica-se melhor e d’outro modo...
Houve um erro de imprensa no Evangelho:
O mundo é um festim, concordo nisso,
Mas não entra ninguém sem ter as louras.
(AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. São Paulo: Ateliê Editorial, 1999. p. 292-293.)
I) Observa-se no poema um traço marcante da poesia de Álvares de Azevedo, o efeito irônico que contrapõe o sublime ao prosaico ao explorar o tema. II) Percebe-se que valores ideais tradicionais como o sentido da vida e o amor são postos em confronto com a necessidade real e cotidiana. III) O sarcasmo com que o poeta trata o tema constitui-se em uma forma de fuga e de egoísmo que se difere de outros poemas presentes na obra Lira dos vinte anos. IV) O poema em questão consta na obra Lira dos vinte anos e apresenta traços de ironia e do forte engajamento social, comum à poesia ultrarromântica.
Assinale a alternativa que contém as afirmativas CORRETAS.
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Leia o poema e responda à questão.
SAUDADES DO ESCRAVO
Escravo – não, não morri
Nos ferros da escravidão;
Lá nos palmares vivi,
Tenho livre o coração!
Nas minhas carnes rasgadas,
Nas faces ensaguentadas
Sinto as torturas de cá;
Deste corpo desgraçado
Meu espírito soltado
Não partiu – ficou-me lá!...
Naquelas quentes areias
Naquela terra de fogo,
Onde livre de cadeias
Eu corria em desafogo...
Lá nos confins do horizonte...
Lá nas alturas do céu...
De sobre a mata florida
Esta minh’alma perdida
Não veio – só parti eu.
A liberdade que eu tive
Por escravo não perdi-a;
Minh’alma que lá só vive
Tornou-me a face sombria,
O zunir do fero açoite
Por estas sombras da noite
Não chega, não, aos palmares!
Lá tenho terras e flores...
Nuvens e céus... os meus lares!
[...]
Escravo – não, ainda vivo,
Inda espero a morte ali;
Sou livre embora cativo,
Sou livre, inda não morri!
Meu coração bate ainda
Nesse bater que não finda;
Sou homem – Deus o dirá!
Deste corpo desgraçãdo
Meu espírito soltado
Não partiu – ficou-me lá!
São Paulo, 1850.
(GAMA, Luiz. Primeiras trovas burlescas e outros poemas.
Edição preparada por Lígia Fonseca Ferreira. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p. 162-164. Fragmento.)
I) Percebe-se um distanciamento do subjetivismo próprio das produções literárias da época e um realismo crítico voltado para injustiças da sociedade imperial, por se desejar a participação do negro no projeto de identidade nacional. II) Percebe-se a busca por deleites poéticos semelhantes às produções de escritores contemporâneos ao revelar em sua temática a condição desgraçada e inferiorizada dos escravos africanos e seus descendentes no Brasil até 1888. III) Essa obra foi escrita no período em que o negro-escravo desponta como tema na poesia e apresenta consciência negro-rebelde, inserindo-se no bojo de produções posteriores em que emerge uma posição de resistência e luta por afirmação e reconhecimento social dos africanos e seus descendentes no país. IV) É possível notar que o poema apresenta uma oposição entre um “lá” e um “cá”, num diálogo intertextual que evoca no contexto o lugar da liberdade e o lugar da escravidão, respectivamente.
Estão CORRETAS as afirmativas:
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Para responder à questão , considere os dois poemas de Oswald de Andrade e o
excerto do livro Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre.
PRONOMINAIS
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
(ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil.
São Paulo: Globo, 1991.)
BRASIL
Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
— Sois cristão?
— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da
Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
— Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval!
(ANDRADE, Oswald de. Primeiro caderno do aluno de
poesia Oswald de Andrade. São Paulo: Globo, 1994.)
ABRASILEIRAMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL
DOS PRIMEIROS TEMPOS
“A ama negra fez muitas vezes com as palavras o mesmo que a comida: machucou-as, tirou-lhes
as espinhas, os ossos, as durezas, só deixando para a boca do menino branco as sílabas moles.
Daí esse português de menino que no Norte do Brasil, principalmente, é uma das falas mais
doces deste mundo. Sem rr nem ss; as sílabas finais moles; palavras que só faltam desmanchar-se
na boca da gente. A linguagem infantil brasileira, e mesmo a portuguesa, tem um sabor quase
africano: cacá, pipi, bumbum, nenen, tatá, lili […]
Esse amolecimento se deu em grande parte pela ação da ama negra junto à criança; do escravo
preto junto ao filho do senhor branco. E não só a língua infantil se abrandou desse jeito, mas
a linguagem em geral, a fala séria, solene, da gente, toda ela sofreu no Brasil, ao contacto do
senhor com o escravo, um amolecimento de resultados às vezes deliciosos para o ouvido. Efeitos
semelhantes aos que sofreram o inglês e o francês noutras partes da América, sob a mesma
influência do africano e do clima quente.”
(Freyre, Gilberto. "Casa-Grande & Senzala". 9. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958.)
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“Em toda sua poesia o achincalhe e a denúncia encorpam-se e movem-se à força de jogos
sonoros, de rimas burlescas, de uma sintaxe apertada e ardida, de um léxico incisivo, quando não
retalhante”. O excerto de Bosi (2013) aborda sobre:
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Leia o texto abaixo e responda à questão.
CRISTAIS
Mais claro e fino do que as finas pratas
O som da tua voz deliciava...
Na dolência velada das sonatas
Como um perfume a tudo perfumava.
Era um som feito luz, eram volatas
Em lânguida espiral que iluminava,
Brancas sonoridades de cascatas...
Tanta harmonia melancolizava.
Filtros sutis de melodias, de ondas
De cantos volutuosos como rondas
De silfos leves, sensuais, lascivos...
Como que anseios invisíveis, mudos,
Da brancura das sedas e veludos,
Das virgindades, dos pudores vivos.
(CRUZ E SOUZA. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 1995. p. 86.)
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