Foram encontradas 5.028 questões.
O mato do Mutúm é um enorme mundo preto, que nasce dos buracões e sobe a serra. O guará-lobo trota a vago no campo. As pessôas mais velhas são inimigas dos meninos. Soltam e estumam cachorros, para ir matar os bichinhos assustados — o tatú que se agarra no chão dando guinchos suplicantes, os macacos que fazem artes, o coelho que mesmo até quando dorme todo-tempo sonha que está sendo perseguido. O tatú levanta as mãozinhas cruzadas, ele não sabe — e os cachorros estão rasgando o sangue dele, e ele pega a sororocar. O tamanduá. Tamanduá passeia no cerrado, na beira do capoeirão. Ele conhece as árvores, abraça as árvores. Nenhum nem pode rezar, triste é o gemido deles campeando socôrro. Todo choro suplicando por socôrro é feito para Nossa Senhora, como quem diz a salve-rainha. Tem uma Nossa Senhora velhinha. Os homens, pé-ante-pé, indo a peitavento, cercaram o casal de tamanduás, encantoados contra o barranco, o casal de tamanduás estavam dormindo. Os homens empurraram com a vara de ferrão, com pancada bruta, o tamanduá que se acordava. Deu som surdo, no corpo do bicho, quando bateram, o tamanduá caiu pra lá, como um colchão velho.
ROSA, G. Noites do sertão (Corpo de baile).
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.
Na obra de Guimarães Rosa, destaca-se o aspecto afetivo no contorno da paisagem dos sertões mineiros. Nesse fragmento, o narrador empresta à cena uma expressividade apoiada na
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A
Esbraseia o Ocidente na agonia
O sol... Aves em bandos destacados,
Por céus de ouro e púrpura raiados,
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...
Delineiam-se além da serrania
Os vértices de chamas aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia.
Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua.
A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.
CORRÊA, R. Disponível em: www.brasiliana.usp.br.
Acesso em: 13 ago. 2017.
Composição de formato fixo, o soneto tornou-se um modelo particularmente ajustado à poesia parnasiana. No poema de Raimundo Corrêa, remete(m) a essa estética
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Essa lua enlutada, esse desassossego
A convulsão de dentro, ilharga
Dentro da solidão, corpo morrendo
Tudo isso te devo. E eram tão vastas
As coisas planejadas, navios,
Muralhas de marfim, palavras largas
Consentimento sempre. E seria dezembro.
Um cavalo de jade sob as águas
Dupla transparência, fio suspenso
Todas essas coisas na ponta dos teus dedos
E tudo se desfez no pórtico do tempo
Em lívido silêncio. Umas manhãs de vidro
Vento, a alma esvaziada, um sol que não vejo
Também isso te devo.
HILST, H. Júbilo, memória, noviciado da paixão.
São Paulo: Cia. das Letras, 2018.
No poema, o eu lírico faz um inventário de estados passados espelhados no presente. Nesse processo, aflora o
Provas
Questão presente nas seguintes provas
1375560
Ano: 2019
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: FADIP
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: FADIP
Provas:
Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e Mário de Andrade compõem a tríade da primeira fase modernista da literatura no Brasil. O trecho a seguir é uma das contribuições de Manuel Bandeira de um de seus poemas mais conhecidos.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água.
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada.
(Estrela da vida inteira.)
Acerca do trecho apresentado pode-se afirmar que:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
1368254
Ano: 2019
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: GUALIMP
Orgão: Pref. Quissamã-RJ
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: GUALIMP
Orgão: Pref. Quissamã-RJ
Provas:
Leia um dos poemas mais conhecidos de Carlos Drummond de Andrade e responda a questão.

“No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.”
O poema acima pertence à seguinte fase do Modernismo:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
1354490
Ano: 2019
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Vinhedo-SP
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: IBFC
Orgão: Pref. Vinhedo-SP
Leia a afirmação abaixo, sobre Literatura:
“Nem todos os povos e culturas chegaram a ter domínio da _______. Apesar disto, praticamente todos eles tiveram algum tipo de manifestação literária. Literatura é ________, é a arte da ________. Conhecê-la equivale a compreender um pouco da nossa própria história e de nossa condição humana.” (Cereja e Magalhães, 2005, p.18). Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Na novela Campo geral (ou Miguilim), João Guimarães Ros a apura as seguintes qualidades de sua poética:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
1319625
Ano: 2019
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: CIAS-MG
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: CIAS-MG
Provas:
Publicado em 1844, o romance tornou-se o introdutor da ficção romântica em nossa literatura, foi a
origem de várias obras congêneres que acabaram influenciando autores como José de Alencar, Bernardo
Guimarães, Visconde de Taunay e outros. Foi o primeiro romance urbano da Literatura Brasileira.
O enredo tem um grupo de estudantes de Medicina, formado por Augusto, Leopoldo, Fabrício e Felipe; eles
resolvem passar um fim de semana na ilha de..., onde mora Felipe. Augusto afirmava que jamais se
apaixonaria e resistiria a qualquer namoro duradouro. Então, Felipe aposta com ele: se acontecesse de
Augusto namorar alguém durante quinze dias, ou mais, seria obrigado a escrever um romance contando tal
fato.
Na ilha, aos poucos, Augusto fica encantado por Carolina, irmã de Felipe. Entretanto, o moço tem juramento
feito a uma menina que conhecera aos treze anos; resolvido o conflito, já que Carolina era a mesma a quem
Augusto jurara eterna fidelidade, o amor se concretiza favoravelmente.
Tal comentário refere-se ao romance:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
1319624
Ano: 2019
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: CIAS-MG
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: CIAS-MG
Provas:
O romance conta a história de Eugênio, filho de um alfaiate pobre, que quer subir na vida. Formado em
Medicina, sente a sua condição de ter vindo de uma classe social humilde. É inseguro, conhece Olívia, são
dois médicos que sofrem as angústias do mundo moderno. Olívia lhe dá uma filha e, quando ela morre, a
filha perpetua a presença da mulher amada, para Eugênio. A história tem duas partes: na primeira,
acontece o cruzamento de dois níveis temporais, o presente (Eugênio dentro do carro em direção ao
hospital) e o passado (sua infância, seus traumas, o conhecimento de Olívia, o casamento com Eunice, a
frustração, o sentimento de se ter vendido para vencer); a segunda parte desenvolve-se de maneira mais
linear, embora o passado se misture ao presente, através das cartas de Olívia e pela presença da filha.
Nessa narrativa de vários planos temporais, é evidente uma crítica à sociedade fútil e vazia, ao acúmulo de
riquezas e à consequente hipocrisia das relações sociais. Nesse mundo em crise, a voz de Olívia
representaria a mensagem do próprio autor, simbolizada na metáfora do título. Uma mensagem de
otimismo, de confiança, que Eugênio só compreenderá no final.
É significativo que o herói do romance, Eugênio, seja um médico. O médico tornou-se na sociedade atual,
o intermediário entre a ciência, a técnica e o sentimento humanitário. Pensando primeiro em si mesmo,
egoisticamente, Eugênio evolui para a solidariedade, através das colocações de Olívia, que mesmo depois
de morta é uma personagem presente no romance, fazendo contraponto com Eugênio.
Tal comentário refere-se à obra:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
1319602
Ano: 2019
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Pitangueiras-SP
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Pitangueiras-SP
“Mais tarde tive notícias dele. Mandava-me dizer que lá
me esperava. Sim, Barão!... Hei de voltar, um dia. E
havemos de tornar a perder-nos pelos caminhos sombrios
do nosso sonho e da nossa loucura; e mais uma vez
havemos de cantar às estrelas, e dar a vida para ires depor
outro botão de rosa na alta janela na tua Bela
Adormecida!...” O trecho exposto de “O barão”, de
Branquinho da Fonseca, atesta a constituição de uma
narrativa na qual, conforme o crítico literário Massaud
Moisés (2008), em “A literatura portuguesa”, “fundindo o
real e o ideal, o universo das formas sensíveis com o das
formas intuíveis, o escritor cria um surrealismo poético, que
emana da própria sondagem no interior das realidades
palpáveis”. Por tais características estilísticas e pela
influência da própria época de suas produções ficcionais, o
autor vincula-se ao movimento artístico-literário português
que levou o nome de:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container