“Hoje estamos nessa situação terrível em que a sorte da
França deixou de depender dos franceses. Depois que as armas
que não empunhamos com a necessária firmeza caíram de nossas
mãos, o futuro de nosso país e de nossa civilização constitui
exatamente o que está em jogo nesta luta, na qual não somos, na
maioria, mais do que espectadores um pouco humilhados.”
BLOCH, Marc. A Estranha Derrota. Zahar Editora. Rio de Janeiro. 2011. p. 156.
“A Guerra Civil Espanhola tem sido considerada a última
guerra romântica e a última grande causa da humanidade. E
não é só pela participação apaixonada do povo espanhol, mas
também porque homens de, pelo menos, 53 nações abandonaram
espontaneamente suas casas para lutar ao lado dos republicanos,
formando as Brigadas Internacionais. (...)
Nos primeiros dias, todos achavam que a guerra duraria pouco
tempo – até o final de agosto ou no máximo até setembro de 1936.
A dimensão das forças em confronto e a interferência estrangeira,
contudo, provocaram o prolongamento da luta, obrigando a
população civil a conviver com a realidade dos bombardeios e
das batalhas.”
MEIHY, José Carlos Sebe; FILHO, Cláudio Bertolli. A Guerra Civil Espanhola. Ática.
SP. 1996, p. 27 e 51.
Considerando-se os conhecimentos que se têm acerca da
Guerra Civil Espanhola, pode-se expor que:
A humanidade já vivenciou ao longo do tempo, pelo menos,
três grandes pandemias que marcaram profundamente a história,
e deixaram um enorme rastro de mortes: a Peste Negra, a Gripe
Espanhola e, mais recentemente, a Pandemia provocada pelo
Coronavírus, declarada pela OMS (Organização Mundial da
Saúde), no ano de 2020.
Policiais londrinos protegendo-se da Gripe Espanhola.
A Gripe Espanhola foi responsável pela morte de mais de 50
milhões de pessoas em vários países europeus e não europeus.
No Brasil, essa pandemia vitimou mais de 35 mil pessoas.
Sobre o contexto histórico que assinalou tal pandemia, pode-se
inferir que ela ocorreu como:
“A corrida do ouro desencadeou efeitos perversos. Primeiro,
a transferência de escravos negros das lavouras de açúcar e
tabaco para a mineração provocou o temor da ‘ruína total’ da
economia colonial. Lavouras perdidas e engenhos de fogo morto
foram o saldo deste êxodo em muitas regiões. A seguir, temeu-se
que nações estrangeiras viessem lutar por seu quinhão de ouro. E
Portugal, conseguiria resistir a tais assaltos? E, por fim, como lidar
com a reunião de facínoras, gente rebelde que poderia reunir-se
aos estrangeiros?”
PRIORE, Mary Del. Histórias da Gente Brasileira. Volume 1. Colônia. Leya, Editora
Casa dos Mundos. 2019. p. 108.
O fragmento de texto relata um pouco acerca dos primeiros
momentos vividos na região mineradora, ainda no final do século
XVII e início do XVIII. A autora também questiona sobre os
desafios a serem enfrentados pela Coroa portuguesa, haja vista a
necessidade de evitar a evasão das riquezas minerais.
A partir dessas considerações, pode-seassinalar, respectivamente,
como outra característica dessa época na região aurífera, assim
como medidas tomadas pelo governo português o/a:
A primeira fase do longo processo revolucionário francês
(1789 – 1792) foi marcada pelo agravamento da crise econômica
e pela insegurança diante das derrotas militares, além da oposição
entre a Assembleia e o Rei, quando foram vetadas as medidas de
emergência no dia 10 de agosto de 1792, após uma insurreição
popular. Como resultado desse enfrentamento, o rei Luís XVI foi
preso e a Assembleia dissolvida.
Concluída a primeira fase, a Revolução ingressou em sua fase
mais radical, também conhecida como Era das Antecipações
(1792-1794).
Como características e práticas dessa fase revolucionária que
se iniciava, pode-se destacar o/a:
A reação da Coroa portuguesa contra os poderes locais, que
se encontravam nas mãos das aristocracias rurais e escravistas,
ocorreu a partir de meados do século XVII, com o aumento do
controle metropolitano sobre a Colônia, como se pode aferir a
partir da fala de D. João IV, então rei de Portugal:
“(...) pelo estado em que se acham as coisas da Índia, do Brasil,
de Angola e demais conquistas do reino, e pelo muito que importa
conservar e dilatar o que neles possuo e recuperar o que se
perdeu, antes que os danos que ali têm padecido esta coroa
passem adiante (...)”.
Ficava claro, a partir de então, que, com o fim do domínio
espanhol sobre o imenso império colonial português, ou seja, com
o fim da União Ibérica, ocorrido em 1640, a América portuguesa
tornava-se a mais importante colônia do vasto império colonial
português.
Visando assegurar o controle sobre sua colônia americana, a
Coroa portuguesa adotou várias medidas políticas, econômicas e
administrativas, destacando-se a:
“Tanto na plantation como na agricultura voltada para o
abastecimento, ou mesmo nas cidades, a reposição física da
escravaria – e, portanto, da própria relação social básica – se
efetuava por meio do tráfico atlântico, terceiro traço distintivo de
uma economia colonial típica.”
FRAGOSO, João; FLORENTINO, Manolo; FARIA, Scheila de Castro. A economia
colonial brasileira (séculos XVI-XIX). Atual Editora, 1998. p. 96.
O fragmento de texto acima apresenta uma importante
característica do sistema escravista colonial americano, ao
abordar a reposição de braços cativos, que tanto enriqueceu o
tráfico atlântico, e marcou séculos da exploração europeia sobre
o continente.
Pode-se considerar como outra característica desse sistema:
“Não se pode negar que a maior vítima da escravidão foi o
próprio escravo, mas é inaceitável que ele continue sendo visto
apenas como vítima, seja em textos escolares, seja em filmes ou
programas de televisão, todos insistindo em negar-lhe um papel
ativo na construção de sua própria história. Demonstraremos,
então, como os escravos, os senhores brancos, os alforriados e
os demais homens livres construíram uma sociedade escravista,
com toda a sua complexidade.”
LIBBY, Douglas Cole; PAIVA Eduardo França. A escravidão no Brasil. Relações
sociais, acordos e conflitos. Editora Moderna, 2ª edição, São Paulo, 2005. p. 9.
O fragmento de texto retrata a complexidade que o sistema
escravista colonial assumiu na América portuguesa, estendendose desde o século XVI até as últimas décadas do XIX.
Destaca-se como uma das características desse modelo de
escravismo o fato de:
Acerca do empreendimento colonial português na América,
Gilberto Freire apresentou essa consideração:
“Para os portugueses o ideal teria sido não uma colônia de
plantação, mas outra Índia (...). As circunstâncias americanas
é que fizeram do povo colonizador de tendências menos
rurais ou, pelo menos, com o sentido agrário mais pervertido
pelo mercantilismo, o mais rural de todos: do povo que a Índia
transformara no mais parasitário, o mais criador. Entre aquelas
circunstâncias avultam imperiosas: as qualidades e as condições
físicas da terra; as condições morais e materiais da vida e cultura
de seus habitantes.”
FREIRE, Gilberto. Casa Grande e Senzala. SP, Global, 2006. p. 43.
Tendo como referência esse fragmento presente no clássico
“Casa Grande e Senzala”, pode-se considerar como um aspecto
da conjuntura que assinalou o início da colonização lusa na
América o fato:
“Maquiavel é um homem todo da sua época; e a sua ciência política
representa a filosofia do tempo, que tende para a organização
das monarquias nacionais absolutas, a forma política que permite
e facilita um ulterior desenvolvimento das forças produtivas
burguesas. Em Maquiavel pode descobrir-se in nuce (de forma
concisa) a separação dos poderes e o parlamentarismo (o regime
representativo): a sua “ferocia” dirige-se contra os resíduos do
mundo feudal, e não contra as classes progressistas. O Príncipe
deve pôr termo à anarquia feudal (...).”
GRAMSCI, António S. F. Obras Escolhidas. Editorial Estampa. Lisboa, 1974. p.
273-274.
António Gramsci, ao buscar aprofundar seus estudos sobre “A
Política como Ciência Autônoma”, retorna à Maquiavel quando
esse delineou os princípios fundamentais para a constituição
dos Estados Modernos. Chama a atenção para uma série de
considerações que devem ser feitas acerca do momento em
que Maquiavel elaborava seus estudos, que se apresentava
“estreitamente ligado às condições e às exigências de seu tempo”,
tais como: