Foram encontradas 272 questões.
Notícia de jornal
(Fernando Sabino)
Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.
Morreu de fome.
Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.
Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.
Não é de alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.
E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.
Morreu de fome.
Sobre o texto, considere as afirmações abaixo.
I. O texto expõe a indignação do autor sobre a fome no mundo.
II. O texto evidencia falta de sensibilidade de boa parte da sociedade frente à miséria e o desamparo das pessoas em situação de rua.
III. A mensagem expressa a intenção da sociedade de se criar um órgão próprio para cuidar dos que morrem de fome.
IV. O autor apresenta o absurdo que é a naturalização da morte em plena cidade movimentada, à luz do dia e diante do público, que não se comove.
Agora, assinale o que estiver correto sobre as questões I a IV.
Provas
Sobre o tempo de serviço previsto na Lei Estadual nº 6.174/1970, assinale a alternativa INCORRETA.
Provas
Sobre o exercício de cargo ou função públicos disposto na Lei Estadual nº 6.174/1970, assinale a alternativa CORRETA.
Provas
Texto para as questões 9 e 10.
PARA QUE NINGUÉM A QUISESSE
Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar.
Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair. Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido em uma gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
Marina Colasanti http://www.contioutra.com/paraque-ninguem-aquisesse- marina-colasanti/
O sentido expresso no trecho “enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda” é:
Provas
Texto para as questões 9 e 10.
PARA QUE NINGUÉM A QUISESSE
Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar.
Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair. Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido em uma gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
Marina Colasanti http://www.contioutra.com/paraque-ninguem-aquisesse- marina-colasanti/
No texto, Marina Colasanti tematiza a violência contra a mulher. tanto a violência física quanto a simbólica. Em qual fragmento abaixo há a indicação de violência física?
Provas
Leia o poema para responder às questões 7 e 8 :
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
(Fernando Pessoa, in Mensagem) Disponível em: https://nova-acropole.org.br/blog/mar-portuguesfernando-pessoa/. Acesso 5 de junho de 2022.
No poema, ocorre um processo anafórico com a palavra nele (linha 12) que tem como referente o vocábulo:
Provas
Leia o poema para responder às questões 7 e 8 :
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
(Fernando Pessoa, in Mensagem) Disponível em: https://nova-acropole.org.br/blog/mar-portuguesfernando-pessoa/. Acesso 5 de junho de 2022.
Que efeito de sentido produz o verbo flexionado na primeira pessoa do plural “cruzarmos” no terceiro verso da primeira estrofe?
Provas
Texto para as questões 5 e 6

O que provocou a dupla interpretação da pergunta da professora, produzindo o efeito humorístico do texto?
Provas
Texto para as questões 5 e 6

Charge é um gênero textual carregado de ironia que reflete situações do cotidiano. A charge em questão tem como objetivo principal:
Provas
- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
- Interpretação de TextosVariação da LinguagemLinguagem Verbal e Não Verbal
A propaganda abaixo é a base para a questão número 4:

Disponível em: <https://acontecendoaqui.com.br/propaganda/seterb-e-free-alertam-sobre-bebida-edirecao-no-maio-amarelo/>>Acesso em 6 de junho de 2022.
O Movimento Maio Amarelo nasceu com uma só proposta: chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo. Um dos temas mais abordados é a combinação nada perfeita do álcool e direção. Analisando o anúncio em questão, é possível afirmar que:
Provas
Caderno Container