Foram encontradas 69 questões.
À moda brasileira
1 Estou me vendo debaixo de uma árvore, lendo a
pequena história da literatura brasileira.
2 Olavo Bilac! – eu disse em voz alta e de repente parei quase num susto depois que li os primeiros
versos do soneto à língua portuguesa: Última flor do
Lácio, inculta e bela / És, a um tempo, esplendor e
sepultura.
3 Fiquei pensando, mas o poeta disse sepultura?!
O tal de Lácio eu não sabia onde ficava, mas de sepultura eu entendia bem, disso eu entendia, repensei baixando o olhar para a terra. Se escrevia (e já
escrevia) pequenos contos nessa língua, quer dizer
que era a sepultura que esperava por esses meus
escritos?
4 Fui falar com meu pai. Comecei por aquelas
minhas sondagens antes de chegar até onde queria, os tais rodeios que ele ia ouvindo com paciência
enquanto enrolava o cigarro de palha, fumava nessa
época esses cigarros. Comecei por perguntar se minha mãe e ele não tinham viajado para o exterior.
5 Meu pai fixou em mim o olhar verde. Viagens,
só pelo Brasil, meus avós é que tinham feito aquelas longas viagens de navio, Portugal, França, Itália...
Não esquecer que a minha avó, Pedrina Perucchi,
era italiana, ele acrescentou. Mas por que essa curiosidade?
6 Sentei-me ao lado dele, respirei fundo e comecei
a gaguejar, é que seria tão bom se ambos tivessem
nascido lá longe e assim eu estaria hoje escrevendo
em italiano, italiano! – fiquei repetindo e abri o livro
que trazia na mão: Olha aí, pai, o poeta escreveu
com todas as letras, nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente fizer vai para debaixo da terra,
desaparece!
7 Calmamente ele pousou o cigarro no cinzeiro ao
lado. Pegou os óculos. O soneto é muito bonito, disse
me encarando com severidade. Feio é isso, filha, isso
de querer renegar a própria língua. Se você chegar a
escrever bem, não precisa ser em italiano ou espanhol ou alemão, você ficará na nossa língua mesmo,
está me compreendendo? E as traduções? Renegar
a língua é renegar o país, guarde isso nessa cabecinha. E depois (ele voltou a abrir o livro), olha que
beleza o que o poeta escreveu em seguida, Amo-te
assim, desconhecida e obscura, veja que confissão
de amor ele fez à nossa língua! Tem mais, ele precisava da rima para sepultura e calhou tão bem essa
obscura, entendeu agora? – acrescentou e levantou-se. Deu alguns passos e ficou olhando a borboleta
que entrou na varanda: Já fez a sua lição de casa?
8 Fechei o livro e recuei. Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar: saía da
poltrona e ia para a cadeira de vime. Saía da cadeira
de vime e ia para a rede ou simplesmente começava
a andar. Era o sinal, Não quero falar nisso, chega.
Então a gente falava noutra coisa ou ficava quieta.
9 Tantos anos depois, quando me avisaram lá do
pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido, fiquei pensando nisso, ah! se quando a morte entrou,
se nesse instante ele tivesse mudado de lugar. Mudar
depressa de lugar e de assunto. Depressa, pai, saia
da cama e fique na cadeira ou vá pra rua e feche a
porta!
TELLES, Lygia Fagundes. Durante aquele estranho chá:
perdidos e achados. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, p.109-111.
Fragmento adaptado.
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À moda brasileira
1 Estou me vendo debaixo de uma árvore, lendo a
pequena história da literatura brasileira.
2 Olavo Bilac! – eu disse em voz alta e de repente parei quase num susto depois que li os primeiros
versos do soneto à língua portuguesa: Última flor do
Lácio, inculta e bela / És, a um tempo, esplendor e
sepultura.
3 Fiquei pensando, mas o poeta disse sepultura?!
O tal de Lácio eu não sabia onde ficava, mas de sepultura eu entendia bem, disso eu entendia, repensei baixando o olhar para a terra. Se escrevia (e já
escrevia) pequenos contos nessa língua, quer dizer
que era a sepultura que esperava por esses meus
escritos?
4 Fui falar com meu pai. Comecei por aquelas
minhas sondagens antes de chegar até onde queria, os tais rodeios que ele ia ouvindo com paciência
enquanto enrolava o cigarro de palha, fumava nessa
época esses cigarros. Comecei por perguntar se minha mãe e ele não tinham viajado para o exterior.
5 Meu pai fixou em mim o olhar verde. Viagens,
só pelo Brasil, meus avós é que tinham feito aquelas longas viagens de navio, Portugal, França, Itália...
Não esquecer que a minha avó, Pedrina Perucchi,
era italiana, ele acrescentou. Mas por que essa curiosidade?
6 Sentei-me ao lado dele, respirei fundo e comecei
a gaguejar, é que seria tão bom se ambos tivessem
nascido lá longe e assim eu estaria hoje escrevendo
em italiano, italiano! – fiquei repetindo e abri o livro
que trazia na mão: Olha aí, pai, o poeta escreveu
com todas as letras, nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente fizer vai para debaixo da terra,
desaparece!
7 Calmamente ele pousou o cigarro no cinzeiro ao
lado. Pegou os óculos. O soneto é muito bonito, disse
me encarando com severidade. Feio é isso, filha, isso
de querer renegar a própria língua. Se você chegar a
escrever bem, não precisa ser em italiano ou espanhol ou alemão, você ficará na nossa língua mesmo,
está me compreendendo? E as traduções? Renegar
a língua é renegar o país, guarde isso nessa cabecinha. E depois (ele voltou a abrir o livro), olha que
beleza o que o poeta escreveu em seguida, Amo-te
assim, desconhecida e obscura, veja que confissão
de amor ele fez à nossa língua! Tem mais, ele precisava da rima para sepultura e calhou tão bem essa
obscura, entendeu agora? – acrescentou e levantou-se. Deu alguns passos e ficou olhando a borboleta
que entrou na varanda: Já fez a sua lição de casa?
8 Fechei o livro e recuei. Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar: saía da
poltrona e ia para a cadeira de vime. Saía da cadeira
de vime e ia para a rede ou simplesmente começava
a andar. Era o sinal, Não quero falar nisso, chega.
Então a gente falava noutra coisa ou ficava quieta.
9 Tantos anos depois, quando me avisaram lá do
pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido, fiquei pensando nisso, ah! se quando a morte entrou,
se nesse instante ele tivesse mudado de lugar. Mudar
depressa de lugar e de assunto. Depressa, pai, saia
da cama e fique na cadeira ou vá pra rua e feche a
porta!
TELLES, Lygia Fagundes. Durante aquele estranho chá:
perdidos e achados. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, p.109-111.
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1 Estou me vendo debaixo de uma árvore, lendo a
pequena história da literatura brasileira.
2 Olavo Bilac! – eu disse em voz alta e de repente parei quase num susto depois que li os primeiros
versos do soneto à língua portuguesa: Última flor do
Lácio, inculta e bela / És, a um tempo, esplendor e
sepultura.
3 Fiquei pensando, mas o poeta disse sepultura?!
O tal de Lácio eu não sabia onde ficava, mas de sepultura eu entendia bem, disso eu entendia, repensei baixando o olhar para a terra. Se escrevia (e já
escrevia) pequenos contos nessa língua, quer dizer
que era a sepultura que esperava por esses meus
escritos?
4 Fui falar com meu pai. Comecei por aquelas
minhas sondagens antes de chegar até onde queria, os tais rodeios que ele ia ouvindo com paciência
enquanto enrolava o cigarro de palha, fumava nessa
época esses cigarros. Comecei por perguntar se minha mãe e ele não tinham viajado para o exterior.
5 Meu pai fixou em mim o olhar verde. Viagens,
só pelo Brasil, meus avós é que tinham feito aquelas longas viagens de navio, Portugal, França, Itália...
Não esquecer que a minha avó, Pedrina Perucchi,
era italiana, ele acrescentou. Mas por que essa curiosidade?
6 Sentei-me ao lado dele, respirei fundo e comecei
a gaguejar, é que seria tão bom se ambos tivessem
nascido lá longe e assim eu estaria hoje escrevendo
em italiano, italiano! – fiquei repetindo e abri o livro
que trazia na mão: Olha aí, pai, o poeta escreveu
com todas as letras, nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente fizer vai para debaixo da terra,
desaparece!
7 Calmamente ele pousou o cigarro no cinzeiro ao
lado. Pegou os óculos. O soneto é muito bonito, disse
me encarando com severidade. Feio é isso, filha, isso
de querer renegar a própria língua. Se você chegar a
escrever bem, não precisa ser em italiano ou espanhol ou alemão, você ficará na nossa língua mesmo,
está me compreendendo? E as traduções? Renegar
a língua é renegar o país, guarde isso nessa cabecinha. E depois (ele voltou a abrir o livro), olha que
beleza o que o poeta escreveu em seguida, Amo-te
assim, desconhecida e obscura, veja que confissão
de amor ele fez à nossa língua! Tem mais, ele precisava da rima para sepultura e calhou tão bem essa
obscura, entendeu agora? – acrescentou e levantou-se. Deu alguns passos e ficou olhando a borboleta
que entrou na varanda: Já fez a sua lição de casa?
8 Fechei o livro e recuei. Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar: saía da
poltrona e ia para a cadeira de vime. Saía da cadeira
de vime e ia para a rede ou simplesmente começava
a andar. Era o sinal, Não quero falar nisso, chega.
Então a gente falava noutra coisa ou ficava quieta.
9 Tantos anos depois, quando me avisaram lá do
pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido, fiquei pensando nisso, ah! se quando a morte entrou,
se nesse instante ele tivesse mudado de lugar. Mudar
depressa de lugar e de assunto. Depressa, pai, saia
da cama e fique na cadeira ou vá pra rua e feche a
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pequena história da literatura brasileira.
2 Olavo Bilac! – eu disse em voz alta e de repente parei quase num susto depois que li os primeiros
versos do soneto à língua portuguesa: Última flor do
Lácio, inculta e bela / És, a um tempo, esplendor e
sepultura.
3 Fiquei pensando, mas o poeta disse sepultura?!
O tal de Lácio eu não sabia onde ficava, mas de sepultura eu entendia bem, disso eu entendia, repensei baixando o olhar para a terra. Se escrevia (e já
escrevia) pequenos contos nessa língua, quer dizer
que era a sepultura que esperava por esses meus
escritos?
4 Fui falar com meu pai. Comecei por aquelas
minhas sondagens antes de chegar até onde queria, os tais rodeios que ele ia ouvindo com paciência
enquanto enrolava o cigarro de palha, fumava nessa
época esses cigarros. Comecei por perguntar se minha mãe e ele não tinham viajado para o exterior.
5 Meu pai fixou em mim o olhar verde. Viagens,
só pelo Brasil, meus avós é que tinham feito aquelas longas viagens de navio, Portugal, França, Itália...
Não esquecer que a minha avó, Pedrina Perucchi,
era italiana, ele acrescentou. Mas por que essa curiosidade?
6 Sentei-me ao lado dele, respirei fundo e comecei
a gaguejar, é que seria tão bom se ambos tivessem
nascido lá longe e assim eu estaria hoje escrevendo
em italiano, italiano! – fiquei repetindo e abri o livro
que trazia na mão: Olha aí, pai, o poeta escreveu
com todas as letras, nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente fizer vai para debaixo da terra,
desaparece!
7 Calmamente ele pousou o cigarro no cinzeiro ao
lado. Pegou os óculos. O soneto é muito bonito, disse
me encarando com severidade. Feio é isso, filha, isso
de querer renegar a própria língua. Se você chegar a
escrever bem, não precisa ser em italiano ou espanhol ou alemão, você ficará na nossa língua mesmo,
está me compreendendo? E as traduções? Renegar
a língua é renegar o país, guarde isso nessa cabecinha. E depois (ele voltou a abrir o livro), olha que
beleza o que o poeta escreveu em seguida, Amo-te
assim, desconhecida e obscura, veja que confissão
de amor ele fez à nossa língua! Tem mais, ele precisava da rima para sepultura e calhou tão bem essa
obscura, entendeu agora? – acrescentou e levantou-se. Deu alguns passos e ficou olhando a borboleta
que entrou na varanda: Já fez a sua lição de casa?
8 Fechei o livro e recuei. Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar: saía da
poltrona e ia para a cadeira de vime. Saía da cadeira
de vime e ia para a rede ou simplesmente começava
a andar. Era o sinal, Não quero falar nisso, chega.
Então a gente falava noutra coisa ou ficava quieta.
9 Tantos anos depois, quando me avisaram lá do
pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido, fiquei pensando nisso, ah! se quando a morte entrou,
se nesse instante ele tivesse mudado de lugar. Mudar
depressa de lugar e de assunto. Depressa, pai, saia
da cama e fique na cadeira ou vá pra rua e feche a
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pequena história da literatura brasileira.
2 Olavo Bilac! – eu disse em voz alta e de repente parei quase num susto depois que li os primeiros
versos do soneto à língua portuguesa: Última flor do
Lácio, inculta e bela / És, a um tempo, esplendor e
sepultura.
3 Fiquei pensando, mas o poeta disse sepultura?!
O tal de Lácio eu não sabia onde ficava, mas de sepultura eu entendia bem, disso eu entendia, repensei baixando o olhar para a terra. Se escrevia (e já
escrevia) pequenos contos nessa língua, quer dizer
que era a sepultura que esperava por esses meus
escritos?
4 Fui falar com meu pai. Comecei por aquelas
minhas sondagens antes de chegar até onde queria, os tais rodeios que ele ia ouvindo com paciência
enquanto enrolava o cigarro de palha, fumava nessa
época esses cigarros. Comecei por perguntar se minha mãe e ele não tinham viajado para o exterior.
5 Meu pai fixou em mim o olhar verde. Viagens,
só pelo Brasil, meus avós é que tinham feito aquelas longas viagens de navio, Portugal, França, Itália...
Não esquecer que a minha avó, Pedrina Perucchi,
era italiana, ele acrescentou. Mas por que essa curiosidade?
6 Sentei-me ao lado dele, respirei fundo e comecei
a gaguejar, é que seria tão bom se ambos tivessem
nascido lá longe e assim eu estaria hoje escrevendo
em italiano, italiano! – fiquei repetindo e abri o livro
que trazia na mão: Olha aí, pai, o poeta escreveu
com todas as letras, nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente fizer vai para debaixo da terra,
desaparece!
7 Calmamente ele pousou o cigarro no cinzeiro ao
lado. Pegou os óculos. O soneto é muito bonito, disse
me encarando com severidade. Feio é isso, filha, isso
de querer renegar a própria língua. Se você chegar a
escrever bem, não precisa ser em italiano ou espanhol ou alemão, você ficará na nossa língua mesmo,
está me compreendendo? E as traduções? Renegar
a língua é renegar o país, guarde isso nessa cabecinha. E depois (ele voltou a abrir o livro), olha que
beleza o que o poeta escreveu em seguida, Amo-te
assim, desconhecida e obscura, veja que confissão
de amor ele fez à nossa língua! Tem mais, ele precisava da rima para sepultura e calhou tão bem essa
obscura, entendeu agora? – acrescentou e levantou-se. Deu alguns passos e ficou olhando a borboleta
que entrou na varanda: Já fez a sua lição de casa?
8 Fechei o livro e recuei. Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar: saía da
poltrona e ia para a cadeira de vime. Saía da cadeira
de vime e ia para a rede ou simplesmente começava
a andar. Era o sinal, Não quero falar nisso, chega.
Então a gente falava noutra coisa ou ficava quieta.
9 Tantos anos depois, quando me avisaram lá do
pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido, fiquei pensando nisso, ah! se quando a morte entrou,
se nesse instante ele tivesse mudado de lugar. Mudar
depressa de lugar e de assunto. Depressa, pai, saia
da cama e fique na cadeira ou vá pra rua e feche a
porta!
TELLES, Lygia Fagundes. Durante aquele estranho chá:
perdidos e achados. Rio de Janeiro: Rocco, 2002, p.109-111.
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1 Estou me vendo debaixo de uma árvore, lendo a
pequena história da literatura brasileira.
2 Olavo Bilac! – eu disse em voz alta e de repente parei quase num susto depois que li os primeiros
versos do soneto à língua portuguesa: Última flor do
Lácio, inculta e bela / És, a um tempo, esplendor e
sepultura.
3 Fiquei pensando, mas o poeta disse sepultura?!
O tal de Lácio eu não sabia onde ficava, mas de sepultura eu entendia bem, disso eu entendia, repensei baixando o olhar para a terra. Se escrevia (e já
escrevia) pequenos contos nessa língua, quer dizer
que era a sepultura que esperava por esses meus
escritos?
4 Fui falar com meu pai. Comecei por aquelas
minhas sondagens antes de chegar até onde queria, os tais rodeios que ele ia ouvindo com paciência
enquanto enrolava o cigarro de palha, fumava nessa
época esses cigarros. Comecei por perguntar se minha mãe e ele não tinham viajado para o exterior.
5 Meu pai fixou em mim o olhar verde. Viagens,
só pelo Brasil, meus avós é que tinham feito aquelas longas viagens de navio, Portugal, França, Itália...
Não esquecer que a minha avó, Pedrina Perucchi,
era italiana, ele acrescentou. Mas por que essa curiosidade?
6 Sentei-me ao lado dele, respirei fundo e comecei
a gaguejar, é que seria tão bom se ambos tivessem
nascido lá longe e assim eu estaria hoje escrevendo
em italiano, italiano! – fiquei repetindo e abri o livro
que trazia na mão: Olha aí, pai, o poeta escreveu
com todas as letras, nossa língua é sepultura mesmo, tudo o que a gente fizer vai para debaixo da terra,
desaparece!
7 Calmamente ele pousou o cigarro no cinzeiro ao
lado. Pegou os óculos. O soneto é muito bonito, disse
me encarando com severidade. Feio é isso, filha, isso
de querer renegar a própria língua. Se você chegar a
escrever bem, não precisa ser em italiano ou espanhol ou alemão, você ficará na nossa língua mesmo,
está me compreendendo? E as traduções? Renegar
a língua é renegar o país, guarde isso nessa cabecinha. E depois (ele voltou a abrir o livro), olha que
beleza o que o poeta escreveu em seguida, Amo-te
assim, desconhecida e obscura, veja que confissão
de amor ele fez à nossa língua! Tem mais, ele precisava da rima para sepultura e calhou tão bem essa
obscura, entendeu agora? – acrescentou e levantou-se. Deu alguns passos e ficou olhando a borboleta
que entrou na varanda: Já fez a sua lição de casa?
8 Fechei o livro e recuei. Sempre que meu pai queria mudar de assunto ele mudava de lugar: saía da
poltrona e ia para a cadeira de vime. Saía da cadeira
de vime e ia para a rede ou simplesmente começava
a andar. Era o sinal, Não quero falar nisso, chega.
Então a gente falava noutra coisa ou ficava quieta.
9 Tantos anos depois, quando me avisaram lá do
pequeno hotel em Jacareí que ele tinha morrido, fiquei pensando nisso, ah! se quando a morte entrou,
se nesse instante ele tivesse mudado de lugar. Mudar
depressa de lugar e de assunto. Depressa, pai, saia
da cama e fique na cadeira ou vá pra rua e feche a
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Questão presente nas seguintes provas
Uma empresa considera duas possibilidades de projeto,
no entanto ela só consegue obter recursos para um único.
Foram utilizados critérios de seleção para avaliação de
investimento com os seguintes resultados:

Após análise dos resultados, a conclusão a que se deve chegar é a de que

Após análise dos resultados, a conclusão a que se deve chegar é a de que
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Questão presente nas seguintes provas
Uma empresa requer uma taxa de retorno de 10%, porém, ao utilizar o método do Valor Presente Líquido para
avaliar um projeto, o resultado apresentado foi zero.
Isso significa que a(o)
Isso significa que a(o)
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Questão presente nas seguintes provas
Uma empresa está avaliando a viabilidade econômico-financeira de dois projetos de investimentos, denominados X e Y. Os projetos foram inicialmente considerados
como tendo apresentado o mesmo nível de risco das
atividades econômicas usuais da empresa. O payback
descontado encontrado para o projeto X apresentou um
resultado de 3 anos, e para o projeto Y, um resultado de
5 anos. O projeto Y, após reavaliação, foi considerado de
maior risco e, por isso, passou a apresentar um payback
descontado de 6 anos, devido ao aumento no seu custo
médio ponderado de capital.
Sendo assim, o
Sendo assim, o
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