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Texto 1 – Células-tronco podem ser o segredo da origem e
evolução de seres multicelulares [fragmento; adaptado]
Por Bruno Vaiano
Ernst Haeckel era estudante de medicina, filho de um conselheiro
da corte prussiana, e “provavelmente o homem mais bonito que
eu já havia visto”, escreveu um de seus alunos. Ele e sua prima de
primeiro grau, Anna, eram apaixonados desde a adolescência – o
que, longe de ser um problema, era o sonho de todo clã
aristocrático da Europa no século 19: Darwin, por exemplo, se
casou com sua prima, e o irmão dela, com a irmã de Darwin. A
ideia era manter a herança na família e preservar o poder dos
sobrenomes.
Haeckel era o partidão perfeito, não fosse um problema: sua
semelhança com Darwin não parava no casamento endogâmico.
Ele também queria ser naturalista. O que, no século 19, equivalia
a contar para seu tio-do-pavê-e-futuro-sogro que você largaria
Medicina da USP para ser músico. Para convencer a família de
que conseguiria sustentar sua prima-noiva, ele saiu em turnê pelo
sul da Europa, estudando animais marinhos nas praias e
desenhando-os em minúcias.
Deu certo. Haeckel escreveu best-sellers, virou professor
universitário e suas ilustrações foram uma sensação. Com a
grana no bolso, casou-se com Anna. Um ano e meio depois, aos
29 anos, ela morreu (talvez de febre tifoide, mas não houve
diagnóstico). Deprê e niilista, ele abandonou a fé religiosa e
abraçou de vez a evolução por seleção natural. Viciou-se em
trabalho, dormia quatro horas por noite e começou a traçar
imensas árvores da vida na Terra, que indicavam o grau de
parentesco entre as espécies.
Nem todos os insights de Haeckel estavam certos. Mas, dentre
suas hipóteses de arrepiar os cabelos da Igreja, uma, em
particular, sobrevive na biologia: nós (e todos os animais da
Terra) somos netos do Bob Esponja.
Questões porosas
As esponjas são tubos de células que se apoiam em rochas, no
fundo do mar. A água entra pelas paredes desses cilindros, que
filtram os nutrientes e deixam o resto sair pela abertura no topo.
[...]
Em 1874, Haeckel percebeu que as células filtradoras de comida
das esponjas, os coanócitos, têm exatamente a mesma arquitetura
de micróbios aquáticos chamados coanoflagelados. Eles são
criaturinhas microscópicas inofensivas e onipresentes nas águas
da Terra [...].
Pertencem ao reino Protista, aquele em que os biólogos põem as
coisas que eles não sabem direito o que são (rs). Um saco de
gatos taxonômico. Protistas não são fungos, animais nem plantas.
Mas suas células têm estruturas complexas que esses seres vivos
grandões também apresentam – como um núcleo para guardar o
DNA, e usinas de geração de energia chamadas mitocôndrias. [...]
Existem protistas multicelulares, visíveis a olho nu, como as algas
(pois é, elas não são plantas). Mas muitos, como as amebas e
protozoários, são feitos de uma célula só. É o caso dos
coanoflagelados. Vistos no microscópio, eles têm a forma de uma
bola em cima de um cone. Como a silhueta de um buraco de
fechadura, ou de um peão de xadrez. A bola é a célula em si,
onde fica o DNA e o resto do maquinário biológico. Já o cone é
formado por 30 ou 40 microvilosidades, filamentos que parecem
tentáculos de uma água-viva. Do centro desse cone, emerge um
filamento maior, chamado flagelo, parecido com o que equipa os
espermatozoides – e com a mesma função: nadar. O conjunto da
obra fica assim: ~>O
É de se imaginar que esse rabinho ficasse atrás, empurrando a
célula, como ocorre com o espermatozoide. Mas a verdade é que
ele nada ao contrário, com o cone e o rabinho para frente. Como
um avião com hélice no nariz: O<~
O coanoflagelado se move assim porque as microvilosidades atuam
como “boca”: vão captando bactérias e pequenas partículas de
material orgânico que pairam na água.
A sacada de Haeckel foi que uma esponja-do-mar funciona como
uma colônia de coanoflagelados, que se uniram em uma muralha
para aumentar a área de captação de comida. A diferença é que
eles abanam coletivamente seus flagelos – lembre-se, os
“rabinhos” – para sugar a água para dentro da esponja, e não
para se mover. Um é Maomé indo à montanha, o outro atrai a
montanha para Maomé. Os coanócitos das esponjas atuais
seriam herdeiros de coanoflagelados. Protistas em carreira solo
que se juntaram para formar o primeiro animal, o ancestral
comum de toda a fauna da Terra.
Vale esclarecer algo: isso não quer dizer que nossos ancestrais
sejam os mesmos coanoflagelados que hoje nadam pelados em
Santos. Eles eram, isso sim, um protista pré-histórico, que existiu
há uns 700 milhões de anos, muito parecido tanto com os
coanoflagelados quanto com as células das esponjas – e cuja
linhagem se bifurcou para dar origem a ambos. [...]
Carambolas
A hipótese esponjosa de Haeckel permaneceu incólume, por
140 anos, como nossa melhor explicação para a origem dos
animais. Até que apareceram as carambolas do mar – nome
popular dos ctenóforos, bichos aquáticos translúcidos e
gelatinosos, que lembram águas-vivas com forma de bola de
rugby. Em 2017, um estudo comparativo de genomas identificou
as carambolas, e não as esponjas, na raiz da irradiação dos
animais. E essa conclusão tem respaldo no registro fóssil: no sul
da China, há um fóssil de carambola de 631 milhões de anos na
formação geológica de Doushantuo – uma data que corresponde
à época mais aceita para a origem dos seres multicelulares.
Nem uma coisa nem outra são suficientes para tirar o trono
pioneiro das esponjas. Afinal, sempre dá para encontrar um fóssil
mais antigo – neste exato momento, uma potencial esponja de
890 milhões de anos está gerando debate entre paleontólogos. O
registro geológico não é uma foto perfeita da realidade,
principalmente quando estamos tratando de animais moles, que
geralmente se decompõem sem deixar rastro. Além disso,
análises filogenéticas estão sujeitas a alguma incerteza: métodos
e pesquisadores diferentes extraem conclusões distintas dos
mesmos DNAs.
Seja como for, essas duas descobertas reacendem o debate. E
afora as carambolas, há um outro front de pesquisa que desafia
as ideias de Haeckel: a investigação de protistas ainda mais
estranhos que os coanoflagelados, que alternam entre estágios
de vida uni e multicelulares.
Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/celulas-troncopodem-ser-o-segredo-da-origem-e-evolucao-de-seresmulticelulares/
A única alternativa em que a estratégia identificada NÃO corresponde, no contexto, a um uso informal é:
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Texto 1 – Células-tronco podem ser o segredo da origem e
evolução de seres multicelulares [fragmento; adaptado]
Por Bruno Vaiano
Ernst Haeckel era estudante de medicina, filho de um conselheiro
da corte prussiana, e “provavelmente o homem mais bonito que
eu já havia visto”, escreveu um de seus alunos. Ele e sua prima de
primeiro grau, Anna, eram apaixonados desde a adolescência – o
que, longe de ser um problema, era o sonho de todo clã
aristocrático da Europa no século 19: Darwin, por exemplo, se
casou com sua prima, e o irmão dela, com a irmã de Darwin. A
ideia era manter a herança na família e preservar o poder dos
sobrenomes.
Haeckel era o partidão perfeito, não fosse um problema: sua
semelhança com Darwin não parava no casamento endogâmico.
Ele também queria ser naturalista. O que, no século 19, equivalia
a contar para seu tio-do-pavê-e-futuro-sogro que você largaria
Medicina da USP para ser músico. Para convencer a família de
que conseguiria sustentar sua prima-noiva, ele saiu em turnê pelo
sul da Europa, estudando animais marinhos nas praias e
desenhando-os em minúcias.
Deu certo. Haeckel escreveu best-sellers, virou professor
universitário e suas ilustrações foram uma sensação. Com a
grana no bolso, casou-se com Anna. Um ano e meio depois, aos
29 anos, ela morreu (talvez de febre tifoide, mas não houve
diagnóstico). Deprê e niilista, ele abandonou a fé religiosa e
abraçou de vez a evolução por seleção natural. Viciou-se em
trabalho, dormia quatro horas por noite e começou a traçar
imensas árvores da vida na Terra, que indicavam o grau de
parentesco entre as espécies.
Nem todos os insights de Haeckel estavam certos. Mas, dentre
suas hipóteses de arrepiar os cabelos da Igreja, uma, em
particular, sobrevive na biologia: nós (e todos os animais da
Terra) somos netos do Bob Esponja.
Questões porosas
As esponjas são tubos de células que se apoiam em rochas, no
fundo do mar. A água entra pelas paredes desses cilindros, que
filtram os nutrientes e deixam o resto sair pela abertura no topo.
[...]
Em 1874, Haeckel percebeu que as células filtradoras de comida
das esponjas, os coanócitos, têm exatamente a mesma arquitetura
de micróbios aquáticos chamados coanoflagelados. Eles são
criaturinhas microscópicas inofensivas e onipresentes nas águas
da Terra [...].
Pertencem ao reino Protista, aquele em que os biólogos põem as
coisas que eles não sabem direito o que são (rs). Um saco de
gatos taxonômico. Protistas não são fungos, animais nem plantas.
Mas suas células têm estruturas complexas que esses seres vivos
grandões também apresentam – como um núcleo para guardar o
DNA, e usinas de geração de energia chamadas mitocôndrias. [...]
Existem protistas multicelulares, visíveis a olho nu, como as algas
(pois é, elas não são plantas). Mas muitos, como as amebas e
protozoários, são feitos de uma célula só. É o caso dos
coanoflagelados. Vistos no microscópio, eles têm a forma de uma
bola em cima de um cone. Como a silhueta de um buraco de
fechadura, ou de um peão de xadrez. A bola é a célula em si,
onde fica o DNA e o resto do maquinário biológico. Já o cone é
formado por 30 ou 40 microvilosidades, filamentos que parecem
tentáculos de uma água-viva. Do centro desse cone, emerge um
filamento maior, chamado flagelo, parecido com o que equipa os
espermatozoides – e com a mesma função: nadar. O conjunto da
obra fica assim: ~>O
É de se imaginar que esse rabinho ficasse atrás, empurrando a
célula, como ocorre com o espermatozoide. Mas a verdade é que
ele nada ao contrário, com o cone e o rabinho para frente. Como
um avião com hélice no nariz: O<~
O coanoflagelado se move assim porque as microvilosidades atuam
como “boca”: vão captando bactérias e pequenas partículas de
material orgânico que pairam na água.
A sacada de Haeckel foi que uma esponja-do-mar funciona como
uma colônia de coanoflagelados, que se uniram em uma muralha
para aumentar a área de captação de comida. A diferença é que
eles abanam coletivamente seus flagelos – lembre-se, os
“rabinhos” – para sugar a água para dentro da esponja, e não
para se mover. Um é Maomé indo à montanha, o outro atrai a
montanha para Maomé. Os coanócitos das esponjas atuais
seriam herdeiros de coanoflagelados. Protistas em carreira solo
que se juntaram para formar o primeiro animal, o ancestral
comum de toda a fauna da Terra.
Vale esclarecer algo: isso não quer dizer que nossos ancestrais
sejam os mesmos coanoflagelados que hoje nadam pelados em
Santos. Eles eram, isso sim, um protista pré-histórico, que existiu
há uns 700 milhões de anos, muito parecido tanto com os
coanoflagelados quanto com as células das esponjas – e cuja
linhagem se bifurcou para dar origem a ambos. [...]
Carambolas
A hipótese esponjosa de Haeckel permaneceu incólume, por
140 anos, como nossa melhor explicação para a origem dos
animais. Até que apareceram as carambolas do mar – nome
popular dos ctenóforos, bichos aquáticos translúcidos e
gelatinosos, que lembram águas-vivas com forma de bola de
rugby. Em 2017, um estudo comparativo de genomas identificou
as carambolas, e não as esponjas, na raiz da irradiação dos
animais. E essa conclusão tem respaldo no registro fóssil: no sul
da China, há um fóssil de carambola de 631 milhões de anos na
formação geológica de Doushantuo – uma data que corresponde
à época mais aceita para a origem dos seres multicelulares.
Nem uma coisa nem outra são suficientes para tirar o trono
pioneiro das esponjas. Afinal, sempre dá para encontrar um fóssil
mais antigo – neste exato momento, uma potencial esponja de
890 milhões de anos está gerando debate entre paleontólogos. O
registro geológico não é uma foto perfeita da realidade,
principalmente quando estamos tratando de animais moles, que
geralmente se decompõem sem deixar rastro. Além disso,
análises filogenéticas estão sujeitas a alguma incerteza: métodos
e pesquisadores diferentes extraem conclusões distintas dos
mesmos DNAs.
Seja como for, essas duas descobertas reacendem o debate. E
afora as carambolas, há um outro front de pesquisa que desafia
as ideias de Haeckel: a investigação de protistas ainda mais
estranhos que os coanoflagelados, que alternam entre estágios
de vida uni e multicelulares.
Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/celulas-troncopodem-ser-o-segredo-da-origem-e-evolucao-de-seresmulticelulares/
Dentre as alternativas abaixo, o único caso em que a palavra ou expressão sublinhada NÃO tem, no contexto, caráter informal é:
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Texto 1 – Células-tronco podem ser o segredo da origem e
evolução de seres multicelulares [fragmento; adaptado]
Por Bruno Vaiano
Ernst Haeckel era estudante de medicina, filho de um conselheiro
da corte prussiana, e “provavelmente o homem mais bonito que
eu já havia visto”, escreveu um de seus alunos. Ele e sua prima de
primeiro grau, Anna, eram apaixonados desde a adolescência – o
que, longe de ser um problema, era o sonho de todo clã
aristocrático da Europa no século 19: Darwin, por exemplo, se
casou com sua prima, e o irmão dela, com a irmã de Darwin. A
ideia era manter a herança na família e preservar o poder dos
sobrenomes.
Haeckel era o partidão perfeito, não fosse um problema: sua
semelhança com Darwin não parava no casamento endogâmico.
Ele também queria ser naturalista. O que, no século 19, equivalia
a contar para seu tio-do-pavê-e-futuro-sogro que você largaria
Medicina da USP para ser músico. Para convencer a família de
que conseguiria sustentar sua prima-noiva, ele saiu em turnê pelo
sul da Europa, estudando animais marinhos nas praias e
desenhando-os em minúcias.
Deu certo. Haeckel escreveu best-sellers, virou professor
universitário e suas ilustrações foram uma sensação. Com a
grana no bolso, casou-se com Anna. Um ano e meio depois, aos
29 anos, ela morreu (talvez de febre tifoide, mas não houve
diagnóstico). Deprê e niilista, ele abandonou a fé religiosa e
abraçou de vez a evolução por seleção natural. Viciou-se em
trabalho, dormia quatro horas por noite e começou a traçar
imensas árvores da vida na Terra, que indicavam o grau de
parentesco entre as espécies.
Nem todos os insights de Haeckel estavam certos. Mas, dentre
suas hipóteses de arrepiar os cabelos da Igreja, uma, em
particular, sobrevive na biologia: nós (e todos os animais da
Terra) somos netos do Bob Esponja.
Questões porosas
As esponjas são tubos de células que se apoiam em rochas, no
fundo do mar. A água entra pelas paredes desses cilindros, que
filtram os nutrientes e deixam o resto sair pela abertura no topo.
[...]
Em 1874, Haeckel percebeu que as células filtradoras de comida
das esponjas, os coanócitos, têm exatamente a mesma arquitetura
de micróbios aquáticos chamados coanoflagelados. Eles são
criaturinhas microscópicas inofensivas e onipresentes nas águas
da Terra [...].
Pertencem ao reino Protista, aquele em que os biólogos põem as
coisas que eles não sabem direito o que são (rs). Um saco de
gatos taxonômico. Protistas não são fungos, animais nem plantas.
Mas suas células têm estruturas complexas que esses seres vivos
grandões também apresentam – como um núcleo para guardar o
DNA, e usinas de geração de energia chamadas mitocôndrias. [...]
Existem protistas multicelulares, visíveis a olho nu, como as algas
(pois é, elas não são plantas). Mas muitos, como as amebas e
protozoários, são feitos de uma célula só. É o caso dos
coanoflagelados. Vistos no microscópio, eles têm a forma de uma
bola em cima de um cone. Como a silhueta de um buraco de
fechadura, ou de um peão de xadrez. A bola é a célula em si,
onde fica o DNA e o resto do maquinário biológico. Já o cone é
formado por 30 ou 40 microvilosidades, filamentos que parecem
tentáculos de uma água-viva. Do centro desse cone, emerge um
filamento maior, chamado flagelo, parecido com o que equipa os
espermatozoides – e com a mesma função: nadar. O conjunto da
obra fica assim: ~>O
É de se imaginar que esse rabinho ficasse atrás, empurrando a
célula, como ocorre com o espermatozoide. Mas a verdade é que
ele nada ao contrário, com o cone e o rabinho para frente. Como
um avião com hélice no nariz: O<~
O coanoflagelado se move assim porque as microvilosidades atuam
como “boca”: vão captando bactérias e pequenas partículas de
material orgânico que pairam na água.
A sacada de Haeckel foi que uma esponja-do-mar funciona como
uma colônia de coanoflagelados, que se uniram em uma muralha
para aumentar a área de captação de comida. A diferença é que
eles abanam coletivamente seus flagelos – lembre-se, os
“rabinhos” – para sugar a água para dentro da esponja, e não
para se mover. Um é Maomé indo à montanha, o outro atrai a
montanha para Maomé. Os coanócitos das esponjas atuais
seriam herdeiros de coanoflagelados. Protistas em carreira solo
que se juntaram para formar o primeiro animal, o ancestral
comum de toda a fauna da Terra.
Vale esclarecer algo: isso não quer dizer que nossos ancestrais
sejam os mesmos coanoflagelados que hoje nadam pelados em
Santos. Eles eram, isso sim, um protista pré-histórico, que existiu
há uns 700 milhões de anos, muito parecido tanto com os
coanoflagelados quanto com as células das esponjas – e cuja
linhagem se bifurcou para dar origem a ambos. [...]
Carambolas
A hipótese esponjosa de Haeckel permaneceu incólume, por
140 anos, como nossa melhor explicação para a origem dos
animais. Até que apareceram as carambolas do mar – nome
popular dos ctenóforos, bichos aquáticos translúcidos e
gelatinosos, que lembram águas-vivas com forma de bola de
rugby. Em 2017, um estudo comparativo de genomas identificou
as carambolas, e não as esponjas, na raiz da irradiação dos
animais. E essa conclusão tem respaldo no registro fóssil: no sul
da China, há um fóssil de carambola de 631 milhões de anos na
formação geológica de Doushantuo – uma data que corresponde
à época mais aceita para a origem dos seres multicelulares.
Nem uma coisa nem outra são suficientes para tirar o trono
pioneiro das esponjas. Afinal, sempre dá para encontrar um fóssil
mais antigo – neste exato momento, uma potencial esponja de
890 milhões de anos está gerando debate entre paleontólogos. O
registro geológico não é uma foto perfeita da realidade,
principalmente quando estamos tratando de animais moles, que
geralmente se decompõem sem deixar rastro. Além disso,
análises filogenéticas estão sujeitas a alguma incerteza: métodos
e pesquisadores diferentes extraem conclusões distintas dos
mesmos DNAs.
Seja como for, essas duas descobertas reacendem o debate. E
afora as carambolas, há um outro front de pesquisa que desafia
as ideias de Haeckel: a investigação de protistas ainda mais
estranhos que os coanoflagelados, que alternam entre estágios
de vida uni e multicelulares.
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A única alternativa em que a palavra sublinhada NÃO tem sentido conotativo é:
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Texto 1 – Células-tronco podem ser o segredo da origem e
evolução de seres multicelulares [fragmento; adaptado]
Por Bruno Vaiano
Ernst Haeckel era estudante de medicina, filho de um conselheiro
da corte prussiana, e “provavelmente o homem mais bonito que
eu já havia visto”, escreveu um de seus alunos. Ele e sua prima de
primeiro grau, Anna, eram apaixonados desde a adolescência – o
que, longe de ser um problema, era o sonho de todo clã
aristocrático da Europa no século 19: Darwin, por exemplo, se
casou com sua prima, e o irmão dela, com a irmã de Darwin. A
ideia era manter a herança na família e preservar o poder dos
sobrenomes.
Haeckel era o partidão perfeito, não fosse um problema: sua
semelhança com Darwin não parava no casamento endogâmico.
Ele também queria ser naturalista. O que, no século 19, equivalia
a contar para seu tio-do-pavê-e-futuro-sogro que você largaria
Medicina da USP para ser músico. Para convencer a família de
que conseguiria sustentar sua prima-noiva, ele saiu em turnê pelo
sul da Europa, estudando animais marinhos nas praias e
desenhando-os em minúcias.
Deu certo. Haeckel escreveu best-sellers, virou professor
universitário e suas ilustrações foram uma sensação. Com a
grana no bolso, casou-se com Anna. Um ano e meio depois, aos
29 anos, ela morreu (talvez de febre tifoide, mas não houve
diagnóstico). Deprê e niilista, ele abandonou a fé religiosa e
abraçou de vez a evolução por seleção natural. Viciou-se em
trabalho, dormia quatro horas por noite e começou a traçar
imensas árvores da vida na Terra, que indicavam o grau de
parentesco entre as espécies.
Nem todos os insights de Haeckel estavam certos. Mas, dentre
suas hipóteses de arrepiar os cabelos da Igreja, uma, em
particular, sobrevive na biologia: nós (e todos os animais da
Terra) somos netos do Bob Esponja.
Questões porosas
As esponjas são tubos de células que se apoiam em rochas, no
fundo do mar. A água entra pelas paredes desses cilindros, que
filtram os nutrientes e deixam o resto sair pela abertura no topo.
[...]
Em 1874, Haeckel percebeu que as células filtradoras de comida
das esponjas, os coanócitos, têm exatamente a mesma arquitetura
de micróbios aquáticos chamados coanoflagelados. Eles são
criaturinhas microscópicas inofensivas e onipresentes nas águas
da Terra [...].
Pertencem ao reino Protista, aquele em que os biólogos põem as
coisas que eles não sabem direito o que são (rs). Um saco de
gatos taxonômico. Protistas não são fungos, animais nem plantas.
Mas suas células têm estruturas complexas que esses seres vivos
grandões também apresentam – como um núcleo para guardar o
DNA, e usinas de geração de energia chamadas mitocôndrias. [...]
Existem protistas multicelulares, visíveis a olho nu, como as algas
(pois é, elas não são plantas). Mas muitos, como as amebas e
protozoários, são feitos de uma célula só. É o caso dos
coanoflagelados. Vistos no microscópio, eles têm a forma de uma
bola em cima de um cone. Como a silhueta de um buraco de
fechadura, ou de um peão de xadrez. A bola é a célula em si,
onde fica o DNA e o resto do maquinário biológico. Já o cone é
formado por 30 ou 40 microvilosidades, filamentos que parecem
tentáculos de uma água-viva. Do centro desse cone, emerge um
filamento maior, chamado flagelo, parecido com o que equipa os
espermatozoides – e com a mesma função: nadar. O conjunto da
obra fica assim: ~>O
É de se imaginar que esse rabinho ficasse atrás, empurrando a
célula, como ocorre com o espermatozoide. Mas a verdade é que
ele nada ao contrário, com o cone e o rabinho para frente. Como
um avião com hélice no nariz: O<~
O coanoflagelado se move assim porque as microvilosidades atuam
como “boca”: vão captando bactérias e pequenas partículas de
material orgânico que pairam na água.
A sacada de Haeckel foi que uma esponja-do-mar funciona como
uma colônia de coanoflagelados, que se uniram em uma muralha
para aumentar a área de captação de comida. A diferença é que
eles abanam coletivamente seus flagelos – lembre-se, os
“rabinhos” – para sugar a água para dentro da esponja, e não
para se mover. Um é Maomé indo à montanha, o outro atrai a
montanha para Maomé. Os coanócitos das esponjas atuais
seriam herdeiros de coanoflagelados. Protistas em carreira solo
que se juntaram para formar o primeiro animal, o ancestral
comum de toda a fauna da Terra.
Vale esclarecer algo: isso não quer dizer que nossos ancestrais
sejam os mesmos coanoflagelados que hoje nadam pelados em
Santos. Eles eram, isso sim, um protista pré-histórico, que existiu
há uns 700 milhões de anos, muito parecido tanto com os
coanoflagelados quanto com as células das esponjas – e cuja
linhagem se bifurcou para dar origem a ambos. [...]
Carambolas
A hipótese esponjosa de Haeckel permaneceu incólume, por
140 anos, como nossa melhor explicação para a origem dos
animais. Até que apareceram as carambolas do mar – nome
popular dos ctenóforos, bichos aquáticos translúcidos e
gelatinosos, que lembram águas-vivas com forma de bola de
rugby. Em 2017, um estudo comparativo de genomas identificou
as carambolas, e não as esponjas, na raiz da irradiação dos
animais. E essa conclusão tem respaldo no registro fóssil: no sul
da China, há um fóssil de carambola de 631 milhões de anos na
formação geológica de Doushantuo – uma data que corresponde
à época mais aceita para a origem dos seres multicelulares.
Nem uma coisa nem outra são suficientes para tirar o trono
pioneiro das esponjas. Afinal, sempre dá para encontrar um fóssil
mais antigo – neste exato momento, uma potencial esponja de
890 milhões de anos está gerando debate entre paleontólogos. O
registro geológico não é uma foto perfeita da realidade,
principalmente quando estamos tratando de animais moles, que
geralmente se decompõem sem deixar rastro. Além disso,
análises filogenéticas estão sujeitas a alguma incerteza: métodos
e pesquisadores diferentes extraem conclusões distintas dos
mesmos DNAs.
Seja como for, essas duas descobertas reacendem o debate. E
afora as carambolas, há um outro front de pesquisa que desafia
as ideias de Haeckel: a investigação de protistas ainda mais
estranhos que os coanoflagelados, que alternam entre estágios
de vida uni e multicelulares.
Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/celulas-troncopodem-ser-o-segredo-da-origem-e-evolucao-de-seresmulticelulares/
Do ponto de vista formal, essas três partes se distinguem pela predominância, respectivamente, de:
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Texto 1 – Células-tronco podem ser o segredo da origem e
evolução de seres multicelulares [fragmento; adaptado]
Por Bruno Vaiano
Ernst Haeckel era estudante de medicina, filho de um conselheiro
da corte prussiana, e “provavelmente o homem mais bonito que
eu já havia visto”, escreveu um de seus alunos. Ele e sua prima de
primeiro grau, Anna, eram apaixonados desde a adolescência – o
que, longe de ser um problema, era o sonho de todo clã
aristocrático da Europa no século 19: Darwin, por exemplo, se
casou com sua prima, e o irmão dela, com a irmã de Darwin. A
ideia era manter a herança na família e preservar o poder dos
sobrenomes.
Haeckel era o partidão perfeito, não fosse um problema: sua
semelhança com Darwin não parava no casamento endogâmico.
Ele também queria ser naturalista. O que, no século 19, equivalia
a contar para seu tio-do-pavê-e-futuro-sogro que você largaria
Medicina da USP para ser músico. Para convencer a família de
que conseguiria sustentar sua prima-noiva, ele saiu em turnê pelo
sul da Europa, estudando animais marinhos nas praias e
desenhando-os em minúcias.
Deu certo. Haeckel escreveu best-sellers, virou professor
universitário e suas ilustrações foram uma sensação. Com a
grana no bolso, casou-se com Anna. Um ano e meio depois, aos
29 anos, ela morreu (talvez de febre tifoide, mas não houve
diagnóstico). Deprê e niilista, ele abandonou a fé religiosa e
abraçou de vez a evolução por seleção natural. Viciou-se em
trabalho, dormia quatro horas por noite e começou a traçar
imensas árvores da vida na Terra, que indicavam o grau de
parentesco entre as espécies.
Nem todos os insights de Haeckel estavam certos. Mas, dentre
suas hipóteses de arrepiar os cabelos da Igreja, uma, em
particular, sobrevive na biologia: nós (e todos os animais da
Terra) somos netos do Bob Esponja.
Questões porosas
As esponjas são tubos de células que se apoiam em rochas, no
fundo do mar. A água entra pelas paredes desses cilindros, que
filtram os nutrientes e deixam o resto sair pela abertura no topo.
[...]
Em 1874, Haeckel percebeu que as células filtradoras de comida
das esponjas, os coanócitos, têm exatamente a mesma arquitetura
de micróbios aquáticos chamados coanoflagelados. Eles são
criaturinhas microscópicas inofensivas e onipresentes nas águas
da Terra [...].
Pertencem ao reino Protista, aquele em que os biólogos põem as
coisas que eles não sabem direito o que são (rs). Um saco de
gatos taxonômico. Protistas não são fungos, animais nem plantas.
Mas suas células têm estruturas complexas que esses seres vivos
grandões também apresentam – como um núcleo para guardar o
DNA, e usinas de geração de energia chamadas mitocôndrias. [...]
Existem protistas multicelulares, visíveis a olho nu, como as algas
(pois é, elas não são plantas). Mas muitos, como as amebas e
protozoários, são feitos de uma célula só. É o caso dos
coanoflagelados. Vistos no microscópio, eles têm a forma de uma
bola em cima de um cone. Como a silhueta de um buraco de
fechadura, ou de um peão de xadrez. A bola é a célula em si,
onde fica o DNA e o resto do maquinário biológico. Já o cone é
formado por 30 ou 40 microvilosidades, filamentos que parecem
tentáculos de uma água-viva. Do centro desse cone, emerge um
filamento maior, chamado flagelo, parecido com o que equipa os
espermatozoides – e com a mesma função: nadar. O conjunto da
obra fica assim: ~>O
É de se imaginar que esse rabinho ficasse atrás, empurrando a
célula, como ocorre com o espermatozoide. Mas a verdade é que
ele nada ao contrário, com o cone e o rabinho para frente. Como
um avião com hélice no nariz: O<~
O coanoflagelado se move assim porque as microvilosidades atuam
como “boca”: vão captando bactérias e pequenas partículas de
material orgânico que pairam na água.
A sacada de Haeckel foi que uma esponja-do-mar funciona como
uma colônia de coanoflagelados, que se uniram em uma muralha
para aumentar a área de captação de comida. A diferença é que
eles abanam coletivamente seus flagelos – lembre-se, os
“rabinhos” – para sugar a água para dentro da esponja, e não
para se mover. Um é Maomé indo à montanha, o outro atrai a
montanha para Maomé. Os coanócitos das esponjas atuais
seriam herdeiros de coanoflagelados. Protistas em carreira solo
que se juntaram para formar o primeiro animal, o ancestral
comum de toda a fauna da Terra.
Vale esclarecer algo: isso não quer dizer que nossos ancestrais
sejam os mesmos coanoflagelados que hoje nadam pelados em
Santos. Eles eram, isso sim, um protista pré-histórico, que existiu
há uns 700 milhões de anos, muito parecido tanto com os
coanoflagelados quanto com as células das esponjas – e cuja
linhagem se bifurcou para dar origem a ambos. [...]
Carambolas
A hipótese esponjosa de Haeckel permaneceu incólume, por
140 anos, como nossa melhor explicação para a origem dos
animais. Até que apareceram as carambolas do mar – nome
popular dos ctenóforos, bichos aquáticos translúcidos e
gelatinosos, que lembram águas-vivas com forma de bola de
rugby. Em 2017, um estudo comparativo de genomas identificou
as carambolas, e não as esponjas, na raiz da irradiação dos
animais. E essa conclusão tem respaldo no registro fóssil: no sul
da China, há um fóssil de carambola de 631 milhões de anos na
formação geológica de Doushantuo – uma data que corresponde
à época mais aceita para a origem dos seres multicelulares.
Nem uma coisa nem outra são suficientes para tirar o trono
pioneiro das esponjas. Afinal, sempre dá para encontrar um fóssil
mais antigo – neste exato momento, uma potencial esponja de
890 milhões de anos está gerando debate entre paleontólogos. O
registro geológico não é uma foto perfeita da realidade,
principalmente quando estamos tratando de animais moles, que
geralmente se decompõem sem deixar rastro. Além disso,
análises filogenéticas estão sujeitas a alguma incerteza: métodos
e pesquisadores diferentes extraem conclusões distintas dos
mesmos DNAs.
Seja como for, essas duas descobertas reacendem o debate. E
afora as carambolas, há um outro front de pesquisa que desafia
as ideias de Haeckel: a investigação de protistas ainda mais
estranhos que os coanoflagelados, que alternam entre estágios
de vida uni e multicelulares.
Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/celulas-troncopodem-ser-o-segredo-da-origem-e-evolucao-de-seresmulticelulares/
Cada um desses blocos se caracteriza, respectivamente, pela predominância do seguinte tipo textual:
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Texto 2 – Por que a pontuação nos jogos de tênis segue a ordem
15, 30 e 40? (adaptado)
Uma dica: tem a ver com o jeu de paume, ancestral do tênis
atual.
Por Maria Clara Rossini
A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de
paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente. A
principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete,
antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a
bola. Cada jogador ficava a 60 pés (18 metros) da rede.
Os pontos eram contados de um em um. A cada vez que um
jogador marcava, ele deveria se aproximar 15 pés da rede.
Depois, mais 15 pés (ficando a 30 pés do início da quadra). É de
se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais
15 pés – só que essa posição ficava muito próxima da rede, o que
aniquilaria o desempenho do participante. O jogador, então,
tinha de se aproximar só mais 10 pés, totalizando 40 de distância
da sua posição inicial em vez de 45.
Acontece que também existem registros de jogos de tênis que
seguiam a ordem “15, 30 e 45”. Um poema escrito no século 15,
por exemplo, narra uma partida de tênis entre o rei Henrique 5º,
da Inglaterra e um nobre francês – e utiliza o 45 na contagem. O
mesmo ocorre em uma poesia escrita pelo duque Charles de
Orleães, da mesma época.
Esse tipo de registro coloca uma dúvida na cabeça dos
historiadores do esporte. Uma hipótese que justificaria o “45” é o
uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo.
Cada quarto de hora representaria um ponto, e quem
conseguisse dar a volta primeiro ganhava. Apesar de fazer algum
sentido, não há evidências do uso de relógios para esse fim. É
provável que muitos passaram a usar o 45 simplesmente por ser
uma progressão mais natural, com intervalos uniformes.
Mesmo assim foi o 15, 30, 40 que vingou. O jeu de paume
agradece.
Disponível em:
https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/por-que-a-pontuacaonos-jogos-de-tenis-segue-a-ordem-15-30-e-40/
No título do texto 2, vemos a grafia “Por que”, que está em conformidade com a ortografia oficial do português.
A alternativa em que um “porquê” está grafado de forma INCORRETA é:
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Texto 2 – Por que a pontuação nos jogos de tênis segue a ordem
15, 30 e 40? (adaptado)
Uma dica: tem a ver com o jeu de paume, ancestral do tênis
atual.
Por Maria Clara Rossini
A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de
paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente. A
principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete,
antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a
bola. Cada jogador ficava a 60 pés (18 metros) da rede.
Os pontos eram contados de um em um. A cada vez que um
jogador marcava, ele deveria se aproximar 15 pés da rede.
Depois, mais 15 pés (ficando a 30 pés do início da quadra). É de
se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais
15 pés – só que essa posição ficava muito próxima da rede, o que
aniquilaria o desempenho do participante. O jogador, então,
tinha de se aproximar só mais 10 pés, totalizando 40 de distância
da sua posição inicial em vez de 45.
Acontece que também existem registros de jogos de tênis que
seguiam a ordem “15, 30 e 45”. Um poema escrito no século 15,
por exemplo, narra uma partida de tênis entre o rei Henrique 5º,
da Inglaterra e um nobre francês – e utiliza o 45 na contagem. O
mesmo ocorre em uma poesia escrita pelo duque Charles de
Orleães, da mesma época.
Esse tipo de registro coloca uma dúvida na cabeça dos
historiadores do esporte. Uma hipótese que justificaria o “45” é o
uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo.
Cada quarto de hora representaria um ponto, e quem
conseguisse dar a volta primeiro ganhava. Apesar de fazer algum
sentido, não há evidências do uso de relógios para esse fim. É
provável que muitos passaram a usar o 45 simplesmente por ser
uma progressão mais natural, com intervalos uniformes.
Mesmo assim foi o 15, 30, 40 que vingou. O jeu de paume
agradece.
Disponível em:
https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/por-que-a-pontuacaonos-jogos-de-tenis-segue-a-ordem-15-30-e-40/
A alternativa em que a conversão da oração sublinhada para a voz passiva preserva o significado original e NÃO acarreta desvio em relação à norma padrão é:
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Texto 2 – Por que a pontuação nos jogos de tênis segue a ordem
15, 30 e 40? (adaptado)
Uma dica: tem a ver com o jeu de paume, ancestral do tênis
atual.
Por Maria Clara Rossini
A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de
paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente. A
principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete,
antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a
bola. Cada jogador ficava a 60 pés (18 metros) da rede.
Os pontos eram contados de um em um. A cada vez que um
jogador marcava, ele deveria se aproximar 15 pés da rede.
Depois, mais 15 pés (ficando a 30 pés do início da quadra). É de
se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais
15 pés – só que essa posição ficava muito próxima da rede, o que
aniquilaria o desempenho do participante. O jogador, então,
tinha de se aproximar só mais 10 pés, totalizando 40 de distância
da sua posição inicial em vez de 45.
Acontece que também existem registros de jogos de tênis que
seguiam a ordem “15, 30 e 45”. Um poema escrito no século 15,
por exemplo, narra uma partida de tênis entre o rei Henrique 5º,
da Inglaterra e um nobre francês – e utiliza o 45 na contagem. O
mesmo ocorre em uma poesia escrita pelo duque Charles de
Orleães, da mesma época.
Esse tipo de registro coloca uma dúvida na cabeça dos
historiadores do esporte. Uma hipótese que justificaria o “45” é o
uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo.
Cada quarto de hora representaria um ponto, e quem
conseguisse dar a volta primeiro ganhava. Apesar de fazer algum
sentido, não há evidências do uso de relógios para esse fim. É
provável que muitos passaram a usar o 45 simplesmente por ser
uma progressão mais natural, com intervalos uniformes.
Mesmo assim foi o 15, 30, 40 que vingou. O jeu de paume
agradece.
Disponível em:
https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/por-que-a-pontuacaonos-jogos-de-tenis-segue-a-ordem-15-30-e-40/
De acordo com o princípio da correlação verbal, dois verbos ligados por uma relação de subordinação devem estar em harmonia no que tange aos seus tempos e modos. Na passagem acima, porém, esse princípio é violado.
Considerando-se o contexto mais amplo em que a passagem se insere, a única alternativa em que essa violação é corrigida SEM gerar incoerência textual é:
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Texto 2 – Por que a pontuação nos jogos de tênis segue a ordem
15, 30 e 40? (adaptado)
Uma dica: tem a ver com o jeu de paume, ancestral do tênis
atual.
Por Maria Clara Rossini
A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de
paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente. A
principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete,
antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a
bola. Cada jogador ficava a 60 pés (18 metros) da rede.
Os pontos eram contados de um em um. A cada vez que um
jogador marcava, ele deveria se aproximar 15 pés da rede.
Depois, mais 15 pés (ficando a 30 pés do início da quadra). É de
se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais
15 pés – só que essa posição ficava muito próxima da rede, o que
aniquilaria o desempenho do participante. O jogador, então,
tinha de se aproximar só mais 10 pés, totalizando 40 de distância
da sua posição inicial em vez de 45.
Acontece que também existem registros de jogos de tênis que
seguiam a ordem “15, 30 e 45”. Um poema escrito no século 15,
por exemplo, narra uma partida de tênis entre o rei Henrique 5º,
da Inglaterra e um nobre francês – e utiliza o 45 na contagem. O
mesmo ocorre em uma poesia escrita pelo duque Charles de
Orleães, da mesma época.
Esse tipo de registro coloca uma dúvida na cabeça dos
historiadores do esporte. Uma hipótese que justificaria o “45” é o
uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo.
Cada quarto de hora representaria um ponto, e quem
conseguisse dar a volta primeiro ganhava. Apesar de fazer algum
sentido, não há evidências do uso de relógios para esse fim. É
provável que muitos passaram a usar o 45 simplesmente por ser
uma progressão mais natural, com intervalos uniformes.
Mesmo assim foi o 15, 30, 40 que vingou. O jeu de paume
agradece.
Disponível em:
https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/por-que-a-pontuacaonos-jogos-de-tenis-segue-a-ordem-15-30-e-40/
“Uma dica: tem a ver com o jeu de paume, ancestral do tênis atual.” (Texto 2, Intertítulo)
Nessa passagem, os dois-pontos são usados para introduzir um(a):
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15, 30 e 40? (adaptado)
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Por Maria Clara Rossini
A hipótese mais provável tem a ver com o jogo de palma (jeu de
paume), modalidade francesa da qual o tênis é descendente. A
principal diferença entre os dois é que, em vez da raquete,
antigamente os jogadores usavam a mão mesmo para rebater a
bola. Cada jogador ficava a 60 pés (18 metros) da rede.
Os pontos eram contados de um em um. A cada vez que um
jogador marcava, ele deveria se aproximar 15 pés da rede.
Depois, mais 15 pés (ficando a 30 pés do início da quadra). É de
se esperar que no terceiro ponto o jogador se aproximasse mais
15 pés – só que essa posição ficava muito próxima da rede, o que
aniquilaria o desempenho do participante. O jogador, então,
tinha de se aproximar só mais 10 pés, totalizando 40 de distância
da sua posição inicial em vez de 45.
Acontece que também existem registros de jogos de tênis que
seguiam a ordem “15, 30 e 45”. Um poema escrito no século 15,
por exemplo, narra uma partida de tênis entre o rei Henrique 5º,
da Inglaterra e um nobre francês – e utiliza o 45 na contagem. O
mesmo ocorre em uma poesia escrita pelo duque Charles de
Orleães, da mesma época.
Esse tipo de registro coloca uma dúvida na cabeça dos
historiadores do esporte. Uma hipótese que justificaria o “45” é o
uso de relógios como ferramenta de marcar a pontuação do jogo.
Cada quarto de hora representaria um ponto, e quem
conseguisse dar a volta primeiro ganhava. Apesar de fazer algum
sentido, não há evidências do uso de relógios para esse fim. É
provável que muitos passaram a usar o 45 simplesmente por ser
uma progressão mais natural, com intervalos uniformes.
Mesmo assim foi o 15, 30, 40 que vingou. O jeu de paume
agradece.
Disponível em:
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Nessa passagem, as aspas presentes em “45” desempenham uma função específica.
Essa mesma função pode ser identificada na seguinte alternativa:
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