Foram encontradas 50 questões.
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
- SintaxeConectivos
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
Texto 3
Grafias surpreendentes revelam escrita baseada na
oralidade
Nestes nossos tempos de redes sociais e de aplicativos
de mensagens, todos passamos a escrever com muito mais
frequência, mas sempre preocupados em simular uma fala
descontraída com nosso interlocutor. Surge, assim, um registro
escrito informal, que vai migrando para outros domínios,
aqueles em que, há não muito tempo, cultivávamos algum grau
de formalidade.
Nos diálogos escritos, lançamos mão de muitos pontos
de exclamação para mostrar entusiasmo pela conversa (Bom
dia!) e suprimimos o ponto final para não sermos deselegantes
ou grosseiros. Num papo ainda mais informal, simulamos a
linguagem das histórias em quadrinhos e fazemos uma longa
sequência de vogais para tentar reproduzir excepcionalmente a
fala (oiii!). Palavras que não imaginaríamos escritas aparecem
diante de nossos olhos e ficam registradas para a posteridade:
“oie”, “tá bão”, “óia”.
Os emojis, as figurinhas e os memes, às vezes,
substituem as palavras nessa comunicação escrita informal, em
que importa ser engraçado e simpático. As frases são curtas,
no melhor estilo telegráfico (saberão os jovens o que significa
“telegráfico”?). Procura-se mimetizar a fala, que é o referencial
dessas mensagens. Daí ser problemático usar o aplicativo para
outros tipos de comunicação, que requerem, na vida real,
alguma formalidade.
Como a fala é o referencial, por excelência, das
mensagens trocadas nos aplicativos, nos chats e nas redes
sociais, passamos a escrever não só como falamos, mas
também como ouvimos, o que pode nos pôr diante de algumas
grafias surpreendentes. Os exemplos que trago aqui não foram
colhidos fortuitamente; são, na verdade, cada vez mais
frequentes.
Um site de nome “Dicionário Informal” registra a forma
“dale”, assim definida: “vibração positiva, comemoração,
enaltecer algo ou alguém” e seguida de “abonação”: “Dale
Ayrton Senna do Brasil!” “Dale”, na verdade, é “dá-lhe”. Dizemos
“dá-lhe” quando torcemos para que, numa disputa, alguém
vença o adversário. Algumas pessoas pronunciam o “lh” como
“l”, o que é muito comum. A grafia, no entanto, é objeto de
convenção. Ou era.
Grafias como “agente” no lugar de “a gente”, “afim” no
lugar de “a fim”, “com certeza” no lugar de “com certeza”,
“fachetária” no lugar de “faixa etária” ou mesmo “ainda sim” no
lugar de “ainda assim” e “dale” no lugar de “dá-lhe” são típicas
de uma espécie de “português de ouvido”, que revela certa
imaturidade no manejo da língua, sobretudo na sua dimensão
formal.
NICOLETI, Thaís. Grafias surpreendentes revelam escrita baseada na
oralidade. Folha de S.Paulo [edição virtual], São Paulo, 18 abr. 2022.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/thais
nicoleti/2022/04/grafias-surpreendentes-revelam-escrita-baseada-na
oralidade.shtml. Acesso em: 06 abr. 2026.
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Texto 3
Grafias surpreendentes revelam escrita baseada na
oralidade
Nestes nossos tempos de redes sociais e de aplicativos
de mensagens, todos passamos a escrever com muito mais
frequência, mas sempre preocupados em simular uma fala
descontraída com nosso interlocutor. Surge, assim, um registro
escrito informal, que vai migrando para outros domínios,
aqueles em que, há não muito tempo, cultivávamos algum grau
de formalidade.
Nos diálogos escritos, lançamos mão de muitos pontos
de exclamação para mostrar entusiasmo pela conversa (Bom
dia!) e suprimimos o ponto final para não sermos deselegantes
ou grosseiros. Num papo ainda mais informal, simulamos a
linguagem das histórias em quadrinhos e fazemos uma longa
sequência de vogais para tentar reproduzir excepcionalmente a
fala (oiii!). Palavras que não imaginaríamos escritas aparecem
diante de nossos olhos e ficam registradas para a posteridade:
“oie”, “tá bão”, “óia”.
Os emojis, as figurinhas e os memes, às vezes,
substituem as palavras nessa comunicação escrita informal, em
que importa ser engraçado e simpático. As frases são curtas,
no melhor estilo telegráfico (saberão os jovens o que significa
“telegráfico”?). Procura-se mimetizar a fala, que é o referencial
dessas mensagens. Daí ser problemático usar o aplicativo para
outros tipos de comunicação, que requerem, na vida real,
alguma formalidade.
Como a fala é o referencial, por excelência, das
mensagens trocadas nos aplicativos, nos chats e nas redes
sociais, passamos a escrever não só como falamos, mas
também como ouvimos, o que pode nos pôr diante de algumas
grafias surpreendentes. Os exemplos que trago aqui não foram
colhidos fortuitamente; são, na verdade, cada vez mais
frequentes.
Um site de nome “Dicionário Informal” registra a forma
“dale”, assim definida: “vibração positiva, comemoração,
enaltecer algo ou alguém” e seguida de “abonação”: “Dale
Ayrton Senna do Brasil!” “Dale”, na verdade, é “dá-lhe”. Dizemos
“dá-lhe” quando torcemos para que, numa disputa, alguém
vença o adversário. Algumas pessoas pronunciam o “lh” como
“l”, o que é muito comum. A grafia, no entanto, é objeto de
convenção. Ou era.
Grafias como “agente” no lugar de “a gente”, “afim” no
lugar de “a fim”, “com certeza” no lugar de “com certeza”,
“fachetária” no lugar de “faixa etária” ou mesmo “ainda sim” no
lugar de “ainda assim” e “dale” no lugar de “dá-lhe” são típicas
de uma espécie de “português de ouvido”, que revela certa
imaturidade no manejo da língua, sobretudo na sua dimensão
formal.
NICOLETI, Thaís. Grafias surpreendentes revelam escrita baseada na
oralidade. Folha de S.Paulo [edição virtual], São Paulo, 18 abr. 2022.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/thais
nicoleti/2022/04/grafias-surpreendentes-revelam-escrita-baseada-na
oralidade.shtml. Acesso em: 06 abr. 2026.
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Texto 3
Grafias surpreendentes revelam escrita baseada na
oralidade
Nestes nossos tempos de redes sociais e de aplicativos
de mensagens, todos passamos a escrever com muito mais
frequência, mas sempre preocupados em simular uma fala
descontraída com nosso interlocutor. Surge, assim, um registro
escrito informal, que vai migrando para outros domínios,
aqueles em que, há não muito tempo, cultivávamos algum grau
de formalidade.
Nos diálogos escritos, lançamos mão de muitos pontos
de exclamação para mostrar entusiasmo pela conversa (Bom
dia!) e suprimimos o ponto final para não sermos deselegantes
ou grosseiros. Num papo ainda mais informal, simulamos a
linguagem das histórias em quadrinhos e fazemos uma longa
sequência de vogais para tentar reproduzir excepcionalmente a
fala (oiii!). Palavras que não imaginaríamos escritas aparecem
diante de nossos olhos e ficam registradas para a posteridade:
“oie”, “tá bão”, “óia”.
Os emojis, as figurinhas e os memes, às vezes,
substituem as palavras nessa comunicação escrita informal, em
que importa ser engraçado e simpático. As frases são curtas,
no melhor estilo telegráfico (saberão os jovens o que significa
“telegráfico”?). Procura-se mimetizar a fala, que é o referencial
dessas mensagens. Daí ser problemático usar o aplicativo para
outros tipos de comunicação, que requerem, na vida real,
alguma formalidade.
Como a fala é o referencial, por excelência, das
mensagens trocadas nos aplicativos, nos chats e nas redes
sociais, passamos a escrever não só como falamos, mas
também como ouvimos, o que pode nos pôr diante de algumas
grafias surpreendentes. Os exemplos que trago aqui não foram
colhidos fortuitamente; são, na verdade, cada vez mais
frequentes.
Um site de nome “Dicionário Informal” registra a forma
“dale”, assim definida: “vibração positiva, comemoração,
enaltecer algo ou alguém” e seguida de “abonação”: “Dale
Ayrton Senna do Brasil!” “Dale”, na verdade, é “dá-lhe”. Dizemos
“dá-lhe” quando torcemos para que, numa disputa, alguém
vença o adversário. Algumas pessoas pronunciam o “lh” como
“l”, o que é muito comum. A grafia, no entanto, é objeto de
convenção. Ou era.
Grafias como “agente” no lugar de “a gente”, “afim” no
lugar de “a fim”, “com certeza” no lugar de “com certeza”,
“fachetária” no lugar de “faixa etária” ou mesmo “ainda sim” no
lugar de “ainda assim” e “dale” no lugar de “dá-lhe” são típicas
de uma espécie de “português de ouvido”, que revela certa
imaturidade no manejo da língua, sobretudo na sua dimensão
formal.
NICOLETI, Thaís. Grafias surpreendentes revelam escrita baseada na
oralidade. Folha de S.Paulo [edição virtual], São Paulo, 18 abr. 2022.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/thais
nicoleti/2022/04/grafias-surpreendentes-revelam-escrita-baseada-na
oralidade.shtml. Acesso em: 06 abr. 2026.
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Texto 2
O hipertexto refere-se à escritura eletrônica não
sequencial e não linear, que se bifurca e permite ao leitor o
acesso a um número praticamente ilimitado de outros textos a
partir de escolhas locais e sucessivas, em tempo real. Assim, o
leitor tem condições de definir interativamente o fluxo de sua
leitura a partir de assuntos tratados no texto sem se prender a
uma sequência fixa ou a tópicos estabelecidos por um autor.
Trata-se de uma forma de estruturação textual que faz do leitor
simultaneamente coautor do texto final. O hipertexto se
caracteriza, pois, como um processo de escritura/leitura
eletrônica multilinearizado, multisequencial e indeterminado,
realizado em um novo espaço de escrita. Assim, ao permitir
vários níveis de tratamento de um tema, o hipertexto oferece a
possibilidade
de múltiplos graus de profundidade
simultaneamente, já que não tem sequência definida, mas liga
textos não necessariamente correlacionados.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. O hipertexto como um novo espaço de escrita
em sala de aula. Linguagem & Ensino, Pelotas, v. 4, n. 1, p. 79-111, 2001.
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Texto 2
O hipertexto refere-se à escritura eletrônica não
sequencial e não linear, que se bifurca e permite ao leitor o
acesso a um número praticamente ilimitado de outros textos a
partir de escolhas locais e sucessivas, em tempo real. Assim, o
leitor tem condições de definir interativamente o fluxo de sua
leitura a partir de assuntos tratados no texto sem se prender a
uma sequência fixa ou a tópicos estabelecidos por um autor.
Trata-se de uma forma de estruturação textual que faz do leitor
simultaneamente coautor do texto final. O hipertexto se
caracteriza, pois, como um processo de escritura/leitura
eletrônica multilinearizado, multisequencial e indeterminado,
realizado em um novo espaço de escrita. Assim, ao permitir
vários níveis de tratamento de um tema, o hipertexto oferece a
possibilidade
de múltiplos graus de profundidade
simultaneamente, já que não tem sequência definida, mas liga
textos não necessariamente correlacionados.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. O hipertexto como um novo espaço de escrita
em sala de aula. Linguagem & Ensino, Pelotas, v. 4, n. 1, p. 79-111, 2001.
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Texto 2
O hipertexto refere-se à escritura eletrônica não
sequencial e não linear, que se bifurca e permite ao leitor o
acesso a um número praticamente ilimitado de outros textos a
partir de escolhas locais e sucessivas, em tempo real. Assim, o
leitor tem condições de definir interativamente o fluxo de sua
leitura a partir de assuntos tratados no texto sem se prender a
uma sequência fixa ou a tópicos estabelecidos por um autor.
Trata-se de uma forma de estruturação textual que faz do leitor
simultaneamente coautor do texto final. O hipertexto se
caracteriza, pois, como um processo de escritura/leitura
eletrônica multilinearizado, multisequencial e indeterminado,
realizado em um novo espaço de escrita. Assim, ao permitir
vários níveis de tratamento de um tema, o hipertexto oferece a
possibilidade
de múltiplos graus de profundidade
simultaneamente, já que não tem sequência definida, mas liga
textos não necessariamente correlacionados.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. O hipertexto como um novo espaço de escrita
em sala de aula. Linguagem & Ensino, Pelotas, v. 4, n. 1, p. 79-111, 2001.
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- OrtografiaPontuaçãoVírgula
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- Interpretação de TextosFunções da Linguagem
Texto 1
Clichês na ponta da língua
Outro dia, queixei-me da cacofonia provocada pelo bater
dos martelos na mídia. A frequência com que os jornais, sites e
a turma do rádio e da televisão se referem a “bater o martelo”,
para dizer que alguém tomou uma decisão, é ensurdecedora —
aliás, ensurdecedora também é uma palavra de ensurdecer. Até
há pouco, só os juízes e leiloeiros batiam o martelo e, mesmo
assim, discretamente. Hoje, pelo bater do martelo à nossa volta,
é incrível que ainda consigamos nos escutar.
“Bater o martelo” é um clichê, uma expressão que nos
vem à ponta da língua ou ao teclado sem que precisemos
pensar. Clichês têm vida própria e, quase sempre, sem razão
de ser. “Na ponta do lápis”, para indicar um cálculo feito com
precisão, é outro. Como usar um lápis se não for pela ponta que
contém o grafite? Já “na ponta da faca” é o contrário. Quando
ouço falar num picadinho feito “na ponta da faca”, pergunto-me
se a lâmina, e não a ponta, não seria mais prática para o
cozinheiro.
Uma frase que comece por “Na verdade...” também me
intriga. Eu próprio às vezes me distraio e a uso. Mas alguém
começará uma frase por “Na mentira...”? E o que dizer de
“pontuar” no sentido de garantir, afirmar, deixar claro? “Fulano
pontuou que sua dieta o proíbe de comer carambola” ou coisa
assim. Se temos o verbo pontuar, por que não o verbo virgular,
para significar uma coisa que talvez ainda não se possa afirmar
com certeza? “Fulano virgulou que...”
Incompreensível também é chamar de “bloquinho” um
megabloco de Carnaval composto de 1 milhão de figurantes.
Aliás, o correto seria nem chamá-lo de bloco, se por bloco
entende-se historicamente um grupo de foliões em cortejo pelas
ruas, cantando e dançando ao som de surdos e tamborins. Um
amontoado de gente na fila do gargarejo de um palco, pulando
de um pé para o outro e tentando ver o artista pelo telão, não é
um bloco — é um show como outro qualquer, com ou sem
Carnaval.
Eu sei, essas ranhetices são firulas, para as quais a voz
do povo não está nem aí. Pronto — virgulei.
CASTRO, Ruy. Clichês na ponta da língua. Folha de S.Paulo [edição virtual],
São Paulo, 18 fev. 2026. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/02/cliches-na-ponta-da
lingua.shtml. Acesso em: 06 abr. 2026.
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Texto 1
Clichês na ponta da língua
Outro dia, queixei-me da cacofonia provocada pelo bater
dos martelos na mídia. A frequência com que os jornais, sites e
a turma do rádio e da televisão se referem a “bater o martelo”,
para dizer que alguém tomou uma decisão, é ensurdecedora —
aliás, ensurdecedora também é uma palavra de ensurdecer. Até
há pouco, só os juízes e leiloeiros batiam o martelo e, mesmo
assim, discretamente. Hoje, pelo bater do martelo à nossa volta,
é incrível que ainda consigamos nos escutar.
“Bater o martelo” é um clichê, uma expressão que nos
vem à ponta da língua ou ao teclado sem que precisemos
pensar. Clichês têm vida própria e, quase sempre, sem razão
de ser. “Na ponta do lápis”, para indicar um cálculo feito com
precisão, é outro. Como usar um lápis se não for pela ponta que
contém o grafite? Já “na ponta da faca” é o contrário. Quando
ouço falar num picadinho feito “na ponta da faca”, pergunto-me
se a lâmina, e não a ponta, não seria mais prática para o
cozinheiro.
Uma frase que comece por “Na verdade...” também me
intriga. Eu próprio às vezes me distraio e a uso. Mas alguém
começará uma frase por “Na mentira...”? E o que dizer de
“pontuar” no sentido de garantir, afirmar, deixar claro? “Fulano
pontuou que sua dieta o proíbe de comer carambola” ou coisa
assim. Se temos o verbo pontuar, por que não o verbo virgular,
para significar uma coisa que talvez ainda não se possa afirmar
com certeza? “Fulano virgulou que...”
Incompreensível também é chamar de “bloquinho” um
megabloco de Carnaval composto de 1 milhão de figurantes.
Aliás, o correto seria nem chamá-lo de bloco, se por bloco
entende-se historicamente um grupo de foliões em cortejo pelas
ruas, cantando e dançando ao som de surdos e tamborins. Um
amontoado de gente na fila do gargarejo de um palco, pulando
de um pé para o outro e tentando ver o artista pelo telão, não é
um bloco — é um show como outro qualquer, com ou sem
Carnaval.
Eu sei, essas ranhetices são firulas, para as quais a voz
do povo não está nem aí. Pronto — virgulei.
CASTRO, Ruy. Clichês na ponta da língua. Folha de S.Paulo [edição virtual],
São Paulo, 18 fev. 2026. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/02/cliches-na-ponta-da
lingua.shtml. Acesso em: 06 abr. 2026.
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Texto 1
Clichês na ponta da língua
Outro dia, queixei-me da cacofonia provocada pelo bater
dos martelos na mídia. A frequência com que os jornais, sites e
a turma do rádio e da televisão se referem a “bater o martelo”,
para dizer que alguém tomou uma decisão, é ensurdecedora —
aliás, ensurdecedora também é uma palavra de ensurdecer. Até
há pouco, só os juízes e leiloeiros batiam o martelo e, mesmo
assim, discretamente. Hoje, pelo bater do martelo à nossa volta,
é incrível que ainda consigamos nos escutar.
“Bater o martelo” é um clichê, uma expressão que nos
vem à ponta da língua ou ao teclado sem que precisemos
pensar. Clichês têm vida própria e, quase sempre, sem razão
de ser. “Na ponta do lápis”, para indicar um cálculo feito com
precisão, é outro. Como usar um lápis se não for pela ponta que
contém o grafite? Já “na ponta da faca” é o contrário. Quando
ouço falar num picadinho feito “na ponta da faca”, pergunto-me
se a lâmina, e não a ponta, não seria mais prática para o
cozinheiro.
Uma frase que comece por “Na verdade...” também me
intriga. Eu próprio às vezes me distraio e a uso. Mas alguém
começará uma frase por “Na mentira...”? E o que dizer de
“pontuar” no sentido de garantir, afirmar, deixar claro? “Fulano
pontuou que sua dieta o proíbe de comer carambola” ou coisa
assim. Se temos o verbo pontuar, por que não o verbo virgular,
para significar uma coisa que talvez ainda não se possa afirmar
com certeza? “Fulano virgulou que...”
Incompreensível também é chamar de “bloquinho” um
megabloco de Carnaval composto de 1 milhão de figurantes.
Aliás, o correto seria nem chamá-lo de bloco, se por bloco
entende-se historicamente um grupo de foliões em cortejo pelas
ruas, cantando e dançando ao som de surdos e tamborins. Um
amontoado de gente na fila do gargarejo de um palco, pulando
de um pé para o outro e tentando ver o artista pelo telão, não é
um bloco — é um show como outro qualquer, com ou sem
Carnaval.
Eu sei, essas ranhetices são firulas, para as quais a voz
do povo não está nem aí. Pronto — virgulei.
CASTRO, Ruy. Clichês na ponta da língua. Folha de S.Paulo [edição virtual],
São Paulo, 18 fev. 2026. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/02/cliches-na-ponta-da
lingua.shtml. Acesso em: 06 abr. 2026.
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Para realização do trabalho pedagógico, uma das tarefas
mais elementares da atividade docente é a elaboração do
plano de aula. Considerando seus componentes básicos e
a ordem conforme a qual eles devem ser descritos, o plano
de aula deve ser composto pelos seguintes itens:
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