Uma jovem de 22 anos, previamente saudável, é avaliada no pronto atendimento após episódio de desmaio
durante apresentação acadêmica. Ela relata que estava
em pé há vários minutos, sentiu calor súbito, tontura, visão escurecida e náuseas antes de perder a consciência.
Colegas afirmam que ela caiu lentamente, sem rigidez
corporal ou movimentos anormais, e recuperou-se em
cerca de 30 segundos, acordando pálida, mas orientada.
No hospital, encontra-se afebril, hidratada e sem queixas.
PA: 108 x 70 mmHg em repouso, com leve queda para
96 x 68 mmHg ao se levantar; FC: passa de 78 para
102 bpm na ortostase. Ausculta cardíaca e pulmonar
normais. Ausência de déficit neurológico.Glicemia capilar normal. Relata que dormiu mal na noite anterior, não
tomou café da manhã e estava bastante ansiosa com a
apresentação. Não usa medicamentos e não há história
familiar de morte súbita. Com base no relato apresentado, é correto afirmar que a
conduta apropriada, nesse momento, é
Mulher, 36 anos, previamente hígida, é trazida ao
pronto atendimento após apresentar um episódio
súbito de perda de consciência enquanto conversava
com colegas no trabalho. Testemunhas relatam que
ela caiu da cadeira, apresentou rigidez generalizada,
seguida de abalos tônico-clônicos, por aproximadamente dois minutos, com liberação de saliva espumosa e
leve mordedura de língua. Após o evento, permaneceu
confusa e sonolenta por cerca de 20 minutos. Na chegada
ao hospital, encontra-se mais desperta, porém desorientada no tempo, e com cefaleia intensa. Nega uso de drogas recreativas ou novos medicamentos. Refere apenas
uma infecção respiratória alta há cerca de uma semana.
Na avaliação inicial: PA: 128 x 82 mmHg; FC: 104 bpm;
temperatura: 37,8 ºC; glicemia capilar: 102 mg/dL. O
exame neurológico mostra lentificação psicomotora e
discreta dificuldade de nomeação, mas sem déficits motores localizados. Pupilas simétricas e reativas. Ausência
de sinais meníngeos. Foram realizados alguns exames iniciais no pronto atendimento: Sódio: 132 mEq/L; Potássio:
4,3 mEq/L; Magnésio: 1,7 mg/dL; Hemograma sem alterações relevantes. A tomografia de crânio sem contraste
não revelou hemorragia ou lesões expansivas. A paciente
permanece estável, porém ainda com leve sonolência e
sem novo episódio convulsivo. Considerando o quadro e o momento atual do atendimento, qual é a próxima conduta apropriada?
Homem, 67 anos, com histórico de adenocarcinoma de
próstata, tratado há três anos, e doença óssea metastática conhecida, procura o pronto atendimento relatando
dor lombar progressiva nos últimos dez dias. Descreve
a dor como profunda, constante e que piora ao se deitar, acordando-o várias vezes durante a madrugada.
Nas últimas 48 horas, notou dificuldade crescente para
caminhar e sensação de fraqueza nas pernas, especialmente ao tentar subir degraus. Menciona ainda episódios
de formigamento em ambas as coxas e dificuldade para
controlar a micção desde a manhã do atendimento. No
exame físico, apresenta marcha instável e fraqueza grau
4 na extensão dos joelhos, além de dorsiflexão dos pés.
A sensibilidade tátil está diminuída na face anterior das
coxas, e há hiperreflexia patelar bilateral. O toque retal
mostra tônus esfincteriano reduzido. Pulsos periféricos
presentes e simétricos. Sem febre ou sinais de infecção
sistêmica. Os exames laboratoriais iniciais mostram
função renal preservada, hemograma sem alterações
relevantes e cálcio discretamente elevado (10,8 mg/dL).
A radiografia simples da coluna lombar evidencia colapso
parcial do corpo vertebral de L2. Diante desse quadro clínico, qual a intervenção inicial
apropriada enquanto se aguarda exame avançado de
imagem?
Homem de 72 anos, hipertenso e com fibrilação atrial
não anticoagulada, é trazido ao pronto atendimento após
apresentar início súbito de dificuldade para falar e fraqueza no braço e perna direitos, enquanto almoçava
com a família. Chegou ao hospital cerca de 55 minutos
após o início dos sintomas. A esposa relata que ele vinha
mantendo níveis pressóricos mais elevados, nas últimas
semanas, e que havia esquecido as últimas doses da
medicação para controle da frequência cardíaca. Na
admissão, está consciente, porém com dificuldade para
articular palavras e seguir comandos complexos. Apresenta desvio de rima labial para a esquerda, queda do
braço direito ao teste de força e diminuição da força na
perna direita. PA: 184 x 102 mmHg; FC: 112 bpm em ritmo
irregular e a glicemia capilar: 128 mg/dL. Não há sinais
de trauma, convulsão ou febre. Foi realizada tomografia
de crânio sem contraste que não mostra hemorragia. Considerando o quadro clínico e os achados iniciais, qual
deve ser a próxima conduta apropriada?
Um homem de 63 anos, em acompanhamento por adenocarcinoma de pulmão metastático, chega ao pronto atendimento com queixa de cefaleia difusa e contínua, há três
semanas, acompanhada de náuseas matinais e episódios
frequentes de desequilíbrio ao caminhar. Nos últimos cinco
dias, a família notou que ele começou a apresentar dificuldade intermitente para movimentar o lado direito do rosto
ao sorrir e episódios de visão dupla quando mudava o
foco de longe para perto. Ele relata também sensação
de “choques elétricos” ao flexionar o pescoço. No exame
físico, encontra-se consciente e orientado, porém com
marcha instável. Há paresia do nervo facial direito e leve
paresia do abducente esquerdo. O restante do exame
neurológico é simétrico. Sinais meníngeos são discretos.
Tomografia de crânio realizada na admissão não evidencia
massas expansivas ou hidrocefalia marcante. Nesse caso, após o atendimento inicial e estabilização,
qual é o exame apropriado para confirmar a suspeita
diagnóstica sugerida pelo quadro?
Paciente de 58 anos, sexo masculino, portador de cirrose
hepática alcoólica Child-Pugh C, é trazido ao pronto
atendimento pela família após apresentar sonolência
progressiva nas últimas 12 horas. Relatam que, no dia
anterior, ele teve dois episódios de vômitos alimentares e
que, desde então, recusou a maior parte das refeições.
Também mencionam que ele vinha apresentando fezes
escurecidas nos últimos dias. Exame físico na admissão:
Estado geral: sonolento, desperta ao estímulo verbal
intenso; Glasgow: 13; PA: 102 x 68 mmHg; FC: 98 bpm;
FR: 20 irpm; SpO2: 97%; pupilas isocóricas e reativas;
Icterícia 2+/4+. Aranhas vasculares em tórax. Abdome
globoso, com sinal do piparote positivo. Presença de
asterixis ao estender as mãos. Sem sinais de meningismo ou sinais neurológicos focais. Resultados laboratoriais
iniciais: Hemoglobina: 8,2 g/dL; Sódio: 128 mEq/L;
Potássio: 4,1 mEq/L; amônia plasmática elevada;
Bilirrubina total: 5,1 mg/dL; INR: 1,9; Creatinina: 1,3 mg/dL;
Glicemia: 108 mg/dL; a gasometria arterial mostra pH:
7,42 e pCO2: 34 mmHg. Considerando o quadro clínico exposto, assinale a alternativa que apresenta a intervenção prioritária após monitorização e estabilização inicial.
Homem, 29 anos, portador de diabetes mellitus tipo 1
desde os 17 anos, é trazido ao pronto atendimento por
sua namorada devido a quadro de fraqueza intensa, náuseas, dor abdominal difusa e respiração ofegante com início na manhã do mesmo dia. Ela relata que o paciente
havia interrompido o uso de insulina basal, há 3 dias,
porque acreditou que estava “comendo pouco demais”
devido a uma virose. Depois disso, evoluiu com poliúria, polidipsia e perda acentuada de peso. Na avaliação
de admissão: Estado geral: sonolento, porém despertável; Glasgow: 14; PA: 102 x 64 mmHg; FC: 124 bpm;
FR: 28 irpm, respiração profunda e ruidosa; SpO2: 97%
em ar ambiente; Temperatura: 37,4 ºC. Pele seca, turgor
diminuído. Halitose cetótica evidente. Abdome: dor difusa à
palpação, sem sinais de irritação peritoneal. Exames laboratoriais iniciais: Glicemia: 458 mg/dL; pH arterial: 7,09;
HCO3: 8 mEq/L; pCO2: 22 mmHg; Potássio: 4,9 mEq/L;
Sódio: 132 mEq/L; Cetonas séricas fortemente positivas;
Lactato: 1,9 mmol/L; Creatinina: 1,4 mg/dL. Foi puncionado acesso venoso calibroso e iniciada monitorização.
O paciente encontra-se hemodinamicamente estável. Diante desse quadro, a primeira intervenção terapêutica
apropriada é
Um homem de 34 anos, previamente hígido, é trazido ao pronto atendimento após apresentar cefaleia intensa há 24 horas,
descrita como a “pior da vida”, associada a múltiplos episódios de vômitos em jato. Nas últimas 6 horas, evoluiu com sonolência progressiva e dificuldade para manter a atenção. A companheira relata que o paciente vinha utilizando analgésicos em
excesso nas últimas semanas devido a dor cervical após uma queda leve durante atividade física, mas não procurou serviço
médico na época. Na admissão: Glasgow: 13 (abertura ocular = 3, resposta verbal = 4, resposta motora = 6). Pupilas isocóricas, porém com resposta lenta à luz; PA: 158 x 98 mmHg; FC: 58 bpm; FR: 20 irpm; SpO2: 98% em ar ambiente. Fundoscopia: borramento difuso de bordas papilares. Rigidez de nuca ausente. Sinais de lateralização ausentes. Após a admissão
e avaliação inicial o paciente apresenta piora do nível de consciência (Glasgow 10) e episódio de bradicardia (48 bpm) com
elevação da pressão arterial para 170 x 100 mmHg. Uma tomografia de crânio é solicitada antes de punção lombar, mas
ainda não foi realizada. Diante da principal suspeita diagnóstica, a conduta imediata apropriada no atendimento inicial é
Homem, 71 anos, hipertenso, diabético e com histórico de infarto do miocárdio prévio, chega ao pronto atendimento com
dispneia súbita, há 40 minutos, acompanhada de ortopneia intensa e sensação de sufocamento. Estava em repouso
quando iniciou o quadro. Faz uso irregular de enalapril e furosemida há meses. Na chegada, apresenta-se extremamente
ansioso, sentado e apoiado nos braços. Avaliação inicial: PA: 198 x 112 mmHg; FC: 128 bpm; FR: 32 irpm; SpO2: 86%
em ar ambiente. Perfusão periférica preservada. Estertores bolhosos difusos até metade dos campos pulmonares.
Não há sinais de choque. Turgência jugular leve. Ausculta cardíaca: B3 audível. Extremidades sem edema importante.
Gasometria arterial em O2
por cateter 3 L/min: pH: 7,31; pCO2: 32 mmHg; pO2: 54 mmHg; HCO3: 16 mEq/L; Lactato
normal. Radiografia de tórax: congestão pulmonar acentuada e aumento leve da área cardíaca. O ECG está ilustrado
a seguir:
Com base no quadro clínico e na imagem apresentados, é correto afirmar que a conduta inicial apropriada, nesse
momento, é
Homem de 62 anos, portador de linfoma difuso de
grandes células B, iniciou seu primeiro ciclo de quimioterapia há 36 horas. Ele chega ao pronto atendimento por
apresentar náuseas intensas, vômitos, dor abdominal
difusa e sensação de fraqueza generalizada. Relata que,
desde a noite anterior, urinou pouco, apesar de estar
tentando manter boa hidratação oral, conforme recomendado pelo oncologista. No exame físico: Estado geral: cansado, mas orientado; PA: 104 x 66 mmHg; FC: 112 bpm;
FR: 22 irpm; SpO2: 96% em ar ambiente. Sem sinais de
congestão pulmonar. Abdome levemente doloroso, sem
peritonismo. Extremidades perfundidas, sem edema, e
sem sinais de desidratação grave. Os exames laboratoriais mostram: Potássio: 6,3 mEq/L; Fósforo: 6,8 mg/dL;
Cálcio: 7,1 mg/dL; Ácido úrico: 12,7 mg/dL; Creatinina:
2,1 mg/dL (basal 1,0 mg/dL); DHL: 2.100 U/L; ECG:
ondas T apiculadas difusas. A oncologia já havia prescrito hidratação endovenosa, nas primeiras 24 horas após
a quimioterapia, com adesão parcial. O paciente encontra-se hemodinamicamente estável, porém com clara
piora da função renal e distúrbios metabólicos graves. Considerando o quadro clínico e laboratorial, qual é a
conduta prioritária apropriada nesse momento, além da
administração de gluconato de cálcio?