“Não se pode negar que a maior vítima da escravidão foi o
próprio escravo, mas é inaceitável que ele continue sendo visto
apenas como vítima, seja em textos escolares, seja em filmes ou
programas de televisão, todos insistindo em negar-lhe um papel
ativo na construção de sua própria história. Demonstraremos,
então, como os escravos, os senhores brancos, os alforriados e
os demais homens livres construíram uma sociedade escravista,
com toda a sua complexidade.”
LIBBY, Douglas Cole; PAIVA Eduardo França. A escravidão no Brasil. Relações
sociais, acordos e conflitos. Editora Moderna, 2ª edição, São Paulo, 2005. p. 9.
O fragmento de texto retrata a complexidade que o sistema
escravista colonial assumiu na América portuguesa, estendendose desde o século XVI até as últimas décadas do XIX.
Destaca-se como uma das características desse modelo de
escravismo o fato de:
Acerca do empreendimento colonial português na América,
Gilberto Freire apresentou essa consideração:
“Para os portugueses o ideal teria sido não uma colônia de
plantação, mas outra Índia (...). As circunstâncias americanas
é que fizeram do povo colonizador de tendências menos
rurais ou, pelo menos, com o sentido agrário mais pervertido
pelo mercantilismo, o mais rural de todos: do povo que a Índia
transformara no mais parasitário, o mais criador. Entre aquelas
circunstâncias avultam imperiosas: as qualidades e as condições
físicas da terra; as condições morais e materiais da vida e cultura
de seus habitantes.”
FREIRE, Gilberto. Casa Grande e Senzala. SP, Global, 2006. p. 43.
Tendo como referência esse fragmento presente no clássico
“Casa Grande e Senzala”, pode-se considerar como um aspecto
da conjuntura que assinalou o início da colonização lusa na
América o fato:
“Maquiavel é um homem todo da sua época; e a sua ciência política
representa a filosofia do tempo, que tende para a organização
das monarquias nacionais absolutas, a forma política que permite
e facilita um ulterior desenvolvimento das forças produtivas
burguesas. Em Maquiavel pode descobrir-se in nuce (de forma
concisa) a separação dos poderes e o parlamentarismo (o regime
representativo): a sua “ferocia” dirige-se contra os resíduos do
mundo feudal, e não contra as classes progressistas. O Príncipe
deve pôr termo à anarquia feudal (...).”
GRAMSCI, António S. F. Obras Escolhidas. Editorial Estampa. Lisboa, 1974. p.
273-274.
António Gramsci, ao buscar aprofundar seus estudos sobre “A
Política como Ciência Autônoma”, retorna à Maquiavel quando
esse delineou os princípios fundamentais para a constituição
dos Estados Modernos. Chama a atenção para uma série de
considerações que devem ser feitas acerca do momento em
que Maquiavel elaborava seus estudos, que se apresentava
“estreitamente ligado às condições e às exigências de seu tempo”,
tais como:
“(...) Até meados do século IV a.C. Roma era ainda uma
entre as muitas cidades da ‘Itália’, inferior em poder e cultura
às cidades etruscas do Norte ou às gregas do Sul da península.
(...) A sua política imperialista não correspondeu a nenhum plano
preconcebido; teve como únicas determinantes a necessidade e
a avidez, renovadas em cada conquista. (...)”. BLOCH, Léon. Lutas Sociais na Roma Antiga. Publicações Europa-América. 1991.
p. 8-9.
A história da Roma Antiga torna-se fascinante em função,
principalmente, da cultura desenvolvida e dos avanços
conseguidos por essa civilização. De uma pequena cidadeEstado, tornou-se um dos maiores impérios da antiguidade.
A partir do fragmento de texto, deve-se considerar para uma
melhor interpretação acerca da clássica civilização romana:
Apontando para a expressão do corpo em movimento -
corpo esse que é diverso, que tem limites e possibilidades - e
distanciando-se de questões meramente técnicas e excludentes
que enfatizam o rendimento, a performance e a prática pela
prática, Fonseca e Ramos (2017) advogam por uma Educação
Física escolar que demanda a:
Coincidindo com as profundas transformações sociais em
Pernambuco, na virada do século XIX, para o início do século
XX, surgiu uma importante manifestação cultural tipicamente
pernambucana cujo nome advém de uma alteração popular
da palavra ferver. Reconhecido enquanto Patrimônio Cultural
Imaterial da Humanidade, o frevo, segundo Maria e Azevedo
(2020), conta com mais de 120 passos catalogados. Considerando
incluir o frevo no planejamento da Educação Física escolar, os/as
professores/as podem tematizar os movimentos nomeados:
Em seu livro “Educação Física cuida do corpo e... mente”,
o professor João Paulo Subirá Medina (1990) apresenta três
concepções fundamentais da Educação Física, estabelecendo
relação entre a caracterização de cada umas delas e os três níveis
de consciência colocados pela teoria freiriana. Tais níveis se
apresentam enquanto consciência intransitiva, transitiva ingênua
e transitiva crítica. Assim, durante o exercício analítico, o autor
destaca que determinada concepção “amplia o significado da
Educação Física, distanciando-se daquela visão mais comum e
vulgar estabelecida pela concepção convencional e, muitas vezes,
opondo-se a ela” (Medina, 1990, p.79). A referida concepção é
denominada:
Em seu capítulo no segundo volume do livro “Práticas
Pedagógicas em Educação Física Escolar. Corpo Consciente e
Questões de Gênero no chão da escola”, o professor Fabiano
Devide (2023) desenvolve a ideia da Coeducação no ensino da
Educação Física escolar, no sentido de garantia da igualdade de
oportunidades dentro das vivências dos conteúdos por parte dos
estudantes. Assim, refletindo sobre os princípios da Coeducação,
o autor assinala que a promoção da equidade no contexto
pedagógico demanda o/a:
O professor Jocimar Daolio (2020), refletindo sobre a
influência da produção de Marcel Mauss na Educação Física,
assinala, como uma das principais implicações para a área, que
o corpo não se explica exclusivamente a partir de considerações
biológicas. Além disso, Daolio (2020) destaca ainda que uma
outra implicação está relacionada à pluralidade dos corpos e à
garantia da livre expressão, apontando para a Educação Física o
imperativo de:
Em seu capítulo no livro “Educação Física, Soberania
Popular, Ciência e Vida”, a professora Sílvia Lüdorf (2022)
estabelece olhar para a constituição histórica do Grupo Temático
de Trabalho Corpo e Cultura (GTTCC) do Colégio Brasileiro
de Ciências do Esporte (CBCE), apontando para a pluralidade
de temas mobilizados em seus encontros científicos. A autora
reconhece que o GTTCC tem contado com a apresentação de
muitos trabalhos que, potencialmente, poderiam tangenciar outro
grupo temático, como o exemplo das pesquisas com interface
do corpo com as questões de gênero, com a escola ou com a
saúde/qualidade de vida. Ao pensar o referido Grupo Temático
de Trabalho em uma perspectiva de “Galeria Temática”, Lüdorf
(2022) explora esse rico mosaico de trabalhos apresentados ao
longo dos anos e destaca tal amplitude temática enquanto: