Foram encontradas 799 questões.
O ASSALTO
Carlos Drummond de Andrade
Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o
preço do chuchu:
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém,
correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua
inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de
comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando
um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela
rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser
assaltado?
— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a
exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando
a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes
era como a própria sirena policial, documentando, por seu
uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria
consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém
pudesse evitá-la. Moleques de carrinho corriam em todas as
direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as
mercadorias que transportavam. Não era o instinto de
propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo
transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se,
melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se
a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um,
inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é
que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?
— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!
O ônibus na rua transversal parou para assuntar. Passageiros
ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O
motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:
— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de
bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem
movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do
módulo lunar. Outros ônibus pararam, a rua entupiu.
— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas.
Assim eles não podem dar no pé.
— É uma mulher que chefia o bando!
— Já sei. A tal dondoca loira.
— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
— Vai ver que está caçando é marido.
— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
— Sangue nada, é tomate.
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma
joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia
joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não
levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular.
Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam
gravemente feridas. Barracas derrubadas assinalavam o
ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo
custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para
escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes
trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem
queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de
apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o
primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo
tempo, salvar o pelo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões
apinhados de moradores, que gritavam:
— Pega! Pega! Correu pra lá!
— Olha ela ali!
— É um mascarado! Não, são dois mascarados!
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a
pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não
havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído.
Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido,
confuso?
— Olha, um menino tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era
metralhadora!
Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A
senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando
sempre:
— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro
assalto!
O elemento conectivo introdutório do segmento acima retirado do texto introduz uma ideia de:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
O ASSALTO
Carlos Drummond de Andrade
Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o
preço do chuchu:
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém,
correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua
inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de
comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando
um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela
rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser
assaltado?
— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a
exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando
a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes
era como a própria sirena policial, documentando, por seu
uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria
consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém
pudesse evitá-la. Moleques de carrinho corriam em todas as
direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as
mercadorias que transportavam. Não era o instinto de
propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo
transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se,
melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se
a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um,
inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é
que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?
— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!
O ônibus na rua transversal parou para assuntar. Passageiros
ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O
motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:
— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de
bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem
movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do
módulo lunar. Outros ônibus pararam, a rua entupiu.
— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas.
Assim eles não podem dar no pé.
— É uma mulher que chefia o bando!
— Já sei. A tal dondoca loira.
— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
— Vai ver que está caçando é marido.
— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
— Sangue nada, é tomate.
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma
joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia
joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não
levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular.
Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam
gravemente feridas. Barracas derrubadas assinalavam o
ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo
custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para
escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes
trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem
queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de
apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o
primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo
tempo, salvar o pelo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões
apinhados de moradores, que gritavam:
— Pega! Pega! Correu pra lá!
— Olha ela ali!
— É um mascarado! Não, são dois mascarados!
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a
pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não
havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído.
Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido,
confuso?
— Olha, um menino tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era
metralhadora!
Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A
senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando
sempre:
— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro
assalto!
( ) É um período composto por subordinação, e suas orações subordinadas funcionam como termos essenciais, integrantes ou acessórios de outra oração.
( ) “a ocorrência grave” é um complemento da forma verbal “documentando” e a ela se liga por meio de preposição.
( ) “que fatalmente se estaria consumando ali” constitui uma oração adjetiva restritiva, já que vem introduzida por um pronome relativo e exerce a função de adjunto adnominal do substantivo “ocorrência” restringindo-o.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
O ASSALTO
Carlos Drummond de Andrade
Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o
preço do chuchu:
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém,
correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua
inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de
comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando
um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela
rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser
assaltado?
— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a
exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando
a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes
era como a própria sirena policial, documentando, por seu
uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria
consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém
pudesse evitá-la. Moleques de carrinho corriam em todas as
direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as
mercadorias que transportavam. Não era o instinto de
propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo
transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se,
melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se
a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um,
inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é
que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?
— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!
O ônibus na rua transversal parou para assuntar. Passageiros
ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O
motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:
— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de
bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem
movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do
módulo lunar. Outros ônibus pararam, a rua entupiu.
— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas.
Assim eles não podem dar no pé.
— É uma mulher que chefia o bando!
— Já sei. A tal dondoca loira.
— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
— Vai ver que está caçando é marido.
— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
— Sangue nada, é tomate.
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma
joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia
joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não
levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular.
Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam
gravemente feridas. Barracas derrubadas assinalavam o
ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo
custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para
escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes
trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem
queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de
apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o
primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo
tempo, salvar o pelo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões
apinhados de moradores, que gritavam:
— Pega! Pega! Correu pra lá!
— Olha ela ali!
— É um mascarado! Não, são dois mascarados!
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a
pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não
havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído.
Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido,
confuso?
— Olha, um menino tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era
metralhadora!
Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A
senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando
sempre:
— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro
assalto!
Provas
Questão presente nas seguintes provas
O ASSALTO
Carlos Drummond de Andrade
Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o
preço do chuchu:
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém,
correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua
inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de
comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando
um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela
rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser
assaltado?
— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a
exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando
a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes
era como a própria sirena policial, documentando, por seu
uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria
consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém
pudesse evitá-la. Moleques de carrinho corriam em todas as
direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as
mercadorias que transportavam. Não era o instinto de
propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo
transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se,
melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se
a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um,
inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é
que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?
— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!
O ônibus na rua transversal parou para assuntar. Passageiros
ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O
motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:
— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de
bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem
movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do
módulo lunar. Outros ônibus pararam, a rua entupiu.
— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas.
Assim eles não podem dar no pé.
— É uma mulher que chefia o bando!
— Já sei. A tal dondoca loira.
— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
— Vai ver que está caçando é marido.
— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
— Sangue nada, é tomate.
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma
joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia
joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não
levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular.
Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam
gravemente feridas. Barracas derrubadas assinalavam o
ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo
custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para
escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes
trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem
queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de
apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o
primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo
tempo, salvar o pelo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões
apinhados de moradores, que gritavam:
— Pega! Pega! Correu pra lá!
— Olha ela ali!
— É um mascarado! Não, são dois mascarados!
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a
pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não
havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído.
Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido,
confuso?
— Olha, um menino tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era
metralhadora!
Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A
senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando
sempre:
— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro
assalto!
Qual das opções abaixo substitui sem prejuízo de sentido o trecho sublinhado na frase retirada do texto?
Provas
Questão presente nas seguintes provas
O ASSALTO
Carlos Drummond de Andrade
Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o
preço do chuchu:
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém,
correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua
inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de
comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando
um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela
rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser
assaltado?
— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a
exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando
a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes
era como a própria sirena policial, documentando, por seu
uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria
consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém
pudesse evitá-la. Moleques de carrinho corriam em todas as
direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as
mercadorias que transportavam. Não era o instinto de
propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo
transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se,
melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se
a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um,
inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é
que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?
— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!
O ônibus na rua transversal parou para assuntar. Passageiros
ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O
motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:
— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de
bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem
movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do
módulo lunar. Outros ônibus pararam, a rua entupiu.
— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas.
Assim eles não podem dar no pé.
— É uma mulher que chefia o bando!
— Já sei. A tal dondoca loira.
— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
— Vai ver que está caçando é marido.
— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
— Sangue nada, é tomate.
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma
joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia
joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não
levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular.
Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam
gravemente feridas. Barracas derrubadas assinalavam o
ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo
custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para
escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes
trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem
queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de
apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o
primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo
tempo, salvar o pelo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões
apinhados de moradores, que gritavam:
— Pega! Pega! Correu pra lá!
— Olha ela ali!
— É um mascarado! Não, são dois mascarados!
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a
pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não
havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído.
Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido,
confuso?
— Olha, um menino tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era
metralhadora!
Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A
senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando
sempre:
— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro
assalto!
Entre as notícias que circularam, assinale a ÚNICA que, segundo o texto, realmente aconteceu:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
O ASSALTO
Carlos Drummond de Andrade
Na feira, a gorda senhora protestou a altos brados contra o
preço do chuchu:
— Isto é um assalto!
Houve um rebuliço. Os que estavam perto fugiram. Alguém,
correndo, foi chamar o guarda. Um minuto depois, a rua
inteira, atravancada, mas provida de um admirável serviço de
comunicação espontânea, sabia que se estava perpetrando
um assalto ao banco. Mas que banco? Havia banco naquela
rua? Evidente que sim, pois do contrário como poderia ser
assaltado?
— Um assalto! Um assalto! — a senhora continuava a
exclamar, e quem não tinha escutado, escutou, multiplicando
a notícia. Aquela voz subindo do mar de barracas e legumes
era como a própria sirena policial, documentando, por seu
uivo, a ocorrência grave, que fatalmente se estaria
consumando ali, na claridade do dia, sem que ninguém
pudesse evitá-la. Moleques de carrinho corriam em todas as
direções, atropelando-se uns aos outros. Queriam salvar as
mercadorias que transportavam. Não era o instinto de
propriedade que os impelia. Sentiam-se responsáveis pelo
transporte. E no atropelo da fuga, pacotes rasgavam-se,
melancias rolavam, tomates esborrachavam-se no asfalto. Se
a fruta cai no chão, já não é de ninguém; é de qualquer um,
inclusive do transportador. Em ocasiões de assalto, quem é
que vai reclamar uma penca de bananas meio amassadas?
— Olha o assalto! Tem um assalto ali adiante!
O ônibus na rua transversal parou para assuntar. Passageiros
ergueram-se, puseram o nariz para fora. Não se via nada. O
motorista desceu, desceu o trocador, um passageiro advertiu:
— No que você vai a fim do assalto, eles assaltam sua caixa.
Ele nem escutou. Então os passageiros também acharam de
bom alvitre abandonar o veículo, na ânsia de saber, que vem
movendo o homem, desde a idade da pedra até a idade do
módulo lunar. Outros ônibus pararam, a rua entupiu.
— Melhor. Todas as ruas estão bloqueadas.
Assim eles não podem dar no pé.
— É uma mulher que chefia o bando!
— Já sei. A tal dondoca loira.
— A loura assalta em São Paulo. Aqui é morena.
— Uma gorda. Está de metralhadora. Eu vi.
— Minha Nossa Senhora, o mundo está virado!
— Vai ver que está caçando é marido.
— Não brinca numa hora dessas. Olha aí sangue escorrendo!
— Sangue nada, é tomate.
Na confusão, circularam notícias diversas. O assalto fora a uma
joalheria, as vitrinas tinham sido esmigalhadas a bala. E havia
joias pelo chão, braceletes, relógios. O que os bandidos não
levaram, na pressa, era agora objeto de saque popular.
Morreram no mínimo duas pessoas, e três estavam
gravemente feridas. Barracas derrubadas assinalavam o
ímpeto da convulsão coletiva. Era preciso abrir caminho a todo
custo. No rumo do assalto, para ver, e no rumo contrário, para
escapar. Os grupos divergentes chocavam-se, e às vezes
trocavam de direção; quem fugia dava marcha à ré, quem
queria espiar era arrastado pela massa oposta. Os edifícios de
apartamentos tinham fechado suas portas, logo que o
primeiro foi invadido por pessoas que pretendiam, ao mesmo
tempo, salvar o pelo e contemplar lá de cima. Janelas e balcões
apinhados de moradores, que gritavam:
— Pega! Pega! Correu pra lá!
— Olha ela ali!
— É um mascarado! Não, são dois mascarados!
Ouviu-se nitidamente o pipocar de uma metralhadora, a
pequena distância. Foi um deitar-no-chão geral, e como não
havia espaço uns caíam por cima de outros. Cessou o ruído.
Voltou. Que assalto era esse, dilatado no tempo, repetido,
confuso?
— Olha, um menino tocando matraca! E a gente com dor-de-barriga, pensando que era
metralhadora!
Caíram em cima do garoto, que sorveteu na multidão. A
senhora gorda apareceu, muito vermelha, protestando
sempre:
— É um assalto! Chuchu por aquele preço é um verdadeiro
assalto!
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Considerando a diversidade de habilidades dos alunos, as
Inteligências Múltiplas podem ser integradas de forma eficaz
na prática educacional quando os educadores:
I - classificam rigidamente as categorias específicas de inteligência, limitando suas possibilidades de desenvolvimento;
II - incluem atividades artísticas para estimular a inteligência visual-espacial e jogos lógicos para a inteligência lógico-matemática;
III - consideram apenas aspectos intelectuais, omitindo completamente as habilidades emocionais e sociais dos alunos;
IV - criam um ambiente de aprendizagem flexível que permite aos alunos explorar diferentes formas de expressão;
V - oferecem diferentes formas de avaliação, como apresentações orais, projetos visuais, portfólios, avaliações práticas, entre outras.
Está CORRETO o que se afirma em:
I - classificam rigidamente as categorias específicas de inteligência, limitando suas possibilidades de desenvolvimento;
II - incluem atividades artísticas para estimular a inteligência visual-espacial e jogos lógicos para a inteligência lógico-matemática;
III - consideram apenas aspectos intelectuais, omitindo completamente as habilidades emocionais e sociais dos alunos;
IV - criam um ambiente de aprendizagem flexível que permite aos alunos explorar diferentes formas de expressão;
V - oferecem diferentes formas de avaliação, como apresentações orais, projetos visuais, portfólios, avaliações práticas, entre outras.
Está CORRETO o que se afirma em:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A Neurociência e a Educação buscam integrar os
conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro humano
com as práticas pedagógicas destacando a importância de:
I - abordagens pedagógicas que considerem a individualidade de cada aluno;
II - equilíbrio emocional na formação integral dos estudantes;
III - práticas que promovam um ambiente acolhedor, respeitoso e emocionalmente seguro;
IV - abordagens uniformes para todos os alunos, descartando a necessidade de personalização;
V - atividades puramente cognitivas e não físicas para o desenvolvimento cerebral.
Está CORRETO o que se afirma em:
I - abordagens pedagógicas que considerem a individualidade de cada aluno;
II - equilíbrio emocional na formação integral dos estudantes;
III - práticas que promovam um ambiente acolhedor, respeitoso e emocionalmente seguro;
IV - abordagens uniformes para todos os alunos, descartando a necessidade de personalização;
V - atividades puramente cognitivas e não físicas para o desenvolvimento cerebral.
Está CORRETO o que se afirma em:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
3306949
Ano: 2024
Disciplina: Direito da Criança e do Adolescente
Banca: Referência
Orgão: Pref. Rio Bonito-RJ
Disciplina: Direito da Criança e do Adolescente
Banca: Referência
Orgão: Pref. Rio Bonito-RJ
Provas:
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instituído
pela Lei nº 8.069/1990, assegura a crianças e adolescentes em
situações de vulnerabilidade medidas:
I - que contemplam o apoio e o acompanhamento da assistência social;
II - do tipo administrativas documentais que consideram as características étnicas;
III - de proteção que priorizam o bem-estar e o desenvolvimento integral da criança;
IV - de apoio sócio familiar, acolhimento institucional e colocação em família substituta;
V - como a retirada de crianças de seus ambientes familiares sem a devida justificativa.
Está CORRETO o que se afirma em:
I - que contemplam o apoio e o acompanhamento da assistência social;
II - do tipo administrativas documentais que consideram as características étnicas;
III - de proteção que priorizam o bem-estar e o desenvolvimento integral da criança;
IV - de apoio sócio familiar, acolhimento institucional e colocação em família substituta;
V - como a retirada de crianças de seus ambientes familiares sem a devida justificativa.
Está CORRETO o que se afirma em:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº
9394/96, atualizada, estabelece uma base normativa para a
organização e condução do Ensino Fundamental assegurando
a essa etapa:
I - suporte adicional aos alunos com a oferta de recuperação paralela;
II - diretrizes e conteúdos mínimos que todas as escolas devem abordar;
III - atendimento prioritário aos adolescentes com idade entre 15 e 17 anos;
IV - currículo padronizado para promover o pleno desenvolvimento.
Está CORRETO o que se afirma em:
I - suporte adicional aos alunos com a oferta de recuperação paralela;
II - diretrizes e conteúdos mínimos que todas as escolas devem abordar;
III - atendimento prioritário aos adolescentes com idade entre 15 e 17 anos;
IV - currículo padronizado para promover o pleno desenvolvimento.
Está CORRETO o que se afirma em:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container