O trabalho com as práticas corporais
indígenas na Educação Física escolar é
fundamental para a construção de um processo
pedagógico crítico e potente. Nesse sentido,
Pereira (2021) reflete sobre a tematização das lutas
indígenas. Uma das lutas descritas pela autora no
livro ocorre da seguinte forma: “A luta é realizada
com os adversários ajoelhados e se inicia quando o
chamado kindotoko, que quer dizer “dono da luta”,
caminha até o centro da arena e chama pelo nome
o seu adversário” (Pereira, 2021, p. 91). A descrição
anterior caracteriza a seguinte luta:
A Educação Física escolar encontra-se
dentro de um sistema de ensino separado por
anos de escolaridade que favorece a
fragmentação e o etapismo do processo de
ensino e aprendizagem. Buscando superar
essa lógica, Soares et al. (2012) sugerem que
a Educação Básica seja dividida por quatro
ciclos de escolarização. Nesse sentido, para os
referidos autores, o segundo ciclo de
escolarização é o “ciclo de iniciação à
sistematização do conhecimento”. Nesse ciclo,
o aluno
No âmbito da Educação Física escolar,
existem diversas abordagens teóricas que
contribuem para o desenvolvimento do processo
pedagógico da presente disciplina. Nesse sentido,
Soares et al. (2012) destacam que a perspectiva de
Educação Física escolar, que tem como seu objeto
de reflexão a cultura corporal, contribui para a
Em diálogo com estudos do campo da
decolonialidade, Oliveira e Silva (2020) convida
as(os) leitoras(es) a pensar sobre os caminhos
possíveis para a (des)decolonização da
Educação Física, tanto na dimensão da prática
pedagógica na escola, quanto na formação dos
professores que atuarão na área. Nesse
sentido, a agenda é apresentada na
perspectiva de “se pensar em uma Educação
Física ‘outra’ que contribua para a
desconstrução da sociedade colonial, ou seja,
essa sociedade marcada pela estrutura
patriarcal, racista e capitalista na qual estamos
imersos hoje” (Oliveira e Silva, 2020, p. 98).
Diante de tais desafios e reflexões levantados,
a autora apresenta um conjunto de estratégias
de insurgência para a prática pedagógica da
Educação Física escolar, como
Tenório e col. (2020) desenvolvem
relevante reflexão sobre a organização dos
saberes escolares da Educação Física à luz da
perspectiva Crítico-Superadora, explorando,
consequentemente, a contundente influência
da Pedagogia Histórico-Crítica (PHC) na sua
constituição. Cabe destacar que tal pedagogia
é sustentada por específicas compreensões
sobre o conjunto de atividades desenvolvidas
na escola, como o caso do currículo escolar,
que: “tem como objeto a reflexão Pedagógica,
e é entendido na perspectiva da formação
política dos estudantes, com participação ativa
e crítica, na transformação social pela
construção da consciência de classe” (Tenório
e col., 2020, p. 60).
Além de assinalar que, na
Pedagogia Histórico-Crítica, as disciplinas
escolares são concebidas enquanto um
conjunto de conteúdos afins, os autores
consideram que a educação escolar é
entendida como
Ao refletir sobre as possíveis interfaces
entre a educação política e a educação
sensível na obra de Paulo Freire, Prodócimo
(2023) assinala como uma necessidade central
da pedagogia freiriana o diálogo, que
pressupõe uma escuta ativa e atenciosa,
exigindo amor, humildade, fé e confiança.
Logo, quando se pensa a relação educador e
educando, o diálogo possibilita a emancipação
humana e o “ser mais”, assumindo que todos
são seres inacabados. Desse modo, quando
busca articulação com o contexto da Educação
Física escolar, a autora propõe também que o
diálogo
Com inspiração em Paulo Freire, a Teoria
Pedagógica da Educação Física Escolar
Crítico-Libertadora, enquanto uma alternativa
crítica para a área, é apresentada por Bossle
(2023, p.71) como “alinhada pelo corpo do
oprimido, do corpo consciente e por uma ontoepisteme libertadora”. No desenvolvimento de
suas notas sobre a supracitada teoria, o autor
mobiliza o conceito freiriano de “ser mais” como
Daolio (2004), a partir da ótica da
Antropologia Social, analisou como as
abordagens da Educação Física e seus
respectivos autores mobilizaram o conceito de
cultura. Após esse processo de análise, o
referido autor propõe uma “Educação Física da
desordem”, que atuaria sobre o ser humano no
que toca às suas
A sistematização do conteúdo é
fundamental para a construção de um processo
de ensino e aprendizagem crítico na Educação
Física escolar. Nesse sentido, de acordo com o
Soares et al. (2012), os princípios curriculares
fundamentais para a seleção e organização do
conteúdo são:
Ao estabelecerem lente analítica sobre a
determinação social da atividade física, Palma,
Paiva e Araújo (2022) problematizam as taxas
de sedentarismo e os discursos a elas
conectados. Consequentemente, mirando o
contexto brasileiro de 2022, os autores listam
aspectos a serem considerados: “Pensar a
saúde, ou a prática de atividades físicas, no
Brasil de hoje, nesse sentido, requer
compreender a sistemática perda de direitos; o
desmonte nos serviços públicos, como no caso
do Sistema Único de Saúde; as condições
sócio-político-econômicas vigentes; (Palma;
Paiva; Araújo, 2022, p.63)”. Em suma, Palma,
Paiva e Araújo (2022) defendem que o tratamento das relações entre saúde e
atividade física demanda a reflexão sobre