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O ninho não mais vazio
Há dias, escrevi sobre uma amiga cujos filhos tinham acabado de sair de casa e que estava experimentando o que os psicólogos chamam de “síndrome do ninho vazio”. Aproveitei para contar que eu próprio entre o Natal e o réveillon, vivera algo parecido, só que ao pé da letra. Uma rolinha — Lola, a Rola —, fizera seu ninho no meu terraço e passara uma semana sentada sobre um ovo, do qual saiu Lolita, a Rolita. E, antes que eu tivesse o prazer de ver mãe e filha em ação, voando para lá e para cá, foram embora sem se despedir. Ali entendi a síndrome do ninho vazio.
Outro amigo, cujo conhecimento sobre os pássaros aprendi a admirar, me garantiu que Lola, a Rola não podia estar muito longe. “Ela gostou daqui”, ele disse. “Val voltar para fazer ia outro ninho”. E, para que eu não me jactasse de minhas virtudes como anfitrião, explicou-me que isso é instintivo nos pássaros. Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar. Com isso, retomei meu posto de observação — e não é que meu amigo tinha razão?
Lola, a Rola reapareceu e logo começou os trabalhos. Reconheci-a pelo estilo de gravetos que recolhe — secos, fininhos e compridos. Em poucos dias o novo ninho ficou pronto, não muito distante do ninho original, este já em escombros. Só que, agora, com uma importante colaboração: a de seu marido Rollo, o Rola, talvez como mestre de obras. O fato é que, ao contrário da primeira vez, tive várias oportunidades de ver o casal empenhado na construção.
E assim, com duas semanas de intervalo, eis-me avô de mais um ovo. Que, pela lei das probabilidades, deverá produzir um macho. E, sendo filho de Lola, a Rola e Rollo, o Rola, só poderá se chamar — claro — Rolezinho.
Não vou dizer o nome de meu amigo amador de ornitologia, Só as iniciais: Janio de Freitas,
(CASTRO, Ruy, À arte de querer bem. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2018. p.21/ 22)
Assinale a alternativa que apresenta uma onomatopeia (palavra que reproduz ruídos ou som):
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Como é denominada a técnica radiográfica realizada com o paciente em hiper-extensão da cabeça, fazendo com que o feixe de Raios X incida perpendicularmente à base da mandíbula, enquanto a região do vértice craniano está apoiada no chassi?
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“Baby boomers”
De repente o mundo descobriu que a geração baby boom está em idade de se aposentar. Os baby boomers, você sabe, foram as crianças nascidas logo a seguir à Segunda Guerra, quando milhões de soldados voltaram para seus países e começaram a casar e a procriar em massa. Os que tinham ficado em casa, de ouvido na BBC, fizeram o mesmo, talvez por uma sensação de alívio, diante do apocalipse que não aconteceu, mas poderia ter acontecido — e, então, mais do que nunca, pela súbita existência da bomba atômica.
Curioso é que, em vez de partir para a esbómia em face do possível fim do mundo, os jovens do pós-guerra adotaram a singela atitude de casar e “constituir família”. Pode ser que, depois de anos em trincheiras, reais ou metafóricas, o lar lhes parecesse um casulo protetor. Dal tantos casamentos e, em meses, milhões de novos cidadãozinhos no mundo. Um deles, eu — porque, nascido em 1948, sou um legitimo baby boomer.
Bem, passaram-se décadas, e, nós, os baby boomers já podemos ser avaliados, Em vários departamentos não; fizemos feio. Ativos desde os anos 1960, revolucionamos a tecnologia, avançamos espetacularmente a medicina e as comunicações, implantamos o sexo sem culpa, a consciência ecológica, os direitos das mulheres, das minorias e dos animais, etc.
Em compensação, tornamos as cidades impraticáveis, disseminamos as drogas, destruímos o cinema e a música popular, triplicamos a pobreza, intoxicamos o planeta com publicidade, carros e agrotóxicos, compramos e vendemos armas, políticos e tudo que pudesse ser negociado — enfim, vamos deixar também uma bela lambança.
E pensar que nossos pais, quando nos conceberam, só queriam um pouco de sossego, Seleções, Ovomaltine, discos de Carlos Galhardo, uma cama quente, um pijama e, para eles, sim uma merecida aposentadoria.
(CASTRO, Ruy, A Arte de Querer Bem. p. 23/24)
O verbo pertence a terceira conjugação em:
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