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4128693 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o texto a seguir, do escritor moçambicano Mia Couto.

 

“Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte.”

 

(Mia Couto. Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007)

 

As expressões “se arrastavam” e “se acostumaram ao chão”, destacadas no texto, têm como sinônimos adequados ao contexto, respectivamente:

 

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4128692 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Para responder à questão, leia o poema de Manuel Bandeira.

 

POEMA DE FINADOS

Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.

Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.

O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.

(BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro:
Cia. José Aguilar, 1967, p. 265)

 

No poema, são empregados verbos no

 

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4128691 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o texto para responder à questão.

 

Era um leilão de escravos. Na fileira dos infelizes que estavam ali de mistura com os móveis, havia uma pobre criancinha abrindo olhos espantados e ignorantes para todos. Todos foram atraídos pela tenra idade e triste singeleza da pequena. Entre outros, notei um indivíduo que, mais curioso que compadecido, conjeturava a meia voz o preço por que se venderia aquele semovente.

 

Travamos conversa e fizemos conhecimento; quando ele soube que eu manejava a enxadinha com que agora revolvo estas terras do folhetim [da crônica], deixou escapar dos lábios uma exclamação:

 

— Ah!

 

Estava longe de conhecer o que havia neste — Ah! — tão misterioso e tão significativo.

 

Minutos depois começou o pregão da pequena. O meu indivíduo cobria os lanços, com incrível desespero, a ponto de pôr fora de combate todos os pretendentes, exceto um que lutou ainda por algum tempo, mas que afinal teve de ceder.

 

O preço definitivo da desgraçadinha era fabuloso. Só o amor à humanidade podia explicar aquela luta da parte do meu novo conhecimento; não perdi de vista o comprador, convencido de que iria disfarçadamente ao leiloeiro dizer-lhe que a quantia lançada era aplicada à liberdade da infeliz. Pus-me à espreita da virtude.

 

O comprador não me desiludiu, porque, apenas começava a espreitá-lo, ouvi-lhe dizer alto e bom som:

 

— É para a liberdade!

 

O último combatente do leilão foi ao filantropo, apertou- lhe as mãos e disse-lhe:

 

— Eu tinha a mesma intenção.

 

O filantropo voltou-se para mim e pronunciou baixinho as seguintes palavras, acompanhadas de um sorriso:

 

— Não vá agora dizer lá na folha que eu pratiquei este ato de caridade.

 

Satisfiz religiosamente o dito do filantropo, mas nem assim me furtei à honra de ver o caso publicado e comentado nos outros jornais.

 

(Machado de Assis. Ao Acaso. Obra Completa. Rio de Janeiro:

Edições W. M. Jackson,1937, vol 21, p 67-69. Texto originalmente publicado

no Diário do Rio de Janeiro, em 25 de julho de 1864)

 

* Semovente – ser que se move por si próprio ou anda.

* Folhetim – publicação seriada (ficção, critica ou crônica)

* Pregão – em um leilão, ajuste do preço final por meio de lances.

* Filantropo – aquele que age em favor de seu semelhante por amor a humanidade.

 

Está empregado em sentido figurado o termo destacado em:

 

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4128690 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o texto para responder à questão.

 

Era um leilão de escravos. Na fileira dos infelizes que estavam ali de mistura com os móveis, havia uma pobre criancinha abrindo olhos espantados e ignorantes para todos. Todos foram atraídos pela tenra idade e triste singeleza da pequena. Entre outros, notei um indivíduo que, mais curioso que compadecido, conjeturava a meia voz o preço por que se venderia aquele semovente.

 

Travamos conversa e fizemos conhecimento; quando ele soube que eu manejava a enxadinha com que agora revolvo estas terras do folhetim [da crônica], deixou escapar dos lábios uma exclamação:

 

— Ah!

 

Estava longe de conhecer o que havia neste — Ah! — tão misterioso e tão significativo.

 

Minutos depois começou o pregão da pequena. O meu indivíduo cobria os lanços, com incrível desespero, a ponto de pôr fora de combate todos os pretendentes, exceto um que lutou ainda por algum tempo, mas que afinal teve de ceder.

 

O preço definitivo da desgraçadinha era fabuloso. Só o amor à humanidade podia explicar aquela luta da parte do meu novo conhecimento; não perdi de vista o comprador, convencido de que iria disfarçadamente ao leiloeiro dizer-lhe que a quantia lançada era aplicada à liberdade da infeliz. Pus-me à espreita da virtude.

 

O comprador não me desiludiu, porque, apenas começava a espreitá-lo, ouvi-lhe dizer alto e bom som:

 

— É para a liberdade!

 

O último combatente do leilão foi ao filantropo, apertou- lhe as mãos e disse-lhe:

 

— Eu tinha a mesma intenção.

 

O filantropo voltou-se para mim e pronunciou baixinho as seguintes palavras, acompanhadas de um sorriso:

 

— Não vá agora dizer lá na folha que eu pratiquei este ato de caridade.

 

Satisfiz religiosamente o dito do filantropo, mas nem assim me furtei à honra de ver o caso publicado e comentado nos outros jornais.

 

(Machado de Assis. Ao Acaso. Obra Completa. Rio de Janeiro:

Edições W. M. Jackson,1937, vol 21, p 67-69. Texto originalmente publicado

no Diário do Rio de Janeiro, em 25 de julho de 1864)

 

* Semovente – ser que se move por si próprio ou anda.

* Folhetim – publicação seriada (ficção, critica ou crônica)

* Pregão – em um leilão, ajuste do preço final por meio de lances.

* Filantropo – aquele que age em favor de seu semelhante por amor a humanidade.

 

A ironia que permeia a crônica machadiana acaba por evidenciar

 

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4128689 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o soneto do poeta português Luís de Camões.

 

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É um solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

(Luís de Camões. Obra completa, 2003)

 

A principal figura de linguagem mobilizada pelo eu lírico na construção do soneto é

 

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4128688 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o texto para responder à questão.

 

O que é o trabalho escravo contemporâneo?

 

Na legislação brasileira, o artigo 149 do Código Penal prevê os elementos que caracterizam a redução de um ser humano à condição análoga à de escravo. São eles: a submissão a trabalhos forçados ou a jornadas exaustivas, a sujeição a condições degradantes de trabalho e a restrição de locomoção do trabalhador.

 

O conceito de trabalho escravo contemporâneo trazido pelo ordenamento brasileiro representa grande avanço no combate a essa dura realidade, pois evidencia que, nos tempos atuais, sua configuração vai muito além da privação de liberdade, ocorrendo nas mais amplas situações de ofensa à dignidade do ser humano, como em hipóteses de submissão a condições degradantes de trabalho, jornadas exaustivas ou forçadas por dívidas impostas aos trabalhadores.

 

(Disponível em https://www.cnmp.mp.br. Acesso em 15.08.2023. Adaptado)

 

Considere o título e subtítulo de uma matéria jornalística publicada em um portal de notícias:

 

Brasil resgatou 918 vítimas de trabalho escravo em 2023,

recorde para um 1º trimestre em 15 anos.

 

Número foi registrado entre janeiro e 20 de março deste ano, por meio de operações do Ministério do Trabalho. Volume representa uma alta de 124%, em relação aos primeiros três meses de 2022.

 

(Paula Salati. Disponível em https://g1.globo.com.

Acesso em 23.08.2023. Adaptado)

 

Relacionado o texto “O que é o trabalho escravo contemporâneo?” com a chamada para a matéria do portal de notícias, conclui-se que

 

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4128687 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o texto para responder à questão.

 

O que é o trabalho escravo contemporâneo?

 

Na legislação brasileira, o artigo 149 do Código Penal prevê os elementos que caracterizam a redução de um ser humano à condição análoga à de escravo. São eles: a submissão a trabalhos forçados ou a jornadas exaustivas, a sujeição a condições degradantes de trabalho e a restrição de locomoção do trabalhador.

 

O conceito de trabalho escravo contemporâneo trazido pelo ordenamento brasileiro representa grande avanço no combate a essa dura realidade, pois evidencia que, nos tempos atuais, sua configuração vai muito além da privação de liberdade, ocorrendo nas mais amplas situações de ofensa à dignidade do ser humano, como em hipóteses de submissão a condições degradantes de trabalho, jornadas exaustivas ou forçadas por dívidas impostas aos trabalhadores.

 

(Disponível em https://www.cnmp.mp.br. Acesso em 15.08.2023. Adaptado)

 

Depreende-se da leitura do texto que

 

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4128686 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o texto para responder à questão.

 

Queixa

 

Um amor assim delicado

Você pega e despreza

Não devia ter despertado

Ajoelha e não reza

 

Dessa coisa que mete medo

Pela sua grandeza

Não sou o único culpado

Disso eu tenho a certeza

 

Princesa, surpresa, você me arrasou

Serpente, nem sente que me envenenou

Senhora, e agora, me diga onde eu vou

Senhora, serpente, princesa

 

Um amor assim violento

Quando torna-se mágoa

É o avesso de um sentimento

Oceano sem água

 

Ondas, desejos de vingança

Nessa desnatureza

Batem forte sem esperança

Contra a tua dureza

 

(...)

 

Você pensa que eu tenho tudo

E vazio me deixa

Mas Deus não quer que eu fique mudo

E eu te grito esta queixa

 

(VELOSO, Caetano. Queixa. In: Cores, Philips, 1982)

 

Na canção, o eu-lírico dirige-se à sua interlocutora, mediante vocativo,

 

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4128685 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o texto para responder à questão.

 

Queixa

 

Um amor assim delicado

Você pega e despreza

Não devia ter despertado

Ajoelha e não reza

 

Dessa coisa que mete medo

Pela sua grandeza

Não sou o único culpado

Disso eu tenho a certeza

 

Princesa, surpresa, você me arrasou

Serpente, nem sente que me envenenou

Senhora, e agora, me diga onde eu vou

Senhora, serpente, princesa

 

Um amor assim violento

Quando torna-se mágoa

É o avesso de um sentimento

Oceano sem água

 

Ondas, desejos de vingança

Nessa desnatureza

Batem forte sem esperança

Contra a tua dureza

 

(...)

 

Você pensa que eu tenho tudo

E vazio me deixa

Mas Deus não quer que eu fique mudo

E eu te grito esta queixa

 

(VELOSO, Caetano. Queixa. In: Cores, Philips, 1982)

 

Considerando a canção de Caetano Veloso como um todo, pode-se afirmar que

 

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4128684 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: PPS

Leia o soneto do poeta português Luís de Camões.

 

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É um solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

(Luís de Camões. Obra completa, 2003)

 

Em contraste com os demais versos do soneto (enunciados de forma relativamente mais objetiva e neutra), observa-se um índice de subjetividade na enunciação do seguinte verso:

 

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