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TEXTO 02
Cruzamento
Vou para o dentista, duas da tarde, meu carro corta com esforço
a geleia modorrenta1 em que o ar se transformou esses dias.
Um casal de adolescentes começa a atravessar a rua, de mãos
dadas, à minha frente. Eles dão uma olhada para o meu carro,
de leve, calculando. A garota faz menção de apressar o passo,
o garoto a dissuade com um olhar de esguelha e, talvez, um
discretíssimo aperto na mão. Eles seguem seu ritmo, lento, rumo
a outra calçada.
Se nenhum de nós mudarmos nossas velocidades, acabarei por
atropelá-los. É evidente que eles sabem disso, como é evidente
que isso não acontecerá, pois eu venho devagar e basta pisar
de leve no freio e pronto, saímos todos, são e salvos, eu para
o dentista, e eles para a casa dos pais de um deles, onde se
deitarão numa cama de solteiro, embaixo de uma parede cheia de
fotos e pôsteres e frases de canetinha hidrocor tipo Ju-eu-te-amoamiga!
e descobrirão que a vida é boa.
Esse pequeno acontecimento me atinge em algum calo das
minhas neuroses urbanas. Irrito-me porque fingiram que a
velocidade deles estava certa. No entanto, sabem que, se não
morreram atropelados, é porque eu diminuí o ritmo. Mais ainda,
talvez, porque o garoto passou para a menina a ideia, naquele
olhar fugaz, de que com ele ela estava segura, de que era só
confiar e tudo daria certo, eles chegariam ao outro lado da rua,
depois ao outro lado do mundo, se quisessem, e seriam felizes
para sempre. Mas foi o tiozão aqui quem tornou a travessia
possível.
Percebo então que quem atravessou a rua à minha frente não foi
um casal de adolescentes, foi a adolescência em si. E quem freou
o carro não fui eu, mas a idade adulta. É assim que a adolescência
lida com o mundo. Não capitula2: arrisca, peita. “Imagina, se eu
mudo meu ritmo, o mundo é que se acostume a ele!”. E porque
os adolescentes têm um anjo protetor dos mais poderosos, ou,
pelo menos, uma sorte do tamanho de um bonde, acontece de
chegarem, quase sempre, sãos e salvos do outro lado da rua.
Já a idade adulta pondera, põe o pé no freio quando convém,
faz concessões ao mundo, dirige afinado com a sinfonia dos
outros, dentro dessa outra geleia modorrenta cujo nome, hoje,
soa tão adolescente: sistema. E por isso me irrito, porque ali,
naquela rua, diminuindo meu ritmo, me percebo velho, adequado,
apascentado3. Eles vão no ritmo deles, a realidade que se vire.
É assim, distraídos, que mudam o mundo.
PRATA, Antonio. Estadão, 23/12/2008. Disponível em: http://blogdoantonioprata. blogspot.com/2007/10/cruzamento.html. Acesso em: 20 out 2024. Adaptado.
TEXTO 03:
E vamos à luta
Eu acredito é na rapaziada, Que segue em frente e segura o rojão Eu ponho fé é na fé da moçada, Que não foge da fera e enfrenta o leão Eu vou à luta com essa juventude, Que não corre da raia a troco de nada Eu vou no bloco dessa mocidade, Que não tá na saudade e constrói A manhã desejada
Aquele que sabe que é negro o couro da gente E segura a batida da vida o ano inteiro Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro E apesar dos pesares, ainda se orgulha de ser brasileiro Aquele que sai da batalha, entra no botequim Pede uma cerva gelada e agita na mesa uma batucada Aquele que manda o pagode e sacode a poeira suada da luta
E faz a brincadeira, pois o resto é besteira E nós estamos pelaí...
GONZAGUINHA. E vamos à luta. São Paulo: EMI Records, 1980. LP, 39 min.
Os jovens da crônica “Cruzamento” (Texto 2) e os jovens retratados na canção “E vamos à luta” (Texto 3), diante da necessidade de buscar soluções no contexto em que vivem, apresentam uma reação:
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E vamos à luta
Eu acredito é na rapaziada, Que segue em frente e segura o rojão Eu ponho fé é na fé da moçada, Que não foge da fera e enfrenta o leão Eu vou à luta com essa juventude, Que não corre da raia a troco de nada Eu vou no bloco dessa mocidade, Que não tá na saudade e constrói A manhã desejada
Aquele que sabe que é negro o couro da gente E segura a batida da vida o ano inteiro Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro E apesar dos pesares, ainda se orgulha de ser brasileiro Aquele que sai da batalha, entra no botequim Pede uma cerva gelada e agita na mesa uma batucada Aquele que manda o pagode e sacode a poeira suada
[da luta
E faz a brincadeira, pois o resto é besteira E nós estamos pelaí...
GONZAGUINHA. E vamos à luta. São Paulo: EMI Records, 1980. LP, 39 min.
O pronome relativo “que”, presente no início de quatro versos da primeira estrofe, além de conferir ritmo à canção, atua estabelecendo conexão entre:
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E vamos à luta
Eu acredito é na rapaziada, Que segue em frente e segura o rojão Eu ponho fé é na fé da moçada, Que não foge da fera e enfrenta o leão Eu vou à luta com essa juventude, Que não corre da raia a troco de nada Eu vou no bloco dessa mocidade, Que não tá na saudade e constrói A manhã desejada
Aquele que sabe que é negro o couro da gente E segura a batida da vida o ano inteiro Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro E apesar dos pesares, ainda se orgulha de ser brasileiro Aquele que sai da batalha, entra no botequim Pede uma cerva gelada e agita na mesa uma batucada Aquele que manda o pagode e sacode a poeira suada
[da luta
E faz a brincadeira, pois o resto é besteira E nós estamos pelaí...
GONZAGUINHA. E vamos à luta. São Paulo: EMI Records, 1980. LP, 39 min.
Na letra da canção de Gonzaguinha, percebe-se a visão do eu lírico a respeito de uma juventude resistente e forte. Essa afirmativa pode ser comprovada a partir de uma criteriosa seleção de palavras, evidenciada pela presença de substantivos tais como:
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Cruzamento
Vou para o dentista, duas da tarde, meu carro corta com esforço a geleia modorrenta1 em que o ar se transformou esses dias. Um casal de adolescentes começa a atravessar a rua, de mãos dadas, à minha frente. Eles dão uma olhada para o meu carro, de leve, calculando. A garota faz menção de apressar o passo, o garoto a dissuade com um olhar de esguelha e, talvez, um discretíssimo aperto na mão. Eles seguem seu ritmo, lento, rumo a outra calçada.
Se nenhum de nós mudarmos nossas velocidades, acabarei por atropelá-los. É evidente que eles sabem disso, como é evidente que isso não acontecerá, pois eu venho devagar e basta pisar de leve no freio e pronto, saímos todos, são e salvos, eu para o dentista, e eles para a casa dos pais de um deles, onde se deitarão numa cama de solteiro, embaixo de uma parede cheia de fotos e pôsteres e frases de canetinha hidrocor tipo Ju-eu-te-amoamiga! e descobrirão que a vida é boa.
Esse pequeno acontecimento me atinge em algum calo das minhas neuroses urbanas. Irrito-me porque fingiram que a velocidade deles estava certa. No entanto, sabem que, se não morreram atropelados, é porque eu diminuí o ritmo. Mais ainda, talvez, porque o garoto passou para a menina a ideia, naquele olhar fugaz, de que com ele ela estava segura, de que era só confiar e tudo daria certo, eles chegariam ao outro lado da rua, depois ao outro lado do mundo, se quisessem, e seriam felizes para sempre. Mas foi o tiozão aqui quem tornou a travessia possível.
Percebo então que quem atravessou a rua à minha frente não foi um casal de adolescentes, foi a adolescência em si. E quem freou o carro não fui eu, mas a idade adulta. É assim que a adolescência lida com o mundo. Não capitula2: arrisca, peita. “Imagina, se eu mudo meu ritmo, o mundo é que se acostume a ele!”. E porque os adolescentes têm um anjo protetor dos mais poderosos, ou, pelo menos, uma sorte do tamanho de um bonde, acontece de chegarem, quase sempre, sãos e salvos do outro lado da rua.
Já a idade adulta pondera, põe o pé no freio quando convém, faz concessões ao mundo, dirige afinado com a sinfonia dos outros, dentro dessa outra geleia modorrenta cujo nome, hoje, soa tão adolescente: sistema. E por isso me irrito, porque ali, naquela rua, diminuindo meu ritmo, me percebo velho, adequado, apascentado3. Eles vão no ritmo deles, a realidade que se vire.
É assim, distraídos, que mudam o mundo.
PRATA, Antonio. Estadão, 23/12/2008. Disponível em: http://blogdoantonioprata. blogspot.com/2007/10/cruzamento.html. Acesso em: 20 out 2024. Adaptado.
Vocabulário:
1. modorrenta – desinteressante
2. capitula – cede
3. apascentado – adequado
No contexto do 4º parágrafo, os dois-pontos presentes no trecho “Não capitula: arrisca, peita” constroem uma pausa e permitem ao leitor inferir a seguinte relação de sentido:
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Cruzamento
Vou para o dentista, duas da tarde, meu carro corta com esforço a geleia modorrenta1 em que o ar se transformou esses dias. Um casal de adolescentes começa a atravessar a rua, de mãos dadas, à minha frente. Eles dão uma olhada para o meu carro, de leve, calculando. A garota faz menção de apressar o passo, o garoto a dissuade com um olhar de esguelha e, talvez, um discretíssimo aperto na mão. Eles seguem seu ritmo, lento, rumo a outra calçada.
Se nenhum de nós mudarmos nossas velocidades, acabarei por atropelá-los. É evidente que eles sabem disso, como é evidente que isso não acontecerá, pois eu venho devagar e basta pisar de leve no freio e pronto, saímos todos, são e salvos, eu para o dentista, e eles para a casa dos pais de um deles, onde se deitarão numa cama de solteiro, embaixo de uma parede cheia de fotos e pôsteres e frases de canetinha hidrocor tipo Ju-eu-te-amoamiga! e descobrirão que a vida é boa.
Esse pequeno acontecimento me atinge em algum calo das minhas neuroses urbanas. Irrito-me porque fingiram que a velocidade deles estava certa. No entanto, sabem que, se não morreram atropelados, é porque eu diminuí o ritmo. Mais ainda, talvez, porque o garoto passou para a menina a ideia, naquele olhar fugaz, de que com ele ela estava segura, de que era só confiar e tudo daria certo, eles chegariam ao outro lado da rua, depois ao outro lado do mundo, se quisessem, e seriam felizes para sempre. Mas foi o tiozão aqui quem tornou a travessia possível.
Percebo então que quem atravessou a rua à minha frente não foi um casal de adolescentes, foi a adolescência em si. E quem freou o carro não fui eu, mas a idade adulta. É assim que a adolescência lida com o mundo. Não capitula2: arrisca, peita. “Imagina, se eu mudo meu ritmo, o mundo é que se acostume a ele!”. E porque os adolescentes têm um anjo protetor dos mais poderosos, ou, pelo menos, uma sorte do tamanho de um bonde, acontece de chegarem, quase sempre, sãos e salvos do outro lado da rua.
Já a idade adulta pondera, põe o pé no freio quando convém, faz concessões ao mundo, dirige afinado com a sinfonia dos outros, dentro dessa outra geleia modorrenta cujo nome, hoje, soa tão adolescente: sistema. E por isso me irrito, porque ali, naquela rua, diminuindo meu ritmo, me percebo velho, adequado, apascentado3. Eles vão no ritmo deles, a realidade que se vire.
É assim, distraídos, que mudam o mundo.
PRATA, Antonio. Estadão, 23/12/2008. Disponível em: http://blogdoantonioprata. blogspot.com/2007/10/cruzamento.html. Acesso em: 20 out 2024. Adaptado.
Vocabulário:
1. modorrenta – desinteressante
2. capitula – cede
3. apascentado – adequado
A crônica é um gênero textual em que, muitas vezes, verificase o registro coloquial. O trecho que revela uma construção mais próxima desse registro é:
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Cruzamento
Vou para o dentista, duas da tarde, meu carro corta com esforço a geleia modorrenta1 em que o ar se transformou esses dias. Um casal de adolescentes começa a atravessar a rua, de mãos dadas, à minha frente. Eles dão uma olhada para o meu carro, de leve, calculando. A garota faz menção de apressar o passo, o garoto a dissuade com um olhar de esguelha e, talvez, um discretíssimo aperto na mão. Eles seguem seu ritmo, lento, rumo a outra calçada.
Se nenhum de nós mudarmos nossas velocidades, acabarei por atropelá-los. É evidente que eles sabem disso, como é evidente que isso não acontecerá, pois eu venho devagar e basta pisar de leve no freio e pronto, saímos todos, são e salvos, eu para o dentista, e eles para a casa dos pais de um deles, onde se deitarão numa cama de solteiro, embaixo de uma parede cheia de fotos e pôsteres e frases de canetinha hidrocor tipo Ju-eu-te-amoamiga! e descobrirão que a vida é boa.
Esse pequeno acontecimento me atinge em algum calo das minhas neuroses urbanas. Irrito-me porque fingiram que a velocidade deles estava certa. No entanto, sabem que, se não morreram atropelados, é porque eu diminuí o ritmo. Mais ainda, talvez, porque o garoto passou para a menina a ideia, naquele olhar fugaz, de que com ele ela estava segura, de que era só confiar e tudo daria certo, eles chegariam ao outro lado da rua, depois ao outro lado do mundo, se quisessem, e seriam felizes para sempre. Mas foi o tiozão aqui quem tornou a travessia possível.
Percebo então que quem atravessou a rua à minha frente não foi um casal de adolescentes, foi a adolescência em si. E quem freou o carro não fui eu, mas a idade adulta. É assim que a adolescência lida com o mundo. Não capitula2: arrisca, peita. “Imagina, se eu mudo meu ritmo, o mundo é que se acostume a ele!”. E porque os adolescentes têm um anjo protetor dos mais poderosos, ou, pelo menos, uma sorte do tamanho de um bonde, acontece de chegarem, quase sempre, sãos e salvos do outro lado da rua.
Já a idade adulta pondera, põe o pé no freio quando convém, faz concessões ao mundo, dirige afinado com a sinfonia dos outros, dentro dessa outra geleia modorrenta cujo nome, hoje, soa tão adolescente: sistema. E por isso me irrito, porque ali, naquela rua, diminuindo meu ritmo, me percebo velho, adequado, apascentado3. Eles vão no ritmo deles, a realidade que se vire.
É assim, distraídos, que mudam o mundo.
PRATA, Antonio. Estadão, 23/12/2008. Disponível em: http://blogdoantonioprata. blogspot.com/2007/10/cruzamento.html. Acesso em: 20 out 2024. Adaptado.
Vocabulário:
1. modorrenta – desinteressante
2. capitula – cede
3. apascentado – adequado
O texto de Antonio Prata é uma crônica narrativa em que se desencadeia uma reflexão a partir do seguinte episódio:
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Você está dialogando com a juventude?
A eleição de 2022 correu o risco de ser aquela com a menor participação jovem desde a redemocratização. Começamos o ano com apenas 12% dos adolescentes entre 16 e 17 anos com título de eleitor, fração muito abaixo de eleições anteriores. Mas não se enganem: não estamos desinteressados na política. Como duas jovens orgulhosamente assinando este artigo, trazemos um spoiler: não somos o futuro, já estamos fazendo história.
O preconceito sobre o desinteresse do jovem na política poderia ser motivado pela falta de diálogo intergeracional e pela afirmação constante de uma narrativa dual sobre a juventude. Ou o jovem é uma exceção extraordinária — uma Malala Yousafzai, uma Greta Thunberg, uma Alice Pataxó —, ou um viciado em redes sociais sem nenhum envolvimento comunitário. A realidade, como sempre, é muito mais cheia de nuances. Somos diversos e assim queremos ser vistos e representados. Como ressignificar essa ideia de jovem que habita o imaginário das outras gerações e assegurar apoio para nossa formação e participação políticas?
Nós já estamos na política e queremos mais. Percebemos a curiosidade do jovem em entender esse mundo nebuloso da política. Porém, essa chama só se transforma em interesse quando as pautas dialogam com a gente. Em outras palavras, não faz sentido querermos que os jovens participem das eleições sem nos esforçarmos para criar mensagens com formatos e linguagens que nos acessem. O que falta para a juventude não é interesse, é espaço de protagonismo e apoio.
Esse é o poder de um chamado horizontal, menos interessado em dar uma bronca em um suposto encostado e mais comprometido com um diálogo verdadeiro com o jovem que já está mudando o mundo — e que, sim, adora um meme, joga videogame e é viciado em séries. Começamos 2022 com o menor número de jovens aptos a votar da história e vimos um crescimento de quase 45% no mês de março, algo que se destaca na comparação com outros anos.
Agora, imagine um país em que apenas os jovens votassem? Temos alguns palpites: maior representatividade de mulheres no Congresso, parlamentares com agendas sólidas com relação às mudanças climáticas e de proteção da Amazônia, projetos que preveem maior investimento na educação pública. Não é utopia, é a realidade tal qual sonhada por jovens que estarão aí para construir pelos próximos 50, 70 anos. Muitos de nós já começaram. Vamos conquistar os que faltam? Vamos fazer deles parte desse futuro mais sustentável e menos desigual?
BRANCO, Helena; SOUSA, Rebeca. Folha de São Paulo, 03/05/2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao /2022/05/voce-esta- dialogando-com-ajuventude. shtml. Acesso em: 30 out. 2024. Adaptado.
O artigo de opinião apresenta marcas de interlocução, isto é, mecanismos linguísticos capazes de estabelecer o contato com o leitor do texto. São exemplos dessas marcas:
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Você está dialogando com a juventude?
A eleição de 2022 correu o risco de ser aquela com a menor participação jovem desde a redemocratização. Começamos o ano com apenas 12% dos adolescentes entre 16 e 17 anos com título de eleitor, fração muito abaixo de eleições anteriores. Mas não se enganem: não estamos desinteressados na política. Como duas jovens orgulhosamente assinando este artigo, trazemos um spoiler: não somos o futuro, já estamos fazendo história.
O preconceito sobre o desinteresse do jovem na política poderia ser motivado pela falta de diálogo intergeracional e pela afirmação constante de uma narrativa dual sobre a juventude. Ou o jovem é uma exceção extraordinária — uma Malala Yousafzai, uma Greta Thunberg, uma Alice Pataxó —, ou um viciado em redes sociais sem nenhum envolvimento comunitário. A realidade, como sempre, é muito mais cheia de nuances. Somos diversos e assim queremos ser vistos e representados. Como ressignificar essa ideia de jovem que habita o imaginário das outras gerações e assegurar apoio para nossa formação e participação políticas?
Nós já estamos na política e queremos mais. Percebemos a curiosidade do jovem em entender esse mundo nebuloso da política. Porém, essa chama só se transforma em interesse quando as pautas dialogam com a gente. Em outras palavras, não faz sentido querermos que os jovens participem das eleições sem nos esforçarmos para criar mensagens com formatos e linguagens que nos acessem. O que falta para a juventude não é interesse, é espaço de protagonismo e apoio.
Esse é o poder de um chamado horizontal, menos interessado em dar uma bronca em um suposto encostado e mais comprometido com um diálogo verdadeiro com o jovem que já está mudando o mundo — e que, sim, adora um meme, joga videogame e é viciado em séries. Começamos 2022 com o menor número de jovens aptos a votar da história e vimos um crescimento de quase 45% no mês de março, algo que se destaca na comparação com outros anos.
Agora, imagine um país em que apenas os jovens votassem? Temos alguns palpites: maior representatividade de mulheres no Congresso, parlamentares com agendas sólidas com relação às mudanças climáticas e de proteção da Amazônia, projetos que preveem maior investimento na educação pública. Não é utopia, é a realidade tal qual sonhada por jovens que estarão aí para construir pelos próximos 50, 70 anos. Muitos de nós já começaram. Vamos conquistar os que faltam? Vamos fazer deles parte desse futuro mais sustentável e menos desigual?
BRANCO, Helena; SOUSA, Rebeca. Folha de São Paulo, 03/05/2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao /2022/05/voce-esta- dialogando-com-ajuventude. shtml. Acesso em: 30 out. 2024. Adaptado.
No terceiro parágrafo, o período “Nós já estamos na política e queremos mais.” apresenta formas verbais que são modificadas por construções de caráter:
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Você está dialogando com a juventude?
A eleição de 2022 correu o risco de ser aquela com a menor participação jovem desde a redemocratização. Começamos o ano com apenas 12% dos adolescentes entre 16 e 17 anos com título de eleitor, fração muito abaixo de eleições anteriores. Mas não se enganem: não estamos desinteressados na política. Como duas jovens orgulhosamente assinando este artigo, trazemos um spoiler: não somos o futuro, já estamos fazendo história.
O preconceito sobre o desinteresse do jovem na política poderia ser motivado pela falta de diálogo intergeracional e pela afirmação constante de uma narrativa dual sobre a juventude. Ou o jovem é uma exceção extraordinária — uma Malala Yousafzai, uma Greta Thunberg, uma Alice Pataxó —, ou um viciado em redes sociais sem nenhum envolvimento comunitário. A realidade, como sempre, é muito mais cheia de nuances. Somos diversos e assim queremos ser vistos e representados. Como ressignificar essa ideia de jovem que habita o imaginário das outras gerações e assegurar apoio para nossa formação e participação políticas?
Nós já estamos na política e queremos mais. Percebemos a curiosidade do jovem em entender esse mundo nebuloso da política. Porém, essa chama só se transforma em interesse quando as pautas dialogam com a gente. Em outras palavras, não faz sentido querermos que os jovens participem das eleições sem nos esforçarmos para criar mensagens com formatos e linguagens que nos acessem. O que falta para a juventude não é interesse, é espaço de protagonismo e apoio.
Esse é o poder de um chamado horizontal, menos interessado em dar uma bronca em um suposto encostado e mais comprometido com um diálogo verdadeiro com o jovem que já está mudando o mundo — e que, sim, adora um meme, joga videogame e é viciado em séries. Começamos 2022 com o menor número de jovens aptos a votar da história e vimos um crescimento de quase 45% no mês de março, algo que se destaca na comparação com outros anos.
Agora, imagine um país em que apenas os jovens votassem? Temos alguns palpites: maior representatividade de mulheres no Congresso, parlamentares com agendas sólidas com relação às mudanças climáticas e de proteção da Amazônia, projetos que preveem maior investimento na educação pública. Não é utopia, é a realidade tal qual sonhada por jovens que estarão aí para construir pelos próximos 50, 70 anos. Muitos de nós já começaram. Vamos conquistar os que faltam? Vamos fazer deles parte desse futuro mais sustentável e menos desigual?
BRANCO, Helena; SOUSA, Rebeca. Folha de São Paulo, 03/05/2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao /2022/05/voce-esta- dialogando-com-ajuventude. shtml. Acesso em: 30 out. 2024. Adaptado.
A palavra “spoiler”, presente no primeiro parágrafo, tem origem na língua inglesa, atuando como um estrangeirismo no português. Sua principal função, no parágrafo de introdução desse artigo de opinião, é:
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Você está dialogando com a juventude?
A eleição de 2022 correu o risco de ser aquela com a menor participação jovem desde a redemocratização. Começamos o ano com apenas 12% dos adolescentes entre 16 e 17 anos com título de eleitor, fração muito abaixo de eleições anteriores. Mas não se enganem: não estamos desinteressados na política. Como duas jovens orgulhosamente assinando este artigo, trazemos um spoiler: não somos o futuro, já estamos fazendo história.
O preconceito sobre o desinteresse do jovem na política poderia ser motivado pela falta de diálogo intergeracional e pela afirmação constante de uma narrativa dual sobre a juventude. Ou o jovem é uma exceção extraordinária — uma Malala Yousafzai, uma Greta Thunberg, uma Alice Pataxó —, ou um viciado em redes sociais sem nenhum envolvimento comunitário. A realidade, como sempre, é muito mais cheia de nuances. Somos diversos e assim queremos ser vistos e representados. Como ressignificar essa ideia de jovem que habita o imaginário das outras gerações e assegurar apoio para nossa formação e participação políticas?
Nós já estamos na política e queremos mais. Percebemos a curiosidade do jovem em entender esse mundo nebuloso da política. Porém, essa chama só se transforma em interesse quando as pautas dialogam com a gente. Em outras palavras, não faz sentido querermos que os jovens participem das eleições sem nos esforçarmos para criar mensagens com formatos e linguagens que nos acessem. O que falta para a juventude não é interesse, é espaço de protagonismo e apoio.
Esse é o poder de um chamado horizontal, menos interessado em dar uma bronca em um suposto encostado e mais comprometido com um diálogo verdadeiro com o jovem que já está mudando o mundo — e que, sim, adora um meme, joga videogame e é viciado em séries. Começamos 2022 com o menor número de jovens aptos a votar da história e vimos um crescimento de quase 45% no mês de março, algo que se destaca na comparação com outros anos.
Agora, imagine um país em que apenas os jovens votassem? Temos alguns palpites: maior representatividade de mulheres no Congresso, parlamentares com agendas sólidas com relação às mudanças climáticas e de proteção da Amazônia, projetos que preveem maior investimento na educação pública. Não é utopia, é a realidade tal qual sonhada por jovens que estarão aí para construir pelos próximos 50, 70 anos. Muitos de nós já começaram. Vamos conquistar os que faltam? Vamos fazer deles parte desse futuro mais sustentável e menos desigual?
BRANCO, Helena; SOUSA, Rebeca. Folha de São Paulo, 03/05/2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao /2022/05/voce-esta- dialogando-com-ajuventude. shtml. Acesso em: 30 out. 2024. Adaptado.
No texto de Helena Branco e Rebeca Sousa, há uma clara defesa da diversidade da juventude em relação a seus desejos e suas motivações. Ao se referirem à atuação política desse grupo no segundo parágrafo, as autoras buscaram:
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